O mini caminhão estava estacionado em frente a casa dos Adler. Irene e o pai levavam as últimas caixas de sua mudança até o veículo. Aquela seria a última vez que olhavam para a casa. Por um breve momento Irene lembrou-se de como a velha TARDIS costumava ficar parada no quintal. Lembrando da mãe, deu as costas de uma vez ao lugar e não daria o braço a torcer ao seu coração mole. Marvin por suas vez lutava contra a tentação de olhar para trás. Com pesar conseguiu vencê-la.
Ao entrarem no veículo um estrondo causado por um raio lhes deu um susto.
-Vamos antes que chova-avisou o pai à filha e eles rumaram para Londres.
Não conseguiram evitar a chuva. No meio da estrada, os fortes respingos embaçavam o vidro desafiando o para-brisa, e os ocasionais clarões dos raios atrapalhavam a vista. Marvin sentia os pneus deslizarem na pista molhada e se esforçava para manter as mãos firmes no volante.
-Pai não é melhor pararmos?-sugeriu Irene preocupada-não foi uma boa ideia dirigir o caminhão.
-Eu sei-reconheceu Marvin-mas não tinha dinheiro pra pagar um motorista, além disso meus patrões foram generosos em me emprestar o caminhão. Se acharmos um lugar pra ficar nós paramos, tá bom?
-Está bem papai-ainda assim Irene não ficou tranquila.
Marvin persistiu com a chuva mais um pouco, que foi se transformando numa tempestade. Não havia hotel ou posto de gasolina no caminho à sua frente.
Foi quando o clarão rápido apareceu no horizonte. Os faróis do veículo em alta velocidade estava sobre eles numa fração de segundo.
Marvin tentou jogar o caminhão para a direção oposta, porém a pista molhada e o peso do caminhão os colocou em choque contra o carro em alta velocidade.
Depois do impacto, a chuva continuava caindo enquanto ambos os motoristas estavam inconscientes.
Irene havia batido a cabeça com o impacto e ficado tonta, mas mesmo com a visão turva reconheceu a figura inerte do pai, com um talho na testa, que sangrava.
O pânico da situação provocou lágrimas mas ao ver o celular ligou em busca de ajuda.
-Por favor é uma emergência!-ela soluçou ao telefone-eu acabo de sofrer um acidente na estrada de Bristol à Londres. Por favor mande ajuda!
Os minutos esperando os paramédicos pareceram uma eternidade, e neles ela suplicava.
-Por favor papai não me deixe...
Os paramédicos a atenderam rapidamente e logo ela estava bem fisicamente, mas sob observação. Perguntaram se ela tinha mais algum parente.
-Eu só tenho a ele e ele a mim-foi sua resposta categórica.
Deixaram então que ela o acompanhasse até o hospital mais próximo.
Irene tentava controlar o pânico e o medo de perder seu pai. Só pensava na injustiça que era um homem inocente passar por tudo isso por causa de alguém que o enganou e arruinou suas vidas lentamente.
