Missy passava as longas horas que Marvin estava trabalhando lendo os livros e assistindo os filmes favorito deles. Aos poucos ela foi entendo seu jeito tímido e quieto, mas quando necessário cheio de coragem e ousadia. No trabalho as contas o faziam esquecer dela por alguns momentos, mas não o suficiente. Estava certo que a amava, sua companhia era a melhor coisa que Marvin tinha e nunca imaginaria conquistar, um amigo que não era seu pai e sua mãe. Mais que isso, mas nada aconteceria se ele não fizesse alguma coisa. Ele não tinha coragem de dizer o que sentia a Missy, por mais que tentasse reunir forças para essa façanha. Decidiu esperar o que o tempo reservaria, o que finalmente viria a acontecer e que ele não podia imaginar. Ao final do dia de trabalho, Marvin foi pegar o metrô e viu que uma moça vendia chocolates. Pensou primeiro em comprar um para Missy e foi o que fez. Ele andou mais um pouco depois de deixar o metrô até chegar em casa.
-Oi Missy-ele a cumprimentou ao chegar.
-Como vai Marvin?-sorriu ela simpática-sente-se e descanse.
-É bem o que eu vou fazer-ele admitiu-hã... eu trouxe algo pra você.
-Um presente pra mim?-ela se animou-parece que virei sua amiga mesmo!
-Eu te considero assim-ele conseguiu sorrir-você é a única amiga que eu tenho. -Eu acho que eu sei porque-disse ela um pouco mais séria.
-Olha come o chocolate que eu trouxe-Marvin ofereceu o doce para despistar o assunto.
-Não Marvin isso é muito sério-ela disse e deu uma mordida na barra de chocolate-senta por favor.
Derrotado e rendido Marvin obedeceu.
-O que você quer dizer?-ele suspirou.
-Que seus mundos fantásticos que você tanto admira são um refúgio e alternativa para coisas ruins que te aconteceram-disse Missy com impressionante compreensão.
-Você não está errada-Marvin acabou concordando-eu sempre gostei de matemática e sempre tirei notas boas, mas isso despertou a raiva dos meus colegas de classe, pegavam no meu pé e me colocavam apelidos, mas um dia depois de não aguentar mais eu respondi à altura, foi meu erro fatal. Me bateram e depois disso eu nunca mais falei com ninguém na escola. Os heróis dos filmes e livros sempre venciam nos tempos de dificuldade e eu queria ser exatamente como eles, por isso que ficar imerso nos mundos fantásticos é mais seguro que enfrentar o mundo real.
Fez-se um pequeno momento de silêncio e então Missy não pôde ignorar o sentimento bobo e correu para abraçá-lo.
Marvin ficou tão surpreso, mas tão agradecido que acabou chorando. Missy afagou seus cabelos, experimentando aquela sensação de dar carinho a alguém. No fim das contas percebeu que não queria largá-lo.
-Obrigado-ele desfez o abraço e viu um pouco do desapontamento dela.
-Não há de que-disse ela numa voz doce ansiando por outro abraço.
Em vez disso ela se contentou em discutir com ele os livros que tinha lido, o que arrancou um sorriso de Marvin, o que recompensou Missy no momento.
