Capítulo 18: Convivência

Vistoriava aquele anjo, o analisando, claro que ele não era feio, era lindo, estonteantemente lindo, como era possível ser assim tão hipnotizante?... Parou naqueles lábios pequenos, queria tanto senti-los, aproximou-se mais ainda e estava prestes a beija-lo quando ouve um resmungo vindo do aquariano, ele estava acordando, como explicaria aquela proximidade agora?

Quando o leonino viu que o loiro ia acordar o largou de súbito desfazendo o contato e se levantou, fazendo o russo cair no sofá e acordar de vez assustado.

Hyoga abriu os olhos estava tão sonolento e com a vista embaçada que mal identificava o que estava a sua frente, quando viu que era Ikki que estava com o rosto próximo do seu ele acordou de vez no susto e logo depois foi largado de súbito e não teve tempo de se equilibrar e caiu de cara no sofá.

─Hã, mas o que foi que houve? – disse atordoado e colocando a mão na testa pelo choque que teve com o sofá.

─Vo-você acabou dormindo em cima de mim e eu tentei te ajeitar melhor no sofá e você acabou acordando. – disse virando-se de costas e bastante vermelho.

─Dormindo em cima de você? – perguntou vermelho e se ajeitando de vez no sofá.

─Sim.

─Er... De-desculpe frango. É que eu estava muito cansado e acabei cochilando de vez, não vi onde tinha dormido... Desculpe pelo atrevimento. – disse mais vermelho ainda, onde já se viu dormir em cima de Ikki, logo dele.

─Deixa isso pra lá... Melhor se ajeitar melhor pra dormir senão vai acordar dolorido se dormir de qualquer jeito. – disse ainda de costas.

─Hm. – estranhou o leonino estar de costas pra ele e com a voz mostrando nervosismo, mas afinal por que o leonino estava tão próximo assim dele se estava acordado e poderia ter dado tempo dele desfazer o contato bem antes? Ficou pensando nisso quando direcionou o olhar pra varanda e viu que a chuva já tinha parado e esboçou um sorriso. ─Er... eu acho que já posso ir embora frango... a chuva já passou. – disse já levantando.

Essa ultima frase fez o leonino voltar-se pra varanda e depois para o loiro.

─Você disse que ia dormir aqui pato. – disse um pouco irritado e até esqueceu-se da situação constrangedora que estavam.

─Não, eu disse que ficaria só até a chuva passar, e já passa das duas da madrugada, ninguém vai notar se eu usar minha velocidade agora. – disse indo calçar os sapatos.

─Mas...

─Não se preocupe que amanhã eu ligo pra perguntar pelo Shun. – disse e o leonino observava cada movimento do loiro com irritação, não queria que ele fosse embora.

─Shun... – disse com a cara fechada. – sempre o Shun.

─Sim, quero saber como ele vai estar... me preocupo com ele... Mas podemos aproveitar e combinar o horário pra você tirar a tal foto amanhã, o que acha? – disse indo pra porta.

Amenizou suas feições quando o loiro falou da foto.

─Você tem tempo amanhã?

─Não exatamente, quando eu disse que tinha que trabalhar mais é porque eu vou me apresentar na policia japonesa amanhã, então estarei ocupado, por isso tenho que ir logo pra casa e arrumar o que falta... a tarde eu vou pra Sibéria treinar Jacó, essa vai ser minha rotina daqui por diante, terei pouco tempo livre, mas pode me ligar pra confirmar um horário e nos encontramos depois... Posso reservar um horário pra você. – disse se explicando, pois parecia que o leonino estava irritado por ele querer ir embora.

─E a noite?

─A noite eu investigo os casos que recebo de fora.

─E quando você dorme? – disse franzindo cenho, esse russo parece que não descansa.

─Ah... sei lá... de madrugada... talvez, eu acho. – disse como se fosse qualquer coisa.

─Mas você tem que dormir direito pato, senão vai ficar igual hoje, você mal se aguentava em pé de tanto cansaço. – disse repreendendo o loiro.

─Ah, er... você percebeu?... Mas hoje eu usei muita energia nos treinos que fizemos, por isso me cansei mais rápido. – disse se explicando e estranhando a preocupação do leonino.

─É claro que eu percebi, será possível que eu vou ter que cuidar de você que nem eu faço com o Shun? – falou sem pensar direito por causa da irritação.

─Er... isso não é necessário frango... Eu sei me cuidar... Obrigado pela preocupação, mas estou acostumado com essa rotina, não se preocupe. – disse coçando a cabeça envergonhado era a primeira vez que alguém o repreendia assim sem ser Camus, o mais estranho ainda era ter Ikki fazendo isso.

Ikki se arrependeu instantaneamente pelo que disse, estava passando dos limites, desde quando o aquariano tinha que dar satisfações da vida dele?

─Não quis dizer que tenho que cuidar de você... eu só, er... só estava pensando que talvez... Talvez você devesse descansar mais, tem que se cuidar melhor, pense na sua saúde. – disse vermelho e olhando pros lados.

─Hm. É eu sei, vou me cuidar. – o olhou desconfiado.

─Po-podemos almoçar juntos amanhã? Quer dizer... Eu tenho trabalho amanhã de manhã também e a tarde também tenho que treinar o Theodoro, mas estarei livre no horário de almoço e podemos nos encontrar e almoçar juntos, o que acha? Você almoça né? – disse querendo mudar logo de assunto e convidando o loiro pra passarem mais tempo juntos.

─Bom... tudo bem então, depois de me apresentar na policia eu ainda tenho umas duas horas livre antes de ir pra Sibéria. – disse pensando melhor.

─Ótimo, quero ficar de olho pra ver se você vai comer mesmo. – disse sério de novo.

─Está preocupado se eu vou comer também frango? – disse rindo.

─E-eu? Cla-claro que sim, não quero ver você doente, senão quem é que eu vou encher enquanto você estiver de cama? – disse tentando parecer natural.

─rsrsrsrsrsrsrsrs. Certo, certo. – disse ainda rindo. ─Ah, er... frango, mas e o Shun? – disse lembrando-se do outro Amamiya, ainda não tinha pensado no que diria para o virginiano sobre o que tinha descoberto, nem ao menos sabia se diria alguma coisa ou então tentaria evita-lo por um tempo.

─O que tem ele?

─Ele vai nos acompanhar?

─Bom, ele tem que ir pra ilha de Andrômeda amanhã de manhã também, não sei como, mas vou tentar acorda-lo na hora, fora que ele tem que ir buscar o carro dele na boate, se der sorte o remédio que eu dei pra ele vai amenizar os sintomas da ressaca e ele vai passar o dia tranquilamente... e normalmente ele fica o dia todo na ilha, quando não ele volta a tarde pra escrever o livro dele e a noite ele vai pra faculdade.

─Então ele não vai poder nos acompanhar? – disse até um pouco aliviado, por não ter que encarar Shun ainda.

─Não... Mas você quer que ele vá também? – perguntou um pouco triste, afinal Shun era bem mais amigo do loiro do que ele, então se Shun estivesse presente ele quase não teria a atenção do loiro.

─Não é necessário, se ele está ocupado então não vou incomoda-lo. – disse de imediato.

─Bom, então até amanhã, posso te ligar mesmo? – disse ainda vermelho.

─Sim, sem problemas. Você tem o numero?

─Er, não.

─Vou lhe dar o de trabalho então, o meu telefone pessoal você já sabe né... Vai ser a única pessoa a tê-lo, então não passe a mais ninguém, por favor. – disse pensando melhor.

─Ok, sem problemas. – disse e anotou o numero que o loiro lhe passou.

─Então tá... Até amanhã frango. – disse saindo.

─Até.

Ikki fechou a porta e suspirou aliviado pelo loiro não ter desconfiado da cena de quando acordou. E ele estava mais feliz ainda por ter a chance de ficar mais um tempo com o loiro. E a foto tinha sido uma excelente desculpa pra se manter perto dele, fora que o russo disse que reservaria um tempo pra ele, só pra ele, isso o deixou mais alegre ainda.

Dirigiu-se para banheiro e viu as roupas do loiro espremidas na pia e as colocou na secadora, teria que as devolver também e estava feliz em ter mais uma desculpa pra ver o aquariano. Voltou pra sala e deitou-se no sofá, acabou adormecendo pensando no loiro e tendo sonhos onde eles eram mais que amigos.

...

Chegou em casa e arrumou suas coisas pra se apresentar na policia no dia seguinte, quando terminou jogou-se na cama e pensou no dia agitado que teve, nos sentimentos de Shun, o que faria dali pra frente, afinal não queria de forma alguma magoar o amigo, e ainda por cima a amizade que estava desenvolvendo com Ikki, tudo ainda era muito novo pra ele, mas tentaria se adaptar. Adormeceu de novo pensando em tudo que estava se desenrolando.

...

Acordou no pulo com o telefone da sala tocando insistentemente.

─Alô! – falou de repente e irritado por ter sido acordado daquela forma.

─Oi frango, te acordei? – disse o loiro.

─HYOGA! – disse surpreso e exaltado, não esperava que ele ligasse tão cedo, mas estava feliz em ouvir a voz da pessoa que tomou conta de seus sonhos aquela noite.

─Calma, está agitado, posso ligar depois se preferir...

─Não! Quer dizer... pode falar, é que eu acordei agora mesmo e tô meio tonto... o que houve? – disse já se acalmando.

─Nada, só liguei pra perguntar pelo Shun, ele tá bem? Já acordou? - disse preocupado com o amigo.

─Ah... ele ainda não acordou, vou tentar chama-lo agora. – disse perdendo o animo. ─E você? – disse bocejando ainda, como aquele aquariano conseguia dormir tão pouco?

─Eu o quê?

─Conseguiu dormir alguma coisa pato? Você disse que precisava arrumar algumas coisas e já cedo está de pé... Ainda são 6:00 h, dormiu por acaso? – disse preocupado com o loiro.

─Ah, é que eu já sou acostumado a dormir pouco, mas estou bem sim.

─Hm... e a que horas você vai sair?

─Vou cedo, tenho que comprar um celular novo e buscar outro carro pra substituir o meu por enquanto, a seguradora me ligou e eu tenho que ir lá hoje cedo pra escolher outro carro, de lá vou para a agência de policia, já pedi um taxi.

─Taxi?... er, eu tenho que sair agora cedo também, posso passar aí e pegar você.

─Não é necessário frango, não quero incomodar, eu me viro.

─Será possível que eu tenho que te adular em tudo pato, eu vou passar aí e pronto.

─Mas...

─Vou tentar acordar o Shun agora e me arrumar, daqui uns 30 min estou aí. Tchau. – E desligou antes do aquariano responder.

─Aff teimoso... o jeito agora é esperar... – disse Hyoga pegando o telefone e cancelando o taxi.

Ikki foi pro quarto do irmão tentar acorda-lo. Entrou e viu que Shun ainda dormia profundamente abraçando o travesseiro.

─Shun, Shun, vamos, acorde... Shun... – disse balançando o virginiano.

Depois de muito chamar que Shun vai acordando aos poucos.

─Hã? Que foi irmão? – disse sonolento e virando-se.

─Levanta, você não tinha que sair cedo hoje pra ilha?

─Que ilha?

─A ilha de Andrômeda Shun... Anda, levanta logo... já se sente melhor?

─ILHA! Ai, droga, que horas são Ikki? – disse levantando de súbito.

─São 6:00 h.

Suspirou. ─Ufa, ainda bem, pensei que era mais tarde... Mas por que perguntou se estou melhor?

─Ah, é que eu pensei que você acordaria com uma ressaca terrível, afinal você exagerou ontem. – disse afagando os cabelos do irmão e levantando.

─Ah, é mesmo... eu bebi... – disse franzindo cenho, tentando lembrar aos poucos do que aconteceu na noite anterior, mas o que Ikki não sabia era que ele lembrava aos poucos tudo que acontecia quando bebia, demorava, mas lembrava. ─E o Oga? Ele dormiu aqui? Lembro que ele veio com a gente né? – disse massageando os olhos e com uma leve dor de cabeça.

─Veio, mas ele foi embora de madrugada.

─Sério? Ele ficou muito tempo?

─Er, não. É que ele estava esperando a chuva passar.

─Então... bom, ele ficou aqui comigo? – disse um pouco vermelho.

─Não. Ficou só até você dormir. – disse já se retirando e evitando olhar o irmão.

─E o que ele fez depois? - disse curioso se levantando também.

─Er... Sei lá... ficou por aí, preparei uma comida e conversamos. – não estava exatamente mentindo pro irmão, mas alguma coisa lhe dizia pra não detalhar a noite que teve com o loiro.

─É serio? Hum... Conversaram sobre o que? – desconfiou o modo como Ikki falou.

