Irene sempre foi uma menina enérgica, esperta e determinada, falando o que pensava, muito parecida com sua mãe. Marvin sentia orgulho dela, e ficava feliz pela filha ser assim, sem medo de ir atrás de seus objetivos. Mas o que ele mais gostava na personalidade de Irene era ela também ser encantada por Star Wars. Por horas e horas, ela e o pai brincavam de guerra de sabre de luz, Marvin só se sentia um pouco ressabiado com o fato de ela sempre querer ser Darth Vader, enquanto ele era sempre Luke ou Obi Wan.
-Mas o Darth Vader é o melhor personagem-Missy apoiava a escolha da filha.
-Não se preocupe papai-dizia Irene-ele fica bonzinho no final.
-Eu sei mas ele é o vilão da saga toda-Marvin insistia.
-Se quiser eu posso ser o Luke da próxima vez-sugeria Irene.
-Ah não, o Luke é meu-brincava Marvin-e você vai ser sempre a princesa Leia pra mim.
-Nesse caso-Irene deu um sorriso travesso-mal posso esperar pra conhecer o meu Han Solo.
-Ah, eu espero que você espere muito, mas muito tempo-disse o pai preocupado.
-É muita espera numa frase-observou Irene.
-E você parece tanto com a sua mãe-disse Marvin admirado.
-Eu sei-disse a filha no mesmo tom de Han Solo.
Impossível não se lembrar de O Império Contra Ataca.
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Já era tarde quando Missy preparava a filha para dormir. Ela seguia todos os hábitos terráqueos, colocar os pijamas, escovar os dentes e ouvir uma história. Tanto Marvin como Missy contavam histórias de ninar à filha. Ele narrava trechos adaptados dos seus livros favoritos, ou até mesmo anedotas inventadas na hora baseando-se em filmes. Já a mãe se relembrava dos tempos e das coisas de Gallifrey e contava a Irene.
-Nós também estudávamos no meu planeta, filha-dizia a senhora do tempo afagando os cabelos de Irene-íamos para a Academia, estudávamos o tempo, suas idas e vindas, suas voltas e reviravoltas, e não se esqueça do espaço, sua imensidão, sua proximidade.
-Era legal então-concluiu Irene-muito diferente da escola daqui.
-Ah mas a minha escola também era entediante-Missy revirou os olhos-porém conhecimento nunca é demais, enfim eu tinha um amigo, um melhor amigo, e juntos éramos os melhores da turma. Chamávamos ele de Theta Sigma. Seu pai me lembra um pouco dele, em certos aspectos. Ele era um grande amigo.
-Onde ele está agora?-perguntou a menina.
-Essa é a grande questão sobre meu amigo-Missy se aproximou de um jeito misterioso-ele está sempre por aí, explorando, aprendendo, ensinando e salvando o mundo quando necessário. Se precisar dele, tenha certeza que ele vai aparecer. Mas só não o chame de Theta Sigma, ele agora é o Doutor.
-Doutor quem?-disse Irene fascinada.
-O Doutor-Miasy riu da velha piada-o amigo da mamãe, agora durma Irene.
-Boa noite mãe-a menina abraçou-a e se aconchegou na cama-obrigada pela história.
-De nada meu amor-Missy sorriu e observou o quanto as duas eram parecidas. Por mais que Missy admirasse o Doutor, era impossível não se lembrar de todas as vezes que ele fora um estraga prazer frustrando seus planos.
