Capítulo 21: Problemas

Assim que se aproximou o loiro percebeu, levantou a cabeça e o avistou.

Ikki. – disse sério.

Hyoga. – disse em expectativa.

Porém mal puderam se falar que do nada ouvem tiros próximos e de súbito as pessoas começaram a correr desesperadas.

Eles rapidamente olham em volta e o loiro se abaixa e saca a arma e grita:

─ABAIXA. – disse pra Ikki.

Ikki se abaixa perto de Hyoga e o loiro derruba a mesa redonda na frente deles para proteção.

─Aumente seu cosmo por precaução Ikki. – disse Hyoga enquanto as pessoas continuavam correndo desesperadas.

─O que diabos é isso? – disse Ikki tentando entender o que acontecia.

─É mais um tiroteio. Fique aqui. – disse e levantou cautelosamente pra ver se conseguia ver de onde partiam os tiros.

─Porque o imbecil tá atirando tanto? – disse Ikki aumentando o cosmo assim como o loiro.

Hyoga não respondeu, levantou rapidamente viu um homem encapuzado no meio da praça atirando continuamente pra cima, olhou pra perto dele e viu outro homem caído no chão.

─É ele e fez outra vitima... Mas porque continua atirando pra cima? – perguntou mais pra si mesmo.

Havia pessoas escondidas, outras encolhidas nos cantos com medo.

Hyoga já ia atirar também, mas de repente o sujeito para os tiros olha em volta e sai correndo.

O loiro imediatamente se levanta pra ir atrás dele, mas Ikki o segura pelo braço.

─O que está fazendo pato? Ficou doido? Aonde você vai? – disse assustado com o loiro saindo daquele jeito.

─Me solta ele vai fugir. – disse irritado.

─Ele tá armado seu imbecil. – disse Ikki irritado também.

─Eu também estou armado idiota... e de qualquer forma eu também cumpro papel de policial não posso ficar aqui parado. – disse ainda tentando se soltar.

─Não, não vou deixa-lo ir. – disse autoritário.

─Mas que droga Ikki, me solta. – disse puxando o braço.

Usou seu cosmo e começou a congelar o ar em volta obrigando o leonino a solta-lo.

Correu pra perto do corpo e viu que o homem realmente estava morto. Ikki o seguiu também.

─Ele tá morto? – disse Ikki.

─Sim.

Hyoga pegou o rádio e contatou Naomi.

─Alex? – disse Naomi.

─Naomi, aconteceu mais um atentado na Praça de Chiyoda, mande viaturas pra cá agora, eu vi o assassino e vou atrás dele agora.

─Tome cuidado Alex, eu estou perto e já estou indo pra aí. – disse a moça e desligou.

─Fique aqui, eu vou atrás dele. – disse Hyoga indo, mas o leonino o segura de novo.

─Vai atrás dele sozinho? Ficou louco?

─Esqueceu que eu sou um cavaleiro, droga? – disse irritado.

─De qualquer forma você não pode usar seus poderes pra detê-lo, vai precisar de ajuda, então eu vou com você. – disse Ikki determinado.

O loiro pensou um pouco receoso. Suspirou e concordou.

─Ok, mas fique atento, tome isso. – disse tirando uma arma do outro suporte embaixo do paletó e entregou a Ikki. ─Sabe usar?

─Acho que sim.

─Ok. Use seu cosmo pra bloquear ao menos os tiros, mas seja discreto estamos no meio de civis, entendido?

─Sim.

─Então vamos.

E assim correram pelo caminho que o homem encapuzado tinha ido. Quanto mais cavaleiros melhor, além do mais o cosmo deles podia protegê-los.

Avistaram o homem indo pra umas ruas estreitas e conseguiram alcança-lo com uma velocidade razoável.

Continuaram o seguindo e o assassino corria em ziguezague pra tentar despista-los, correram por várias ruas até o sujeito entrar num beco.

Ikki foi por um lado e Hyoga por outro por ruas perpendiculares pra tentarem encurrala-lo no fim do beco, onde tinha um muro que levava até a ponta de outra rua perpendicular.

Ikki estava nervoso, pois apesar de poder usar o cosmo pra bloquear os tiros não podia fazê-lo na frente do assassino, pois aquele sujeito não podia vê-los usando seus cosmos, o ruim não era poder se defender, mas sim que outras pessoas pudessem vê-los usando seus poderes.

─PARADO. – disse o loiro pro assassino e empunhado a pistola.

Ikki fez o mesmo e parou em frente ao sujeito do outro lado do quarteirão.

O sujeito parou e viu que estava encurralado, olhou pra trás onde só tinha um muro, empunhou a arma e começou a atirar desesperado nos dois, os dois cavaleiros recuaram, Ikki escondeu-se atrás de uma coluna de um prédio e Hyoga atrás de uma lata de lixo de metal.

Os dois começaram a atirar também, mas por alguma razão as balas não atingiam o sujeito, quando ele parou de atirar os dois olharam de soslaio e viram que as balas dele tinham acabado e saíram pra encurrala-lo de novo.

─Parado! Você está preso. – disse o loiro se aproximando.

O assassino olhou para os dois e ficou sem reação, olhou pra trás de novo e depois para os dois, parecia receoso pro que ia fazer, suspirou e levantou a mão e de repente Ikki e Hyoga sentiram um cosmo vindo do sujeito aumentando e ele socando a parede e a despedaçando. Ficaram surpresos vendo o sujeito saindo pelo buraco que fez na parede somente com as mãos.

─Mas o quê? – disse Ikki surpreso, assim como Hyoga que estava pasmo com aquilo.

─Ele é um cavaleiro, por isso as balas não o atingiam, anda, vamos atrás dele. – disse o loiro e novamente correram atrás do sujeito.

Eles mal notaram que Naomi tinha chegado ao beco justamente na hora que o assassino quebrou a parede e ouviu Hyoga falar alguma coisa sobre cavaleiro, ficou chocada com aquela cena, mas ela não os seguiu e deu a volta no quarteirão pra junto de seu carro.

Hyoga e Ikki continuaram correndo atrás do sujeito, mas ainda sem usar seus poderes já que o sujeito também evitava usar o dele. Chegaram ao fim daquela rua estreita e viram uma van preta parar de repente em frente à calçada e abrindo a porta pro assassino entrar.

Saiu em alta velocidade, a rua que aquele beco dava era muito movimentada e não podiam seguir a van com a velocidade da luz pois as pessoas iriam notar, pois quando usavam essa velocidade causavam um imenso clarão e cortavam o ar, então não poderiam usar aquela habilidade naquela hora e lugar pois poderiam colocar quem estivesse por perto em perigo, fora que como eles iriam parar a van sem que ninguém notasse?

─MAS QUE DROGA. –disse o Ikki alterado.

─Meu carro está lá na praça não vai dar tempo de segui-los. – disse o loiro irritado também.

Baixaram o cosmo desistindo frustrados, mas quando menos esperavam Naomi aparece de repente em seu carro.

─Entra Alex. – gritou pro loiro.

─Vamos Ikki. – disse o loiro e entraram no carro. Naomi também foi à alta velocidade pra seguir a van preta.

─O assassino está naquela van preta certo? – disse Naomi.

─Sim, como chegou aqui tão rápido Naomi? – disse Hyoga.

─Eu os vi no beco, vi que iam parar nessa rua e voltei pra pegar meu carro. – disse dirigindo feito louca desviando de outros carros.

─Cadê a sirene? – disse o loiro.

─Porta luvas. – disse Naomi.

Hyoga pegou a sirene, ligou e colocou em cima do carro pra mostrar que era a policia e pras pessoas abrirem caminho.

─Presta atenção que eles tão virando. – disse Ikki no banco de trás.

A van preta virou pra uma grande avenida bastante movimentada e Naomi continuou os seguindo.

─Chamou outras viaturas Naomi? – disse o loiro.

─Sim, estão a caminho... O que são eles afinal de contas? – disse Naomi.

─O quê? – disse o loiro ainda olhando pra estrada onde a van batia em alguns carros de proposito pra atrapalha-los.

─Eu vi aquele homem quebrar aquela parede com as mãos e vocês sequer ficaram chocados. – disse Naomi olhando rapidamente para os dois.

Ikki e Hyoga se olharam sem saber como explicar.

─Esquece isso por enquanto Naomi. – disse o loiro.

─Esquece nada, me diz logo o que tá acontecendo Alex. – disse irritada.

─Alex? – disse Ikki olhando pros dois nos bancos da frente.

─Você não deve se envolver nisso Naomi. – disse o loiro ignorando Ikki.

─Acho que é tarde demais pra isso Alex, se prestar mais atenção vai ver que estamos em uma perseguição e sou eu que estou guiando aqui, eu quero explicações. – disse irônica desviando dos carros que a van batia de proposito pra fechar o caminho.

─PRESTA ATENÇÃO. – disse Ikki quando Naomi bate no lado de um dos carros que estava parado no meio do caminho por causa dos acidentes.

─Já vi, já vi... E quem é esse escandaloso Alex? – disse Naomi olhando pelo retrovisor pra Ikki.

─Como assim escandaloso? – disse Ikki irritado.

─Ele é meu amigo, e preste atenção na rua Naomi. – disse Hyoga irritado e carregando a arma com outro cartucho.

─Olha pra onde você tá indo garota, comprou sua carteira por acaso? – disse Ikki irritado.

─Alex manda seu amigo calar a boca. – disse Naomi irritada também.

─Como é que é? – disse Ikki irritado.

─Calem a boca os dois, e já mandei prestar atenção na estrada Naomi. – disse o loiro e começou a atirar nos pneus da van, mas de nada adiantava.

─Mas que droga de pneus são esses Alex? – disse Naomi irritada.

─São blindados. – disse o loiro.

─Porque essa doida fica te chamando de Alex, Hyoga? – disse Ikki.

─Eu o chamo como eu bem entender seu idiota. – disse Naomi irritada virando-se rapidamente pra Ikki.

─Eu vou botar fogo nessa garota Hyoga. – disse Ikki mais alterado ainda.

Hyoga ignorou os dois e atirou mais uma vez, mas de nada adiantava, parou antes que macucasse alguém.

Essa perseguição continuou por bastante tempo em várias ruas e em ziguezague até a van virar de novo e acabou entrando numa rua que levava pra ponte Rainbown Bridge. Agora estavam em uma grande via com vários carros.

Quando menos esperam o assassino começa a atirar neles também.

─ABAIXEM. – o loiro gritou e todos abaixaram, fazendo Naomi quase perder o controle do carro, mas conseguiu dirigir espiando a estrada rapidamente.

O assassino conseguiu atirar no vidro do carro de Naomi que quebrou e jogou estilhaços. Parou os tiros de repente e o loiro volta a atirar neles.

─Assim não dá... Temos que partir pra uma ofensiva maior. – disse Ikki.

─E o que você sugere gênio? – disse Naomi sarcástica.

─Acho que eu consigo derreter os pneus deles Hyoga. – disse Ikki ignorando Naomi.

─Derreter? – disse Naomi confusa.

─Ikki. – disse o loiro em tom de aviso pro leonino não falar demais por estarem na presença de Naomi.

─Ela já viu mesmo qual o problema? – disse Ikki irritado olhando pra garota.

─Do que vocês tão falando aí heim? – disse Naomi confusa.

Hyoga suspirou, não adiantava mesmo esconder mais nada dela.

─Não é uma boa ideia Ikki, tem muitos civis aqui, pode acabar machucando alguém. – disse o loiro.

─Então congela a estrada pra eles derraparem. – disse Ikki.

─Congelar? Do que vocês estão falando? Respondam. – disse Naomi de novo.

─Não posso fazer isso, isso faria os outros carros derraparem também e poderia causar em engavetamento. – disse o loiro ignorando a garota.

─Então o que faremos? Não podemos continuar assim. – disse Ikki.

─Já sei, vou emparelhar e você atira Alex. – disse Naomi acelerando e alcançando a van.

─Não Naomi, assim vamos ficar vulneráveis. – disse o loiro de repente, mas já era tarde e ela emparelhou e o assassino já mirava pela janela do motorista para o carro de Naomi ao lado e começa a atirar de novo neles e atravessando a lataria do carro.

Hyoga começou a atirar também no assassino que imediatamente adentrou o tronco de volta pro carro de novo, mas ele levantou os vidros rapidamente que também eram a prova de balas.

Naomi percebe a besteira que fez e volta pra trás da van.

─дерьмо. – disse o loiro alterado xingando em russo e encostando-se ao banco e fechando os olhos numa expressão sofrida.

─O que foi Alex? – disse Naomi.

O loiro nada disse, levou sua mão no lado direito do abdômen e pressionou.

─O que você tem Hyoga? – disse Ikki preocupado.

─Vocês estão bem? – disse o loiro finalmente.

─Sim. – disse Naomi olhando preocupada pro loiro.

─Eu também, mas o que houve com você? – disse Ikki.

─O desgraçado me acertou. – disse tirando a mão e mostrando um ferimento de bala e o sangue já saia abundantemente.

─чертов. – disse o aquariano irritado e se inclinou de novo e começou a atirar no vidro da van, mas de nada adiantava, parou de repente e se encostou no banco de novo com dor.

─Calma Hyoga... E olha o que você fez sua doida. – disse Ikki olhando irritado pra Naomi ─ E porque você tá com o cosmo baixo Hyoga, seu idiota? – disse Ikki irritado com o loiro também e preocupado ao mesmo tempo.

─Baixei àquela hora no beco, e você também tá com o cosmo baixo seu imbecil. – disse o loiro irritado também.

─Ah, é mesmo. – disse e aumentou o cosmo de repente.

─Do que vocês estão falando? O que é cosmo? – disse Naomi confusa.

