Capítulo 20: Esclarecimentos
Antes de ele terminar o celular do loiro toca.
─Alô!
─HYOGAA. – disse uma voz feminina toda alvoroçada.
─Sim... Quem fala?
─Sou eu, a Eire meu amor. – disse a garota toda animada.
─Eire. – disse o loiro surpreso e olhando pra Shun que parecia ter se aborrecido agora que ouviu o nome da garota.
─Com licença Shun. – disse o loiro levantando pra falar com Eire reservadamente.
Shun ficou observando Hyoga falar com a loira irritante de longe, ele parecia um pouco apreensivo naquela situação. Provavelmente a garota já deveria ter voltado, e o virginiano ficou temeroso em não poder mais conversar com o aquariano depois disso.
─Oi Eire, tudo bem?
─Oi meu amor, advinha... - disse Eire animada.
─O que?
─Eu cheguei agora a pouco meu anjo. – disse e o loiro não pode deixar de notar a felicidade com que a garota falava.
─Sério? Mas você disse que chegaria só no sábado.
─É que eu queria fazer uma surpresa querido, está em casa? Está ocupado agora? Estou louca pra te ver meu amor, estou com tantas saudades.
─Sim e sim, mas onde você está agora?
─No orfanato, a Minu foi me pegar no aeroporto, lembra que eu te falei que meu apartamento tá em reforma né?
─Lembro... Então você virá pra cá ou prefere ficar aí com a Minu? – disse um pouco receoso, pois com certeza aquela garota não o deixaria trabalhar em paz se fosse morar com ele, mesmo que por um breve período, mas achou que seria muita indelicadeza recusar moradia a garota naquele momento.
─Quero ficar com você meu amor... Prometo que não vou atrapalha-lo. – disse toda melosa.
─Ok, quer que eu vá buscar você? – disse já suspirando, duvidava seriamente se Eire iria ficar quieta, mas até que estava querendo um pouco de companhia, mal pensava que iria se arrepender plenamente mais tarde.
─Seria perfeito, minhas malas da viagem estão aqui comigo, mas ainda terei que pegar mais algumas coisas em meu apartamento...
─Ok, mas vou demorar um pouco.
─Mas por quê? Estou tão ansiosa pra te ver meu amor.
─Estou ocupado Eire, o Shun está aqui comigo.
─Shun? Hunf, o que ele faz aí? Você sabe que ele nunca gostou de mim, ele quer é te atrasar pra você não me ver. – disse emburrada.
─Não começa Eire. – lembrou-se muito bem agora do temperamento da garota.
─Tá bom, desculpa... Fica aí com ele o tempo que quiser que eu vou te esperar ansiosamente aqui fora no sereno e vou me resfriar por você... Imagina, tem até umas nuvens ameaçando desabar por aqui.
─Sem drama Eire, você não está com saudades dos garotos também? Então fica aí com eles que eu não demoro muito. Tchau.
─Mas Hyoga... – desligou antes de a garota começar com os dramas.
─A Eire voltou não é? – disse Shun suspirando.
─Sim, tenho que ir busca-la daqui a pouco.
─Buscar? Por quê?
─Ela virá morar comigo por uns dias até o apartamento dela ficar pronto, ele está em reforma.
─Hunf, e porque ela não fica no orfanato oras.
─Ela quer ficar comigo. – disse suspirando e voltado a sentar-se na poltrona perto de Shun.
─Você está ansioso pra vê-la? – disse triste depois de um tempo.
Hyoga ficou calado olhando pro virginiano de cabeça baixa, sabia o quanto a resposta daquela pergunta afetaria Shun.
─Esquece ela Shun... Continua o que você estava falando. – disse sorrindo pro virginiano, tentaria não magoa-lo tanto apesar de ser quase inevitável.
Shun sorriu, se Hyoga não foi correndo pra ver a garota quer dizer que ela não era tão importante assim.
─Tem certeza?
─Sim, eu estava conversando com você primeiro não é... Então continue. – disse sorrindo.
─Bom... Onde eu estava mesmo? Er...
─Você disse que eu lhe fiz uma promessa. – disse curioso também, não se lembrava de ter feito promessa nenhuma.
─Ah é... Lembra que eu não queria tomar o remédio não é?
─Sim, claro, parecia uma criança. – disse rindo.
─É desculpe por ser tão infantil.
─Tudo bem, você fica adorável quando está assim, embora não seja muito saudável... Tem que maneirar quando vê que não aguenta beber. – disse advertindo o virginiano.
─Tudo bem, vou lembrar-me disso... Mas você não se lembra do que me disse pra eu tomar o remédio?
─Bom, o Ikki tentou te dar o remédio, mas não conseguiu então eu fui tentar e disse... - foi aí que se tocou do que disse, Shun lembrava e muito bem.
─Sim. - disse observando a expressão do loiro que obviamente já lembrava.
─Você fala do... - não tinha feito aquela promessa pensando direito, descobrir o que Shun sentia por ele já tinha sido um choque e tanto então nem cogitou a validade daquela promessa naquela hora.
─Sim. Quero saber o que significou aquela promessa... Não estou lhe cobrando nada Hyoga, apenas quero saber o que aquela promessa significou pra você.
─Ah... Eu, er... Você não queria os remédios então eu tive que te convencer.
─Mas porque você pensou que eu iria querer um beijo seu?
─E-eu pensei porque, bom... Foi por que... Er...
─Você já sabe não é? Sei que você já sabe, é muito esperto.
─Saber? Saber o que Shun? – disse Hyoga nervoso.
Shun esboçou um sorriso, respirou fundo pra tomar coragem pro que ia dizer, chegou a hora.
─É, você sabe... Então não há mais nada a esconder Hyoga... Você já sabe que eu gosto de você... Não só gostar, eu estou... Estou perdidamente apaixonado por você. – disse de cabeça baixa e extremamente vermelho por finalmente confessar aquilo que estava entalado há tempos.
Ficaram em um silencio tenso por um bom tempo.
─Shun eu... – não sabia nem por onde começar, não esperava que Shun confessasse aquilo.
─Hyoga, isso está entalado em mim faz muito tempo... Eu preciso te dizer o que sinto. – disse olhando intensamente pro aquariano.
O loiro entendeu que não tinha mais pra onde fugir então ficou quieto e deixou Shun falar.
─Eu nem lembro mais quando me apaixonei por você. Eu gosto muito de você, muito mesmo.
─Espere Shun, pense bem... Talvez você sinta apenas atração física por mim, não estou te julgando, mas acho que você tem que avaliar melhor o que sente, pense bem no que está me dizendo.
─É claro que eu sei o que estou dizendo Oga, eu te desejo mais que tudo. – disse isso extremamente vermelho. ─Mas não é só isso que eu sinto por você... Gosto do seu jeito sério... do quanto você se preocupa com as pessoas e ainda tenta disfarçar... Da sua expressão quando lê um livro, ou analisa alguma coisa... de como você as vezes é engraçado sem nem perceber. – disse sorrindo.
─Gosto do seu jeito carinhoso e doce que só às vezes você demostra... do seu sorriso terno, que sempre me consola quando estou desolado... de você sempre saber lidar com qualquer situação da melhor maneira possível, ou pelo menos tenta passar uma calma que eu cansei de ver que você realmente não tem, apenas pra tranquilizar quem estiver com você... Por ser determinado... por ser tão organizado que chega até a irritar... de como você tenta parecer formal com as pessoas mas naturalmente você é tão simples, mas ainda assim mantendo seu jeito elegante e blasé... – disse olhando pras roupas que o aquariano vestia. ─Até mesmo sua frieza, mesmo que às vezes eu a odeie por deixa-lo tão insensível... reconheço todos os seus defeitos e os amo também... é isso Hyoga, eu te amo.
─Eu... – o loiro nem sabia o que falar.
─Sei que isso é muito novo pra você, tudo que eu estou dizendo deve ser surreal não é?... Mas eu preciso saber Oga... Aquela promessa que você fez pra mim, foi por que... Porque você sente alguma coisa por mim também? – disse se aproximando e segurando as mãos do aquariano em grande expectativa, com o coração batendo acelerado, ansioso e esperançoso, tudo dependia da resposta do loiro, todos os seus sonhos e esperanças.
O loiro ficou um tempo pensado no que dizer, e ainda tenso com aquela aproximação, não queria magoar o virginiano, mas não estava encontrando outra saída.
─Não Shun... – disse finalmente e triste em dizer aquilo. ─Eu não gosto de você da mesma maneira.
Shun ficou tão quieto que o loiro até se preocupou, parecia ter levado um choque, olhava pro chão agora, foi soltando as mãos do loiro aos poucos, ficou gelado de repente e aquariano percebeu isso antes de soltarem as mãos, seu peito doía, estava sem forças, sem animo, triste e estava fazendo um esforço descomunal pra não chorar na frente de Hyoga, aquelas palavras doeram muito, depois de pensar melhor que foi se tocar do quanto foi tolo em esperar algo mais do aquariano, o que queria que ele fizesse uma declaração de amor? É claro que ele não sentia a mesma coisa, que não o amava da mesma forma, ele provou isso inúmeras vezes, sentia-se um idiota agora por ter alimentado esperanças sem fundamento, queria sumir naquele momento da frente do loiro que o olhava preocupado por ele não ter dito nada ainda, queria não estar ali naquele momento recebendo aquele olhar de pena da pessoa que amava, ficou vários minutos nesse silencio tenso até o loiro se pronunciar.
─Shun você está bem? – perguntou receoso tocando o ombro do virginiano.
Shun permaneceu em silencio e se afastou bruscamente do aquariano.
─Shun não fica assim... – disse tentando animar o amigo.
─E como você queria que eu ficasse Hyoga? – disse se alterando e irritando-se não aguentando mais e deixando as lágrimas caírem, estava desolado, virou-se pra não ter que encarar o loiro.
─Desculpe.
─Eu finalmente me declarei pra você e o que eu ouço é um "Eu não gosto de você...", como acha que eu me sinto? – disse com as mãos no rosto tentando esconder seu abatimento.
─Eu não quis dizer que não gosto de você Shun, eu apenas o vejo como um amigo, só isso.
─É a mesma coisa. – disse soluçando e levantando pra longe do aquariano.
─O que queria que eu dissesse então? Que eu mentisse?
─Não, mas você é tão sincero as vezes que chega a me irritar, podia ter dito de outra forma. – disse com a voz baixa e chorosa.
─Não iria fazer diferença nenhuma Shun.
─Mas eu não posso evitar chorar, sabe quanto tempo isso tá entalado em mim? Como é estar com a pessoa que se ama sem poder toca-la, sem dizer que a ama, que faria tudo por ela? Sabe como é doloroso pra mim estar perto de você assim? Sabe? – disse se alterando de novo.
─Não... – disse baixando a cabeça.
─Claro que não, você não sabe o que é amar... Você já me disse uma vez que nunca se apaixonou não é mesmo?... Você não sabe como é. – disse chorando compulsivamente sem se importar com as palavras duras que dizia, apenas estava desabafando, como se de alguma forma, mesmo que ruim, estivesse se livrando de um peso que carregava há tempos.
Hyoga permanecia calado, Shun tinha que desabafar, então achou melhor não interrompê-lo.
─Eu confesso que eu tinha esperanças, quando você fez aquela promessa eu pensei que... bom, que talvez você sentisse alguma coisa por mim, que me visse com outros olhos, que eu fosse mais que um amigo ou um irmão pra você, mas como eu fui idiota, que tolice pensar que uma pessoa fria como você poderia se apaixonar por alguém, você não sente nada, você tem um coração de gelo, a dor de muito tempo congelou seu coração, você só sente remorso é só isso que você sente... Acha que é o único que sofre? – disse mais nervoso.
─Não diga isso Shun... – disse triste, sabia que aquelas palavras eram ditas em momento de desespero e raiva, provavelmente pela rejeição, mas em nenhum momento achou que causaria aquele sentimento em Shun.
─Digo sim... Agora me diz Hyoga, por algum momento, mesmo que o mais ínfimo que fosse, você sentiu alguma coisa por mim que não fosse gratidão, amizade, compaixão? Alguma vez você me viu com outros olhos? – disse virando-se pro aquariano e enxugando o rosto no braço.
Hyoga permaneceu calado e desviou o olhar do virginiano, ele parecia tão fragilizado, mas não sabia o que fazer, não sabia lidar com aquela situação.
Suspirou. ─Sabe o que é isso? – disse Shun retirando um lenço do bolso, o mesmo lenço que o aquariano lhe deu antes de partir.
Hyoga voltou a olha-lo e viu o tal lenço azul que tinha a inicial "A" bordada na ponta e lembrou-se na hora dele, achava que o tinha perdido há muito tempo.
─Eu tenho guardado isso desde que você partiu... – disse segurando firmemente o lenço entre os dedos. ─Sonhei todos os dias que você voltaria, fiquei acordado várias noites te esperando, mas você nunca apareceu, nunca deu noticia, não pra mim... Acho que nem mesmo um grande amigo você me considera não é mesmo? – disse segurando o lenço firmemente com as duas mãos e o aproximando do peito e ainda com as lagrimas caindo, fechou os olhos.
Hyoga se aproximou do virginiano que parecia tão adorável agora, mesmo em meio as lagrimas e desabafo que pareciam estar acabando com ele.
Tocou as mãos que o virginiano mantinha em seu peito e pegou o lenço das mãos dele, fazendo Shun olha-lo e ainda parecia irritado, abriu o lenço e começou a enxugar as lagrimas do virginiano que caiam de novo em prantos com aquele gesto, o loiro não pensou bem no que fazia, apenas estava tentando cessar a dor que Shun estava sentindo, logo aquele garoto frágil que estava em um momento tão vulnerável.
─Não chore Shun... Por favor. – disse com a voz baixa.
Shun abraçou o aquariano de vez agarrou a camisa dele como se ele fosse fugir, e já estava se arrependendo das palavras duras que disse a ele, mas ainda assim não esquecia o fato que não tinha nenhuma chance com o russo, o apertou contra si de modo desesperado, não queria larga-lo, estava tão emocionado como quando o loiro partiu, sentia-se como se depois daquilo ele nunca mais o veria de novo, o mesmo sentimento de quando ele foi embora, talvez pior.
A dor tomou conta de seu peito de novo, tinha o loiro ali em seus braços e não podia tê-lo ao mesmo tempo.
─Eu te amo. – disse com a voz abafado no peito do loiro.
Hyoga não sabia o que dizer diante daquilo, preferiu permanecer calado.
Shun foi se erguendo ainda soluçando começou a aspirar o perfume do loiro, aproximando-se cada vez mais, ainda estavam próximos do sofá, Shun não aguentou mais aquela tortura, empurrou o loiro bruscamente para o sofá e o fez sentar de repente, puxou a gola da camisa dele e o tomou em um beijo desesperado.
