Capítulo 22: Inimigos... Preparando para o combate

Ilha de Andrômeda... Alguns dias antes...

A ilha de Andrômeda é situada no Oceano Índico, próximo da Somália e da Etiópia. Ela é originalmente vulcânica, e provavelmente se encontra sobre uma falha tectônica, já que a mesma foi criada de uma erupção. Devido a isso, as condições lá são inóspitas e difíceis, de animais havia apenas alguns repteis e a vegetação é quase inexistente.

Em questão de tamanho, a Ilha é pequena, possuindo um grande vulcão em seu centro, o qual ainda é ativo. É uma ilha rochosa e tem um clima quase desértico, é conhecido como um local terrível de ser treinado.

Era de tarde e como sempre Shun estava andando sério de braços atrás das costas, numa postura de um general entre seus pupilos que treinavam todos enfileirados uns golpes em sincronia, era incrivel como uma pessoa que parecia ser tão frágil como ele tenha sido treinado ali naquele lugar terrível, não tanto quanto a ilha da Rainha da Morte, mas ainda assim um lugar quase impossível de viver, porém o primeiro obstaculo pra quem chegasse era se adaptar, como uma missão de sobrevivência, pra que pudessem suportar logo aquele lugar, os que não conseguiam se adaptar logo eram mandados de volta a vida comum dos humanos e intimados a nunca revelar o que viram ali com a pena de perderem a vida caso abrissem a boca.

Lorenzo estava na fileira da frente e era o mais pressionado a fazer tudo certo, e Shun observava tudo atentamente, vendo quem estava errando e corrigindo imediatamente, realmente era um mestre severo e mudava totalmente sua postura amável quando estava na ilha de Andrômeda, pra mostrar a todos a seriedade do que faziam ali, decidiu seguir o exemplo de seu mestre Albiore e não pegar nem um pouco leve no treinamento de seus pupilos e soldados.

Na verdade ele treinava os futuros cavaleiros da ilha e Afrodite e June que treinavam os soldados, embora algumas vezes variassem em suas funções, mas ainda assim Shun era o mais forte dali, logo o mais respeitado afinal era um legendário.

A ilha tinha uma hierarquia, Shun, Afrodite e June eram os mestres oficiais e tudo com relação à ilha era decidido com a palavra final de algum deles, desde que a ilha foi restaurada seis anos atrás esses três treinaram os mais qualificados aos outros cargos, havia os que ajudavam a organizar tudo por lá, eram os responsáveis pela manutenção de tudo na ilha, incluindo adquirir itens básicos para o dia-a-dia, armas de treino, suprimentos, ou seja, eram os que cumpriam uma das tarefas mais importantes e essenciais que era abastecer a ilha, afinal tinham muitos habitantes ali, em torno de umas duzentas pessoas, entre crianças que chegavam de fora, na mesma idade de Shun quando começou o treinamento na faixa de 7-12 anos, adolescentes na base de seus 13-18 anos, e adultos que eram os antigos habitantes da ilha, de uns 19-30 anos, mais velhos que isso não tinha ali.

Uns dos membros mais importantes da ilha eram os guerreiros que a protegiam e que eram antigos pupilos de Albiore, eles mantinham postos de em volta de toda a ilha todos os dias initerruptamente, e impediam qualquer intruso de entrar, apesar dela ser protegida pelo cosmo de Atena, o que impedia a fácil localização e somente seres com poderes superiores, como cavaleiros podiam encontra-la, ou seja, humanos normais não podiam vê-la, proteção concedida desde o ataque de anos atrás que quase levou a destruição completa da ilha.

Logo, o acesso a ilha era quase impossível, o único barco que chegava ali era um da própria ilha e outro do santuario que também eram protegidos pelo cosmo de Atena e controlado por um dos mestres como fosse conveniente quando algum mensageiro ou soldado fosse enviado em missão, mesmo que Shun e Afrodite não precisassem usa-los por utilizarem a velocidade da luz, e June que usava a velocidade do som... E mesmo que alguém a localizasse teria que ter a permissão para adentrar a ilha ou logo seria atacado pelos soldados, então é claro que ninguém se atrevia, pois sabiam que ali residia um legendário e um cavaleiro de ouro.

Os planos de Saori era formar postos de combate em todas as partes do mundo e que fossem comandados por seus mais fieis cavaleiros, os cinco legendários, atitude que mostrava que ela realmente era uma deusa da guerra. Os cinco poderiam formar postos em seus antigos locais de treinamento, principalmente Ikki e Hyoga que eram raros cavaleiros que controlavam os elementos, fogo e agua, e tinha ainda Shun que controlava o ar, ambos de suma importância em batalhas e guerras, afinal como cavaleiro do fogo existia apenas Ikki, Babel de Centauro que inclusive era o antigo portador da armadura de centauro que era a armadura almejada por Theodoro, pupilo de Ikki e futuro cavaleiro do fogo, e Ennetsu, ambos cavaleiros de prata, que foram derrotados no inicio das batalhas contra Ares.

E do gelo existiam apenas Hyoga e Camus, e futuramente Jacó, mas não era o bastante, e o pior era que ambos aceitaram somente um único pupilo, porém Saori achava muito precoce colocar todos em uma situação daquelas, embora fosse surpreendente que Shun tivesse aceitado aquela tarefa, mesmo que tenha sido por consideração ao seu falecido mestre Albiore, mas como Saori queria que eles vivessem suas vidas parcialmente normais então não pressionou nenhum deles.

Continuava com o treino... Começavam cedo e só paravam para o almoço ou pra cumprir alguma outra tarefa que lhes fosse designada, e terminavam somente no entardecer. Tinham folga apenas no domingo e algumas tardes na semana quando um dos três mestres achasse melhor.

─VOCÊS ESTÃO MUITO MOLES, MAIS FORÇA NESSES GOLPES. – disse Shun gritando autoritário pra todos os seus pupilos que imediatamente intensificaram a força na aplicação dos golpes no ar.

Logo aparece um de seus soldados, ele se curva perante o virginiano sério.

─Com licença mestre Andrômeda. – disse de cabeça baixa pra seu mestre superior.

─Fale soldado. – disse dando costas aos seus pupilos por enquanto e eles continuavam o treinamento enquanto Shun ia falar com o soldado.

─Chegou um mensageiro do santuario senhor. – disse o soldado erguendo o olhar.

─De novo? Não me diga que é aquele mesmo de antes. – disse já aborrecido.

─É ele sim senhor.

─Hunf. – suspirou e olhou pros pupilos e pro soldado que permanecia curvado.

─Descansar soldado. – disse e o soldado levantou-se. ─Chame Ban aqui pra cuidar deles enquanto eu vou falar com o mensageiro. – disse e foi se retirando.

─Sim senhor.

Havia soldados e futuros cavaleiros por toda parte circulando, definitivamente aquela ilha tinha se tornado uma área militar, e todos se curvavam quando passavam pelo cavaleiro de Andrômeda afinal Shun era o mais alto posto da ilha e também o mestre de todos ali, tinha autoridade sobre todos e mesmo o santuario respeitava sua posição quando ele estava em serviço, diferente de quando estavam entre amigos, onde Shun podia agir de sua forma natural, porem na ilha a maioria apenas o conheciam daquela forma rígida e autoritária e poucos incluindo Lorenzo conheciam um pouco mais da real personalidade do virginiano.

Apesar de parecer uma área militar tudo lá era muito rustico, um tanto primitivo, afinal era uma área de treinamento sim, mas uma área de treinamento de soldados e cavaleiros, então tudo se adequava ao estranho tipo de treinamento deles.

A ilha não era muito extensa, mas tudo tinha seu lugar, uma grande área de treinamento, outra de alojamentos, outra pros soldados e outra pros pupilos de Shun que eram propensos a armadura de Cefeu, e tendo ainda uma parte no centro que era para o alojamento dos três mestres e pras reuniões importantes referentes à ilha, havia um abrigo para esconder os desprotegidos em caso de ataque, uma ideia de June para precaução depois do ataque de anos atrás.

No centro da ilha ficava também uma espécie de ponto de encontro importante pra receber os visitantes e lá já se encontravam Afrodite e June, que aguardavam Shun juntamente com o mensageiro do santuario que veio junto com mais três soldados de lá, e que já não eram tão bem vindos assim, pois iam frequentemente visitar a ilha pra pressionar Shun e formar novas tropas pra envia-las pra combate no santuario, mas ultimamente eles já estavam indo mais que frequentemente e sempre que vinham levavam um esquadrão da ilha e que ninguém mais via, inclusive Shun que ficava preocupado, afinal eram seus pupilos que estavam sendo tirados dele.

─Você de novo mensageiro. – disse Shun olhando sério pro sujeito que tinha um jeito debochado e prepotente.

─Mestre Andrômeda. – disse curvando-se quando o virginiano se aproximou e foi imitado pelos soldados que ele trouxe junto.

Shun apenas fez sinal pra ele parar de cerimonias.

─O que quer aqui de novo? Não tem nem três dias que você veio aqui. – disse Shun cruzando os braços.

─Trago novas ordens do mestre do santuario senhor. – disse com um sorriso debochado que Shun detestava.

─Não me diga que querem levar mais uma tropa daqui. – disse Afrodite ao lado de Shun.

─Sim senhor Peixes. – disse o mensageiro.

─Já basta, nossos soldados não estão prontos ainda pra combate. – disse June aborrecida.

─Calma June. – disse Shun advertindo a amazona, mas também estava irritado.

Shun voltou seu olhar pro mensageiro e suspirou.

─Vocês estão forçando muito, nossos soldados não podem ser treinados assim na pressa... Porque o santuario está precisando tanto de tropas já que lá também há soldados em treinamento? O que está acontecendo lá? Responda.

─Não posso responder senhor.

─Como assim não pode? Porque o mestre Dohko tem nos pressionado tanto sem nos dar maiores explicações?

─Já disse senhor, não posso responder.

─Não seja prepotente mensageiro. Vocês não podem vir até minha ilha e simplesmente tirar meus pupilos de mim. Quero explicações. – disse irritado.

O mensageiro permaneceu calado.

─Vou perguntar ao mestre Dohko o que está acontecendo Shun. – disse Afrodite.

─Não pode senhor Afrodite. – disse o mensageiro.

─Como assim não posso? Eu sou um cavaleiro de ouro. – disse autoritário.

─Lamento senhor, mas a própria Atena deu ordens de nenhum cavaleiro de ouro abandonar sua casa zodiacal, e como o senhor é mais necessário aqui então Atena decidiu que o senhor tem que ficar aqui agora.

─Como assim? – disse Afrodite surpreso. ─Está dizendo que eu não posso voltar ao santuario?

─Não senhor, apenas que não poderá falar com o mestre do santuario mesmo que vá até lá, já que o mestre e Atena não estão tendo contato com ninguém além dos que tem voltado de missões, e que a ordem agora é que o senhor permaneça aqui.

─Desde quando surgiu essa estupidez?

─Desde hoje senhor. – disse meio temeroso, afinal estava falando com um cavaleiro de ouro e um legendário.

─Isso é o cumulo, como Atena pode fazer isso sem nos avisar antes? – disse June indignada.

─Por isso estou aqui senhorita, pra avisa-los. – disse o mensageiro com ironia.

─Eu falarei com ela. – disse Shun depois de um tempo.

─Desculpe senhor Andrômeda... Er... é que... que o senhor sim está proibido de ir até o santuario. – disse meio vacilante.

─O quê? – disse surpreso. ─Você sabe quem eu sou? Sou um dos cinco legendários, o cavaleiro de bronze de Andrômeda. – disse irritado.

─Desculpe senhor, sei quem o senhor é, e o respeito muito, mas eu estou apenas cumprindo a ordem de avisa-los... Porém lhe advirto que o senhor será impedido de adentrar o santuario e será atacado pelos soldados de lá caso queira descumprir a ordem de Atena e do mestre Dohko.

─Como se fosse possível algum soldado do santuario deter o Shun. – disse June com desdém.

─Essa não é a questão senhorita... Indo lá vocês estão descumprindo ordens diretas de Atena e isso pode significar um castigo severo aos senhores.

─Isso não vai ficar assim... e você não vai levar nenhum soldado daqui hoje mensageiro... eles não concluíram o treinamento adequado, e não estejam preparados caso sejam atacados de surpresa, assim como os últimos que insistentemente você levou daqui da ultima vez... Inclusive quero saber como eles estão. – disse Shun.

─Isso também é sigiloso senhor, apenas posso dizer que eles estão em missão.

─Em missão? Mas eles não são qualificados pra isso ainda. – disse June.

─Desculpe, mas já falei demais... Onde está a tropa que está com o treinamento mais adiantado? – disse olhando em volta.

─Já falei que você não vai levar nenhum soldado daqui hoje. – disse Shun autoritário.

─Essa é sua ultima palavra senhor?

─Sim.

─Entendo... Lamento, mas terei que comunicar sua desobediência ao mestre Dohko e Atena.

─Não me importo... Faça isso e aproveite pra falar pra eles voltarem a ter o bom senso de não mandar soldados despreparados em missões perigosas e ao menos responder minhas perguntas já que eu estou cumprindo com minha parte e sempre colaborando, mas também quero informações, vocês me devem isso.

O mensageiro apenas assentiu e levantou.

─Ah, mais uma coisa... A amazona de prata June de Camaleão está sendo convocada pelo santuário pra uma missão. – disse e pegou um envelope de um dos soldados que veio com ele se aproximou da amazona e entregou o envelope em suas mãos.

─O que? Precisamos dela aqui. – disse Afrodite.

─São ordens do santuario senhores... Todas as instruções estão aí senhorita. Com sua licença senhor? – disse olhando pra Shun que apenas fez sinal que concedia a permissão.

O mensageiro assentiu e chamou os soldados do santuario e partiram pro porto da ilha pro navio que desembarcaram e voltarem ao santuario.

─Mas que mensageiro metido, já tô de saco cheio dele. – disse Afrodite irritado.

─O que será que está acontecendo por lá pra Saori querer me manter longe? – disse Shun pensativo.

─Não sei, será que o Seiya ou seu irmão sabem de alguma coisa? – disse Afrodite.

─Não tenho certeza, mas o Ikki me disse que estão faltando cavaleiros de prata por lá... será que... – disse e olhou pra June.

─O Carlo me disse que têm acontecido coisas estranhas por lá, mas eu não tinha levado a sério. – disse Afrodite.

─Hum... E do que se trata a missão June? – disse voltando-se pra garota que já tinha aberto o envelope e lia as instruções.

─É de apoio.

─Onde? – disse Afrodite.

─Na Rússia.

─O que está acontecendo por lá?

─Parece que está havendo uma guerra civil em uma pequena cidade de lá, e estão precisando de gente pra ajudar a socorrer os feridos.

─Hum. Parece bem simples... Simples demais... Porque iriam mandar uma amazona de prata que é bem mais qualificada pra uma missão desse tipo e não um soldado do santuario? É desperdício. – disse Afrodite.

─Tem razão Afrodite, deve haver algum perigo... diz alguma coisa aí June? – disse Shun se aproximando.

─Não, diz que é só de apoio mesmo... Ah, mas aqui diz que eu devo levar minha armadura e ficar em guarda.

─O quê? – disse Shun.

─Com certeza essa não é só uma simples missão de apoio. – disse Afrodite.

─Estranho... eles devem temer algum perigo oculto, por isso estão mandando June, uma amazona de prata, pois a missão deve ser perigosa demais pra um simples soldado e ainda por cima com a armadura. – disse Shun.

─Mas então porque eles não avisam isso aí? – disse Afrodite.

─Talvez eles não tenham certeza do perigo. – disse June.

─Não tem certeza? Por favor heim, estamos falando do santuario, eles têm espiões por toda parte, então deveriam ter certeza das coisas ao invés de ficar fazendo especulações. – disse Afrodite.

─Não sei mais o que pensar, mas tome muito cuidado June. – disse Shun olhando pra amazona.

─Terei , mas agora estou preocupada. O que será que está havendo?

