Mais tarde naquele mesmo dia, Missy se sentiu mal de novo.
-Não deveria ter levantado da cama-Marvin corrigiu preocupado.
-Ah mas deixar você sozinho com a minha TARDIS?-ela teve força de cruzar os braços.
-Claro a TARDIS-foi a primeira vez que ele sorriu na presença de Missy-parece ser bem especial mesmo.
-Eu ainda não te mostrei a melhor parte-ela se empolgou-ela viaja no tempo!
-Não...-Marvin disse em tom de reclamação e incredulidade-não mente pra mim.
-Ei bonitinho, não se perguntou o que TARDIS significa?-Missy lhe deu uma piscadela.
-É, tem cara de sigla mesmo-Marvin admitiu.
-E é-Missy se empolgou-Tempo e dimensões relativas no Espaço!
-Incrível como você se empolga fácil com as coisas-Marvin balançou a cabeça.
-E você não-ela foi direta e sincera-parece que você é muito amargurado e sozinho e quando se empolga com as coisas guarda tudo pra você. Não! Deixa o mundo saber que você tá empolgado.
-Ha! Como se fosse fácil na prática-ele desdenhou.
-E por que não seria fácil?-ela perguntou meio que cantando numa voz sugestiva.
-Ora, eu mal conheço você -Marvin se ofendeu-não espere que eu te conte os traumas da minha vida.
-Hum, era isso que eu queria ver!-Missy socou o ar-eu sei q tem coragem e ousadia aí dentro, é só puxar o gatilho.
-Metáfora errada-a última frase o deixou com suspeitas. Marvin encerrou o assunto lhe entregando uma tigela de canja de galinha.
-O que é isso?-Missy fez uma careta inspecionando o prato.
-Sopa, tempero, pedacinhos de frango-Marvin explicou-o que usamos para curar resfriados nesse planeta. Missy então se rendeu e provou um pouquinho.
-Até que é bom!-ela elogiou e começou a comer com entusiasmo.
-Hum que bom-Marvin sorriu-agora seja uma boa hóspede e fique quietinha enquanto eu leio meu livro.
-Livros? Eu lia muitos livros na academia-Missy se recordou-e esse é sobre o que?
-Bom já que perguntou-Marvin não pode conter a animação. Como ele desejou ter alguém para conversar sobre esse assunto.
-O Jogo do Anjo conta sobre um escritor que num momento de crise em sua carreira, recebe uma proposta de trabalho estranha de um editor muito misterioso – retomou ele.
-Uuuuhhh mistério...-Missy fez sua voz de fantasma enquanto agitava os dedos.
-Na verdade é bem intrigante mesmo-Marvin concordou-depois que eu terminar posso te emprestar se você quiser.
-É, talvez quem sabe-ela replicou de um jeito que parecia que iria roubar o livro.
Missy decidiu deixar Marvin ler em paz. Ela continuou tomando a sopa enquanto o observava. Sentia uma compaixão e simpatia repentinas e inexplicáveis pelo pobre homem. O que estava acontecendo com ela? Nunca tivera um amigo antes, além é claro do Doutor, aquilo era estranho demais para processar, ela não poderia ter sentimentos assim. O Doutor era fraco, mas ela não... não mesmo, mas ela estava determinada a descobrir o que era aquilo que a dominava como um vírus aos pouquinhos e de forma silenciosa. Ela ia descobrir nem que se fosse a última coisa a fazer.
A/N: Minha melhor amiga me ajudou ali no último parágrafo.