Hyoga assustou-se e ficou sem reação diante daquilo, o virginiano que até então parecia tão vulnerável e abatido agora o beijava de forma desesperada e dominadora, nem imaginava de onde ele tinha tirado aquela força.
Shun continuou ali beijando o aquariano sem se importar com a vontade dele, achava que seria empurrado a qualquer momento, então aproveitaria enquanto podia, se não teria o russo por bem então teria por mal, e assim permaneceu sentindo o gosto daqueles lábios que tanto desejava, que a tanto tempo queria, continuava o segurando pela gola da camisa e se apoiou com uma perna entre as do loiro, parecia estar dominando a situação.
Hyoga sentia-se estranho diante daquilo, não era como o beijo de Ikki, e mesmo o virginiano tendo o tomado de forma desesperada o beijo dele assim como ele todo era suave, doce, fora que não estava acostumado a ser dominado, aquilo era outra surpresa, ainda estava assustado e de olhos abertos espantado com aquilo, levou suas mãos até as de Shun que ainda segurava a gola de sua camisa.
Shun ia intensificar o beijo quando sentiu as mãos do loiro nas suas e achou que levaria um soco a qualquer momento, embora duvidasse que Hyoga se atrevesse a agredi-lo, mas mesmo assim o soltou de súbito e o largou no sofá se afastando rapidamente.
─Hyoga eu... Desculpe. Eu não tinha o direito... Desculpe. – disse rapidamente pegando a jaqueta e indo pra porta envergonhado, mas nem um pouco arrependido do que fez.
Foi abrir a porta quando o loiro aparece atrás de si segurando a porta e impedindo que a abrisse, Shun permaneceu de costas pro loiro envergonhado.
─Eu já pedi desculpas Hyoga... Não torne as coisas mais difíceis ainda. – disse já choroso de novo.
O loiro nada respondeu, nem sabia direito o que estava fazendo, tocou a mão de Shun na maçaneta e a segurou fazendo o virginiano se surpreender com aquela atitude e virar-se devagar, o aquariano estava bem atrás o prendendo entre a porta, Shun virou-se e o loiro colocou um braço entre o rosto do virginiano e a porta, estava bem próximo, Shun pode sentir a respiração dele em seu rosto, viu os olhos do loiro e não soube descrever o que viu neles, tinham um brilho diferente que chegava a assustar.
Hyoga levou a mão que estava na porta ao rosto do virginiano e começou a acaricia-lo, aqueles lindos olhos verdes e aqueles cabelos rebeldes emolduravam a face do virginiano, era lindo, estava hipnotizado com aquela imagem, a pouco tinha sentido os doces lábios do virginiano nos seus e não sabia descrever a sensação, só sabia que era boa e queria mais dela, há muito tempo não sentia um calor assim e aquele garoto de lindos olhos esmeralda o fez lembrar como é sentir aquilo, embora fosse um pouco diferente do que se lembrava.
Aproximou-se e beijou o rosto do virginiano que estava pasmo com aquilo, beijou as bochechas, as maças e o canto dos lábios dele, Shun fechou os olhos apreciando aquela sensação tão boa, mas seu coração estava a mil, seria aquilo tudo um sonho? Mais uma brincadeira de sua mente? Era maravilhoso demais, Hyoga estava correspondendo aos seus sentimentos, ele finalmente estava correspondendo.
Hyoga afastou-se pra observar o virginiano que ainda estava de olhos fechados esperando, parecia tão entregue.
O virginiano estranhou o loiro ter parado e abriu os olhos devagar quando viu os olhos azuis de Hyoga fixos nele, o loiro se aproximou mais e bem devagar e tocou de leve os lábios do virginiano com os seus, Shun instintivamente envolveu seus braços no pescoço do aquariano e o loiro envolveu Shun pela cintura e outra mão na nuca do virginiano e o puxou para si pra intensificar o beijo, começaram um beijo lento e intenso, ficaram assim por um bom tempo, até o virginiano insinuar sua língua pra entrar, estava achando aquilo tudo surreal, Hyoga estava o beijando, estava correspondendo, não entendia ainda o que estava acontecendo, mas aceitaria sem questionar.
Então o loiro aceitou a língua do virginiano e tocou a sua na dele, o beijo se intensificou mais ainda, Shun puxou ainda mais o russo contra si acariciando as costas do loiro, sentindo o cheiro dele, a pele dele em seus dedos, estava maravilhoso, continuaram ali com suas línguas se entrelaçando sentindo os corpos unidos até o ar se fazer necessário, e enfim separaram-se ofegantes, Shun abriu logo os olhos pra garantir que aquilo foi real e viu que o russo ainda se mantinha de olhos fechados tentando regularizar a respiração.
─Hyoga... o que... o que foi isso? – disse ainda ofegante e vermelho.
Hyoga abriu os olhos devagar pra encarar o virginiano, nem ele mesmo sabia responder aquela pergunta, agiu por instinto, mas não se arrependia, sentia-se estranho, mas bem ao mesmo tempo, talvez tivesse feito a maior besteira que já fez, agora era ele que estava confuso com seus sentimentos, lembrou-se do que Millo disse sobre não tomar nenhuma atitude precipitada, mas não soube o que deu em sua cabeça pra beijar o amigo daquela maneira, deu esperanças ao virginiano que nem ele mesmo sabia se existiam.
─Não sei. – disse simplesmente e confuso.
Shun sorriu, Hyoga estava confuso, mas não parecia arrependido, talvez tivesse uma chance, e suas esperanças se renovaram, embora o russo não soubesse direito o que fez, mas estava feliz por finalmente ter tido a oportunidade de beijar o loiro, sem que ele estivesse inconsciente, mas sim acordado e ciente do que fazia.
Tocou o rosto do aquariano e o puxou pra um outro beijo, mais calmo e suave, que o loiro aceitou de bom grado, apreciando o contado com o virginiano, voltou a tocar a cintura de Shun, nunca tinha percebido que o amigo era tão quente e agradável, tão delicado, mas ainda assim tão intenso, era tão bom beijar aqueles lábios macios do virginiano, intensificou o beijo de novo, mas dessa vez mais possessivo, prensou o corpo de Shun contra a porta tomando controle da situação e o virginiano gostou mais ainda daquela atitude, realmente não era um sonho, aquilo estava acontecendo, finalmente estava acontecendo, mas dessa vez o beijo foi mais breve do que o anterior e o aquariano se desvencilhou do contato de repente e se afastou deixando Shun ofegante e ainda corado.
─Shun eu...
Shun ficou observando o aquariano que parecia agora atordoado.
─Não precisa explicar. – disse aproximando-se de novo e tentando envolver o loiro, mas Hyoga o segurou os pulsos dele o impedindo de se aproximar mais.
─O que foi? – disse Shun.
─É errado... – disse Hyoga.
─Não, não é. – disse tentando contato novamente, mas o loiro não deixou.
─Hunf. – Shun suspirou. ─Como ficamos agora?
─Não ficamos. – disse Hyoga soltando o virginiano.
─Como assim?... Vai me dizer que não sentiu nada com aquele beijo?
Hyoga permanecia calado.
─Mas que droga Hyoga... Deixa de ser tão frio, será possível que você é feito de pedra? Sua frieza o tão grande assim? Diga que sentiu alguma coisa, por favor. – disse insistindo.
─Não há nada o que dizer Shun. – disse virando-se.
─Vai me dizer que esse beijo não significou nada? Que vai voltar a me tratar como um simples amigo mesmo sabendo o que eu sinto por você?
─Quer romper qualquer laço comigo então? – disse o loiro triste.
─É claro que não droga, eu não te esqueceria mesmo que eu quisesse seu idiota. – disse já irritado, fazendo Hyoga perceber o quanto Shun era parecido com Ikki.
O celular do loiro volta a tocar e ele observa que é o mesmo numero que Eire ligou, ficou olhando pro aparelho sem parecer que queria atender.
─É ela não é? – disse Shun vendo a indecisão do loiro.
─Sim. – disse e o telefone parou de tocar.
─O que ela significa pra você afinal de contas Hyoga? Sei que não está apaixonado por ela, então o que é? Comodismo? Quer ter alguém por perto? Bom, você pode ter a mim, estou aqui na sua frente dizendo que te amo, e eu vi pelo nosso beijo que você sente alguma coisa também, então qual o problema?
─O problema sou eu Shun... eu não sou bom pra você. – disse tentando parecer convincente.
─Você? Acha que eu estaria esperando por alguém perfeito? Eu sei que você não é perfeito Hyoga, mas quem disse que é isso que eu procuro? Eu quero você, mesmo com seus problemas, suas imperfeições, só você.
─Não sabe o que está dizendo, você não me conhece tão bem assim Shun, você merece alguém melhor do que eu, eu não te amo Shun, eu sei que é duro ouvir isso, mas eu não posso oferecer mais que isso, por isso você nunca será feliz comigo eu tenho problemas demais, será que é tão difícil de entender? – disse já aborrecido também.
─Mas você poderia tentar, o que custa me dar uma chance? Eu garanto que vou me esforçar pra fazê-lo feliz e só de estar com você eu já estaria feliz também. – disse choroso.
─Não depende só de você, uma hora você vai perceber que é perda de tempo, que todo seu esforço será em vão, não quero que passe por isso.
─Então você acha impossível me amar?
─É fácil te amar Shun... – disse suspirando. ─Mas eu não te mereço, você deve procurar alguém melhor.
─Mas eu quero só você... Não é só isso, eu sei... Há algo mais que te impede? Tem a ver com você ter partido seis anos atrás?... Eu sei que tem alguma coisa errada Hyoga, não sou nenhum idiota, sei que você escondia alguma aflição quando você partiu, e que continua com ela.
─Você está imaginando coisas... eu não preciso de ajuda.
─Não quer ajuda, mas não sabe resolver seus problemas sozinho... É claro que você precisa de ajuda, pare de tentar parecer forte Hyoga, todos precisam de ajuda de vez em quando, até mesmo você. Será possível que o seu orgulho é tão grande assim?
─Não é orgulho.
─O que é então?
─Você não precisa saber de nada disso Shun.
─Me considera um amigo, mas não divide seus problemas comigo, é pra isso que serve um amigo Hyoga... Eles se ajudam, se precisa de ajuda é só pedir, assim como você ficou ao meu lado em todo o período de terapia quando as batalhas acabaram, então porque não me deixa retribuir o favor. – disse aborrecido.
─Não quero piedade de ninguém, não preciso de ajuda, posso me virar sozinho.
─Então o meu estado de antes era de piedade? – disse irritado.
─Não foi o que eu quis dizer Shun.
─É sim... Será que você só me vê como alguém tão frágil, que sempre precisa de ajuda de todos, que não consegue fazer nada sozinho? É por isso que você não gosta de mim?
─Claro que não Shun, não diga bobagens... o que eu mais admiro em você é sua determinação em se mostrar sempre disposto a ajudar os outros e você sempre se saiu bem, mesmo em batalha, sendo que você sempre odiou lutar.
─Mas em situações emocionais você me considera um fraco, frágil e indefeso não é? Sei que sim, todos pensam assim, mas fique sabendo que eu sou uma pessoa muito equilibrada e sei lidar muito bem com minhas emoções, acha que foi fácil me manter longe de você por tanto tempo? Sabe o quanto eu sofri quando você partiu?... Por Zeus Hyoga, quantas pistas você teve do que eu sinto e nunca percebeu nada... Não sei se é porque você não queria ver ou simplesmente é um tapado, um cego.
─Como assim pistas? Você é assim com todo mundo Shun, como eu ia saber? E eu lá tenho cara e adivinho? – disse irritado e defendendo-se.
─Por Zeus, quando de trata de assuntos assim você tem a sutileza de um elefante, você nunca foi bom com as palavras e parece que nunca vai ser.
─Mas que droga Shun, você venceu, eu não sei lidar com tudo, não sei lidar nem com meus sentimentos quanto menos os seus. Será que você não pode me entender também? – disse perdendo sua imaculada calma.
─Não, eu não entendo droga, estou com o coração partido aqui, acha que eu queria estar sentindo tudo isso? – disse chorando. ─E o que houve com sua frieza? Pensei que ficaria imparcial.
─Eu não sou uma geleira como a maioria pensa Shun, também sou humano como qualquer um e tenho meus momentos assim, ainda mais com você agindo tão infantilmente. – disse retomando seu tom baixo e calmo, mas estava aborrecido consigo mesmo por ter-se deixado perder a calma com o virginiano.
─Não estou sendo infantil, o que queria que eu fizesse? Que eu aceitasse seu fora de bom grado e fingisse que não sinto nada? Eu não sou como você, eu tenho a necessidade de demostrar meus sentimentos, eu choro de tristeza, de alegria, eu rio, eu grito, eu me irrito, eu preciso liberar tudo isso pra que eu não fique angustiado... E como você nunca percebeu que minha atenção sempre foi pra você? Que tudo que eu fazia era pra impressiona-lo? Tudo foi por você.
─Não precisava ter feito nada disso, bastava ter me dito.
─E qual seria sua atitude se eu dissesse? Iria fazer o que está fazendo agora? Tentar me esquecer, fingir que não sabia o que eu sinto?
─Foi uma surpresa pra mim Shun, eu estava ganhando tempo, pensando numa forma de não magoa-lo.
─Mas magoou... - disse com as lagrimas voltando a cair.
─Eu lamento... Mas não quero mais discutir com você Shun. – disse e o celular volta a tocar com Eire insistindo na chamada, mas o loiro desliga.
─Não quer mais me ver também não é mesmo? – disse Shun enxugando as lagrimas.
─Claro que quero, que historia é essa agora? – disse o loiro.
─Você vai me dar uma chance?
─Shun. – disse suspirando. ─Vamos nos entender, não quero que se distancie de mim, mas também não posso corresponder aos seus sentimentos, já disse.
─Como posso ficar com você assim? Não quero sua amizade... Quero seu amor.
O celular do loiro volta a tocar.
─Atende logo essa garota. – disse irritado.
─Calma Shun, a Eire não tem culpa de nada. – disse aborrecido e atendendo o celular de uma vez.
─Alô. – disse aborrecido.
─Hyoga onde você está meu amor, estou tentando ligar a toda hora, mas você não atende.
─Agora não é um bom momento Eire. – disse aborrecido massageando os olhos.
─Mas eu estou te esperando faz tempo.
─Daqui a pouco eu ligo, tchau. – disse e desligou logo sem dar tempo a garota dizer mais nada.
─Vai logo pegar ela, sei que você deve tá ansioso pra vê-la mesmo. – disse Shun pegando a jaqueta que caiu no chão perto da porta quando eles se beijaram.
─Porque você não entende Shun?
─Já entendi tudo... Você não me ama, e eu não quero migalhas, então não tenho outra opção, vou me afastar de você. – disse com a voz embargada querendo chorar, mas se segurando e enxugando as lágrimas que insistiam em cair.