─Presta atenção na rua garota. – disse Ikki vendo Naomi quase batendo em outro carro de novo.

─Ai, não grita comigo seu idiota. – disse Naomi emburrada.

─Aff. Você vai ficar bem Hyoga? – disse Ikki.

─Vou. – disse e começou a aumentar o cosmo e congelar o ferimento sem se importar se Naomi pudesse ver.

Mal começou a congelar e o assassino começa a atirar de novo neles, mas eles novamente se abaixam.

─Esse desgraçado não vai parar de atirar, temos que fazer alguma coisa. – disse Ikki levantando de novo quando Naomi saca sua arma também e começa a atirar na van.

─Mas o quê? Que diabos você tá fazendo aí Alex? – disse Naomi parando de atirar e olhando assustada pro loiro congelando o ferimento.

O loiro ignorou e continuou congelando o ferimento superficialmente apenas pra parar a hemorragia.

─Ficou doido Hyoga? Você pode prejudicar mais ainda seu ferimento se congela-lo. – disse Ikki.

─Calem a boca droga, vocês estão me desconcentrando. – disse o loiro irritado.

Congelou o ferimento e suspirou com dor.

─Mas que merda, merda. – disse Hyoga irritado e aumentando o cosmo de novo em volta.

─Calma Hyoga. – disse Ikki nunca tinha visto Hyoga irritado daquele jeito.

─Calma nada, isso tá doendo pra caramba. – disse irritado e ainda aumentando o cosmo.

─Por que ficou frio de repente? – disse Naomi.

─O que você tá fazendo Hyoga? – disse Ikki.

─Vou acabar logo com isso. – disse o loiro e se ergueu mais no banco concentrando energia nas mãos e jogando de repente nos pneus da van, congelando os pneus e fazendo aparecer uma densa camada de gelo neles e fazendo a van derrapar e capotar na frente deles de repente e deslizando até parar no meio da ponte.

Naomi freou de bruscamente antes de bater no carro capotado.

─Mas o que foi que aconteceu? – disse Naomi chocada.

─Avisa primeiro antes de fazer uma loucura dessas, droga... – disse Ikki olhando irritado pro aquariano. ─E se era pra fazer isso eu podia ter feito também pato idiota.

─Cala boca. Você poria fogo na estrada e acabaria prejudicando os outros carros. – disse o loiro ignorando Ikki e abrindo a porta com a arma em punho.

─Hunf. O que vai fazer agora? – disse Ikki saindo como o loiro.

Naomi saiu também e esperou o sinal do loiro, engoliu o seco nervosa, era a primeira vez que aquilo acontecia com ela, fora que estava assustada com tudo aquilo de estranho que ela estava vendo.

─Vamos esperar, se eles são mesmo cavaleiros, então isso não deve ter sido nada pra eles. – disse com a porta do carro aberta a sua frente caso precisasse de proteção, respirava pesadamente por causa da dor.

Nem tinham mais carros próximos, os da frente já tinham ido embora acelerados e os de trás recuavam por causa do tiroteio que presenciaram.

Eles esperavam os dois saírem do carro capotado e não demorou muito eles veem a porta do assassino sendo atirada pra longe e ele saindo de lá sem nenhuma lesão a uma velocidade impressionante e largando o motorista na van, eles começaram a atirar imediatamente mas do nada viram o sujeito se jogando da ponte rapidamente.

─Mas que droga foi isso? – disse Naomi chocada.

Os três correram pra beirada da ponte e não viram mais o homem.

─O cosmo dele sumiu. – disse Ikki.

─Pra onde ele foi? – disse Naomi.

Ikki e Hyoga se entreolharam, não havia duvidas que aquele sujeito tinha força e velocidade de um cavaleiro.

─Não é possível segui-lo agora que o cosmo dele desapareceu. – disse o loiro.

─O que faremos agora? – disse Ikki.

─Ao que parece ele não se preocupou em usar suas habilidades na nossa frente, e ele nos viu usando as nossas também, temos que ficar em alerta agora, talvez tenham mais cavaleiros assim dispersos, mas por hora não podemos fazer mais nada. – disse o loiro.

Naomi volta pra van capotada e vê como o motorista está. Entra um pouco na van e vê que ele estava desmaiado e ferido no volante do carro.

Hyoga vai pra perto da van de novo junto com Ikki que descongela os pneus com uma chama acesa em suas mãos antes que alguém mais visse aquilo.

Naomi olhava pra aquilo pasma.

─Mas o que é isso? Vocês definitivamente não são humanos normais. – disse Naomi.

─Esquece isso por enquanto Naomi. E como ele está? – disse o loiro.

─Desmaiado, mas vai sobreviver. – disse Naomi.

─Ótimo. Agora ligue pras viaturas virem pra cá. – disse o loiro se retirando.

─Aonde você vai? – disse Naomi preocupada.

─Não posso ficar aqui, não com esse ferimento assim. – disse se apoiando no carro de Naomi com dor.

─Você tem que ir pra um hospital. – disse a garota.

─É mesmo? E como vou explicar esse ferimento congelado? – disse irritado e sarcástico.

─Descongela então. – disse Ikki se aproximando dele.

─Não posso, senão a hemorragia volta.

─Então cura isso logo, eu vi você curando o Shun daquela vez. – disse Ikki.

─Já falei que não dá, tenho que tirar a bala primeiro, droga. – disse irritado.

─A culpa é dessa garota doida. – disse Ikki olhando pra Naomi que ouvia aquela conversa sem entender nada.

─Culpa minha? Como ousa falar assim comigo seu idiota? – disse Naomi se aproximando de Ikki irritada.

Os dois ficaram se encarando irritados um com o outro.

─Hyoga eu vou incendiar essa garota, tô só avisando. – Ikki disse levantando a mão em com só um estalar de dedos podia colocar fogo no que quisesse.

─Tá pensando que eu tenho medo desse tipo de aberração seu idiota? E você vai deixar ele falar assim comigo Alex? – disse Naomi olhando pro loiro.

─QUIETOS DROGA. – disse o loiro impaciente com os dois.

Os dois calaram-se de imediato.

─Olha Naomi, diz pros policiais que eu continuei seguindo o assassino e você ficou pra cuidar desse outro, eu vou cuidar desse ferimento agora. – disse o loiro aumentando o cosmo planejando sair dali pelo menos na velocidade do som, já que assim poucas pessoas notariam.

─Mas como vou explicar tudo isso? – disse Naomi olhando em volta.

─Sei lá, inventa. – disse o loiro já impaciente.

─Hospital primeiro Hyoga. – disse Ikki.

─Já falei que não. – disse irritado.

─Pra onde você vai então? – disse Ikki.

─Pra casa. – disse congelando o ferimento que já começava a descongelar.

─Eu vou com você. – disse Ikki.

─Certo, certo, vou precisar de ajuda mesmo. – disse o loiro.

─Mas e eu? – disse Naomi.

─Eu ligo pra você assim que eu puder Naomi, acho que você pode cuidar de tudo por enquanto não é?

─Acho que sim, mas promete que você vai ligar mesmo Alex? – disse preocupada, afinal foi por causa dela que o loiro estava ferido.

─Tá, tá. Vamos Ikki. – disse o loiro.

Antes de sumirem de vista Naomi chama de novo.

─Alex.

─O quê?

─Vou querer explicações de tudo isso depois viu. – disse autoritária.

O loiro já com uma dor insuportável a olhou sério por um tempo.

─Ok. – disse e se retirou com Ikki.

Assim que saíram várias viaturas chegaram e o rádio de Naomi toca.

...

Ikki foi pra casa do loiro junto com ele, cruzaram a cidade sem serem notados, quando chegou o loiro abriu a porta rapidamente e sentou-se no sofá.

─Mas que droga. – disse irritado, não podia ir a um hospital, não com aquele ferimento congelado, estava com uma dor imensa.

─Nunca pensei que levar um tiro doía tanto assim, parece a mesma dor de levar uma agulhar escarlate do Millo. Acho que eu tô mole mesmo. – resmungou em meio a dor.

─Quem mandou você congelar isso? Agora não pode ir a um hospital. E você tá muito mole mesmo heim, eu me lembro que você já passou por coisas piores. – disse Ikki aborrecido.

─Mas em todas essas vezes o meu cosmo estava alto e amenizava as dores, mas dessa vez não. E eu não posso descongelar isso ainda, senão a hemorragia volta, além do mais os paramédicos vão se perguntar como eu fiquei por tanto tempo com essa hemorragia e não perdi tanto sangue, e nós já chamamos atenção demais por hoje, provavelmente vamos receber uma bela duma chamada do santuario. – disse com a voz fraca.

─Mas como vai fazer então? Não pode ficar com o sangue congelado assim. – disse Ikki preocupado.

─Tem que tirar a bala primeiro, pra que eu possa curar depois. – disse tentando olhar o ferimento em seu abdômen.

─TIRAR? – disse surpreso.

─Sim, preciso que você faça isso por mim Ikki... Por que acha que eu quis que você viesse junto? – disse agonizando.

─Mas... Não... eu não posso, é melhor leva-lo a um hospital. – disse temeroso.

─E dizer o que? Que eu fui atingido faz quase uma hora e não morri de hemorragia? Daqui a pouco vai aparecer nas revistas medicas o incrível caso do ferimento congelado e relacionar com aquela van que estranhamente derrapou e capotou numa via limpa, não seja tão idiota. – disse irritado.

─Você parece mais doce ainda quando está sentindo dor. – disse Ikki aborrecido também.

─Vai logo pegar uma faca pra tirar isso, não posso curar com essa coisa dentro de mim, você não tem ideia do quanto essa droga tá doendo, vai enquanto eu tô consciente pra poder curar. Vai rápido Ikki, por favor. – disse irritado e se contorcendo.

─Tá bom, tá bom, mas se você pensa que não vai doer ainda mais tá muito enganado. – disse Ikki resmungando.

Ikki foi pegar uma faca fina, uma bacia de agua e um pano pra limpar o ferimento, voltou pra perto do loiro.

─Esteriliza isso aí. – avisou o loiro abrindo os olhos devagar.

─Eu sei, eu sei, mas tira essa camisa e deita aí primeiro. – disse e concentrou seu cosmo de fogo na mão e queimou a ponta da faca pra esterilizar.

Hyoga tirou o paletó e o suspensório pra arma com uma expressão sofrida e deitou colocando a camisa de sangue embaixo de si.

─Pronto? – disse Ikki.

─Espera eu descongelar agora. – disse Hyoga e colocou uma das mãos no ferimento todo sujo de sangue.

Suspirou e começou a concentrar o cosmo na outra mão, estava tenso, teria que ser rápido, que assim que descongelasse a hemorragia voltaria.

─Espera, espera. – disse Ikki de repente.

─O que foi? – disse o loiro irritado.

─Tem certeza que não vai ficar inconsciente depois que eu tirar a bala? Tem certeza que vai poder curar? Não quero que você desmaie aí com essa hemorragia.

─Claro que eu tenho, já senti dores piores, agora deixa de papo e fica quieto pra eu concentrar o cosmo. – disse irritado.

─Tá bom, esquece. – disse engolindo o seco, era horrível ver Hyoga sentindo dor daquele jeito e não poder fazer nada.

O loiro respirou fundo e começou a concentrar o cosmo de novo na mão pra poder curar depois que Ikki tirasse a bala, já o ferimento descongelaria devagar com ele esquentando seu próprio corpo aos poucos.

─Espera. – disse Ikki de novo.

─O que é agora droga? – disse olhando irritado pro leonino.

─Oh simpatia. – disse aborrecido. ─Quero saber onde tem um kit de primeiros socorros por aqui.

─Tem um na cozinha em cima da geladeira. – disse o loiro se contorcendo de dor.

Ikki procurou e trouxe o kit de primeiros socorros antes do loiro descongelar o ferimento e voltou pra perto dele. Viu a agua misturada com sangue do ferimento do loiro descongelando em cima do paletó aos poucos, enquanto ele tentava concentrar uma bolha de uma agua diferente na mão direita.

Assim que o ferimento descongelou por completo o sangue voltou a sair abundantemente.

─Agora Ikki. – disse Hyoga.

Ikki rapidamente pegou a faca e adentrou o ferimento a procura da bala dentro do loiro.

─Ah droga, isso tá muito feio. – disse Ikki.

Hyoga tentava ao máximo reprimir seus gemidos de dor.

─Ahh. An-anda logo Ikki. – disse sofrendo.

─Tá difícil o ferimento é profundo. – disse mexendo a faca dentro do ferimento e tentando segurar o loiro ao mesmo tempo.

─Rápido. – gritou de dor.

Ikki finalmente acha a bala e a tira rapidamente e joga na bacia.

─Pronto Hyoga.

Hyoga suava muito e respirava ofegante, colocou a mão esquerda no ferimento que não parava de sangrar e começou a curar, mas estava bem lento, pois ele já estava muito fraco, e a dor o estava fazendo perder os sentidos aos poucos.

Ikki olhava apreensivo pra ele.

O loiro conseguiu conter a hemorragia, mas não conseguiu cicatrizar o ferimento, não aguentou mais de dor e desmaiou.

─Hyoga, Hyoga. – gritou Ikki antes de ver o loiro perder os sentidos de vez.

Ikki limpou todo o ferimento e colocou uma atadura em volta da cintura do loiro pra que não voltasse a sangrar, embora o loiro já tivesse contido a hemorragia. Limpou o rosto do loiro, que estava suado e parecia cansado e abatido, o deixou lá adormecido e foi limpar aquela bagunça, se alguém chegasse naquela hora iria pensar que alguém morreu ali.

Estava na pia da cozinha lavando o pano que limpou o ferimento do loiro e a camisa dele quando ouviu o telefone residencial do loiro tocando na sala.

