Capítulo 19: Recordações I
Seis anos atrás...
Shun e Hyoga estavam na sombra de uma arvore no jardim da mansão, o loiro estava sentado na grama e encostado no tronco da arvore lendo um livro, enquanto Shun estava deitado com os braços atrás da cabeça e as pernas erguidas e apoiadas na mesma árvore que o aquariano.
Shun olhava pras nuvens no céu, estava completamente relaxado, tranquilo. Há alguns meses as batalhas tinham acabado e estavam numa rotina de estudos, treinos e momentos de lazer, eles mais do que ninguém mereciam aquela tranquilidade.
─Gosto muito quando temos um tempo tranquilo assim... – disse sorrindo ainda olhando para céu. ─E você Hyoga?
Permaneceu em silencio concentrado no livro.
─Estou falando com você Hyoga. – disse erguendo-se nos cotovelos.
─Hã? – disse olhando um pouco por cima do livro pro virginiano.
─Está realmente concentrado aí... Ultimamente você anda muito obsessivo com os estudos. – comentou analisando o aquariano.
Hyoga permaneceu calado, pendeu a cabeça um pouco pro lado parecendo analisar sua própria situação, ajeitou os óculos de grau que usava e deu de ombros.
─Talvez um pouco. – disse simplesmente e voltou a ler.
Shun esboçou um sorriso, adorava passar momentos com o loiro, embora o aquariano mal falasse, quando estavam em momentos assim a maioria das vezes o loiro vivia lendo e a maior parte era o mesmo livro surrado.
─Você fica uma gracinha com esses óculos. – disse rindo.
O loiro voltou a olha-lo.
─Eles são um saco. – disse aborrecido.
─Quem mandou ficar estudando com luz fraca à noite, tá aí o resultado. – disse o virginiano sorrindo e apontando pros óculos do loiro, eles eram pequenos e ajustavam-se perfeitamente ao rosto do loiro, mas fazia pouco tempo que ele tinha começado a usar e ainda não tinha se acostumado.
─É preciso... Mal espero pra poder usar lentes. Tomara que fiquem prontas logo. – disse suspirando.
─É uma pena, você parece mais... – ia falar sexy, mas preferiu não. ─Parece... Mais sério com eles. – disse um pouco vermelho.
─Acha mesmo?... E você como fica? – disse colocando o livro no chão e aproximando-se do virginiano que se assustou com a aproximação.
Tirou seus óculos e colocou no virginiano.
─Você também fica ótimo. – disse ajeitando os óculos e afastando a franja de Shun que ficou imediatamente vermelho.
Ficou um tempo olhando o virginiano, ele gostava tanto do garoto, o considerava um grande amigo desde que ele o salvou na batalha das doze casas, e sabia o quanto Shun merecia aquela tranquilidade e paz que reinava... Logo ele que odiava lutar e que sofreu muito quando foi usado por Hades, o garoto ficou tão traumatizado que teve que passar por várias terapias depois que as lutas acabaram, afinal ser possuído por um Deus maligno poderia ter acabado com qualquer um, mas o virginiano mostrou que é tão forte ou mais que um simples cavaleiro e superou tudo, então foi apenas questão de dois meses pra ele estar completamente curado das aflições pós-guerra que tiveram no inferno.
─Er... fica melhor em você Oga. – disse sorrindo sem jeito e devolvendo os óculos pro aquariano que o olhava parecendo o analisar o que o menor disse.
─Oga? – disse Hyoga intrigado.
─Sim, gostou? – disse Shun sorrindo.
─Hm. Não... Parece o nome de um bicho, sei lá... – disse fazendo uma careta.
─Bicho? Hahahaha, você é uma graça Oga. – disse rindo.
─Pegou a mania agora? – disse dando um leve empurrão na testa do virginiano com a ponta dos dedos.
─Oga, Oga, Oga, vai ser assim agora. – disse rindo e fazendo bico.
─O que eu faço com você heim Shun? – disse suspirando, mas sorrindo também.
─Faça o que quiser. – disse sorrindo, mas empurrando o peito do aquariano que continuava perto, estava incomodado com a aproximação, afinal gostava tanto do aquariano e aquela proximidade era mais como uma tortura do que apreciação, de só observar o loiro e não poder toca-lo sem ressentimentos.
─O que eu quiser é? – disse sorrindo perverso. ─Então eu posso fazer isso? – disse fazendo cocegas na barriga do virginiano que caiu se contorcendo em risos.
─Não, não, não pode não Oga. – disse rindo sem parar.
─Mas você disse que eu podia. – disse rindo também. ─E se continuar a me chamar de Oga vou continuar com as cocegas. – disse continuando a tortura de cocegas no virginiano que não conseguia se controlar de risos e nem impedir o loiro de continuar.
─Tá bom, tá bom, eu paro. – disse tentando se controlar.
─É mesmo? Qual é meu nome então? – disse olhando o virginiano deitado todo vermelho e tentando controlar as risadas e a respiração.
─Seu nome é... OGUINHA. – disse mais alto e rindo com as mãos na barriga de tanto rir.
─Ahh, foi você quem pediu. – disse e continuou a tortura.
─Tá bom, tá bom, é Hyoga, Hyoga, Hyoga... – disse chorando de tanto rir.
─Ah, agora sim. – disse parando a tortura de novo.
Shun foi regulando a respiração aos poucos e parando de rir.
─Não sei por que não gostou do apelido, é apenas um diminutivo do seu nome. – disse sorrindo ainda deitado e olhando pro russo.
─Já falei, parece o nome de um bicho, um fruto do mar... vou ali pescar um Oga... – disse fazendo uma careta. ─Ou o nome de um prato, tipo... Passa-me aí o molho pra eu colocar no Oga... Parece também o nome de um pássaro, tipo... Vou ali caçar um Oga e assar pro almoço. – disse fazendo comparações e gestos enquanto falava, e Shun observava cada movimento do loiro hipnotizado, o aquariano parecia tranquilo também, sem a habitual inexpressão e a seriedade de sempre, tão mais natural, mais bonito, realmente parecia um garoto de quatorze anos.
─Você tem uma imaginação tão fértil Oga, imaginou tudo isso agora? – disse o virginiano rindo.
─Foi. – disse simplesmente.
─rsrsrsrsrsrs. Adoro conversar com você Oga. – disse sorrindo sincero.
─Mesmo conversas sem sentido como essa? – disse rindo.
─Principalmente essas. – disse se colocando uma mexa de seus cabelos esverdeados atrás da orelha.
─Você é tão gentil Shun... Sempre tão doce e prestativo... Tão amigo. – disse depois de um tempo sorrindo pro virginiano.
Shun se derreteu todo com aquele comentário e imediatamente ficou vermelho.
─Pára Oga, você está exagerando... – disse desviando do olhar do loiro.
─Não estou... Entendo porque Hades o usou... você é puro Shun. – disse mais sério, parecendo analisar o virginiano de novo.
─Não quero falar disso Oga. – disse mais sério também e triste e baixando a cabeça, as lembranças da possessão do deus Hades ainda o atormentavam de vez em quando, embora já estivesse recuperado dos tormentos, mas há coisas que só se esvaiam com o tempo.
─Desculpe. – disse o loiro arrependido de ter feito Shun se lembrar de coisas ruins.
─Tudo bem... – disse voltando a sorrir. ─Você nunca foi bom com as palavras mesmo. – disse colocando a mão no peito do loiro.
─Ei, de vez em quando eu acerto nas palavras, pergunta pra minha namorada. – disse defendendo-se.
─Ela não conta. – disse emburrado por lembrar-se de Eire. ─E palavras de amor e amizade não são a mesma coisa senhor 'dono das palavras'. – disse fazendo pouco.
─Você tem razão, mas palavras de amor eu conheço... Quer ver?...
"Eu vos amei. Ainda talvez vivo,
O amor não se apagou no peito meu;
Mas não vos seja de aflição motivo:
Entristecer-vos não desejo eu.
Eu vos amei, mudo, sem cor de espera,
Ora acanhado, ora de ciúme a arder.
Eu vos amei com ternura sincera,
Deus queira amada assim venhais a ser."
São palavras que podem ser ditas a pessoa amada... Quanto a um amigo pode-se dizer...
"Até logo, até logo, companheiro,
guardo-te no meu peito e te asseguro:
o nosso afastamento passageiro
é sinal de um encontro no futuro.
Adeus, amigo, sem mãos nem palavras.
Não faças um sobrolho pensativo.
Se morrer, nesta vida, não é novo,
Tampouco há novidade em estar vivo." – disse o russo olhando pro céu.
─Noooossaa, temos um poeta aqui. – disse Shun rindo, mas gostaria muito que o loiro lhe dissesse aquelas palavras, não como amigo, mas como amante.
─rsrsrs. Num falei que eu sou bom com as palavras. – disse o loiro sorrindo e piscando pro virginiano.
─Bem vi. – disse o virginiano convencido.
─É brincadeira, sou mesmo péssimo com as palavras... Eu li tudo nesse livro aqui. – disse o loiro rindo e pegando o livro no chão e mostrando pra Shun.
─Ahhh, eu sabia. - disse rindo e pegando o pequeno livro das mãos do aquariano, o livro parecia muito velho, tinha as páginas amareladas, mas parecia bem cuidado, apesar do loiro andar com ele pra cima e pra baixo. ─Sempre quis saber o que você vê de tão interessante nesse livro... – disse analisando a capa. ─O que você disse agora são poesias dele?
─Sim, são poesias russas.
─Hum, é por isso que eu não tô entendendo nada que tá escrito aqui. – disse rindo enquanto folheava e tentava entender a escrita.
─Ele é bem antigo... e bom, pertencia a minha mãe. – disse baixando a cabeça.
─É sério? Como conseguiu? – disse Shun observando o aquariano.
─Foi uma das poucas coisas que eu consegui recuperar no navio naufragado, por isso está tão desgastado, ele só se manteve conservado por estar em uma caixa especial que minha mãe guardava, senão já teria deteriorado... e bom, sempre a vi lendo ele quando eu era pequeno, ela gostava muito dele, disse que tinha sido um presente de meu pai, por isso o guardava com tanto carinho, é um conjunto de poesias de vários autores russos... os que eu citei são de Alexander Púchkin e Sierguéi Iessiênin... acabei gostando desse livro também, quando o leio me faz lembrar um pouco dela... Ela se foi tão cedo... – disse triste.
─Pelo menos você a conheceu, eu nem cheguei a ver minha mãe. – disse o virginiano triste.
─É verdade, lamento. – disse olhando pro menor triste também.
─Tudo bem, eu nunca soube como é ter uma mãe, mas não se pode sentir tanta falta de algo que nunca se teve, e eu sempre tive o Ikki comigo... Mas você nunca teve ninguém, você perdeu tudo...
─Nossa, depois eu é que sou ruim com as palavras aqui... Daqui a pouco você vai dizer "ainda bem que eu não sou você". – disse Hyoga fazendo uma careta.
─rsrsrsrs. Desculpe... Só quero mostrar que eu entendo que a dor da perda é bem maior pra você. – disse olhando o aquariano intensamente.
─Vamos esquecer esse assunto que só faz nos machucar. – disse Hyoga triste.
─Desculpe, vou parar. – disse baixinho e voltando a deitar e olhar pro céu e o loiro voltou pro seu livro.
Ficaram um tempo em silencio de novo até o clima ficar menos tenso.
─Você lembra muita coisa da sua mãe? – disse voltando ao assunto.
─Um pouco. – disse sorrindo.
─Que bom Oga. – disse sorrindo com ternura para o loiro.
─Sabe Shun... Eu me lembro de algumas coisas de minha infância com ela que são insubstituíveis, guardo essas lembranças com muito amor. – disse sorrindo e olhando pras nuvens como o virginiano fazia. ─Ela era pianista profissional sabia? – disse sorrindo e se soltando mais.
─Não... que legal, porque nunca me disse isso? – disse animado por ter conseguido fazer o loiro conversar mais.
─Você nunca perguntou. – disse o loiro rindo.
─Aff, então agora conta.