─Sei lá... coisas. – disse do seu próprio quarto e pegando roupas e a toalha.

─Que tipo de coisas?... Falaram de mim? – disse tentando tirar alguma informação do irmão.

─Qualquer coisa... agora me deixa tomar meu banho. – disse entrando logo no banheiro quando lembrou das roupas que o loiro esqueceu e as guardou, pensou em esconder aquilo também, e nem entendia ainda o porquê, fora que omitiu o fato ter estar indo buscar o loiro em casa, parecia um tanto egoísta, mas queria ter um tempo a mais com o russo.

─Vai rápido que eu tenho que sair cedo também. – disse Shun aborrecido com o irmão que parecia esconder algo, foi pro armário escolher uma roupa.

Ikki tomou banho e se vestiu rápido, teria que fazer isso em menos de meia hora.

─Já vou Shun... Ah, você tem que pegar seu carro na boate. – disse pegando as chaves.

─Pegar meu carro? – gritou do banheiro.

─É, não dava pra mim dirigir dois ao mesmo tempo né. – disse saindo.

─Ah não Ikki, pega ele pra mim, eu vou me atrasar, e se eu deixar a June na mão e novo ela me mata.

─Deixa de drama, é só pegar um taxi até lá, é rápido.

─Espera aí então, me dá uma carona. – disse saindo do banheiro.

─Eu tô atrasado Shun. – disse impaciente.

─Mas você sempre se atrasa... que pressa toda é essa? – disse desconfiado.

─Er... Nada... Anda logo então. – disse emburrado e sentando no sofá.

Shun se vestiu rapidamente e seguiram juntos. Já estavam no carro quando Shun volta a encher o irmão de perguntas.

─Quer dizer que você e o Oga conversaram é... você ainda não me disse sobre o quê irmão. – disse olhando pra Ikki com suspeita.

─Aff. Será possível Shun, daqui a pouco você vai querer que eu grave as conversas que eu tenho com o pato.

─Tá bom, tá bom, não tá mais aqui quem perguntou, só fico imaginando que tipo e assunto vocês teriam pra conversar ora. – disse, mas Ikki procurou ignorar o comentário.

Seguiram o caminho em silencio com um Ikki emburrado e um Shun desconfiado.

Shun pegou seu carro na boate e o levou pra casa para depois seguir pra ilha de Andrômeda, enquanto Ikki dirigia-se pra casa de Hyoga, e já estava atrasado.

Chegou lá e tocou a campainha inúmeras vezes e afobado com medo do loiro ter ido de taxi mesmo por causa da demora.

Hyoga abre a porta de repente e estranhando a agitação do visitante.

─Ah, oi frango.

─O-oi pato. Desculpe a demora, é que eu levei o Shun pra pegar o carro dele primeiro e... – disse vermelho por ver o loiro de novo.

─Tudo bem. Você só se atrasou 15 min. Vamos? – disse entrando e pegando sua pasta de trabalho prendendo a alça no ombro e preparando-se pra sair.

─Cla-claro. Vamos. – disse vermelho.

Seguiram caminho com Hyoga tranquilo e Ikki nervoso por causa da presença do loiro, já estava ficando embaraçoso ficar tão perturbado com a simples presença do aquariano, nem parecia que tiveram uma noite tão amigável.

─E o Shun? – o loiro perguntou.

─O que tem ele? – disse de súbito.

─Como ele está?

─Ah sim, tá bem... o remédio fez efeito e ele não acordou tão mal hoje.

─Hm. Que bom... ele vai ficar o dia todo na ilha de Andrômeda certo?

─É.

Ficaram mais um tempo em silencio.

─Nosso almoço está de pé? – disse Ikki

─Hã? – disse o loiro que já tinha se distraído de novo pensando no Amamiya mais novo. ─Ah sim, claro.

─Quer que eu vá te buscar?

─Não é necessário, vou pegar outro carro agora lembra?

─Ah é mesmo... – disse meio abobalhado ─Então aonde vamos nos encontrar pra almoçar?

─Não sei. Escolhe e me liga pra nos encontrarmos no local. – disse Hyoga.

─Tem certeza? – disse Ikki.

─Sim... Ah, qualquer lugar menos um restaurante japonês, por favor. – disse Hyoga.

─Por quê? – disse Ikki.

─Detesto comida japonesa. – disse o loiro fazendo uma careta de desgosto.

─rsrsrsrsrsrs. Sério? Você morou tantos anos no Japão e ainda não gosta de comida japonesa?

─O quê que tem?

─Você me surpreende cada vez mais pato. É muito fresco.

─Não sou fresco. – disse indignado.

─É sim, onde já se viu um japonês que não gosta de comida japonesa.

─Eu não sou japonês sou descendente, é diferente.

─rsrsrsrsrsrsrs. Certo, certo. – disse o leonino rindo.

Chegaram no local pra Hyoga escolher outro carro e depois seguiram seus caminhos separados.

...

Hyoga entrou na agencia de policia impassível como sempre, obviamente aquele tipo de ambiente já lhe era familiarizado o suficiente. Era um lugar grande, a central de policia japonesa e tinham vários policiais circulando o tempo todo com presos, papeis ligações, enfim, como uma típica delegacia de cidade grande. Dirigiu-se pra recepção e falou com uma jovem policial, típica japonesa também, tinha longos cabelos negros e parecia muito simpática, ela atendia as chamadas de emergência.

─Bom dia. Vim falar com o Comissário Yamada. – disse sempre sério.

A moça ficou um bom tempo olhando o aquariano sem dizer nada e nem disfarçar, tempo que chegava a incomodar.

─Me ouviu? – perguntou estranhando.

─Ah, er, sim... Qual o seu nome senhor? – disse sorridente olhando abobada pro aquariano.

─Alexei Yukida.

─Pois não. – a moça discou o numero do gabinete do comissário começou a falar sem desviar o olhar do loiro. ─Sr. Yamada há um rapaz aqui que quer falar com o senhor... Ele disse que se chama Alexei Yukida... Sim senhor. – desligou o telefone e chamou outra policial pra ficar em seu lugar atendendo as chamadas.

─Por aqui senhor. – disse chamando o loiro pra acompanha-la.

─Obrigado. – disse simplesmente e a acompanhou. Pegaram o elevador que levava para os gabinetes.

─O senhor deve ser muito importante, o senhor Yamada pediu pra leva-lo imediatamente ao encontro dele. – disse olhando pro loiro que permanecia impassível com seu costumeiro olhar frio. A policial olhava vez ou outra pra ele com um sorriso bobo afinal um loiro de olhos azuis como aquele não se vê todo dia no Japão. ─Deve estar surpreso com a agitação por aqui. - disse tentando puxar assunto, já que Hyoga permanecia calado.

─Não. – disse simplesmente.

─Não? A maioria das pessoas fica surpresa quando entra numa delegacia, ainda mais sendo a central. – disse surpresa. ─O senhor é um detetive?

─Sim.

─Agora tá explicado. Vai trabalhar conosco então? – disse mais sorridente.

─Sim.

─Que ótimo, precisamos mesmo de mais pessoal, estamos sobrecarregados e tentando colocar tudo em ordem antes do detetive internacional chegar... já deve ter ouvido falar né? Ele usa o codinome Cisne, deve ser incrível ter alguém tão importante assim conosco, sabia que ele está vindo dos Estados Unidos só pra ficar com a gente?... Ainda não sabemos por que ele veio pro Japão, mas isso não importa... pena que não podemos saber quem é, pode ser qualquer um, somente o comissário sabe, soube que até a Interpol está financiando ele, queria tanto conhecê-lo, ele já até pode estar aqui agora... não seria incrível topar com o incrível detetive do nada? Como será que ele é? Gostaria tanto de conhecê-lo... – olhou pro loiro que continuava calado. ─Você é quieto, deve estar incomodado, eu falo demais às vezes... Veio se apresentar hoje né? De onde você é? Nunca te vi aqui antes, você parece um estrangeiro, percebi um sotaque diferente na sua voz, quantos anos você tem? – ficou esperando a resposta do loiro que não veio, mas continuou falando. ─Eu também sou detetive... estou começando agora, sou recém formada na academia, na verdade comecei ontem, estou na recepção por enquanto, estou ansiosa pra entrar em ação, só estou esperando alguém pra me treinar, meu pai disse que vai colocar alguém a disposição, mas até agora nada... tomara que encontre logo. – disse olhando sugestiva pro loiro. Chegaram à sala do comissário e ela bateu na porta. ─Está entregue senhor Yukida, seja bem vindo e espero conhece-lo melhor com o tempo... Até logo.

─Hm. Obrigado. E até logo senhorita. – disse um pouco incomodado em estar com alguém tão tagarela, apesar de ter ficado somente alguns minutos com a garota. Ofereceu a mão em cumprimento de agradecimento.

─Meu nome é Naomi, Yamada Naomi. – disse sorrindo e apertando a mão do loiro que a olhou surpreso relacionando os nomes.

─ Naomi, "beleza", apropriado. – pensou o significado do nome da garota e ficou olhando ela se distanciar e sorriu, será que o comissário era assim tão tagarela quanto a filha?

Entrou na sala e viu um homem meio calvo com cabelos grisalhos, de óculos e com expressões sérias lendo alguns papeis a sua mesa. ─Parece que ele não é. – pensou.

─Com licença.

─Pode entrar senhor Yukida. – disse o senhor esboçando um pequeno sorriso agora.

Hyoga se aproximou da mesa de seu novo chefe e o cumprimentou numa típica reverencia japonesa.

─Bom, você não é bem como eu imaginava Cisne... – disse olhando pro loiro calado.

─Apenas Alexei por favor.

─Ok. Vamos ao ponto... Recebi agora a pouco a ligação do comissário Parker do FBI em New York, ele disse que o senhor chegaria hoje, disse ainda que recebeu vários casos de fora ultimamente... Espero que isso não atrapalhe seu desempenho aqui no Japão e faça valer sua fama, ouvi falar que resolveu um caso de serial killer em apenas um dia, é verdade?

─Sim senhor. – disse impassível.

─Me avisaram que o senhor era assim também. – disse sorrindo e sentando-se e oferecendo a cadeira a sua frente pro loiro finalmente sentar também.

─Desculpe, assim como? – disse sentando e olhando o comissário curioso, parecia querer desvendar aquele homem também.

─Brilhante, mas frio e sério... e um tanto arrogante. – disse analisando o rapaz que pareceu pouco se importar com os comentários. ─Você é muito novo Alexei, quantos anos tem?

─20.

Sorriu. ─Quase a mesma idade da minha filha embora a personalidade dela aparente que seja mais jovem, a conheceu agora, certo?

─Sim. Ela me pareceu uma pessoa bastante animada.

─Ela é...

Ficou mais um tempo observando o loiro que parecia pouco se importar.

─Você é o quê Alexei? Alemão?

─Sou russo.

─Bem vi... esses cabelos loiros devem chamar muita atenção aqui no Japão.

─Um pouco.

─Ser gaijin* às vezes é difícil, as pessoas notam de cara.

─Bom, até agora não tive nenhum problema com isso.

─Hum. Então... Já se acomodou? Alugou um apartamento? O FBI nos orientou e lhe oferecer o que for necessário para que trabalhe tranquilamente.

─Não é preciso, já comprei uma casa próxima ao centro, estou acomodado, obrigado.

─Tem uma coisa que ainda não entendo Alexei... Porque está aqui?... Você deve saber melhor do que qualquer um que a taxa de criminalidade no Japão é mínima em comparação com a americana, então porque resolveu mudar-se?

─Família. – disse simplesmente.

─Hm, você tem familiares no Japão?

─Sim.

─Entendo... Moram com você?

─Pensei que trataríamos dos casos pendentes do Japão senhor Yamada. – disse incomodado com o interrogatório. ─Acredito que o FBI lhe alertou sobre esses tipos de perguntas, estou certo?

─Desculpe, apenas quero conhece-lo melhor, caso tenha problemas e possamos ajuda-lo.

─Você saberá o necessário no momento certo senhor Yamada. Não que eu queira esconder alguma coisa, mas seria pra sua própria segurança também. – disse alertando o comissário.

─Certo, entendo... – suspirou. ─Vou ser sincero com você Alexei, ainda tenho duvidas quanto a sua capacidade, tem certeza que vai dar conta de tantos casos de uma vez?

─Posso garantir minha competência com base nos muitos casos que solucionei senhor Yamada... Achei que comprovar minha capacidade não seria necessário, afinal o senhor bem sabe os casos que tenho resolvido por todo o mundo através dos relatórios do FBI.

─Sim, mas...