─Algo muito sério com certeza. – disse Afrodite.

─Huuumm. – disse June analisando o final das instruções.

─O que foi? – disse Shun.

─Aqui tem ordens pra não relatar nenhum detalhe da missão a nenhum dos cinco cavaleiros de bronze legendários. – June foi logo falando, afinal não existiam segredos entre eles.

─O que? – disse Shun surpreso.

─Parece que eles estão desgarrando vocês Shun. – disse Afrodite.

─Mas por quê?

─Aqui não diz nada mais sobre isso. – disse June relendo procurando mais alguma informação nas instruções.

─Isso é coisa da Saori, ela está fazendo a mesma coisa quando iniciou a batalha contra Hades, nos isolando dos problemas... Com certeza está acontecendo alguma coisa no santuario e se nós cinco estamos sendo excluídos disso então Seiya e meu irmão não devem estar sabendo de nada mesmo.

─E o Shiryu? Afinal ele ainda tem muito contato com o Dohko. – disse Afrodite.

─Talvez ele saiba de alguma coisa. – disse June.

─Vou falar com ele. – disse Shun.

─E eu vou falar com o Carlo pra ver se ele sabe de alguma coisa também. – disse Afrodite.

─E quando você parte pra essa missão June? – disse Shun.

─Hoje mesmo... Tenho que me preparar. – disse e se retirou.

Shun ficou pensativo.

─Está preocupado não é mesmo Shun? – disse Afrodite olhando pro virginiano.

─Muito... o que será que está acontecendo?

─Não importa o que aquele mensageiro disse, eu vou tentar falar com Saori e Dohko e acho que o Carlo pode me dizer alguma coisa também. – disse Afrodite.

─Eu também, vou até lá.

─Não Shun, eu sei que você não teme os dois, afinal são nossos amigos também, mas acho melhor você não ir mesmo até lá, melhor não arrumar problemas, deixa que eu tento falar primeiro.

Shun suspirou. ─Ok, mas se você não conseguir eu mesmo irei até lá... Mas então porque será que meu irmão não foi impedido de continuar no santuario?

─Se tem mesmo alguma coisa errada que a Saori está tentando poupar vocês então ficaria muito na cara se impedissem ele também. – disse Afrodite.

─Realmente, mas pensando bem é isso mesmo, ela quer nos esconder as coisas, afinal a missão da June é na Rússia, e se a missão é mesmo perigosa então quem deveria ter sido mandado nela deveria ser o Hyoga afinal ele é de lá.

─Tem razão, ela está excluindo ele também.

─De qualquer forma é melhor nos precavermos... Vou colocar a ilha em alerta, afinal se há algum perigo então a ilha de Andrômeda com certeza é um alvo, afinal somos nós que estamos fornecendo os soldados. – disse Shun.

─Bem lembrado, vou dar as ordens pros soldados. – disse Afrodite.

─Ok.

─Huumm... Mas mudando de assunto... Me esqueci de perguntar... Falou com ele? – disse Afrodite mudando sua postura séria pra um sorriso provocante.

─E-ele? Ele quem? – disse se fazendo de desentendido.

─Ah, você sabe Shun, o Hyoga.

─Ah... Não, não falei com ele desde o domingo. – disse pensando melhor.

─Vai tirar a prova de uma vez? Depois do que você me disse é bem possível mesmo que ele sinta alguma coisa por você, e eu vi como vocês ficaram juntinhos naquele treinamento. – disse rindo insinuante.

─Para com isso Afrodite... Mas vou falar com ele sim, quero esclarecer logo isso, mas tá difícil já que ele não me atende desde aquele dia.

─Talvez isso seja bom, ele deve tá preocupado em como agir agora.

─Não sei, mas não vou perder as esperanças. – disse sorrindo.

─Estou torcendo por você. – disse tocando o braço do amigo.

─Obrigado Afrodite... quem sabe ele goste mesmo de mim. – disse com um grande sorriso.

─É assim que eu gosto, eu não vejo um sorriso desse tamanho desde que ele partiu.

Shun suspirou triste quando lembrou.

─É melhor eu voltar pro treinamento agora... nos vemos mais tarde Afrodite. – disse já se retirando.

─Espera. Vai falar com ele quando?

─Hoje... vou faltar a faculdade pra ir na casa dele.

─Huumm, na casa dele é? Me liga depois viu, vou querer detalhes. – disse piscando pro virginiano.

─Tá bom. Agora volta pros seus afazeres.

─Mandão. – disse fazendo bico vendo o virginiano indo embora, mas estava muito feliz pelo amigo, queria que ele fosse muito feliz, a muito tempo não o via tão animado, além do mais Afrodite acompanhou todo o sofrimento do rapaz quando Hyoga foi embora, queria que tudo se resolvesse de uma vez.

Já era tarde e Shun só tinha que dispensar seus pupilos e ir pra casa pra se arrumar pra encontrar Hyoga, era chegada a hora de sua declaração e estava muito ansioso.

...

Japão, dia atual...

Hyoga ligou várias e várias vezes pra Shun, mas ele não atendia.

─Mas que droga Shun, atende essa porcaria de celular caramba. – pensou irritado, suspirou e decidiu ligar pra Ikki.

─Oi pato.

─Ikki onde você está?

─Indo pro jornal. – disse dirigindo.

─Ligue pro Shun imediatamente.

─Por quê?

─Ele corre perigo e eu não consigo falar com ele.

─O QUÊ? COMO ASSIM?

─Calma, me deixa explicar.

─Então explica logo droga.

─Eu interroguei o motorista da van que perseguimos e ele me falou alguma coisa sobre um ataque a ilha de Andrômeda.

─Sério? Mas que droga, me deixa ligar pro Shun agora e avisar. – desligou rapidamente e ligou pro irmão.

─Oi irmão. – disse Shun atendendo.

─SHUN. Onde você está?

─Voltando da faculdade, por quê?

─Graças a Zeus. – disse aliviado.

─Por quê? O que houve?

─Shun eu não posso explicar direito agora, mas você tem que colocar a ilha de Andrômeda em alerta imediatamente.

─Já fiz isso.

─O que? Como assim?

─Eu coloquei a ilha em alerta faz alguns dias.

─Você já sabia?

─Saber o que?

─Que estão em perigo.

─EM PERIGO? Me explica isso direito Ikki. – disse mais aflito.

─O Hyoga me disse.

─Hy-Hyoga? – disse surpreso em ouvir o nome do loiro de novo.

─Sim, aconteceu muita coisa, mas o Hyoga ficou sabendo agora a pouco que pode haver um bombardeio na ilha em breve.

─Bombardeio?

─Sim.

─Hm. Entendi, então vou pra ilha agora mesmo.

─O quê? Ficou louco?

─Eu sou o mestre da ilha Ikki, tenho que estar lá pra protegê-los.

─Mas...

─Desculpe Ikki, mas eu preciso ir, depois eu te ligo pra avisar como estão as coisas. Tchau.

─Shun, espera, Shun. – disse aflito, mas Shun já tinha desligado. ─Droga Shun.

Tentou ligar de novo, mas o virginiano não atendeu. Resolveu ligar pra Hyoga.

─E então? Falou com ele? – disse o loiro de imediato, sem dar tempo de Ikki falar nada antes.

─Sim... ele tá indo pra ilha.

─Hm, achei que ele faria isso mesmo... Contou pra ele o perigo?

─Sim.

─E o que ele vai fazer?

─Ele disse que já tinha colocado a ilha em alerta faz alguns dias.

─O quê? Mas como ele... Deixa pra lá... Fala pra ele evacuar a ilha imediatamente.

─Evacuar?

─É um bombardeio Ikki, se fosse um ataque por terra até que os soldados dele teriam chance, mas pra um ataque aéreo eles correm muito perigo, e se for um ataque bem organizado como eu imagino que será então eles podem destruir a ilha em questão de segundos e o Shun não vai ter a mínima chance de revidar.

─Tem razão, vou falar com ele.

─Faça isso rápido, soube que tem outros cavaleiros envolvidos nisso, por isso eles podem localizar a ilha sem nenhum problema, e como já sabem que pegamos o motorista da van então eles podem adiantar o ataque antes que planejemos fazer alguma coisa.

─Então o Shun precisa de ajuda. Eu vou até lá. – disse e desligou.

─Não Ikki, espere, espere. – tentou falar também, mas o leonino já tinha desligado.

─Mas que droga, seu frango burro, nem me deixou terminar. – disse irritado olhando pro aparelho.

─Alex. – disse Naomi se aproximando.

─Fala. – disse ainda tentando falar com Ikki.

─Estamos prontos, podemos ir agora. – disse vindo com um colete a prova de balas.

─Ir pra onde?

─Pro endereço que você me passou, tem três viaturas lá fora nos esperando.

─Ah é, mas só isso? É possível que encontremos reféns lá... Mobilize ao menos mais duas viaturas. – disse falando com ela e com o telefone no ouvido ao mesmo tempo ainda esperando Ikki atender.

─Reféns? Tá bom. – disse e se retirou.

Discou outro numero e logo foi atendido.

─Alô!

─Afrodite, graças a Deus. – disse aliviado.

─O que você quer Hyoga? – disse Afrodite aborrecido.

─Onde você está?

─Na ilha de Andrômeda.

─Shun. Ele está aí com você?

─Não, por quê? Quer magoa-lo de novo? – disse irritado defendendo o amigo.

─É... parece que você já sabe.

─Claro que sei, você acabou com ele.

─Desculpe... Mas não é por isso que eu liguei.

─O que é então?

─É muito importante que agora mesmo você evacue a ilha de Andrômeda, vocês correm perigo.

─O quê? Como assim?

─Mas que droga, faça o que eu digo caramba. – disse se irritando.

─Calma aee, estressado.

─Eu tô falando sério Afrodite, isso é urgente.

─Calma, me explica direito.

─Soube que a ilha pode ser atacada por um bombardeio, vocês não tem chance contra um ataque desse tipo, por isso tem que evacuar a ilha.

─Mas como você soube?

─Isso não interessa agora, apenas faça o que eu digo.

─Entendi, entendi, mas não é tão simples assim, temos mais de duzentas pessoas aqui, não dá pra tirar todo mundo assim de uma vez, tem certeza que o ataque vai ser assim tão violento?

─Não, quer dizer, sim, ahh, mas de que importa? A precaução em primeiro lugar, é melhor do que ser pego de surpresa, pelo menos adianta aí a retirada dessas pessoas.

─Mas você nem tem certeza, e esqueceu que eu sou um cavaleiro de ouro Hyoga? Você me ofende me subestimando desse jeito.

─Essa não é a questão Afrodite, mesmo o Shun não teria chance de impedir um ataque desse tipo. Me escute, faça o que eu digo, é pro bem de vocês.

─Eu sei que está preocupado, mas estamos em alerta faz alguns dias e não há sinal de perigo algum... tem certeza que sua fonte é segura?

─Aff, claro que eu tenho, mas que droga, por que você não me ouve? – disse irritado.

─Estou ouvindo, mas não tenho autoridade pra fazer algo assim tão impensado, somente o Shun pode dar esse tipo de ordem, além do mais não podemos desesperar todo mundo e no final nada acontecer.

─Mas é melhor se precaver...

─Entendo, mas como eu disse: não é tão simples assim.

─Então cadê o Shun? Soube que ele estava indo pra aí e não é possível que ele ainda não tenha chegado estando na velocidade da luz... ele está aí certo?

─Não. – disse de imediato.

─Eu sei que ele está Afrodite, me deixa falar com ele. – disse insistindo.

─Já falei que não Hyoga.

─Mas que droga, então tenta convencer ele, é pro bem de todos.

─Ok, ok, então vou tomar alguma providencia agora, até logo.

─Não desliga, espera, espera. – disse, mas Afrodite já tinha desligado.

─Mas que merda, agora todo mundo achou de desligar na minha cara. – disse já sem paciência.

Naomi volta.

─Pronto Alex.

Ele olhou pra garota e pensou melhor, tinha prometido pra aquele homem que tentaria salvar a família dele, e embora achasse que deveria correr pra ilha de Andrômeda seria inútil o melhor a fazer agora era tentar arranjar mais informações pra convencer Shun definitivamente, e aquela pista era a única que ele tinha, então resolveu ir pra casa do sujeito de uma vez.

─Ok, vamos. – disse e seguiram pra casa do senhor Akio Endo.

Hyoga explicou tudo sobre o homem que capturaram pra Naomi no caminho. Quando chegaram lá cercaram a casa e viram que ela era enorme, estava com as luzes apagadas.

O loiro deu as instruções necessárias a todos os policiais e desceram quatro deles sob as ordens do russo enquanto os outros ficaram em guarda lá fora, afinal se tivessem cavaleiros ali então ele seria o único que poderia detê-los então resolveu levar poucos com ele.

─Fique aqui Naomi. – disse pra garota.

─Mas...

─Fique aqui. – disse aborrecido.

─Hunf.

Foram pra entrada com as armas em punho.

─A casa está cercada, saiam com as mãos pra cima. – gritou um dos policiais.

Silencio... o loiro deu sinal e uma equipe arrombou a porta e eles entraram cautelosamente armados e com lanternas.

─Fiquem atentos. – disse enquanto entravam.

─Será que ainda estão aqui? – disse uma pessoa perto de Hyoga enquanto ele se separava dos outros policiais que faziam o mesmo pra vistoriarem a casa.

─Não sei, talvez... – disse o loiro baixo adentrando um cômodo. ─Mas o que? – disse levando um susto percebendo que quem falava com ele era Naomi.

─Eu mandei você ficar no carro garota. – disse irritado com a garota.

─Eu sei, mas é que... – nem terminou e ouviram tiros dentro da casa.

─AAAHHHH. – ouviram um grito.

Correram pra onde partiam os tiros, a porta de um extenso salão sendo iluminado pela fraca luz da lua que vinham das grandes janelas cobertas por longas cortinas e viram um policial lá agonizando com a lanterna girando no chão.

─O que houve? –disse o loiro segurando o homem que tinha um sério ferimento no peito e sangrava muito, nisso os outros policiais chegaram.

─Não sei senhor, alguma coisa me atacou e eu não consegui ver. – disse com dor e o aquariano imediatamente olhou em volta concluindo que aquilo só poderia ter sido causado por um cavaleiro.

─Temos um homem ferido, chamem uma ambulância. – disse o loiro pelo rádio.

─Leve ele pra fora. – disse pra um policial que obedeceu e levou o homem ferido pra fora o apoiando em seu ombro.

─Vão vocês também. – disse olhando pros outros.

─Mas senhor.

─Vão. – disse sério e eles foram.

─Vai também Naomi.

─Não vou deixa-lo sozinho, somos parceiros.

─Mandei ir Naomi, obedeça. – disse irritado.

─Não.

Mal terminaram de falar e ouviram um barulho mais a frente na escuridão.

De reflexo o loiro vê mais a frente um vulto indo de um lado pro outro mesmo em meio a escuridão.

Imediatamente aumentou seu cosmo e começou a atirar sendo imitado por Naomi que sequer conseguia ver pra onde atirava.

─Alex eu não consigo ver nada... – disse Naomi.

De súbito alguma coisa a derruba e a arrasta pra escuridão.

─ALEXEIII. – gritou.

─Não, Naomi. – disse correndo pra escuridão também.

Ficou no meio do salão sem conseguir enxergar nada. De repente seu celular toca e os inimigos imediatamente atacam em direção ao som.

─Mas que merda, droga, quem é pra me ligar logo numa hora dessas? – pensou irritado enquanto desviava dos golpes e seu celular continuava tocando até cansar e assim que parou de tocar os inimigos pararam de atacar.

─Ora, ora, ora, o que temos aqui. – disse uma voz mordaz em meio a escuridão, podia ser ouvida em todo o lugar em volta e o loiro não pode identificar de onde vinha exatamente, fora que ele sentia mais cosmos mórbidos em volta, tinha mais de um inimigo ali.