─Nós morávamos em São Petersburgo, mas viajávamos muito pra Moscou onde ela se apresentava muito no Teatro Bolshoi onde aconteciam concertos frequentemente ou em grandes festas, e ela sempre me levava... Minha mãe se inspirava em Vladimir Horowitz, e era muito boa, por isso nunca faltaram propostas de apresentações pra ela.
─Nossa é distante... Vocês viajavam muito mesmo.
─Sim, mas ela nunca aceitava trabalhos fora da Rússia.
─Por quê?
─Sei lá, ela dizia que era por mim, que eu era muito novo pra ficar indo e vindo de tantos lugares.
─Era uma boa mãe apesar de tudo.
─E como... Ela tinha uma tradição, todo domingo ela me arrumava pra ir à missa, ela tocava lá também, principalmente no Natal... Era muito fiel, sempre a via rezando e quando eu perguntava o que ela tanto falava com Deus ela dizia que eram agradecimentos... Que temos sempre que agradecer, porque agradecer é a arte de atrair coisas boas.
─É mesmo? Mas porque então você nunca comemorou o Natal conosco no orfanato? É porque te fazia lembrar-se dela?
─Não Shun... Minha mãe e eu éramos da Igreja Ortodoxa Russa, que celebra o Natal pelo antigo calendário Juliano, ou seja, entre a noite de seis e sete de janeiro, assim sendo, os ortodoxos continuam celebrando o Natal em 25 de dezembro, só que pelo calendário Juliano, que tem 13 dias de diferença com o calendário gregoriano... Por isso eu continuei com a tradição de minha mãe.
─Que estranho. – disse o virginiano confuso.
─Um pouco, mas é mais difícil entender o calendário de vocês japoneses. – disse o loiro rindo. ─Nem sei por que vocês comemoram o Natal.
─Bom... Menos de 2% da população do Japão é cristã, mas aqui começou a moda de se comemorar o dia 24 de dezembro a dois, de preferência em um lugar bem romântico e com hora marcada, pois todos trabalham no dia 25... Não se sabe como a véspera de Natal acabou virando uma espécie de Dia dos Namorados para nós, até porque os casais têm ocasião específica para comemorar que é o dia 14 de fevereiro, o Valentine's Day... E pra não perder o toque natalino, os casais trocam presentes entre si... Mas essa versão romântica do Natal é mais entre os mais jovens, no passado, as famílias que tinham por hábito comemorar a data, e passaram a ser influenciadas por filmes, canções e histórias natalinas, e começaram a fazer algo bem parecido ao da versão ocidental, uma festinha bem informal em que os participantes trocam presentes entre si e se deliciam com um jantar diferenciado. – mas eu gostaria de passar um natal romântico com você. – pensou o virginiano olhando pro loiro.
─Nossa, Shun também é cultura. – disse o loiro rindo.
─Pára Oga, é sério... – disse rindo e tentando parecer sério também. ─Era o que fazíamos no orfanato nessa data, eu e Ikki também trocávamos presentes embora fossem coisas simples que nós mesmos fazíamos nas aulas de artes, mas eu lembro que você nunca participou não é?
─Era uma data que não fazia sentido pra mim de qualquer forma. – disse simplesmente.
─E o que custava marcar presença seu loiro teimoso?
─Aff, sem sermões Shun... Os Natais pra mim eram bem diferentes, sempre na igreja com minha mãe, ceávamos e ela me dava algum presente... o ultimo Natal que passamos juntos ela me deu um cachecol azul, ela disse que essa cor combinava comigo.
─Ela tinha razão, não imagino outra cor em você. – disse sorrindo. ─E você ainda tem esse cachecol?
─Não, perdi no naufrágio... Mas é o que menos me faz falta. – disse triste.
─Você se lembra de tanta coisa Oga... – disse tentando fazer o aquariano esquecer a tristeza que insistia em aparecer nos olhos dele. ─Quantos anos você tinha na época? – disse o virginiano.
─Uns quatro ou cinco anos.
─E ainda assim você lembra?
─Claro, a criança começa a desenvolver a memória consciente de longo prazo para eventos específicos entre um ano e dois meses ou um ano e meio... Você deveria lembrar também.
─Eu lembro, mas só de algumas coisas a partir dos meus cinco anos... o que mais você lembra?
─Bom... O mais marcante era que lá era sempre muito frio, por isso não demorei muito a me acostumar com o frio da Sibéria durante o treinamento, já era habituado ao frio desde cedo.
─Disso eu lembro, quando tínhamos dias de neve no orfanato você saia com roupas finas como se estivesse fazendo calor. – disse o virginiano rindo.
─É o costume... O corpo humano pode se adaptar a qualquer situação, apesar que eu acho que se outro órfão tivesse sido mandado pra Sibéria provavelmente não teria sobrevivido, já que apesar de vivermos em Kohoutek Camus me levava frequentemente pra treinar em Oymyakon que tem recorde de temperatura mais baixa, se eu já não fosse da região com certeza não teria sobrevivido ... Mas acho que por outro lado eu também não sou tão adaptável.
─Por quê?
─Porque eu não suporto muito calor, nunca me acostumei com a temperatura do Japão, esse vento que pra você é suave e refrescante pra mim é morno, como se você estivesse no verão.
─Então você não aguentaria muito tempo numa sauna ou em aguas termais... se bem que você já sobreviveu a uma caverna vulcânica em Asgard.
─Nem me lembre disso, só de lembrar já fico com calor. – disse abanando a camiseta que usava.
─Que exagero. – disse Shun rindo.
─Não é não... Tenta se habituar a isso... – disse tocando o braço do virginiano e diminuindo a temperatura aos poucos, não deu outra e o virginiano não suportava mais.
─Ai Oga, quer me congelar? – disse fazendo bico.
─Que exagero, nem chegou aos menos 2° K. - disse o loiro rindo.
─Exagero nada. – disse Shun emburrado.
─Viu só como é difícil se adaptar... é a mesma coisa comigo quando se trata de calor. – disse em conclusão.
─Tá bom, tá bom, não é exagero, mas vai me dizer que não gosta do calor?
─Claro que gosto... Não sou nenhum pinguim, dias quentes também são um alivio de vez em quando. Quando tínhamos dias um pouco mais quentes eu e minha mãe saiamos pra passear, ela sempre dizia que "toda criança é feita de luz, mas tem que se deixar iluminar pelo menos um pouco pra se carregar dos raios de sol pros dias em que o sol não aparece".
─Sua mãe era uma filosofa. Rsrsrsrs. – disse Shun sorrindo.
─Agora que você falou que eu percebi. – disse sorrindo também. ─Mas ela tinha uma frase principal sempre me dizia e que me consolava: "Quando a tristeza vier ao seu encontro, deixe sair dos olhos uma lágrima, da boca um sorriso e do coração uma prece!".
─É linda... Você se lembra de muita coisa Oga, gostaria de ter uma memoria boa assim. – disse o virginiano melancólico.
─Do que você lembra Shun?
─Bom... Não muito, só o Ikki conheceu nossos pais, mas eles morreram num acidente quando eu ainda era um bebê, então eu só lembro-me da vida no orfanato, do Ikki cuidando de mim, das outras crianças que implicavam comigo, de você... – disse olhando pro loiro.
─De mim?
─Sim, quando você chegou ao orfanato foi o maior alvoroço lembra? Você, um estrangeiro, uma criança diferente. – disse apontando pros cabelos de Hyoga.
Flashback
Era uma manhã fria no orfanato Filhos da Estrela, Shun estava no quarto resfriado e com febre, Ikki tinha ido buscar mais cobertores e o deixou sozinho por enquanto. Levantou-se e foi olhar a janela, lá devia fazer um frio cortante, poucas pessoas estavam lá fora e as que apareciam vez ou outra tinham agasalhos por cima de agasalhos.
Viu um carro chegando, talvez com mais alguma criança. Dele desceram dois adultos e uma criança. Debruçou-se na janela quando viu o garotinho que apareceu, seus grandes olhos verdes brilharam, era um anjo, só podia ser, um anjo disfarçado, ele era loirinho com cabelos ondulados e curtos, tinha os olhos azuis e era todo branquinho, estava pouco agasalhado com um casaco marrom, o que deu naqueles adultos agora? Como podiam deixar o anjinho sentir frio? O garoto apesar de ter aqueles olhos lindos, infelizmente eram vazios, não expressavam emoção, ele esperava enquanto o adulto que saiu do carro conversava com alguém do orfanato, ele era fofo mas meio emburrado. Levou um susto quando Ikki entrou no quarto todo estabanado carregando uma pilha de cobertores.
─IKKI, IKKI, VEM VER. – disse o puxando e fazendo derrubar os cobertores.
─Shun olha o que você fez, e o que você faz de pé heim, falei pra ficar deitado e descansar senão você nunca vai ficar bom. – disse Ikki já aborrecido.
─Ah irmão eu tô bem, levantar um pouco não vai me fazer tão mal assim. E vem logo, vem ver o anjinho que chegou. – disse Shun já bastante animado arrastado o irmão.
─Anjo? Que anjo? Tá delirando? – disse colocando a mão na testa do irmão.
─Ah Ikki, cala boca e olha. – disse apontando pra janela pra ver o garoto novo.
─Cala boca nada moleque, presta atenção que... – ficou quieto quando olhou para janela e viu o tal anjinho, Shun tinha razão, era um lindo garotinho, e realmente parecia um anjinho daqueles de desenho animado que eles assistiam pela televisão na hora do lanche. Parecia mal humorado, e até entendia, se tinha acabado de chegar é porque deve ter perdido alguém importante recentemente.
─Como serão as asas dele irmão? – disse Shun animado, era uma criancinha, deve realmente ter acreditado que o tal garoto era um anjo.
─Ele não é um anjo Shun, e não tem asas. – disse ainda sem tirar os olhos da janela.
─Claro que é irmão, presta atenção, deve tá por baixo do casaco dele... Posso ficar com ele Ikki? Por favor, por favor. – disse fazendo manha.
─Ele não é um anjo Shun e você não pode ficar com ele. – disse puxando o irmão pra cama.
─É sim, é você que quer ficar ele isso sim, e ele é um anjo de verdade. – disse se esperneando.
─Aff, tá, tá Shun, é um anjo sim, agora vai deitar, porque se ele te ver assim todo alvoroçado vai querer sair voando. – disse já empurrando o irmão pra cama.
─Mas isso não é uma coisa que se vê todo dia irmão, vamos chamar ele pra brincar. – disse sentando na cama.
─Tá, talvez depois, agora deita. – disse ajeitando o irmão na cama.
─Mas...
─Xiiii, quieto, o que eu falei que acontece com garotos desobedientes heim? O bicho papão vem pegar. - disse querendo assustar.
─Eu não acredito mais nessas lendas irmão. – disse cobrindo-se na altura dos olhos fazendo bico.
─Não acredita em lendas, mas acredita em anjos, afff, só você mesmo heim Shun. – disse fazendo carinho nos cabelos do irmão.
─Mas é claro, os anjos são de verdade sim, igualzinho o que chegou agora. – disse indignado com voz manhosa.
Suspirou. – Tá, tá, são de verdade sim, mas depois você fala com o anjo, ok, mas só quando estiver bom, ouvi dizer que anjos não gostam de crianças doentes. – disse Ikki.
─É mentira. – disse Shun.
─Tá me chamando de mentiroso? Você sabe o que eu faço com quem me chama de mentiroso? É isso que eu faço. – disse aproximando-se de Shun encolhido, arrancando o cobertor do irmão e lhe fazendo cocegas até chorar.
─HAHAHAHAHAHAHAHAHAHA, tá bom, tá bom, eu acredito, eu acredito em você irmão. – disse já não aguentando as cocegas.
─Assim é melhor, vai descansar agora. – disse cobrindo o irmão e lhe fazendo um carinho nos cabelos verdes.
No outro dia Shun foi ver se encontrava o garoto novo pelos corredores do orfanato, já estava um pouco melhor, mas estava se escondendo de Ikki que o puxaria pelos cabelos se o visse fora da cama.