Foi pra lá e o loiro nem se mexeu, realmente estava desmaiado. Supôs que pudesse ser aquela detetive irritante, mas pensou melhor e avaliou que ela normalmente iria ligar pro celular do loiro ao invés do residencial, e não achava certo atender o telefone dos outros, então deixou tocar até a pessoa desistir.

Oi Hyoga, não está em casa mesmo? Eu vou demorar no trabalho e vou chegar um pouco mais tarde, não liguei pro seu celular porque não sei se ainda está trabalhando e eu não quero atrapalha-lo... Bom trabalho pra você meu amor. Tchau. – disse Eire como recado na secretaria eletrônica.

Ikki estranhou aquela ligação, e ficou pensando de onde conhecia aquela voz. Foi ai que se lembrou, era aquela garota do orfanato, Eire, aparentemente ela já tinha voltado sabe-se lá de onde e agora estava morando com o loiro. Olhou irritado pro aquariano no sofá chateado com aquilo e não podia negar que estava com ciúmes.

Terminou a limpeza e sentou-se na poltrona e ficou olhando pro loiro, respirou fundo e encostou-se ao sofá, fechou os olhos cansado, sequer chegou a conversar com o loiro sobre aquele beijo, e do nada tudo aquilo aconteceu, ficou pensando em como aquele homem que perseguiram podia ter poderes de cavaleiro, percebeu ainda que ele tinha um cosmo bastante familiar.

─Quem será ele? – ficou pensativo.

Suspirou, olhou pro loiro de novo, ferido e desmaiado, balançou a cabeça em desaprovação, era um teimoso mesmo, preferiu passar por tudo aquilo a ir pra um hospital, mas pensando bem e até que o russo tinha razão, se ele fosse poderia chamar muita atenção e eles já tinham causado muito alvoroço pra um dia só.

Olhou em volta, não tinha prestado tanta atenção na casa do loiro quando foi visita-lo, olhou pro canto da sala na parte mais escura e avistou um móvel estranho, ficou curioso e foi lá ver.

─Um piano? – olhou surpreso acendendo o abajur de pé alto perto de um piano preto de cauda num canto isolado na sala.

Passou a mão pelas teclas e sentou no banco acolchoado e ficou ali parado olhando pra folha aberta com partituras no apoio do piano, sorriu, entendia um pouco de musica e lembrava que aquela era a melodia preferia do loiro, olhou pro sofá que estava com o aquariano deitado lá, mas não dava pra ver, pois estava virado pra ele, olhou de novo pro piano lembrando.

Flashback

Era tarde da noite, não conseguia dormir, estava inquieto com a última noticia.

─Como assim aquele pato idiota vai embora amanhã? Ele poderia estudar em qualquer universidade do Japão, mas não, ele quis ir pra longe, longe de todos, longe de mim... Tá certo que eu vivo atormentando ele, mas isso não é motivo pra se afastar de mim... O que vou fazer aqui sem ele? Não terei mais motivos pra ficar aqui, nem mesmo Shun poderia me prender em um lugar que ele não estivesse.

Levantei-me, não ia mesmo conseguir dormir desse jeito, então resolvi fazer uma caminhada pela mansão pra ver se o sono vinha... Continuei pensando naquele pato idiota, droga... Foi quando ouvi aquela melodia.

O som era baixo, a mansão da Saori é terminantemente um exagero, logo tudo ficava muito distante... Acho que o dono da melodia que tocava foi pra mais longe dos dormitórios pra não incomodar ninguém, mas eu já tinha me interessado por quem seria que tocava algo tão melodioso e melancólico, era triste, mas não deixava de ser lindo.

Acho que é em algum lugar perto da sala de estar, acertei. Aproximei-me da sala iluminada apenas pela claridade da lua, as janelas eram grandes, por isso era possível ver tudo na sala claramente, foi aí que vi o vulto de alguém, tocava um piano no canto da grande sala, e parecia totalmente imerso na musica. E que surpresa... Parecia perseguição, o dono dos meus pensamentos no momento estava agora na minha frente totalmente distraído com seu ato que mal percebeu minha entrada no local.

Foi aí que percebi que aquela sala parecia mais fria do que o restante da mansão, porque ele tinha que esfriar todo lugar por onde passava? Mesmo com a neve caindo lá fora o idiota ainda estava com calor, e eu aqui todo encapotado e ainda com o maior frio... Deve ser por isso que ele estava acordado, não conseguia dormir por causa disso.

Hyoga... Estava mais lindo do que de costume, como o desgraçado podia parecer cada dia mais lindo?

Usava uma calça moletom folgada e branca, estava de meias e uma camiseta azul clara. Seus cabelos loiros estavam bagunçados, sinal de que tinha levantado da cama há pouco tempo, estava de olhos fechados e tocava inconsciente de que eu estava lá, tinha um semblante sereno.

O luar refletia em sua pele clara e o fazia parecer um tanto fantasmagórico, mas ainda assim lindo, lhe dava um ar de mistério.

A melodia era muito triste, não conhecia o autor dela, talvez tenha sido ele próprio, parecia feita propriamente pra ele, onde foi que esse pinguim aprendeu a tocar tão bem? Alias nem sabia que ele tocava.

Nem sei por quanto tempo fiquei ali o admirando.

E nem percebi que estava me aproximando tanto, minhas pernas simplesmente se mexiam, parecia que esse pato era alguma espécie de imã que me puxava pra perto, e foi assim que os meus planos de permanecer oculto foram por agua a baixo.

Ele percebeu minha presença e parou de tocar de imediato, droga, porque parou? Eu estava admirando a paisagem, parecia um lindo quadro que emitia som... Eu sei, é ridículo, mas ainda assim não queria que parasse.

Ele me notou, mas não dirigiu o olhar pra mim. Permanecia de olhos fechados com as mãos apoiadas nas teclas do piano. Eu fiquei inerte, o que poderia dizer-lhe? Que estava o espionando?

─O que você quer Ikki?

Ele direcionou sua atenção pra mim e eu pude ver seus lindos olhos azuis claros, fiquei sem reação de imediato, como um simples olhar desse garoto pode me afetar tanto? Mas peraí... O que aconteceu com o 'frango'? Normalmente ele me trata assim, mas quando me chama pelo nome é porque não está pra conversa. Acho que interrompi um momento só dele, de reflexão, agora percebi que ele tinha um tom de voz um pouco irritado.

─Você estava fazendo barulho. O que queria? Dá pra ouvir essa barulheira do meu quarto. Devia aprender a tocar melhor ou parar de tocar de vez.

Menti, mas o que eu poderia dizer? Não podia dizer que estava o admirando há tempos, além do mais, atormentar a vida desse loiro é a única maneira de me manter perto dele.

─Desculpe... – ele olhou pra mãos pousadas nas teclas, parecia triste.

Tá bom, ele estava estranho, ceder as minhas provocações não era próprio dele, normalmente ele me responde de forma fria e sarcástica. Arrependi-me do que eu disse e tentei me corrigir, admito que não queria vê-lo triste.

─Bom. Er... Eu só estava brincando seu idiota... Alias não sabia que tocava. Onde aprendeu?

Ele me olhou surpreso, e não o recrimino, eu não sou de falar tão amigavelmente assim, ainda mais com ele, sempre estávamos em pé de guerra e dificilmente tínhamos uma conversa civilizada, como a que eu estava iniciando agora.

─Aprendi com minha mãe.

─Ela tocava? – dã, claro que ela tocava Ikki seu idiota.

─Sim.

─Essa melodia, foi você que compôs?

─Não, foi ela. – disse olhando pra próprias mãos.

Seus olhos marejaram quando falou da mãe, aparentemente a morte dela ainda o afetava muito. Ele virou o rosto pro outro lado quando falou isso, provavelmente não queria parecer um fraco, ainda mais diante de mim que não perco a oportunidade de aborrecê-lo.

Além do mais ele estava lindo daquele jeito, parecia muito fofo. Quê? Mas que droga Ikki, seu viado, para de perder a cabeça assim, ele não sente absolutamente nada por você.

Mas ele realmente estava fofo, olhava pras mão de novo, parecia mais triste ainda.

Apesar de ter passado por duras batalhas e ter amadurecido bastante ele ainda era um garoto, um garoto de 14 anos que amadureceu precocemente, mas não deixava de ser um garoto, assim como todos nós. Ele queria parecer forte, e eu o entendo, pois também me comporto assim, principalmente porque tenho que me manter firme para ser apoio do meu irmão.

─É uma musica muito bonita. – falei... Porque eu disse isso? Droga.

─Obrigado. – esboçou um leve e lindo sorriso, mas sem olhar pra mim.

Fiquei em silencio por um tempo e ele também, nenhum de nós era muito de conversa mesmo.

─É sério essa historia de ir embora? – perguntei meio receoso.

─Sim.

─Só sabe falar sim ou não? Parece um robô. – disse me irritando.

Ele olhou pra mim impassível como sempre.

─E o que quer que eu diga Ikki? – disse com aquela voz fria dele.

Mas que droga, não consigo pensar direito com ele olhando desse jeito pra mim.

─Porque vai embora pra tão longe? – disse de repente desviando o olhar do dele.

─É preciso. – disse e olhou pra próprias mãos de novo.

─Como assim é preciso? Eu não entendo, por que vai embora? Por que vai se afastar de nós? – disse um pouco alterado.

─Me afastar de vocês? Você se preocupa se eu vou embora Ikki? – ele disse me olhando de novo.

─E-eu, não, eu só... só estou perguntando, só isso. – disse envergonhado.

─Então porque pergunta?

─Já falei, tô só perguntando seu idiota. – disse irritado e envergonhado.

O loiro suspirou e levantou.

─Aonde você vai? – disse irritado.

─Pra cama.

─Por quê?

─Porque você está me aborrecendo. – disse simplesmente.

─Ora seu... Vai então, não ligo. – disse irritado virando de costas e cruzando os braços.

─Você queria minha companhia Ikki? – o loiro percebe e ainda parado pergunta.

─Não seu idiota, porque eu iria querer a companhia de alguém tão irritante quanto você? -disse irritado.

─O que você tem? – disse com a voz calmíssima.

─Porque eu teria alguma coisa seu imbecil?

─Você está estranho e vermelho.

─Não tenho nada pato idiota.

─Porque você gosta tanto de me ofender? – ele perguntou colocando as mãos nos bolsos ainda tranquilo.

─Eu digo o que eu quero e quando quero seu pato idiota. – eu disse mais vermelho ainda.

O loiro suspirou e foi saindo.

Droga, porque eu sempre sou assim com ele, sou mesmo muito grosseiro e infantil por agir assim.

─Espera... Desculpa. – disse sem olha-lo.

─O quê?

─Eu pedi desculpas.

─Isso eu ouvi... Quero saber por quê.

─Mas que droga, porque você sempre tem que ter uma explicação pra tudo?

─Não sei... Sou assim mesmo... Isso te aborrece?

─Sim, poderia simplesmente ignorar o que eu digo e não ir pra longe de mim? Quer dizer... Bom, er... – me enrolei de novo.

─Não ir pra longe? Fala de eu não ir embora agora ou não viajar?

─Os dois imbecil, quero você sempre por perto. – disse extremamente vermelho.

─Hã?

─Tá bom pato você venceu, quer que eu diga não é mesmo? Eu vou sentir sua falta pato, muita falta. – disse ainda de costas.

─Vai sentir minha falta? – disse o loiro surpreso.

─E-eu... sim, eu vou. – disse baixando a cabeça.

─Porque está me dizendo isso agora?

─Não sei, eu só... – suspirou. ─Só não quero que você vá. – disse triste olhando pra neve pela janela caindo lá fora.

─Quer conversar?

─Não... Não quero conversar, não quero falar nada... Eu só quero sua companhia, só isso... Entende? – disse isso e me virei pra observa-lo.

Ele sorriu e voltou a sentar e sequer me olhou de novo.

Começou a tocar, uma melodia diferente, triste, mas muito linda, e seguiu pra outra e mais outra, sempre o mesmo tom calmo, típico dele, suave e tão belo quanto podia ser.

Ele era pálido como a neve, calmo, de aparência angelical, lindo. Aquela imagem ficou presa em minha mente desde então, e como poderia esquecer aquele quadro lindo que emitia som? Não sei como, mas me apaixonei ainda mais por ele, só com aquele gesto, e quem não se apaixonaria? Ele é perfeito, Shun tinha mesmo razão, ele era um anjo, um anjo de gelo.

Nunca mais saiu da minha cabeça que ele estava tocado pra mim, só pra mim.

Ficamos boa parte da noite ali, sem dizer nada, eu o ouvia tocar e vez ou outra eu o olhava tão lindo de olhos fechados e outras vezes mirando a neve que caia lá fora.

Quando o cansaço o venceu ele simplesmente levantou e me mirou sentado perto da porta de vidro fechada, eu o olhei também, ficamos assim por um tempo, eu nunca soube o que aquele olhar dele queria dizer, ele sorriu e enfim se despediu.

─Boa noite Ikki. – disse sorrindo e se retirou.

Meu peito doeu ao vê-lo ir embora, no dia seguinte ele iria partir pra longe de todos nós, pra longe de mim, ele sumiu de vista e eu não consegui segurar as lagrimas, baixei a cabeça e me encolhi ali, não pelo frio, mas pela tristeza, alguma coisa me dizia que seria a ultima vez que eu o veria, queria correr até ele, abraça-lo, pedir que ficasse, mas não pude fazer isso, por quê? Porque eu sou um covarde.