Elevou ainda mais o cosmo apesar de ainda estar fraco desde quando levou um tiro.

─Quem é você? Onde ela está? – disse esfriando o ar em volta.

─Hu,hum. – Naomi estava sendo impedida de falar.

─Eu conheço você... um cavaleiro de Atena, só mais uma maldita sombra dela. – disse a voz mudando pra um tom irritado.

─O que você quer? – disse o loiro.

─MATAR VOCÊ E TODA SUA DE SUA RAÇA DESPREZÍVEL. – gritou.

O loiro colocou-se em alerta mais ainda, aquele cosmo era familiar, mas era misturado com um ódio intenso que estava em toda parte, e alguma coisa dificultava sua identificação.

─Não, não, ainda não... Não é a hora de você morrer ainda cavaleiro. – disse baixo de novo e pausadamente.

─Devolva Naomi. – disse o loiro com um tom intimidador.

─Você a quer? Venha pegar. – disse com escarnio.

De repente os cosmos em volta ficaram mais ameaçadores e de súbito vários golpes começaram a ser desferidos no loiro que mesmo em meio a escuridão podia desviar e revidar. O celular do loiro volta a tocar, e isso facilitava muito o ataque dos inimigos.

Já estava sem paciência e cheio daquela escuridão e mistério, então explodiu o cosmo e começou a congelar tudo que estivesse por perto fazendo quem o atacava recuar rapidamente. Seu celular para de tocar novamente.

Ficaram em silencio de novo.

─Onde está Naomi? – disse o loiro.

─Devia estar preocupado com você mesmo cavaleiro. – a voz voltou a falar.

─Você também é um cavaleiro, posso sentir seu cosmo familiar, ambos lutamos pelo mesmo ideal que é a paz, então porque está fazendo isso?

─SILENCIO. Você não sabe de nada. – disse com uma voz amargurada.

─Quem é você? Foi você que assassinou o imperador? Qual o objetivo disso?

─Você saberá... Mas não agora, você só saberá quando estiver no seu ultimo suspiro de vida quando eu o matar com minhas próprias mãos. – disse irritado.

─Ggrrr. Já chega disso, você não sabe quem eu sou, se soubesse me temeria seu insolente. – disse o loiro perdendo a paciência e congelando tudo em volta causando um clarão e fazendo iluminar o salão inteiro com sua energia. Fazendo os cavaleiros mórbidos estremecerem com aquela energia impressionante.

Nisso ele pode ver tudo em volta, haviam vários cavaleiros encapuzados e um deles detia Naomi. Mas mal pode ver tudo e eles desaparecem usando suas velocidades, quebram as grandes janelas jogando estilhaços de vidro pra todo lado e saíram numa velocidade impressionante fazendo logo em seguida seus cosmos sumirem.

Antes de ir o cavaleiro que falava com ele joga Naomi no chão.

─Isso ainda não acabou cisne, eu sei quem é você, mas eu não tenho medo... É chegada a hora de acabar com um de vocês legendários e todo esse circo que vocês criaram vai acabar... Esse é só o começo, a guerra só está começando. – disse e queimou o cosmo também e estranhamente jogando uma rajada de fogo pra cima e acertando o teto.

Isso fez vários escombros irem a baixo de encontro a Naomi que estava caída no chão. O loiro imediatamente a socorre, mas deixa o sujeito fugir.

Os escombros caíram e destruíram boa parte do assoalho, se atingisse Naomi provavelmente ela teria morrido com o impacto. Estava com Naomi em seus braços e deixou no chão e correu pra janelas pra ver se ainda podia vê-los, mas era inútil, pois os cosmos já tinham desaparecido.

Ficou olhando pra frente e pensou melhor.

─Acabar com um de nós legendários... – disse pensando alto. ─Eles realmente pretendem atacar a ilha de Andrômeda... Shun, eu tenho que correr.

Foi pra perto de Naomi.

─Como você está? – disse baixando pra olhar a japonesa com o salão bem mais iluminado sem as janelas cobertas.

─Estou bem Alex.

O loiro ficou olhando pra ela e sua expressão ia mudando pra irritado.

─Naomi... Quando e disser pra se retirar, OBEDEÇA, DROGA. – disse alterado socando o chão e assustando Naomi.

─De-desculpa Alex, eu só estava tentando... ajudar. – disse chorosa pela fúria do aquariano.

O loiro olhou pra ela por um tempo e suspirou.

─Desculpe, não queria assusta-la. – disse com a voz calma de novo.

Ela olhou pra ele e baixou a cabeça.

─Eu sei... Eu só atrapalhei... Desculpe.

─Naomi, você precisa saber de muitas coisas, mas eu não posso te contar isso agora, aguarde meu retorno que eu lhe contarei tudo, talvez essas informações possam salvar sua vida algum momento... Talvez lhe sirva também como um radar de perigo. – disse olhando irritado pra garota. ─Mas agora eu preciso correr, tenho um amigo que precisa de ajuda.

─Mas e a tal família Endo?

─Eles estão aqui, eu senti a presença de humanos comuns no porão, a energia é fraca, mas eu suponho que todos estejam bem. – disse levantando-se e auxiliando Naomi.

─Vamos. – disse chamando a japonesa.

Entraram no porão da casa e viram três pessoas amarradas, eram a família Endo.

─Vocês estão bem? – perguntou Naomi desamarrando eles.

─Sim. – disse uma garota com a voz fraca, estavam bem, mas machucados, provavelmente sofreram agressão.

─Onde está meu marido? Ele está bem? – disse uma mulher de uns quarenta anos nervosa.

─Sim, ele está bem e aguarda vocês. – disse Naomi sorrindo.

Levaram a família embora e o loiro e Naomi inventaram uma desculpa do que tinha acontecido ali.

─Eu tenho que ir Naomi. – disse o loiro depois de um tempo de terem explicado tudo.

─Ajudar seu amigo?

─Sim.

─Ok, eu cubro sua ausência por enquanto.

─Ok, até logo. – disse se retirando.

─Alex. – o chamou e novo. ─Eu não vou mais decepciona-lo. – disse com a cabeça baixa.

O loiro assentiu e ia seguir pra ilha de Andrômeda quando seu numero de trabalho toca.

─Alô?

─Pato. – disse Ikki.

...

Shun chegou à ilha rapidamente, estava mesmo com Afrodite quando Hyoga ligou, mas não queria falar com ele.

Entendeu o perigo, mas achava um absurdo ter que evacuar mais de duzentas pessoas apenas por uma dedução, então mandou todos para seus postos e que ficassem em alerta, enquanto isso mantinham várias posições na praia pra relatar a presença de qualquer coisa que se aproximasse da ilha.

─Tem certeza disso Shun? – disse Afrodite.

─Tenho, não dá pra tirar todas essas pessoas da ilha assim do nada, o melhor a fazer é aguardar, manter-se em alerta. – disse andando pela ilha e sendo seguido por Afrodite que ainda tentava convencer o virginiano do perigo.

─Mas o Hyoga disse...

─Não quero falar dele Afrodite. – disse aborrecido.

─Você não está agindo racionalmente Shun, está colocando a vida dos nossos pupilos em perigo, e se nós não pudermos deter os inimigos? Lembra que eu não conseguiu falar com Atena nem com o Dohko, não vamos ter o apoio deles se algo acontecer...

─Nada de ruim vai acontecer... Eu estou agindo como um comandante deve agir Afrodite, o fato de eu não querer causar desespero na minha ilha por causa de uma ínfima especulação do Hyoga não quer dizer que eu não esteja zelando pelo bem estar dos meus pupilos. E eu tenho certeza que podemos barrar qualquer ameaça que vier. E amanhã eu mesmo irei até o santuario falar com Atena. – disse mais aborrecido ainda.

─Mas Shun...

─MESTRES. – gritava um soldado vindo do porto.

─O que houve? – disseram juntos.

─Mestres, a mestre June... ela retornou e está gravemente ferida. – disse o soldado se aproximando dos dois.

─O quê? – disseram juntos e correram pro porto.

─June. – gritou Shun se aproximando.

June estava vestida com sua armadura de camaleão que estava parcialmente destruída e ela estava toda ferida, sangrando e quase inconsciente, mas o que Shun observou foi o braço direito dela que estava praticamente lacerado, horrível.

─June. – disse Afrodite a pegando no colo dos braços de um soldado.

─Vamos leva-la pra enfermaria. – disse Shun.

─Shun... Shun. Rápido, eles estão vindo. – disse ela baixo e agonizando.

─Eles quem June? – disse surpreso.

─Estão vindo... estão... – não aguentou mais e desmaiou.

─Leve ela pra enfermaria imediatamente Afrodite. – disse e o cavaleiro obedeceu, estava muito preocupado com a amiga, mas o que será que queria dizer aquilo que ela disse?

─Como ela chegou até aqui? – perguntou olhando pra um dos soldados que estavam ali.

─Ao que parece foi nesse bote que encontramos na encosta senhor. – disse apontando pra um pequeno bote já muito acabado de tão velho.

─Hum... Aumente a guarda, qualquer coisa que aconteça me comunique. – disse e se retirou.

─Sim senhor. – disse o soldado.

Chegou à enfermaria e viu os enfermeiros da ilha tentando fazer alguma coisa por June que ainda estava inconsciente, mas estava muito ofegante e sangrava muito.

─Como ela está?

─O quadro é terrível Shun. – disse Afrodite preocupado.

─Os sinais vitais dela estão muito fracos, estamos a sedando, mas os ferimentos são graves e profundos... Talvez... talvez ela não resista. – disse um enfermeiro.

─Não, a June é forte, ela vai suportar, temos que leva-la a um hospital. – disse Shun.

─Não sugiro isso senhor, ela não iria suportar o transporte e mesmo que resistisse...

─O que? Fale.

─Ela vai perder o braço, passou do tempo de tratar dos ferimentos e o braço dela já está em necrose, temos que amputar.

─Não June, não. – disse indo rapidamente pra perto da amiga.

As lagrimas começaram a brotar em seus olhos, não queria perder alguém tão especial pra ele, a quem conhecia desde a infância e considerava uma irmã.

─Tem alguma chance de salva-la?

─Não senhor, desculpe, mas não podemos fazer mais nada. – disse e se retirou junto com o outro enfermeiro.

─Ligue pra ele Shun. – disse Afrodite que também tinha os olhos marejados.

─O que? Quem? – disse confuso.

─O Hyoga, ligue pra ele agora, anda. – disse sério.

─Mas...

─Mas nada, eu sei que ele pode curar a June, você mesmo me disse que ele desenvolveu essa capacidade, então agora liga pra ele e pede pra ele vir. Isso não é hora pra ter orgulho Shun. Vai, liga. – disse irritando-se.

Shun compreendeu e assentiu. Tentou ligar pro loiro, mas ele não atendia. Insistiu e insistiu e nada.

─Será que ele tá muito irritado comigo? Droga, não é hora pra isso. – pensou irritado e se arrependeu amargamente de não ter atendido o loiro quando ele ligou.

─E aí? – disse Afrodite.

─Ele não atende. – disse triste.

─Continua tentando...

─Já tentei várias vezes.

─Então eu ligo. – disse Afrodite, mas quando ia ligar um soldado aparece.

─MESTRES. – disse um dos dois soldados que chegaram à enfermaria.

─Silencio, estamos numa enfermaria. – disse Shun olhando irritado pro soldado.

─Desculpe senhor, mas é que chegou um visitante na ilha, nós o detemos na praia.

─Se é um visitante então porque deterão ele? Ah, não me diga que é aquele mensageiro de novo? Senão eu vou manda-lo de volta pro santuario com um chute bem no meio do... – disse Shun irritado.

─Não é o mensageiro senhor... Ele disse que se chama Ikki, o detemos porque não sabíamos se era confiável. – disse o soldado, era natural que ninguém na ilha conhecesse mais ninguém além dos que viviam ali, e nenhum dos cinco sentia-se na necessidade de ir até a ilha, nem mesmo pra visitar Shun, afinal provavelmente ele não teria tempo ou mesmo não iria gostar que invadissem seu espaço.

─É meu irmão. – disse passando pelo soldado e indo de encontro ao irmão.

─Irmão? – disseram os soldados se encarando e lembrando que o irmão do mestre deles era o cavaleiro de bronze legendário Ikki de Fênix, e na hora lembraram também que foram rudes com o leonino. ─Vish. – disseram juntos.

─Ikki. – disse feliz em ver o irmão.

─Shun, você está bem? – disse Ikki se aproximando e preocupado com Shun o vistoriando.

─Sim, não aconteceu nada comigo Ikki. – disse enquanto o leonino rondava ele.

─Senhor Fênix. – disseram os soldados se aproximando dos dois e fazendo uma reverencia pra Ikki que estranhou.

─Porque eles tão fazendo isso? – disse olhando pra Shun.

─Não ligue pra isso... Vamos. – disse e guiou o irmão pra enfermaria.

─Você ainda não evacuou a ilha? – disse olhando em volta.

─Ah Ikki, tenho uma preocupação maior agora. – disse triste.

─O que houve?

─June.

Seguiram pra enfermaria e Shun explicou tudo pra Ikki.

─Tá vendo só? Mais um motivo pra você tirar essas pessoas daqui. – disse o leonino impaciente com o irmão.

─Mas eu estou muito preocupado com a June agora, Ikki... ela pode morrer. – disse já com as lagrimas caindo de novo.

Assim que entraram o leonino vê que a situação da amazona não era mesmo nada boa, o cosmo dela estava quase desaparecendo.

─Por Zeus, ela está morrendo. – disse tão sutil quanto podia.

─Não diga isso Ikki. – disse Afrodite. ─O que veio fazer aqui?

─O Hyoga me avisou de um perigo e eu vim caso precisem de ajuda. – disse Ikki.

─Ele te avisou também? – disse Afrodite.

─Sim.

─Você pode falar com ele? – disse Shun.

─É claro, é só ligar pro celular dele ora. – disse Ikki.

─Eu já tentei também Shun, e ele não atende. – disse Afrodite.

─Acho que ele deve tá resolvendo alguma coisa relacionada com o sujeito que capturamos numa perseguição mais cedo. – disse Ikki lembrando-se.

─Perseguição? – disse Shun.

─É uma longa historia... Mas vocês querem saber detalhes do que ele sabe? é isso?

─Não Ikki, presta atenção... a June, ele pode cura-la. – disse Shun.

─Ah, entendi. – disse quando a ficha caiu. ─Bom, então liguem pro numero de trabalho dele, ele sempre atende por esse numero.

─Mas eu não tenho esse numero... Ele nunca passa esse numero pra ninguém. – disse Shun intrigado.

─Eu tenho. – disse Ikki.

─Porque ele passou pra você? – disse Shun inconformado.

─Olha o foco gente... Ikki se você tem o numero mesmo então liga de uma vez pra ele. – disse Afrodite.

─Tá. – disse e discou o numero do loiro e ele de imediato atende, a essa altura ele já estava saindo da casa do senhor Akio.

─Alô?

─Pato. – disse Ikki.

─Ikki? Eu disse pra ligar nesse numero somente se houvesse alguma emergência.

─Sim eu sei, eu sei, estou na ilha de Andrômeda, precisamos de você aqui, é uma emergência.

─Eu já estou indo, tive uns problemas... Mas aconteceu alguma coisa mais grave? – disse preocupado.

─Sim, a June está gravemente ferida, precisamos que você a cure.

─June? O que houve com ela?

─Aff, vem logo.

─Já falei que tô indo, é que meu cosmo ainda tá fraco desde cedo, por isso estou demorando. – disse se esforçando pra chegar à ilha na velocidade do som.

─Imaginei que ainda estivesse fraco, mas será que você vai conseguir curar? Você mal se curou naquela hora. – comentou.

─Não custa tentar. É muito grave?

─É. – disse olhando pra amazona.

─Entendo, vou me apressar então. – disse e desligou e aumentou a velocidade.

─Ele tá vindo. – disse Ikki.

Afrodite e Shun suspiraram aliviados.