─Deixe-me ver... Deve ter ouvido falar do caso de Las Vegas quanto ao roubo do cassino do milionário Turner... no assassinato da família Johnson de Nova Jersey... e o ultimo que o senhor mencionou, o serial killer do Texas... há outros casos também na França, Inglaterra, Moscou, Canadá... Enfim, pressenti que isso seria necessário embora eu ainda estivesse na dúvida, mas em todo caso trouxe alguns documentos dos meus casos anteriores. – disse já abrindo a maleta revelando várias pastas dentro dela e as entregando ao comissário.

Ele começou a folhear as pastas e constatou que se tratava realmente de documentação sigilosa. Havia fotos, laudos médicos, mapas, pistas, enfim, cada pasta referente a cada caso que Hyoga falou.

─Como pode ver há documentos que comprovam minha competência... Fiz também um relatório de alguns casos japoneses que resolvi há algum tempo e que não foram divulgados na mídia, como pode ver aí há o caso do sequestro da filha do ministro Fujita em Yokohama em 2010 e a estranha sequencia de roubos nos bancos de Tokyo-Mitsubishi... – ficou um tempo olhando pro comissário que ainda parecia querer dizer alguma coisa e não era por não estar convencido. ─O senhor não está pensando que eu não posso dar conta do serviço por causa da minha competência não é senhor Yamada? É outra coisa... – perguntou olhando desconfiado para o senhor a sua frente.

─Bom, é que... Sabe Alexei, você poderia ter ajudar se quisesse. – disse retirando os óculos e fazendo uma massagem nos olhos com uma postura bastante cansada.

─Senhor Yamada... o senhor deve saber pelo comissário Parker que eu reúno uma equipe de confiança para me ajudar nos casos forenses, certo? Tanto pra analise quanto para o campo.

─Er, sim, ele mencionou isso. Mas eu quero dizer uma parceria, você poderia ter mais companhia...

Hyoga sorriu entendendo logo onde ele queria chegar.

─Quer que eu treine sua filha, certo? – disse suspirando.

─Bom, er...

─Quando eu reúno minha equipe de apoio procuro apenas pessoas não só com qualificação, mas também com experiência... e sua filha não tem experiência, e eu não confiaria em uma agente assim em campo, ela pode por em risco tanto os companheiros quanto ela mesma... ela ao menos acompanhou alguém pelo menos em alguma cena de crime?

─Não.

─Então receio que ela não é indicada. – disse em conclusão.

─Olha Alexei... eu sei que isso é muito repentino, mas creio que ela é qualificada sim, ela passou com as melhores notas na academia, ela é bem treinada... Pode proceder a ações e pesquisas investigativas sem problemas... Ela é boa, eu garanto, fui eu mesmo que a treinei em teoria... E eu pensei, bom... Que um detetive tão famoso quanto você pudesse treina-la em campo... Gostaria que ela aprendesse com o melhor. – disse com um sorriso que mais suplicava.

─Não vou ser babá de ninguém senhor Yamada. – disse mais arrogante.

─Não seja tão arrogante garoto, o que custa você treina-la?

─Não é arrogância comissário, isso é precaução, pela segurança da sua própria filha também, não terei tempo de prestar atenção nela e nos casos ao mesmo tempo, e isso custaria meu tempo, o senhor melhor que qualquer um sabe o quanto estarei ocupado então não vejo tempo pra andar com alguém que só me atrapalharia. ─ disse tranquilamente.

Suspirou, aquele rapaz era muito arrogante, mas sabia o quanto sua filha podia ser estabanada de vez em quando e isso realmente atrapalharia, então até que o loiro tinha razão, mas como é que sua filha ganharia experiência sem se arriscar? Então mesmo que o russo dissesse que não poderia cuidar dela e analisar as cenas de crimes ao mesmo tempo o loiro ainda faria o melhor, afinal era um detetive bem treinado em defesa também, então continuaria insistindo.

─Um mês.

─O quê?

─Fique com ela por um mês e eu reunirei a melhor equipe que você já teve, vou trazer os melhores detetives do país pra trabalhar aqui com você... Isso lhe poupará tempo.

─Hm.

─Vamos lá, ela vai ser uma boa parceira, acredite, ela aprende rápido.

Suspirou, aquele homem não ia deixar de insistir até ele aceitar, fora que a organização de uma equipe competente já tinha sido solicitada pelo policia Americana para a japonesa, afinal o loiro continuaria a trabalhar pra os americanos mesmo a distancia, logo uma boa equipe de detetives no Japão também os beneficiaria, sendo assim o comissário não estaria lhe fazendo um favor e sim cumprindo uma ordem afinal a Interpol o estava financiando, fora que a filha dele não parecia ter o perfil de profissional que ele estava procurando, mas tentaria senão ele iria parar de atormenta-lo.

─Vai ter uma condição. – disse depois de um tempo.

─O que quiser Alexei. – disse mais animado.

─Quero uma equipe de seis pessoas, três vão ficar em laboratório pra pericia, e os outros três se deslocaram para avaliação de cenas de crime, sua filha ficará meio período em laboratório e no outro ela vira comigo conforme a necessidade, eu escolherei quando ela irá... e o mais importante... ninguém deve saber que eu sou o Cisne, não quero esse tipo de atenção.

─Tudo bem, sem problemas, cuidarei de tudo... e agradeço muito Yukida, estou feliz em saber que Naomi vai ter o melhor treinador que existe. – disse sorrindo e oferecendo a mão em cumprimento para o loiro.

─Ok. – disse sem animo.

─Certo, então vamos ao trabalho... Sei que não vai querer esperar pra começar enquanto eu reúno a equipe, então quero que você comece a trabalhar... Acabamos de receber um alerta de um caso de tiroteio em Shinjuku com vitimas, quero que vá lá e investigue o ocorrido, têm acontecido muitos casos aleatórios desse tipo ultimamente por toda Tóquio, podem estar relacionados... já tem uma equipe lá então quero que se acomode primeiro antes de ir, vou chamar um policial pra acompanha-lo.

─Entendo, mas como irei me apresentar sem o distintivo?

─Ah sim, isso já foi providenciado. – disse pegando o distintivo e a arma na gaveta e entregando ao loiro. ─Aqui está. Bem vindo à equipe Alexei. – disse com um sorriso.

─Se já tem uma equipe lá então não há mais risco certo?

─Sim.

─Então Naomi vem comigo.

─Mas já? Como quiser então. – disse mais sorridente e chamou a filha pelo telefone e não demorou muito pra ela chegar.

─Sim Chichi (*papai)? Desculpe, quer dizer, senhor Yamada. – disse sem jeito por ver que o loiro ainda estava ali.

─Pode entrar Naomi, você já conheceu o Alexei... Ele é um novo detetive e vai treina-la. – disse com um sorriso e a garota direcionou um sorriso para o loiro.

─É sério? Que bom que vou ficar com você Alexei, acredito que vamos nos dar muito bem. – disse sorrindo, mas apenas recebeu o mesmo olhar frio do aquariano.

─Ok, podem se conhecer melhor com o tempo, agora o leve para Shinjuku para a chamada que tivemos agora a pouco... vão começar agora. – disse instruindo a filha.

─Mas já? – disse Naomi.

─Sim, você mostrará as instalações do prédio, laboratórios e apresentará o pessoal para o Alexei mais tarde quando voltarem, entendido.

─Sim, Chichi*. Vamos Alexei? – disse alegremente.

─Certo, vamos. – saíram e dirigiram-se para a saída.

Naomi foi pro seu carro no estacionamento e esperava que o loiro a acompanhasse, mas ele foi pro lado oposto.

─Aonde vai? – disse o loiro.

─Pro meu carro, vou leva-lo a Shinjuku lembra? – disse se aproximando do loiro.

─Vamos no meu carro. – disse o loiro simplesmente se virando e entrando no carro.

─Mas você não sabe onde é.

─Sei, vivi em Tóquio por um bom tempo, conheço a cidade. – disse já esperando a moça entrar.

─Mas Chichi disse que você viria comigo, eu nasci aqui então sou familiarizada com a cidade logo sei guiar melhor. – disse cruzando os braços em desgosto.

─Sou eu que a estou treinando, então sem discursões e entre no carro, por favor. – disse aborrecido com a demora, àquela garota parecia ser a irmã de Seiya, tão teimosa quanto.

─Hunf. – suspirou resignada e entrou no carro a contragosto.

─Devia ser gentil comigo, sou filha do seu chefe. – disse como se fosse um trunfo.

─Estou sendo gentil. – disse friamente e ligando o carro.

─Não está não. Acabamos de nos conhecer e você já está pensando que pode mandar em mim.

Suspirou. ─Eu posso mandar em você... Acho que seu pai devia tê-la explicado detalhadamente a situação. Escute, vamos nos entender melhor... eu serei seu sensei por um mês, foi o acordo que fiz com seu pai, então sendo minha pupila você se torna uma subordinada que deve obedecer todas as minhas ordens entendeu? – mais claro que aquilo não podia ser.

─Por um mês? Como assim? E que historia é essa de ordens? Você só pode estar brincando, eu não recebo ordens, sou um pássaro livre.

Suspirou de novo, bem como pensou aquela garota seria um problema.

─Certo pássaro livre, então se não quiser receber ordens desça e vá pra Shinjuku a pé. – disse simplesmente.

─Você é tão mau, me enganei sobre você, pensei que era uma boa pessoa. – disse emburrada.

─Então se enganou plenamente, não estou aqui pra mima-la, e se não quiser ser treinada desce agora. – disse ignorando o drama da garota. – Ótimo, ganhei uma irmã birrenta. – pensou.

─Tá bom, vou obedecê-lo, mas não pense que tem poder sobre mim, só faço isso porque sei que Chichi vai levar uma eternidade pra encontrar outra pessoa pra substitui-lo. – disse aborrecida, mal sabia a sorte que tinha em ser treinada pelo melhor detetive que existe.

─Tanto faz. Agora coloca o cinto. –disse ligando o carro de novo.

─Tá, chato. – disse de cara fechada.

Seguiram com a nova parceira do loiro emburrada e o loiro irritado pelo que tinha se metido.

─Fale-me dos acontecimentos aleatórios do tipo que aconteceu em Shinjuku. – disse tentando estar a par do novo caso.

─Não sabemos ainda, só sabemos que sempre acontecem em locais bastante movimentados e ninguém nunca consegue vê de onde partem os tiros, o desespero toma conta e as pessoas se afugentam em seguida, mas sempre se tem um numero certo de vitimas, são exatamente duas, mas só uma é fatal. Parece uma tentativa de chamar atenção ou algo assim.

─Hm. Parece que você sabe bastante sobre esse caso... Quantos do tipo aconteceram?

─Com esse já são seis.

─Bom saber que você sabe falar coisas uteis quando precisa. – disse com um sorriso irônico.

─Ei, não me trate como uma simples policial... fiz treinamentos teóricos e me sai muito bem em todos eles. – disse cheia de orgulho.

─Bom saber. – disse e continuou sério.

─Você é sempre calado assim? – disse depois de um tempo em silencio, ficou esperando a resposta obvia que não veio.

─...

─Porque não responde minhas perguntas? – disse irritando-se.

─...

─Ainda não entendi porque Chichi me colocou com você, afinal você acabou de chegar... Quem é você afinal de contas?

─...

─Vai continuar me ignorando? Você é muito chato...

─...

Ficou olhando o loiro dirigindo sério, observando os gestos dele, a concentração, tinha que admitir que aquela postura séria e fria o deixava bastante atraente.

─Tá olhando o que? – disse o loiro já incomodado com os olhares.

─Recuperou a língua? Só estou olhando, por quê? Não pode?

─Não.

─rsrsrsrsrs. Você deve pensar que eu sou idiota né?

O loiro deu um leve sorriso com ironia.

─Que sorriso foi esse aí heim? Não gostei... bom, pelo menos já sei que você é capaz de sorrir.

─Não acho você idiota... um pouco extrovertida, mas tudo bem, tenho um amigo assim.

─Hum... Admito que as vezes eu passo dos limites, todos me conhecem assim então prefiro passar a imagem de uma pessoa sempre alegre.

─Percebi.

Ficaram mais um tempo em silencio.

─Alex. – disse fazendo o loiro olha-la. ─Posso chama-lo assim?

─Não.

─Pensei que já estávamos nos entendendo. – disse emburrada de novo.

─O que isso tem a ver?

─Olha, se vamos conviver todas as manhãs juntos, então prefiro que sejam agradáveis. Assim chama-lo por Alex nos torna um pouco mais íntimos, não acha?

─Só Alexei.

─Aff, você é tão teimoso. – disse cruzando os braços emburrada e o loiro nunca imaginou que os caminhos de Tóquio eram tão longos, aquela simples viagem até Shinjuko já estava demorando tempo demais por causa da companhia.