Eu o amo, amo tanto, nem sabia que gostava tanto assim daquele garoto. Lembrei-me de Shun, percebi que ele estava há dias melancólico e sem comer direito, desde que Hyoga disse que iria embora, e até o entendo, ele o ama também, e eu nunca poderia competir com meu irmão, nunca poderia ter aquele aquariano pra mim, Shun sempre vem primeiro, e eu vejo que meu irmão sofre, tenho que consola-lo amanha quando Hyoga finalmente sair de nossas vidas.

Mas eu também tenho meus sentimentos ora, também sinto dor, também sinto amor, também estou triste. Não quero perde-lo, mas não posso fazer nada pra evitar.

Acho que não vou ter coragem de dizer-lhe adeus amanhã, se agora um "boa noite" me dói tanto, imagine um "adeus" amanhã.

E foi o que aconteceu, no dia seguinte não consegui dizer adeus a ele, todos foram pro aeroporto despedir-se, até mesmo Shun, mas eu não consegui, acho que realmente o Shun é mais forte do que eu, então eu fui pra bem longe, longe de todos, pra poder sofrer em paz, sem ter que explicar o porquê disso.

Fui pra tão longe quanto podia, nem lembro mais onde fui parar, só sei que era um lugar inóspito, longe de tudo e todos, e gritei, gritei a plenos pulmões que o amava em meio a lagrimas, que queria tê-lo em meus braços, mas ele não estava ali pra ouvir.

Perdi Esmeralda, e agora estou perdendo Hyoga, mas que droga, eu nunca terei ninguém, não mereço, pois sou fraco, nunca teria coragem pra me declarar já sabendo que eu serei rejeitado, pois Hyoga nunca me notaria, e nem teria porque notar, de todos o único que sempre o destrata sou eu, então ele deve pensar que eu o odeio. Mas é o contrario, eu o amo, amo muito, só não sei demostrar.

Quando cansei, parei pra pensar melhor, talvez fosse minha ultima chance de vê-lo, de me despedir, me arrependi amargamente de ter ido pra tão longe, então corri de volta, quem sabe eu ainda pudesse vê-lo uma ultima vez.

Quando cheguei era tarde demais, ele já tinha partido. Subi pra ver como meu irmão estava, minha surpresa foi vê-lo jogado no chão do banheiro vomitando, estava bêbado e abatido, ele sofria, e muito. Fui ampara-lo, ele precisava mais de ajuda do que eu, o acolhi em meus braços entendendo sua dor, afinal eu também a sentia, ele ficou boa parte da noite chorando, e em alguns momentos eu chorei com ele, silencioso, abatido também.

Agora não tínhamos mais Hyoga, foi como se ele tivesse morrido e nunca mais pudéssemos vê-lo. Eu sentia um vazio imenso dentro de mim, mas eu tinha meu irmão e ele a mim, então me convenci que enquanto tivéssemos um ao outro ainda poderíamos seguir em frente.

Nunca imaginei que aquele seria só o começo de tanto sofrimento.

Fim do Flashback

Ikki ficou um bom tempo ali só olhando pras teclas do piano.

Depois de um tempo voltou pra perto do loiro, percebeu que a respiração dele estava mais calma e regular, e a expressão dele estava mais tranquila, apesar do cosmo dele ainda estar fraco.

─Idiota, não tem ideia do quanto nos fez sofrer. – disse olhando pro russo.

Observou o corpo dele, aquela pele clara, o corpo esbelto, não muito musculoso, mas parecia um tanto mais magro, estava se alimentando mal com certeza, mesmo depois da bronca que deu nele.

Aproximou-se mais. Passou a mão por aquele peito, pelo abdômen definido, sentindo as divisões, o loiro tinha a pele fria mesmo estando com calor, era tão branco, tão suave, macio.

Sequer tinham conversado direito, tudo tinha acontecido tão rápido, e agora tinha o loiro ferido ali, consequência do trabalho perigoso dele, mas estava feliz que nada de pior tivesse acontecido aquele dia, não sabia o que faria se alguma coisa mais grave acontecesse com aquele rapaz russo.

Hyoga parecia dormir tranquilamente, chegou mais perto do rosto dele pra sentir o cheiro natural do loiro, aqueles lábios pequenos e rosados pareciam convidativos, lembrou-se que quando beijou o loiro pode sentir o quanto eles eram doces e macios, mas foi quando o loiro se exaltou e o expulsou, porém não se arrependia de tê-lo beijado, finalmente pode sentir o gosto de Hyoga, mas o pior de tudo foi à rejeição.

E agora Hyoga estava ali, inconsciente e ferido, fraco e indefeso, e tão próximo, se aproximou mais, segurou a nuca do loiro e o ergueu levemente, e finalmente tocou seus lábios nos dele, agora o loiro não podia sentir nada então ele aproveitou pra tomar aquela boca sem nenhum ressentimento, aqueles lábios eram gelados, mas ainda assim era bom de sentir.

Ficou ali beijando o loiro sem se importar com o tempo até sentir que Hyoga ficou com a respiração ofegante, mas não estava acordando, ainda estava todo mole, separou-se dele e viu que aquele beijo o estava sufocando, e o loiro só não tinha despertado ainda porque estava desmaiado e não dormindo.

Ficou um tempo observando o russo que mesmo desacordado ainda estava ofegante, até aos poucos conseguir regularizar a respiração.

Ele era lindo, começou a tocar o corpo dele de novo, pensou no que Shun faria se o visse ali tocando seu tão amado cisne, provavelmente daria briga, mas não pensaria nisso agora, tinha o loiro em seus braços e iria aproveitar a oportunidade, quem sabe quando teria uma chance daquelas de novo.

Desceu as mãos até o cós da calça do loiro, foi abrindo o cinto dele bem devagar, ainda tinha o distintivo ali, o tirou e livrou o russo do cinto de uma vez.

Aproximou-se do peito dele pra sentir o cheiro daquela pele enquanto suas mãos ainda acariciavam aquele corpo, beijou a pele dele várias vezes. Voltou pra calça dele e foi abrindo o botão e o zíper lentamente, quem sabe conseguisse toca-lo enquanto o russo não acordava.

Abriu as calças do russo e viu que ele usava uma boxer branca, acariciou a cintura dele e ia adentrar sua mão quando sente o corpo do russo se mexer e as mãos geladas do loiro segura-lo de repente.

Ficou assustado e olhou pra cima para avistar o rosto do aquariano e o viu com os olhos abertos e o olhava com uma expressão irritada.

─O que pensa que está fazendo? – disse Hyoga com a voz fria de sempre.

─E-er, bom... – rapidamente parou o que estava fazendo e se afastou.

Hyoga começou a tentar levantar o tronco mesmo com a dor que sentia.

Suspirou assim que conseguiu se colocar sentado, colocou a mão na cabeça como quem acorda de ressaca.

Ikki não sabia nem o que dizer.

─Pato... Eu só... Só estava... er... – ser pego numa situação constrangedora daquelas e ainda por cima receber aquele olhar censurado do loiro era horrível, fazer o que se já estava mais do que obvio o que ele ia fazer.

─Me tocando. – disse simplesmente e ignorando o constrangimento de Ikki, colocou a mão no ferimento pra verificar como estava.

─É que você... Você estava aí, então eu... Não sei, eu só... Só estava. – gaguejava não conseguia pensar em nenhuma desculpa convincente.

─Nunca mais me toque assim entendeu. – disse com a voz autoritária.

─De-desculpe. – disse Ikki todo vermelho.

─Há quanto tempo estou desacordado? – perguntou colocando a mão na cabeça e olhando em volta tentando lembrar-se do que tinha acontecido.

─Mais ou menos uma hora. – disse Ikki ainda vermelho.

─Hm. – olhou pro ferimento e começou a tentar desenrolar a atadura da cintura. Ikki viu e instintivamente foi tentar ajuda-lo.

─O que eu acabei de falar? – disse Hyoga irritado.

─Só quero ajudar.

─Como fazia agora a pouco?

─Aquilo foi só...

─Esquece Ikki, não quero falar sobre nada disse agora. – disse suspirando e fechando a calça.

─Deixa eu te ajudar droga, aquilo foi só uma fraqueza, nunca aconteceu com você na vida? – disse irritado e envergonhado.

─Não. – disse simplesmente.

─Pra que eu fui perguntar né? Você é um santinho por acaso? – disse sarcástico.

─O que você pensaria se eu estivesse te molestando e você acordasse bem na hora? – disse displicentemente deixando o leonino mais vermelho ainda.

─Eu iria gostar. – confessou todo vermelho e virando o rosto.

─rsrsrs. Só pode ser brincadeira mesmo. – disse o loiro pensando em como aquelas coisas só aconteciam com ele, e fazendo o leonino olhar pra ele.

Será que ele ficou louco agora? – pensou Ikki.

─Do que ri? – disse irritado.

─Nada, nada... Me ajude aqui então. – disse voltando a tentar tirar a atadura.

─O que? – disse surpreso.

─Pedi que me ajudasse. – repetiu.

─Mas... Você disse que...

─Estou lhe dando permissão pra me tocar agora Ikki, me ajude, sei que não vai abusar de mim agora que estou acordado né, e eu não consigo fazer isso sozinho. – disse sério agora.

─Hunf... O que deu em você? – disse desconfiado.

─Nada... Eu só... Só estou cansado. – disse suspirando. ─Chega de drama por hoje, falaremos sobre isso depois, bem depois, por favor. – disse com a voz calmíssima.

─Hum... Tá bom então. – disse ainda estranhando aquilo e ajudou o loiro a tirar a atadura.

Hyoga ainda estava fraco, viu o ferimento já descoberto e suspirou. Tentou concentrar o cosmo na mão e novo, mas falhava e a energia desaparecia de repente.

─Não vou conseguir curar isso agora. – disse por fim.

─Você está fraco. Tem que descansar primeiro. – disse Ikki preocupado olhando pro ferimento do loiro.

Hyoga olhou pra Ikki e sorriu.

─Se preocupa mesmo comigo não é mesmo? – disse sorrindo.

─Hã? – voltou a ficar vermelho.

─Sei que sim. – disse Hyoga ainda sorrindo.

Ikki olhou sério pro loiro por um tempo.

─Convencido. – disse por fim fazendo Hyoga rir.

─Sou mesmo, tenho que admitir.

─Vai descansar?

─Vou. – disse e pegou a atadura pra voltar a enrolar em sua cintura.

─Eu faço isso. – disse Ikki e pegou a atadura das mãos de Hyoga e voltou a enrolar na cintura dele, aproveitando o contato com o loiro.

Continuava vermelho, envergonhado e apreensivo com a presença de Hyoga, e podia dizer ainda feliz, como era possível sentir tantas coisas na presença daquele rapaz.

Terminou e o loiro voltou a deitar. Olhou pra Ikki que continuava a olhar pro seu corpo.

─Você queria continuar com aquilo não é mesmo? – disse rindo.

─Aquilo o quê? – disse vermelho.

─Me tocando.

─Vo-você fala demais pato. – disse irritando-se por aquele aquariano falar tão livremente daquelas coisas constrangedoras.

─rsrsrsrsrs. Sou tão atraente assim? – disse rindo.

─Cala boca. – disse Ikki vermelho virando o rosto.

Hyoga riu mais ainda, olhou pro teto. Ficaram em silencio por um tempo.

─Aconteceu muita coisa hoje... Temos que comunicar ao santuario o mais rápido possível o que aconteceu conosco. –disse o loiro ainda olhando pra cima.

Ikki voltou a olhar pra ele. Não sabia descrever a expressão do loiro, ele estava ferido, com dor, com problemas pessoais e no trabalho, e ainda por cima sorria como se nada estivesse acontecendo.

─Tem ideia de quem eram eles? – perguntou.

─Tenho umas teorias. Mas ainda é cedo pra falar qualquer coisa. Tenho que ver ainda o que Atena e o mestre do santuario sabem... Mas posso garantir que vou pegar aqueles desgraçados pra me pagarem por essa dor gratuita que eu estou sentindo. – disse sério e voltou a olhar pro leonino que imediatamente desviou o olhar.

─Vai ficar evitando me olhar agora? – disse o loiro simplesmente.

─Dá pra você parar de falar assim? Tá estranho isso. – disse envergonhado.

─Mais estranho ainda do que você querendo me masturbar enquanto eu estou inconsciente? – disse rindo.

─Aff, cala boca pato. – disse irritado e vermelho.

─Aposto que você me beijou também enquanto eu estava desacordado não é mesmo? – disse calmamente.

─Mas que droga, já não mandei você calar a boca? – disse irritando-se mais ainda.

─Quem deveria surtar aqui não seria eu? – disse calmamente.

─Hunf. – disse levantando-se e virando de costas.

─Ok, vamos falar logo sobre isso Ikki... O que significou aquele beijo outro dia e o que você sente por mim? – disse sério agora.

─Hã?

─Sente algo mais que desejo por mim?

Ikki ficou calado olhando pra Hyoga que parecia a calmaria em pessoa.

─Sinto. – disse sério.

─O que?

─Faz diferença pra você?

─Certamente.

─E se eu dissesse que estou apaixonado por você? – disse apenas pra ver o que o loiro diria.

Agora foi Hyoga que ficou calado sério olhando pra Ikki.

─Então eu lhe diria que temos um problema muito sério aqui. – disse voltando a olhar pro teto.

─Por quê? – perguntou, mas já sabia a resposta, o problema daquilo tinha nome: Shun.

─Você sabe... Ele é seu irmão. – disse o loiro.

─Você já sabe? – disse surpreso.

─Sim... Shun se declarou pra mim ontem, mas eu o rejeitei e ele disse que não quer mais falar comigo. – disse triste.

─Hum. Ele finalmente se declarou. Por isso ele estava tão abatido ontem. – disse Ikki pensativo.

─Você sabia mesmo? – disse Hyoga.

─É claro, você mesmo disse: ele é meu irmão.