Passou a manhã atrás do loiro e não o encontrou, almoçaram, brincaram, estudaram e nada... Até a tardezinha quando o virginiano olhava pela janela do quarto que dividia com Ikki pensando onde o anjo teria se escondido, ou que teria ido embora voando, estava distraído quando viu o garotinho loiro saindo do orfanato e indo sentar-se embaixo de uma arvore com poucas folhas, então saiu correndo até lá, sorte que Ikki tinha saído um pouco senão teria o amarrado na cama se o visse saindo resfriado em um dia de neve.
Viu o garoto encostado na arvore olhando pra neve, parecia desolado, triste. O virginiano se aproximou mais e pegou um graveto longo que achou no chão. O loiro logo percebeu a aproximação e fechou a cara de vez, queria ficar sozinho, mas sequer olhou pra pessoa que se aproximava, achava que era algum adulto querendo força-lo a falar de novo, por isso não tinha saído a manhã toda, pois ficou horas e horas sendo interrogado por adultos que não entendiam o que ele falava, então decidiu se fingir de mudo pra não ser mais atormentado e ignorou a presença do visitante, tinha acabado de perder sua mãe então a ultima coisa que queria era ser objeto de estudo daqueles japoneses esquisitos.
Shun se aproximou e cutucou as costas do loiro com o graveto na tentativa de achar as asas que acreditava que o garoto loiro tinha. Cutucou até o loiro se encher daquilo e tirar o graveto das mãos de Shun.
─ что вы хотите? (O que você quer?) – disse aborrecido.
─Ah, er... Oi, meu nome é Shun, qual o seu? Você é um anjo não é? Eu estava tentando encontrar suas asas, mas não encontrei nada... o que você fez com elas?
O loiro ficou um tempo analisando o garotinho menor, ele era mais novo, parecia muito frágil e dócil, achou até que era uma garota por isso preferiu não ser tão rude, mas ainda estava irritando e pergunto de novo.
─ что вы хотите? (O que você quer?) – disse insistindo.
─Você não fala minha língua? É a língua dos anjos? – disse curioso fazendo o loiro suspirar aborrecido, queria ficar sozinho e aparece aquele fardo de garoto e ainda por cima ele mesmo não entendia nada do que ele dizia.
─хотя вá (Vá embora!) – disse baixo, mas levantando-se e ficando de frente pro garoto de cabelos esverdeados.
Shun estremeceu, aquele aquariano era bem maior de perto, viu que ele parecia bem normal agora, mas ainda assim achava que se tratava de um ser alado.
─Você é diferente. – disse atrevendo-se a pegar uma mecha dos cabelos loiros e assustando o aquariano que recuou imediatamente.
─Не трогайте меня. (Não me toque!) – disse segurando os pulsos de Shun que se assustou.
─Ei. O que você tá fazendo com meu irmãozinho? – disse Ikki chegando de repente correndo pra perto dos dois e segurando o loiro pela gola da camisa. Ele via tudo de longe faz um tempo.
─Não é nada Ikki. – disse Shun com medo de o irmão machucar o aquariano.
─Tem certeza que ele não te macucou Shun? – disse olhando irritado para o loiro que se mantinha impassível com a ameaça.
─Tenho sim, fui eu que o perturbei.
O loiro olhava pra aqueles dois impassível, ao que parece o garotinho menor, que era um garotO mesmo, se chamava Shun e o maior parecia ser o irmão dele e se chamava Ikki, não entendia muita coisa ainda, mas já estava tentando se acostumar com aquele novo idioma. O tal Ikki estava defendendo o irmão irritante dele, e o olhava ameaçadoramente, mas ele pouco se importava, não estava com paciência mesmo, e já tinha perdido a pessoa mais importante pra ele e mandado pra um país estranho, então não tinha nada a perder, então se tivesse que sair no braço com o tal garoto então que fosse, apesar do tal Ikki ser bem maior.
─Você não sabe falar não Barbie? – disse irritando-se por aquele garoto continuar calado, normalmente as outras crianças tinham medo dele, então aquele garoto novo não seria exceção.
─Ele não fez nada Ikki, só estávamos conversando. Por favor, solta ele. – disse puxando o braço do irmão.
─Hunf. Que seja. – disse soltando o loiro bruscamente e o fazendo cair na neve no chão.
O loiro simplesmente continuou no chão olhando impassível pros dois.
─Não faz assim Ikki, ele não fez nada comigo. – disse choroso.
─Cala boca Shun, eu falei pra você não sair de lá de dentro, e olha o que você faz, desobedece e ainda por cima vem falar com esse oxigenado. – disse olhando com desprezo pro loiro. ─Vamos pra dentro. – disse puxando o braço de Shun.
─Mas...
─Mas nada, anda logo. – disse e entraram deixando o loiro lá que esqueceu os dois e voltou a sentar-se encostado na arvore pensando na vida dali pra frente, tendo que conviver e familiarizar com aquelas pessoas estranhas, se ao menos tivesse sido deixado na Sibéria teria sido bem melhor, mal sabia que aqueles dois se tornariam seus grandes amigos futuramente.
Flashback
─Ah sim, é mesmo, não foi uma recepção lá muito amigável... Você era muito inocente Shun, de onde tirou aquela ideia de anjo? – disse Hyoga lembrando-se.
─As senhoras do orfanato nos contavam muitas histórias e eu acabei acreditando mesmo em algumas. – disse rindo.
─Mas não são só historias, anjos existem mesmo... Minha mãe sempre dizia que cada um tem um anjo, e eu tinha um só pra me proteger. – disse lembrando-se. ─Mas ela dizia que eles não apareciam pra nós, então eu nunca imaginei que pudesse ver um.
─É... acho que eu fiquei tão fascinado com as historias que me contavam dos anjos, que eram belíssimos, com cabelos dourados, pele clara e olhos azuis que acabei acreditando mesmo que você fosse um... Só faltou as asas. – disse rindo.
─Er... Você me achava tudo isso mesmo? – disse vermelho. ─Sempre me achei tão feinho quando eu era pequeno... E não mudou muita coisa desde então. – disse fazendo uma careta.
─Aff... as vezes eu acho que você não tem espelho Oga, sua visão deve estar pior do que eu imaginava. Não é a toa que aquelas assanhadas viviam atrás de você. – disse o virginiano emburrado lembrando-se das namoradas do loiro.
─rsrsrsrs. Você também é muito bonito Shun, e ainda fala com uma irritação que se eu não te conhecesse bem diria que está com ciúmes Shuny... E não foi por mim que várias delas quase se atiraram na arena no torneio galáctico. – disse o loiro rindo fazendo Shun corar feito um pimentão.
─Não estou com ciúmes... onde já se viu Shun Amamiya com ciúmes de você. – disse todo vermelho defendendo-se.
─Mas eu disse com ciúmes das garotas Shuny. – disse o loiro olhando estranho pro virginiano.
─Foi o que eu quis dizer... Você que entende tudo errado... – disse Shun de repente. ─E que negocio é esse de Shuny heim? – disse ainda vermelho, mas tinha adorado o apelido carinhoso que o loiro lhe deu.
─rsrsrsrs. Não sei por que eu sempre consigo te deixar todo nervosinho. – disse o loiro rindo. ─E é Shuny mesmo, quem foi que disse que é só você que pode colocar apelidos aqui? – disse o loiro afagando os cabelos do menor e rindo, se Shun não tivesse se irritado já estaria todo derretido.
─É Shun.
─Shuny.
─Shun.
─Shuny.
─Aff Oga... Você é tão irritante às vezes, tem sorte de ser bonitinho. – disse sem pensar. ─Ah, quer dizer... Bom...
─rsrsrsrsrs. E esse rosto vermelhinho heim Shuny. – disse o loiro rindo ainda mais por fazer Shun perder a paciência.
─Ahhh, vou parar de falar com você seu irritante. – disse emburrando-se de vez.
─Tá bom, vou parar... você nem é tão diferente do seu irmão... tão pavio curto quanto ele. – disse balançando a cabeça e tocando a testa do virginiano com a ponta dos dedos.
─Sou não... Para Oga. – disse afastando as mãos do aquariano, não estava tão irritado, mas sim envergonhado.
─É sim... Ainda bem que pelo menos um dos Amamiya gostou de mim quando eu cheguei, senão eu estava ferrado. – disse rindo. ─E o Ikki não gostou de mim desde que me viu. – comentou o aquariano.
─É o jeito dele Oga, ele sempre me protegeu desde bebê... e você também não foi lá essa simpatia não. – disse recobrando a calma e olhando pra Hyoga.
─Tá bom... Admito que eu era muito antipático quando cheguei no orfanato, tive problemas com as outras crianças também quando cheguei, ninguém me entendia, eu não compreendia o idioma de vocês, foi uma época difícil.
─Imagino, os outros meninos pararam de implicar comigo por um tempo e começaram a atormentar você...
─Eles eram um saco, mas pelo menos eu me defendia como podia.
─Lembro que o Ikki chegou a te ajudar também, né?
─Disso eu não lembro.
─É estranho lembrar dessas coisas. – disse o virginiano depois de um tempo em silencio.
─Verdade. – disse o loiro pro céu.
Ficaram um tempo em silencio de novo. Shun ficou olhando o aquariano.
─Azul céu. – disse perdido em pensamentos de novo.
─Hã?
─Seus olhos... É azul céu. – disse olhando pros olhos do aquariano.
─Isso é um tanto incomum aqui no Japão né. – disse o russo sorrindo.
─Realmente... Mas todos nós somos estranhos de alguma forma, o Ikki também tem olhos azuis, mas são bastante escuros que mal dá pra notar. – disse Shun olhando as nuvens.
─E os seus são verde floresta assim como seu cabelo, é incomum também, ainda mais pra você que é natural japonês. – disse sorrindo e tocando o virginiano na testa com a ponta dos dedos.
─É verdade, sou estranho. – disse o virginiano rindo.
─Mas é bonito. – Hyoga disse inocentemente.
Shun ficou constrangido e feliz com o comentário. Ficaram quietos de novo.
─Oga. – Shun chamou.
─Hm? – disse baixando o livro que tinha voltado a ler.
─Você pensou sobre o que a Saori disse?
─O que ela disse?
─Sobre pensarmos em alguma coisa pra fazer daqui pra frente. – disse já deitado na grama e olhando as nuvens de novo.
─Fala sobre decidirmos uma carreira?
─Sim.
─Talvez... Um pouco.
─Porque eu tenho a impressão que você está me escondendo alguma coisa? – disse o virginiano desconfiado.
O loiro olhou o virginiano por um tempo e sorriu.
─Você é muito desconfiado Shun. – disse colocando o livro no colo e tirando os óculos de novo.
Shun ficou um tempo vendo aquele azul dos olhos do loiro, tão azuis quanto o céu. Voltou a olhar pra cima.
─Sou não... – pensava em como o aquariano estava estranho nos últimos tempos, mais melancólico e distante.
─E você? Decidiu alguma coisa? – disse o loiro.
─Mais ou menos... eu pensei que, bom... eu gosto muito de ler e criar historias. – disse Shun.
─Isso eu já percebi... Você lê muitos livros de literatura. – disse o loiro.
─Pois é, eu pensei bem e acho que sou bom.
─Você é... li alguns de seus textos que você me passou.
─E o que você achou? – disse em expectativa.
─Que você realmente tem talento, tem muita imaginação.
─Acha mesmo? – disse alegre, a opinião do loiro era muito importante pra ele.
─Sim, por que não vira escritor?
─Foi isso mesmo que eu pensei, mas acho que estou sendo precipitado, você acha que dá futuro?
─O importante é que você faça o que gosta Shun. – disse sorrindo pro virginiano que olhava sonhador pro céu.
─Eu gosto muito de escrever. – disse sorrindo. ─E você Oga?
─Eu o que?
─Já decidiu o que vai fazer?
─Bom... – ia falar, mas foi interrompido por Ikki que acabava de chegar.
─Shun, acabou a folga, tá na hora de treinar. – disse Ikki vindo de dentro da mansão.