─Tá bom então, quem sabe você prefira que eu te chame de Cisne né. – disse com um sorriso fazendo o loiro parar o carro bruscamente, sorte que passavam por uma rua vazia.

─Como sabe? – virou-se totalmente pra ela sério.

─Sou detetive também querido. – disse em triunfo e com sarcasmo, parecia ter ganhado um novo prazer na vida que era atormentar a vida de seu novo sensei.

─Fala logo Naomi. Seu pai te contou? – disse friamente e chegando mais perto da garota que estremeceu com a proximidade olhando naqueles intensos olhos azuis em contraste com os negros da garota.

─Tá bom, tá bom. – disse se encolhendo no banco, aquele loiro a intimidava. ─Meu pai não me disse nada, eu apenas deduzi como eu disse, também sou detetive ora... o que queria que eu pensasse que?... Um gaijin chega hoje, quando o detetive internacional iria chegar... li tudo sobre o Cisne e montei um perfil seu através dos casos que solucionou e das pessoas que trabalharam com você embora elas não saibam quem era realmente, você sempre foi o líder de equipes de investigações, então a dedução é obvia, fiz minhas pesquisas... Fora que meu pai não colocaria qualquer pessoa pra me treinar, e como você disse agora a pouco que meu pai fez um acordo com você de me treinar por um mês, e ele sendo o comissário não precisaria da permissão de um detetive sendo que ele é o chefe, por isso é mais que evidente que você tem certo poder ou apoio de fora, então acho que era bem obvio imaginar que você era o Cisne, ainda mais agora com a sua pergunta e confirmou minhas suspeitas de vez.

O loiro ficou um bom tempo surpreso observando a garota, ela era impressionante, acabaram de se conhecer e ela já tinha descoberto sua identidade, ao que parece ela não era tão ruim assim. Sorriu, já estava bom pra começar.

─Não quero que mais ninguém saiba entendeu? – disse voltando pra posição normal de novo e voltando a dirigir.

─Tudo bem Alex, vai ser nosso segredo. – disse com um sorriso triunfante fazendo o aquariano olha-la com desgosto de novo.

─Que foi? Vai discutir de novo?

─...

─Pensei que tinha parado com isso... – disse referindo-se a mania do loiro de ignora-la. ─ Estou muito feliz de ser treinada por você, é uma grande honra Cisne. – disse sorrindo agora.

─É só Alexei.

─Alex. – disse de novo. ─Oh garota teimosa. – pensou suspirando.

─O que mais você sabe? – disse o loiro.

─Só isso. – disse simplesmente.

─Hm. Fale-me de você agora. – disse sem parecer que se importava.

─De mim? O que quer saber?

─Tudo.

─Aff. Então fale de você também.

─ Eu sou o sensei aqui, você é que tem que falar, senão eu puxo sua ficha no arquivo e fico sabendo de qualquer jeito. – disse ignorando a irritação da garota de novo.

─Hunf. Tá bom... meu nome é Naomi Yamada, tenho dezenove anos, sou solteira, sou órfã de mãe, moro sozinha no centro de Tóquio, tenho um gato chamado Buiu e gosto de lamen. Quer conhecer meu gato? – disse com ironia.

─Não. Isso já basta.

─Ótimo, agora me fale de você. – disse esperando o russo falar, mas ele permaneceu calado.

─...

─Você é casado? Tem filhos? Acho que não... – disse com a mão no queixo parecendo analisar. ─Onde você mora? Como é a vida de detetive internacional? Não é justo, só eu falo aqui... Vai me deixar falando sozinha de novo?

─...

─Aff. – suspirou irritada.

─Deixa de conversa fiada e vamos trabalhar. – disse parando o carro em frente a cena de crime em Shinjuku e descendo do carro, sendo seguido pela garota que mal tinha percebido que chegaram.

Era uma praça espaçosa, a situação já tinha se acalmado e agora havia vários policiais com uma faixa de segurança impedindo os curiosos e a mídia de passarem enquanto outra dupla de detetives japoneses avaliava o local, tinha ainda um corpo no chão coberto por um lençol e uma ambulância com a outra vitima que saiu um pouco feriada. Hyoga e Naomi se apresentaram com o distintivo e seguiram analisando o local também, o loiro ia ensinando os procedimentos pra garota conforme avançavam com as investigações, mas não descobriram nada de mais, apenas mais um caso de tiroteio, então o loiro não tinha relacionado os casos recentes com o de agora. Naomi mostrava-se uma boa pupila e aprendia muito rápido, e o loiro foi se convencendo aos poucos que a companhia dela não era assim tão ruim, mas continuava frio e quieto como sempre. Seguiram a manhã pela cena de crime e depois voltaram pra central para a garota mostrar as instalações e apresentando os outros detetives e policiais, mas sem revelar a identidade do loiro.

...

Ikki insistia no celular do loiro que não atendia, estava saindo do prédio da redação onde prestava serviços a um jornal local. Havia entregado algumas fotos que lhe foi solicitado. Passou o dia ansioso pra ver o loiro de novo, mas agora estava no carro tentando ligar pro russo que não atendia e já estava começando a ficar preocupado.

Depois de muito insistir o loiro atende.

─Alô!

─Oi pato. – disse já aliviado e sorrindo.

─Oi frango, desculpe a demora em atender, estou saindo do trabalho agora. – disse um pouco inquieto por ter feito o leonino esperar, embora tenha estranhado ele ter insistido tanto.

─Ah, tudo bem, eu estou saindo do trabalho agora também.

─Ok, já escolheu o restaurante?

─Não, pensei que quisesse escolher. – disse um pouco fora de seu habitual mal humor, depois que ficou mais amigo do russo sentia a necessidade de ser mais agradável com ele.

─Mas eu falei pra você escolher. – disse intrigado.

─Mas como é chato heim, estou lhe dando opção. – disse já provocando.

─Para de reclamar e escolhe logo, esqueceu que eu fiquei longe por muito tempo e não conheço os restaurantes daqui?

─Tá bom... Conheço um restaurante que serve comida grega, pode ser?

─Pode, onde é?

Ikki passou o endereço pro loiro e seguiram caminho até lá, o leonino chegou primeiro e escolheu uma mesa perto da vidraça e um pouco afastada, porém com uma visão estratégica pra poder enxergar o loiro chegando, ficou um tempo olhando o movimento da rua enquanto esperava, e estava feliz em saber que teria pelo menos mais duas horas na presença do loiro.

Demorou um pouco e o aquariano chega, tinha sido difícil se livrar de Naomi e seus vários interrogatórios. Entrou e buscava a Ikki com os olhos. Quando o viu sentado num canto do restaurante e até gostou dele ter escolhido um lugar mais privado, realmente se pareciam.

─Oi frango. – disse se sentando.

─Oi. – disse observando o loiro vestido socialmente com um paletó azul escuro e uma camisa branca por baixo, parecia aqueles detetives de filmes de investigação, e como sempre ele estava lindo.

─Desculpe o atraso. – disse olhando o modo de o leonino vestir-se, com uma calça jeans azul e uma camiseta simples com a jaqueta jeans pendurada no encosto da cadeira, combinava com o leonino, seu jeito simples e independente e atraente.

─Porque não tira o paletó também? Tá com medo dele ficar amassado pato fresco? – disse observando e rindo pra logo provocar o russo.

─Fresco nada frango depenado, e dessa vez não dá. - disse levantando levemente o paletó de lado e mostrando o distintivo no cinto e o suspensório para a arma por cima da camisa.

─Olha só, tá parecendo um daqueles personagens de seriados policiais. – disse rindo.

─Respeita rapaz, que eu sou a lei. – disse rindo.

─Começou a trabalhar mesmo então? Pensei que só ia se apresentar hoje. – disse ainda reparando no loiro.

─E como, até arranjei uma irmã mais nova birrenta pra cuidar, agora sei como você se sente. - disse suspirando.

─Como assim?

─Tenho que treinar uma detetive em campo, ela é bem animada e teimosa, parece a sósia do Seiya.

─Sério? Deve tá difícil então. Rsrsrsrsrs.

─Um pouco, mas ela é muito esperta também, já até descobriu que sou o Cisne.

─Bom, então nesse sentido ela não se parece tanto com o cavalo alado rsrsrsrs.

─rsrsrs. Não seja mau frango.

O garçom aparece pra atendê-los.

─Primeiro vamos querer uns mezédes* acompanhado de dois ouzos*. – disse Ikki.

─E para a entrada senhor? – disse o garçom.

─Vou querer um mussaká de carne*, e você pato? - disse o leonino.

─Um Stifado*. – disse depois de olhar o cardápio.

O garçom foi-se com os pedidos e eles voltaram a conversar.

─Não sabia que gostava de comida grega frango.

─Bom, você pediu pra escolher qualquer restaurante, menos um japonês.

─É mesmo, mas não é que eu seja totalmente contra a comida japonesa, é que eu sou alérgico a alguns frutos do mar.

─Sério? Não sabia disso.

─Descobri da pior forma. – disse sorrido. ─Lembra que eu te falei que meu parceiro me arrastava pra comer quando via que eu não me alimentava direito?

─Lembro...

─Pois é... Ele escolheu um típico restaurante japonês em New York, então eu pedi um prato de cozido de Nabo com Lula eu acho... Detalhe, eu sou alérgico a lula e nem sabia, isso me fez passar tão mal que fui parar num hospital. – disse fazendo uma careta.

─Nossa, você é fresco até pra comer pato. – disse Ikki rindo.

─Não sou não, e qual é a de vocês japoneses de comerem coisas cruas? E com palitos? Vocês têm algum problema com talheres?

─Chama-se sashimi* e os palitos são hashi* pato, é apenas uma cultura, devia estar acostumado, nem parece que viveu tanto tempo no Japão.

─Acontece que eu nunca me acostumei, apesar de que tem várias coisas que eu gosto da culinária japonesa.

─Ótimo, vou cozinhar pra você qualquer outro dia, pra desfazer sua má experiência com nossa comida... Gosta de yakisoba ou Tempurá*?

─Disso sim, mas é sério? Vai cozinhar pra mim de novo? Estou honrado em desfrutar das mais agradáveis iguarias do chefe Ikki Amamiya, cozinheiro japonês de mão cheia. – disse rindo.

─Para de graça pato. – disse, mas começou a rir também. ─Mas é sério, você tem que se alimentar direito, acho que você ia passar o dia sem comer nada como sempre se eu não tivesse te chamado pra almoçar não é?

─Bom... não exatamente, eu poderia comer alguma coisa com Jacó, estou indo pra lá depois daqui. – disse sem jeito.

─Sei, nem tente me enganar. – disse desconfiado.

─Tá bom, eu admito, normalmente eu não me alimento bem, mas disso você já sabia.

─Vou ficar de olho em você daqui por diante, vou fazer você engordar, está muito magro. – disse olhando o loiro de cima a baixo.

─Até parece, como você saberia? – disse sem dar a mínima pro leonino.

─Você vai almoçar todos os dias comigo de hoje em diante. – disse em conclusão fazendo o loiro olha-lo um pouco surpreso.

─Mas...

─Mas nada pato, decidi que vou cuidar de você como cuido do Shun, é disso que você precisa, de alguém que te coloque na linha. – disse repreendendo.

─Aff, pensei que eu era órfão de pai. – disse Hyoga aborrecido, mas estava feliz por Ikki se preocupar tanto com ele.

─Acontece agora você me tem como um amigo, e você disse que eu sempre poderia contar com você, só estou retribuindo o favor. – disse sorrindo.

─Tudo bem... Obrigado frango. – disse um pouco vermelho.

Ficaram um breve tempo em um silencio.

─Então... Como foi o trabalho? – disse o leonino depois de um tempo.

─Normal, investiguei um caso de tiroteio em Shinjuku.

─É sério? Fiquei sabendo disso pelo pessoal do Jornal, estavam vendo quem iria tirar as fotos, me indicaram, mas eu já estava com outro furo no Palácio Imperial.

─Fiquei sabendo desse também, uma espécie de atentado ao imperador certo? Esses acontecimentos tem se tornado frequentes ultimamente, tenho acompanhado pelo noticiário faz um tempo pra estar a par da criminalidade antes de vir pro Japão. – disse o loiro pensativo.

─É verdade. Isso é estranho... - disse o leonino também.

─Então... Como o Shun está? Foi pra ilha certo? – disse mudando de assunto.

─-Sim.

─Ele perguntou por mim? – disse o loiro um pouco corado.

─Na verdade ele perguntou, mas você combinou alguma coisa com ele hoje?

─Não. Por quê?

─Nada, só que é a terceira vez que você pergunta por ele hoje... - disse e ficou um tempo vegetando.