─Como pode me tocar mesmo sabendo o que seu irmão sente por mim? – disse o loiro intrigado.

─O quê? – disse vermelho.

─Eu fiquei pensando nisso... Você me beijou lá na Sibéria, mesmo sabendo o que Shun sentia... O que aconteceria se Shun soubesse disso? O que você diria a ele? – disse olhando o leonino.

─Não sei... – disse triste. ─Aquele foi um momento de fraqueza.

─Fraqueza? Está mesmo apaixonado por mim? – disse surpreso.

─Não. É só atração física mesmo. – mentiu, não queria encher a cabeça de Hyoga com mais problemas. ─E isso não interessa... Agora você tem que se preocupar é com o Shun. – disse mais triste ainda, mas seu irmão sempre vinha primeiro.

─Hm. Está falando a verdade? – disse desconfiado.

─É claro que sim, acha que todo mundo tem que te amar pato? O que eu sinto por você é só atração, só isso. – disse de imediato e com uma dor imensa no peito, amava aquele russo, amava muito, mas Shun já tinha se declarado e nunca poderia ficar no caminho dele e do russo.

─Desculpe insistir, mas é que isso ficou martelando na minha cabeça durante esses dias, então eu tinha que esclarecer logo isso, e por isso aceitei logo falar com você. – explicou.

─É imagino, você ficou todo nervoso quando eu te beijei. – disse Ikki lembrando-se.

─E o que queria que eu pensasse? Você nunca foi amigável comigo... Nunca sequer deu uma demonstração de carinho, acabei ficando perturbado com aquilo, foi muito estranho. – disse o loiro.

─ Sinto muito... Sou péssimo pra essas coisas. Mas é só atração mesmo.

─Hm. Assim do nada? – estava desconfiado.

─Do nada não... eu, bom eu... eu te observo a muito tempo, te acho atraente desde muito tempo. – disse tentando soar convincente, mas é claro que não era só atração física, amava-o, não era só o corpo dele que queria, era seu sorriso, seu carinho, seu amor, mas nunca admitiria aquilo.

─Hum... Isso é esquisito. – disse sincero.

─Pense o que quiser... Mas o Shun... – disse suspirando triste. ─O Shun te ama Hyoga... Mesmo que eu sinta alguma coisa por você eu nunca ficaria no caminho dele, o Shun vem primeiro, sempre veio. – disse triste.

─Mesmo que você sinta? Como assim?

─Ah não é nada pato, você interpreta tudo errado. – disse corrigindo logo, aquele aquariano percebia rápido as coisas que ficavam subentendidas.

─Hum. Sei. – disse ainda desconfiado ─Mas eu te entendo, o Shun sempre foi mais frágil... Você sempre foi um bom irmão pra ele, quer protege-lo... Mas eu lamento, eu não posso corresponder aos sentimentos dele.

─Por quê?

─Vou acabar machucando ele, e isso é a ultima coisa que eu quero.

─Fala de seus problemas pessoais ou seu trabalho perigoso?

─Meu trabalho? Não seja ridículo, meu trabalho nunca seria um perigo pro Shun, ele é um cavaleiro ora, sabe se defender sozinho. Sou eu que não sirvo pra ele.

─Então... Você não sente nada por ele mesmo? – disse Ikki.

Hyoga desviou o olhar e permaneceu calado.

Ikki ficou o olhando, parecia confuso, será que...

─Pensei que você era hetero. – disse Ikki sarcástico.

─E sou. – disse querendo convencer a si mesmo.

─Não é o que parece.

─Cala boca frango. – disse vermelho.

─rsrsrs. Consegui te tirar a calma, deve ser meu dia de sorte.

─Sorte? Hoje?

─Tirando as ultimas horas é claro.

─Hm. Desculpe ter te envolvido em tudo isso.

─Tudo bem.

─E obrigado Ikki... Por ter cuidado de mim, por ter me ajudado... Por tudo. – disse vermelho, mas sorrindo aliviado depois de Ikki ter dito que era somente atração física que sentia por ele e nada mais que isso, seria mais fácil lidar com a situação agora.

─De nada. – disse sorrindo.

Ficaram em silencio de novo.

─Tenho que ligar pra Naomi. – disse o loiro lembrando.

─Mas você nem se recuperou ainda.

─Isso não interessa... Tenho que dar satisfações, Naomi deve tá toda enrolada tentando explicar o que aconteceu, tenho que ajuda-la. – disse levantando de repente e sentindo dor na mesma hora, parou antes de abrir o ferimento de novo.

─Tá vendo só... Fica quieto que você não está em condições de andar desse jeito. – disse Ikki.

─Mas...

─Droga Hyoga, porque você tem sempre que ser tão teimoso?

─Não sou teimoso.

─E ainda por cima teima que não é teimoso... Aff. Fica aí que eu pego o telefone pra você. – disse se levantando e pegando o celular do loiro que ficou no paletó.

Pegou o aparelho e entregou pro aquariano.

─Obrigado. – disse e ligou pra Naomi.

─ALEX? – disse ela já toda alvoroçada.

─Sim sou eu Naomi, o Alexei... Está sozinha?

─Sim. Como você está? Foi a um hospital?

─Não, mas já estou um pouco melhor, não se preocupe.

─Então vem pra cá agora que aconteceu muita coisa... Alex, o imperador está morto. – disse ela nervosa.

─O quê? – disse surpreso.

─Parece que aquele tiroteio era mesmo uma distração pra policia assim como você suspeitava, e apesar da guarda no palácio imperial estar reforçada houve outro atentado e o tiroteio em Chiyoda foi apenas uma distração, aquele homem que perseguimos só estava nos distraindo enquanto outro atirador assassinou o imperador, acredito que tenha sido um atirador de elite já que o disparo foi feito por um dos prédios próximos do palácio.

─Mas que droga. – disse frustrado. ─E o motorista da van?

─Ele está ferido, mas estão interrogando ele mesmo assim, mas ele fica falando coisas estranhas sobre cavaleiros, santuario, mortos, revolução, deuses, não dá pra entender nada, ele parece um louco.

─Hm. Entendo.

─Você tem que aparecer logo, eu disse pros outros policiais que você continuou perseguindo aquele sujeito estranho que fugiu e que você esqueceu seu radio e telefone comigo e eles estão seguindo uma trilha falsa que eu dei... Além do mais estão me pressionando pra explicar como fizemos pra aquela van capotar se ela era toda a prova de balas e como tem um tiro no banco do passageiro do meu carro que varou e que mesmo assim nenhum de nós esteja ferido, fora aquela porta da van arrancada a força... e eu sequer mencionei aquele seu amigo esquisito que cria fogo pelas mãos. – disse preocupada.

─Você não disse nada a eles certo?

─Claro que não, eles sequer iriam acreditar... Como vou dizer que aquele cara quebrou aquela parede e a porta da van do nada e que você congelou um ferimento com as mãos e fez aquela van capotar congelando os pneus dela, vão achar que eu fiquei louca.

─Não se preocupe Naomi, você fez bem em não dizer nada... Quando eu chegar aí irei explicar tudo.

─Tudo?

─Do meu jeito claro.

─Ah bom, mas eu quero as reais explicações viu Alex, quero saber o que foram aquelas coisas estranhas.

─Eu sei, eu sei... e você terá suas respostas Naomi, mas seja paciente.

─Mas tem que ser rápido a mídia já caiu em cima, a morte do imperador já virou noticia internacional, está um caos aqui, e meu pai está louco da vida querendo falar com você.

─É imaginei que sim... Ikki ligue a televisão. – disse o loiro olhando pro leonino.

Ikki levanta e liga a televisão e eles veem que a morte do imperador já era noticia em todos os noticiários.

"─Morte do Imperador do Japão.

Imperador é morto em ataque terrorista.

Onda de desespero no Japão por causa da morte do tão renomado chefe de estado, o Imperador.

Japão em alerta: Morte do imperador pode ser consequência da onda de conflitos com China e Rússia.

Primeiro ministro de relações exteriores da China relata não saber nada sobre o ocorrido e nega que o país tenha algum envolvimento com o atentado terrorista que causou a morte do chefe de estado do Japão.

Rússia reforça a segurança do país como meio de conter a represália por causa de falsas suposições sobre o envolvimento do governo no recente ataque terrorista no Japão.

Primeiro ministro do Japão não dá nenhum parecer sobre a morte do imperador e causa insatisfação da população.

Ataques terroristas chegam a uma das maiores potencias mundiais, o Japão."

─É... Parece que a mídia andou ocupada. – disse o loiro assistindo alguns dos canais que Ikki passava, a noticia realmente tinha se espalhado rapidamente.

─Já envolveram até a China e a Rússia nisso. – comentou Ikki.

─Meu pai tentou ligar pra todas as emissoras que ele pode, mas foi inevitável a noticia vazar e agora já até virou noticia internacional com várias especulações ridículas que podem acabar piorando ainda mais as coisas. – disse Naomi.

─Bem vi. – disse o loiro.

─E então Alex, em quanto tempo você chega?

─Daqui à uma hora.

─UMA HORA? Ficou louco? Como vou segurar os ânimos aqui todo esse tempo?

─Eu ainda estou ferido, vou demorar mais ou menos esse tempo pra me recuperar completamente.

─Sério mesmo?

─Sim... Confio em você pra aliviar as coisas por enquanto.

─Vai ficar me devendo essa.

─Tá bom... Até logo Naomi. – disse e desligou.

─E então? – disse Ikki.

─Ela está contendo os ânimos por enquanto. – disse o loiro suspirando.

─E agora?- disse Ikki.

─Não sei mais de nada... – disse suspirando. ─Aquilo tudo que passamos foi apenas uma distração pro ataque ao palácio imperial que fica nas proximidades daquele café que estávamos... Eu supus que era isso mesmo já que os outros tiroteios sempre eram em pontos com alguma sedo de governo e até comentei isso com Naomi, mas tudo aconteceu tão rápido que eu nem me lembrei disso naquela hora, e a policia está um caos a minha espera pra explicar o que houve, Naomi está fazendo o que pode pra conter os ânimos, e o motorista da van é uma pessoa normal, mas ao que parece ele sabe demais e está sendo interrogado agora, mas pelo que Naomi me disse tudo indica que aquele sujeito que perseguimos realmente era um cavaleiro... Tenho que ir até lá antes que o aquele cara fale demais e acabe revelando a existência dos cavaleiros.

─Hum. Pato... Você prestou atenção quando aquele sujeito aumentou o cosmo pra quebrar aquela parede? – disse pensativo.

─Sim, parecia o cosmo mórbido dos espectros de Hades quando lutamos no santuario contra os cavaleiros revividos.

─Sim, parecia um cosmo sombrio, mas mesmo assim era familiar, só não me lembro ainda de onde.

─Percebi isso também... Definitivamente está acontecendo alguma coisa no santuario. – disse o loiro.

─No santuario?

─Não exatamente no santuario, mas a criminalidade tem aumentado consideravelmente no mundo inteiro e ao que parece o santuario está mobilizado pra resolver esses problemas.

─É sério? – disse Ikki surpreso.

─Sim, não devia te contar Ikki, mas as circunstancias pedem... Camus me disse que o santuario está mandando continuamente cavaleiros e soldados em missões pelo mundo todo, mas não se sabe ainda o que está acontecendo realmente. E ainda por cima nós cinco e os cavaleiros de ouro estamos sendo privados de informações.

─Hum, agora que você falou o Shun me disse outro dia que recebeu um mensageiro do santuario na ilha de Andrômeda sob ordens do mestre do Dohko e de Atena pra reforçar o treinamento dos soldados, e ele estava preocupado, pois seus pupilos estavam sendo tirados precocemente dele sem o treinamento concluído, e nem sequer uma explicação razoável eles deram, disseram que eram apenas ordens que tinham que ser cumpridas sem mais perguntas. – disse Ikki.

─O Shun está sendo pressionado e nem sabe por quê. – disse pensativo.

─E o próprio santuario está sem cavaleiros de prata. Marin foi mandada hoje também. – disse Ikki.

─Falou com ela? – disse Hyoga.

─Não, o Aioria me disse que era em missão e nem ele sabia onde... E enquanto eu treinava Theodoro eu a vi saindo com a armadura de águia também. – disse Ikki.

─Com a armadura? Será que as missões estão se tornando tão perigosas assim? – disse Hyoga.

─Acredito que sim, mas se o perigo é maior então porque nós cinco e os dourados estamos sendo excluídos já que somos os cavaleiros mais fortes e qualificados do santuario? – disse Ikki.

─Camus disse que Atena não quer nos envolver em mais problemas de novo, disse que era pra vivermos nossas vidas em paz. – disse Hyoga.

─De novo isso? Ela sabe que isso não dá certo, se o Seiya suspeitar de algo, que eu acho difícil pra aquele cavalo burro, ele vai entrar de cara querendo saber o que está acontecendo. – disse Ikki.

─Não fala assim do Seiya Ikki. – disse o loiro aborrecido. ─Além do mais eu concordo com eles, temos que nos manter afastados disso.

─Está falando sério? – disse Ikki.

─É claro que não, me refiro apenas ao Shun e ao Seiya, eles são os últimos que devemos preocupar. – disse Hyoga.

─E o Shiryu? – disse Ikki.

─O Shiryu é mais esperto, e ele também vive no santuario, provavelmente já deve ter percebido alguma coisa também e só deve tá calado por enquanto, se ele ainda é sensato como eu me lembro então ele ainda não disse nada ao Seiya pra não preocupa-lo, então eu só vou falar com Shiryu se realmente for necessário, mas quero livra-lo de preocupações também. – disse Hyoga.

─Se as coisas se complicarem teremos que intervir. – disse Ikki.

