I
Chad acordou sozinho na cama. Uma pálida luminosidade se infiltrava pelas cortinas entreabertas e ia bater em seus olhos. Chad se espreguiçou e sentou-se na cama. Jeffrey já estava de pé tão cedo? Após lavar o rosto, Chad desceu. Ainda não havia entrado na cozinha e já ouvia o bater das panelas e a voz de Jeffrey.
– Lobinha, se não descer rápido vai se atrasar! – Ouviu o lobo gritar.
– Já vou! Já vou! – Dabria gritara de volta de seu quarto. Pelos sons que vinham de lá, Chad sabia que ela estava abrindo e fechando gavetas. Provavelmente procurando algo para vestir.
Chad entrou na cozinha. Assim que o viu, Jeffrey abriu um enorme sorriso e foi até ele tocando seus lábios com os dele.
– E, então, meu lobão, dormiu bem? – Jeffrey parecia ser só felicidade.
– Bem. – Chad respondeu secamente e se sentou a mesa.
Jeffrey ficou um tempo parado como se avaliasse a reação do namorado. Por que era isso que Chad era, não era? Apenas namoradão. Mas Chad queria ser seu companheiro, sua alma metade. Mas não. A mordida não veio. A reivindicação não acontecera.
– Querido, aconteceu alg...?
A pergunta de Jeffrey foi interrompida quando Dabria entrou esbaforida na cozinha. Ela se vestia de forma social e, assim como a filha do alfa, usava botas de trilha que não combinavam com suas roupas.
– Torradas?
Jeffrey perguntou já colocando duas torradas num prato para a moça que as comeu ainda em pé. Jeffrey encheu uma caneca com café e lhe passou. Dabria tomou toda a bebida num único e longo gole. Depois enfiou na boca o resto da última torrada e deu um abraço leve em Chad e outro no pai antes de sair correndo ainda mastigando.
– Essa menina... – Jeffrey balançou a cabeça olhando para a porta por onde a filha saíra correndo. Depois voltou seu olhar para Chad. – E, então, querido? Qual o problema?
– Nenhum. – Chad disse de mau humor levando uma torrada à boca.
– Chad, eu não sou burro. – Jeffrey disse se sentando ao seu lado. – Eu sei que você está chateado. E acho até que já sei por que.
– É mesmo? – Chad não pôde se impedir de ser sarcástico.
– É por que eu não te reivindiquei. – Jeffrey afirmou.
– E por que você me reivindicaria se não me quer como companheiro?
– Amor, eu quero você como companheiro. – Jeffrey disse pousando a mão sobre a de Chad. – Foi por isso que eu pedi para o meu alfa fazer um acordo com o seu.
– Sei... – Chad tirou a mão de sob a de Jeffrey.
– Amor, eu sei que você está confuso. Ontem eu não te expliquei tudo... Mas você tem que entender. Eu sou um macho dessa matilha. Tenho obrigações a cumprir.
– Obrigações? – Chad olhou indagadoramente para ele, mas ao mesmo tempo seu olhar tinha algo de perigoso. – Como assim?
– Pelas leis da nossa matilha, eu só posso reclamar uma companheira após ter tido um filho lobo. E a mãe do meu filho teria que ser obrigatoriamente minha companheira. – Chad abriu a boca para argumentar, mas Jeffrey não lhe deu a chance. – O alfa abriu uma brecha nessa regra. Eu posso reclamar você como meu companheiro, Chad, mas só depois de ter um filho lobo.
– E o que isso quer dizer? – Chad estava a ponto de explodir de raiva. – Eu sou seu, mas você pode ficar por aí avulso até ter um filho?
– Não é bem assim, querido. – Jeffrey disse sem jeito. – Eu sou apenas seu. Com exceção das festas da lua cheia quando qualquer fêmea pode requisitar qualquer macho sem companheira.
– O quê?! – Chad estava horrorizado. – Quer dizer que qualquer uma pode ter você e eu não posso falar nada?
– Bom... Como agora você também é um lobo da matilha, mesmo que seja um lobo madeira, qualquer uma pode requisitar você também. – Jeffrey disse encolhendo os ombros diante do olhar assassino de Chad. – Eu não faço as regras. – O lobo branco se justificou. – Foi o único modo de ter você. Mas não se preocupe, nenhuma de nossas mulheres iria querer dar a luz a um mestiço. Ninguém deve querer te requisitar...