─Ah, er... não é nada de mais, é que me preocupo muito com ele... – disse vermelho, e não passou despercebido pelo leonino. ─ E como foi seu trabalho? - disse enrolando.

─O que?

─Perguntei como foi no trabalho.

─Ah, foi tranquilo, tive apenas que tirar algumas fotos e entregar outras, é meio estressante, eu não tiro as fotos que quero tirar, me colocaram pra fotografar para o meio politico e de vez em quando o obituário, por isso fui indicado pra ir pra Shinjuku, pena que já estava com outro furo, senão acabaríamos nos encontrando.

─É verdade, mas por ironia não permitimos que a mídia tirasse proveito, ainda estamos em duvida que se trate de um caso mais sério, por isso não vamos dar nenhum depoimento sobre o assunto por enquanto.

─É mesmo? Sorte minha então, odeio quando isso acontece e fico rodado, mas meu chefe da redação insiste pra que eu consiga as fotos, acho que ele quer que eu me torne invisível e passe despercebido pelos policiais.

─Bom, por mim você não passa. – disse o loiro rindo. ─Mas por que não muda de sessão então?

─Não é tão simples pato, estou há um ano nessa sessão, só mais alguns meses e poderei mudar, e meu chefe está me segurando também, ele acha meu trabalho muito bom, e modéstia parte eu sou mesmo o melhor fotografo da redação, e como são as seções de notícias que rendem então ele não quer que eu saia dela.

─Hm, então porque não muda de jornal? Pelo seu talento você pode achar emprego melhor em qualquer outra redação.

─Sim, mas eu quero continuar lá, aYomiuri Shimbun é a melhor divulgadora de paisagismo, e é disso que eu gosto... fotografar natureza, lugares, pessoas...

─Olha só o senhor Ikki Amamiya mostrando seu lado sensível - disse com um sorriso irônico.

─rsrsrsrsrsrs Tinha que ser o pato mesmo, mas fique sabendo que todos têm seu lado sensível, até mesmo você, aposto que por trás dessa parede de gelo tem um coração. - disse sorrindo.

─É... Talvez. – disse meio melancólico.

O garçom volta com os mezédes e ouzos. E começaram a comer tranquilamente enquanto esperavam os pratos principais.

─O que foi pato, vai me dizer que nunca se apaixonou?

─O quê?

─Dormiu de novo? Perguntei se nunca se apaixonou, você ficou todo muxoxo depois do que eu disse sobre ter um coração de gelo. – disse o leonino curioso em saber do lado emocional do loiro.

─Peraí, acho que me enganei de Amamiya, não seria o Shun a me fazer esse tipo de pergunta? – disse o loiro olhando desconfiado para o leonino.

─Para de enrolar e fala logo. – disse o leonino vermelho.

─Não Ikki, eu nunca me apaixonei. – disse simplesmente.

─Sério? E as várias garotas que você saia? Não gostou de nenhuma? – disse o leonino com uma pontada de esperança.

─Claro que sim, gostei de todas, nunca ficaria com alguém que não me agradasse, estou dizendo que nunca gostei de alguém intensamente, a ponto de passar o dia todo pensando na pessoa, esperando ansiosamente pra poder vê-la de novo, sei lá, nunca gostei de ninguém a esse ponto. – disse com tristeza na voz.

─Mas parece que você descreve exatamente como é... – disse o leonino na duvida.

─Talvez eu tenha sentido algo mais pela Fleur ou pela Eire, mas não chegou a tanto... E você frango? Nunca de apaixonou também?

─Er, já... Esmeralda. – disse baixando o olhar.

Hyoga logo se arrependeu de perguntar, tocou num assunto que todos sabiam que sempre foi sensível pra Ikki.

─Desculpe...

─Tudo bem, eu superei essa parte da minha vida... Esmeralda foi tudo pra mim na ilha da Rainha da Morte, praticamente crescemos juntos, eu esperava ansiosamente todos os dias que ela viesse cuidar de mim depois de um dia estafante e torturante de treinos, eu pensava o tempo todo nela e no Shun pra amenizar os momentos difíceis e quando a via era como se tudo ao redor se iluminasse... eu tinha planos de sair daquela ilha com ela, sumir do mundo, construir uma casa na praia e finalmente ter uma vida tranquila, talvez até em ter filhos, realmente fizemos planos... Mas tudo não passou de planos vazios que não passavam de sonhos de criança. – disse com tamanha tristeza na voz.

─Não são vazios Ikki, você ainda tem muito tempo, e embora não seja com ela ainda pode ser com outra pessoa. – disse o loiro em consolo, nem parecia o Ikki arrogante e sério de sempre, então sentiu a necessidade de conforta-lo.

─Eu não deixei de sonhar pato se é isto que está pensando... Eu me apaixonei de novo... – disse olhando o loiro nos olhos.

Hyoga não entendia o que aquele olhar queria dizer.

─Sério? E porque não deu certo? – perguntou curioso.

─Er, isso é porque eu simplesmente não me arrisquei porque sei que é um caso perdido. – disse com tristeza na voz.

─Como pode saber? Nunca chegou a falar com essa pessoa sobre o assunto?

─Não.

─Como você é tolo Ikki, vai ficar sofrendo por uma coisa que você nem ao menos tem certeza. Devia falar com essa pessoa e tentar, arriscar, quem sabe dá certo. – disse tentando animar o moreno.

Sorriu, se aquele loiro soubesse que era ele mesmo que o perturbava e tomava conta de seus sonhos mais inusitados, onde ele poderia ama-lo das melhores formas e toma-lo para si como se fosse a única maneira de mantê-lo vivo, que somente aquele aquariano poderia fazê-lo feliz.

─Esquece o que eu disse pato. – disse tomando um gole de sua bebida.

─Hunf. Como você é reservado Ikki, depois diz que eu sou o homem de gelo aqui...

Ficaram mais um tempo em silencio com Hyoga analisando o leonino sem nem disfarçar.

─Que foi pato? Nunca me viu? – disse incomodada com aqueles olhos azuis claros sobre si, a presença do russo ainda o perturbava.

─Vou ter que adivinhar mesmo? – disse depois de um tempo.

─O que?

─Por quem você está apaixonado? – disse com a mão no queixo tentando desvendar o homem a sua frente.

─Aff, você não desiste mesmo né pato, já falei pra parar de tentar bancar o detetive pra cima de mim.

─Quero te ajudar frango.

Ikki suspirou, o loiro realmente poderia ajuda-lo a questão era se ele ainda iria querer se soubesse que era por ele que o leonino estava apaixonado.

─Porque está tão interessado?

─Já falei, quero te ajudar. Eu conheço essa pessoa? É uma garota ou um rapaz? – sentia-se estranho em perguntar aquilo, ainda não tinha se acostumado com a opção sexual de Shun imagine da de Ikki.

─Como você sabe que... – disse surpreso, não imaginava que o loiro já soubesse de sua opção e ainda parecia sentia-se tão à vontade na presença dele.

─O Shun me contou... – disse logo entendendo a pergunta do leonino que ficou meio sem jeito depois disso. ─Não se preocupe com isso frango, não tenho nada contra, mas confesso que fiquei surpreso depois de saber.

─É... a maioria das pessoas estranha quando descobre. – disse vermelho.

─Como é? – disse depois de um tempo na maior inocência.

─Quê? – disse surpreso.

─Como é estar com um homem?

─Mas que pergunta sem cabimento é essa pato? – disse quase engasgando com a comida, mas não pode deixar de maliciar. – se você quiser que eu mostre. – pensou.

─É só uma pergunta... Está com vergonha de falar sobre isso comigo frango? – disse curioso.

─Não é isso, só que... é diferente estar com uma garota ou um homem. – disse sem saber como começar.

─Isso já é obvio.

─Ah, sei lá pato, não sei explicar, só mostrando mesmo pra entender. – disse rapidamente sem pensar direito e quando percebeu ficou logo vermelho e desviou do olhar do aquariano, torcendo para ele não ter entendido segundas intenções naquele comentário.

Hyoga não entendeu se o comentário foi proposital ou sem segundas intenções, e Ikki desviou o olhar logo em seguida envergonhado, parecia que tinha algo mais naquilo, talvez se desse corda pra aquele comentário ele realmente iria querer mesmo mostrar como era estar com um homem, será que Ikki sentia atração por ele? Ficou um tempo pensando nisso, mas preferiu ignorar e mudar de assunto, aquela conversa já estava tomando um rumo estranho.

─Como está seu mussaká de carne?

─Está bom, e o seu Stifado?

─Bom.

Ficaram mais um tempo naquele silencio constrangedor até Hyoga se arrepender e voltar ao assunto.

─Vamos voltar ao ponto de partida frango?

─O quê? – disse surpreso.

─Vamos começar a nos reservar e nos esconder um do outro como antes? Não quero continuar assim... Somos amigos agora não somos?

─S-Sim.

─Amigos não poupam palavras um com o outro, quero conhece-lo melhor Ikki... – suspirou. ─Você ficou sem jeito pelo que disse agora a pouco por... Você considerou o comentário de outra forma por que... Por que você sente atração por mim? É por isso?

─Hã. – ficou imediatamente rubro, aquele aquariano ia direto ao ponto sem pestanejar.

─Sou ou não sou atraente pra você frango? Não me enrole, quero saber de tudo que for empecilho pra que sejamos amigos verdadeiros, não quero segredo entre nós. – disse determinado, talvez estivesse se arriscando também em colocar o leonino contra a parede daquele jeito e descobrir o que não queria... fora que ele também estava se esquivando de Shun, então quem era ele pra dar sermões quando também escondia as coisas de Shun a quem considerava também um grande amigo? Teria que tomar providencias quanto a isso também.

Ikki ficou um tempo sem reação, o que diria? Que sonhava com o loiro todas as noites, que queria tê-lo em seus braços e ama-lo como se não houvesse amanhã?... Não, definitivamente não deveria revelar aquilo ainda, não ainda, mas não tinha nada de mais em revelar sua atração, estar perdidamente apaixonado já era demais, porém o loiro já sabia de sua opção sexual então revelar que o aquariano o atraia não era se revelar completamente.

─Sim pato, você é atraente pra mim, assim como uma penca de homens e mulheres que eu vejo todos os dias. – disse vermelho e completando o raciocínio pra situação não parecer tão estranha.

Hyoga engoliu o seco, não esperava que ele confessasse assim de cara, apesar de que os olhares do leonino sobre si sempre foram um tanto suspeitos, talvez não tivesse percebido ainda por ser sempre distraído nesses casos.

─Não se preocupe pato, não vou agarra-lo... – disse rindo pra disfarçar seu constrangimento. ─Mas tenho que admitir que você é sim muito bonito e atraente, e eu não sou o único a reparar, não percebeu os vários olhares dos outros cavaleiros sobre você na reunião? – disse isso mais pra se livrar do peso da confissão, então tentaria tornar aquilo normal ao referir-se aos outros cavaleiros, afinal não era o único que prestou atenção no loiro.

─Na verdade não. – disse envergonhado. ─Não reparo nessas coisas, se você não me dissesse eu nunca saberia... Mas o que tem de mais em mim afinal de contas? – disse lembrando-se de Shun também, o que tinha nele pra gostar? Sabia que não era feio, mas não se achava tão bonito quanto as pessoas pintavam, fora que apenas beleza não conta, ele era frio, arrogante, calado, e cheio de transtornos emocionais, então o que Shun teria visto nele afinal de contas além de atração física também pra ter se apaixonado?... Ficou um tempo pensando nisso.

─Não vai querer que eu fique detalhando né pato? Já é demais eu ter que confessar isso pra você e ainda quer que eu fique detalhando suas qualidades? Você é um tanto narcisista não acha. – disse vermelho e aborrecido.

─Não é isso, é que... Deixa pra lá, deve ser muito constrangedor mesmo pra você me dizer isso, desculpe. – disse entendendo o lado do leonino.

─Isso vai tornar as coisas estranhas entre nós? – disse o leonino um pouco triste.

─Não se preocupe, não vai mudar a forma que eu o vejo, apenas ficarei mais cauteloso se você vai ficar olhando pra minha bunda. – disse rindo sem jeito, pensou que na situação do leonino não via nada mais que uma atração física somente, nada mais que isso.

─Não se preocupe com isso, não serei tão cara de pau... só vou olhar discretamente quando você estiver na minha frente. – disse rindo também, ficou feliz em saber que mesmo o loiro sabendo que lhe era atraente não estragaria o rumo que aquela amizade estava tomando.

─Bom saber. – disse rindo. ─Mas e aí? Estamos abertos a qualquer tipo de conversa?

─Certamente.

─Ótimo, então me diga por quem você está apaixonado. – disse insistindo de novo.