─Já pensei nisso também e estou fazendo minhas próprias investigações. – disse o loiro.

─Hum, e o que descobriu por enquanto?

─Revi alguns dos meus casos antigos que não pude solucionar e vi que a maioria ficou sem solução por causa de fenômenos estranhos, eu cogitei a possibilidade de terem a intervenção de cavaleiros na época, mas essa ideia soava muito ridícula na ocasião, então eu apenas arquivei os casos, porém eu revi as datas e algumas batem com o inicio de guerras civis, governos em crise, fenômenos da natureza extremos, entre outros, e de alguma forma os cavaleiros mesmo os mais fracos tem poder de causar tudo isso... Não estou dizendo que a culpa é realmente de cavaleiros, mas tudo leva a isso... Recuso-me a acreditar que o santuario esteja envolvido, ou que cavaleiros rebeldes de lá estejam fazendo isso, fora que se fosse realmente isso eles dariam conta de resolver sozinhos, mas se não são cavaleiros de Atena então quem são?

─O cosmo mórbido daquele cara... Será que...

─Hades?

─Sim.

─Impossível, ele está banido por mais 273 anos, ele não tem poder pra reviver cavaleiros mortos agora.

─Mas ele é o único que poderia estar fazendo isso.

─Pense bem Ikki, se realmente fosse ele então como ele teria voltado se o corpo dele foi destruído e o corpo de Shun já não é mais receptáculo dele? E mesmo que pudesse voltar ele não atacaria dessa forma, ele viria com tudo pra cima de nós e traria o caos de uma só vez pro mundo dos humanos.

─Tem razão... Então será que é outro deus do olimpo?

─Talvez, mas seria a mesma coisa, eles nunca atacaram assim lentamente, e a criminalidade tem aumentado parcialmente através dos anos, de forma cautelosa, como que pra ninguém perceber... E Atena conseguiu a guarda permanente da terra depois que derrotamos Artêmis e Apolo. E tem mais, se realmente fosse outro deus desajuizado nós não seriamos excluídos e seriamos os primeiros a saber pela Saori, pois é como você disse, somos os cavaleiros mais fortes do santuario e nossa ajuda seria crucial na batalha.

─Realmente... Então eu não consigo pensar em mais nada. – disse suspirando.

─Eu ainda tenho algumas teorias, mas eu teria que conversar com o mestre Dohko antes e principalmente com a Saori, mas ao que parece estamos sendo excluídos mesmo, já que eu fui ao santuario hoje à tarde pra conversar com eles e me enrolaram até eu desistir, Saori realmente estava ocupada em reuniões e não pode me atender.

─Mas ela sempre tem tempo pra nós, por mais que ela esteja ocupada.

─Foi o que eu pensei, mas a Saori é esperta, ela sabe que eu tenho meus meios de investigação e ela quer me manter afastado por enquanto, pois sabe que eu irei fazer muitas perguntas, então eu levei numa boa, afinal eu não queria que ela percebesse o que eu sei também, já basta os assuntos que ela tem que se preocupar.

─E como vai ser então? Temos que relatar o que houve hoje pro santuario.

─Eu sei, irei lá de novo amanhã, mas como você pode ver o meu trabalho também está se complicando, estou sobrecarregado e a policia americana também está me pressionando pra voltar.

─Voltar? – disse Ikki surpreso.

─Sim, a criminalidade lá aumentou uns 40% rapidamente. E o superintendente de lá me ligou hoje e já está convocando a Interpol pra me obrigar a voltar mesmo contra minha vontade.

─Não tem nem uma semana que você chegou... Eles podem fazer isso? – disse preocupado.

─Sim... Querendo ou não eu sou um agente e estou ligado a policia internacional e eles podem me deslocar pra onde eles acharem que sou mais necessário, já deu o maior trabalho pra fazer eles me liberarem e me transferirem pro Japão.

─Não sabia que tinha dado tanto trabalho assim.

─Mas deu, e muito, me arrependo até hoje de ter saído do anonimato... Fora que estão ocorrendo atentados lá também, e soube que até mesmo o presidente dos EUA está sob vigilância frequente e reforçada.

─Eles são uma grande potencia, se alguma coisa acontecer com o presidente deles é possível que isso dê inicio a uma grande guerra... E agora o imperador do Japão foi só o primeiro. – disse pensando melhor e surpreso com sua própria descoberta.

─E isso não é tudo, tenho recebido casos de secretários e ministros de defesa de vários países que estão sendo mortos de formas estranhas. E você viu pelo noticiário o que o medo pode fazer, vários países estão em alerta agora e a tensão tem acumulado cada vez mais, e é como você disse: se isso tudo piorar pode acabar em um grande conflito ou até mesmo uma guerra. – disse o loiro.

─Isso é terrível.

─Percebeu agora como as coisas estão desandando aos poucos?

─Sim. Mas e a policia japonesa?

─Acredito que o comissário da policia japonesa, o pai de Naomi, já deve estar a par disso, por isso ele quer falar comigo tão urgentemente. Provavelmente ele quer me segurar aqui também, ainda mais agora com a morte do imperador as coisas vão complicar mais ainda... E é por isso que eu acho que Atena não quer falar comigo também, afinal de todos nós o que primeiro perceberia todo esse alvoroço seria eu já que meu trabalho é inteiramente ligado ao que está acontecendo, e provavelmente ela me quer longe pra que eu não continue investigando tudo isso e não preocupe ninguém, além do mais minha ajuda aqui pra ela não é tão necessária já que ela tem espiões espalhados por todo o mundo e ainda assim acho que não descobriu nada, já que não estão acontecendo melhoras, imagine eu sozinho.

─Mas você sozinho já descobriu muita coisa.

─Ao que parece isso é só a ponta do iceberg.

─Mas que droga. – disse Ikki suspirando.

─É uma droga mesmo.

─Mas você acabou de chegar... a Saori não iria querer que você fosse embora de novo, afinal ela também te pressionou a voltar não é mesmo?

─Sim, mas o buraco é mais fundo do que parece, mesmo a Saori não querendo que eu vá o interesse de todos ainda é prioridade e ela tem que fazer o que for certo e melhor para todos, e ela sabe que eu realmente sou necessário lá.

─Tudo isso e ela ainda quer esconder os problemas da gente.

─Fazer o que né. Ela realmente se preocupa com todos nós. – disse o loiro suspirando.

─Isso não é preocupação conosco, se o mundo está em perigo o nosso bem estar não deveria ser prioridade.

─Concordo. Por isso estou segurando as pontas com o superintendente americano e tentando descobrir o que eu puder enquanto ainda estou aqui.

─Não quero que você vá. – disse Ikki baixando a cabeça.

O loiro ficou olhando pra ele por um tempo.

─Eu também não quero ir... Mas acho que vai ser inevitável, não sei quanto tempo eu ainda tenho por aqui, você é a primeira pessoa a quem eu digo o que está acontecendo, então quero que mantenha a discrição, não quero preocupar ninguém. – disse finalmente.

─Certo, farei isso, mas vou tentar descobrir o que eu puder também. – disse Ikki.

─Obrigado. – disse o loiro sorrindo.

Ficaram em silencio, cada qual com seus pensamentos.

─Então... Podemos voltar a nos falar normalmente agora pato? Ou vai continuar ignorando minhas ligações? – disse depois de um tempo.

─Bom, quando eu esquecer o que você estava fazendo comigo enquanto eu estava desacordado poderemos falar normalmente sim. – disse rindo.

─Aff, você tinha que lembrar né pato. – disse vermelho.

─Isso quer dizer que podemos voltar a conversar normalmente sim Ikki. – disse sorrindo.

─Que bom... eu senti falta das nossas conversas. – disse olhando pra um canto qualquer.

─Mas nós só ficamos dois dias sem nos falar.

─Mesmo assim. – disse vermelho.

─Hm, confesso que eu também senti falta, desculpe se fui infantil quando me afastei de você esses dias, deveria ter esclarecido isso de uma vez por todas. – disse arrependido.

─Tudo bem, mas tem uma coisa que você ainda tem que resolver.

─O que?

─Shun... Ontem quando cheguei eu o vi no quarto chorando muito, o que aconteceu entre vocês pra ele ter ficado tão abatido assim?

─Bom, eu... eu o rejeitei, disse que não podemos ficar juntos.

─Você é muito insensível pato, não é a toa que é pupilo de Camus... Você sabe como o Shun é, ele tá arrasado, o que você vai fazer agora? – disse repreendendo o aquariano, afinal era seu irmão que estava sofrendo.

─O Shun não quer mais me ver, e acho que é melhor assim, quem sabe ele me esquece de vez e procura ser feliz de outra forma. – disse o loiro triste.

─Essa é a coisa mais idiota que eu já ouvi. – disse Ikki irritado.

─Hã? Porque diz isso? – disse surpreso com a mudança de humor do leonino.

─Você não conhece meu irmão tão bem assim... Ele é tão cabeça dura quanto você e mesmo que tente ele não vai te esquecer, seu pato burro.

─Isso não é da sua conta Ikki. Eu faço o que eu achar melhor pra ele. – disse irritado também.

─Acontece que você está falando do meu irmão, meu dever é sempre protegê-lo de tudo, inclusive de você e suas burrices. – disse muito irritado tinha que pensar em seu irmão agora.

─Como assim? Ficou louco agora? – disse o loiro irritado também.

─Deixa de ser tão frio Hyoga, o Shun te ama, será que é tão difícil assim pra você tentar retribuir os sentimentos de alguém? Acha mesmo que eu engoli aquele papo de "eu não sou bom pra ele"? – disse irritado, mas triste também.

─Se digo isso é porque é verdade. – disse aborrecido.

─Mas que droga Hyoga, você é perfeito. – disse sem pensar e calou-se envergonhado.

O loiro ficou calado também.

─Você tem problemas pessoais, e daí? Todo mundo tem problemas. – disse Ikki depois de um tempo e ainda constrangido.

─Você não entende... Ninguém entende. – disse o loiro mais baixo.

─Olha Hyoga, sei por que você está assim... Você ainda se sente culpado pelas mortes de pessoas queridas, e esse seu trabalho parece uma forma de penitencia que você arranjou pra si mesmo. Não é?

O loiro virou o rosto e permaneceu calado e aborrecido.

─Sabia que foi o mesmo que eu senti quando eu perdi Esmeralda? Ela se sacrificou por mim, e durante muito tempo eu pensei que eu realmente era culpado. Mas despois de um tempo, quando eu comecei a conviver mais com vocês eu vi que estava sendo tolo, se ela fez aquilo por mim foi porque me amava, e ela não iria querer que eu vivesse uma vida amargurada depois da morte dela, iria querer que eu fosse feliz. – disse calmamente... ─Foi isso que eu te disse aquele dia, o mesmo acontece com as pessoas que você perdeu.

─É diferente.

─Não, não é diferente... E veja como você ainda foi sortudo por Atena ter revivido Camus e Isaac pra você. Devia estar feliz por isso... Eu sei que sua mãe é tudo pra você, mas deixe-a descansar em paz agora Hyoga, tinha que ser assim... E você tem tudo, você tem amigos que te adoram, pessoas que te amam, uma carreira bem sucedida, é bonito e inteligente, então o que mais você quer?

Hyoga permaneceu calado pensando naquilo. O que ele queria afinal de contas? Porque vivia tão insatisfeito com sua vida se foi assim que a planejou desde que partiu seis anos atrás? Porque sentia um grande vazio dentro de si?

─Responde Hyoga. – disse Ikki irritado com o loiro.

─Amor. – disse por fim.

─O quê? – Ikki também estava confuso agora.

─Eu não consigo. – disse parecendo atordoado.

─Como assim? –disse Ikki.

─Eu não consigo sentir amor. – disse com uma expressão confusa como se tivesse acabado de perceber aquilo, balançava a cabeça atordoado. ─É isso que me falta, não é o amor que sentem por mim, é o amor que eu não consigo sentir.

─Você não gosta dos seus amigos? – disse Ikki intrigado.

─Não é isso... Eu não consigo amar uma pessoa do mesmo jeito que você amava Esmeralda. – disse olhando pra um ponto qualquer da sala e analisando sua própria situação. ─Tem alguma coisa errada comigo. – disse com uma expressão confusa tocando em seu próprio peito.

Ikki olhava pro loiro atordoado e confuso, parecia que ele finalmente estava entendendo o que se passava com ele.

─Você só está confuso pato. – disse Ikki.

─Sempre foi tudo racional pra mim, com exceção do amor obsessivo que eu sinto pela minha mãe. – disse pensando melhor.

─Isso se chama complexo de Édipo. – comentou Ikki.

O loiro só devolveu um olhar censurado pra ele.

─Que foi? – disse Ikki rindo internamente.

─Estou falando sério Ikki. – disse aborrecido. ─Como vou saber como é amar? Quer dizer eu imagino como seja, mas eu não entendo muito bem... – queria respostas agora.

─Como assim? Não sabe como é amar? Como você ama sua mãe então?

─Não o amor de um filho, ou de um amigo ou irmão, mas o amor, amor. Você sabe. – disse frustrado.

─Como se você estivesse apaixonado? – disse Ikki.

─Sim, quer dizer, não... Amor e paixão é a mesma coisa? – disse Hyoga confuso.

─Não, a paixão é uma emoção, e amor é um sentimento... Mas que droga de papo esquisito é esse agora? Você parece uma criança desse jeito. – disse Ikki estranhando a atitude do aquariano como se fizesse uma descoberta incrível e mesmo assim não conseguisse entende-la.

─Me responde direito. – disse o loiro impaciente.

─Aff. Você quer saber como é estar apaixonado é isso ou não?