– Ah, e isso é bom para quem? – Chad estava espumando de raiva.
– Sinto muito, meu bem. Eu não queria isso, mas...
Chad saiu da mesa, voltou para o seu quarto e bateu a porta. Estava se sentindo enganado, humilhado, usado. Saíra de sua matilha por aquilo? Ele não havia ficado com mais ninguém desde que vira Jeffrey pela primeira vez e Jeffrey iria sair por aí com qualquer uma só por causa das tradições. Aquilo era injusto. Muito injusto.
Uma hora depois, Jeffrey bateu timidamente na porta. Chad que estava deitado na cama lendo um livro pensou em mandá-lo embora, mas achou que seria ridículo ficar agindo como uma criança birrenta. O mandou entrar.
– Chad, precisamos conversar... – O lobo se sentou ao seu lado na cama. – Eu sei que é difícil para você esta história da lua cheia, mas é difícil para mim também.
– Imagino... – Chad continuou com os olhos voltados para o livro, embora não fosse capaz de ler mais nenhuma palavra.
– Querido, lembra quando eu disse que cada lobo tem um dom?
– ... – Chad o ignorou.
– Pois é... Nossos dons são muito bons com humanos, mas não são tão certeiros assim com lobos. Mesmo assim, as poucas previsões amorosas que fiz para os lobos se confirmaram corretas.
– ... – Chad continuou a ignorá-lo.
– Um de nossos lobos, o Dj Qualls, tem um dom interessante. Ele prevê alguns acontecimentos do futuro. – Jeffrey fez silêncio esperando para ver se Chad diria algo. Como o lobo madeira permaneceu calado, ele continuou. – Uma das coisas que ele previu para a nossa matilha é que logo nosso alfa teria um lobo e esse lobo seria nosso próximo alfa.
– Bem, e ele tem, não é mesmo? – Chad disse sem olhar para Jeffrey.
– A previsão foi feita depois do nascimento do Luck. – Chad alteou as sobrancelhas e olhou de lado para Jeffrey. – Ele também previu que muito em breve eu também teria um lobo. Um lobo que será beta.
– Você está querendo dizer que...?
– Chad, eu logo terei um lobo e poderei reivindicar você. – Jeffrey levou uma mão até a nuca do namorado. – É só uma questão de tempo, amor.
– Mas até lá você vai ficar com qualquer uma. – Chad explodiu. – Acha que eu quero ver você com qualquer outra pessoa?
– Eu também não quero qualquer outra pessoa. – Jeffrey o puxou para os seus braços. Chad, a princípio, tentou se desvencilhar, mas em fim, cedeu. – Será uma tortura para mim. Eu nem gosto de ficar com mulheres. Eu sou gay, lembra?
– É, mas você tem um monte de filhas...
– Cumprindo minhas obrigações. Só isso... – Jeffrey o beijou. Por um breve instante, Chad pensou em se afastar, recusar o beijo, mas logo a língua de Jeffrey pedia passagem e ele a aceitou. Estava com muita raiva de Jeffrey, porém esperara tanto para estar com ele que mesmo a raiva não poderia afastá-lo daquele homem. Jeffrey interrompeu o beijo, mas não afastou o rosto do de Chad. – É você que eu amo. Só você... – Jeffrey voltou a beijá-lo.
Chad ouviu passos firmes se aproximando da entrada da casa. Como lobo madeira, sua audição era excelente. Antes que a mulher, por que sem dúvida era uma mulher, batesse na porta, Chad já havia afastado Jeffrey e já se inclinara no parapeito da janela para ver quem era sua visitante. Não se surpreendeu ao ver que era a mesma mulher que o olhara feio quando chegara.
– Chad, por que você...? – Jeffrey se interrompeu ao ouvir as batidas na porta. – Quem será?
– É uma mulher de cara fechada. – Chad disse a espiando por uma pequena abertura entre as cortinas.
– Vou ver o que ela quer... – Jeffrey disse se dirigindo a porta.