─Shun... – disse vendo o virginiano abrir a porta.
─Adeus Hyoga.
─Como assim adeus? Não vá... – disse indo até Shun e segurando em seu ombro.
─Se afaste, é pior assim... Se você não pode sentir o mesmo por mim, e nem ao menos quer tentar então eu não tenho nada mais pra falar com você.
─"Até logo, até logo, companheiro,
guardo-te no meu peito e te asseguro:
o nosso afastamento passageiro
é sinal de um encontro no futuro..." – disse Hyoga.
─Diga que isso não é um adeus de verdade Shun... Diga que eu ainda vou poder vê-lo. – disse o loiro preocupado pelo modo como Shun estava se afastando.
Shun lembrou que foi o mesmo poema que o russo que citou tempos atrás e sorriu mesmo em meio as lágrimas.
─Adeus Hyoga. - se aproximou do aquariano dando um leve beijo em seus lábios gelados e saiu sem dizer mais nada.
Hyoga ficou parado olhando pra porta, sua intuição lhe dizia pra correr atrás do virginiano, mas ao mesmo tempo pensava que se fizesse isso daria esperanças falsas a Shun e isso o magoaria ainda mais, então ficou num impasse, nunca quis que aquela conversa tivesse acontecido daquela forma, não tinha a intenção de se afastar do virginiano, não sabia o que fazer, sua cabeça doía agora, ainda dava tempo, tinha que decidir, ficou lembrando-se do beijo do virginiano de como foi bom, melhor que tudo que já tinha sentido, será mesmo que não sentia nada? Que estava sendo tolo em deixar alguém tão especial e que o amava de verdade partir daquele jeito?
Talvez Shun tivesse mesmo razão, uma chance, só uma chance era o que o virginiano queria, mas essa chance poderia por muita coisa a perder, lembrou-se ainda de Ikki, não sabia ainda o que o leonino sentia, poderia colocar um irmão contra o outro se tomasse uma atitude errada, então como lidar com aquela situação?
Ouviu Shun ligar o carro e dar a partida.
─Inferno, o que eu faço? – disse colocando a mão na cabeça, estava irritado, confuso, aborrecido, frustrado. Tantas coisas a se sentir ao mesmo tempo e nenhuma luz de esclarecimento.
─Ah que se dane... – saiu de repente pra falar com o virginiano, arriscando.
Quando foi pra fora era tarde demais, Shun já tinha partido, viu que o carro já saia pelo portão e virava a esquina.
Suspirou irritado consigo mesmo, talvez tivesse perdido a maior oportunidade de ser feliz, mas ainda não sabia direito o que pensar, pensou que talvez tivesse sido melhor assim também, o beijo do virginiano poderia tê-lo confundido mais ainda e ele estivesse apenas atordoado por sentir tantas coisas ao mesmo tempo, então achou melhor esfriar a cabeça antes de tomar qualquer atitude precipitada.
Seu celular toca novamente.
─Alô! – disse sem disfarçar sua irritação.
─Amor? O que houve? Porque está assim?
─Não é nada Eire, já estou indo. – disse aborrecido e desligando de novo pra ir se arrumar e pegar a garota no orfanato.
Estacionou o carro em frete ao orfanato, estava com tantas coisas na cabeça que ainda tinha sérias duvidas se era uma boa hora pra ver Eire. Era noite, mas ainda era cedo.
Entrou pelo portão e logo na entrada Minu o viu, ela vestia-se mais formalmente agora e tinha os cabelos soltos e mais longos, parecia bem mais madura, estava surpreso com a mudança dela, embora ela tenha ido à reunião de cavaleiros também para recepciona-lo, mas na ocasião ele não teve muito tempo pra falar com a garota.
─Hyoga. – disse sorridente e aproximando-se pra abraçar o aquariano.
─Oi Minu, tudo bem? Como andam as coisas por aqui? – disse tentando ser gentil, não devia descontar seus problemas nas outras pessoas.
─Tudo bem, tenho estado muito atarefada desde que a Saori me colocou como diretora do orfanato, mas eu gosto muito do que faço, então estou feliz. – disse sorrindo e realmente parecia realizada. ─Está mudado, não tive muitas oportunidades de falar com você no sábado. – disse sorrindo.
─Realmente foi um sufoco aquele dia, mas você é que me parece mudada, está ótima. – disse sorrindo. ─Desculpe não ter vindo visitar vocês antes, tive pouco tempo desde que cheguei. – disse desfazendo o abraço e suspirando.
─Tudo bem, eu entendo, e realmente você parece muito cansado. – disse o observando melhor. ─ Er, Hyoga... Você tem falado com o Seiya ultimamente?
─Sim, estive com ele no domingo.
─Como ele está?
─Bem... O de sempre.
─Hum, que bom... Vai entrar pra falar com os garotos? É que a Eire vai demorar um pouco.
─Demorar? Ela insistiu tanto pra eu vir logo, pensei que já estaria aqui na porta. – disse intrigado. – o que houve com o esperar fora no sereno? - pensou.
─É que ela quis se arrumar antes, sabe como ela é. – disse sorrindo.
─Tá bom então... vou entrar. – disse com pouca vontade, não queria parecer indelicado, mas nunca teve muito jeito com crianças, muito menos com sua cabeça com mil e uma coisas no momento, não conseguiu tirar o virginiano nenhum segundo da cabeça.
Assim que entrou as crianças o viram e foram logo de encontro dele, e ele tentou ser o mais amável e compreensível que sua insensibilidade permitia.
Abraçou a todos e foi sendo atolado de perguntas, respondia o mais pacientemente que pode, todos o conheciam afinal todas as vezes que visitou o orfanato era sempre com todos juntos, e sempre quem lidava melhor com as crianças eram Seiya e Shun, eram os que mais se divertiam e que melhor compreendiam as crianças, mas ele não tinha tato pra isso, sempre ficava reservado embora gentil quando precisasse, sentiu uma imensa falta de Shun nessa hora, Minu tentava controlar a afobação das crianças o máximo que pode.
Estava com uns garotos o rodeando e fazendo perguntas sobre os cavaleiros e como ele conseguia criar gelo do nada e outras garotinhas o pedindo em casamento quando Eire finalmente aparece.
Ela estava com uma saia rodada branca e uma blusa rosa, com os cabelos loiros encaracolados soltos e com alguns enfeites nele, estava bonita.
─Nossa, como a tia Eire tá bonita. – disse um dos garotos.
Foram os mais variados comentários, e o loiro não pode deixar de notar que eram verdadeiros, ela realmente estava bonita, parecia mais madura também.
Eire se aproximou sorridente do loiro há quanto tempo não o via, estava emocionada. Chegou até ele e o abraçou em lagrimas.
─Uuuuhhhh – disseram as crianças fazendo graça.
─Deixem eles em paz crianças, vamos jantar, vamos, andem. – disse Minu chamando as crianças pro refeitório e a maioria foi a contragosto, queriam ficar zoando o casal mais um pouco.
─Hyoga. – disse Eire chorando.
─Como você está Eire? – disse sorrindo, tentando parecer natural com todo o drama da garota. – já vi esse filme. – pensou.
─Com saudades. – disse puxando o rosto do loiro pra um beijo.
O beijo, porém, foi mais breve do que a garota queria, Hyoga se afastou logo em seguida, sentia-se estranho em beijar outra pessoa agora depois que já tinha sentido os lábios de Shun, parece que o virginiano tinha despertado algo diferente em seu coração, diferente, mas bom, intenso e confortante e não foi o que sentiu quando beijou Eire, martirizou-se só de pensar nisso.
─Vamos? – disse se afastando e Eire estranhou aquele distanciamento.
─Sim, mas temos que passar no meu apartamento antes. – disse pegando a mão do loiro.
─Tudo bem.
Despediram-se das crianças e foram ao apartamento da garota, era bem distante e Hyoga pode ver que não era só o apartamento que estava em obras, era o prédio inteiro, não exatamente obras, mas sim alguns reparos, mas ainda assim a maioria dos moradores tinham procurado uma moradia substituta por um tempo. Subiam o elevador quando o loiro pergunta:
─Quanto tempo vai durar essa obra Eire.
─Ah, não sei, um mês talvez. – disse toda sorridente. ─Mas o bom é que eu vou ficar um tempo com você meu amor, faz tanto tempo. – disse o olhando.
─É. – disse com pensamentos distantes, deixando Eire triste por ele não parecer tão feliz em vê-la depois de tanto tempo.
Entraram no apartamento dela e ela foi recolhendo algumas coisas e colocando em mais uma mala.
─Não precisa levar tudo isso Eire, quanto tempo pretende ficar comigo. – disse sentado no sofá.
─O tempo que for necessário pra eu matar toda minha saudade de você. – disse rindo de dentro do quarto.
─Hm... seu apartamento é muito bonito. – disse olhando em volta.
─Acha mesmo? Eu estou louca pra ver o seu. Aposto que tá todo azul.
─Hm.
─Está?
─Ah, sim, pouco. – disse já distraído de novo.
Terminaram e dirigiram-se pra casa do aquariano.
─Nossa ficou muito bonito... Quem fez a decoração meu amor?
─Afrodite.
─Ah, aquele cavaleiro do santuario. Ele tem muito talento. – disse sorridente e indo de um lado pro outro enquanto o loiro subia as escadas com as malas dela.
─Ah deixa que eu te ajudo meu amor. – disse pegando um levíssimo chapéu que estava pendurado junto com a mala.
─Hm. Obrigado pela ajuda. – disse sem dar à mínima.
─Não tem de quê meu anjo. – disse mandando um beijo, tudo que falava e fazia era cheio de mel e flores que cegava a irritar.
─Esse é seu quarto? – disse ela entrando no quarto do loiro.
─É.
─Nossa que legal, sabia que estaria tudo de azul e branco. – disse já entrando.
O aquariano passou direto e levou as malas pro outro quarto de hospedes.
─Onde você está indo?
─Pro seu quarto.
─O quê? Pensei que eu ia ficar com você. – disse emburrada.
─Eu não durmo direito, acabaria atrapalhando seu sono, e além do mais eu fico até de madrugada trabalhando e você acabaria me atrapalhando se estivesse no mesmo quarto que eu. – disse simplesmente.
─Eu te atrapalhando? Mas eu te prometi que não faria isso, não confia em mim?
─Não.
─Poxa Hyoga, e você ainda admite? Você não mudou nada sua postura arrogante. – disse irritada.
─É, talvez, devia estar acostumada. – disse acomodando as malas num canto e Eire o olhava irritada de braços cruzados na porta.
─Você é um grosso. – disse pegando as malas das mãos do loiro.
─Hm, se você diz... Se precisar de alguma coisa me avise que agora eu vou pro meu escritório trabalhar. – disse já se retirando.
─Mas eu pensei que ficaríamos um tempo juntos. – disse chorosa.
─E ficamos... No carro quando viemos pra cá.
─Você não é nenhum pouco romântico seu grosso. – disse emburrada.
─Obrigado.
─Isso não foi um elogio Hyoga.
─Eu sei.
─Aff. Sai daqui então, acabamos de nos reencontrar e você já está me destratando.
─Não estou te destratando.
─Está sim, está de mau humor e está descontando em mim.
─Pense o que quiser Eire, agora eu já vou trabalhar que já perdi tempo demais o dia todo... se estiver com fome pede alguma coisa por telefone. – disse saindo.
─Troglodita, não é nada romântico, mas se ele pensa que isso vai me afastar de novo ele tá muito enganado. – disse mais pra si mesma quando ele saiu.
Começou a arrumar suas coisas no armário.
Hyoga foi pra seu escritório que ficava ao lado de seu quarto e tentaria trabalhar já que Shun não saia de sua cabeça. Estava muito preocupado pela forma como o virginiano saiu e tinha medo de não poder vê-lo mais.
Entrou e sentou-se em sua poltrona, acomodou-se cansado, não tinha dormido na noite anterior e estava cansado do dia de trabalho com Naomi, muitas coisas estavam acontecendo, a policia americana o estava sobrecarregando com muitos casos a cada dia, e ainda tinha os problemas da policia japonesa, fora que o problema do santuario o estava preocupando também, tinha tanta coisa pra resolver e ainda tinha seus problemas com Shun e Ikki, e Shun foi só o primeiro, tinha sido uma conversa desastrosa, mas ainda faltava Ikki.
Fechou os olhos tentando relaxar, mas não conseguiu, estava inquieto e tudo por causa do beijo de Shun.
Pegou o celular e discou o numero do virginiano, ficou um tempo olhando pro aparelho antes de fazer a chamada, quando enfim ligou o celular de Shun chamou até não querer mais, mas o virginiano não atendeu, ficou mais preocupado ainda, insistiu várias e várias vezes, mas nada do garoto atender, então pensou em ligar pro apartamento deles, o problema é que tinha medo de que quem atendesse fosse Ikki, e ainda não estava preparado pra falar com o leonino.
─Droga o que eu faço? – disse suspirando.
─Sobre o que Hyoga? – disse Eire entrando.
─Esse lugar é restrito a você Eire. – disse vendo a moça se aproximar.
─Mas por quê?
─Porque eu já disse que eu vou trabalhar e você vai acabar me atrapalhando.
─Hunf. Já te falei que você é um grosso?
─Já.
─Então vou repetir. Seu grosso. – disse cruzando os braços de novo. ─Vim perguntar se você quer comer alguma coisa que eu vou preparar.
Foi aí que se lembrou de que nem ao menos tinha comido nada, depois que Shun chegou e tudo aquilo aconteceu sua mente estava em outro lugar.
─Estou sem fome Eire, obrigado.
─Mas eu estou. – disse e se aproximou do loiro de repente e lhe deu um beijo que novamente foi breve, pois o aquariano levantou de súbito.
─Er... eu, eu tenho que trabalhar agora Eire. – disse indo pra uma das estantes do escritório e pegando uns papeis e fingindo estar lendo.
─Tudo bem, vou preparar alguma coisa pra mim... – disse Eire estranhando aquela atitude de novo.
─Fique a vontade. – disse e viu a garota sair, suspirou, não poderia continuar daquele jeito, mas fazer o quê se não achava certo beija-la pensando em Shun.
Tentou se concentrar, mas quando menos espera Eire aparece com um prato com macarrão instantâneo e um copo do suco de laranja que ele preparou.
─Você vai comer nem que eu tenha que te dar na boca Hyoga. – disse autoritária.