─Que bom... Mas você disse que ele está fraco? – disse Shun preocupado.

─Sim, nós nos envolvemos num tiroteio mais cedo e o Hyoga foi atingido, foi daí que ele ficou sabendo de um bombardeio aqui na ilha e tentou te avisar, mas aí ele falou que não conseguia falar com você e acabou ligando pra mim...

─Ferido? Como ele está? O que mais você sabe Ikki?

─Calma, ele tá bem sim, só tá fraco... Tem muita coisa acontecendo Shun, você realmente tem que tirar essas pessoas daqui. – disse Ikki.

─Eu falei pra ele. – disse Afrodite.

─Aff, olhe em volta Ikki, meus soldados são bem treinados e são perfeitamente capazes de enfrentar qualquer ataque. – disse Shun confiante.

─É um bombardeio Shun... Segundo o Hyoga se fosse um ataque por terra até que seus soldados teriam chance, mas pra um ataque aéreo todos aqui correm muito perigo, e provavelmente será um ataque bem organizado e assim eles podem destruir a ilha em questão de segundos, você não vai ter a mínima chance de revidar Shun... Tem que evacuar a ilha enquanto pode. – disse Ikki.

─Parece que você e o Hyoga andam conversando bastante heim. – Shun disse enciumado.

─Shun, Shun... estão, estão vindo. – disse June acordando de novo.

─JUNE. – gritou Shun correndo até a garota segurou sua mão e a ouviu falar.

─Shun, eles estão vindo, proteja, proteja a todos. – disse com a voz fraca.

─Eles quem June? Proteger contra quem? – disse aflito.

─Proteja a todos. – disse e desmaiou de novo.

─Ela está piorando... Cadê o Hyoga? – disse Afrodite impaciente.

─Mestre. – disse Lorenzo na porta da enfermaria e parecia muito preocupado.

─Lorenzo? O que faz aqui? Quem deu permissão de sair do alojamento? – disse Shun.

─Vim ver como está a mestre June... ela vai ficar bem? – disse na porta olhando pra garota no leito da enfermaria.

─Sim, agora saia daqui que isso não é lugar de criança. – disse Afrodite.

─Mas... ela está... dormindo mestre? – perguntou triste com as lagrimas saindo.

Shun olhou pro garoto triste e suspirou.

─Vamos Lorenzo. – disse saindo com o garoto.

─A June vai ficar bem sim, tem alguém vindo ajuda-la, ele vai cura-la e ela via ficar novinha em folha você vai ver. – disse sorrindo pro pupilo.

─Jura? – disse enxugando as lagrimas e sorrindo.

─Juro. – disse sorrindo e acariciando os cabelos rebeldes do garoto.

─Senhor. – disse um soldado chegando de novo.

─O que foi agora?

─Outro invasor senhor.

─Invasor? – disse Afrodite na porta da enfermaria também.

De imediato sentiram o cosmo.

─É o Hyoga. – disseram juntos.

─Eu vou busca-lo. – disse Afrodite.

Assim que chegou a praia viu o loiro aborrecido com uns soldados que o impediam de passar, parecia que ele tinha ido pra lá na pressa mesmo, ainda estava com as roupas de trabalho.

─Parado invasor. – disse um soldado com uma lança apontada pro loiro.

─Eu já falei que sou amigo de Shun. – disse entediado com as mãos nos bolsos.

─É mestre Andrômeda pra você. – disse o outro soldado.

─Aff, me deixem passar de uma vez, é uma emergência. – disse impaciente.

─Não, até um dos três mestres autorizarem.

─E quanto tempo isso vai demorar? – disse gesticulando e fazendo os soldados se afastarem mais ainda.

─Não interessa, apenas espere.

─Vocês não sabem quem eu sou? Se não me deixarem passar eu terei que usar a força. – disse aborrecido.

─Não me interessa quem você seja. E você franzino desse jeito nunca passaria por nós. – disseram com desdém pro loiro que parecia uma pessoa muito comum vestido daquele jeito, mas ainda assim era uma ameaça.

─Por favor, isso é ridículo, me deixem passar. – disse avançando alguns passos.

─PARADO. – disse o soldado.

─Eu não faria isso se fosse vocês. – disse Afrodite do alto nas pedras da praia que observava a cena lá embaixo.

─Mestre Afrodite. – disseram os soldados juntos.

─Oi Hyoga. – disse Afrodite sorrindo pro loiro.

─Até que enfim. – disse o loiro suspirando. ─Posso passar agora? – disse olhando pro soldados que estavam brancos agora.

─Vo-você é Hyoga de Cisne? O cavaleiro de bronze de cisne? Um legendário? – disseram pasmos, primeiro o Fênix e agora o Cisne, achavam que iam morrer sem conhecer outro legendário, ouviam as façanhas dos cinco em historias o tempo todo, e ver num dia só dois deles era surpreendente, não era a toa que respeitavam tanto Shun.

─Sou.

De imediato os soldados se entreolharam e curvaram-se pro loiro.

─Senhor Cisne. – disseram com a cabeça baixa.

─Hã? Porque eles tão fazendo isso? – perguntou confuso olhando pros soldados e pro pisciano lá em cima.

─Nem liga pra isso não Hyoga, vem logo. – disse chamando logo o loiro pra segui-lo.

─Hm... Com licença. – disse olhando pros soldados e num salto alcançou Afrodite lá em cima.

Deixando dois soldados nas nuvens.

Seguiram caminho e o loiro logo percebeu.

─Não acredito que Shun ainda não evacuou a ilha. – disse irritado olhando em volta.

─Eu tentei convence-lo, juro. – disse Afrodite suspirando.

─Mas que droga, isso é perigoso Afrodite, eu vi os cavaleiros, e pelo modo que falaram o ataque vai ser muito em breve, temos pouco tempo.

─Você os viu?

─Sim, eles não são muito fortes, e vocês me ligaram justamente quando eu estava com eles.

─Ah, foi? desculpe.

─Não faz mal... mas sem querer ofender, vocês não tem a mínima chance com esses soldados aí. – disse o loiro.

─Sei disso, mas nem tem porque você comparar seu poder com o deles, porque mesmo você estando fraco seu cosmo não tem nem comparação, além do mais eles ainda não estão com o treinamento concluído, e eu já tenho ideia da força desses cavaleiros misteriosos, não temos certeza, mas achamos que foram eles que lutaram contra a June. – comentou.

─Como ela está?

─Muito machucada, os enfermeiros disseram que ela pode não sobreviver, e mesmo se conseguir ela vai perder o braço... Espero que você seja capaz de cura-la Hyoga. – disse com uma expressão extremamente preocupada.

─Meu Deus... e mesmo assim o Shun ainda não tomou nenhuma atitude?

─Não, ainda... Tenta convencer o Shun agora, apesar dele ainda não querer falar com você.

Aproximaram-se e já na entrada viram Shun com Lorenzo.

─Hyoga. – disse Shun sorrindo aliviado em ver o loiro.

─Onde ela está? – foi logo dizendo.

─Lá dentro Hyoga. – disse Afrodite e seguiram logo pra dentro e o loiro sequer deu atenção pra Shun.

─Pato. – disse Ikki sorrindo.

─Oi frango. – disse sorrindo e Shun que já entrava percebeu aquele clima.

Hyoga olhou pra garota no leito e ficou muito surpreso e assustado.

─Deus... o que aconteceu com ela? – disse se aproximando rapidamente da garota.

─Não sabemos ainda, ela veio de uma missão. – disse Shun.

O loiro começou a analisar o ferimento da garota e concluiu que precisaria de muita energia pra curar aquilo. Tocou o rosto dela e viu que estava com uma alta temperatura.

─E então Hyoga? Pode curar? – disse Ikki.

─Sim, mas vai demorar. – disse sentando-se ao lado de June na cama e tirando a armadura que ainda estava no corpo da moça e os pedaços de pano da vestimenta que ainda restaram grudados no braço ferido dela com sangue, a despiu até a altura dos seios e viu que ela toda tinha cortes profundos pelo corpo, lembrou-se que já tinha visto aquele tipo de ferimento antes, há muito tempo atrás.

─O braço dela praticamente tá caindo, deve estar com uma dor insuportável. – pensou quando viu o corpo da amazona com o braço direito praticamente todo virado e lacerado, sangrando muito, provavelmente ela tentou revidar algum ataque com seus chicotes que acabaram cortados e quase levou seu braço junto, olhou pra expressão dela, com os olhos crispados suando e dando alguns gemido de vez em quando, parecia sofrer muito.

─Fiquem em silencio. – disse e fechou os olhos pra concentrar energia.

O ar ficou frio rapidamente e o loiro aproximou suas mãos do ferimento da moça, mas sem toca-la. Estava fazendo tanto aquilo ultimamente que nem precisava mais formar a bolha d'água, restava apenas concentrar o cosmo nas mãos.

Ainda estava fraco e demorou mais do que queria pra concentrar a energia necessária.

Ficou vários minutos com as mãos sobre o ferimento, aos poucos a carne cortada do braço de June foi se juntando e voltando pra posição original, o ferimento ia se fechando aos poucos, mas mesmo assim June fechou a expressão mais ainda com a dor da carne se fechando, mesmo que estivesse sedada.

Em mais alguns minutos e o ferimento do braço de June se fechou completamente e amenizou as feições da moça. Hyoga passou pro restante dos ferimentos do corpo dela e aos poucos a curou por completo, seu cosmo estava extremamente fraco a essa altura.

Quando terminou estava completamente ofegante e mais fraco ainda. Tentou levantar mais não conseguiu, parecia que ia desmaiar.

─Hyoga. – disse Ikki percebendo e aproximando-se do aquariano para acudi-lo.

─Ela... vai... ficar... bem. – disse pausadamente tentando puxar ar para os pulmões.

─Muito obrigado Hyoga. – disse Afrodite aliviado.

─Você está muito fraco pato, tem que descansar muito agora. – disse Ikki acudindo o aquariano e o ajudando a sentar-se em uma cadeira pra descansar.

Shun começou a prestar atenção naquela cena, mas só de ver June curada procurou ignorar aquilo por enquanto.

Aproximou-se de June e acariciou a face da moça aliviado.

─Muito obrigado Hyoga, obrigado mesmo. – disse com as lagrimas que insistiam em cair.

Ficou sorrindo olhando ternamente pra amiga ainda desmaiada e aproximou-se e deu um beijo na testa da moça.

Agora era Hyoga que observava aquela cena, sentia algo estranho dentro de si, aquilo não lhe agradou nenhum pouco, seria aquilo... Ciúmes? Não, definitivamente não, talvez estivesse muito cansado mesmo e estava começando a pensar besteiras.

─Mestre June. – disse Lorenzo entrando e chamando a atenção de todos.

─Não pode entrar aqui Lorenzo. – disse Afrodite pro garoto.

─Mas... – olhou pro aquariano sentado o observando. ─Senhor Hyoga, obrigado. – disse sorrindo e curvando-se pro loiro.

─Por que... As pessoas daqui... Ficam fazendo isso? – disse o loiro estranhando e falando ainda um pouco ofegante.

─Isso é estranho. – completou Ikki com os braços cruzados olhando a cena.

─Você pode agradecer o Hyoga mais tarde Lorenzo, mas agora você tem que sair que a June precisa descansar. – disse Afrodite.

─Obrigado, obrigado, senhor Cisne. – disse Lorenzo sorrindo ainda com Afrodite o empurrando pra fora.

─De nada. – disse o loiro baixo e balançando a cabeça.

─Parece que ele gosta mesmo da June. – comentou Ikki.

─Parece que não é só ele. – disse o loiro olhando pra Shun.

─A June foi quem cuidou dele desde que chegou, é natural que ele goste muito dela. – disse Shun com as mãos da amazona entre as suas.

Ficaram em um breve silencio.

─Shun eu vou ver se os soldados viram de onde June veio, já volto. – disse Afrodite.

─Ah sim, claro.

─Vou dar uma volta por aí também pra ver como está a segurança. – disse Ikki se retirando também.

Hyoga passou uns dez minutos ali descansando.

Shun ainda estava ali velando o sono de June, não se separava da garota nenhum minuto e isso deixava o aquariano cada vez mais desconfortável. Não trocaram nenhuma palavra desde então.

Na realidade Shun ainda estava ali porque Hyoga ainda estava e o mesmo o loiro fazia, já que tinha recuperado um pouco mais de energia e já podia se levantar sozinho, mas preferiram ficar ali, juntos, velando June que sequer podia saber que os dois estavam ali.

Hyoga não parecia de bom humor e era aí que ele não abria a boca pra pronunciar uma única palavra mesmo e Shun não parecia que queria conversar também.

O loiro fingia olhar pra um ponto qualquer daquele pequeno quarto e dava breves olhares pro virginiano e Shun fazia o mesmo.

Não se encaravam, desde aquele beijo em que Shun quis romper qualquer laço com o loiro por não ter a mínima chance com ele, o clima tenso entre os dois era quase palpável.

Hyoga sentia-se na tentação e abraçar o virginiano, mas não o fazia por orgulho, afinal estava irritado com Shun por ter ignorado suas ligações e não ter feito ainda o que ele sugeriu para proteção da ilha, e Shun não queria receber outra rejeição do loiro, por isso não ousava de aproximar, e pela expressão fechada do russo estava mais do que obvio que ele não estava pra conversa.

De repente Hyoga levanta.

─Aonde você vai? – disse Shun.

O loiro não respondeu, ignorou Shun e saiu.

─Hyoga espere. – disse Shun seguindo o russo.

Hyoga continuava em silencio olhando em volta como se tivesse algo muito interessante pra se ver ali.

Ainda havia soldados circulando o tempo todo.

─Fale comigo Hyoga... Vamos conversar. – disse Shun tocando o braço do loiro.

Finalmente o loiro o encara sério fazendo o virginiano estremecer com aquele olhar.

─Agora você quer conversar? Pensei que não quisesse falar comigo. – disse aborrecido.

─Não fala assim Hyoga. – disse triste. ─Er... Vamos pra sala de reuniões, lá teremos privacidade. – disse Shun olhando pro aquariano que resolveu segui-lo mesmo a inconformado.

Chegando lá o loiro encostou-se na mesa e cruzou os braços numa expressão que parecia que ia explodir a qualquer momento, enquanto isso Shun fechava a porta.

─Porque ainda não evacuou a ilha? – disse o loiro de imediato.

─Não dá pra tirar mais de duzentas pessoas daqui tão facilmente Hyoga. – disse tentando se explicar.

─E porque você não atende essa porcaria de celular? – disse irritando-se mais ainda.

─E-eu falei que não queria falar com você... – disse ficando nervoso com o aquariano.

─Isso não tem nada a ver com a gente. – disse franzindo cenho.

─Naquele dia eu avisei que queria me afastar de você, o que esperava ora? – disse se defendendo.

─Mesmo pra assuntos de emergência droga? – disse se aproximando de Shun.

─E-e co-como eu ia saber? – disse se encolhendo enquanto o aquariano se aproximava mais.

─Eu liguei pro Ikki e pro Afrodite, você sabia. – disse agarrando a gola do virginiano em ameaça e o erguendo um pouco, irritação era pouco pro que estava sentindo, eram poucas as vezes que isso acontecia com ele, mas o virginiano bem que estava pedindo, principalmente naquele dia que tudo parecia estar dando errado pra ele.

─Tá bom eu sabia, mas é que... eu, eu... me solta. – disse tentando se soltar do aquariano que agarrava sua camisa e parecia que queria descontar todo seu aborrecimento nele.

─Que espécie de mestre é você que não se preocupa com a segurança de seus pupilos?

─Não me preocupo? – agora foi Shun que se irritou.

─É o que parece... Tem cavaleiros vindo pra cá, provavelmente foram eles que atacaram June e ela veio te avisar, e o que você faz? Você ignora todos os avisos e fica feito um idiota confiando a segurança da ilha em seus soldados que mal tem o treinamento concluído e não podem proteger nem a si mesmos. – disse alterado com o virginiano.