– Eu vou junto. – Chad correu para junto do namorado. – Não vou te deixar sozinho com nenhuma mulher a não ser que seja restritamente necessário.
Jeffrey riu e passou um braço em torno da cintura de Chad. Adorava o modo possessivo como o outro o tratava. Ainda com o braço em torno do namorado, foi até a porta e a abriu. A mulher o olhou feio quando viu que ele estava abraçado a Chad.
– Ei! – Jeffrey não entendia o que a mulher estava fazendo ali. – Querido, essa é Hillary Swank. Hillary, esse é Chad, meu futuro companheiro.
– Eu sei. – Ela disse sem abrir a expressão. Jeffrey achou aquilo estranho. Hillary era sempre tão sorridente e simpática.
– E o que você quer? – Chad perguntou. Jeffrey voltou seu olhar para o namorado. Chad parecia ver em Hillary uma rival.
– Kristen me disse que você pediu ao alfa permissão para não participar do ritual da lua desse mês... – Ela disse olhando diretamente para Jeffrey e ignorando Chad. – Isso é verdade?
– Bem... – O que Jeffrey poderia dizer a ela? Estiveram juntos nos últimos rituais da lua. Haviam passado momentos agradáveis, ainda que sua preferência não fosse mulheres. Todos sabiam que Dj Qualls havia previsto um filho para ela nos próximos meses e como ele havia previsto um filho lobo para Jeffrey, todos esperavam que ela fosse a mãe de seu filho lobo. Jeffrey também esperava isso. – É que Chad mal chegou e ainda não está familiarizado com nossos costumes... – Jeffrey se justificou. – Acho que vai ser melhor para ele se eu não participar do ritual desse mês, sabe?
– Os rituais são sagrados, Jeff. – A mulher o lembrou. – Além disso, eu sinto que dessa vez vou ter o meu filho. Dessa vez vou te dar um filho lobo.
– Ah... – Jeffrey, temeroso, olhou para Chad que, pelo olhar assassino que lançara a mulher, havia entendido que Hillary seria sua parceira no ritual da lua e não gostara nada daquilo. – Eu sei, Hillary, mas se o alfa concordar, prefiro passar essa lua cheia com o Chad.
– Você já conseguiu permissão para trazer para cá seu amante lobo madeira e até fazer dele seu companheiro. – A mulher disse cheia de veneno. – Agora vai usar de novo sua amizade pessoal com o alfa para fugir de suas obrigações?
– Hillary. – Jeffrey deixou transparecer seu aborrecimento. Detestava que as mulheres saíssem por aí falando que ele manipulava o alfa com sua amizade. Os lobos não falavam nada disso. Por causa do laço, eles sabiam muito bem que Roger Ackles não se deixava manipular por ninguém. Mas Roger era um homem razoável. Ele sempre tentava olhar o lado dos outros antes de tomar uma decisão. Roger sabia que seria difícil para Chad aceitar o ritual da lua cheia, por isso estava inclinado a atender ao pedido de Jeffrey. Só isso. Não houve manipulação. – O alfa é o alfa e ele sabe o que faz. – Disse duramente. – Se é só isso, Hillary...
A mulher girou sobre os sapatos de salto agulha e saiu pisando forte. Jeffrey fechou a porta com um longo suspiro.
– É ela? – Chad perguntou. – A mulher que te requisita na lua cheia...?
– Teoricamente qualquer mulher pode me requisitar, mas geralmente é ela, sim.
– Então você não precisa ficar com ela hoje à noite? – Chad perguntou esperançoso.
– O alfa ainda não tomou sua decisão. – Jeffrey conduziu Chad até a cozinha. – Você não tomou café direito... Que tal umas panquecas?
– Você está tentando me amolecer. – Chad acusou. E ele estava certo. Jeffrey sabia que a primeira coisa que Hillary faria ao sair de sua casa seria ir até a casa do alfa para reclamar com ele e ela teria todo o apoio de Kristen, a companheira do alfa. Dificilmente Roger atenderia ao seu pedido.
– Se eu tiver que ficar com a Hillary essa noite, Chad, saiba que será por pura obrigação. – Jeffrey disse tentando preparar o namorado. – Meu amor é você.
– Não gosto disso. – Chad queixou-se ao se sentar a mesa.