─Aff, lá vai você de novo... Isso eu não vou contar, pode insistir o quanto quiser. – disse irritado.

─Cheio de segredos né... Deve ser um amor platônico então, mas não vou mais insistir, não se preocupe, embora eu ainda ache que você deveria se declarar pra essa pessoa. – disse já conformado, não seria justo ficar insistindo nos segredos dos outros sendo que ele mesmo tinha seus próprios que nunca revelaria, e nem ao menos cogitou a possibilidade da pessoa pela qual o leonino estava apaixonado ser ele.

─É bom mesmo, e eu não direi nada a essa pessoa, como eu disse, é um caso perdido. – disse melancólico olhando pro loiro.

─Hunf. – mas que teimoso, o que custa tentar? – pensou o loiro. ─Quando foi que descobriu que gostava de homenss? – estava curioso em como alguém tão machão quanto Ikki poderia gostar do mesmo sexo.

─Sei lá... com o tempo. – disse vermelho, aquele loiro fazia perguntas tão pessoais, teria que dar o troco.

─Quanto tempo?

─Não lembro, talvez bem antes das batalhas acabarem... Você faz perguntas demais pato, ainda vou pensar em algo pra deixa-lo envergonhado também. – disse ameaçando.

─Ponto pra mim então. – disse o loiro rindo.

─Ah é... então deixa eu pensar melhor. – ficou um tempo pensado em uma pergunta embaraçosa pra fazer ao loiro.

Hyoga nem ligava pra expressão cheia de malicia que o leonino fazia enquanto pensava, estava convencido que nenhuma pergunta que ele fizesse iria embaraça-lo.

─Huumm, lembrei de uma coisa. – disse com uma expressão perversa e rindo. ─Você me disse que não tem um relacionamento faz tempo não é?

─Sim, desde que terminei com a Eire antes de partir.

─E você não a vê pessoalmente desde então certo?

─Sim. – disse desconfiado, onde aquele leonino queria chegar com isso pra constrangê-lo?

─Ok então... a quanto tempo você não transa com alguém pato? – disse vendo o loiro corar feito um tomate instantaneamente e quase engasgar com a comida.

─ .cof. – precisou beber sua bebida pra passar a tosse. ─Tá bom, um a um pra você agora. – disse vermelho e se acalmando.

─Agora responde, vai me dizer que está de abstinência de sexo todos esses anos? – disse satisfeito em fazer o loiro perder a pose e rindo do tom escarlate que tomou conta do rosto do loiro, e como ele era branco isso se tornava mais que evidente.

─E-eu... não estive de abstinência não... eu saia com algumas garotas do trabalho as vezes, ou ia pra um bar, sei lá deixava acontecer. – disse envergonhado.

─Ah eu sabia, você só tem essa cara de santo, mas é tão sem vergonha quanto qualquer um. – disse o leonino ainda rindo, sorte que eles estavam num lugar mais afastado, senão as pessoas já estariam reclamando.

─Aff, eu também sou homem ora, também tenho minhas necessidades, vai me dizer que você nunca fez isso? – disse sem jeito por falar aquelas coisas com o leonino, afinal a única pessoa com quem falava esse tipo de intimidades era Millo, nem mesmo com Camus ele era assim tão liberal quando tratava-se desses assuntos, mas com escorpiano era diferente, ele não era tão careta quanto seu mestre, por isso se sentia mais a vontade com ele, não era a toa que Millo era seu melhor amigo.

─Faço de vez em quando, sou solteiro... – disse simplesmente. ─Vou adivinhar pato, você não conversa muito sobre sua sexualidade né? – disse com um sorriso malicioso.

─Não e nem quero começar. – disse se aborrecendo.

─Tá vendo como é chato ficar sendo pressionado quando não se quer falar em assuntos íntimos? – disse rindo.

─Tá bom, desculpa... Mas isso não vai ficar assim, vou dar o troco frango. – disse determinado.

─Vou esperar. – disse rindo.

Ficaram mais um tempo conversando amenidades, passou-se uma hora e eles terminaram e comer, mas continuaram conversando animadamente sem se importar com a hora, estavam se conhecendo ainda, então tudo era novidade para ambos.

─Tá na hora frango. – disse depois de ver o relógio, teria que ir treinar Jacó a tarde.

─É verdade, nem vi o tempo passar. – disse lembrando-se que também tinha que ir pro santuario pra treinar Theodoro.

Pagaram a conta e já estavam na porta quando o celular do loiro toca.

─Alô!... -dito isso reconheceu a voz começou a falar em russo, era um dos moradores da Vila Kohoutek, um senhor que o conhecia desde o tempo de garoto. ─Oi senhor Romanov. –Eu já estava indo... O quê? Quando deram por falta dele?... Nevasca? Já estou indo. – disse desesperando-se, Ikki não entendia nada do que o loiro falava, mas pela expressão preocupada dele parecia ser algo muito sério.

─O que houve?

─O Jacó está desaparecido. – disse com tamanha preocupação na voz. ─Romanov disse que tiveram uma nevasca hoje e Jacó ficou de ir à vila pra comprar suprimentos, mas ele não apareceu desde cedo, mandaram alguém pra ver se ele estava seguro na cabana logo depois que a tempestade passou, mas não o encontraram lá e agora a pouco começou uma nova tempestade... Temo que Jacó esteja em perigo, ele ainda não desenvolveu o cosmo totalmente e não seria capaz de enfrentar uma situação dessas. – disse extremamente preocupado, aquele garoto era estritamente importante pra ele como um irmão mais novo, ou até mesmo um filho, embora a maioria das vezes ele sempre se mostrasse indiferente na presença do garoto.

─Então vamos pra lá. – disse o leonino determinado.

─Vou avisar mestre Camus e Isaac pra irem também nos ajudar. – disse Hyoga já ligando para os dois.

Chegaram à Sibéria em meio a tempestade de neve, o vento era forte e cortante, além de ser extremamente congelante, especialmente pra Ikki que era um cavaleiro do fogo e pouco habituado aquela região, por isso estava agasalhado o quanto fosse possível, quanto a Hyoga utilizava suas habituais roupas de treino, aquele frio não significava absolutamente nada pra ele. Encontraram Camus e Isaac na cabana com certa dificuldade, ambos também estavam vestidos do mesmo modo que Hyoga, afinal todos eram cavaleiros do gelo exceto Ikki que já elevara ainda mais o cosmo pra se manter aquecido, mas toda ajuda era bem vinda num momento como aquele, fora que eles eram os únicos com habilidades sobre-humanas de enfrentar as forças da natureza, talvez Jacó estivesse inconsciente em meio aquela nevasca e tivesse pouco tempo de ser socorrido. Dividiram as áreas de busca e partiram mesmo em meio a tempestade a procura do pupilo de Hyoga.

Passou-se duas horas de exaustiva procura em meio à tempestade que se tornava cada vez mais forte, voltaram a se encontrar na cabana pra ver se algum deles tinha tido algum sucesso, o que era difícil já que não tinham nenhuma pista do paradeiro do garoto.

Camus e Hyoga foram os primeiros a retornar seguidos de Ikki e Isaac. Olharam-se frustrados, e tornando a situação cada vez mais desesperadora. Ficaram uns dez minutos descansando por insistência de Camus já que Hyoga queria continuar as buscas sem parar, e pra dar um tempo pra Ikki também que já estava ficando esgotado em ter que elevar o cosmo por tempo constante pra se manter na temperatura certa.

─Não consigo nem sentir um mínimo do cosmo dele. – disse Isaac.

─Ele está muito fraco, temos que continuar, ele deve estar no limite de suas forças. – disse Hyoga de um lado pro outro já pressentindo o pior, tinha medo de perder mais alguém importante em sua vida.

─Primeiro descanse um pouco Hyoga, você também está cansado. – disse Camus.

─Ele pode estar morrendo mestre, isso não é hora de descansar. – disse o loiro se alterando pelo modo que Camus falava como se fosse um caso rotineiro.

─Acalme-se Hyoga, vamos encontra-lo. – disse Isaac.

Ikki estranhou a reação do loiro, nunca o tinha visto nervoso daquele jeito.

─Eu sei que está preocupado Hyoga, mas não se precipite com pensamentos ruins, vamos encontra-lo. – disse Camus compreendendo o que o loiro poderia estar sentindo, afinal era o mesmo sentimento que ele reservava pro aquariano e Isaac, eram como seus filhos também.

─Eu não vou descansar, tenho que encontra-lo. – disse isso e saiu de novo na tempestade.

Logo depois os outros saíram também. Cada minuto era como uma contagem regressiva da vida de Jacó na visão e Hyoga... era seu pupilo, sua responsabilidade.

A visão era limitada, e o vento era forte dificultando a mobilidade, a tempestade era violenta, só enxergavam o branco pela frente, provavelmente Jacó estivesse soterrado, o loiro gritava o nome do garoto a plenos pulmões na esperança dele ouvir e dar algum sinal de vida. Continuou insistentemente até seus ossos doerem, era um cavaleiro do gelo, mas as situações extremas da natureza já eram demais até mesmo pra ele, mas já tinha sobrevivido o frio do zero absoluto, então de maneira alguma deveria fraquejar naquela situação. Continuou seguindo por mais uma hora, talvez Ikki, Camus e Isaac tivessem voltado pra cabana pra descansar mais um pouco, mas ele preferiu seguir sem parar até encontrar seu pupilo.

Já estava perdendo as esperanças quando avistou um pequeno amontoado mais a frente, viu apenas a borda de um casaco enterrado na neve e correu até ele, cavou a neve com as mãos nuas sem se importar com o gelo em seus dedos, e finalmente encontrou seu pupilo soterrado e inconsciente, estava quase roxo parecia quase morto com a respiração lenta.

─Graças a Deus Jacó. – disse acolhendo o garoto em seus braços com tamanha felicidade em encontra-lo ainda vivo.

Voltou pra cabana com as forças que ainda lhe restava. Chegou lá e viu que ela estava vazia, os outros ainda procuravam pelo garoto, pegou um cobertor bem quente e enrolou em Jacó e foi pra perto da lareira, aumentou seu cosmo pra aquecer o garoto em seus braços, mas estava difícil já que lhe restaram poucas energias depois da busca intensiva. Os outros sentiram o cosmo elevado do loiro na cabana e entenderam que ele encontrara Jacó, então voltaram pra lá.

Quando entraram viram o loiro quase inconsciente tentando aquecer o pupilo.

─HYOGA. – disse Camus espantado, um cavaleiro nunca deveria esgotar seu cosmo por completo, pois corria o risco de esvair sua força vital junto com o cosmo e para um cavaleiro isso era fatal, pois nunca se devia eximir o limite de suas energias reservas.

Pegou Jacó dos braços do loiro e Isaac amparou o loiro antes dele cair.

─Vou aquecer o Jacó, cuide do Hyoga Isaac. – ordenou Camus.

Levou apenas alguns minutos pro loiro recobrar a consciência, mas ainda estava fraco e permaneceu sendo amparado por Isaac.

─Como ele está mestre? – disse vendo Camus com Jacó nos braços.

─Vai sobreviver, você já cuidou do trabalho inicial. – disse Camus fazendo o loiro sorrir aliviado.

─Tem que descansar agora Hyoga. - disse Isaac preocupado com o amigo.

─Obrigado брат*, mas já estou melhor. – disse o loiro tentando levantar, mas estava sem forças e acabou caindo nos braços de Isaac de novo, suspirou cansado então preferiu continuar ali.

Ikki ficou aliviado em ver que o garoto estava a salvo, agora estava preocupado com o loiro que parecia que ia desmaiar a qualquer momento, o cosmo dele estava fraco e quase desaparecendo. Ficou observando o loiro nos braços de Isaac e ficou até um pouco enciumado, o loiro olhou pra ele e estranhou.

─Tudo bem Ikki? – perguntou com a voz fraca.

─Sim... Porque não usa um agasalho pra se manter aquecido? – disse desviando o olhar.

─Eu vou pegar um coberto pra você брат, fique aqui com ele Ikki. – disse Isaac chamando o leonino.

Ikki acolheu o loiro em seus braços como o finlandês fazia e realmente o loiro estava congelando, achou estranho um cavaleiro do gelo estar tremendo de frio, ele realmente tinha usado todas as suas forças pra encontrar o pupilo e aquece-lo e agora não tinha nem mesmo seu próprio cosmo pra aquecer-se, limitava-se agora a um humano comum sentindo frio como qualquer pessoa normal. Então começou a aquecer o aquariano mesmo com sua energia fraca também.

─Ikki, não precisa...

─Fica quieto pato. – disse apertando mais o loiro contra si, observando que ele estava com os lábios arroxeados.

