Marvin acomodou a tal Missy do melhor jeito que podia na sua própria cama. Podia não conhecê-la, mas se compadeceu tanto que cedeu o lugar mais confortável. Enquanto olhava pra ver se Missy reagia, ponderava se chamaria a polícia. Ele foi levemente distraído
pelos traços fortes dela, um queixo altivo, maçãs do rosto altas, olhos pequenos agora fechados, lábios delicados não muito destacados.
"Nada de se apaixonar por uma estranha Marvin" pensou ele "ela é muita areia pro seu caminhãozinho, além de uma estranha que pode ser uma psicopata".
A última parte estava certa, ele só não sabia ainda. Ele então decidiu que esperaria ela estar sóbria para ter uma conversa de verdade com ela.
Marvin não conseguiu dormir direito àquela noite, tinha medo que Missy acordasse e fizesse alguma besteira. Ele se aconchegou na poltrona e deu umas cochiladas. No dia seguinte inventou que estava cuidando de um parente doente e não poderia ir trabalhar. Ainda bem que seu chefe aceitou a desculpa. Entre goles de café fort, Marvin continuou no seu posto de vigia. Por um impulso ele tocou a testa de Missy. Estava meio quente, ele achou melhor pegar mais um cobertor para ela. Assim que depositou a roupa de cama sobre ela, sua hóspede abriu os olhos de repente. Marvin também arregalou os olhos de susto.

-Bonitinho?-Missy murmurou-você ainda tá aí?

-É -ele respondeu com uma careta apreensiva- a srta. desmaiou ontem, desculpa perguntar, mas você estava bêbada ontem?

-Não, não-ela balançou a cabeça para confirmar-foi só uma regeneração.

-Regeneração?-Marvin ficou mais confuso-como assim?

-Espera, vem cá que eu te mostro-Missy saiu da cama num salto mas logo sentiu as pernas falharem.

-Calma, você ainda tá se recuperando-ele correu para dar apoio a ela.

-É verdade-Missy reclamou-melhor eu esperar mesmo. Ela voltou para a cama se conformando.

-O que é regeneração?-Marvin ainda estava curioso. -Sabe é quando você tá morrendo e seu corpo se transforma num novinho em folha-Missy explicou sorrindo.

-Tá-Marvin a achou maluca por sua fala e seu sorriso de maluco.

-Mas bonitinho-ela falou e ele prestou atenção-por mais que eu ame falar de mim, me fala de você, fala seu nome porque tá na cara que você fica constrangido quando te chamo de bonitinho.

-Meu nome é Marvin Adler-ele suspirou tomando coragem-olha vou ter que ser sincero vou hospedá-la só enquanto se recupera, depois por favor vou ter que pedir que saia da minha casa.

-Mas Marvin eu gostei daqui-Missy fez um beicinho-E acho até que gosto de você.

Marvin achou que ela estava debochando na última parte.

-Fique aqui até se recuperar -ele declarou de novo-não se sinta tão à vontade.

Missy deu um sorriso que fingia inocência. O plano dela era de que Marvin amolecesse e a tratasse sem ser tão rabugento.