– Também não gosto. – Jeffrey disse colocando a frigideira no fogo. – Se eu não fosse obrigado, mandaria a Hillary pastar.
Chad riu. Jeffrey despejou a massa de panqueca na frigideira. Antes daquele encontro na porta, Jeffrey nunca tivera nada contra Hillary. Apesar de ele mesmo ter previsto seu futuro amoroso, quando se sentia inseguro com seu futuro e achava que nunca encontraria o lobo que lhe era destinado, até pensava que seria bom ter a mulher como companheira.
Jeffrey não era realmente gay. Apesar de preferir os homens e nunca procurar uma mulher por vontade própria, ele não tinha nenhum problema em ficar com uma. Então ele poderia ser chamado de bissexual.
A mãe de Dabria fora especial para ele. Se ela tivesse lhe dado um menino lobo, ele ficaria feliz em reivindicá-la como companheira. Mas Dabria era uma menina e sua mãe morreu no parto. No fim, o destino trabalhara para fazer com que ele esperasse por Chad. E Chad estava ali, mas ainda não podia ser reclamado como seu companheiro.
Estava colocando as panquecas no prato para Chad quando sentiu a irritação de seu alfa. O que o deixara apreensivo Jeffrey não sabia. Não tinha como saber. Mas captara algumas palavras: "obrigação", "costumes", "futuro". Jeffrey suspirou. Roger devia estar conversando com Hillary.
– Aqui, amor. – Jeffrey colocou as panquecas diante de Chad. – Minha especialidade.
– Parecem ótimas. – Chad sorriu.
Jeffrey apenas o olhou encantado. Quando Chad sorria parecia que um sol se abria entre seus lábios e sua luz ofuscava todo o resto. Quando Chad sorria, Jeffrey se esquecia do quão longa fora a espera e do quão duro tivera que dar para fazer sua matilha aceitá-lo. Estar com Chad justificava tudo. Tudo. O telefone tocou. Jeffrey foi atender já sabendo quem estaria do outro lado da linha e até o que diria.
– Oi, Roger! – Disse assim que tirou o telefone do gancho.
– Jeff, sinto muito. – Roger disse. – Você terá que cumprir suas obrigações hoje à noite.
– Ah... – Jeffrey suspirou.
– Sei que Chad não vai gostar disso, mas... – Roger pareceu não achar palavras. – Vou pedir a Kenzie para fazer companhia a ele essa noite.
– O quê, alfa, está dizendo que vai oferecer sua filha para o ritual da lua cheia com um lobo madeira? – Jeffrey perguntou com falso espanto.
– Você é louco, Jeff?! Claro que não! – Jeffrey gargalhou. Sabia que não era aquilo. Entre os lobos brancos não havia mal entendido. – A Kenzie detesta esses rituais e até hoje não requisitou ninguém e duvido que requisitaria seu lobo madeira. Mas ela é boa companhia. Ela é jovem como ele. Creio que os dois podem passar a noite conversando e se queixando da inutilidade do ritual da lua cheia.
– Sendo assim, Dabria também pode se juntar a eles. – Jeffrey acrescentou. – Ela também detesta o ritual e diz que vai morrer solteira se tiver que se sujeitar a ele.
– Nós dois estamos arrumados com essas meninas, hein? – Roger riu. – Converse com o Chad, ok? Vou mandar a Kenzie passar aí para fazer companhia a ele.
– Certo. Nos vemos mais tarde.
– Até mais tarde.
Jeffrey desligou o telefone. Quando se virou, descobriu Chad bem ao seu lado. A expressão em seu rosto deixava claro que ele havia escutado toda a conversa. Jeffrey lhe deu um sorriso sem graça. Havia esquecido que Chad era um lobo madeira. Sua audição era espetacular.
– Isso é simplesmente injusto. – Chad disse. – Por que raios você tem que ter um filho lobo? Por que não pode se contentar com as meninas?
– Eu me contento. – Jeffrey disse já prevendo que o lobo explodiria. – Mas a matilha precisa de mais lobos e nós temos regras...
– Regras estúpidas! – Chad sentenciou. Seu rosto estava vermelho de raiva e seus olhos azuis cristalinos ardiam de fúria. Jeffrey prendeu a respiração. Até mesmo furioso, Chad era lindo.