Hyoga não pode descrever a sensação acolhedora dos braços de Ikki, ele era confortável, terno... Hyoga estava tão fraco e com frio também, embora não se comparasse ao zero absoluto, mas ainda assim estava frio, e até ele recuperar suas energias teria que se conformar com o calor alheio, então se aconchegou mais e abraçou o leonino pra aproveitar o calor aconchegante dele. Isso assustou o leonino, ter o loiro se agarrando em seus braços em buscar de calor, como era bom aquele corpo em seus braços, mesmo fria era bom sentir a pele do loiro sobre si, embora ele estivesse todo agasalhado, tirou as luvas bem devagar aproveitando que o loiro estava de olhos fechados e o tocou o loiro sem nada impedindo, percorreu seus braços que estavam descobertos, sentindo a pele macia em seus dedos, e o loiro parecia estar dormindo agora que se aconchegou.

Camus continuava com Jacó no colo, e não pode deixar de notar cada movimento do leonino.

─Pronto, agora pode se agasalhar Hyoga. – disse Isaac chegando com um grosso cobertor e acordando o aquariano, pegou o loiro dos braços do leonino e passou o cobertor por seus ombros, e o acolheu de novo em seus braços, recebeu um olhar irritado do leonino, mas não percebeu.

─Deixa que eu aqueço ele. – disse Ikki sério.

─Tem certeza Fênix? Afinal você também está fraco. – disse Isaac.

─Sim, e não estou tão fraco, ainda posso cuidar dele sem nenhum problema.

─Tá bom então. – disse entregando o loiro nos braços do leonino de novo.

Camus levou Jacó pro quarto e o cobriu com vários cobertores, a nevasca já estava cessando então Isaac saiu pra caçar alguma coisa pra alimentar Jacó que precisava comer pra recuperar as energias quando acordasse.

Quanto a Ikki permaneceu perto da lareira com o loiro adormecido em seus braços. Nem determinaram o tempo que ficaram ali, e o leonino nem usava mais seu cosmo, apenas aquecia o loiro com seu corpo mesmo, permanecia quieto apreciando o contato com o loiro.

Passados, minutos horas, Ikki não soube definir ao certo o tempo que ficou ali com quem amava em seus braços, mas acordou o entorpecimento quando o loiro foi recobrando a consciência aos poucos.

─I-Ikki? – era a segunda vez que via-se nos braços do leonino naquele dia.

─Sente-se melhor? – perguntou sem deixar que o loiro se afastasse um milímetro sequer.

─Ah, er... estou melhor sim, obrigado. – disse se soltando aos poucos dos braços de Ikki.

─E o Jacó? – voltou a ficar preocupado.

─Camus está cuidando dele no quarto. – disse vendo o loiro levantar rapidamente e ir de encontro ao pupilo.

─Como ele está mestre?- disse entrando no quarto seguido de Ikki e viram Camus sentado quase adormecendo na cama amparando Jacó em seu colo, ele também estava cansado.

─Ele já está se recuperando, mas ainda está inconsciente, acredito que só vá acordar amanhã. – disse se ajeitando melhor com o garoto em seus braços.

─Eu já estou melhor mestre, posso cuidar dele agora, porque não descansa? – disse se aproximando.

─Tudo bem. – disse levantando devagar e dando espaço pro loiro ficar em seu lugar.

─E o Isaac? – disse já no lugar de Camus.

─Foi caçar alguma coisa pra Jacó comer. – disse se alongando com os membros cansados de ficar na mesma posição com Jacó por muito tempo.

─Por que não se deita um pouco mestre? - disse apontando pra cama próxima a que ele estava com Jacó, era o quarto que Hyoga dividia com Isaac na época de treinamento.

─Não posso, tenho que voltar pro Santuario, eu estava em reunião com Atena quando você me ligou.

─É mesmo, esqueci que você acabou de voltar de uma missão, desculpe por chama-lo tão repentinamente. – disse preocupado com o mestre também, ele podia estar cansado da missão, mas mesmo assim foi ajuda-lo na busca.

─Tudo bem, pra isso que serve a família. – disse com um sorriso, o que era bastante raro vindo de Camus. ─Bom, já estou de saída, e dê uma boa bronca nesse garoto quando ele estiver melhor viu Hyoga, onde já se viu sair em meio uma tempestade daquelas. – disse Camus olhando irritado pra Jacó nos braços do loiro.

─Darei mesmo, ele me deu um susto e tanto. – disse olhando pro garoto em seus braços, mas com um sorriso terno como se olhasse pra um filho.

Camus se identificou muito com aquela cena, tantas vezes se preocupou assim com Hyoga e Isaac, que pra ele eram como seus filhos também, e agora via seu pupilo em uma situação parecida, estava feliz por Hyoga ter alguém a quem reservar esse tipo de sentimento e mudar de vez em quando a postura fria que ele o ensinou desde garoto.

Parou no caminho da porta com Ikki lá. ─Obrigado pela ajuda Fênix. – disse com um sorriso, fez sinal de despedida pra Hyoga e saiu, a tempestade já tinha passado.

Hyoga ficou olhando pro leonino que continuava na porta.

─Deite-se um pouco Ikki, sei que você deve estar muito cansado também. – disse chamando o leonino que aceitou e foi pra cama ao lado, também estava cansado, não entendia como aqueles três conseguiam ficar tanto tempo naquele frio constante.

Suspirou cansado. ─Vai ficar aqui a noite toda pato? – disse olhando o loiro.

─Vou. Ele precisa de mim, e vai demorar um pouco pra recuperar os movimentos, vai ter que repousar por alguns dias.

─E como você vai fazer com seu trabalho?

─Vou continuar, Isaac pode cuidar de Jacó enquanto eu estiver fora, mas essa noite eu vou ficar, amanhã eu volto pro Japão.

─Hum, o marina. – disse lembrando-se do finlandês. ─O que significa брат? – disse curioso pela forma que aqueles dois se tratavam, e o ciúme voltando.

─Hã? Ah sim, significa irmão em russo. Por quê? – disse sorrindo.

─Hum. Nada não. ─ficou feliz em ser só isso, mas o que deu nele pra começar a ter tantos ciúmes assim do loiro, até mesmo com o ex-marina, afinal eles deviam se considerar apenas bons irmãos, o que ele queria que fosse, 'meu amor'? Afastou logo esses pensamentos, já estava ficando ridículo pensar naquilo.

─Você pode ir depois que descansar frango, agradeço muito pela ajuda, desculpe ter atrapalhado seu dia de treinamento com Theodoro. – disse olhando o leonino que parecia tão cansado que estava quase deitando.

─Tudo bem, eu liguei mais cedo pro Aioria cuidar do treinamento dele por hoje. – disse massageando o pescoço.

─Deite-se um pouco, tem cobertores no armário se quiser. – disse olhando preocupado pra Ikki que resolveu obedecer, estava muito cansado, pegou um cobertor mas só se sentou com as costas na parede, pra poder continuar olhando o loiro... ele parecia tão humano em situações assim, era bom vê-lo demostrar algo mais do que aquela frieza de sempre.

Isaac chega logo depois com a caça.

─Cheguei. – disse da cozinha pegando utensílios pra tratar a carne do animal e voltou pra fora pra fazer isso lá.

─Que bom Isaac voltou. – disse o loiro sorrindo.

─Hunf. O que ele vai fazer?

─Vai preparar alguma coisa pro Jacó comer, ele sempre cozinhou pra mim... Você deveria comer também, deve estar faminto pelo esforço que fez.

─Não estou. – disse emburrado.

─Qual o problema? – perguntou o aquariano confuso pela mudança de humor do leonino.

─Nada. – disse desviando o olhar.

Demorou alguns minutos e Isaac volta com a carne nua do animal e pronto pra preparar a comida.

─E aí Hyoga? Como Jacó está? – disse vindo limpando as mãos num pano.

─Vai ficar bem... Obrigado por vir Isaac, sei que deve estar atarefado com os preparativos pro casamento.

─Tudo bem, não gosto dessas coisas mesmo, é como uma fuga da pressão da minha noiva, ela vai acabar me enlouquecendo com tantos preparativos, só falta um mês, por isso a correria. – disse rindo. ─E é pra isso que serve a família, certo.

─Certo. Obrigado Isaac, vou agradecer a Ania quando a vir de novo, por libera-lo por um tempo. – disse sorrindo.

─Bom, agora vou preparar uma sopa pra vocês e vou partir logo em seguida, senão Ania me mata por tê-la abandonado em meio à compra da casa.

─Tá bom. – disse sorrindo vendo o finlandês voltar pra cozinha.

Ikki ficou observando os dois, tratavam-se como Shun e ele, eram realmente como irmãos.

─Ele vai casar? – disse depois que o finlandês saiu.

─Vai, ele vai casar e morar em Moscou com uma russa, por isso vai estar perto e sempre me ajudar quando for preciso, é um bom irmão.

─Vocês realmente se consideram assim né... Como irmãos.

─É claro, esquecemos as desavenças do passado e voltamos a ser como antes... o Isaac é um irmão pra mim, convivemos juntos durante muito tempo... Fico feliz que ele tenha encontrado uma boa moça pra casar, ele merece.

─Hum.

Ficaram mais um tempo assim, Isaac preparou uma sopa e foi embora logo em seguida, já estava anoitecendo e Hyoga permanecia com Isaac em seus braços, e achou estranho Ikki ainda não ter partido.

─Já pode ir Ikki, sei que deve ter trabalho a fazer não é?

─Não tenho trabalho pendente pato... vou fica aqui com você até amanhã, caso precise de ajuda. – disse um pouco vermelho e ainda na mesma posição olhando pro aquariano.

─Ah, er... não é necessário frango, já estou melhor e posso cuidar de Isaac sozinho. – disse insistindo, sentia-se como se abusasse da boa vontade do leonino.

─Já falei. Vou avisar o Shun que vou passar a noite fora. – disse determinado, já estava bem melhor, a hipotermia inicial já tinha passado e até aceitou a sopa do finlandês que o fez renovar suas energias, assim como o russo que também já estava melhor.

Ikki ligou pra Shun, mas não revelou onde estava. Foi pra sala pra perto da lareira, pouco tempo depois o loiro aparece pra lhe fazer companhia, apenas deixou Jacó agasalhado e que já estava melhor, só teria que esperar até de manhã pra ele acordar.

Sentou-se na poltrona do lado do sofá que o leonino estava.

─Não pensou que seu dia terminaria assim não é? – disse o loiro suspirando.

─Não. – disse sorrindo. ─Nem você... como você está agora?

─Eu? Devia se preocupar com Jacó. Ele quase morreu hoje. – disse preocupado de novo, tinha muito medo de perder seu pupilo.

─Você arriscou sua vida pra salvar esse garoto pato. – disse sério. ─Ele é muito importante pra você não é? Não é tão difícil demostrar sentimentos em momentos como esse. – disse referindo-se a costumeira mania do loiro de reprimir seus sentimentos e que ele a muito já tinha percebido.

─Ah, er... cla-claro que sim frango, ele é meu aprendiz, está sob minha responsabilidade, devo cuidar dele. – disse sem jeito.

─Sabe do que estou falando... não devia esconder tanto suas emoções, quando elas vem a tona podem ser muito desgastantes. – disse olhando o aquariano seriamente.

Hyoga pensou no que faria se tivesse perdido Jacó, era praticamente seu irmão mais novo, conheceu ele desde que era um bebê, viu quando o garoto também ficou órfão muito cedo e gostou dele desde então, e só cinco anos depois decidiu aceita-lo como pupilo, por insistência do garoto afinal não queria essa vida pra ele, cheia de batalhas, perdas, sofrimento.

Tinha que mantê-lo seguro, protegido contra qualquer mal. Não poderia suportar mais uma perda de uma pessoa importante em sua vida. Mesmo aquela voz medonha de seus frequentes pesadelos insistindo que ele não merecia a companhia de ninguém.

─Ele é muito importante pra mim. – disse depois de um tempo. Ficou olhando o crepitar da lareira com pensamentos perdidos.

─Viu só, não foi tão difícil. – disse sorrindo.

─Talvez eu devesse parar de treina-lo... a vida de cavaleiro é muito perigosa pra ele, e a culpa foi minha, eu não o treinei adequadamente por isso ele não suportou tanto tempo no frio. – disse pensando alto.

Ikki suspirou. ─Lá vai você assumindo coisas sem cabimento e decidindo o que é melhor pro garoto sem o consentimento dele. Tem que parar com isso pato, as pessoas tem que tomar suas decisões sozinhas, e o Jacó já tem idade de escolher o que quer da vida.

─Eu sei o que é melhor pra ele. – disse aborrecido.