─Oi irmão... eu e o Oga estávamos conversando. – disse levantado.
─Hunf. Deixa de conversa e vem treinar senão vai ficar molenga igual essa Barbie. – disse rindo sarcástico e olhando pro loiro.
─Sempre um amor de pessoa né frango. – disse levantando-se irritado também.
─Parem com isso. – disse o virginiano.
─Tá, tá. Vou pra dentro, senão vou perder a paciência com esse frango... até mais tarde Shun. – disse despedindo-se do virginiano.
─Hunf. Olha quem fala. – disse Ikki.
Seguiram seus caminhos separados de treinos, com Ikki e Shun treinando juntos e Hyoga indo treinar com Shiryu e Seiya.
...
Dias atuais...
Shun tinha ido bem cedo pra ilha de Andrômeda pra treinar seus pupilos com correntes, o treinamento tinha se tornado intenso nos últimos meses, e pra completar June tinha saído numa missão do santuario pela manhã, estava se tornando frequentes as missões dos cavaleiros de prata, e o virginiano até achou estranho já que June era sua ajudante, e tinha como maior prioridade a ilha de Andrômeda, então para o santuario mandar sua ajudante (crucial no treinamento dos soldados) em missão eles deveriam estar precisando muito de soldados, pois o santuario cada vez mais pedia o aumento das tropas, e a ilha de Andrômeda era a que mais formava soldados pra combate, e sendo o mestre da ilha Shun estava muito sobrecarregado apesar de ter ajuda de June e Afrodite. Talvez fosse o único cavaleiro de bronze que ainda mantinha vínculos fortes e oficiais com o santuario por causa disso, embora o santuario nunca lhe desse muitas informações do que se passava por lá.
Fora que ele não conseguia se concentrar no treinamento de seus pupilos naquele momento e muito menos em santuario, então deixou que Afrodite se encarregasse um pouco de seus dos garotos e foi sentar-se numa rocha próxima pra descansar e ficou observando o treino de longe, embora seus pensamentos fossem pra bem longe dali.
Tinha passado o dia anterior inteiro pensando em Hyoga, foi lembrando aos poucos a noite que passou com ele. Estava envergonhado por ter dado trabalho pro irmão e pro loiro, mas feliz senão não teria coisas boas pra lembrar. Ele sempre se lembrava das coisas quando bebia, mas não disse nada a Ikki pra não preocupar o irmão mais ainda, sabia o quanto o leonino se preocupou com ele quando ele bebeu ao mesmo ponto quando o loiro partiu.
Flashback
Saori, Shun, Seiya e Shiryu estavam no aeroporto se despedindo do loiro que esperava o horário de seu voo rumo a Cambridge, uma cidade no Condado de Middlesex, no estado de Massachusetts, Estados Unidos, para a universidade de Harvard uma das instituições educacionais mais prestigiadas do mundo, depois de muito estudo o loiro conseguiu uma bolsa lá e faria o curso de Direito, com Pós-Graduação em Direito Penal e Processual Penal, ficaria lá em tempo integral se dedicando aos estudos e não veria mais os amigos por um bom tempo, fora que o loiro tinha planos de trabalhar pelo mundo por anos e teria pouco tempo pra fazer visitas, isso era muito estranho considerando que o loiro tinha apenas quinze anos, mas todos eles tinham do que se orgulhar sendo que ainda eram muito novos pra conseguir tal proeza... Shiryu por exemplo conseguiu uma bolsa na University of Hong Kong a melhor da China, mas teria que cursar os três anos de colegial antes pra poder ingressar... Quatro anos depois Shun conseguiu uma bolsa na Universidade de Tóquio para o curso de Literatura que queria, e Seiya conseguiu bolsa na Universidade de Kyoto também pra Administração e pós em economia, já estava decidido que ele e Shiryu assumiriam os negócios da fundação Kido depois de formados.
Cada qual foi seguindo seu rumo, mas todos ainda poderiam se ver frequentemente, o único que não se juntaria a eles por um tempo seria Hyoga que parecia estar mais fugindo de alguma coisa do que animado para começar a faculdade.
─Tem certeza que quer ir Hyoga? – disse Saori conversando reservadamente com Hyoga sabendo que o loiro realmente estava fugindo, tinha até duvidas se era essa a carreira que o loiro queria seguir. ─Ainda dá tempo de desistir.
─Tenho que ir Saori. – disse triste.
─Tudo bem, você que sabe, mas o tempo vai lhe mostrar que está cometendo um erro. – disse Saori triste. ─Vou sentir sua falta amigo. – disse abraçando o aquariano em lagrimas.
─Eu também vou sentir a sua. – disse retribuindo o abraço.
Shun estava emburrado no canto assim como Shiryu, mas que tentava disfarçar com sua serenidade de sempre.
─Shun não vai se despedir do seu amigo? – disse o loiro.
─Hunf. – disse virando a cara e indo sentar no banco de espera mais na frente.
─Deixa ele Hyoga. – disse Seiya. ─Ele vai correr pra você quando tiver perto do seu voo. – disse sorrindo e indo se despedir do aquariano.
─Vou sentir sua falta amigo. – disse Hyoga abraçando o amigo.
─Eu também... Se cuida seu loiro oxigenado. – disse Seiya tentando mostrar um sorriso, mas estava triste também.
─Vou me cuidar... e você continue se esforçando nos estudos e cuide bem de todos viu cavalo voador. – disse Hyoga.
─Vou sim. – disse desfazendo o abraço e enxugando as lagrimas. ─Mas as matérias são muito difíceis, como vou fazer agora sem você pra me ensinar?
─Você tem o Shiryu... cuida bem dele também viu. – disse o loiro afagando os cabelos castanhos de Seiya.
─Pode deixar.
Shiryu que observava os dois se aproxima pra despedir-se do amigo também.
─Bom... Chegou a hora. – disse Shiryu com as mãos nos bolsos.
─Sim. – disse Hyoga.
─Vou sentir muito sua falta. – disse Shiryu com a cabeça baixa.
─Eu sei... Também vou sentir a sua. – disse Hyoga.
Não esperou mais e abraçou o aquariano com tamanha tristeza.
─VOO PARA MASSACHUSETTS, ESTADOS UNIDOS, PARTIRÁ EM QUINZE MINUTOS.
Shun ouviu o comunicado e olhou pro loiro que ainda se despedia de Shiryu. Estava desolado, triste, há alguns dias o loiro tinha comunicado que iria partir, mas ainda não tinha se acostumado com a noticia, ficou tão irritado com o loiro que passou dois dias sem falar ou olhar pra ele, foram dias de muitas lagrimas solitárias, por o loiro ter escondido aquela decisão e principalmente por ter decidido ir pra tão longe deles, afinal o russo poderia ter escolhido várias outras universidades por perto, mas escolheu justamente a que ficava mais distante de todos.
Continuou de braços cruzados e emburrado no banco. Viu quando o loiro ia acenando pra todos e pegando a mala indo para o avião, foi o cumulo, ele ia mesmo, começou a chorar de novo compulsivamente.
─Idiota, idiota, vai embora então... Me deixe sozinho, odeio você Hyoga... Nunca mais quero vê-lo, será que você não percebe que eu te amo? Será que não percebe que eu te quero mais que tudo? Seu idiota, tapado, imbecil... Te odeio, se não é capaz de perceber isso então vá embora de uma vez que sou eu que não quero mais te ver... Nunca mais. – chorava e chorava com o rosto entre as mãos, sabia que nunca seria capaz de odiar aquele aquariano, amava-o muito, desejava-o, estava num momento de raiva até mesmo de si próprio por não ter coragem de confessar seus sentimentos, por medo, medo de ser rejeitado, medo de perder até mesmo a amizade do loiro.
─VOO PARA MASSACHUSETTS, ESTADOS UNIDOS, PARTIRÁ EM DEZ MINUTOS.
Continuava a chorar, sabia que estava sendo ridículo, como se nunca mais fosse ver o loiro, estava transformando aquilo num velório, mas não conseguia evitar, estava perdendo o amor de sua vida e não podia fazer nada além de chorar.
─Não, a quem estou tentando enganar? Eu o amo, amo mais que tudo, quero abraça-lo uma ultima vez, sentir seu calor, sentir seu cheiro, olhar em seu rosto... – amava-o tanto, tanto que chegava a doer em seu peito. ─Tenho que esquecer o orgulho, preciso me despedir.
Tomou a decisão, levantou e olhou pra frente e só viu os outros que conversavam alguma coisa, mas não viu mais o loiro, ele tinha partido. Sentou-se na cadeira desolado, como foi tolo, perdeu a ultima chance de se despedir do loiro. Ia colocar as mãos no rosto de novo pra chorar quando sentiu uma mão em seu ombro, olhou pra cadeira ao lado e lá estava Hyoga sorrindo pra ele.
─Hyoga? Pensei que... Que você... Você estava... Eu não te vi e... – disse chorando e sorrindo ao mesmo tempo.
─Não achou mesmo que eu iria partir sem me despedir de você não é Shuny? – disse sorrindo consolador e pegando um lenço azul do bolso e enxugando as lagrimas do virginiano.
Shun não aguentou mais e abraçou o loiro emocionado.
─Não vá Oga, por favor, não vá... – disse chorando de novo.
─Eu preciso meu pequeno, não quero que sofra, mas é necessário. – disse triste também, sabia o quanto foi difícil pra Shun superar o trauma que teve com Hades, e aquele novo turbilhão de emoções poderia prejudicar a recuperação do virginiano, mas o loiro achava que se permanecesse mais algum tempo naquela mansão com todos os seus próprios transtornos acabaria prejudicando o virginiano mais ainda e a ultima coisa que queria era fazer mal a seus amigos.
─Mas eu não quero que você vá Oga, eu te a... – calou-se antes de dizer besteira.
─Hã? – disse o loiro afastando um pouco o virginiano pra olhar em seu rosto.
─Nada... só não quero que você vá.
─Eu volto, você sabe que eu volto. – disse passando o lenço pelo rosto de Shun que segurou a mão do loiro em seu rosto e fechou os olhos enquanto algumas lágrimas ainda caiam.
─Não faz assim Shun, gosto tanto de você... Não quero vê-lo triste meu amigo. – disse voltando a abraçar o virginiano que agora soluçava.
─Se não quer me ver triste então não me abandone. – disse apertando o loiro contra si.
Hyoga suspirou, como queria desabafar com o amigo, mas não queria preocupa-lo, Shun merecia ser feliz agora.
─Mas você não está sozinho, ainda tem os outros.
─Mas eu preciso é de você Oga. – disse ainda chorando e fazendo o russo estranhar aquela atitude mais ainda.
─Não posso ficar.
─Porque não?
─Talvez algum dia eu te explique tudo Shun, mas agora não... Lamento fazê-lo chorar, mas não quero vê-lo triste nunca mais entendeu? Agora mostra um sorriso pra mim vamos.
─Não. – disse emburrado.
─Não? Quero ver se não vai. – disse isso e começou a fazer cocegas na barriga de Shun que começou a rir.
─Tá bom, tá bom Oga. – disse rindo.
─É assim que eu gosto. – disse sorrindo e afagando os cabelos do amigo.
─VOO PARA MASSACHUSETTS, ESTADOS UNIDOS, PARTIRÁ EM CINCO MINUTOS.
─Essa mulher não cala a boca? – disse Shun irritado com a voz da locutora do aeroporto.
─rsrsrsrsrs. Tenho que ir agora Shun. – disse e se aproximou dando um beijo na bochecha de Shun que estremeceu só de sentir os lábios do loiro em sua pele.
─Adeus. – disse Shun triste.
─Não diga adeus... Diga até breve. – disse sorrindo e pegou a mala se direcionando pro portão de embarque deixando Shun e os outros o vendo partir.
─Até breve. – disse mais pra si mesmo, quando percebeu que ainda tinha o lenço do loiro em suas mãos.