O russo a olhou por um tempo e suspirou, pegou o prato e começou a comer, nem tinha notado que estava com tanta fome, e normalmente nem percebia, ficava horas sem comer, então a fome vinha, mas ele era sempre tão atarefado e nunca procurava preparar alguma coisa, aí a fome ia embora, vinha e ia, ficou tanto tempo agindo assim que nem notava mais quando tinha fome, mas tinha que parar com aquilo, Ikki tinha razão, aquele tipo de rotina algum dia ainda ia deixa-lo doente, e achou muito gentil da parte de Eire em se preocupar, ela tinha a mesma percepção de todos os seus amigos, e realmente se preocupava com ele, sorriu satisfeito, não era a toa que ela trabalhou por tanto tempo no orfanato, e tinha esse lado gentil e amoroso, as crianças a adoravam e achou sinceramente que ela merecia algo melhor do que ele.
─Obrigado Eire. – disse sorrindo assim que terminou.
─Ah até que enfim eu vejo um sorriso sincero em seu rosto meu amor. – disse ela sorrindo de frente pra ele, sentada na ponta da mesa de centro do escritório do loiro o observando comer.
Eire pegou o prato e o copo e os colocou de lado na mesa, levantou e aproximou-se do loiro de novo para beija-lo, Hyoga sentiu-se estranho, não achava certo manter-se afastado da garota, afinal não se viam há tanto tempo, e já de inicio ela o estava tratando tão bem, cuidando dele com todo amor e atenção, fora que ela era sua namorada, então não tinha nada de mais em retribuir a todo aquele afeto, apesar de não tirar Shun da cabeça.
Acabou aceitando enfim a afetuosidade da moça e retribuiu o beijo como se devia, não foi um beijo caloroso e cheio de amor, mas foi um beijo intenso de uma forma ou outra, gostava dela apesar de tudo, então ela merecia o que ele tivesse de melhor a oferecer, por mais que ele não conseguisse disponibilizar por completo.
O beijo cessou e ela voltou à posição original sorrindo, ela era linda, amorosa, gentil, então como não conseguia ama-la? Assim como não conseguia amar Shun, talvez o virginiano realmente tivesse razão, ele nunca seria capaz de sentir esse sentimento tão sublime, ele não merecia o amor, todas as noites de pesadelos o lembrava disso, de onde vinha aquela voz medonha que o atormentava ele não sabia, devia ser da parte mais sombria de sua alma, mas era a parte que melhor o conhecia, e conhecia o suficiente pra lhe dizer todas aquelas palavras duras e verdadeiras, ele não merecia ser feliz.
─Bom, vou deixa-lo trabalhar em paz, vou descansar, ainda estou cansada da viagem... Boa noite meu amor. – disse sorrindo e já levantando e depositando um beijo na bochecha do russo antes de sair.
─Boa noite.
Quando já ia começar a se concentrar seu telefone toca, achando que fosse Shun ele de imediato atende sem ver quem era realmente.
─Shun? – disse já alvoroçado.
─Não, é o Seiya. – disse a voz.
─Ah, oi Seiya. – disse suspirando.
─Nossa, que foi? Estava esperando o Shun te ligar?
─Não, quer dizer sim, ah deixa pra lá... o que houve Seiya?
─Desculpe ligar essa hora Hyoga, acho que você deve tá trabalhando né?
─Tentando.
─Então eu serei breve... É que eu queria falar com você Hyoga.
─Então fala.
─Bom, er... é que eu queria que fosse pessoalmente. – disse meio temeroso.
─Sobre.
─Você vai saber na hora, mas é importante. – disse e o loiro pode perceber que ele falava um tanto vascilante.
─Não quer me dar uma previa? Porque eu estarei ocupado o dia todo amanhã.
─Você não tem nenhum horário livre?
─A partir do meio dia pode ser?
─Bom, é que nesse horário eu e o Shiryu saímos da empresa pra almoçarmos juntos.
─Então eu vou com vocês. – disse o loiro.
─NÃO, er... é que eu queria falar a sós com você Hyoga, em particular.
─Nossa, pra você esconder até do Shiryu deve ser serio mesmo. – disse o loiro estranhando.
─Só me diz se você pode. – disse Seiya vermelho no outro lado da linha.
─Bom, podemos nos encontrar amanhã bem cedo?
─Pode ser em um café perto da empresa?
─Pode.
─Então eu te passo o endereço por mensagem e nos encontramos lá. A que horas?
─6:00 h.
─Quê? Tá muito cedo, o Shiryu só passa aqui pra me pegar lá pelas 7:30 h... e como fica o meu sono de beleza heim?
─rsrsrsrsrs. Só você mesmo heim Seiya. Mas se quiser mesmo falar comigo tem que ser nesse horário, porque eu vou trabalhar 7:30 h.
─Porque você tem a mania de ficar madrugando heim Hyoga? Eu tenho outra escolha?
─Não, é pegar ou largar, senão só no sábado.
─Tá bom, as seis então. – disse Seiya já com preguiça.
─Quer que eu vá te buscar?
─Seria uma boa, o Shiryu que sempre me dá carona, senão tô a pé.
─Então porque não compra um carro, ora.
─Er... não, é que eu gosto de pegar carona mesmo. – disse vermelho por não querer dizer que só fazia isso porque queria ter a companhia de Shiryu todas as manhãs.
─Gosto estranho. Bom, tenho que trabalhar agora, até amanhã Seiya.
─Tá bom, tchau Hyoga.
─Até.
E assim desligaram, e o russo ficou pensativo em o que seria de tão importante assim pra Seiya querer falar com ele pessoalmente.
Procurou trabalhar de verdade depois disso, então reuniu toda sua concentração e começou a analisar umas fotos e dados nos vários monitores que tinham a sua frente, estava feliz por hora, pois estava tendo progressos, eram muitas coisas a serem analisadas, mas ele já estava acostumado a trabalhar sob pressão então conseguiu relacionar algumas pistas e solucionar pequenos casos americanos, quando terminou nem percebeu quanto tempo tinha se passado, mas estava satisfeito com tanto progresso, porém estava exausto.
Respirou fundo, passava das uma da madrugada, tinha até estranhado que Eire não tenha voltado pra incomoda-lo, ela realmente estava cumprindo com a parte dela.
Levantou pra preparar um café, quando chegou na cozinha viu que Eire tinha lhe preparado um café e só faltava esquentar de novo, e ainda por cima tinha um bilhetinho.
─Sabia que você viria atrás de café, ainda me lembro de como você gosta, forte e doce, então preparei pra você, espero que esteja bom, boa noite meu amor.
Um bilhetinho cor de rosa todo enfeitado do jeito que ele lembrava que ela gostava, ela era tão doce, embora às vezes fosse insuportável, tinha um temperamento instável.
Lembrou-se de vários momentos que passou com ela no passado, às vezes ela acordava com o pé esquerdo e fazia de tudo pra irrita-lo, em dias assim quando eles saiam juntos ela reclamava de tudo, desde o mau tempo, ora quente demais, ora frio demais, até se ele estava sorrindo ou não, se sorria era por que estava pensando em outra, se não era porque ela achava que a simples presença dela o chateava, e isso gerava vários desentendimentos entre os dois, e a imparcialidade do loiro era o que mais a irritava, o modo dele sempre fazer pouco caso dos escândalos dela era sempre o estopim para gerar novas brigas, pois ela se irritava e procurava aborrece-lo também, mas ao invés de ficar chateado o loiro apenas a ignorava, e se fingia de surdo, era aí que ela surtava de vez.
Mas ás vezes tinha dias que ela era um amor de pessoa e acordava com o sol, vivia o dia sorridente e querendo que todos sorrissem também, principalmente ele... Eles pouco se viam, somente nos finais de semana, pois cuidar do orfanato sempre tomou muito do tempo da garota, mas ele não se incomodava, afinal isso a deixava feliz e era assim que tinha que ser, ela adorava o que fazia, era sempre atenciosa e simpática com as crianças, tratava-os como seus próprios filhos assim como Minu, viviam juntas, eram grandes amigas, uma amizade que permanece até então.
Ela era tão perfeita às vezes, porém tão irritante ao mesmo tempo, mas era a personalidade dela, e com o tempo ele aprendeu a lidar com esse temperamento forte, aprendeu a gostar.
Eire vivia falando do futuro, que queria uma vida tranquila e simples, mas ainda assim vivia cheia de expectativas em se realizar como mulher, tanto em uma carreira promissora quanto na vida no casamento, e pra completar queria uma penca de filhos, era justo sonhar com tudo isso, toda mulher quer algo assim, porém esses sonhos os distanciava cada vez mais, e o loiro ia se convencendo que era melhor deixa-la antes que ela sonhasse em ter tudo aquilo com ele, algo que ele nunca poderia oferecer, não a amava, cada dia mais seu afeto por ela se tornava mais fraternal, a via como uma irmã.
Eire acabou percebendo, era muito perceptiva, observou que tinha algo errado com ele, mas ele não falava, era difícil se comunicar assim, tentou ajuda-lo, mas ele não quis, e o abismo entre os dois só ia crescendo.
Foi quando tomou a decisão seis anos atrás, teria que partir e seguir em frente, mas ela não estava nesse futuro que ele planejou, foi aí que terminaram, ele não tinha duvidas do amor dela, afinal ela demostrou várias vezes seu afeto, mas assim como ele queria o melhor aos seus amigos ele queria o melhor pra ela também, queria que ela fosse feliz, ela merecia e ele sabia que nunca poderia dar isso a ela.
Ele foi embora, depois de uns três anos ele já estava terminando os estudos na faculdade e já tinha planejado mudar-se pra New York e trabalhar um tempo por lá, foi então que ele recebeu uma carta de Eire em seu apartamento em Massachusetts antes da mudança, ela sabia ser persistente e surpreendentemente descobriu seu endereço, talvez tivesse perturbado tanto Saori que ela acabou abrindo a boca, depois disso ela não sossegou mais, e praticamente o intimou a retomar o relacionamento, mesmo a distancia, mas ele não respondeu de imediato, esperou que ela desistisse, ficaram nessa enrolação por um ano, entre cartas e promessas, ela o pressionava a voltar, ou pelo menos fazer uma visita, mas ele não cedia, mas procurava sempre responder as cartas da garota para deixa-la feliz.
Nesse período ele não pensava em Shun ou Ikki, eram seus amigos e apenas os via dessa forma e nada mais, foi Eire que o acompanhou a distancia, ela era a persistente, uma garota dominadora e determinada, mas ao mesmo tempo doce e gentil, ele também acompanhou a vida dela a distancia, afinal ela fazia questão de dizer tudo que estava acontecendo.
Ela fez um curso de ciências sociais e mais tarde achou o emprego ideal e que se encaixava em tudo que ela queria, ela parecia realizada, mas não feliz, e ela fazia questão de ressaltar isso nas cartas, dizendo que sua infelicidade era culpa do loiro, que queria tê-lo por perto, que queria vê-lo de novo, e não seria feliz se isso não acontecesse, a pressão foi tanta que em um ano e meio nessa enrolação ele acabou cedendo e reataram o relacionamento, na promessa que se veriam em breve, mais dois anos e meio se passaram e nada de retorno.
Foi então que Eire se enfezou e o intimou a voltar senão ela iria pessoalmente busca-lo onde quer que ele se escondesse, e foi aí que as pressões começaram de todos os lados de uma vez, Saori, Camus, Millo, Shiryu, todos cobravam o retorno dele, mas ela foi a primeira, ele não podia mais fugir, seu retorno era irremediável, fugiu por tanto tempo e de nada adiantou, o jeito era voltar e se redimir de todos e foi o que fez.
Ele tinha o bilhetinho da garota em mãos enquanto pensava, percebeu que estava sendo muito injusto, Eire não merecia aquele tratamento que ele estava oferecendo, aquela frieza por parte dele era cruel demais, ela merecia carinho, atenção, afeto, tanto tempo se passou e ainda assim ela não cobrou nada dele, tirando as ligações de mais cedo é claro, os problemas dele com Shun não eram dela, então ela não merecia ser punida por aquilo, mesmo sua intuição o levando a crer que não deveria seguir em frente com aquele relacionamento, que Shun agora era prioridade.
Suspirou, era horrível não saber o que fazer.
Pegou o café e o esquentou, direcionou-se pro quarto da garota com a xicara em mãos e observou-a dormindo, estava num sono pesado e tranquilo, era linda, vestia uma camisola branca fina com vários detalhes delicados, e ajustava-se perfeitamente ao seu corpo esbelto e ainda tinha aqueles lindos e longos cabelos loiros e cacheados cobrindo todo seu dorso e o travesseiro, o lençol a cobria até a cintura, a janela no lado oposto do quarto deixava a luz da lua entrar e iluminava a pele clara da garota, uma cor linda.
Um vento gélido entrava e balançava as cortinas, viu que Eire tinha leves tremores, então ele entrou deixou a xicara sob uma cômoda e fechou a janela pra livra-la do frio, velou seu sono por uns breves minutos, aproximou-se e depositou um beijo em seu rosto, era uma bela moça, sorriu e se retirou, teria que voltar a trabalhar, seria uma noite bem longa.
Pegou o relatório dos casos de tiroteio no Japão que Naomi tinha preparado, já tinha solucionado vários casos americanos só aquela noite, ou pelo menos os mais simples e já tinha os enviado de volta aos americanos.
Então se dedicaria agora aos casos japoneses, observou que ultimamente estavam acontecendo muitos casos de atentados em todo o mundo, inclusive foi informado que houve até mesmo um atentado ao presidente dos EUA, Camus tinha razão, alguma coisa entranha estava acontecendo e os soldados e cavaleiros do santuario não estavam dando conta de tantos problemas, havia vários conflitos, manifestos, guerras civis acontecendo em todo o mundo, e esses problemas afetavam tanto a politica quanto a economia de vários países, miséria, fome, violência, tudo isso provinha dos problemas causados pela desordem.
Estavam acontecendo desentendimentos entre os lideres mundiais, esses conflitos de interesses causava problemas na economia, e afetava as relações entre as nações, que causava desemprego, miséria e fome, isso gerava a insatisfação da população, e começavam os manifestos, as guerras civis, e consequentemente a violência, e isso não era de agora, estava acontecendo tão lentamente e parcialmente que durante tantos anos o santuario mal percebeu a desordem se formando.
Os manifestos no Egito, as constantes guerras no Oriente Médio, a crise americana, os problemas da economia chinesa, os grandes desastres que causaram grande devastação no Japão, que apesar de ser uma grande potencia também estava sofrendo com a crise econômica e politica pós desastre, a população ainda sofria, muitos foram mortos, e o pais ainda estava fragilizado, tudo isso eram fatores pra desordem se formar lá também, uma prova era a criminalidade crescendo e os estranhos e frequentes atentados aos ministros e ao imperador do Japão... Os grandes manifestos no Brasil estavam demostravam a insatisfação da população, mas também estava gerando violência e conflitos, tantas crises no mundo afetavam também a organização da ONU, e prejudicando a pouca ajuda que era mandada a África e aos países mais pobres, tudo estava acontecendo de uma única vez e tão cautelosamente que estava se tornando um efeito dominó, tudo aquilo parecia estar levando a algo maior que prejudicaria a todos sem exceção, então enfim entendeu porque o santuario estava tão alerta, Atena estava preocupada, afinal aquilo não era natural, tantos desentendimentos e desordem estavam fugindo do controle do santuario e da guarda de Atena, estava virando um caos, e o mundo dos humanos podia sofrer o peso do desagrado dos deuses.