─Não, não sabe, o Jacó gosta muito de você pato, vi vocês dois juntos na reunião, os olhos dele mostram que ele te admira do mesmo modo que você admira Camus. E é nessa admiração que talvez ele tenha tomado a decisão de se tornar um cavaleiro... Ele quer ser como você. – disse olhando o loiro que evitava olha-lo nos olhos.

─Você não entende Ikki... Não quero perder mais uma pessoa importante pra mim... o Jacó é o único legado que eu tenho, não posso arriscar a vida dele. – disse aborrecido e se alterando pelo modo que o leonino falava, como se o conhecesse a esse ponto.

─Pare de bancar o salvador de tudo pato. – disse já aborrecido também, aquele loiro parecia ter problemas altruístas. ─Você não pode controlar tudo a sua volta, tem que deixar as coisas seguirem seu curso. ─ parou de falar depois de ver o aquariano fechar a cara de vez e se emburrar.

Suspirou. ─Pense bem Hyoga, você não quer que o Jacó sinta os males inevitáveis que o mundo lhe reserva, mas o garoto tem que viver suas experiências também pra se tornar um homem honrado... Eu sei que quer protege-lo, mas isso é inevitável pato. – disse, mas o loiro permanecia com expressões irritadiças.

─O dever de um cavaleiro é proteger as pessoas. – disse o loiro depois e um tempo.

─Você arriscou sua vida pelo garoto... O que acharia se ele sobrevivesse e você não? Iria querer que ele vivesse amargurado pelo resto da vida com o peso da culpa, do mesmo modo que você tem vivido todos esses anos com relação à morte de sua mãe e o acidente com Isaac?

─Ikki... – disse em tom de aviso, ele já estava passando dos limites ao tocar num assunto como aquele.

─Eu sei que se sente assim Hyoga, não tente disfarçar, você é transparente pra mim, vejo em seus olhos o mesmo que senti quando Esmeralda morreu, eu me senti o único culpado e me martirizei por anos e acabei me entregando ao ódio... Por isso eu percebi logo de cara quando o reencontrei e vi o turbilhão de sentimentos de culpa que o rodeiam. Eu sei que você não é feliz, vejo isso em seus olhos, vejo ainda que você sequer quer tentar... Agora responde Hyoga, você iria querer que Jacó sentisse a mesma amargura se alguma coisa acontecesse com você? – disse se alterando também.

Hyoga se surpreendeu com as palavras de Ikki, ele parecia entender perfeitamente tudo que ele sentia com relação aos seus transtornos sentimentais. Aquela conversa já estava tomando um rumo muito sério e a ultima coisa que queria era discutir com o leonino.

─Não Ikki, eu não iria querer isso pra ele, se eu me sacrifiquei por ele é por querer que ele viva uma vida feliz, e que não se martirize por uma culpa descabida, se eu me sacrifiquei por ele é por que eu o amo e fiz isso pensando na felicidade dele, pra que ele viva intensamente sem essa aflição. – disse melancólico, triste em pensar que talvez fosse assim que ele fazia sua própria mãe se sentir por causa do modo que ele levava sua vida.

─Então porque você faz isso com você? Já parou pra pensar que sua mãe esteja triste por você não ser feliz?

Ficou calado, eram palavras duras, mas verdadeiras.

─Acha que estou a fazendo sofrer onde quer que ela esteja? – disse mais calmo depois de um tempo.

─Sim, devia se dar uma chance de ser feliz... é sua mãe Hyoga, ela se sacrificou por você porque te amava incondicionalmente, esse foi o ultimo instinto materno dela, o mesmo aconteceu a Isaac, vi que ele e considera um irmão, e esse sentimento fraternal fez ele salva-lo. – disse mais compreensivo com o que o loiro poderia estar pensando.

Hyoga permanecia calado considerando tudo aquilo... Será que ele foi tolo ao pensar daquela forma? Nunca iria querer que Jacó vivesse uma vida amargurada como a dele, será então que era assim que sua mãe sentir-se-ia se soubesse que ele estava vivendo uma vida sem expectativas e atormentada por achar que não merecia a mais ínfima felicidade? Toda sua infelicidade seria vã, sem cabimento, pois talvez depois de tantos anos de sofrimento e lutas ele merecesse a felicidade como qualquer outra pessoa... Pensar de mais nisso o perturbava, durante todos esses anos preferia não pensar muito nisso, e decido a cumprir a promessa que fez a si mesmo a proteger as pessoas sem esperar nada em troca, não se achava altruísta ou filantropo, apenas limitava-se a pensar que devia sua submissão ao dever que subjugou para si e mesmo assim não merecia nada além do prazer de estar sendo meramente útil de alguma forma... Talvez ele não fosse culpado pela morte de seus entes queridos, se eles fizeram isso foi porque o amavam incondicionalmente, o amor obriga as pessoas a tomar atitudes assim, e era isso que o movia a proteger Jacó, era um ente querido seu, e se fosse assim não haveria culpados nisso tudo, Jacó não seria culpado se ele quisesse preservar a vida dele, havia somente as circunstancias que o levaram a isso... Então talvez... Talvez as palavras de Atena realmente tivesse algum fundamente e ele tivesse com ideias erradas desde muito tempo. Estava confuso, e sempre era Ikki a fazê-lo pensar mais em tudo aquilo, o que ele ganharia com aquelas palavras afinal de contas?

Voltou a olhar pro leonino, talvez ele tivesse as respostas já que o repreendia como se soubesse como era.

─Como tem tanta certeza se eu sou infeliz? – disse sério.

─Vejo isso em você todo, parece sempre frio, distante, numa maneira de tentar esconder o que o aflige... eu sei como é Hyoga, já passei por isso. – disse ainda sério.

Ficou um bom tempo olhando o leonino nos olhos.

─Fique o tempo que quiser. – disse frio como sempre e levantou voltando pro quarto pra junto de Jacó, deixando Ikki sozinho de novo, tinha que pensar em tudo aquilo, ficou olhando o pupilo e pensando em tudo aquilo... Chega de ignorar o que sentia, tinha que enfrentar tudo aquilo, mas tinha que fazê-lo sozinho, e embora estivesse um pouco aborrecido com o leonino por se atrever a dizer-lhe palavras tão duras ainda estava satisfeito com elas, afinal alguém tinha que lhe dizer algum dia e Ikki parecia ser a pessoa ideal pra isso.

Ikki permaneceu onde estava, entendeu que o loiro precisava de um tempo sozinho, sabia que tudo que foi dito era necessário, o aquariano tinha que ouvir tudo aquilo.

Passou a noite no sofá pensando no loiro, e acabou adormecendo ali mesmo.

Já era madrugada, mas Hyoga permanecia acordado. Voltou pra sala e viu que Ikki ainda estava ali. Arrependeu-se de ter se mostrado tão frio com ele depois da discursão, afinal o leonino só queria ajuda-lo.

Voltou pro quarto pra pegar mais um cobertor para o leonino. Retornou e sentou-se no sofá perto da cintura dele, parecia dormir tranquilamente, o cobriu e ficou velando seu sono pensando nas palavras dele, como alguém que sempre foi o mais distante dele teria tido coragem pra lhe dizer aquelas palavras que ninguém mais teria coragem de dizer-lhe ou que talvez nem ao menos tivessem notado? Enquanto Ikki logo viu o que se passava com ele que o entendia, e que também queria ajuda-lo. Realmente eram parecidos.

Suspirou e sorriu, o leonino era mesmo um grande amigo, quem sabe se tivesse se tornado amigo dele antes ele não teria passado todos esses anos sendo atormentado com pesadelos e uma vida sem expectativas, teria que considerar tudo isso e reorganizar sua vida.

Ikki sentiu a presença do loiro perto, abriu os olhos e o viu com um terno sorriso, ficou feliz por ele estar ali, achava que o loiro tinha se aborrecido tanto com ele que voltariam a tratarem-se como meros estranhos de novo, mas ali estava o aquariano, mostrando que sempre fora imprevisível, sorrindo pra ele, tão perto, sendo iluminado pela lareira, tão lindo.

─Oi pato. – disse se erguendo e ficando muito perto do aquariano, mas o loiro não se afastou.

─Oi. – disse simplesmente com um sorriso.

─Desculpe pelo que eu disse... mas não retiro nenhuma palavra. – disse determinado.

─Tudo bem, não precisa se preocupar, eu tinha que ouvir tudo aquilo. – disse melancólico olhando pra lareira.

Ikki ficou um tempo preso naquela imagem, ele estava tão lindo, os cabelos rebeldes emoldurando aquele belo rosto, como o amava... E amava tanto que chegava a doer aquela proximidade, tê-lo tão perto e não poder mostrar todo seu amor.

Não pensou direito, levou sua mão ao rosto do loiro e o fez acordar de seus pensamentos e voltar sua atenção pro leonino. Começou a acaricia-lo, como era bom sentir aquela pele gelada em seus dedos, ver aqueles olhos azuis sobre si que eram cobertos por fios dourados dando-lhe uma aparência angelical. Parou pra olhar aqueles lábios, como queria senti-los, saber seu gosto.

Instintivamente foi se aproximando sob o olhar confuso do aquariano e venceu a pouca distancia que existia entre eles e o tomou em um beijo desesperado, sentindo o gosto daqueles lábios pequenos sobre os seus, e como era bom, era melhor do que imaginava.

Hyoga estava atordoado, o leonino tomou sua boca com tamanha necessidade e ele não teve reação de repeli-lo de imediato, ficou um tempo sem entender o que acontecia, até retomar sua consciência e empurrar o leonino quando ele quis intensificar o beijo.

Levantou assustado e foi pra longe de Ikki.

─Mas o que... Por que... Porque fez isso Ikki? – disse irritado e extremamente vermelho.

Ikki só foi perceber o que fez quando viu as expressões irritadas do loiro.

─Pato, eu só... eu, desculpe. Não queria... – disse tentando se explicar.

─Não queria se aproveitar da situação? É isso?... Nunca mais faça isso entendeu? – disse ainda se sentido estranho com aquilo, tinha que admitir que não foi tão ruim, na verdade nunca tinha sentido nada parecido, foi estranho, mas acolhedor ao mesmo tempo.─Mas o quê... que droga, porque estou pensando nisso?–Não... Definitivamente NÃO gostava de homens. Pensou em várias coisas ao mesmo tempo, olhava pro leonino, no tempo que passou com ele, em como foi bom terem se tornado amigos... Mas agora isso, como continuariam sendo como antes depois daquilo?... Pensou em Shun. ─Céus, o Shun... – sentia-se como se estivesse traindo o virginiano de alguma maneira.

─Desculpe, não devia ter... – disse Ikki sem jeito tentando se aproximar do loiro que só se afastou mais ainda.

─Não se aproxime... – disse mantendo distancia. ─Vá embora. Agora. – disse virando pra lareira e de costas pro leonino, não tinha coragem de olhá-lo nos olhos.

─Como quiser... Mais uma vez desculpe. – disse arrependido, estragou tudo, foi precipitado e fez besteira, talvez o loiro nunca mais quisesse tê-lo nem mesmo como amigo.

Saiu e deixou o loiro sozinho. Hyoga sentou-se no sofá, colocou as mão no rosto desolado, primeiro Shun e agora Ikki, como foi se meter naquilo?

Não poderia corresponder aos sentimentos do virginiano e agora vinha Ikki, não sabia ainda o que aquele beijo significou pro leonino, talvez não tivesse sido nada de mais, mas achava que de alguma forma traíra Shun, e como gostava do rapaz, não queria magoa-lo.

Ficou o restante da noite pensando. Teria que enfrentar tudo aquilo. Teria que tomar providencias, sendo elas boas ou ruins.

Gaijin – estrangeiro.

Chichi - papai

Mezédes - são porções de antepastos diversos servidos para acompanhar uma bebida antes das refeições.

Ouzos - (pronuncia-se uzo), uma bebida transparente produzida a partir da fermentação da casca de uva, aromatizado com anis e bastante forte (teor alcoólico por volta de 44%)

mussaká de carne - constituído por carne de carneiro, beringelas, e tomate, sempre condimentado com azeite, cebola e ervas e fortemente temperado com pimenta.

Stifado - carne de coelho na panela, refogada com mini-cebolas, vinho, balsâmico, e especiarias

Sashimi - consiste de peixes e frutos do mar muito frescos, fatiados em pequenos pedaços e servidos apenas como algum tipo de molho no qual ele pode ser mergulhado

Hashi - chamados ainda popularmente de pauzinhos ou palitinhos,2 são as varetas utilizadas como talheres em parte dos países do Extremo Oriente, como a China, o Japão, o Vietnã e a Coreia.

Tempurá - é um prato clássico da culinária japonesa. Consiste de pedaços fritos de vegetais ou mariscos envoltos num polme fino.

брат - irmão em russo.