─Não me venha com sermões, eu sei muito bem o que faço. – disse irritado também.

─Não, você não sabe o que faz Shun. – disse ainda irritado com a única mão na camisa do virginiano o encostando na parede e o erguendo ainda mais mesmo estando fraco.

─Me-me so-solta Hyoga. – disse se debatendo tentando se soltar da mão do loiro que o segurava.

─Você não se preocupa com eles. – disse irritado descendo o sermão.

─Eu me preocupo com todos Hyoga, há seis anos eu dou meu suor todos os dias por essa ilha, você me ofende muito me dizendo essas coisas. – disse olhando irritado pro loiro que ainda o encarava.

De repente o loiro o soltou e o fez cair sentado no chão.

─Então você é um idiota mesmo. – disse dando as costas pra Shun.

─Idiota? Idiota? – disse ficando mais ofendido ainda.

─Só pelo estado que June estava dá pra saber o nível desses cavaleiros, e olha que ela é uma amazona de prata, você não é capaz de enfrentar todos juntos.

─Não sou capaz? Seu loiro burro, metido, irritante, prepotente e idiota, eu sou um legendário também droga, estou farto de vocês acharem que eu sou fraco e indefeso, eu também sou tão forte quanto qualquer um de vocês. – disse explodindo de raiva agora, estavam discutindo, coisa que raras vezes aconteciam.

─Então é disso que se trata? Você quer provar sua capacidade? E nisso você prefere colocar todos os seus pupilos em perigo só pra mostrar que está certo?

─Não é isso idiota, eu confio na capacidade de meus soldados, sei que eles são capazes e deposito toda minha confiança nisso.

─Aqueles cavaleiros falaram de um bombardeio seu imbecil, vocês não tem defesa contra um ataque aéreo. – disse voltando-se pro virginiano de novo.

─Nós temos arqueiros. – disse o virginiano.

─Afff. Você é surdo garoto?

─Para de gritar comigo. – disse choroso.

O loiro suspirou balançando a cabeça em desaprovação e começou a dar voltas no mesmo lugar, tentando se acalmar.

Ficaram num silencio torturante por um tempo. Shun estava muito triste, nunca Hyoga tinha se aborrecido tanto assim com ele. E o loiro tentava se acalmar, dessa vez estava realmente irritado, parecia que aquele dia não acabava nunca.

─Onde foi a missão da June? – disse massageando os olhos e com a mão na cintura se acalmando.

─Fo-foi na Rússia. – disse com a cabeça baixa.

─Hm. – ficou pensativo, lembrou-se da morte do imperador e a relação que estavam fazendo com os russos.

─Ela estava com a armadura... isso foi uma ordem do santuario? – o loiro perguntou.

─Sim, ela foi mandada antes de ontem. – disse baixo.

Hyoga lembrou-se do que Ikki disse, que Marin também tinha sido mandada em missão com a armadura e Jabu também, e mais tantos outros cavaleiros de prata.

─Qual era a missão?

─De apoio, esta tendo uma guerra civil por lá e June foi enviada pra socorrer os feridos.

─O santuario deve ter mandado Marin pra lá também... Talvez eles estejam querendo abater primeiro os cavaleiros de prata, se não mataram June é porque queriam que ela os trouxesse até aqui. – pensou o loiro.

─Shun. – disse olhando pro virginiano que continuava encolhido no chão.

─Hum? – disse erguendo o olhar pro russo.

─Tente sentir o cosmo de Marin. O meu está fraco, e acho que ela esteja bastante distante então eu não vou conseguir sentir.

─Mas pra quê?

─Tenta logo. – disse irritado.

─Hunf. – a essa altura sua paciência com o aquariano também não era das melhores, mas resolveu obedecer.

Fechou os olhos e concentrou-se, tentou sentir o mais ínfimo cosmo de Marin. Ficou vários minutos nisso, afinal sentir uma energia era difícil e quanto mais distante a pessoa estivesse mais difícil ainda era localiza-lo.

Hyoga se aproximou de Shun no chão e ficou aguardando.

─Achei, ela está... No Oriente, faz uma trilha com o rastro do cosmo de June e está muito fraco. – disse surpreso abrindo os olhos.

─Então estavam mesmo juntas... Será que ela também está ferida? – disse o loiro mais pra si mesmo.

─Parece que é isso mesmo, o cosmo dela também tá fraco, mas porque o santuario não avisou desse perigo?

─Não sei, talvez não soubessem... Mas esses cavaleiros vão seguir a trilha do cosmo de June, podem chegar aqui a qualquer momento, talvez estejam planejando um ataque maior ou vendo qual atitude vamos tomar pra eles agirem.

─Não se preocupe, meus soldados vão avisar caso qualquer coisa se aproxime da ilha.

─Por que você não me ouve Shun? Você tem que tirar todos daqui. Porque você é tão teimoso? – disse o loiro.

─Olha quem fala. – disse irritado olhando pro russo.

Suspiraram juntos de novo irritados um com o outro, ficaram próximos se encarando em silencio, mas Shun desviou o olhar suspirando.

Lembraram-se daquele beijo. Shun tinha o russo, ali tão perto, não esperava vê-lo tão cedo desde aquela conversa que tiveram, não saia da sua cabeça que o loiro disse que não o amava, e parecia que nunca amaria.

Hyoga também pensou em tudo que conversou com Ikki sobre amor, estava estressado e aborrecido com Shun, mas mesmo assim sentia que devia proteger aquele garoto, não conseguiu tira-lo da cabeça desde aquele dia, sonhou com ele, estava extremamente preocupado, será que... Que não sentia nada mesmo por ele?

─Shun. – disse baixo, queria se redimir, embora estivesse difícil manter sua imaculada calma.

─O que é? – disse erguendo o olhar pro loiro.

─Eu... Aquele dia eu...

─Qual? Aquele dia que você me dispensou sem o mínimo de ressentimento? – disse triste.

─Não foi bem assim...

─Chega Hyoga... Não quero falar disso, você já deixou bem claro que nunca vai haver nada entre nós, nem sei por que você está aqui. – disse irritado com os olhos começando a ficar marejados.

─Me preocupo com você, seu garoto mimado e teimoso... e não é só pelo que houve que eu quero que você se afaste de mim droga. – disse sério e ainda próximo do rosto de Shun.

─Não sou um garoto nem mimado, sou um adulto responsável.

─Então haja como um. – disse o loiro.

─Chega... e sai de perto de mim. – disse afastando o loiro. ─Sabe o quanto é difícil manter o controle com você assim tão perto? – disse com as lagrimas caindo.

─Não é hora pra essas coisas, eu já ouvi tudo que você tinha a dizer aquele dia, e você sequer me deu uma chance de me redimir e resolveu se afastar, fugindo de mim.

─Eu não fugi, apenas me afastei, e o que você queria? Não dá pra continuar perto de você sabendo que você me despreza.

─Eu não te desprezo seu idiota, acha que se fosse isso eu estaria aqui agora?

─Você só sente pena e remorso. –disse Shun.

─Você não sabe o que eu sinto e sequer quer saber, só se importa com você mesmo, do que quer, do que precisa, tenho duvidas agora se toda aquela declaração que você disse é verdade mesmo. – disse irritado, nunca duvidaria do amor de Shun, mas estava tão irritado como nunca esteve e dizendo coisas que com certeza se arrependeria.

─Como ousa me dizer isso? Eu te amo, te amo, droga, será que você não vê? – disse choroso.

─E-eu sei, eu só, só... – suspirou baixando a cabeça. ─Desculpe, eu não sei o que deu em mim, não quero mais brigar Shun.

─Nem eu. – disse triste.

Hyoga permanecia sério olhando o virginiano, ele parecia tão indefeso... odiava duvidas, tinha que tirar a prova daquilo, do que sentia, será mesmo que não era capaz de amar Shun como o virginiano queria? Parecia tão mais fácil agora.

O loiro foi se aproximando do rosto de Shun lentamente e fechando os olhos... O que seria aquilo? Seu corpo agia sozinho, mas pensando bem, ele queria aquilo, queria?

Shun estava pasmo com aquela aproximação espontânea. Hyoga iria beija-lo?

─Hy-Hyoga? – disse baixo.

Mas antes de se aproximar mais alguém bate na porta.

─Shun. Está aí? – chamou Afrodite lá de fora.

Isso fez o loiro se afastar de imediato. Levantou suspirando.

─Droga. – pensou o virginiano, queria ver até onde aquilo iria dar.

─Entra. – disse o loiro colocando as mãos nos bolsos.

─Hyoga? – disse Afrodite entrando e vendo Shun no chão com cara de bobo e o loiro se fazendo de desentendido.

─O que estavam fazendo? – perguntou desconfiado olhando para os dois.

─Conversando. – disse o loiro tranquilamente enquanto Shun já levantando olhava estranho pra ele.

─E decidiram alguma coisa?

─Não. – disse olhando torto pro virginiano de novo.

─Decida de uma vez Shun. – disse Afrodite.

─Não há nada pra decidir. – disse voltando a ficar irritado.

─Aff. Bom, eu vim avisar que a June está acordando.

─O que? – disseram juntos.

Correram de volta pra enfermaria e Ikki já estava lá.

─Ela disse alguma coisa? – disse Shun entrando.

─Sim, ela está agonizando e ainda com febre, mas falou alguma coisa sobre cavaleiros mortos. – disse Ikki olhando pra amazona.

─Cavaleiros mortos? – disse Afrodite.

─Sim... Achei que ela estivesse acordando, mas estava apenas delirando. – disse Ikki.

─Você não a curou direito Hyoga? – disse Afrodite.

─Não seja tolo, eu fiz o que pude, mas há algum tempo percebi que meu poder cura apenas ferimentos externos. – disse o loiro.

─Mas é essa a intenção não é? – disse Afrodite.

─Não, isso só acontece na televisão e nos quadrinhos, estamos na vida real e aqui a medicina não é tão simples assim, eu não tenho uma varinha magica sabia. – disse o loiro sarcástico.

─Nooossaaa, como você é doce né Hyoga. – disse Afrodite sarcástico também e irritado com o comentário do russo.

─Como assim? Está dizendo que a dor é só na mente dela? – disse Shun interrompendo a possível discursão.

─Mais ou menos. – disse Hyoga.

─Hum, como sabe disso? – disse Ikki.

─Eu não entendo muito de medicina, mas... Lembra quando socorremos Jacó da nevasca? – disse olhando pro leonino.

─Sim.

─Depois de um tempo nós o aquecemos e ele já estava livre da hipotermia, mas ainda estava com muita febre, eu tentei ajudar de novo, mas não pude fazer nada, o corpo dele tinha que agir naturalmente pra voltar ao equilíbrio... não sei explicar direito, mas acho que o corpo da June ainda tenha que voltar ao equilíbrio, como uma forma de perceber que já está curado, acho que é mais ou menos isso.

─Não entendi muito bem, está dizendo que o corpo dele não sabia que estava curado? – disse Ikki confuso.

Afrodite e Shun ouviam aquela conversa que não fazia sentido algum pra eles.

─Hm, deixa eu ver se explico melhor... – disse pensando melhor. ─Quando eu tentei curar o ferimento da bala, mesmo com o cosmo fraco eu consegui fecha-lo lembra? – disse recordando o ocorrido de horas atrás.

─Sim. Você conseguiu conter a hemorragia. – completou Ikki.

─Sim, eu juntei o musculo e os tecidos danificados pela bala e fechei o ferimento por completo.

─Então tecnicamente você já estava curado. – disse Ikki pensando. ─Mas você ainda estava com dor.

─Esse é o ponto, o meu corpo ainda estava fraco e não tinha identificado ainda que o ferimento já estava fechado e parcialmente curado, assim meu sistema nervoso não respondeu de imediato, logo o sangue não voltou a circular como devia, por isso eu ainda sentia dor, porque meu corpo ainda não tinha entendido que tudo já estava bem pois o cérebro ainda não tinha comunicado isso pra ele. – explicou da melhor maneira que pode.

─Então quanto mais fraco estiver mais o corpo vai demorar a receber os estímulos pra regularizar o sistema nervoso, ele demora a entender a mensagem que o cérebro manda pro resto do corpo?

─Isso mesmo, trata-se de uma questão psicológica, o trauma que o corpo sofre impede o cérebro de entender de imediato o que está acontecendo no resto do corpo e até que a mente entenda o corpo ainda vai sentir dor. – concluiu.

─Quando a cabeça não pensa o corpo padece. – disse Ikki pensando alto.

─rsrsrsrs. É, acho que é mais ou menos isso aí. – disse o loiro rindo do comentário de Ikki e fazendo-o sorrir também.

─Do que vocês estão falando? – disse Afrodite confuso.

─É que passamos por muita coisa mais hoje. – disse Ikki.

─Bem vi. – disse Shun olhando torto pros dois que pareciam dois camaradas, não se lembrava deles dois se entendendo tão bem assim no passado.

─Isso não vem ao caso, o que vocês têm que entender é que a June ainda vai demorar um pouco pra se estabelecer mesmo que já esteja curada, ela precisa descansar bastante. – disse Hyoga.

─Hum. Então ela não vai poder explicar exatamente o que houve com ela tão cedo. – disse Shun.

─Mas temos que tomar uma atitude logo. – disse Afrodite.

─Não vamos ser tão precipitados. – disse Shun.

─Mas que... – disse o loiro se segurando pra não soltar um palavrão. ─O que mais você está esperando Shun? Não há nada mais pra explicar, tem um perigo iminente vindo bater a sua porta e você o espera como se não fosse nada, e estamos nós quatro discutindo coisas obvias ao invés de tomar logo alguma atitude, e só esperando pela sua boa vontade pra agir, você está os subestimando e abusando do tempo que resta. – disse o loiro perdendo a paciência.

─Ele tem razão Shun. – disse Afrodite.

─Ainda temos tempo, eles não atacaram ainda por algum motivo. – disse Shun.

─E você está esperando a boa vontade deles? – disse Hyoga.

─Não estou não... e eu que estou no comando aqui, minha decisão é o que vale e eu não vou fazer nada impensado. – disse Shun irritado também.

─E o que tem pra pensar? É um ataque com armas de fogo droga, nem mesmo nós temos poder suficiente pra conter um ataque desse tipo, temos que achar um jeito de proteger todas essas pessoas.

─Claro que temos poder pra isso, podemos destruir um exercito se quisermos. – disse Shun.

─E como fica os habitantes da ilha nesse ataque todo heim? Ficam aqui no meio do fogo ateado? – disse Hyoga.

─E o que você queria seu estupido? Quantas vezes eu tenho que falar que não dá pra deslocar mais de duzentas pessoas assim de uma vez da ilha? – disse Shun alterado.

─Tem outra ilha a uns cinco quilômetros daqui, podemos envia-los pra lá. – disse Ikki.

─E quanto ao transporte? Só temos um navio na ilha. – disse Shun.

─Já pensou que podemos dar mais de uma volta? – disse o loiro com ironia.

─Ah tá, num navio que só cabem no máximo vinte pessoas? Quantas horas acha que podemos perder nisso? – disse Shun.

─É só fazer as contas ora. – disse Hyoga.

─Vamos perder muito tempo e no final esses cavaleiros podem acabar nos atacando nessa outra ilha e não vai adiantar de nada todo o trabalho. – disse Shun.

─Melhor do que ficar aqui sem fazer nada. – disse o loiro.

─Calma vocês dois, estão casados a quanto tempo? – disse Afrodite com deboche.

─Quieto Afrodite. – disseram os dois pra Afrodite que se encolheu.

─Calma, isso não é hora pra discursões... – disse Ikki. ─Você não pode congelar o caminho até a outra ilha Hyoga, como uma ponte? Daí nem iria precisar de navio.

─Meu cosmo ainda está fraco, e ainda por cima são cinco quilômetros, não vai dar. – disse o loiro.

─É só congelar. – disse Afrodite.