Alguma coisa tinha que ser feita senão Atena poderia perder a guarda da terra, e eles não lutaram em tantas batalhas a toa, porém se aquilo tudo não era natural então tentou imaginar qual o precedente daquilo, o que estaria causando tantos problemas, porém por mais que pensasse não achava solução, e isso o preocupava mais ainda, resolveu que tentaria falar com Atena, pra saber se ela sabia de algo mais que pudesse tranquiliza-lo, pensou se os outros cavaleiros também tinham percebido o que estava acontecendo, pensou em Shun, afinal era ele e a ilha de Andrômeda que estavam sendo pressionados pelo santuario pra formação de mais tropas para aumentar a força do santuario, mas falar com o virginiano agora parecia ser um problema, já que Shun falou de uma forma que parecia que nunca mais se veriam, e já tinha confirmado que ele não queria vê-lo ou falar com ele, não atendia suas ligações, talvez não quisesse nem recebê-lo se ele fosse à ilha de Andrômeda a sua procura, ele disse que teria que se afastar, mas não conseguia imaginar sua vida sem o virginiano, percebeu o quanto a falta daquele garoto o afetava.
─Mas que droga Shun, porque tinha que ser assim? – disse frustrado colocando o rosto entre as mãos, eram problemas demais pra uma pessoa só.
Suspirou, estava tão cansado, farto de tudo aquilo, daquela vida sem esperanças, sem expectativas, cansado do trabalho, cansado dos pesadelos, queria sumir, ter ao menos uma noite de sono tranquilo que há tanto tempo não tinha, sentia-se ainda tão mal por ter tudo e ainda não estar satisfeito, o amor de seus amigos, o amor de Shun e Eire, o apoio de tantos e ainda assim não se achar merecedor de nada disso, não se achava digno daquela inteligência e beleza que tantos ressaltavam que ele tinha, e mesmo seus defeitos não afastavam as pessoas, aprendeu a usar sua frieza pra manter-se isolado e longe de tudo, mas ao que parece não era o suficiente.
─O que eu quero então? O que eu estou esperando? Se não me acho merecedor de nada disso então porque estou tão insatisfeito? Eu deveria estar conformado com essa vida, afinal fui eu mesmo que a escolhi pra mim, então porque ela me desagrada tanto agora? – pensou encostando-se na poltrona, insatisfeito, frustrado, lembrou-se que quando beijou Shun todos esses sentimentos que o perseguiam o tempo todo sumiram de repente e ele sentiu algo diferente, algo confortante, Shun o consolava, aquele beijo o revigorou.
─Será que Shun é meu ponto de conforto? – pensou.
Lembrou-se que no passado quando Shun o via triste sempre procurava distrai-lo com alguma coisa, e começava conversas sem sentido, falava um monte de besteiras que uma hora ou outra o fazia sorrir e esquecer as preocupações, foi o que mais sentiu falta quando partiu, falta daquele carinho do virginiano, ele tinha razão, todas as atenções que Shun disponibilizava sempre eram pra ele, sempre que o virginiano aprendia algo novo era pro aquariano que ele corria pra demostrar sua alegria e satisfação, tinham uma relação tão boa, e sempre afetuosa por parte de Shun, ele era sempre tão carinhoso, e agora entendia o porquê de tudo aquilo, era amor.
─Como fui tolo, sou mesmo um tapado, Shun tinha razão, sou mesmo um cego. Estava tão ocupado me sentindo um inútil e preso em minhas próprias emoções que não o notei. Eu não o mereço, Shun não merece ter alguém tão problemático quanto eu, acho que foi melhor assim, algum dia ele vai me esquecer e seguir em frente.
Ficou ali sentado sozinho pensando, mas enfim o cansaço o venceu e ele acabou adormecendo.
...
Estava sozinho na entrada para o mundo dos mortos em frente a um grande portal, onde estava escrita a seguinte mensagem: "Aqueles que aqui entrarem, devem perder todas as esperanças."
Sentiu-se mal só de estar ali, mas tinha que entrar, não sabia ainda o porquê, mas era importante, tão importante que podia lhe custar a vida.
Entrou cauteloso, assim que passou pelo portal viu um grande clarão e de repente o cenário mudou e ele não estava mais na entrada do inferno e sim na oitava prisão, Cocitos, o Inferno de Gelo, para onde são enviadas as almas daqueles que se voltaram contra os deuses.
Viu vários esqueletos de cavaleiros soterrados na densa neve, que não era comum, viu que aos poucos seus pés estavam afundando, tentou se soltar, mas tinha uma força que o prendia, o frio ali era intenso, mesmo pra ele que era um cavaleiro do gelo, a neve já estava em sua cintura, parecia que quanto mais ele se debatia mais rápido a neve se acumulava, desesperou-se, tentou elevar o cosmo, mas parece que não tinha energia, estava como um simples humano. Queria gritar por socorro, mas percebeu que não tinha voz, tentou, mas nenhum som saiu.
Estava congelando, pensou no que poderia ter feito pra merecer um fim daqueles. A neve já estava em seu pescoço e o estava sufocando, e ele já não tinha mais forças.
─Hyoga. – disse a mesma voz medonha de seus frequentes pesadelos.
─O que é isso? Quem é você? Porque eu estou aqui?– não conseguia falar, seus pensamentos falavam por ele, e a voz medonha podia ouvi-los.
─Você desafiou os deuses Hyoga, muitas vezes. Está aí por que você é mau, matou sua própria mãe Natássia, Isaak que te considerava um irmão, Camus que te via como um filho, e vários outros cavaleiros em tantas lutas desnecessárias. – disse a voz e riu em escarnio do cavaleiro semi-soterrado.
Uma imagem apareceu na sua frente e ele viu as mortes de seus entes queridos passando repetidamente.
─Porque não me mata logo? – disse desesperado, aquilo era torturante demais.
─Matar você? Hahaha. Não seja tolo, você não vai morrer, vai sofrer, sofrer por toda eternidade.
─Quem é você?
─Quem eu sou? Sou seu ódio, seu medo, sua dor... Sou você.
Hyoga sentia uma dor imensa, parecia que todos seus ossos estavam sofrendo uma pressão extrema por aquela neve e iam quebrar a qualquer momento, sua carne parecia estar rasgando, parecia estar sendo esmagado, aquele definitivamente não era um frio comum, quis como nunca a morte, mas o mais torturante naquilo era não poder morrer, como a voz disse que ele sofreria por toda a eternidade com a dor em seu corpo e em sua mente, vendo pessoas tão queridas pra ele serem mortas repetidamente.
Não conseguia nem ao menos chorar, estava sufocando, mas não desmaiava.
Fechou os olhos pra não ver mais aquelas imagens, mas de nada adiantava, já estava em sua mente e a dor física não cessava.
Sentiu a presença de alguém ao seu lado, era uma presença estranha, sombria, fez um esforço pra ver quem era, quando avistou a figura ao lado ficou pasmo, era Shun, mas ele tinha os cabelos e olhos de cores diferentes da habitual, e não tinha a pele rosada de sempre e sim pálido, parecia um cadáver, usava um manto preto, e o olhava com desprezo e indiferença.
Toda a imagem delicada e humana de Shun tinha desaparecido, agora tinha apenas aquela forma desumana de olhar impiedoso.
─Verme... Você é desprezível cavaleiro. – disse com um olhar perverso e cheio de amargura.
─Você não é Shun. Quem é você? – perguntava-se em pensamento, mas aquela figura podia ouvir seus pensamentos.
─Sou Hades, me apossei desse corpo mortal pra acabar com vermes desprezíveis como você. – disse com a voz atroz.
De repente aquele ser começou a ter espasmos horríveis deixando o aquariano mais assustado ainda, Hades caiu no chão agonizando parecia que lutava contra alguma coisa, uma mão apertava o peito tentando tirar um medalhão com um pentagrama que tinha a escrita Yours Ever (Sempre seu) e outra mão tentava impedir que a outra arrancasse, era Shun que lutava contra Hades, o virginiano tentava e tentava arrancar aquilo, mas parecia grudado em sua carne e gangrenava aos poucos a pele em volta do medalhão, gritava de dor.
De súbito virou-se pro loiro e o encarou, mas não eram aqueles olhos impiedosos e sim o olhar puro e inocente de Shun, parecia sofrer muito.
─Hyoga, me ajude, por favor, me ajude. – disse com uma expressão sofrida e apertando o próprio peito.
O loiro tentou gritar pro virginiano pra ele continuar lutando, mas o loiro já estava congelado, embora ainda sentisse uma dor descomunal, porem não conseguia se expressar mais, estava paralisado.
─SHUN, não se dê por vencido, lute, continue lutando. – pensava ainda tentando gritar, mas o virginiano não podia ouvir e continuava se contorcendo a sua frete e ele não podia fazer nada.
─Por que você não me ajuda Hyoga? Estou implorando... Sozinho eu não consigo, por favor, Hyoga me ajude, por favor, socorro. HYOGA. – disse chorando tentando controlar o que tinha dentro dele, mas Hades era mais forte, tentava se apossar do corpo do garoto que agonizava de dor tentando impedir a possessão.
Toda a pele do virginiano começou a rachar, e sangrar, parecia que o que tinha dentro dele estava crescendo e o corpo frágil do virginiano não conseguia suportar e estava decompondo, sendo destruído de dentro pra fora. Hyoga não podia fazer nada, e era horrível ver aquela imagem horrenda.
─Deixa ele em paz seu monstro. Shun, resista, lute.
Shun não aguentou mais e Hades acabou se apossando de seu corpo. Parou de agonizar e foi levantando lentamente mostrando novamente aquele olhar cruel e desumano, e ainda com a pele decomposta de seu amigo, estava horrível, em nada se parecia com Shun agora, era um monstro.
─O que você fez com o Shun? Onde ele está? – pensou olhando pra aquela imagem que dava medo.
─Você não foi capaz de salvar seu amigo, é um fraco mesmo, quantos ainda têm que morrer pra você se convencer que só faz mal às pessoas cavaleiro?
─Morto? Não, Shun, cadê o Shun? – pensou desesperando-se.
─Ele está morto, esse corpo agora é meu. – disse com uma risada demoníaca.
─NÃO SHUN, não, não. – desesperado e agora sem esperanças, tendo que conviver pra sempre com aquela dor descomunal e sem ninguém pra ajudar.
Tentava, mas não conseguia gritar, não conseguia se expressar, sequer conseguia chorar.
─SHUN, SHUN. – gritou acordando atordoado e suando.
Olhou em volta aturdido, viu que ainda estava em seu escritório, já era dia, mas bem cedo, suspirou, colocou o rosto entre as mãos, de todos os pesadelos que já teve aquele foi o mais real.
─Shun. – disse e pegou imediatamente o celular e ligou pro virginiano.
Chamou até não querer mais e o virginiano não atendeu. Estava preocupado e resolveu ligar pro apartamento dele.
Depois de muito chamar alguém atende.
─Alô? – disse a voz grave de Ikki.
O loiro se tocou e imediatamente desligou, não queria falar com Ikki ainda, suspirou e convenceu-se que se alguma coisa tivesse acontecido com Shun ele logo saberia, então contentou-se com essa teoria.
Olhou no relógio e viu que ainda era muito cedo, levantou-se e foi tomar um banho bem frio pra tentar esquecer aquele pesadelo.
...
Shun acordou cedo, embora tivesse passado boa parte da noite chorando, triste pela rejeição de Hyoga, iria dedicar-se a ilha de Andrômeda agora pra distrair sua mente e não pensar mais no russo, decidiu que se manteria distante pra tentar esquece-lo.
Viu que o loiro tinha ligado várias vezes, mas não atenderia, provavelmente o loiro tentaria consola-lo, mas ficou bem claro que era só isso, ele nunca lhe daria uma chance, então não iria encontra-lo e ver aquele olhar de pena do loiro, estava farto daquilo.
Nunca poderia conviver com o loiro daquele jeito, queria beija-lo, toca-lo, dizer que o amava a todo o momento, mas jamais poderia fazer isso, o loiro não iria aceita-lo, então desistiu, se era pra ficar nisso então achou melhor se afastar de uma vez do que receber só migalhas do loiro e sonhando que um dia suas fantasias se realizem.
Viu que Hyoga tinha ligado de novo de manhã cedo, mas não atendeu, foi quando ouviu o telefone da sala tocando insistentemente e Ikki levantando mal humorado pra atender, imaginou que fosse o loiro já que ele não atendeu o celular, o natural era que o russo procurasse ligar pro apartamento deles. Então ficou na expectativa.
─Alô! – disse Ikki mal humorado.
Mas depois só ouviu Ikki resmungando e desligando o telefone.
─Quem era Ikki? – perguntou do quarto.
─Sei lá, o babaca não disse nada e depois desligou na minha cara. Onde já se viu perturbar a essa hora da manhã pra dar trote, deve ser um desocupado mesmo. – disse irritado e voltado pro quarto.
Shun suspirou, sua teoria estava errada, não era Hyoga, mas e se estivesse certo, então porque Hyoga não quis falar com Ikki? – pensou.
...
Hyoga se arrumou, preparou sua pasta de trabalho, foi pra cozinha, ligou a televisão que ficava apoiada no alto da parede, esquentou o café que Eire fez e sentou-se em um dos bancos perto do balcão que ficava na cozinha pra assistir o noticiário matutino, já estava um pouco melhor e tentava se distrair com alguma coisa, além do mais assistir as noticias era importante pra ele e o seu trabalho.
Estava distraído quando Eire aparece com uma cara de quem caiu da cama, e ainda sonolenta.
─Bom dia meu amor. – disse aproximando-se do loiro e lhe dando um beijo rápido na boca.
─Bom dia Eire... O que você tem? – disse percebendo a pouca disposição da moça.
─É que eu ainda tô com muito sono. – disse bocejando.
─Hm, descanse mais um pouco então.
─Não posso, tenho que entregar os dados que coletei da minha ultima viagem, meu chefe quer isso hoje cedo. – disse pegando um copo com café também.
─Você já tem tudo preparado?
─Sim, fiz meu relatório no avião mesmo, a viagem foi longa, então hoje é só entregar. – disse sentando-se na cadeira da mesa de centro da cozinha.
─Hm. Você é muito eficiente. – disse o loiro sorrindo.
─Obrigada, é cansativo, mas eu adoro meu trabalho. – disse mais alegre.
─Que bom... Vai sair que horas?
─Às seis. – disse bebendo seu café também.
─Vai se arrumar que eu te levo, mas tem que ser rápida que eu vou sair daqui a pouco.