Fim do Flashback
Shun sofreu por todo o tempo que ficou longe de Hyoga, quando ele voltou foi sua maior felicidade há anos. Passou os dedos sobre os lábios lembrando-se de quando beijou o loiro enquanto ele dormia, sorriu e fechou os olhos lembrando-se do gosto da boca do aquariano, passou o dia anterior tentando falar com o loiro pelo telefone, mas sempre estava ocupado ou desligado... Lembrou-se do que conversou com o loiro na boate, quando o abraçou na mesa onde bebiam, quando o loiro o levou em seu carro pra casa, do russo cuidando dele no quarto... E lembrou ainda do beijo que o loiro lhe prometeu, por isso queria tanto falar com Hyoga, pra esclarecer aquilo, será que o aquariano sentia alguma coisa por ele?
Sorriu cogitando essa possibilidade, e agora mais um dia e não tinha tirado aquele loiro da cabeça, tirou do bolso o mesmo lenço azul daquele dia, tão bem cuidado que parecia novo, andava sempre com aquilo.
Pensou melhor, já que o loiro não atendia suas ligações então teria que esclarecer aquela promessa de beijo pessoalmente. E era isso que faria... Se Hyoga não ia até ele, então ele iria até Hyoga.
...
Hyoga ficou a noite toda pensando no ocorrido com Ikki que mal notou quando amanheceu, voltou pro quarto pra ver se Jacó já tinha acordado, mas viu que o garoto ainda dormia tranquilamente, teria que esperar Isaac, sentou-se no chão e deitou a cabeça na beirada da cama perto do garoto, estava cansado, tanto física quanto psicologicamente e acabou adormecendo ali mesmo.
Jacó foi acordando aos poucos, mas ainda estava sem forças e foi levantando-se devagar e com dificuldade lembrava-se pouquíssimo do dia anterior, viu Hyoga deitado na beirada da cama, parecia exausto, sorriu, seu mestre apesar da postura sempre fria gostava muito dele e sempre se mostrava preocupado, se atreveu a acariciar a cabeleira loira e isso fez o aquariano acordar.
─Hã? Ah, já acordou. – disse levantando-se e suspirando.
─O que houve mestre? – perguntou já com medo de levar uma bronca.
─Como assim 'o que houve?' – disse mudando pra uma expressão irritada.
─É que eu não me lembro de nada mestre...
Hyoga ficou olhando irritado pro pupilo, mas na verdade estava muito feliz em ver que ele estava bem.
─Você ficou perdido numa nevasca, eu, Camus, o cavaleiro de Fênix e Isaac fizemos uma busca... eu o encontrei soterrado e o trouxe pra cá, nós o aquecemos e aí está você. – disse em conclusão objetivo como sempre e indo sentar-se na beirada da cama do garoto e tocando o rosto do garoto pra ver se estava com febre.
Jacó ficou um pouco vermelho, estava envergonhado por ter tomado o tempo de seu mestre, de tê-lo preocupado e ainda por cima ter mobilizado mais três cavaleiros pra encontra-lo, fora pelo modo como o loiro se aproximou, Hyoga nunca se deixava ser tocado ou se aproximava daquela forma.
─Desculpe mestre, é que eu tinha ido pra vila comprar os suprimentos... eu tinha visto que uma nevasca se aproximava, mas eu achei que daria tempo, então ela acabou me pegando no meio do caminho... – disse baixando a cabeça. ─Me perdoe mestre, eu sou um péssimo pupilo, não aguentei muito tempo no frio, sou uma vergonha mesmo, um futuro cavaleiro do gelo que não suporta o frio é deprimente. – disse choroso. ─Deve estar com vergonha de mim, não é mesmo? – já estava chorando baixinho apertando o coberto entre as mãos.
Hyoga ficou um tempo olhando pra aquele garotinho triste, sorriu, Jacó era mesmo uma criancinha carente e só queria impressiona-lo, acariciou os cabelos do garoto que se surpreendeu e levantou a cabeça, achava que seu mestre iria descer uma série de sermões e deixa-lo sozinho de castigo.
─O importante é que você está bem meu garoto, apenas terá que se esforçar mais pra melhorar suas habilidades... Agora volte a deitar que eu vou trazer uma comida bem quente pra você. – disse levantando-se.
Jacó ficou quieto tentando acreditar que aquelas palavras saíram mesmo de seu mestre Hyoga, seria um clone? E ainda por cima "meu garoto", o que deu nele afinal de contas?
─Mestre espera. – disse antes que o loiro saísse. ─Não está zangado comigo? Eu fiz besteira...
─Zangado? – riu. ─Esquece isso por enquanto. – disse se virando.
─Mas...
─Mas o quê? – disse já se irritando, estava já fazendo um esforço pra não ser tão rude com aquele garoto irresponsável.
─Pensei que você iria, er...
─Iria o quê Jacó? Que eu lhe daria um castigo por acaso? Se bem que você merece mesmo, não devia ter se arriscado tanto, não deveria ter saído com aquela nevasca pronta pra desabar, isso foi muita irresponsabilidade, me deixou muito preocupado sabia? Você tem ideia de sua importância pra mim Jacó? – disse sem perceber e irritando-se.
Jacó sorriu, esse sim era seu mestre, arrogante, frio e rigoroso, mas também era carinhoso e amoroso quando menos se esperava, não gostava de receber olhares de pena, ainda mais sendo de Hyoga, e alegrava-se ainda mais por seu mestre estar lhe dizendo aquilo.
─Muita? – disse Jacó sorrindo e escondendo-se no cobertor.
Foi aí que o loiro se tocou do que disse. ─Er, é sim, muita. – disse o mais sério que podia.
─Obrigado mestre... Por se preocupar comigo, e por... Por gostar de mim. – disse vermelho ainda embaixo do cobertor.
Hyoga sorriu, era sempre tão frio com aquele garoto, que momentos assim eram novidade até mesmo pra ele, pois era assim que Camus sempre o tratou, então procurava sempre agir da mesma forma, voltou pra perto de Jacó e retirou o cobertor que ele se escondia e viu aqueles olhos azul claros e grandes do garoto e aqueles cabelos ruivos.
─Você acha que eu sou um bom mestre Jacó? – disse mais calmo e se aproximando olhando o garotinho encolhido.
Jacó se surpreendeu com a pergunta, quem era aquele rapaz que se mostrava tão diferente de seu mestre? Ele parecia carente assim como ele mesmo, sempre o viu como um homem forte que nunca precisou de proteção, e agora o loiro se mostrava tão humano.
─Claro que sim mestre, você é o melhor. – disse sorrindo e abraçando o loiro de repente pela cintura.
Hyoga se surpreendeu com a atitude do garoto, mas retribuiu o abraço carinhosamente, e acariciando os cabelos do garotinho. Ficaram um tempo ali, Jacó nunca tinha se sentido tão confortado por seu mestre, estava muito feliz.
─Não se acostume com isso. – disse o loiro.
─Eu sei... – disse ainda sorrindo.
─Agora eu vou preparar sua comida. – disse se desvencilhando do abraço e levantando.
─Sim mestre... Mas espere. – disse se lembrando de alguma coisa.
─O que foi?
─Você vai cozinhar?
─E se eu for tem algum problema?
─É que, bom... – tinha vergonha de dizer que a comida de seu mestre era horrível. ─Estou sem fome.
─rsrsrs. Eu sei que você detesta minha comida Jacó, mas não se preocupe, não fui eu que fiz, foi o Isaac, eu só vou esquentar pra você. – disse rindo, sempre soube que Jacó nunca gostou da comida que ele fazia, embora o menino nunca tivesse dito nada.
─Ahh, que bom. – disse aliviado. ─Quer dizer...
─rsrsrsrsrs. Deixa pra lá, já volto. – disse e se retirou, esquentou a sopa que Isaac tinha feito e entregou pra Jacó que a cada colherada parecia mais revigorado.
Isaac apareceu pouco depois pra ficar com Jacó que teria que ficar uns dois dias em repouso, pois tinha pegado um resfriado e ainda estava muito fraco pra voltar aos treinamentos, mas Isaac só iria supervisionar o garoto de vez em quando, afinal também tinha seus compromissos e obrigações, então trataram de deixar a mão tudo que Jacó fosse precisar por enquanto, pois Hyoga ainda voltaria à tarde pra cuidar dele.
Hyoga voltou rapidamente pro Japão, teria que trabalhar mesmo estando cansado, fora que ainda tinha que tratar de outros casos de fora, e ainda tinha Shun, teria que pensar em alguma coisa pra dizer ao virginiano, e ainda teria que ter uma conversa muito séria com Ikki também sobre aquele beijo, mas não sabia o que fazer ainda, precisaria de um conselho, teria que procurar seu melhor amigo pra ver se achava uma luz naquilo tudo.
...
Hyoga chegou à agencia de policia o mais rápido que pode.
─Está atrasado senhor Alex. – disse Naomi sentada numa cadeira perto da sala que foi destinada somente para Hyoga.
─Não estou, estou em ponto... E é Alexei. – disse disfarçando a afobação por causa da pressa pra chegar.
─Hunf, que seja... Tivemos uma chamada a 10 min, mais um caso de tiroteio emChiyoda*, já tem uma equipe lá, vamos também?
─Sim. – disse depois de pensar um pouco.
Chegaram à cena de crime cumprimentaram os outros detetives que chegaram primeiro e onde havia um homem ferido numa ambulancia e uma estudante no chão morta coberta por um lençol, e como antes havia curiosos, reporteres e fotografos por toda parte querendo noticia.
─A que horas aconteceu Ichiro? - perguntou o loiro passando pela faixa de segurança com Naomi e se aproximando.
─Por volta das 8:15 as 8:35 Alexei. - disse o detetive Ichiro que ali estava e já conhecia o loiro do dia anterior quando foi apresentado por Naomi.
─Quem é a garota?
─Uma estudante da Aoba–Japan International School, estava voltando pra casa quando o tiroteio aconteceu, estava com duas amigas.
─Onde elas estão?
─Bem ali. – disse o detetive apontando pra duas garotas que falavam bastante nervosas e chorando e falando com um policial.
─Hm.
Naomi olhava triste pra garota no chão.
O loiro foi olhar o corpo no chão, uma jovem japonesa tendo por volta de uns 17 anos, foi baleada na cabeça, observou que o homem ferido tinha apenas um tiro de raspão no braço direito e estava tendo os primeiros socorros na ambulancia, observou que estavam num lugar movimentado, pois era proximo de um café e dois restaurantes, havia vários curiosos tapando a vista, mas pode observar tudo que tinha próximo, o assassino tinha vários meios pra fugir, se esconder, talvez até ainda estivesse ali, então começou a prestar atenção em algumas pessoas.
─Vem aqui Naomi. – chamou o loiro.
─E-Eu? – disse com receio.
─Sim, tem outra Naomi por aqui? – tinha pouca paciencia quando se tratava da garota.
─Tá bom, seu chato. – disse emburada.
─É mais que obvio que esse não é um caso aleatorio... Onde a outra vitima do tiroteio de Shinjuku foi baleada? – perguntou o loiro mais baixo.
─Hum, acho que foi na cabeça também. – disse pensando um pouco.
─As dos tiroteios anteriores também?
─Acho que sim.
─Tem que ter certeza Naomi, esses detalhes são importantes. – disse o loiro em tom de repreenção, mas também ensinando.
─Desculpe, vou ficar mais atenta Alex.
─É Alexei... e mais tarde eu quero o relatorio dos tiroteios anteriores na minha mesa entendido.
─Sim.
─Ótimo. Agora preste atenção. – disse levantando o lençol e mostrando pra Naomi que virou o rosto quando viu a garota morta.
─Olhe pra ela... vai me dizer que nunca viu um corpo? – disse o loiro percebendo o receio de Naomi.
─Já, mas não tão perto assim. – disse sem olhar a garota.
─Hm. Mas agora vai ter que se acostumar... Olhe pra ela e preste atenção onde ela foi baleada.
Naomi olhou a muito contragosto.
─Na cabeça... a de ontem também... e... Agora que eu lembrei, todas as vitimas foram baleadas na cabeça. – disse depois de pensar melhor.