─Não é tão simples assim, vocês acham que eu crio gelo assim do nada? Tem o movimento do ar, das ondas, a espessura e largura da ponte, tem a intensidade do meu cosmo e fora que podem ter outros navios passando e podem nos ver, e eu já mencionei que são cinco quilômetros? Se eu estivesse com minha energia normal até que poderíamos pensar nisso, mas agora não vai dar. – disse o loiro.

─É, você tem razão, nisso você pode acabar esvaindo sua energia por completo e ficar igual aquele dia na Sibéria, quando quase perdeu todas as energias tentando achar Jacó. – disse Ikki.

─Isso mesmo, dai eu seria um peso morto e não poderia ajudar caso fossemos atacados. – disse Hyoga.

─Você pode descansar... talvez nem venham hoje. – disse Afrodite.

─E vamos ficar aqui contando com a sorte? Temos que pensar em outras alternativas. – disse Hyoga.

─Como tem tanta certeza que viram Hyoga? – disse Ikki.

─Eu já te contei.

─Agora conta direito pra todos nós. – disse Afrodite.

O loiro suspirou e começou a contar tudo que aconteceu desde quando interrogou o senhor Akio Endo e quando foram socorrer a família dele e encontrou com os cavaleiros misteriosos lá.

─Hum. Então por isso você está tão preocupado. – disse Afrodite pensando e olhando pro loiro.

─Agora entendem a gravidade? – disse o loiro.

─Sim, então é o jeito fazer o que ele diz Shun. – disse Afrodite.

─Estão exagerando, talvez você tenha achado que eles eram fortes porque você estava com o cosmo fraco Hyoga. – disse Shun.

─Aff. Você continua com essa ideia mesmo depois de tudo que eu disse? Porque você é tão teimoso? – disse aborrecido com Shun mais ainda, era muito teimoso.

─Não dá pra ter certeza de nada Hyoga, até agora nós só estamos fazendo suposições que partiram de você. – disse Shun.

─Céus, já tô de saco cheio disso droga, você é muito cabeça dura Shun, o que você queria? Um memorando com a data e hora que eles atacariam? Pra reservar uns quartos aqui na ilha e preparar uma boa recepção pra eles? Podemos jogar cartas enquanto tomamos um bom drinque e depois brindar a abertura de uma boa guerra pra todos. Essa é sua estratégia pra revidar o ataque deles? Tenho que te dizer que não é muito boa. – disse no limite da ironia e sarcasmo.

─Parece que você tá bem inspirado hoje Hyoga. – disse Ikki com um sorriso que não conseguiu segurar.

─Eles disseram que vão começar uma guerra, e a ilha de Andrômeda é só o primeiro alvo, não tem trégua nisso, vence quem estiver preparado pro pior, e seu irmão aqui parece que não quer entender isso. – disse o loiro olhando pra Ikki.

─Tá entendi, entendi... mas espere um pouco aí. – disse Ikki. ─Se esses cavaleiros tem relação com June, e se eles a seguiram como estamos supondo então porque não atacaram ainda? Sendo que o elemento surpresa era o trunfo deles?

─Talvez estejam esperando alguma reação nossa antes. – disse Afrodite.

─É provável que seja isso mesmo, mas como eles saberiam? – disse Ikki.

─A evacuação. – disse Shun pensando.

─O quê? Como assim Shun? – disse Afrodite.

─Se não atacaram ainda deve ser porque esperam que suponhamos tudo isso e decidamos deslocar todos da ilha, afinal é a decisão mais obvia a se tomar... assim eles atacariam os barcos diretamente e teriam certeza que não haveriam sobreviventes.

─Faz sentido, então estamos acuados. – disse Afrodite.

─Realmente, e não ajuda em nada deslocar todas essas pessoas, corremos perigo de qualquer jeito. – Ikki.

─Tá vendo só Hyoga? Essa sua ideia brilhante não serve pra nada. – disse Shun cruzando os braços.

─Isso é porque eles mudaram os planos, eles sabiam que eu iria comunicar vocês, pois com certeza o senhor Endo acabaria me contando tudo quando o capturamos, então perderam o trunfo do ataque surpresa e se estão nos esperando agir é porque estão vigiando a ilha de longe e ainda por cima devem ter visto quando eu e o Ikki chegamos, por isso estão mais cautelosos, se tivesse feito o que eu disse naquela hora que eu liguei não teria problemas em evacuar a ilha. – disse defendendo-se.

─Faz sentido também. – disse Afrodite.

─Hunf. – disse Shun.

─Hm. Pensando melhor... o objetivo deles é destruir os principais formadores de soldados da ilha, logo, os três mestres daqui. – disse Ikki olhando pra Shun, Afrodite e June.

─Somos o alvo principal. – disse Shun.

─Exatamente. – disse o loiro.

─Será que o santuario sabe do que houve com June? – disse Ikki.

─Talvez, se Marin estava mesmo com ela e conseguiu fugir então ela deve ter ido pra lá. – disse Hyoga.

─Não me importo com o santuario, eles nos abandonaram, estamos sozinhos. – disse Shun aborrecido.

─Por que diz isso? – disse Hyoga.

─Eles não se importam conosco, querem apenas que forneçamos cavaleiros pra eles sem mais perguntas e faz dois dias que um mensageiro do santuario veio aqui e me avisou que eu estou proibido de por os pés no santuario. – disse Shun irritado.

─O quê? – disseram Hyoga e Ikki juntos.

─Isso mesmo, disse que se eu fosse até lá eu seria punido, e é claro que eu não iria obedecer, mas Afrodite disse que tentaria falar primeiro com eles pra que eu não arrumasse problemas.

─É verdade, eu não estou impedido de continuar indo até o santuario, afinal eu tenho uma casa zodiacal lá, mas mesmo assim eu não consegui falar com o Dohko nem com Atena. – disse Afrodite.

─Estão excluindo nós cinco. – disse Shun.

─Saori. – disseram todos juntos.

─Ela só está preocupada conosco, quer nosso bem estar. – disse Hyoga.

─Essa preocupação está nos prejudicando agora. – disse Ikki.

─De qualquer forma não podemos contar com eles agora. – disse Shun.

─Não sejam tão dramáticos pessoal. – disse Afrodite fazendo todos o olharem.

─Como assim sem drama? Estamos com um problema sério aqui Afrodite. – disse Shun.

─Sim, mas esses soldados não vão pensar em atacar a ilha ainda sendo que esperam uma reação nossa, e evacuar a ilha já não é mais uma opção, então o melhor a se fazer é colocar todos os que não podem se proteger sozinhos no abrigo e ficamos alguns em guarda aqui fora... Ora, vamos, vocês três são legendários, temos uma grande vantagem. – disse Afrodite.

─Aqui tem um abrigo? – perguntou o loiro.

─Sim, fica quase no subsolo, foi uma ideia da June depois do ataque de alguns anos atrás. – disse Shun fazendo Afrodite corar, sendo que foi ele e Milo que atacaram a ilha.

─E porque ninguém disse isso antes? – disse Hyoga irritado.

─Porque você não perguntou. – disse Shun enfezado também, quase nunca brigavam e num dia só já estavam passando dos limites um com o outro.

─Afff. Você é um idiota mesmo Shun. – disse aborrecido.

─Idiota é você. – disse Shun se irritado ainda mais.

─Imbecil. – disse o aquariano.

─Prepotente. ─disse o virginiano.

─Já chega vocês dois. – disse Ikki se irritando também, aqueles dois estavam parecendo ele e o loiro anos atrás, parecia que os papeis tinha se invertido.

─Francamente, vocês estão impossíveis hoje. – disse Afrodite.

─O Shun que tá agindo feito criança. – disse o loiro cruzando os braços.

─Olha Hyoga, você é um, um... Aff, já chega, não quero falar mais com você tão cedo, você está muito irritante hoje. – disse aborrecido.

─Digo o mesmo sobre você. – disse Hyoga.

─Isso não é hora pra desentendimentos gente, apenas procurem se tolerar por enquanto. – disse Afrodite.

Os dois continuavam olhando irritados um pro outro.

─Está decidido então, vamos deslocar os indefesos pro abrigo e aguardar aqui na superfície pelo ataque deles. – disse Shun.

─É nossa única opção mesmo. – disse o loiro com ironia e recebendo um olhar irritado de Shun.

E assim fizeram, Afrodite e Shun deslocaram todos os que não podiam se defender no abrigo e deixou somente os soldados mais experientes na superfície.

Enquanto desciam Ikki e Hyoga observavam que o abrigo era bastante extenso e o caminho pra acha-lo também era quase um labirinto no subterrâneo, e só os habitantes da ilha o conheciam. Enquanto desciam vários soldados e aspirantes a cavaleiros que passavam perto deles só faziam suspirar por estarem na presença dos legendários. Porém o loiro percebeu algo mais, vários soldados tinham olhares diferentes pra cima de Shun, olhares cobiçosos, não podia negar que o virginiano era mesmo muito bonito, mas sentia-se estranho percebendo esse tipo de coisa, Shun devia mesmo prestar mais atenção em volta.

─Como fizeram esse abrigo? – disse Hyoga olhando em volta quando desciam.

─Escavando... Usando o cosmo tudo fica mais fácil. – disse Afrodite.

─Na verdade essa ilha tem vários túneis naturais, nós só abrimos o caminho até a superfície. – disse Shun.

─É bastante estratégico, a June teve uma ideia ótima. – disse Ikki.

─De onde vem esse calor insuportável? – disse Hyoga que suava cada vez mais que adentravam o túnel.

─É uma caverna vulcânica, afinal a ilha foi criada a partir da formação de um vulcão. – disse Ikki.

─Isso mesmo irmão, e ele ainda está ativo, por isso temos várias fontes termais em todo o território da ilha. – disse Shun.

─Hm, por isso tá tão quente... Tem certeza que essas pessoas vão aguentar tanto tempo nesse calor? – disse o loiro.

─É claro, estamos habituados a variação das altas e baixas temperaturas o tempo todo. – disse Afrodite.

─Vocês não tem medo que ele entre em erupção? – disse Hyoga.

─A ilha é protegida e controlada pelo cosmo de Atena desde antes de meu mestre Albiore comanda-la, então é impossível que esse tipo de desastre natural possa acontecer, porem se perdermos a proteção do cosmo de Atena estamos ferrados e a natureza pode fazer o que ela quiser com a ilha. – disse Shun.

─Hm... entendo, não é uma ilha comum. – disse o loiro. Realmente eles dependiam diretamente de Atena, e não era pra menos que aquela ilha era tão importante.

─E nem tá tão quente assim pato das neves, estou me sentindo ótimo com esse calorzinho. – disse Ikki só pra irritar Hyoga.

─Hunf. Vou te soterrar na neve do ponto mais frio da Sibéria pra ver se você vai gostar do ventinho refrescante, galinha flamejante, acho que aí apaga esse seu fogo todo. – disse Hyoga devolvendo a provocação.

─Olha como fala que eu posso mover as lavas que estão entre essas paredes pra cima de você pato atrevido. – disse Ikki rindo.

─Tenta pra ver o que acontece. – disse o loiro rindo também.

─Já começaram? – disse Afrodite aborrecido.

─Vocês nunca vão entender que nos provocar é quase uma necessidade tanto quanto respirar. – disse Ikki rindo.

─Verdade pura e simples. – disse Hyoga rindo também.

─Parece que vocês estão bem amiguinhos ultimamente. – disse Shun enciumado de novo.

─Não é pra tanto, às vezes nos desentendemos de verdade. – disse o loiro lembrando que ele e Ikki ficaram quase dois dias sem se falar depois daquele ocorrido na Sibéria.

─Mas tudo sempre volta ao normal. – disse Ikki sorrindo pro loiro.

─É. – disse o loiro sorrindo pra ele também, estavam felizes em terem se entendido de novo depois do que houve.

─Hunf. Quanta criancice. – disse Shun aborrecido.

─Você e o Hyoga estão brigando na mesma proporção ultimamente Shun. – disse Afrodite.

─Não é a toa que ele é irmão do Ikki. – comentou o loiro olhando irritado pro virginiano andando na sua frente.

─E em todas as vezes é o Hyoga que começa. – disse Shun irritado.

─Olha quem fala, não me lembro de você ser assim tão esquentado como seu irmão.

─Eu estou aqui também lembram? – disse Ikki.

─Você já é naturalmente assim Ikki, o Shun não. – disse Hyoga.

─Eu não estou esquentado, e vê se para de falar comigo que eu ainda estou irritado com você. – disse Shun pra Hyoga.

─Não sou criança pra parar de falar com alguém por birra. – disse o loiro provocando.

─Afrodite, diz pra esse loiro metido medir palavras enquanto estiver na minha ilha. – disse Shun.

─Quantos anos você tem heim Shun? – disse o loiro irritado de novo.

Procuraram ignorar um ao outro por enquanto. Quando terminaram de organizar as pessoas no abrigo voltaram pra sala de reuniões.

─Seria bom se chamássemos o Seiya e o Shiryu também pra nos ajudarem. – disse Ikki.

─Não acho uma boa ideia trazer mais ninguém pra ilha, o principal problema era o de proteger os habitantes daqui agora é só aguardar que acho que podemos dar conta de tudo. – disse Hyoga.

─Tem razão, se esses cavaleiros estão vigiando a ilha de longe então vão ver os dois chegarem e ataca-los antes que cheguem a ilha. – disse Shun.

─Ótimo, agora vamos ficar esperando a boa vontade deles virem? – disse Afrodite.

─Vamos aguardar algumas horas... se não vierem logo podemos armar uma isca com o navio que tem aqui, além do mais temos a chance de esperar que June acorde e nos ajude e que Hyoga recupere suas energias. – disse Ikki.

─Boa ideia Ikki. – disse Afrodite.

─Temos que determinar postos pra cada um de nós. – disse Shun.

─Então decida. – disse Afrodite.

─Afrodite, você pode proteger o lado oeste da ilha onde fica o porto. – disse Shun.

─Pode ser. – disse Afrodite.

─Hyoga pode proteger a entrada do abrigo. – disse Shun.

─Não mesmo, não vou ficar perto daquele forno. – disse o loiro de imediato.

─Quer ficar onde então? – disse aborrecido.

─Posso ficar no lado sul que parece ter menos força de combate dos seus soldados e de frente pra aquela ilha próxima daqui, afinal se esses cavaleiros estiverem vigiando mesmo a ilha então é de lá já que é o local mais perto daqui.

─Tá bom então, o Ikki pode ficar cuidando do abrigo, tudo bem pra você irmão? – disse Shun.

─Sim. – disse Ikki.

─E eu posso ficar no centro da ilha, como uma isca.

─Isca? – disse Ikki preocupado.

─Sim, eles tem que me ver primeiro, já que eu sou um dos alvos centrais.

─Isso é perigoso Shun. – disse Ikki.

─Pode até ser, mas é o local que eu tenho mais área de ataque também, se eles vierem mesmo com poder de fogo aéreo fica mais fácil pra mim poder usar meu cosmo pra controlar o ar e abate-los antes que eles cheguem perto do abrigo, posso causar um vento muito forte que pode fazer eles perderem a estabilidade e caírem.

─É verdade... pode dar certo, mas o ideal seria você estar na praia pra fazer isso e detê-los antes que cheguem a ilha. – disse Afrodite.

─É aí que entra o Hyoga, ele pode atacar usando aquela técnica de quando treinamos aquele dia. – disse Shun olhando pro loiro.

─Que técnica? – disse o loiro.

─Aquela de formar aqueles cones congelados e pontiagudos, essa seria uma boa força de ataque, e vai facilitar pra você já que você vai ficar na praia e perto da agua, sua fonte de munição.

─Bem pensado Shun. – disse Afrodite.

─E caso não seja um ataque aéreo não haverá problemas também, pois mesmo que eles viessem pela agua o Hyoga ainda teria total controle sobre ela... eu não sou muito bom de combate corpo a corpo, mas posso deter grande parte de cavaleiros a nível dos de prata também, e nossa ultima cartada seria Ikki perto do abrigo, você é fundamental irmão, proteja meus pupilos. – disse olhando pro irmão.