─Mas já? Ainda são cinco e quinze. – disse esfregando os olhos e olhando pro relógio de parede.
─Tenho outro compromisso. – disse sorvendo seu café tranquilamente.
─Outro compromisso? O que você vai fazer heim? – disse despertando de repente enciumada.
─Vou a um encontro. – disse simplesmente.
─Como assim um encontro? E você ainda confessa seu galinha. – disse levantando toda irritada e indo até ele pra dar uns belos tapas.
─Calma Eire. – disse segurando a garota pelos pulsos antes que ela avançasse nele. ─Vou me encontrar com o Seiya, ele quer falar comigo.
─Se-Seiya? Então porque não disse antes? – disse aborrecida.
─É que você não me deixou terminar garota. – disse a soltando.
─Você fica falando por partes, ora. – disse com a mão na cintura mostrando descontentamento.
─Você é paranoica mulher. – disse o loiro rindo.
─E você é um sádico, sabe que eu tenho ciúmes e ainda fala desse jeito. – disse irritada.
─Não precisa ter ciúmes. – disse sorrindo.
Eire se aproximou de novo e ficou entre as pernas do loiro, segurou o rosto dele entre as mãos e falou perto de seu ouvido.
─Como vou saber se você é só meu? – disse com a voz insinuante.
─Confie. – disse suspirando e segurando a cintura da loira, se aproximou mais e a beijou intensamente, sentia-se estranho, ainda tinha a imagem de Shun na cabeça, e os lábios da moça não eram como os do virginiano, Shun beijava melhor, martirizou-se só de pensar nisso e cessou o beijo, não conseguia seguir com aquilo por muito tempo.
Quando a soltou ela respirava ofegante por ter sido pega de surpresa e estranhando aquela atitude do loiro, ele nunca foi assim, se ela quisesse um beijo dele tinha que ir atrás, pois o russo nunca tomou iniciativa de nada, e agora ele mesmo a beijou.
─Finalmente um beijo de verdade. – disse retomando o folego.
─Está dizendo que os outros não foram? – disse se fazendo de ofendido, mas sabia que não tinham sido mesmo.
─É... Pensei até que não sabia mais fazer isso. Parece mais disposto hoje. – disse a moça sorrindo.
─Não muito, mas vou levando. – disse suspirando.
─Hum... – estranhou, ele não parecia alegre, mesmo com a presença dela.
─Sabe que pode me contar qualquer coisa não é mesmo Hyoga? – disse tentando ser compreensiva, já que Hyoga mostrava tanta preocupação e melancolia.
─Er... sei. – disse um pouco vermelho, ela parecia preocupada agora.
─Então me diz o que você tem... Parecia aflito com alguma coisa quando você foi me pegar no orfanato, e agora você parece preocupado mais ainda. – desse Eire preocupada, era um dos momentos que ela se mostrava tão doce e gentil.
─Está imaginando coisas Eire. – disse levantando de imediato e indo pra pia com a xicara de café.
Eire suspirou, ele era um teimoso mesmo, ia saindo da cozinha e dá um ultimo aviso.
─Não pode se esquivar de mim pra sempre Hyoga, uma hora vai ter que me dizer o que está havendo. – disse deu uma ultima olhada no russo e subiu as escadas pra ir pro quarto se arrumar.
Hyoga ficou parado em frente a pia pensando, o que fazer? Pensou melhor, e se ele não queria ficar com Shun pra não preocupar o virginiano com seus problemas e que eles nunca seriam felizes juntos por causa dele mesmo, então porque com Eire seria diferente? Afinal ela era importante também, não queria que ela sofresse por sua causa, e agora já tinha preocupado a garota com seus problemas que por mais que tentasse não conseguia esconder.
O mais ideal era abrir mão da garota antes que a deixasse infeliz também ,mas como dizer isso a ela sem magoa-la? Afinal eles tinham acabado de se reencontrar depois de tanto tempo, não era justo fazer isso com ela, estava de mãos atadas, não queria magoar ninguém, mas parece que suas vontades não eram suficientes, não podia evitar que ele sempre acabaria prejudicando alguém.
Lembrou-se do pesadelo, aquilo enfim fazia sentido.
...
Deixou Eire no trabalho e ficou até cansado de tanto que ouviu a garota tagarelando em todo o caminho.
Passou na casa de Seiya exatamente seis horas e bateu na porta até não querer mais. Quando finalmente é atendido o sagitariano aparece todo desordenado com uma cara de quem acaba de acordar.
─Hyoga? – disse surpreso quando abriu a porta.
─Não acredito que você ainda não está pronto Seiya. – disse cruzando os braços e balançando a cabeça em desaprovação.
─Ah, er... bom, é que. – se enrolava todo.
─Esquece... eu já esperava por isso mesmo, por isso marquei tão cedo com você. Vai se arrumar logo então.
─Desculpa Hyoga, eu tentei acordar cedo, juro. – disse dando passagem pro loiro entrar.
─Então corre, você tem vinte minutos se ainda quiser ir pro café conversar.
─Tá bom, vou me apressar. – disse indo correndo pro quarto. ─Fica a vontade aí Hyoga. – gritou antes de entrar no chuveiro.
Hyoga sentou na poltrona do centro da sala que era praticamente ligada ao quarto, olhou em volta, o apartamento de Seiya era bem como lembrava, desorganizado, típico apartamento de um homem solteiro.
Não demorou nem dez minutos e o sagitariano já tinha tomado banho estava vestido com as calças e a camisa e tentava ajeitar a gravata pra ir trabalhar depois.
─Ai, odeio essa porcaria, toda manhã é assim, nunca consigo dar um laço nessa droga. – disse enfezado e vindo com os sapatos na mão, tentando ajeitar a gravata com a outra que estava com um lado da manga do paletó de fora e tentando passar o braço ao mesmo tempo.
─rsrsrsrs. Não precisa de tanta pressa assim Seiya, pode se arrumar direito... E como você coloca essa gravata todo dia e nunca aprende?
─É que o Shiryu arruma pra mim no carro quando vem me buscar. – disse sentando-se na cama pra calçar os sapatos e enfim colocando direito o paletó.
─Parece que o Shiryu é sua babá. – disse rindo.
─É, ele sempre diz isso, vindo logo depois com uma serie de sermões pra cima de mim, pra eu ser mais responsável e tudo mais, mas eu não ligo não. – disse sorrindo enquanto calçava os sapatos.
Arrumou o que faltava e deixou a gravata por ultimo.
─Aff, vou comprar aquelas gravatas prontas que é só prender na gola mesmo. – disse irritado.
─rsrsrsrsrs. Deixa eu te ajudar. – disse o loiro se aproximando e tentando fazer um laço na gravata.
Tentou, tentou, mas não conseguiu.
─Aff, essa sua gravata tá de má vontade. – disse o loiro irritado também agora.
─hahahaha. Você é péssimo nisso. – disse Seiya rindo.
─Hunf. Porque você acha que eu não uso gravata ora. – disse o loiro enfezado também.
─Deixa quieto, eu peço pro Shiryu me ajudar depois. – disse desistindo e colocando a gravata na maleta que estava em cima da cama.
Penteou os cabelos castanhos rebeldes e arrumou o que faltava na maleta.
─Pronto, vamos? – disse sorrindo.
─Até que enfim. Por isso o Shiryu reclama tanto, você enrola demais Seiya. – disse o loiro levantando pra saírem.
─Aff, até você Hyoga? Daqui a pouco vai começar a me dar sermões que nem o Shiryu. – disse dando passagem pro loiro e fechou a porta.
─Por que será né. – disse o loiro irônico.
Entraram no carro e foram pro café que ficava próximo as empresas Kido, ficaram conversando amenidades no caminho. Quando enfim chegaram pediram dois cappuccinos e sentaram-se em uma mesa do lado de fora do café.
─E então Seiya, o que é de tão importante pra você querer falar comigo tão urgentemente?
─Bom... Quero te contar uma coisa. – disse vermelho e de cabeça baixa.
─Fale. – disse olhando a forma estranha que Seiya falava.
─É que, eu... Eu gosto de alguém. – disse vermelho.
─Hm, é só isso? – disse suspirando. ─Mas isso é bom... Quem é a sortuda? – disse sorrindo, tentando imaginar quem seria a garota de quem o sagitariano falava.
─Bom... Não é correspondido. – disse triste olhando pro loiro.
─Que pena Seiya... Você já tentou falar com ela?
─Er... – estava temeroso em contar aquilo. ─Não é bem uma garota, é um rapaz. – disse bastante corado.
O loiro faltou cuspir o café.
─Até você Seiya? – disse surpreso.
─Até eu? Por que diz isso?
─Shun e Ikki.
─Ah, é mesmo, acho que pegamos a mania do santuario. – disse vermelho e sorrindo sem jeito.
─Só falta o Shiryu agora, mas ele tá com a Shunrei não é mesmo? – disse ainda surpreso com Seiya.
Seiya baixou a cabeça triste e o loiro percebeu.
─Bom, então... Quem é o rapaz? – disse Hyoga vendo que o sagitariano parecia mais triste ainda.
─Esse que é o problema... é alguém muito próximo de nós.
─Sério? Eu conheço?
─Sim... er, é o... é o Shiryu. – disse extremamente envergonhado em dizer aquilo.
─Cof, cof, cof. – o loiro tinha engasgado com o café.
─Calma Hyoga, toda vez que você faz isso fica todo vermelho rapidinho. – disse Seiya sorrindo.
─É que... cof,cof... estou muito surpreso... e ainda queimei a língua. – disse fazendo uma careta.
─rsrsrsrs. É, eu já imaginava que essa fosse sua reação mesmo. – disse Seiya rindo.
─Então... é o Shiryu. – disse Hyoga se acalmando e agora entendendo o porquê do sagitariano querer falar a sós com ele.
─Sim.
─Já disse isso a ele?
─Nem pensar... Ele vai é querer correr de mim. – disse vermelho.
─O Shiryu não é assim Seiya, ele vai tentar te entender.
─Mas esse não é o único problema.
─Diz isso por causa da Shunrei? Ele me disse que o relacionamento deles não estava indo muito bem.
─É, eu sei, ele sempre me conta tudo. – disse sorrindo olhando pra xicara na mesa.
─Vocês sempre foram bons amigos, talvez se você cotar o que sente...
─Ele não está apaixonado por ela. – disse de imediato.
─Ele te contou?
─Não... Eu vi isso desde o principio, a Shunrei forçou um relacionamento, o Shiryu sempre a viu apenas como uma irmã, mas ela não se conformou e ele cedeu, e só estão juntos até hoje apenas porque ele não quer ficar sozinho... Na verdade ele está com ela apenas por comodismo. – disse Seiya simplesmente.
Depois disso o loiro imediatamente lembrou-se de Eire e Shun.
─Se ela não é uma barreira então porque nunca tentou nada com ele? É porque ele é hetero?
─Não é bem isso. Ele está apaixonado por outra pessoa também, e não é por mim. – disse triste.
─Ele está junto dela, mas está apaixonado por outra? Não entendo, o Shiryu nunca foi disso. – disse Hyoga estranhando, afinal Shiryu sempre foi uma pessoa sensata, aquela não era uma atitude que ele imaginaria partir do libriano.
─É uma historia complicada, ele acabou cedendo ao amor de Shunrei pra não magoa-la, além do mais a pessoa por quem ele está apaixonado não corresponde ao amor dele também, é como um efeito dominó, entende?
─Sim, mas como você sabe de tudo isso?
─Ora Hyoga, eu estou com o Shiryu o tempo todo, e do contrario do que vocês pensam eu não sou tão distraído... Também sou perceptivo, percebo as coisas a quilômetros. – disse por fim, mostrando que não era idiota.
─Percebe é? – disse Hyoga irônico e descrente.
─É claro... Quer a prova? Deixa-me ver... Bom, eu sei que você anda muito abatido ultimamente, parece que não tem dormido direito, está cansado, mas não me parece ser um cansaço qualquer, parece psicológico, e você está um tanto melancólico. – disse fazendo uma analise do loiro.
O loiro ficou surpreso, aquele era mesmo Seiya? – pensou.
─Você percebeu tudo isso agora?
─Não, venho te observando desde que você chegou. – disse simplesmente.
─Está me vigiando?
─Claro que não, sou perceptivo, já disse. – disse Seiya ofendido.
─Hum. – disse o loiro desconfiado.
─Está desconfiando de mim seu loiro burro?
─Loiro burro nada, o que queria que eu pensasse cabeção? Você diz isso tudo isso assim de repente, fiquei surpreso ora. – disse o loiro.
─Aff. Você queria uma prova e eu te dei ora. – disse Seiya.
─Tá bom, tá bom... Você percebeu mais alguma coisa? Nos nossos amigos? –disse jogando verde.
─Fala do Shun? – disse simplesmente como se já soubesse de tudo.
─Ah, er... sim. – disse vermelho.
─Bom... –disse olhando atentamente pro aquariano. ─Parece que você já descobriu o que ele sente por você, e pela sua expressão posso ver que já conversaram e não parece que foi uma conversa muito boa. – disse observando a expressão de Hyoga.
─Você me surpreendeu agora Seiya... Você também sabia o que Shun sentia? Como?
─Era fácil perceber, ele vivia atrás de você, tinha um olhar distante, quando estavam juntos ele vivia abobalhado, fora o drama que ele fez quanto você foi embora e ainda mais quando você voltou... Acho que só você não percebeu. – disse sorvendo café tranquilamente.
Hyoga ficou calado, Seiya era mesmo surpreendente, tinha subestimado o sagitariano por muito tempo. Pensou melhor e foi aí que se tocou, se todos perceberam isso em Shun, já que o virginiano era assim tão obvio, então Ikki devia ter sido o primeiro a saber dos sentimentos do irmão, então porque ele tinha se atrevido a beija-lo mesmo sabendo o que Shun sentia?
─Desculpe Hyoga, não devia ter falado assim, acho que você deve estar perturbado com isso não é mesmo? – disse Seiya arrependido do que disse.
─É... Shun não quer nem falar mais comigo. – disse triste.
─É estranho mesmo descobrir essas coisas, por isso eu não digo o que sinto pro Shiryu, acho que ele iria surtar, afinal ele me vê apenas como um irmão, assim como você vê o Shun, por isso é bom você dar um tempo pra ele, uma hora ele se acalma e aceita falar com você. – disse Seiya.
Hyoga olhou pro sagitariano analisando-o, Seiya tinha amadurecido tanto, nunca tinha percebido isso nele.
─Tem certeza que Shiryu não sente mais do que amizade por você?
─Absoluta. Ele nunca olharia pra mim, ele me repreende o tempo todo, acho que nunca serei bom o suficiente pra ele. – disse triste.
─Não diga isso Seiya, você é inteligente, bonito, jovem, e um futuro administrador bem sucedido, devia se valorizar mais. – disse Hyoga tentando consolar o amigo.