─Preste mais atenção. – disse o loiro ainda ensinando Naomi.
Naomi olhou de novo pra garota e notou que o tiro foi bem no meio da testa.
─É um tiro certeiro.
─Sim, não é trabalho de um amador, mesmo estando longe ele teria que mirar pra acertar tão precisamente, e assim alguem teria que ter notado.
─Mas ninguem viu nada... e o tiro foi barulhento, pra acertar com tanta precisão sem causar tanto estrago ele teria que usar uma arma de fogo com cano longo, com maior alcance e precisão, mas a maioria dessas armas são silenciosas... – disse Naomi.
─Preste mais atenção.
─No quê Alex?
─Tem pouco sangue, o tiro é de um projetil pequeno, mas a bala não varou, teria de ser um tiro de longe pra não ter varado. E é Alexei. – disse aborrecido.
─É mesmo, talvez tenha sido de uma pistola com calibre menor.
─Não, senão teria que ser silenciosa e ter causado mais estragos.
─É mesmo, então voltamos ao tiro de longe... Mas não tem onde se esconder por aqui, e pra um tiro com essa precisão ele deveria estar com uma arma de longo alcance, mas não tem prédios por perto pro atirador ter se escondido, e mesmo que tivesse o barulho de longe não teria afugentado as pessoas e muitos que estavam por perto disseram que o barulho veio do meio do povo.
─Uma pistola poderia ter feito isso, mas ele teria que estar a poucos metros da garota... e as amigas dela teriam visto ele, fora que não acharam o cartucho.
─É bem elaborado... Como ele fez então?
─Talvez alguem perto tenha atirado só pra afugentar as pessoas e outro atirador distante tivesse atirado nela.
─Mas porque tanto trabalho pra assassinar uma simples estudante?
─Não sei a importancia dessa garota ainda, mas pode ser apenas uma distração pra nos distanciar de algo maior.
─Como pode ter certeza Alex?
─É Alexei... Lembra que quanto chegamos da cena de crime de ontem ficamos sabendo na delegacia que ouve outro caso de atentado no palacio imperial?
─Sim, então você acha que...
─Talvez. – disse pensando em ser mais um atentado, lembrou-se ainda que ultimamente os lideres de vários paises estavam sob vigilancia, pois estavam tendo muitos atentados conforme os casos que ele andava recebendo de fora.
─Hum, então...
Quando Naomi ia falar o rádio que o loiro usava nos horarios de serviço, como os dos policiais, tem um chamado, mais um atentado no palacio imperial, apesar de a guarda lá estar mais em peso.
─Aqui é o Alexei. - Naomi observava o loiro enquanto ele falava.
─Senhor Alexei há mais um atentado no palacio imperial, mas não é ao imperador Akihito, pois ele está em uma viagem a Londres, e sim ao ministro Hitoshi Shinzō. - disse um policial no local.
─Como aconteceu?
─Entrou uma maleta na sala do ministro, uma bomba, mas o secretário do governador percebeu a tempo e pudemos tomar as providencias, ainda não descobrimos de onde veio a maleta, mas ela já foi desarmada pelo esquadrão anti-bombas... Está um alvoroço aqui, precisamos de detetives aqui pra investigar.
─Ok. Já estamos indo. - disse em conclusão. ─Vamos Naomi, temos outro caso. – disse o loiro.
Passaram pelos outros detetives e o loiro foi dando as instruções.
─Quero interrogar as outras duas estudantes quando eu voltar, entendido.
─Entendido. – disse o detetive Ichiro.
Deixou o caso do tiroteio nas mãos da outra dupla que tinha ali e chamou Naomi pra irem pro palacio imperial.
Ikki foi designado pra fotografar em Chiyoda então viu o russo trabalhando e sentiu uma imensa vontade de ir falar com ele, o loiro parecia cansado, mas ainda assim trabalhava com dedicação e atenção ao caso que sequer tinha notado o leonino ali, parecia dar instruções à outra detetive, provavelmente tenha sido dela que o loiro falou no almoço, parecia concentrado e conversava com a japonesa sobre alguma coisa relacionada ao caso enquanto eles olhavam em volta parecendo avaliar o local, viu quando o aquariano recebeu um chamado de outro lugar e quando eles foram se retirando e foram interceptados por vários repórteres que queriam algum depoimento sobre o crime, mas nenhum dos dois deu atenção a mídia e se retiraram.
Sentiu-se tão mal em ver que Hyoga parecia abatido embora mostrasse sua habitual frieza, sabia qual a providencia daquilo, da noite que passou com o loiro e como tinha se atrevido a beija-lo, como tinha gostado daquilo, mas o loiro não, tinha sido um dos maiores fora que ele tinha levado, e o pior é que não se arrependia do que tinha feito, queria mais, queria sentir mais do gosto do loiro, da boca dele, do cheiro, da maciez de sua pele... Mas não sabia quando voltaria a falar com o loiro, quando poderiam conversar animadamente como no almoço que tiveram, queria muito resolver aquilo de uma vez, mas que no final tivesse o loiro em seus braços, que a seu ver agora era quase impossível.
...
Mais tarde naquele dia...
Millo estava em sua casa no santuario preparando o almoço que serviria com Camus. Estava feliz, era muito bom ter Camus por perto de novo, a ultima missão que o aquariano tinha ido foi muito perigosa, apesar de ter sido apenas de espionagem, ultimamente os cavaleiros de prata estavam em muitas missões pelo mundo que agora não tinha ameaças de deuses, mas os cavaleiros ainda tratavam de casos de terrorismo, guerras civis, atentados que aconteciam pelo mundo, mas sempre no anonimato. Camus recebeu uma missão muito arriscada de espionagem, era o mais qualificado dos cavaleiros de ouro para a missão por causa de sua frieza em situações de risco, já que em ocasiões assim eles não poderiam usar seus poderes de cavaleiros então corriam riscos como pessoas normais. E missões assim tinham se tornado frequentes nos últimos tempos, o santuario inteiro estava mobilizado pra sair em missões de risco, não pela dificuldade em derrotar inimigos, mas sim com a dificuldade de manter o anonimato.
E o mestre do santuario Shion vivia em reuniões com Atena ultimamente e nem mesmo os cavaleiros de ouro sabiam nada a respeito, alguma coisa estranha estava acontecendo.
Millo estava terminando sua especialidade de mussaká de carne quando alguém entra em sua casa zodiacal e o escorpiano reconhece de imediato quem era pelo cosmo do visitante.
─Oi Hyoga, entra aeh garoto. – disse da porta da cozinha enquanto enxugava as mãos.
─Oi Milo... Cadê o Camus? – disse sorrindo para o amigo entrando e pegando uma cadeira da mesa de centro da cozinha e sentando com o encosto na sua frente e apoiando os braços nele.
─Falando com Atena.
─Hm. De novo?
─Sim, ainda é sobre a última missão dele, ele está há horas por lá... Não sei nada concreto ainda, mas suspeito que tenha alguma coisa acontecendo.
─Como assim?
─Não tenho certeza de nada, o Shion, o Dohko e Atena estão de segredinhos.
─Sério? É alguma ameaça? – disse temeroso em terem que enfrentar mais um deus desajuizado.
─Não é bem isso, é que... Viishii... – disse batendo a mão na testa, lembrando-se que tinha ordens pra não contar nenhum problema do santuario aos cavaleiros de bronze.
─Que foi?
─Na-nada. – disse Millo virando-se e assobiando.
─Aff... Você não engana ninguém Millo, fala logo o que ia dizer. – disse o loiro.
─Não é nada garoto, esquece.
─Fala logo senão eu congelo tudo por aqui. – disse o loiro rindo em ameaça.
─Até parece que eu tenho medo de você né pirralho. – disse Millo cruzando os braços.
─Mas uma hora o gelo descongela e você vai ter o maior trabalho pra limpar tudo. – disse o loiro que mais brincava do que ameaçava.
─Aaahhh não, assim é golpe baixo, eu acabei de limpar isso aqui. – disse resmungando.
─Então fala logo, senão... – disse o loiro levantando o braço e aumentando o cosmo na mão ainda ameaçando congelar tudo.
─Vai fazer o que Hyoga? – disse Camus entrando sério na cozinha do nada.
─Me-mestre? – disse temeroso, ainda tinha medo de Camus apesar de ser bem mais forte que ele.
─É mesmo Hyoga, você ia fazer o que mesmo? – disse Millo rindo, sabia que o loiro ainda temia a Camus.
─Nada não mestre, só estava brincando. – disse baixando o braço de repente e sorrindo sem graça.
─Hm, fique calmo Hyoga só estou brincando também. – disse Camus esboçando um sorriso e sentando-se em uma das cadeiras e suspirando cansado.
─O que houve Camus? – disse Millo preocupado com o companheiro e se aproximando fazendo uma massagem nos ombros do aquariano.
─Não é nada mon ange. – disse sorrindo e puxando o rosto do escorpiano para um beijo simples.
Hyoga achava estranho àquelas demonstrações de carinho vindas de Camus.
─E o Jacó Hyoga? Como ele está? – disse Camus.
─Melhor, está se recuperando. – disse o loiro sorrindo.
─Deu uma boa bronca nele? Bem que ele merece... nos preocupou muito. – disse Camus.
─Dei sim... – disse sorrindo.
─E como foi com Atena amor? É a segunda reunião com ela só hoje. – disse Millo.
─Agora não Millo. – disse em tom de aviso olhando pra Millo.
─Por quê? Que foi? – disse em duvida e em seguida lembrando que Hyoga estava ali. ─Ah sim... – disse e se afastou do aquariano disfarçadamente pra olhar a comida.
─O que está acontecendo afinal de contas? E você ainda não me falou o que ia dizer agora a pouco Millo. – disse o loiro sem entender nada olhando pros dois.
─Não é nada de seu interesse Hyoga. – disse Camus que ouviu parte da conversa antes de entrar na cozinha.
─Como não mestre? É sobre o santuario? Há alguma ameaça a caminho? – disse o loiro preocupado.
─Já falei... Esqueça isso... E o que faz aqui no santuario Hyoga? – disse Camus.
─Não tente me enrolar mestre, eu sei que vocês estão me escondendo alguma coisa.
─Deixa de ser curioso pirralho. – disse Millo impaciente.
Camus suspirou, sabia que Hyoga era teimoso e não iria parar de perguntar até que eles respondessem.
─Tá bom Hyoga...Vou falar. – disse Camus.
─Mas Camus... – disse Millo.
─Tudo bem mon ange. – disse sorrindo pro grego.
─Olha Hyoga, Atena nos deu ordens pra não dizer nada a vocês cavaleiros de bronze sobre os problemas do santuario. – disse Camus.
─Problemas? Que tipos de problemas?
─Vocês já lutaram demais Hyoga... – disse Millo. ─Atena não quer que vocês se arrisquem mais.
─Mas se Saori tem problemas então temos obrigações de ajuda-la afinal também somos cavaleiros de Atena ora. – disse o loiro aborrecido.
─Tá bom Hyoga, estamos com problemas, mas não é exatamente no santuario. – disse Camus.
─Não? – disse Millo que ainda não sabia a historia toda.
─Não... você como detetive internacional já deve ter percebido isso há tempos Hyoga. – disse Camus. ─Acredito que você tenha recebido muitos casos ultimamente, estou certo?
─Sim.
─Então deve saber que a criminalidade aumentou consideravelmente em todo o mundo nos últimos tempos.
─É... Percebi, por isso tenho trabalhado tanto ultimamente. – disse o loiro pensativo.
─Pois é... Atentados terroristas, guerras civis, conflitos... São todos parcialmente solucionados por soldados do santuario que mantêm a ordem no mundo no anonimato... Mas a situação está fugindo de controle ultimamente, não sabemos ainda o porquê... Atena e o mestre do santuario vivem em reuniões discutindo sobre isso, por isso temos visto pouco a Saori nos últimos tempos apesar dela ter passado o dia com vocês no domingo... ela não quer que vocês interfiram ou se preocupem com isso, pois como Millo disse, vocês já lutaram demais e ela não quer que tenham que lutar mais uma vez.