─O que eu sei é que estar apaixonado é resultado de alterações químicas que ocorrem no nosso cérebro, quando ele está dopado pelos hormônios dopamina, adrenalina, noradrenalina, ocitocina e a vasopressina, esses hormônios interagem entre si e fazem um fluxo no nosso corpo, fazendo todas as sensações que sentimos quando estamos apaixonados... Não é isso? – disse por fim olhando pro leonino.

─O quê? – disse Ikki confuso.

─Você é muito burro Ikki... A dopamina é um neurotransmissor produzido nos neurônios dopaminergic na área tegmental ventral liberado pelo cérebro que...

─Tá, tá, mas você é um alienígena mesmo heim. – disse Ikki irritado agora.

─Que foi? – disse o loiro confuso.

─Porque você tem sempre que transformar tudo numa descoberta cientifica? Você não quer saber o que se sente quando está apaixonado? – disse Ikki.

─Sim, mas...

─Preste atenção... Quando você está apaixonado começa a pensar que seu amado o tempo todo, quer sempre estar junto, sente ciúmes, ansiedade, sonha com o amado, tem empatia, sentindo a dor da outra pessoa como sua própria e se dispondo a sacrificar qualquer coisa pelo seu amor... – disse lembrando-se de Esmeralda.

─Que papo brega, tirou isso de uma revista pra mulheres? – disse o loiro sarcástico.

─Eita insensível, depois eu é que sou o troglodita de nós cinco... E você tirou o seu discurso de um livro de química por acaso? – disse Ikki irritado também.

─Hunf... Mas então é isso que se sente mesmo? – ficou pensando e novo.

─Sim. Já sentiu isso por alguém? – disse Ikki na expectativa.

─Hum... foi aquilo que eu te disse aquele dia no restaurante, que talvez eu tivesse sentido algo mais pela Fleur ou pela Eire, mas pensando melhor... – o loiro olhou pro leonino fixamente e depois de um tempo disse: ─Não, nenhuma vez. – disse simplesmente.

─Aff, você é inacreditável mesmo heim pato. – disse Ikki aborrecido.

─Será que meu coração é incapaz de amar? – disse triste.

─Claro que não idiota, você tem certeza mesmo que nunca sentiu nada disso? – disse Ikki.

Hyoga ignorou a ofensa e ficou pensando, será mesmo que nunca tinha sentido aquilo? Sentiu algo parecido como quando beijou Shun, fora que depois do beijo não conseguia tirar o virginiano da cabeça, queria estar com ele, sonhou com ele, sentia empatia quando o viu chorando daquele jeito, ansiedade pra vê-lo de novo mesmo sua cabeça lhe dizendo que era melhor deixar do jeito que estava, será que era a mesma coisa?

─Não sei ainda. – ficou pensando em Shun.

─Você tá estranho com esse papo todo, esse ferimento aí deve tá doendo mesmo pra mexer assim com sua cabeça. – Ikki comentou.

─Ferimento? – olhou pra baixo e lembrou-se que estava ferido e olhou pro relógio de pulso e viu que aquela conversa confusa já durava mais de quarenta minutos.

─Mas que droga, esqueci que tenho que ir pra agencia de policia. – disse tentando se levantar.

─Seu cosmo ainda está fraco pato idiota. – disse Ikki vendo o aquariano mostrar uma expressão de dor quando se mexeu.

─Não interessa, vou tentar curar assim mesmo. – concentrou o cosmo nas mãos que falhou algumas vezes, mas por fim conseguiu curar o ferimento lentamente ainda por cima das ataduras.

Ikki ficou ali observando o loiro com energia fraca, mas ainda assim conseguiu curar totalmente aquilo. Quando o loiro desenrola a atadura não se vê mais nenhum arranhão na pele dele.

─Isso é incrível. – disse Ikki surpreso.

─A agua é mesmo inacreditável. – disse o loiro sorrindo.

─Onde aprendeu a fazer isso?

─Sozinho. – disse o loiro tocando seu abdômen pra ver se tinha curado definitivamente.

─Hunf. Vai me dizer que pode mover os oceanos agora também? Senão eu vou completar dizendo que posso controlar o magma da terra também. – disse Ikki com ironia.

─Que exagero... Mas espera, você consegue mesmo? – disse surpreso.

─Quem sabe. – disse rindo internamente.

─Hm.

Hyoga começou a levantar devagar.

─Você parece bem melhor agora, mas seu cosmo ainda está fraco. – disse Ikki.

─Tenho que ir mesmo assim. Naomi deve tá louca da vida. – comentou o loiro.

─Aquela garota é muito escandalosa. – disse Ikki franzindo cenho.

─É que vocês se conheceram em uma situação turbulenta, mas ela é uma boa moça, apenas um pouco estabanada, mas tudo bem, afinal ela é muito nova e sem experiência.

─Como vamos fazer agora que ela nos viu usando nossas habilidades?

─Não se preocupe com isso por enquanto, eu vou tentar falar com a Saori sobre isso também, mas acho que a Naomi é capaz de manter discrição.

─Duvido muito, aquela garota era escandalosa demais, vai acabar abrindo a boca. – disse Ikki.

─Confio nela. – disse o loiro sorrindo. ─Bom agora eu vou só trocar de camisa e vou pra lá. – disse o loiro.

─Vai desse jeito aí? – disse olhando pro loiro dos pés a cabeça.

─Não vai querer que eu diga que perseguiu um sujeito por tanto tempo e volte todo limpinho pra lá né. – disse o loiro sarcástico.

─Tá, tá entendi... E eu vou pra aquela praça em Chiyoda de novo pra pegar meu carro, fora que eu esqueci meu celular lá, e depois de tudo que aconteceu meu chefe já deve ter ligado várias vezes perguntando onde é que eu estou, sendo que eu deveria estar fotografando no palácio imperial e cobrindo a morte do imperador.

─É mesmo. – disse o loiro pensando melhor. ─Desculpe, só te meto em problemas.

─Esquece, você era prioridade. – disse fazendo o loiro sorrir.

─Ah, é mesmo frango. Aquele sujeito nos viu, agora que ele conhece nossos rostos temos que ficar atentos o tempo todo. – disse Hyoga.

─É, imaginei isso. Tome cuidado também. – disse Ikki.

─Terei.

─Vou tentar descobrir alguma coisa amanhã no santuario e qualquer coisa eu te ligo.

─Ok. Obrigado.

Ikki já ia sair, mas dá um ultimo aviso.

─Hyoga...

─O que?

─Não se esqueça... – disse o olhando sério.

─Não esquecer o que?

─Shun... Fale com ele. – disse sério e saiu triste.

Despediram-se e Hyoga ficou pensando naquilo, tinha que fazer alguma coisa, não queria ficar longe de Shun, mas ao que parece seria difícil falar com o virginiano agora.

...

Já eram quase dez horas da noite e a agencia de policia estava um caos. A guarda pessoal do imperador estava lá também e vários policiais iam de um lado pra outro com suspeitos.

Naomi avistou o loiro assim que ele entrou.

─Até que enfim Alex. – disse puxando o loiro pra um canto sossegado antes que mais alguém visse o loiro.

─Oi Naomi, conseguiu controlar os ânimos por enquanto? – disse tranquilamente.

─Bom, você já viu como estão as coisas né, mas como você está? – disse preocupada vistoriando o loiro, tocando onde ele tinha sido ferido.

─Estou bem. – disse segurando as mãos da moça.

─Como assim 'bem'? Você foi a um hospital? E cadê o ferimento? – disse ainda procurando o ferimento por cima da camisa do loiro.

Hyoga suspirou.

─Tá, veja então. – abriu a alguns botões da camisa e mostrou que não estava mais ferido.

─Mas como? Que bruxaria é essa Alex? – disse tocando a pele do aquariano sem nenhum arranhão.

─Depois eu explico, mas cadê seu pai agora? – disse fechando a camisa e Naomi ainda surpresa.

─Ele tá na sala dele, o ministro de defesa já ligou e pressionou ele a informar logo a pericia da morte do imperador.

─Mas acabou de acontecer. – disse o loiro.

─Sim, mas eles não querem nem saber, a mídia já está fazendo especulações sobre atentados terroristas de vários países que de algum modo são concorrentes do Japão. O chefe de estado sucessor da família imperial assumiu o cargo provisório apenas pra acalmar os ânimos. E ainda não deu nenhuma declaração, está esperando uma posição oficial da morte do imperador das mãos da guarda imperial e eles da policia, por isso tem alguns deles aqui.

─E a autopsia?

─Está em andamento, mas já sabemos que ele foi baleado na cabeça e estão te esperando pra dar seu depoimento já que teoricamente foi você que continuou perseguindo o principal suspeito... e espero que já tenha uma boa desculpa pra dar a eles, porque eu nem sei mais o que inventar pra tentar explicar aquilo que aconteceu. – disse Naomi suspirando.

─Ok, farei o possível, vou falar com seu pai agora. – disse e se dirigiu pra sala do comissário.

─Boa sorte. – disse Naomi.

Assim que se aproximou viu a secretaria do imperador tentando atender as várias chamadas que eram direcionadas ao gabinete do comissário.

─Senhor Alexei, o comissário já está o esperando. – disse de imediato apontando pra porta e estava toda atarefada, tentando falar com várias pessoas ao mesmo tempo.

Realmente aquilo estava um caos. Bateu e entrou. Viu que o comissário estava sozinho e falava com alguém no telefone, ele direcionou um olhar censurado pro russo e continuou falando ao telefone.

─Sim senhor, eu entendo... Mas não temos informações suficientes... ok,ok, farei o possível... Sim senhor. Até. – desligou e olhou pro loiro.

─Onde é que você estava Alexei? O ministro de defesa quer me esganar por causa da falta de informações. – disse irritado apontando pro telefone.

─Estava atrás do suspeito senhor Yamada. – disse tranquilamente.

─Por duas horas? E ainda por cima esquece o rádio e o celular? Fora o caos que vocês causaram na ponte Rainbown Bridge e aquele sujeito louco da van que prendemos e que não diz coisa com coisa. – disse irritado.

─Quando o tiroteio começou meu celular e radio caíram no carro de Naomi, tudo aconteceu muito rápido e eu não me lembrei de pega-los. E eu estava a pé, por isso demorei a voltar e o caos na ponte era inevitável senhor Yamada, ao menos conseguimos pegar um deles. – disse o loiro mentindo tranquilamente.

─E de que adiantou se o sujeito parece um louco? E ao que parece você não conseguiu pegar o outro suspeito... Descobriu alguma coisa pelo menos? – disse sentando ainda irritado.

─Não senhor. – disse impassível com a forma rude com que o comissário falava.

─Mas que droga Alexei, pensei que com você aqui as coisas iriam melhorar, mas de nada adiantou e agora mais um civil foi morto nessa onda de tiroteios e pior ainda o nosso imperador está morto. – disse alterado.

─Desculpe dizer isso senhor, mas eu não faço milagres e a policia japonesa é só uma das várias pras quais eu trabalho.

─Mas você trabalha oficialmente pra mim agora, tem que se dedicar mais a nós, acaso quer ir embora também?

─Como assim?

─O comissário Parker de New York ligou pra mim hoje dizendo que quer reintegra-lo à policia americana, já que lá você é mais necessário, e disse ainda que lá é prioridade, percebe a arrogância deles? Somos uma grande potencia também e membros fortes na Interpol. – disse olhando irritado lembrando da ligação.

─Entendo seu lado senhor, mas acontece que lá a criminalidade é bem maior do que aqui.

─É, sei disso também... Olha Alexei, ele me disse que você anda sobrecarregado demais com os casos deles, acho que é por isso que seu desempenho caiu. – disse olhando sério pro loiro.

─Em parte.

─Certo, certo, confesso que fui relapso também em demorar tanto pra montar sua equipe de investigações, por isso que você não está dando conta de resolver os casos americanos também não é? E é por isso que eles querem te reintegrar.

─Sim, essa equipe já deveria estar a minha disposição desde que cheguei, foi um pedido oficial do comissário Parker pra que não atrapalhasse meu trabalho distancia com eles. – disse o loiro.

─Sei disso, e lamento, é que eu ainda estava selecionando o pessoal mais qualificado... Mas dadas as circunstancias serão os que eu já tinha em mente... Você terá uma equipe de seis pessoas a sua disposição, são os primeiros que pensei, mas são os melhores no que fazem. – disse pegando uma pasta em sua gaveta. – disse mais calmo.

─Eles estão vindo de várias agencias de policia do país e chegarão aqui amanhã, devido a morte do imperador eu pedi urgência na integração deles aqui na central, temos que ter os melhores investigadores disponíveis agora. – disse entregando a pasta ao loiro que se sentou na cadeira da frente e abriu a pasta, viu que tinham as fichas detalhadas de todos da equipe que o comissário falou e realmente cada um tinha uma especialidade especifica.

─Realmente é uma boa equipe. – disse o loiro folheando as fichas.

O comissário ficou olhando pra ele e suspirou.

─Olha Alexei, eu demorei muito pra conseguir que você fizesse parte de nossa equipe e fiquei muito feliz que isso tenha partido de um pedido seu de vir pra cá, não sei ainda porque você fez esse pedido, mas isso não importa... Eu sinceramente não quero que você vá embora... Digo isso porque sei que você é capaz, afinal você têm uma excelente ficha e ainda por cima é o melhor no que faz, afinal você é o 'Cisne'... Dada sua falha nesse momento sobre a morte do imperador em que você não deu noticias, confesso que fiquei preocupado, mas pelo que Naomi me relatou você agiu conforme deve ser, e fico feliz que tenha se esforçado pra proteger minha filha também, mas eu peço que se dedique mais a nós. Ou você quer ir embora também? – perguntou receoso.