─Ok. – disse Ikki.

─E eu heim? - disse Afrodite magoado por se esquecerem dele.

─Você vai ficar no porto por ser bom em combates corpo a corpo também Afrodite, apesar de ser quase impossível que eles ataquem pelo porto, mas mesmo assim você tem a vantagem do ataque a longa distancia quando atira suas rosas. – disse Shun.

─Ah tá, entendi. – disse Afrodite.

Hyoga ficou quieto olhando pra Shun, todas as decisões dele eram estratégicas, não era a toa que era o mestre principal da ilha, estava impressionado com o virginiano. Mas seu orgulho e aborrecimento ainda o impediam de fazer qualquer elogio.

─Bom, agora que todos sabem suas funções então vamos aos nossos postos... se não atacarem daqui a três horas então armaremos uma armadilha no navio que temos aqui... e obrigado irmão por vir nos ajudar. – disse olhando pro leonino.

─Sou seu irmão, tenho que estar aqui mesmo. – disse Ikki sutil como sempre.

─De qualquer forma eu agradeço muito irmão... –disse sorrindo pra Ikki. ─E a você também Hyoga, por ter vindo nos avisar e ainda ter ficado pra ajudar. – disse olhando pro loiro e agradecendo mesmo que ainda estivesse aborrecido com o loiro.

─Hm. – se retirou e foi em direção a praia deixando o virginiano triste.

─Eu vou indo também. – disse Ikki.

Afrodite percebeu o estado de Shun e foi consola-lo.

─Ele passou dos limites hoje né? Pensei que ia morrer sem vê-lo irritado... é até engraçado. Rsrsrsrsr. – disse falando com o virginiano enquanto viam o russo se distanciar.

─Hunf. Hoje ele estava insuportável, mas é raro mesmo ele ficar assim, só que ele nunca ficou assim por minha causa, sempre foi por causa do Ikki.

─Parece que os papeis se inverteram... mas você também o provocou muito hoje Shun, e ele só está aqui porque se preocupa com você.

─Eu sei, eu sei, me arrependo, mas eu também tenho meu orgulho ora.

─Então engula esse orgulho e vai pedir desculpas pra ele, as pessoas superiores são as que perdoam e pedem perdão também.

─Certo, entendi... vou pedir desculpas quando eu me sentir mais calmo senão do jeito que estou vou acabar estapeando ele.

─rsrsrsrs. Ahhh o amor faz isso mesmo. – disse Afrodite rindo. ─Bom... Então eu já vou indo, e não se preocupe que vai dar tudo certo amigo. – disse sorrindo pra Shun.

─Obrigado Afrodite. – disse sorrindo pro pisciano também. ─Espero que sim. – disse pra si mesmo depois.

...

O loiro foi pra praia e sentou-se entre as rochas onde as ondas batiam. Havia soldados por toda parte, mas ali não, um dos motivos pra ter escolhido aquele lugar, existiam apenas alguns pontos de observação que abrigava apenas um soldado vigia.

Suspirou cansado, desde cedo usando o cosmo e depois de passar por tanta coisa num único dia o deixava exausto, apesar de seu cosmo já estar se normalizando de novo. Olhou pra frente pras ondas que iam quase de encontro a onde ele estava, seria um local ótimo pra dormir e era o que ele mais queria agora, fechou os olhos pra apreciar o vento gélido da noite que balançava seus cabelos loiros.

Quando já estava relaxado seu celular toca e ele leva um susto.

─Alô?

─HYOGA! – disse Eire aos prantos.

─Ah, oi Eire... o que houve? Porque está assim?

─Vo-você está bem? – disse ainda chorando.

─Sim, porque?

─Está bem mesmo? você não vai morrer vai?

─Espero que não.

─O QUÊ?

─É só um modo de falar Eire, porque perguntou?

─Quando eu cheguei do trabalho vi uma bacia com uma camisa sua toda ensanguentada na pia, e a sala estava uma zona e depois eu tentei te ligar várias vezes e você não atendeu... o que houve com você? Tem certeza que não está ferido?

─Ah sim, entendi... mas não se preocupe que eu estou bem sim, não estou ferido mais...

─Como assim bem? De onde veio todo aquele sangue? Ele é seu mesmo?

─Sim... É que eu fui baleado...

─Ah meu Deus... E você ainda diz que está bem?

─Esqueceu que eu sou um cavaleiro Eire? É melhor se acostumar agora.

─Não, não, eu nunca vou me acostumar com essas coisas. E você foi a um hospital?

─Não, eu...

─O QUÊ?

─Calma Eire.

─Calma nada, você disse que está ferido e não foi a um hospital? Imprudente.

─Não sou imprudente.

─Ainda está ferido?

─Não, eu estava, mas aí eu curei e...

─Como? Não tô entendendo nada.

─Ah depois eu explico isso Eire... mas não precisa se preocupar que eu estou ótimo.

─Jura?

─Sim. – disse sorrindo, Eire era muito escandalosa.

─E onde você está agora? Está na delegacia?

─Não, estou na ilha de Andrômeda... Aconteceu muita coisa, talvez eu nem volte pra casa hoje.

─Ilha de Andrômeda? O que faz aí? Tá com a Barbie de pântano é?

─Quem?

─O Shun. – disse irritada.

─Ah. Não fala assim dele Eire.

─Tá bom, tá bom... mas o que você tá fazendo aí?

─Ele precisa de mim, e você sabe que ele é muito importante pra mim, não vou abandona-lo.

─Hunf... que espécie de ajuda? Você não vai arriscar sua vida por causa dele vai?

─...

─Hyoga!

─Tá, tá, mais ou menos.

─Como assim mais ou menos? Quer saber, chega, volte pra casa agora. – disse autoritária.

─Só vou voltar quando o Shun não precisar mais de mim Eire.

─Não quero saber, como acha que eu vou ficar a noite toda me preocupando com você? Te quero aqui do meu lado onde eu sei que você vai ficar seguro.

─Já falei que não vou abandonar meu amigo Eire, entenda.

─Ele não pode resolver isso sozinho ora?

─Se estou aqui é porque ele não pode né Eire. – disse com ironia.

─A ilha é dele, então ele que se vire ora. E se você vir eu te recompenso. – disse com uma voz insinuante.

─Hm?

─Podemos ter uma noite bem agitada, só depende de você. – disse ainda com uma voz mais insinuante.

─Ah, er... isso não é hora pra isso Eire. – disse vermelho.

─Porque não? Olha, eu não queria te pressionar a nada ontem, mas a primeira coisa que um casal faz quando se reencontra é sexo Hyoga. – falou curta e grossa como se fosse o assunto mais natural do mundo, deixando um aquariano da cor de um tomate no outro lado da linha.

─...

─Hyoga eu tô falando com você, acaso não sente atração por mim?

─É-é cla-claro que sim Eire.

─Então porque não fizemos sexo ontem?

Hyoga engoliu o seco, nem sabia por que estava evitando a garota na cama... ah é, sabia sim... Shun.

─Bom, foi porque, por que... Eu... ma-mas porque eu tô discutindo isso com você agora? Já falei que não é hora pra isso, eu estou em guarda aqui na ilha e você fica aí falando besteiras.

─Ah, fugindo do assunto de novo né... e o que tem de errado em conversarmos essas coisas? Somos um casal ora.

─Depois falaremos disso Eire, pessoalmente.

─Então vem pra cá agora pra conversarmos pessoalmente e terminar essa conversa na cama suados e satisfeitos.

─Er... estou ocupado agora Eire, amanhã conversamos. Tchau. – disse extremamente vermelho e desligou sem dar tempo da moça responder.

Olhou pro aparelho com a cara mais vermelha que um tomate, engoliu o seco, lembrou que Eire sempre foi assim mesmo, e sempre o deixava sem jeito quando começava a falar daquele jeito, a noite anterior não teve intimidades com ela porque ele tinha acabado de ter aquela conversa desastrosa com Shun e já se sentia estranho em só beija Eire imagine ir pra cama com ela.

Seu celular tocou de novo, era ela, ficou receoso em atender, mas resolveu e atendeu.

─Hyoga. – disse Eire.

─Eire eu já falei que...

─Eu sei, eu sei, falaremos disso depois, e aí você não me escapa... mas por favor Hyoga, tome cuidado, muito cuidado meu amor. – disse dando-se por vencida, mas ainda muito preocupada.

─Tá bom, terei cuidado, boa noite e até amanhã. Tchau.

─Tchau Hyoga... eu te amo. – disse e o loiro ficou quieto.

─Hyoga?

─Er... tchau Eire. – disse e desligou.

Ficou olhando pro aparelho triste e com o maior remorso, por que não conseguia ama-la?

Voltou a olhar pra frente suspirando.

─Hyoga. – disse Shun de repente atrás do loiro.

─Hã? O que faz aqui? Volte pro seu posto. – disse o aquariano.

─Você não manda em mim. – disse aborrecido.

─Não estou mandando, estou apenas falando. – disse aborrecido de novo também.

Olharam-se e suspiraram juntos.

─Porque estamos brigando tanto? - disse Shun.

─Não sei, efeito da nossa ultima conversa?

─Deve ser.

─Eu, eu vim pedir desculpas. – disse Shun sem olhar o loiro.

─Pelo quê? – disse Hyoga voltando-se pro virginiano.

─Pelo jeito que agi hoje, sei que você só quer ajudar.

─Ah, eu não consigo ficar bravo com você por muito tempo mesmo... e desculpa também, eu sai da minha normalidade também hoje e fui muitas vezes rude com você.

─Tudo bem... é tão difícil te ver nervoso que eu até fico feliz quando vejo que você ainda tem um lado humano assim. – disse rindo.

─Aff. Daqui a pouco você vai dizer a mesma coisa que seu irmão sempre diz.

─O que?

─Que eu pareço um robô.

─rsrsrsrs. Não vou dizer não, se bem que... – disse rindo.

─Hunf.

Shun sentou-se ao lado do loiro e virou-se pra frente também pra olhar as ondas, ficaram um tempo em silencio.

─Você e o Ikki andam bastante unidos ultimamente não é? – disse com um tom de ciúmes.

─Er... mais ou menos. – lembrou-se do que Millo disse sobre tomar cuidado com o que iria fazer senão acabaria dando briga entre os dois irmãos, mesmo que Ikki tenha dito a ele que sentia apenas atração física por ele, mas só isso já era bem ruim, então resolveu omitir essa informação do virginiano.

─Hm... nunca pensei que os veria tão amigos assim algum dia.

─Seu irmão é uma ótima pessoa Shun, eu finalmente estou vendo isso, e ele pensava a mesma coisa sobre mim, e agora que resolvemos nossas diferenças nossa amizade está se construindo aos poucos. – disse sorrindo lembrando de Ikki.

─Que bom. – disse num tom que não pareceu muito convincente.

Ficaram quietos olhando pro mar.

─Hyoga...

─Hm?

─Você se arrepende?

─Do que?

─De ter retribuído meu beijo aquele dia.

O loiro ficou quieto um minuto pra enfim responder.

─Não.

─Gostou?

─Talvez.

Shun sorriu ainda olhando pra praia.

─Quer bis? - disse rindo.

─Não força. - disse o loiro, mas sorrindo também.

Ficaram em silencio de novo.

─Vai continuar afastado de mim Shun?

─Não, eu não ia conseguir mesmo.

─Que bom, não consegui ficar longe de você.

─Sentiu minha falta é? – disse sorrindo.

─Foi. – disse o loiro vermelho.

─Sentiu algo mais que saudade?

─Isso é um interrogatório?

─rsrsrsrs. Não... Estou feliz.

─Por quê?

─Por termos nos entendido, e por você ter admitido que gostou do meu beijo... Se gostou é porque sente algo por mim além de amizade.

─Estou confuso... Mas não se engane, talvez eu só esteja começando a sentir atração física por você.

─Sério? Já é alguma coisa.

─Por que você coloca tanta confiança em mim?

─Não sei, quando se ama é assim mesmo... Sempre ter uma esperança.

─Confiança que algum dia eu vou te amar mesmo?

─Talvez, eu sei que tenho meu charme também, e uma hora você ia acabar cedendo a ele. - disse rindo.

─rsrsrs. Tá certo, tá certo.

Ficaram em silencio de novo.

─Você já amou outra pessoa Shun?

─Não. Só você. – disse simplesmente fazendo o loiro ficar vermelho.

─Como tem certeza que é amor mesmo?

─Está duvidando?

─Não, só quero saber como é mesmo.

─Hm... Bom, eu penso em você o tempo todo, senti muito sua falta, gosto de tudo em você, nos seus gestos, suas manias, e até mesmo seus defeitos... Eu sonho com você, sinto ciúmes... Isso é amor.

─Hum. – o loiro ficou pensando nas palavras de Ikki.

─Sentiu alguma dessas coisas por mim alguma vez? – disse o virginiano jogando verde.

─Talvez.

─Para com esse talvez, não sabe falar sim ou não?

─Talvez. Rsrsrsrs

─Aff. Por que às vezes você é tão irritante?

─Me responde você, afinal você foi irritante a noite toda.

─Fui não.

─Foi.

─Fui não.

─Está sendo agora.

─Afff. – emburrou-se de novo e ficou olhando irritado pro mar de novo fazendo o loiro rir da atitude.

─rsrsrsrs. Você é uma graça Shun.

─Fico feliz em contribuir com seu humor. – disse olhando pro loiro que sorria.

─Estou grato. Rsrsrs.

Shun não pode deixar de sorrir também, estavam tão finalmente se entendendo.

Ficaram em silencio de novo.

─Hyoga.

─Hm?

─Er... Aquela hora que estávamos na sala de reuniões... Você ia, ia me beijar?

O loiro ouviu e ficou vermelho de repente.

─...

─Ia ou não?

─Sim. - disse e o loiro vermelho e Shun ficou mais sorridente ainda.

─Hyoga.

─Hm?

─Você disse que tá em duvida sobre o que sente né?

─Er... É.

Shun ficou quieto por enquanto.

─Hyoga.

─Fala.

─Faz... Faz amor comigo?

O loiro rapidamente olha por virginiano pra ver se aquilo tinha saído mesmo da boca dele.

─O que disse?

─Faz amor comigo?

O loiro se aproxima mais e toca a testa de Shun pra ver se ele estava com febre.

─O que foi? – disse Shun.

─Se sente bem?

─Sim. Por quê?

─Achei que estivesse delirando pra fazer uma pergunta dessas.

─O quê que tem?

─Como assim "o quê que tem"? Você pediu pra eu fazer amor com você.

─E daí?

─Definitivamente você não está raciocinando direito.

─É um pedido simples.

─Não é não.

─Então me beija, talvez assim você tira suas dúvidas.

─Não.

─Poxa é só um beijo, faz isso pelo seu amigão aqui, você não ia me beijar aquela hora mesmo? Faz isso agora.

─Não se beija um amigo na boca Shun.

─Devia ter pensado nisso naquele dia.

─Aquele dia foi uma exceção.

─Podemos repetir essa exceção.

─...

─E então?

─Então o que?

─Ah, para com isso Hyoga, tô falando sério.

─Falando sério é? – disse sorrindo.

─Falei pra parar.

─Tá, parei.

─E aí?

─O quê?

─Affff.

─rsrsrsrsrsrs.

─Não sei pra quê essa resistência toda, aquele dia você não ficou tão puritano.

─Não vou beijar você aqui onde qualquer um dos seus soldados pode ver Shun, e se não percebeu tem vários deles me observando desde que cheguei.

─É que você é um raro cavaleiro do gelo, eles estão admirados, até mesmo comigo ainda ficam assim.

─Hunf... parece que por você não é só admiração. – disse lembrando dos vários olhares pra cima do virginiano. ─E essa geração se impressiona com qualquer coisa ultimamente.

─Realmente... Mas e então?

─O quê?

─Se tivéssemos sozinhos rolaria?

─Você não desiste mesmo né.

─Não mesmo.