O loiro ficou um tempo pensando, no dia em que passaram juntos ele não pode deixar de notar que Saori parecia cansada e abatida, provavelmente estava trabalhando muito, e parecia muito preocupada embora tentasse se mostrasse serena e alegre na frente deles cinco.
─O que está acontecendo então?
─Ainda não sei também, os cavaleiros de ouro também estão sendo privados de informações, somente o mestre Shion, Dohko e Atena estão a par de tudo, e são somente eles que estão controlando pessoalmente as missões que estão se desenvolvendo... Eles não me disseram, mas os cavaleiros de prata e os soldados do santuario estão em 90% espalhados em missões, por isso eu fui mandado na ultima, pois estavam sem pessoal qualificado... E nós os cavaleiros de ouro não podemos sair das doze casas por qualquer coisa... Ontem mesmo Atena deu ordens pra nenhum cavaleiro de ouro sair do santuario sem autorização.
─Hum, é mesmo, agora que o senhor falou que eu percebi que tinham poucos soldados e cavaleiros em guarda quando eu entrei aqui, apesar de a maioria dos cavaleiros de ouro estarem nas dize casas, mas eu não senti o cosmo de Afrodite por aqui.
─É porque ele está na ilha de Andrômeda com Shun. – disse Millo. ─E lá também é prioridade, já que cada vez mais precisamos de soldados, e a ilha é a nossa arvore da colheita, os soldados mais qualificados saem de lá... Por isso o Shun anda tão atarefado, apesar dele não saber de nada também, ele não te contou?
─Não. – disse o loiro pensativo, Shun era mesmo inacreditável, conseguia equilibrar todas suas obrigações e ainda ter tempo pros amigos e sua própria vida.
─Pois é, por isso estou preocupado, alguma coisa séria deve estar acontecendo. – disse Camus finalizando.
─Mas não conte isso aos outros quatro viu Hyoga. – disse Millo fazendo o loiro despertar de seus pensamentos.
─Por quê?
─Ora, porque Atena não vai gostar nada de termos preocupado vocês cinco. – disse Millo.
─Só lamento, mas se Saori tem problemas e precisa de ajuda então eu não irei fingir que não sei de nada. – disse o loiro determinado.
─Tá vendo porque não queríamos te contar Hyoga... Você é muito teimoso seu loiro de farmácia.
─Aff.
─É verdade Hyoga. – disse Camus. ─Concordo com Atena que vocês têm que ficar fora disso, vivam suas vidas, a época e grandes guerras e batalhas contra deuses já acabou... Não podemos mais priva-los de viverem suas vidas, afinal vocês merecem. – disse Camus.
─E não é possível que não possamos dar conta de pequenos problemas como esses, pra quem já enfrentou os mais diversos deuses no passado acho que podemos dar conta de pequenos distúrbios pelo mundo. – disse Millo.
─É verdade Hyoga, esqueça o que eu disse. – disse Camus.
Hyoga suspirou, aqueles dois se preocupavam muito com eles cinco, mas de qualquer forma ainda não conseguia tirar aquelas informações da cabeça, já tinha percebido há tempos que a criminalidade no mundo tinha aumentado, mas achava que era só coincidência, só agora foi perceber o quanto foi tolo e que realmente era um assunto serio já que até mesmo o santuario estava sendo mobilizado.
─Tudo bem, não direi a ninguém, mas quero ficar sabendo de tudo que o senhor puder me informar sobre o que tiver acontecendo no santuario. – disse olhando pra Camus.
─Ok, mas só se você prometer que não vai se envolver sem permissão, entendido.
─Sim mestre.
─Bom... Então agora eu vou tomar um banho e descansar um pouco antes do almoço. – disse Camus levantando e parecendo muito cansado.
─Vai lá amor, depois do almoço vou fazer uma massagem em você. – disse Millo dando um beijo na bochecha do aquariano.
─Ok.
Camus se retirou e Hyoga começou a pensar melhor na conversa que tiveram, estava preocupado agora.
─Onde foi a ultima missão que ele esteve? – disse o loiro.
─Afeganistão.
─Hm. – ficou mais pensativo ainda.
─Gosta de mussaká de carne Hyoga? – disse Millo animadamente depois de um tempo pra distrair o aquariano.
─Hã? – estava avoado de novo.
─Não pense muito nisso amigo, vai ficar tudo bem. – disse Millo compreensivo já que o loiro parecia muito preocupado agora.
Suspirou. ─Vou tentar. – disse o loiro cansado também, já que não tinha dormido na noite anterior.
─Devia descansar um pouco também, você parece muito abatido, não anda dormindo?
─Pouco.
─Hum, devia descansar, você está péssimo.
─Ah valeu mesmo Millo, tudo que eu precisava ouvir, como se eu já não soubesse, muito obrigado.
─Vish, tá de TPM garoto?
─Hunf.
─E então? Gosta de mussaká de carne? – disse indo mexer a comida e lavando as mãos em seguida.
─Hm, gosto. – disse triste lembrando-se de Ikki, foi o que o leonino pediu no restaurante.
─Vish, esse 'gosto' não me convenceu, se quiser posso preparar outra coisa pra você... vai almoçar conosco não é? – disse Millo.
─Não quero incomodar Millo. – disse o loiro.
─Para de frescura e almoce conosco, não tem incomodo algum.
─Não sei por que todo mundo me chama e fresco por aqui. – disse aborrecido.
─Nossa que mau humor é esse?
─Desculpe. – disse suspirando.
─Tudo bem... Essa carinha não me engana, o que aconteceu? Sei que não veio aqui só pra me ver. – disse pegando um pano pra enxugar as mãos.
─Preciso de um conselho seu Millo.
─Por isso eu estranhei... Você nunca vem me visitar mesmo... – disse atirando o pano na cabeça do loiro.
─Para com isso Millo, é sério. – disse tirando o pano da cabeça.
─Então comece a falar. – disse sentando-se numa cadeira de frente pro loiro e esperando enquanto a comida cozinhava.
─Bom...
Hyoga contou tudo pra Millo desde sua descoberta sobre Shun até o que se passou com Ikki.
─rsrsrsrsrsrs. Você é uma graça Hyoga, finalmente acordou.
─Hã?
─O Shun está apaixonado por você há tempos Hyoga, como nunca percebeu?
─Não sei... O Shun nunca disse nada... Ele sempre foi amável, mas ele é assim com todo mundo, pensei que não era nada demais, só a personalidade dele mesmo... Sou um idiota. – disse baixando a cabeça.
─Bom nem tanto, o Camus às vezes não percebe nada também... e o Shun sempre foi amável com todos, e eu até que desconfiava, mas só confirmei minhas suspeitas quando o Afrodite me contou.
─O Afrodite sabe?
─É claro, afinal ele vive grudado com o Shun. – disse Millo. ─Mas essa do Ikki é novidade, se bem que eu também comecei a suspeitar depois do que o Camus me disse.
─Camus? O que mestre Camus sabe?
─Bom, ele me disse ontem quando vocês foram socorrer Jacó o Ikki se mostrou muito carinhoso com você, carinhoso até demais. – disse piscando pro loiro. ─Fora que ele se mostrou muito estranho na reunião de cavaleiros quando te viu, acho que não foi só o Shun que ficou emocionado com seu retorno.
─Sério? Acho que só eu sou cego por aqui. – disse suspirando.
─E então... Diz aí, como foi?
─O que?
─O Ikki, como foi o beijo dele?
─Aff, é só nisso que você pensa Millo?
─É lógico, ainda mais pra você... Já sabe a diferença entre beijar um homem ou uma mulher agora? O que é melhor?
─Oh Millo, tem coisas mais importantes do que pensar nisso agora, tô numa situação difícil aqui sabia. – disse o loiro indignado.
─Ah sem drama Hyoga, você só tem que pensar melhor no que sentiu, pare de se enganar, até mesmo eu estou vendo que o beijo do Fênix mexeu com você. E ainda tem o Shun, sente alguma coisa por ele?
─SIM, quer dizer NÃO... o Shun é um irmão pra mim e o Ikki é só um amigo.
─Anram... sei. Então você está num dilema meu amigo, você gosta de dominar ou ser dominado? Essa é a diferença entre aqueles dois. – disse Millo rindo.
─Quê? Mas que pergunta é essa?... É sério Millo, não posso corresponder a nenhum deles.
─Então porque não vai lá e diz isso pra eles.
─Como se fosse muito fácil encarar eles agora né.
─É só ir lá e dizer: Shun eu sei que você está apaixonado por mim, mas pra mim você é apenas um irmão, então esqueça tudo que sente e me esqueça... E pro Ikki você diz: Desculpe Ikki, mas eu gosto é de mulher, e não podemos ter uma amizade colorida, então passe bem.
─Aff. Você me ajudou muito agora. – disse o loiro emburrado. ─Eu quero um conselho de verdade Millo.
─Aff. Admite de uma vez Hyoga... Sentiu alguma coisa quando o Ikki te beijou? Sentiu repulsa?
─Eu... Er, não, não senti. - ficou pensando melhor, e repulsa era a ultima coisa que sentiria.
─Ótimo então você passou pelo primeiro estagio... - disse Millo sorrindo. ─Você gostou?
─É claro que não Millo, não gosto de homens. - disse o loiro corado. ─E que negocio é esse de primeiro estagio?
─Bom, se isso acontecesse com um hetero convicto normalmente ele teria quebrado a cara do sujeito que o beijou. Então você passou pelo primeiro estagio de aceitação de sua opção.
─Mas o quê? Que ideia Millo, eu não, definitivamente não gosto de homens. - disse o loiro mais vermelho ainda.
─rsrsrsrs. Não é o que parece.
─Eu não iria brigar com o Ikki, não sou tão cabeça dura e esquentado a esse ponto. - disse tentando se explicar.
─Bom... então quanto tempo durou o beijo?
─Quê?
─Se você não o afastou de imediato foi porque gostou. - disse Millo rindo, adorava deixar o loiro irritado e muito mais envergonhado, então já que não conseguia fazer Camus perder aquela pose então faria isso com o pupilo dele.
─Você andou bebendo Millo? Só pode, acho que se esqueceu de que eu estou comprometido com a Eire.
─Você sabe que eu adoro te deixar todo vermelhinho. Rsrsrsrsrsrs. E daí se você está com a Eire... Há homossexuais por aí que não são assumidos que tem até mulher e filhos.
─Mas não é meu caso.
─Então você assume? - disse rindo.
─Arg. Você está testando minha paciência Millo, nem sei por que eu vim falar com você. – disse se irritando de vez.
─Simples, porque eu sou seu melhor amigo e você não teria coragem pra falar desses assuntos com o Camus. – disse o escorpiano sorrindo e piscando pro loiro.
─Hunf. – fazer o que se o escorpiano estava certo, então preferiu ficar calado.
─Agora é sério Hyoga. – disse mudando a postura e pegando uma cadeira e sentando-se próximo de Hyoga e fazendo sinal pra que o loiro virasse a cadeira pra ele e foi o que o loiro fez.
─Sei que está confuso, mas isso é natural, principalmente pra você... Mas seja sincero... Você gostou não foi? Está curioso agora se aquele beijo passaria daquilo se você tivesse permitido.
Hyoga ficou um tempo calado e vermelho, Millo estava certo, o beijo de Ikki mexeu com ele, mas era muito difícil admitir aquilo, especialmente pra ele.
─Não precisa me responder agora, precisa de um tempo pra pensar no que houve, mas não demore muito, afinal você vai ter que encarar aqueles irmãos mais cedo ou mais tarde.
─Eu sei, tenho perguntas a fazer aos dois, mas não entendo nem a mim mesmo, como vou poder conversar com eles?
─Talvez eles tenham as respostas. – disse Millo sorrindo. ─Eu sei que isso é muito novo pra você Hyoga, nem te conto como o Camus ficou que descobriu que gostava de homens, ele demorou uma eternidade pra descobrir o que eu sentia por ele, e só soube mesmo porque eu me declarei. – disse sorrindo e afagando os cabelos do loiro.