O aquariano ficou olhando pro comissário, ele tinha razão, se foi um pedido dele pra entrar na policia japonesa e que ainda deu o maior trabalho pro comissário passar por toda a burocracia pra conseguir integra-lo a eles, então ele realmente deveria estar mais dedicado a policia japonesa, afinal eles também precisavam de ajuda, ainda mais agora que perderam o líder politico deles e a criminalidade no país só estava aumentando.

─Não senhor, eu quero ficar. – disse por fim.

─Então farei o possível pra atrasar a decisão da Interpol. Mas posso contar com sua dedicação agora?

─Sim senhor.

─Ok, agradeço muito... – disse mais tranquilo agora. ─Agora vá lá e interrogue aquele louco que vocês conseguiram pegar. – disse suspirando cansado.

─Entendido. – disse levantando e devolvendo a pasta ao comissário.

─Isso fica com você, quero que conheça bem as pessoas com quem vai trabalhar.

─Certo, entendi. – disse e foi saindo quando o comissário chama de novo.

─Ah sim Alex, eu pensei melhor e sei que lhe pedi que treinasse Naomi, mas do jeito que as coisas andam então acho melhor livra-lo dessa responsabilidade pra que ela não te atrapalhe. – disse desanimado.

─Bom, isso não será necessário senhor Yamada, Naomi é muito boa e tem me ajudado muito, ela aprende muito rápido, e não está me atrapalhando... Se o senhor não for contra eu quero mantê-la comigo... Como minha parceira. – disse o loiro, Naomi realmente estava sendo muito útil, fora que ela conhecia o segredo deles.

─É sério? – disse orgulhoso da filha. ─Então ela pode continuar com você, mas cuide bem dela, por favor. – disse sorridente.

─Irei cuidar. Com licença. – disse e se retirou.

Quando saiu viu que Naomi estava próxima da porta encostada na parede e assobiando, disfarçando que estava ouvindo tudo, e a secretaria balançava a cabeça olhando com desaprovação pra garota.

O loiro olhou pra ela e fez o mesmo gesto e foi andando.

─Que foi? – disse Naomi se fazendo de inocente.

─É falta de educação ficar ouvindo atrás das portas Naomi. – disse o loiro tranquilamente.

─Eu não estava ouvindo, eu estava te esperando só isso. – disse Naomi.

─Hm. Sei. – disse dirigindo-se pras salas de interrogação.

─É sério o que você disse ao meu pai sobre mim? – perguntou andando de costas olhando pro loiro.

─Pensei que você não tinha ouvido nada. – disse o loiro com ironia.

─Tá bom eu ouvi sim, mas me responde. – disse impaciente.

─Sim, é verdade. – disse deixando a garota toda sorridente.

─Não está dizendo isso só porque eu sei seu segredo né? – perguntou um pouco triste.

─Não, você realmente é muito boa, tem me ajudado muito desde que cheguei e aprende as coisas bem rápido... É uma boa detetive, então quero você ao meu lado. – disse ainda sério.

─Como... Parceira? – disse mais sorridente ainda.

─Sim.

─É sério? Vai cuidar de mim? – disse sorridente pulando, toda alegre fazendo o loiro parar.

─Er... Sim vou... – disse vermelho ─Agora chega de criancices e vamos pra sala de interrogações. – disse impassível com a animação da garota.

─Sim parceiro Alex. – disse sorrindo e piscando pro loiro e continuaram andando.

─O que eu te falei sobre o meu nome? – disse aborrecido.

─Alex, Alex, Alex... – disse rindo. ─Ah é mesmo, porque aquele seu amigo escandaloso te chama de Hyoga? – disse intrigada.

─É meu nome do meio.

─Hum, não sabia... posso chama-lo assim também?

─Chame como quiser. – disse sem dar à mínima.

─Então vou chama-lo de Alex mesmo.

─ Chame como quiser desde que seja o nome certo. – o loiro disse enfatizando.

─Já era, me apeguei a esse nome e ninguém mais tira de mim. – disse rindo. ─Qual o nome daquele seu amigo?

─Ikki.

─O que ele faz?

─Ele é fotografo da Yomiuri Shimbun.

─Huumm. E o que vocês são? Digo vocês não são nada normais com aquele negocio de poderes e tudo mais, então o que são.

─Somos cavaleiros.

─Cavaleiros? Como assim?

─Depois eu te explico tudo isso Naomi, mas agora tenho que interrogar aquele sujeito. – disse o loiro já sem paciência e entrando na sala de interrogatório, onde o homem estava numa sala secundaria sentado esperando mais alguém interroga-lo e podia-se vê-lo através de um vidro especial onde só quem estava fora podia ver o interior da sala.

Era um homem de uns cinquenta anos, não tinha nenhum cosmo desenvolvido, era magro com estatura mediana. Tinha o braço esquerdo na tipoia por causa do acidente. Parecia uma pessoa comum. Ele parecia nervoso, olhava de um lado pro outro, parecia assustado.

─Como ele está Ichiro? – disse entrando com Naomi e olhando o sujeito pelo vidro.

Ichiro estava observando o sujeito a algum tempo, pra ver se ele se acalmava, já que ele mesmo e vários outros detetives tentaram conversar com o sujeito e ele ficava cada vez mais nervoso e atordoado, então não conseguiram tirar nada de útil dele.

Ichiro era um típico japonês e um bom investigador também, tinha por volta de uns vinte e cinco anos e já tinha bastante experiência, era o melhor detetive da agencia antes de Hyoga chegar, tinha boa aparência, era calmo, alegre, e bastante tranquilo com tudo.

─Oi Alexei, já voltou, teve sucesso com aquele outro que fugiu? – disse o detetive Ichiro.

─Não. Ele foi mais rápido. – disse o loiro.

─E como. – disse Naomi se lembrando de como o sujeito fugiu.

O loiro direcionou um olhar censurado pra Naomi pra ela ficar quieta e ela só fez uma cara feia pra ele.

─Boomm... – disse Ichiro percebendo o clima. ─Ele não falou nada que seja útil ainda.

─Já sabem a identidade dele? – disse Hyoga.

─Não, ele não diz quem é porque tem medo de estar sendo observado, sei lá, não está portando nenhum documento e também tem as mãos queimadas e não dá pra fazer a verificação desse jeito, mas as mãos dele estão com cicatrizes recentes, parece que foram queimadas há pouco tempo.

─Encontraram alguma coisa útil na van?

─Nada além de uma capa estranha que já está na pericia e uma pistola.

─Hm. Vou tentar falar com ele. E eu gostaria de privacidade. – disse Hyoga.

Ichiro estranhou aquele pedido, mas não questionou e saiu junto com Naomi.

Assim que entrou o homem direcionou o olhar pra ele.

─Você... Eu me lembro de você, é um deles. – disse o homem nervoso olhando pro loiro.

─Como você está senhor... Qual é mesmo o seu nome senhor? – disse o loiro tranquilamente.

─Não adianta, não vou dizer nada. – disse o homem irritado.

─Tudo bem se não quiser dizer seu nome agora... Mas assim é mais difícil de conversar. Como está seu braço? – disse o loiro sentando-se perto do sujeito.

─Já falei que não quero conversar... Você não percebe que é perigoso? Ele pode estar nos ouvindo agora. – disse o homem desconfiado olhando em volta.

─Ele quem? Do que tem medo? – disse tranquilamente.

─Não, não, já falei que não. – disse atordoado se encolhendo e baixando a cabeça.

–Como quiser então. - disse e cruzou os braços olhando pra aquele homem nervoso.

─Vai ficar aí me observando agora? – disse o homem irritado.

─Estou esperando o senhor querer conversar. – disse tranquilamente.

─Já falei que não quero.

─Tudo bem, eu espero.

O homem ficou calado olhando pro loiro.

─Você não tem nenhum arranhão mesmo depois dele ter atirado várias vezes em vocês, eu o vi te acertando. – disse o homem olhando pro loiro.

O aquariano nada disse e continuou observando o homem.

─Vocês são mesmo anormais, você é um deles, eu sei que é. – disse o homem paranoico.

─Deles quem?

─Você é um cavaleiro também droga... Já estou farto de aberrações como você, que espécie de criaturas vocês são? – disse alterado.

─Não sei do que o senhor está falando. – disse impassível.

─Claro que sabe, não se faça de idiota que eu vi que foi você que congelou os pneus daquela van e me causou isso. – disse irritado mostrando o braço.

─Hm, desculpe por isso então. – disse tranquilamente.

─O que vão fazer comigo agora?

─Nada até o senhor falar, se não tiver pressa tudo bem, temos bastante tempo.

─Eu não tenho muito tempo, você não vê? Vocês tem que me soltar senão eles virão atrás de mim. – disse transtornado.

─Eles quem?

─Os cavaleiros. – disse olhando em volta com medo.

─Cavaleiros? – disse o loiro intrigado.

─Eles podem estar em qualquer lugar... Eles tem habilidades parecidas com as de vocês, mas são cruéis e assassinos. – disse com medo.

─Não se preocupe que o senhor está seguro aqui.

─Não, não estou... Eles viram porque eu falhei, se me capturarem agora eu estou morto.

─Podem estar aqui também então?

─Claro que sim, já podem estar infiltrados aqui e você fica perdendo tempo com perguntas idiotas.

─Eu posso protegê-lo.

─Não, não pode, eles são muito poderosos.

─Eu também sou um cavaleiro, então não há o que temer.

─Eu sei o que você é, você e todos eles são alguma espécie de mutantes? – disse alterado de novo.

─Fique calmo.

─Não vou ficar calmo, eu estou correndo perigo aqui por causa dessas anormalidades e você fica falando bobagens aí que não ajudam em nada.

─Porque você trabalha pra eles então?

─Eles me obrigaram, disseram que iriam matar minha família se eu não cooperasse. – começou a falar mais.

─Quem o obrigou?

─O líder deles. – disse receoso.

─Quem é o líder?

O homem se tocou que já estava falando demais.

─Como vou saber se posso confiar em você? – disse desconfiado olhando pro aquariano.

─Sou um cavaleiro de Atena, ela é a deusa protetora da terra, nós protegemos os humanos e não o contrario. – disse o loiro.

─Eles me falaram alguma coisa sobre isso... mas não me falaram muita coisa útil, só o que eu tinha que fazer, mas eu os ouvi conversando alguma coisa sobre deuses.

─Porque logo você? Quem é você?

O homem ficou receoso em contar mais alguma coisa e ficou calado e se encolheu de novo.

─Não precisa ter medo, estou aqui pra ajuda-lo. – disse Hyoga.

─Não posso, eles mantem minha família refém.

─Se me disser o que está havendo podemos procurar por sua família e protege-la.

─Você não entende mesmo, eles têm espiões em toda parte, podem ter alguns infiltrados até mesmo aqui.

─Ninguém mais está ouvindo nossa conversa, pode falar.

O homem continuou olhando desconfiado pro loiro, mas enfim falou.

─Meu nome é Akio Endo, e eu sou... eu fiz parte da guarda pessoal do imperador, estou aposentado agora.

O loiro começou a entender tudo.

─Como é que o senhor fez parte da guarda do imperador e os que estão ali fora não te reconhecem? – disse o loiro.

─Eu fazia parte da guarda sigilosa que fica no anonimato... não sei como descobriram, mas há alguns dias uns caras muito estranhos e com habilidades assombrosas invadiram minha residência e fizeram a mim e minha família de refém, disseram que iriam mata-los se eu não cooperasse com os atentados ao imperador, disseram que tinham tentado e falhado em todas as tentativas e cada vez mais a segurança do imperador era reforçada, então precisariam de alguém que já conhecia os procedimentos da guarda e acabaram me levando junto com eles, queimaram minhas mãos pra que não me reconhecessem caso eu fosse pego, e estão alertas caso eu abra a boca e trai-los.

─Hm. O senhor chegou a ver o líder deles?

─Não. Mas eles viviam falando de revolução, terra condenada, cavaleiros...

─Hm... Quanto a sua família, quantas pessoas têm ao todo?

─Minha mulher, minha filha de dezoito e meu filho de catorze.

─Sabe se eles ainda estão na sua casa?

─Acho difícil já que eu fui pego, estou muito preocupado com eles. – disse nervoso.

─O senhor conseguiu ver o rosto de algum dos cavaleiros?

─Não, eles viviam encapuzados na minha frente.

─Certo... – disse olhando pro homem e viu que ele não mentia. ─É só isso que você sabe?

─Sim... Ah, eu os ouvi falando também alguma coisa sobre santuario atrapalhando não sei o quê e também sobre um grande ataque a uma ilha.

─Ilha? – disse surpreso.

─Sim... alguma coisa parecida com Andrômeda eu acho. – disse o fez o aquariano ficar preocupado.

─Ataque? Que tipo de ataque? – disse exasperado agora.

─Não sei, mas pelo jeito que falaram acho que é um bombardeio, disseram "pra ninguém sair vivo de lá". – comentou o homem fazendo o loiro ficar mais preocupado ainda.

─Disseram pra quando?

─Disso eu não sei... Mas e então? Vai me ajudar? – disse o homem suplicando.

─Sim, mas o senhor terá que cooperar, começando por não falar sobre essas coisas de cavaleiros na frente dos outros, como o senhor já percebeu a nossa existência tem se mantido no anonimato há anos e não quero que isso venha a publico agora, entendido?

─Si-sim.

─Ótimo, agora vamos acertar as coisas senhor Akio... – disse e começou a planejar um meio de salvar a família daquele sujeito.

Quando saiu da sala foi logo sendo abordado por Naomi.

─E então ele falou alguma coisa?

─Sim, mobilize viaturas pra esse endereço. – disse entregando um papel pra Naomi.

─Ok. – disse e saiu.

Hyoga rapidamente pega o celular preocupado e discou o numero de Shun pra avisa-lo que ele corria perigo.

...