Depois da ida ao porto de Bristol, Marvin passou a apreciar mais a vista a sua volta enquanto caminhava para pegar o metrô que o levava para o trabalho. Observar as pequenas coisas boas que aconteciam nos detalhes do seu dia-a-dia lhe dava uma boa sensação, algo revigorante que o fazia se sentir parte da sociedade. Mas nada como os mundos que seus filmes e livros favoritos lhe proporcionavam, lugares fantásticos onde grandes coisas aconteciam. Ele balançou a cabeça voltando à realidade, antes que começasse a divagar e viajar, sonhando acordado.
Missy continuou lendo e vendo novamente tudo que seu anfitrião amava, passando a admitir a ela mesma que gostava daquilo tudo também. Ela nunca parou pra prestar atenção nas pequenas belezas da Terra, sempre as tratando com inferioridade e desprezo. Parecia que sua vontade de ajudar Marvin a fez olhar pra tudo de uma nova forma, até para si mesma. Com certeza ela estava diferente, sentia-se diferente e a necessidade de estar perto de Marvin aumentava a cada dia. Ele era gentil amável e acabava sempre concordando com ela, mesmo contrariado.
Absorta em pensamentos, ela decidiu que queria fazer muito mais por ele. Foi então que lembrou-se da TARDIS esquecida no quintal. Ficou imaginando quais maravilhas o passado na Terra poderia ter trazido.
Logo mais ao final da tarde, Marvin chegou do trabalho e não a encontrou dentro de casa como sempre. Por um momento ele se preocupou pensando se nunca mais a veria.
-Marvin!-a voz dela veio do lado de fora e ele se tranquilizou instantaneamente.
-Oi-disse Marvin estranhando a situação-o que tá fazendo aqui?
-Eu?-Missy sorriu em tom de brincadeira-eu quero te levar pra uma viagem, como forna de grstidão por tudo que fez por mim, nunca pensei que seria grata por alguma coisa mas tenho certeza que gosto de sentir isso por mais estranho que seja.
-Calma-Marvin pediu já acostumado com o jeito dela-pra onde quer me levar?
-Pro auge dos reinos anglo-saxões do século 7!-ela anunciou de braços abertos.
-Que? Como?-ele cruzou os braços-na sua nave?
-Esqueceu o que T em TARDIS significa?-replicou ela fingindo ofender-se-não é pra contar o tempo, é pra viajar nele.
-Ah para com isso-Marvin bufou incrédulo
-Eu vou te provar seu bonitinho teimoso-ela apertou o queixo dele afetuosamente e segurou a mão dele, o puxando para um corrida até sua TARDIS.
Marvin ainda ficava deslumbrado com a nave, por mais que já estivesse acostumado com toda aquela tecnologia.
Missy o empurrou até uma espécie de armário, ele reconheceu trajes de diversas épocas. Deduziu que ele deveria vestir as túnicas de lã, as calças de couro, as botas pesadas, um cinturão e um pesado casaco de peles que lhe lembrava um manto.
-Vista-se para a ocasião corretamente meu querido-Missy aconselhou e deixou Marvin sozinho.
Quando eles se reencontraram no console da TARDIS, estavam devidamente vestidos como saxões do século 7. Missy correu animada pelos controles da nave, apertando botões, girando chaves, puxando alavancas. A TARDIS fez um som rouco e abafado, sinal que tinha pousado.
-E chegamos!-anunciou a piloto-seja bem vindo ao seu lar sr. Adler, há muito tempo atrás.
Quando Marvin saiu da nave, logo avistou o céu noturno e escuro, a grama e uma floresta, mas à frente, uma fortaleza, que estava iluminada por tochas, cheia de agitação de pessoas conversando.
-Sabe o que está acontecendo?-perguntou ele-parece ser um grande evento.
-Ah eu não tenho certeza-rebateu Missy-eu quis tentar a sorte escolhendo aleatoriamente um dia deste século passado nesse reino. Mas a graça está em descobrir as respostas, vamos lá!
E assim eles caminharam em direção à fortaleza, para descobrir o que era todo aquele alvoroço.