─Certo, certo... Rolaria sim.

─Sério?

─Sim.

─Podemos ir pro meu quarto.

─Estamos em guarda agora Shun.

─Depois então?

─Eu não disse isso.

─Mas você disse que podia me beijar de novo.

─Talvez.

─Me beija agora, estamos distantes dos olhares dos meus soldados, aqui é um ponto cego.

─Não.

─Hunf. É só um beijo. – suspirou e decidiu ficar quieto.

O loiro olha pro virginiano emburrado e ri.

Passa um tempo e se aproxima lentamente do virginiano de súbito o puxa pra praia atrás da rochas onde podiam fugir dos olhares de qualquer um, senta-se na areia e puxa o virginiano consigo também que mantinha uma expressão e tamanha surpresa com aquilo, aproxima-se de novo e deposita um beijo na bochecha de Shun e se afasta brevemente pra olhar a expressão do virginiano que era de surpresa.

Aproximasse de novo e beija o canto dos lábios de Shun só pra provocar percebendo que Shun se arrepiava cada vez mais e já fechava os olhos esperando.

Enfim se aproxima dos lábios dele e o beija demoradamente, fica um tempo assim e pede passagem com sua língua e que foi bem recebida pelo virginiano que rapidamente corresponde ardentemente sugando os lábios do loiro. Ficou um tempo assim até ficarem sem ar.

Separaram-se e ficaram se olhando ainda ofegantes.

─Você sabe beijar. - disse Shun ainda ofegante e com um imenso sorriso.

─Você também. - disse o loiro, nunca pensou que diria aquilo a um homem, sentia-se estranho, mas bem ao mesmo tempo.

Shun aproximou-se de novo e beijou o loiro delicadamente, próprio dele e com mais calma, e que o aquariano correspondeu de novo e fazendo uma caricia no pescoço de Shun.

Shun sentiu mais confiança e passou lentamente suas mãos para o peito do loiro, sentindo o corpo dele, estavam sentindo intensamente o gosto da boca um do outro até Shun ter o ímpeto de chegar a base da camisa de Hyoga e fazer um movimento que ia levanta-la, Hyoga sentiu e imediatamente se separa do virginiano segurando as mãos dele.

─Já chega. - disse ofegante.

─Desculpe. - disse Shun vermelho também.

Voltaram a suas posições.

─E então? – disse Shun.

─O quê?

─Tem duvidas ainda que me ama?

─Convencido nada você heim? – disse o loiro com ironia.

─rsrsrs. É claro, depois de um beijo desses. – disse sorrindo satisfeito.

Ficaram em um breve silencio de novo até o loiro se pronunciar.

─Shun.

─Hum?

─Posso ser franco com você?

─É claro.

─O que vou dizer vai magoa-lo, mas eu queria muito que você não fizesse drama nem nada do tipo, por favor.

─Eu não fico de drama não.

─Só promete... Ao menos tente.

─Tá, tá.

─Er...bom, desculpe por ter sido tão rude com você hoje, e por ter agido como um perfeito idiota quando você se declarou aquele dia... Eu entendo o que você sente por mim, eu nunca duvidei disse de verdade, é que eu fiquei surpreso mesmo... Eu ainda estou confuso com tudo isso, mas o que eu posso te dizer é que nossos beijos significaram muito pra mim, nunca pensei que iria gostar tanto de te beijar... – disse fazendo o virginiano sorrir ainda mais.

─Bom... Dá pra imaginar o quanto eu fiquei confuso depois disso não é mesmo? Eu posso confirmar também que eu estou mesmo atraído por você, é outra coisa que eu nunca imaginaria sentir, mas estou... Não sei definir ainda o que seja, mas eu sempre tive um carinho e uma afeição imensa por você, não quero que ache que eu deixo meus amigos se aproximarem tanto de mim, mas você eu sempre permiti... Você é uma pessoa adorável, gentil, sensível e tem tudo que eu gosto numa companheira...

─Então o que está esperando? Me toma pra você. – disse Shun feliz.

─Não... Minha palavra ainda é a mesma daquele dia, mesmo sentindo essa coisa nova eu tenho certeza que não te amo, bom... Eu acho que não, ou talvez não esse tipo de amor, mas pode acreditar que eu sinto alguma coisa sim. – disse deixando o virginiano triste. ─Só que tem outro problema. – continuou.

─Qual?

─Eire.

─Hunf, se sente mesmo alguma coisa por mim então o que custa tirar a prova, se você não ama a Eire mesmo.

─Preste atenção, eu gosto dela como uma amiga ou até mesmo uma irmã, do mesmo modo que eu via você também... A Eire me ama, eu não tenho duvidas disso também, ela não é exatamente um obstáculo porque eu não a amo como ela quer e você já sabe disso, mas quero que entenda que eu não posso simplesmente deixa-la, ela esperou muito por mim, tem ideia do quanto ela insistiu pra mim voltar? O quanto conversamos e o quanto estamos envolvidos? Seria injusto com ela simplesmente dispensa-la, eu sei que você não gosta dela, mas ela é uma boa moça, você apenas não a conhece direito, e eu não digo isso de qualquer pessoa... Também não estou tentando te convencer a se conformar com ela, afinal não é que eu queira me achar muito, mas você realmente tem seus motivos pra não gostar dela.

─Está dizendo que nunca vai me dar uma chance por causa dela? – disse Shun aborrecido.

─Não, seu problema é comigo não com ela, estou dizendo que não há motivos pra odiá-la, ela não merece isso, e ainda por cima ela sequer sabe o que você sente por mim, fora que ela não simpatiza com você também, mas o ponto é que não quero que haja desentendimentos, não é porque eu estou sentindo algo novo por você que eu vou deixa-la, eu posso não ama-la, mas eu gosto muito dela também, tanto quanto gosto de você, mesmo que o que eu sinta por você tenha aumentado. E sei o que é o certo a se fazer, ela não merece minha frieza, ela merece meu carinho e toda minha afeição por ela, assim como você.

─Mas ela sempre vai vir primeiro né?

─Eu não disse isso, eu disse que enquanto ela sentir amor que possa investir em mim então eu não vou deixa-la, é ela que tem que me deixar.

─Então você está dizendo que há sim uma chance de você retribuir ao que eu sinto, mas vai continuar com ela mesmo não a amando apenas por consideração, e isso dispensa qualquer sentimento novo que você pode investir por mim?

─Er... sim.

─E você ainda tem coragem de me dizer isso? – disse irritado.

─Queria que eu mentisse? Estou dizendo o que penso e acho que estou tomando a decisão certa.

─Você não a ama e tem certeza que nunca vai amar a Eire, mas vai dispensar qualquer chance de ser feliz comigo apenas por que não acha justo com ela... E comigo Hyoga? Acha justo comigo?

─Eu a considero tanto quanto você Shun... Acontece que eu não sei o que sinto exatamente por você, e se eu nunca for capaz de te amar? Isso vai acabar com você com o tempo e eu não quero fazer você sofrer, então prefiro magoa-lo agora do que faze-lo sofrer ainda mais com o tempo.

─Isso me parece altruísmo forçado... Não me vem com essa conversa de novo que eu não caio.

─Não estou discutindo minha decisão com você Shun, estou comunicando caso você tenha pensado outra coisa com esse ultimo beijo.

─Então ele foi só uma despedida? Você não quer arriscar? Não quer ser feliz?

─Não.

─Afff. Sou eu? Eu que não sou bom o bastante pra você? É porque eu sou um homem?

─Ahh, nem vem com auto piedade pra cima de mim Shun, eu estou gostando de você e só isso já é bem ruim e nem é porque você é um homem, já é bem estranho que eu não tenha surtado depois que você se declarou e mais estranho ainda que eu esteja sentindo atração por um homem sendo que isso sequer passou pela minha cabeça algum dia, mas isso não vem ao caso... E já parou pra pensar que você está em obsessão por mim? E criando uma imagem de mim que você idealiza, mas na verdade não existe? Já me disseram muitas vezes que o amor cega as pessoas.

─Eu não estou cego, eu sei o que sinto, e é só você que eu quero, exatamente do jeito que é.

─Não diga bobagens Shun, todo amor passa algum dia, você já esteve com uma garota pra pelo menos saber a diferença?

─Não, eu quero estar é com você.

─Sinto, mas não vou magoar a Eire pra investir num amor que vai magoar é você Shun, entenda que eu quero você apenas como um amigo. – disse suspirando.

Shun suspirou irritado, agora sabia que teria sim uma chance com o loiro, mas ele não ficaria com ele apenas pra não magoar Eire e não querer investir num amor que não tinha certeza se iria crescer.

─E se você tivesse certeza do que sente? – disse voltando-se pro loiro de novo.

─Hm?

─Digamos... Hipoteticamente falando... Se você me amasse mesmo, você deixaria a Eire?

─Hipoteticamente é? – disse balançando a cabeça com a insinuação.

─Sim.

─Se eu te amasse mesmo eu saberia que eu não te magoaria, então sim, eu deixaria a Eire antes de machuca-la forçando um amor que eu nunca sentiria por ela já que ele já pertenceria a você.

─Então você só precisa tirar a duvida, afinal do contrario de você eu sei que na verdade seu coração é mole e que é capaz sim de se apaixonar, e nesse caso seria eu a ocupar esse lugar, eu sei que a Eire nunca te faria feliz mesmo, eu sim.

─Isso que é confiança excessiva heim. – comentou o loiro.

─É claro, autoestima é tudo. – disse confiante. ─Então... eu quero tirar sua duvida.

─Hm? Como?

─Faz amor comigo.

─Aff. De novo isso? Não se beija um amigo e muito menos se vai pra cama com ele Shun. – disse vermelho de novo.

─Só uma vez.

─Não... Em primeiro lugar eu nem sei como faria isso, você é um homem, como é que eu ia... er... – disse mais vermelho ainda.

─Não se preocupe com isso, eu sei o que fazer o Afrodite me ensinou.

─Como é que é? Como ele te ensinou? – disse enciumado.

─Ele me disse como é que ele faz com o Carlo. – disse vermelho também.

─Ahh bom.

─Estava com ciúmes é? – disse o virginiano rindo.

─Hunf, é claro que não.

─Sei... e então?

─Me responde uma coisa primeiro Shun, você é virgem?

─Hã? – corou de repente.

─É ou não é?

─So-sou.

─Nunca? Nem mesmo com uma garota?

─Não. – disse vermelho.

─Hum... Aquela vez o Seiya disse que a June gostava de você... é verdade?

─Hm? Por que a pergunta?

─Responde logo.

─Tá, é verdade sim, ela gosta de mim, na verdade ela se declarou faz um tempo, mais ou menos uns dois anos atrás, mas eu realmente a considero uma irmã, convivemos juntos desde que iniciei meu treinamento aqui na ilha e a June sempre esteve ao meu lado, então é natural que eu a veja apenas como uma irmã mesmo, e eu não dei uma resposta pra ela e acho que ela esqueceu.

─Essas coisas não se esquecem Shun. E essa historia não parece familiar pra você? – disse com sarcasmo.

─É diferente.

─Não é não, ela gosta de você mesmo e deve ter se conformado ou ainda tenha esperanças já que você não esteve com ninguém até então.

─Acha que ela ainda aguarda uma resposta minha?

─Acho.

─Lamento por ela, mas eu a vejo apenas como uma pessoa querida, e não muda de assunto, e quanto a você? É vigem?

─É claro que não. – disse simplesmente.

─Hunf. Sempre faz isso? Com quem? Porque com a Eire que não é. – disse irritado.

─Bom, às vezes eu saio, vou num bar e...

De repente, um tapa.

─Ai, porque me bateu? – disse olhando pro virginiano que o olhava irritado.

─Safado, fica com qualquer uma por aí e comigo você não quer.

─Tenho vinte anos e sou independente, e você é meu amigo Shun, eu o respeito muito, além do mais eu tenho minhas necessidades ora...

Outro tapa.

─Arrgg, e você fala isso na maior naturalidade seu sem vergonha, aposto que a Eire não sabe disso também.

─Ai, para de me bater. – disse irritado com Shun.

─Você merece.

─Calma aí Shun, acho que você entendeu errado, eu só disse que não sou virgem, no passado eu saia com algumas garotas mesmo, mas eu sequer chegava a ir pra cama com elas, minha primeira vez foi com a Eire, depois que terminamos eu não fui pra cama com mais nenhuma garota nem mesmo na faculdade, e olha que lá as garotas eram muitos gostosas mesmo e...

Outro tapa.

─Ai. Para com isso.

─Seu mulherengo... agora continua.

─Hunf. Como eu estava dizendo, eu só comecei a sair com garotas de novo quando eu comecei a trabalhar nas agencias de policia, eu saia com algumas do trabalho e outras eu conhecia num bar mesmo, e realmente acontecia, mas depois que eu e Eire reatamos nosso relacionamento eu não fiz mais isso e... – lembrou-se da conversa que teve com Ikki e ficou vermelho de repente, percebeu que realmente estava com abstinência de sexo. ─Nossa, o Ikki tem razão, então estou mesmo de abstinência. – pensou alto.

─Hã?

─Nada, nada... e porque eu tô te contando minha vida intima mesmo heim? – disse vermelho.

─Porque eu pedi ora, e agora que a Eire voltou com certeza você já foi pra cama com ela né? – disse enciumado.

─Er... não.

─Sério? – disse sorrindo.

─Argg. E porque você tá sorrindo heim? Tá vendo só? Você está bagunçando minha cabeça com essa historia toda, nem mesmo sexo com a Eire eu estou conseguindo ter por sua causa. – disse irritado balançando a cabeça.

─Sente atração por mim? – disse Shun rindo.

─Cala boca Shun, me deixa pensar. – disse irritado e vermelho virando-se do virginiano.

─Não quer saber como é estar com um homem? – disse Shun insinuante.

─Quieto.

─Você pode acabar gostando, o Afrodite me disse que a experiência com um homem e muito mais prazerosa e...

─Mandei ficar quieto. – disse vermelho virando-se pro virginiano.

─Por que está assim? Isso é natural.

─Acontece que é estranho ouvir isso de você, afinal você sempre foi um garoto inocente pra mim.

─Não sou mais, tenho dezenove anos ora, já passou da hora eu ter relações com alguém, acontece que eu estou me guardando pra você.

─Ah para com isso Shun, não diga essas coisas. – disse vermelho.

─Não precisa ficar assim... eu só quero uma coisa de você. - disse segurando o rosto do loiro.

─Já falei que não.

─Tem certeza? – disse se aproximando e tomou o loiro num beijo intenso e exigente sugando os lábios do loiro.

─Hm, hm... Shun... espere... eu... eu... – dizia em meio ao beijo tentando afastar Shun, mas estava difícil com o virginiano tomando sua boca daquele jeito provocante.

Num impulso tomou controle da situação e correspondeu ao beijo de Shun e passou a beija-lo ardentemente também e com mais fome e o deixou sem ar.

Shun tomava folego de vez em quando e passando a acariciar o corpo do russo de novo. tocou de leve nas no baixo ventre do loiro e percebeu, o loiro imediatamente rompe o contato.

─Tá vendo só? Isso não é coisa de quem não quer. – disse insinuante.

─Hunf... eu não posso fazer isso Shun, já te falei porque.

─Só uma vez, se não sentir mesmo nada então eu te deixo em paz.

─Talvez seja só curiosidade.

─E que pode se tornar algo maior não acha? – disse sorrindo pro loiro.

Hyoga engole o seco, Shun parecia ser tão atraente agora, tão desejável, se não se segurasse poderia fazer algo que provavelmente se arrependeria, afinal nada continuaria como antes se fizesse mesmo amor com o virginiano, e a ultima coisa que queria é tornar as coisas mais estranhas do que já estavam.

Baixou a cabeça pensando naquilo, as coisas estavam se complicando cada vez mais.

Mal pensa direito e de repente ouve um estrondo logo na frente deles, ambos viram-se imediatamente pra frente e surpreendem-se com o que veem.