─É mesmo? Vocês parecem ter uma relação tão estável e amorosa. Gostaria de ter uma assim também. – disse triste.
─Sim, mas isso demorou bastante tempo pra ficar assim, o Camus quase pirou, ficou atordoado por semanas, negando a si mesmo... Mas cada caso é um caso, talvez você só esteja presenciando uma coisa muito nova mesmo que o tenha confundido, talvez nem sinta atração por homens, mas ainda assim você tem que tomar cuidado com qualquer atitude que for tomar, afinal eu sei que aqueles irmãos são muito importantes pra você, e que você nunca iria querer magoa-los, não é?
─Sim. – disse melancólico.
─Por isso você tem que entender o lado deles também... você é atraente Hyoga, até mesmo pra mim, talvez eu pense assim porque devo ter uma queda por aquarianos. Mas você ainda é muito novo, tem bastante tempo, sei que vai encontrar alguém pra amar. – disse sorrindo e acariciando a face do russo. ─E pense bem, qual foi a atitude do Ikki depois que ele te beijou?
─Ele se desculpou, estava arrependido. – lembrou-se também da conversa que tiveram no restaurante.
─Viu só, ele não resistiu a você, imagine só, Alexei Hyoga arrasando corações. Rsrsrsrs.
─Imagine Millo, que nada.
─O Ikki não resistiu, você disse que ele era um bom amigo não é? Então talvez você tivesse atiçando ele há tempos sem notar, mas ele resistiu bravamente. Rsrsrsrs... Então quando você esteve tão perto e vulnerável ele não pode se segurar.
─Acha mesmo?
─Talvez... por isso você tem que falar com eles. Principalmente com o Shun, afinal você sempre foi mais amigo dele.
─Tem razão, tenho que tomar uma atitude, perguntar ao Ikki o que aquele beijo significou... mas o Shun...
─Com ele você tem que tomar mais cuidado, já que o Shun é mais sensível e você já sabe que ele está apaixonado por você há tempos.
─Certo, vou pensar no que vou falar pra ele.
─Então pense bem e venha falar comigo antes de qualquer coisa... Quero que saiba que estarei sempre aqui pra te ajudar Hyoga.
─Obrigado amigo. – disse sorrindo.
─É assim que eu gosto... Bom, então esqueçamos isso e vamos almoçar. Você deve estar faminto. – disse levantando-se pra terminar a comida.
Hyoga ficou pra almoçar com os dois e logo depois foi pra Sibéria cuidar de seu pupilo. Quando chegasse em casa a noite investigaria mais a fundo o que estava acontecendo no santuario e o quê isso tinha em relação com a criminalidade que estava aumentando e que ele mesmo estava completamente envolvido, fora que ainda tinha seus problemas pessoais com Shun e Ikki, mas mesmo Millo ainda não tinha dado coragem suficiente pro loiro falar com nenhum dos dois irmãos, então ficaria inerte por enquanto, sabia que era errado, mas não conseguia encarar nenhum deles no momento.
...
Shun terminou seus afazeres na ilha de Andrômeda e a deixou sob as ordens de Afrodite e foi pra casa continuar seu livro apesar de estar cansado, fora que ainda tinha as provas finais da faculdade e seu tcc pra entregar, já que faltavam apenas alguns meses pra se formar e lançar seu livro, ou pelo menos tentar já que Hyoga não saia de sua cabeça. Já tinha decidido que iria à casa do aquariano e falaria com ele pessoalmente sem dar chance dele escapar, porém já sabia também que o loiro ficaria na Sibéria a tarde pra treinar Jacó, então esperaria até o anoitecer e faltaria a faculdade especialmente pra falar com o loiro, esclareceria aquela promessa do beijo de Hyoga de uma vez por todas. Estava muito esperançoso, talvez o loiro lhe desse uma chance, e só de pensar nessa possibilidade já o enchia de alegria.
Esperou até as sete, já estava arrumado pra ir à casa do loiro e estava em seu quarto e olhava para o relógio impaciente, arrumado é pouco, tinha caprichado no visual, estava com uma calça jeans preta e uma camiseta branca não muito justa, mas que acentuar seu corpo.
─Sete e meia eu vou. – disse mais pra si mesmo.
Ikki não estava em casa, eles mal se viam durante a semana, só nos finais de semana mesmo já que o virginiano passava o dia na ilha e ia pra faculdade a noite e era o único horário que Ikki ficava em casa trabalhando em algumas fotos já que durante a manhã ele trabalhava no jornal tirando fotos em toda parte que fosse mandado e a tarde treinava Theodoro no santuario. Quando o leonino chegou em casa estava cansado e extremamente mal humorado, mas apesar de isso ser frequente em se tratando de Ikki, Shun estranhou já que seu irmão era mais amável em se tratando dele, mas por alguma razão que Shun desconhecia o leonino sequer se importou de vê-lo em casa e não perguntou o porque dele não ter ido pra faculdade, apenas disse que ia sair e foi sem dizer mais nada, o virginiano sabia que quando Ikki ficava assim era porque alguma coisa tinha acontecido e ele não sabia resolver, algo o importunava.
Até lembrava-se das palavras de Ikki quando ele chegou do santuario e o viu no quarto:
─Está em casa... – disse ríspido olhando de soslaio pro quarto de Shun.
─Sim, é que eu...
─Tive um dia cheio hoje, estou cansado, não quero conversar. – disse de seu próprio quarto.
─Tudo bem, entendo... Você quer comer alguma coisa irmão? – disse indo pro quarto de Ikki e escorando no batente da porta vendo Ikki deitado na cama, sem se importar com o modo como Ikki falava com ele.
─Estou sem fome.
─Como foi o treinamento hoje?
─Cansativo. – disse ainda parecendo irritado.
─Posso fazer uma massagem em você se quiser. – disse o virginiano preocupado com o irmão.
─Não quero massagem nenhuma Shun, me deixa sozinho... Qual foi a parte de 'eu não quero conversar' que você não entendeu? – disse aborrecido com Shun e descontando suas frustrações nele, afinal pensou em Hyoga o dia todo, e Shun era um dos motivos de ele não ter nenhuma chance com o loiro.
─Calma Ikki, só quero ajudar.
─Me deixe sozinho, é assim que você me ajuda. – disse levantando e pegando uma toalha pra tomar banho.
─Tá bom. Desculpe. – disse e se retirou, Ikki não estragaria sua alegria de em pouco tempo ver o loiro de novo.
Voltou pro seu quarto pra olhar o relógio em expectativa de novo, ouviu quando Ikki terminou o banho e só o ouviu os barulhos do quarto dele procurando alguma coisa e em seguida se despedindo.
─Vou sair. Não me espere acordado. – disse já saindo sem dar tempo do virginiano perguntar nada.
Shun ficou preocupado, mas Ikki já era bem crescidinho pra ter consciência do que faz, então não ligou pro mau humor do irmão e continuou olhando pro relógio esperando dar um horário aceitável pra visitar o loiro.
Deu sete e meia e resolveu ir logo a casa de Hyoga.
Pegou sua jaqueta e seguiu a caminho, ficou o caminho todo pensando em como começaria aquela conversa com o aquariano, chegou na casa do loiro e bateu sem parar e nervoso e ouviu o loiro falar de lá de dentro.
─Calma, clama, já tô indo. – disse e abriu a porta alvoroçado por causa do visitante ter batido tão insistentemente.
Shun sentiu novamente o frio de dentro saindo como se abrisse a porta de uma geladeira.
─Shun?
─Oi Oga. – disse sorrindo e todo vermelho.
Hyoga estava igual a ultima vez que o viu quando foi visita-lo, com uma calça moletom azul e dessa vez com uma camiseta gota polo branca e folgada.
─Er... oi. – disse vermelho e preocupado, não estava preparado pra falar com o virginiano ainda.
─Não vai me convidar pra entrar?
─Ah sim, claro. – disse dando passagem pro virginiano.
Shun foi sentar-se no sofá e olhou pro loiro que continuava em pé perto da porta e o olhava nervoso.
─Er... bom, quer um café ou um suco? – disse o loiro vermelho.
Shun percebeu de cara que o loiro estava nervoso e ficou até mais esperançoso com isso.
─Um suco se não for incomodar. – disse sorrindo.
Hyoga foi pra cozinha na pressa pra se livrar do olhar do virginiano. ─O que estava acontecendo comigo afinal de contas? Porque estou tão nervoso? – pensou.
Pegou um suco de laranja na geladeira, voltou pra sala e entregou pra Shun.
Shun olhava o aquariano sentar-se na poltrona ao lado do sofá.
─Não esperava você Shun, não tem aula hoje?
─Na verdade tenho, mas eu precisava falar com você. – disse vermelho e foi beber um gole du suco que o loiro trouxe pra ver se desfazia o nó em sua garganta por conta do nervosismo em estar falando com Hyoga.
Fez uma careta e olhou pro copo.
─O que foi? – disse o loiro.
─Tá quente. – disse Shun.
─Ah, é que eu fiz agora a pouco, estava preparando alguma coisa pra eu comer. – disse sorrindo, afinal Ikki lhe disse pra começar a se alimentar melhor e era o que começou a fazer desde a bronca do leonino no restaurante.
─Me dê aqui. – disse se aproximando e pegando o copo das mãos de Shun, aproximou o copo a boca e soprou, fazendo o suco gelar instantaneamente. ─Pronto. – disse devolvendo o copo.
─Ah, obrigado. – disse sorrindo e bebendo o suco.
─E então Shun, o que veio falar comigo?
─Por que não atendeu minhas ligações? - disse Shun de imediato.
─Ligações?
─Sim, eu liguei várias vezes ontem.
─Ah sim. - lembrou-se que desligou o celular quando foi socorrer Jacó na Sibéria, e esqueceu-se de ligar de novo depois.
─É que eu tive uma emergência ontem e acabei me esquecendo de ligar meu celular de novo, desculpe.
─Emergência? - disse já preocupado.
─É, um problema com Jacó na Sibéria, mas ele já está bem agora, não se preocupe. - disse sorrindo.
─Ah que bom. – disse aliviado.
─Mas o que você queria conversar?
─Bom... não nos vimos desde aquele dia na boate e... Em primeiro lugar quero me desculpar por ter dado tanto trabalho a você.
─Ah, sem problemas Shun, pra isso que servem os amigos. – disse sorrindo e voltando a sua habitual postura fria, tentaria levar aquela conversa o mais consciente e controlado possível.
─E em segundo, quero agradecer e por ter cuidado de mim... Eu passei dos limites. – disse vermelho.
─Tudo bem, mas você não deu tanto trabalho, fico feliz que já esteja melhor. – disse sorrindo.
Shun ficou olhando pro loiro, ele era encantador, como o queria, então decidiu falar logo enquanto ainda tinha coragem.
─Ouvi o que conversaram no banheiro da boate. – disse de repente.
Hyoga se surpreendeu imediatamente com o que Shun disse.
─Lembra? – o loiro ficou tenso, será que Shun sabia que ele tinha descoberto os sentimentos do virginiano?
─Sim... Desde o que conversamos na boate até quando você me levou pra casa e...
─Mas o Ikki disse que...
─Bom, o Ikki não sabe que eu me lembro das coisas, eu apenas não quero preocupar ele... – disse Shun.
─Hm. – disse não gostando nenhum pouco do rumo daquela conversa.
─Eu vim aqui por que... Bom é que você me prometeu algo. - disse se aproximando do aquariano.
─Prometi? - disse em duvida, só tinha medo do que o virginiano pudesse ter descoberto, mas não se lembrava de ter feito nenhuma promessa a ele.
─Você me prometeu um... Um, er... - disse já muito proximo.
Antes dele terminar o celular do loiro toca.
─Alô!
─HYOGAA. – disse uma voz feminina toda alvoroçada.
─Sim... Quem fala?
─Sou eu, a Eire meu amor. – disse a garota toda animada.
─Eire. – disse o loiro surpreso e olhando pra Shun que parecia ter se aborrecido agora que ouviu o nome da garota.
