Ao acordar Irene pareceu sentir que algo estava errado. Lembrou-se de sentir uma presença perto dela na noite anterior. Uma silhueta escura e assombrosa na forma de sua mãe, então só poderia ter sido ela quem havia a visitado.
Irene esfregou os olhos, sentindo-se ainda sonolenta e estranhando todo aquele silêncio. Geralmente a televisão já estava ligada àquela hora. Mas ela não ouviu nenhum barulho. Preocupada, pulou da cama e, antes que saísse do seu quarto, reparou a folha de papel dobrada sobre seu criado mundo.
"Tchauzinho,
Ass. Mamãe".
Era a única frase que estava escrita naquele papel.
Irene era esperta e logo deduziu o que aconteceu, mas se recusava a acreditar.
-Pai!-ela saiu atrás de Marvin, preocupada.
Andou por toda a casa o chamando e não o encontrou em lugar nenhum. Foi quando o viu de costas ajoelhado em meio ao quintal. A velha TARDIS havia sumido.
-Ela foi embora Irene-disse ele ao notar a presença da filha.
-Não pai, não temos certeza-Irene já estava ao lado dele o amparado-algo pode ter acontecido, vem vamos procurá-la, não vou desistir enquanto não encontrá-la.
Marvin esforçou para ficar de pé. Queria ter a mesma esperança que a filha. Para não magoa-la nem entristecê-la, ele a seguiu. Irene liderou as buscas. Primeiro perguntou aos vizinhos se tinham visto sua mãe naquela mãe. Ninguém tinha visto. Saíram nas ruas com uma foto dela perguntando sobre seu paradeiro, também sem resultado.
Andaram no porto boa parte do dia. Ninguém reconheceu a sra. Adler da foto. Foi quando Irene teve a ideia de ir à polícia registrar o desaparecimento.
Marvin a impediu imediatamente.
-Não minha querida-disse ele amargurado-você sabe que não vai adiantar, sabe o quão diferente sua mãe é. Ela ê como um pássaro que não podia voar, preso numa jaula, até recuperar suas asas novamente.
-Por que...-Irene começou a chorar e mostrou o bilhete da mãe ao pai-Por que ela não disse o motivo de ir embora? Era só o que eu queria entender...
-Eu também-Marvin disse entre as lágrimas abraçando sua filha.
Devastados, voltaram para casa. Nenhuma explicação lógica ou ilógica que suas mentes formulassem era suficiente para justificar o que Missy havia feito.
Ela simplesmente havia os abandonado. Marvin e Irene agora só tinham um ao outro, e assim viveriam, tentando superar juntos o que havia acontecido.