─Você não sabe ainda quem é o outro cara, não tem comparação. – disse olhando pro loiro.
─É um homem? Nossa até o Shiryu. – disse surpreso de novo.
─É.
─Que complicado... Mas porque você acha que não tem chance? O que esse tal cara tem de especial afinal e contas? ─disse franzindo cenho.
─Não sei, mas tenho que admitir que eu gostaria de ser parecido com ele. Pelo menos um pouco, quem sabe assim o Shiryu me notasse.
─Quem é ele afinal de contas? Nós conhecemos?
─Com certeza.
─Fala de uma vez quem é Seiya. – disse intrigado com aquele mistério todo que Seiya está fazendo.
─Não posso te contar, se o Shiryu descobrir que eu abri a boca ele me esgana. – disse temeroso.
─Se não vai me contar então porque viemos aqui afinal de contas? Você só queria desabafar é isso?
─Desabafar? Que coisa de bixinha. – disse Seiya rindo.
─Do que você gosta mesmo heim Seiya? – disse o loiro sarcástico.
─Ah, isso é diferente, gostar de outro homem tudo bem, mas virar uma donzela fresca é uma coisa totalmente diferente, meu lema é: seja gay, mas não seja fresco. – disse fazendo pose.
─rsrsrsrsrs. Só você mesmo pra me fazer rir de um assunto sério Seiya, senti muita falta disso. – disse o loiro sorrindo.
─rsrsrsrsrs. Também sinto falta do seu bom humor Hyoga, você mudou muito, mas estou feliz que alguma parte do Hyoga antigo ainda existe.
─A vida muda as pessoas meu amigo. – disse o loiro triste.
─É, eu sei. – disse Seiya triste também.
─Você amadureceu muito Seiya, estou surpreso, parece outra pessoa.
─Claro, todos nós amadurecemos, embora eu me mostre um bobalhão na frente de vocês, mas é que todos se tornaram tão sérios, eu quis fazer a diferença.
─Percebi. Você sempre pensa em todos nós, é um ótimo amigo. – disse Hyoga sorrindo.
─Você também, por isso você foi embora seis anos atrás, eu vi que você estava sofrendo com alguma coisa, então eu acho que você se afastou de todos pra não nos preocupar, ou pra nos proteger do que estivesse te afligindo e que pudesse nos prejudicar, estou certo?
─Sim. Novamente estou surpreso com você Seiya. Acho que é o primeiro que me entende. – disse o loiro pasmo, parecia que conversar com Seiya estava aliviando tanta coisa, eles conversavam de sua aflição tão livremente e tranquilamente, como se o sagitariano o entendesse tão bem, era muito bom falar daquilo sem a tensão que sofria frequentemente, Seiya estava ajudando mais do que ele imaginava.
─É, eu sou surpreendente mesmo. – disse Seiya convencido. ─Por isso não me chateei tanto por você ter ido embora, sei que estava sofrendo, e ainda sofre. Mas eu senti muitas saudades sua, você fez muita falta. – disse o sagitariano triste.
─Obrigado Seiya... Por entender. – disse sorrindo, o melhor em Seiya era que ele não ficava rondando a pessoa, ele entendia e procurava respeitar o espaço alheio, submetendo-se a ajudar se fosse preciso, mas sem nenhuma pressão.
─E obrigado por me ouvir, o ruim de ser sempre descontraído é que as pessoas não te levam a sério, mas você é o primeiro que escuta tudo que eu tenho a dizer. Na verdade você é a primeira pessoa pra quem eu digo que gosto de homens. – disse Seiya.
─Sério?
─Sim, eu nunca disse isso a ninguém.
─Mas você fala de uma forma tão displicente, como se fosse um assunto tão natural.
─É que eu me habituo rapidamente a qualquer situação, e quando vi que poderia ficar a vontade com você eu me soltei mais, mas sei que você se sente desconfortável com esse assunto, não é mesmo?
─É. Sou muito ruim de me expressar, você é a segunda pessoa com quem eu converso coisas assim tão naturalmente, a primeira é Millo, ele sempre me ouve, mas o problema com ele é que...
─Que ele te ouve, mas te zoa um bocado antes de falar a sério não é mesmo? – disse Seiya rindo.
─É exatamente isso, como sabe?
─Percebi isso na personalidade dele faz tempo, na verdade deduzi que ele fosse assim, nunca conversei muito com Millo, mas a conversa mais breve que eu tiver com uma pessoa é suficiente pra que eu possa deduzir uma serie de fatores com relação à personalidade dela.
─Nossa, acho que você tem que mudar de área e virar psicólogo. – disse o loiro surpreso.
─rsrsrsrsrs. Acho que não, sou apenas um bom observador.
─O Shiryu sabe disso?
─Ele não sabe de nada, ele é tão cego ou até mais que você.
─Aff. Eu cego? – disse irritando-se, mas pensou melhor. ─Bom, é melhor não discutir isso.
─É bom mesmo, você é muito distraído Hyoga, mas às vezes a inocência é um ponto positivo, acho que é por isso que todo mundo gosta de você. – disse displicentemente.
─Que exagero Seiya.
─rsrsrsrs. Mas tenho que dizer que às vezes você é muito antipático e arrogante, mas parece que gostam de você assim mesmo, eu prefiro você assim, mas tem que ter mais senso de humor, você é muito sério.
─Vai ficar me descrevendo agora? – disse aborrecido.
─ Desculpa. – disse rindo.
─Bom, tudo bem... Que bom que estamos nos entendendo, tenho que admitir que de todas as pessoas você seria a ultima com quem eu pensaria em ter uma conversa dessas. Afinal você parece o maior sem noção. – disse Hyoga sincero.
─Tá vendo só... é disso que eu estava falando, você deveria ser menos honesto Hyoga, às vezes isso magoa. – disse Seiya fazendo bico.
─Sem drama, por favor, já tenho tido muito disso ultimamente. – disse o loiro suspirando.
─Imagino, pela sua cara o Shun já se declarou, estou certo?
─Como sabe tanta coisa Seiya? Está me assustando. Que bruxaria é essa?
─rsrsrsrs. É fácil, o Shun vivia suspirando pra cima de você o tempo todo, e vi que ele não tirou os olhos de você nenhum momento no domingo, e ele sofreu muito todos esses anos, mas você conhece o Shun, ele é sensível, mas prefere esconder o que sente pra não preocupar ninguém... Você viu como ele ficou quando te reencontrou, ele estava no limite, então era só uma questão de tempo pra ele se declarar, e você acabou de dizer que ele não quer falar com você.
─Ah, é mesmo. Você é muito observador.
─Sou quase um oraculo. – disse rindo e fazendo gestos com se visualizasse uma bola de cristal a sua frente.
─rsrsrsrs. É um esnobe também. – disse Hyoga rindo. ─Mas então Seiya... Voltando ao seu assunto, se não era pra desabafar então porque estamos aqui?
─Bom... Quero sua ajuda.
─Pra quê?
─Eu não perdi as esperanças... Quero que Shiryu me note, por isso quero que você me ajude a mudar pra um jeito que agrade o Shiryu. – disse com olhos de suplica.
─Mudar? Que isso Seiya? Você é uma pessoa maravilhosa, e sinto te dizer isso, mas se o Shiryu não gosta de você do seu jeito então ele não te merece. – disse o loiro triste em ver que seu amigo faria de tudo pra conquistar seu amor, gostava muito de Shiryu, mas se estava acontecendo mesmo tudo aquilo que Seiya disse então o libriano não merecia o amor de Seiya.
─Mas é preciso. Só assim pra ele me notar. – disse triste.
─Como é o cara que ele gosta?
─Bom... – disse olhando atentamente pro aquariano, aproveitaria o pouco tato de Hyoga pra perceber as coisas, ou podia dizer até inocência dele, pra conseguir com que o loiro o ajudasse a se parecer mais com ele.
─Ele é calado, sério, arrogante, antipático e um tanto insensível. – disse Seiya descrevendo o loiro.
─Nossa, que mala, e o Shiryu gosta disso? – disse o loiro inocentemente.
Seiya riu, o loiro nem sabia que estava falando de si mesmo.
─Não acho que seja disso que o Shiryu gosta nele, afinal todos tem seus defeitos, mas esse cara também tem seu lado bom... Ele é compreensível e amável às vezes, é responsável, inteligente, é atencioso, se preocupa com as pessoas, é pouco carinhoso, mas quando é compensa a pouca sensibilidade dele, e tudo isso supera qualquer defeito que ele tenha.
─Parece que você gosta dele também.
─Claro que gosto, ele é meu amigo também.
─Amigo? De quem estamos falando Seiya? Diz de uma vez. – disse irritado.
─Já disse, não posso te contar.
─Porque não? Acha que eu vou contar pro Shiryu o que eu sei? Não confia em mim?
─Confio sim, plenamente, mas é que... – não podia continuar.
─Espera um pouco. – disse desconfiado. ─Se sua preocupação de eu saber, não é por medo que eu diga a Shiryu, então deve ser por que essa pessoa pode ter alguma relação comigo e... – a ficha caiu.
─Sou eu? – disse surpreso.
─Ah, droga, logo agora você acha de ficar esperto Hyoga. – disse Seiya irritado.
─Peraí, sou eu mesmo? – disse olhando desconfiado pra Seiya.
─É, é sim, o Shiryu gosta de você. – disse o sagitariano aborrecido.
─Go-gosta? Mas que droga, vou me jogar de um penhasco, será que passaram mel em mim? Que droga de mais tem em mim? – disse irritado também.
─Calma Hyoga, porque está dizendo isso? – disse Seiya estranhando.
─Ué. Você não sabe? Pensei que percebesse de tudo.- - disse o loiro irônico.
─O que?
─Ah, sei lá, não sei de nada também, primeiro Shun, depois o Ikki e agora o Shiryu... Deve ser um pesadelo. – disse frustrado.
─Ikki? – disse Seiya surpreso.
─Sim, por incrível que pareça.
─Sério? O que aconteceu entre vocês? – disse Seiya se debruçando na mesa curioso pra saber da fofoca.
─O Ikki me beijou. – disse sem jeito, mas de alguma forma sentia que podia conversar qualquer coisa com Seiya agora.
─Sério? Conte mais. – disse curioso.
─Seu curioso, essa parece uma atitude de vizinha fofoqueira, depois diz que não é fresco.
─Aff. Diz logo Hyoga. – disse Seiya aborrecido.
─Já disse, o Ikki me beijou.
─Só isso? Pensei que ele tinha te agarrado... Como aconteceu? Quando foi isso? O que você fez a respeito?
─Foi antes de ontem, ele me beijou de surpresa e eu dei um passa fora nele e não falei com ele até hoje. – disse o loiro.
─Vish, até o Ikki gamou, nele eu não tinha notado nada... Acho que alguém passou açúcar em você Hyoga. – disse Seiya rindo.
─Chega de gracinhas Seiya, lembre-se que isso te influencia também. – disse o loiro aborrecido.
─Ah, é mesmo, mas você não gosta mesmo do Shiryu não é mesmo?
─Claro que gosto, ele é meu amigo também, mas não gosto dele do mesmo jeito que você.
─Ainda bem, senão ia dar confusão aqui. – disse Seiya com ciúmes.
─Hunf. Não me interesso por ele dessa forma. Por mim o caminho está livre pra você. – disse o loiro.
─E o que você vai fazer agora? – disse Seiya.
─Estou disponível a sugestões. – disse o loiro com uma cara de obvio.
─Bom... me ajuda a ser como você que você fica livre do Shiryu. – disse Seiya sorrindo.
─Mas que ideia é essa? Estamos falando dos sentimentos dos nossos amigos Seiya. – disse repreendendo o sagitariano.
─Desculpe. – disse baixando a cabeça.
─E foi aquilo que eu te disse, não adianta tentar ser como eu, tem que ser você mesmo, se o Shiryu não gostar de você do seu jeito então ele não te merece, você não precisa mudar por ninguém Seiya, você já é bom do jeito que é, se dê mais valor.
─Acha mesmo Hyoga?
─Sim, pare de mendigar atenção que você não precisa disso, quando Shiryu perceber que você se valoriza mais quem sabe ele acabe gostando ainda mais de você... afinal, eu sempre notei que vocês dois sempre foram muito unidos, sempre estiveram em batalhas juntos, e o Shiryu sempre se preocupou muito com você, quem sabe o afeto dele por você seja mais do que fraternal e nem ele mesmo saiba.
─Gostaria muito de acreditar nisso. – disse Seiya triste.
Hyoga ficou olhando pro sagitariano triste, tudo aquilo era culpa dele, mesmo sem querer ele estava no caminho dos dois.
─Olha Seiya, mesmo que não dê certo você ainda tem muitas pessoas que te adoram, você mais do que ninguém merece ser feliz, afinal de todos nós o que mais sofreu nas batalhas foi você, no final a responsabilidade sempre pesava pro seu lado... Agora é sua vez de ser feliz também.
─Todos vocês sempre estiveram ao meu lado Hyoga, nunca fiz nada sozinho.
─Mas era sempre você quem nos motivava, que tinha a determinação de seguir em frente e isso nos influenciava também. Sempre foi você Seiya. – disse sorrindo pro sagitariano.
─Obrigado Hyoga. – disse com lagrimas caindo.
─Que nada amigo, você merece o melhor. – disse sorrindo. ─Ah, pare de drama, o que você disse mesmo sobre frescuras heim?
─rsrsrsrs. Esse é o antigo Hyoga que eu tanto gostava e podia brincar sempre. – disse sorrindo.
─Ainda estou aqui, eu não sumi, eu só... me distanciei um pouco. – disse suspirando.
─Então o que acha que eu devo fazer? Devo me declarar pra ele?
─Não seja tão precipitado, você disse que ele vive te repreendendo não é mesmo?
─Sim , mas eu procuro irritar ele pra ter atenção. – disse vermelho.
─Então você faz de propósito, talvez ele tenha a visão de você como alguém irresponsável e imaturo... Pare de querer chamar a atenção dele desse jeito, senão ele sempre vai te ver assim, como uma criança crescida, seja você mesmo, afinal eu sei que normalmente você é responsável, e depois dessa conversa vejo que você amadureceu muito também, se você mostrar que mudou ele vai notar, e pelo que você disse é mais ou menos isso que ele gosta em mim. Então você não precisa mudar em nada, só tem que ser você mesmo, e ainda é bem mais humorado e alegre, do contrario de mim.
─Tem razão, você é um carrancudo agora. – disse Seiya rindo.
─Mas olha... Eu tento animar a criatura e é isso que eu recebo em troca. – disse o loiro repreendendo, mas rindo também.
─rsrsrsrs. Tô só brincando... Mas agora é serio Hyoga, essa conversa está me ajudando muito. – disse sorrindo.
─Que bom, foi bom pra mim também, sinto que aliviei uma tensão e me livrei de um peso.
─Então você precisava desabafar né seu fresco. – disse Seiya rindo.
─Você também seu fresco. – disse o loiro.
Os dois riram, aquela conversa estava sendo esclarecedora e fazia bem aos dois, tinham descoberto novas pessoas entre eles mesmos, com se estivessem começando uma amizade agora e se conhecendo melhor.
─Ok, serei eu mesmo daqui por diante... Me deseje sorte. – disse Seiya cruzando os dedos.
─Boa sorte amigo, espero que dê tudo certo pra você. – disse o loiro sorrindo.
─Obrigado... Mas então, mudando de assunto, o que você vai fazer com relação aos Amamiya?
─Não sei ainda, ontem o Shun se declarou pra mim, mas eu não soube o que fazer e acabei magoando muito ele, agora ele não atende minhas ligações, e pra piorar a Eire me ligou bem na hora que eu falava com ele.
─A Eire? Imaginei que sim, a Minu me ligou pra pedir seu numero pra ela.
─Ah, então foi você. – disse o loiro irritado.
─Foi mal, não sabia que estavam tendo uma conversa tão importante assim. – disse o sagitariano.
─Ela me ligou num momento inoportuno e Shun achou de coloca-la na discursão também. – disse o loiro triste.
─Coitada, ela é uma boa moça, o problema é que ela é muito ciumenta. – comentou Seiya.
─Hum. Acho que você é o único que não tem antipatia por ela.
─Bom, eu cheguei a conversar mais com ela quando eu ia ao orfanato ajudar a Minu, eu fazia isso frequentemente, adoro aquelas crianças, mas aconteceu um rolo entre mim e a Minu e no final acabei me afastando de lá, mas nas conversas que tive com a Eire percebi que ela é uma ótima pessoa, ela vivia falando e você.
─É mesmo? Hum... Deixa pra lá. O problema é que o Shun saiu muito abatido, ele me disse adeus, acho que nunca mais ele vai querer me ver. – disse o loiro triste.
─Não seja tão dramático Hyoga, o Shun não se afastaria de nós por sua causa, além do mais o amor dele por você não vai sumir num passe de mágica, eu sei que vocês ainda vão se ver em breve... Mas me diz uma coisa, o que você sente por ele afinal de contas? É só amizade mesmo?
─Cla-claro Seiya, que pergunta. – disse o loiro vermelho.
─Hum, você está estranho, rolou alguma coisa entre vocês ontem? – perguntou desconfiado.
─Bom, ele me beijou. – disse com a pele da cor de um pimentão.
─E...
─E o quê?
─Devia parar de tentar ser imparcial, quando você fica envergonhado dá pra notar de cara, porque você fica da cor de um tomate. – disse Seiya.
─Tá bom, tá bom... o que aconteceu foi que eu correspondi.
─Vo-você correspondeu? E o que fez depois?
─Eu o rejeitei.
─Mas Hyoga, se não sentia nada por Shun então não devia ter correspondido, você sabe como o Shun é, isso deu falsas esperanças a ele, e depois você ainda o rejeita. Você é um insensível.
─Ah Seiya, eu não sei o que deu em mim, eu acho que... Bom, eu acho que eu gostei.
─Hã? Serio? – disse Seiya surpreso.
─Sim, mas não sei direito o que pensar, não consigo entender meus sentimentos, é uma confusão. – disse com as mãos no rosto.
─Então você deve entender primeiro o que sente antes de procura-lo.
─Mas é que eu estou preocupado com ele, tive um mal pressagio e pesadelos com ele, quero saber se ele está bem, mas ele não me atende. – disse o loiro preocupado.
─Quer que eu ligue pra ele então, pra saber como ele está?
─Seria ótimo. – disse o loiro sorrindo.
─Tá bom então. – pegou seu celular e ligou pra Shun, e não demorou muito o virginiano atendeu.
─Bom dia Seiya. – disse e o sagitariano pode observar mesmo por telefone que Shun parecia abatido.
Hyoga observava a conversa atentamente.
─Bom dia Shun, eu só liguei pra perguntar como você está.
─Estou bem Seiya, por que pergunta?
─Er... nada não, era só pra te desejar um bom dia mesmo. – disse com cara de tacho.
─Ah, obrigado, bom dia pra você também Seiya.
─Tem certeza que você está bem mesmo?
─Estou sim, por quê? Pareço doente?
─Não, fico feliz que esteja bem. Até mais.
─Até. Tchau amigo.
─Tchau.
Desligou e olhou pro aquariano.
─E então? – disse o loiro.
─Ele disse que está bem, mas percebi que ele parecia abatido, triste. – disse Seiya.
─E a culpa é minha. – disse suspirando.
─Não se preocupe tanto Hyoga, o Shun é forte, o que você tem que fazer agora é tentar entender o que sente antes de falar com ele.
─Tem razão. Vou deixa-lo só um pouco, sei que ele precisa de espaço e de um tempo pra pensar também, farei o mesmo, quando eu estiver pronto vou tentar falar com ele.
─Se precisar de ajuda pra falar com ele é só me procurar.
─Ok, obrigado.
─Mas e o Ikki? Como vai fazer com ele?
─Não sei ainda. Mas estou evitando ele por enquanto.
─Cuidado, com o Ikki é diferente, se ele quiser mesmo falar com você ele vai te perseguir até conseguir.
─É, eu sei, ele já me ligou várias vezes... é irônico Shun fazer isso comigo e eu estar fazendo isso com o irmão dele.
─Isso pode se complicar se você não tomar cuidado, pode acabar dando em briga entre os dois.
─Sei disso, mas ainda estou pensando no que fazer, não quero magoa-los ainda mais.
─Você tem que... – Seiya ia falar quando seu celular toca.
─Alô!
─Seiya, onde diabos você está? Estou aqui na sua porta batendo faz tempo. – disse Shiryu do outro lado da linha irritado.
─Shiryu? – disse surpreso.
─É sou eu mesmo, estou aqui te esperando pra irmos trabalhar, preciso muito de você hoje... Não me diga que ainda tá deitado? – disse batendo na porta de Seiya.
─Eu não tô em casa Shiryu, é que... eu resolvi vir pra empresa mais cedo. – mentiu, não podia dizer que estava com Hyoga senão o libriano viria com uma série de perguntas sobre isso.
─E porque não me avisou? Estou feito besta aqui na sua porta te esperando, seus vizinho tão pra jogar sapatos em mim. – disse irritado.
─Foi mal Shi... É que eu esqueci mesmo. – disse Seiya.
─Hunf. Esquece, tô indo pra empresa agora. Nos vemos daqui a pouco. – disse e desligou.
─Ele tá furioso comigo. – disse Seiya suspirando.
─Como você se esqueceu de avisar ele Seiya? Fez ele ir lá a toa... Ele tem toda razão de ficar chateado. – disse o loiro repreendendo.
─Ah, ele tá estressado faz dias mesmo, isso é só uma parte do 'caos Shiryu', apesar dele parecer sempre calmo o Shiryu tem seus momentos nervosinho. Mas com ele eu me entendo, aprendi a lidar com esse lado dele. – disse Seiya fazendo pouco caso.
─Parece que você o conhece muito bem. – comentou o loiro.
─Conheço mesmo.
─Porque será né. – disse o loiro irônico. ─Bom, já tá na hora mesmo, tenho que ir pra agencia de policia, tenho muito trabalho a fazer.
─Eu também... Bom, foi ótimo conversar com você Hyoga. E boa sorte com o Ikki e o Shun.
─Pra você também. – disse o loiro.
Pagaram a conta, despediram-se, Seiya ia a pé mesmo, estava praticamente em frente a empresa, quando Hyoga entrou no carro se lembrou de algo.
─SEIYA. – gritou antes do sagitariano sumir de vista.
Seiya ouviu e voltou a se aproximar.
─Que foi?
─É que eu me esqueci de te perguntar uma coisa.
─Fala.
─Er... Você está sempre no santuario não é mesmo?
─Sim, treino o Ariel lá toda tarde.
─Você notou algo diferente lá ultimamente?
─Diferente? Como assim?
─Bom... Algum tumulto... Como está a guarda lá?
─Olha, agora que você falou... Ultimamente o santuario está só protegido pelos soldados que ficam nas fronteiras e as doze casas pelos dourados, mas tenho visto poucos cavaleiros de prata circulando. Ontem mesmo falei com o Jabu e ele me disse que estava saindo em uma missão, achei estranho já que ele e o Nachi são encarregados do treinamento dos soldados do santuario.
─Missão? Ele te falou onde?
─Não lembro bem, parece que era no Oriente Médio, mas especificamente eu não sei.
─Hm. – ficou pensativo.
─Por quê? O que foi?
─Nada não... é apenas pra saber mesmo. – disse e o sagitariano ficou desconfiado olhando pra ele, então teve que completar:
─É que eu tô pensando em treinar Jacó lá, queria ver se tinha algum problema. – mentiu, não queria preocupar o amigo.
─Treinar ele lá? Pra quê? Ele é um futuro cavaleiro do gelo, tem que ficar na Sibéria mesmo.
─Quero treinar ele em áreas desfavoráveis também. – disse de imediato, será que soou convincente? – pensou.
─Hum, entendo. Mas acho que não tem problema não. Tenta falar com o Dohko que ele deixa.
─Preciso de permissão?
─Sim, embora a guarda pareça baixa lá, eles estão tendo muito cuidado com quem entra no santuario, principalmente cavaleiros.
─Hum...
─Mas tenta falar com o Dohko, ele deixa sim, mas é que você precisa da permissão pra quando passar pelos guardas na entrada do santuario, o problema é achar o Dohko desocupado, ele vive em reuniões com quem vem voltando de missões.
─Sério? Mas espera aí... Eles suspeitam de mim? – disse o loiro indignado.
─Não é isso, é que estão cautelosos com a guarda interna também.
─Guarda interna? ─Será que suspeitam de espiões no santuario? – pensou.
─Sim, agora porque eu não sei, mas é claro que eles sabem que você não é uma ameaça, deve ser só precaução mesmo, por causa da pouca força de combate.
─É... Deve ser. – isso esta ficando cada vez mais estranho. – pensou.
─Bom, agora eu preciso ir Hyoga, o Shiryu já deve tá chegando.
─Tá bom. Tchau.
Despediram-se de novo e seguiram seus caminhos separados.
...
Ikki estava perturbado e não conseguia se concentrar em nada além do aquariano, tentou ligar pra Hyoga várias vezes, mas o loiro não atendia, e era quase impossível acha-lo em casa, pois ficava o dia inteiro fora e só voltava à noite e pra trabalhar ainda, então preferiu não incomoda-lo nesse horário pra não piorar ainda mais sua situação.
Deixou vários recados no celular do aquariano, mas em nenhuma das vezes o loiro atendeu ou retornou, a última tinha sido até bem desesperada:
─Oi Hyoga, sou eu de novo, o Ikki, sinto muito pelo que houve, sei que devo ser a ultima pessoa que você quer ver, mas eu preciso muito mesmo falar com você pato, preciso me explicar... Olha você pode até não querer falar comigo, mas eu não vou parar de insistir... Quer saber, o que houve com todo aquele papo de amizade?... Ou vai me dizer que nunca beijou na vida? O mundo não acabou por causa disso droga, deixa de ser fresco, não acha que está sendo muito infantil?... Tá bom, desculpa, desculpa, não falo mais assim, mas, por favor, me retorne.
Hyoga ouviu cada recado do leonino sem exceção, passaram-se quase dois dias nesse impasse, mas fazer o quê se ainda não sabia o que falar com ele ou lidar com aquilo, procurou ignorar o máximo possível o leonino, ele ligava várias vezes, mas já estava ficando ridícula aquela situação, então resolveu ligar pro leonino de uma vez e esclarecer logo aquela historia. Ligou pra Ikki e mal esperou ele falar e foi logo dizendo:
─Me encontre às sete da noite no Excelsior Caffe em Nagatacho* para conversarmos. – disse simplesmente e desligou.
Ikki ouviu o loiro e como era bom ouvir a voz dele depois de dois dias que pareceram uma eternidade sem se verem, e ainda estava feliz pelo loiro ter decidido conversar, mesmo que aquela ligação dele tivesse sido um tanto impessoal.
Foi pra casa depois de treinar Teodoro e correu pra se arrumar a tempo e não chegar tão atrasado ao local de encontro.
Hyoga estava esperando Ikki há quinze minutos e já estava ficando impaciente com a demora, o Excelsior Caffe ficava em uma pequena praça bastante movimentada, escolheu uma mesa fora onde podia ver o leonino chegando, pediu um cappuccino e pegou sua pasta de trabalho pra reler alguns documentos dos casos que tinha pego ultimamente, fora que nos últimos dois dias estava trabalhando pra policia japonesa a noite também, pois os casos estavam se complicando mais ainda.
Cansaço era pouco pra descrever sua atual situação, ultimamente não estava se alimentando nem dormindo bem, mesmo Eire estando com ele agora, mas ela praticamente não tinha moral com ele, ela reclamava e reclamava, mas ele não dava ouvidos, não tinha cabeça pra aquilo.
Por isso resolveu ceder aos apelos de Ikki pra conversarem e acabar logo com aquilo, quem sabe depois disso pudesse ficar mais tranquilo, e pudesse trabalhar em paz, além do mais a conversa que teve com Seiya pela manhã lhe deu coragem pra conversar com Ikki.
Hyoga acabou se distraindo lendo alguns relatórios preparados por Naomi, por mais que custasse a admitir aquela garota o estava ajudando muito, e o caso em Chiyoda e em Shinjuku que ainda martelavam em sua cabeça, e mesmo os atentados frequentes ao imperador e aos ministros do Japão o preocupavam e por alguma razão ele achava que eles tinham alguma relação com os problemas do santuario, fora o caos de vários casos se acumulando em vários países, os EUA chegaram a ligar pra ele pedindo que retornasse, e mesmo sabendo que ele era necessário lá não podia simplesmente ir embora do Japão.
Depois de seis anos longe do Japão, o treinamento de Jacó e toda recepção que recebeu de seus amigos seria muita ingratidão ir embora tão repentinamente.
O lugar tinha muita movimentação, mas o aquariano conseguia se concentrar mesmo assim.
Ikki chegou atrasado, estacionou do outro lado da rua e viu logo de cara o loiro sentado em uma das mesas lendo alguma coisa, estava sério, ficou até com medo de ir até lá por causa do atraso. Tomou folego e coragem e se dirigiu pra onde o russo estava.
Assim que se aproximou o loiro percebeu, levantou a cabeça e o avistou.
─Ikki. – disse sério.
─Hyoga. – disse em expectativa.
Porém mal puderam se falar que do nada ouvem tiros próximos e de súbito as pessoas começaram a correr desesperadas.
...