O lobo madeira foi se sentar a mesa e começou a enfiar as panquecas na boca de um jeito que deixava claro que ele não sentia gosto de nada. Só estava comendo para extravasar a raiva. Jeffrey foi se sentar com ele.
– Olha, baby, a Kenzie e a Dabria vão fiar aqui com você. – Disse num tom propositalmente doce. – Vocês podem ver TV ou...
– Já entendi. – Chad o cortou. – Eu fico aqui enquanto você vai fazer um filho na tal Hillary...
– Pense positivo, amor. – Jeffrey acariciou a sua nuca. – Se a Hillary engravidar, essa será a última vez.
– Sei... Se ela engravidar de um lobo, tenho certeza que ela irá pressionar o alfa para fazer você reivindicá-la como companheira.
– Querido... – Jeffrey iria argumentar, mas o olhar assassino que Chad lhe lançou o fez se calar. Ele próprio sabia que Chad tinha razão. Hillary queria ser sua companheira e se ela lhe desse um filho lobo não pararia de importunar o alfa até conseguir o que queria.
Jeffrey baixou a cabeça. Se pudesse tiraria dos olhos de Chad toda aquela tristeza. Se pudesse levaria no pescoço uma coleira para que todos soubessem que ele era de Chad. Único e exclusivo de Chad.
Mas não podia. Tinha obrigações a cumprir. Tinha que ter um filho. E teria. Estava previsto. Dj Qualls só fizera quatro previsões para os lobos. Dentre essas apenas uma já havia se cumprido. As outras três previsões estavam para se cumprir. Hillary teria um filho. Roger e Jeffrey teriam um lobo para sucedê-los.
II
Chad estava irritado. Da janela de seu quarto ele podia ver a preparação da festa do ritual da lua cheia na praça em frente ao Centro Social. As mulheres estavam bem vestidas e muito bem penteadas e maquiadas. Aquele parecia ser o evento mais esperado do mês. Jeffrey estava se arrumando e Chad se perguntava por que o homem tinha que ficar todo bonito para outra pessoa.
– Volto de manhã a tempo de preparar seu café, amor. – Jeffrey disse indo para abraçar Chad, mas o lobo madeira se desvencilhou de seus braços e saiu do quarto. Foi até a sala com Jeffrey em seus calcanhares. Dabria já estava ali. Havia comprado vários filmes e feito pipoca.
– Pronto para a sessão pipoca? – A moça perguntou com um sorriso.
Chad simplesmente bufou e se deixou cair ao lado dela no sofá. Jeffrey ainda lhe lançou um olhar culpado antes de sair. Dabria estava escolhendo qual filme iriam assistir primeiro quando Chad escutou os passos de Kenzie se aproximando.
– Kenzie na porta... – Chad disse de mau humor.
– An? – Dabria olhou para ele sem entender, mas logo ouviu batidas na porta. – Uau!
Dabria correu para atender a amiga e logo a filha do alfa estava na sala olhando de forma divertida para o rosto carrancudo do lobo madeira. Chad achou irritante que a moça achasse divertida a sua situação. Olhou feio para ela, mas logo percebeu que Kenzie não estava vestida para ficar em casa assistindo filme e comendo pipoca. A moça usava um vestidinho preto com babado de renda dourada na barra, suas sandálias de camurça combinavam com seu casaquinho de veludo.
– Dou quinze minutos a vocês dois. – Ela disse olhando reprovadoramente para Chad de calça de pijama e camiseta e Dabria que vestia roupas de ginástica.
Chad e Dabria trocaram olhares. Poderiam ficar ali assistindo filme e xingando a droga do ritual ou poderiam sair com Kenzie e se distrair um pouco. Imediatamente Chad e Dadria subiram para se arrumar. Chad escolheu roupas que o deixavam particularmente gostoso. Calças jeans apertadas, camiseta colada e jaqueta de couro. Quando saiu de seu quarto, Dabria saia do dela. A moça usava um vestido vermelho que Chad, já meio se sentindo padrasto dela, teve vontade de mandá-la voltar para trocar. Mas ele se segurou. Não queria bancar o padrasto chato. Kenzie esperava por eles na varanda.
– Finalmente. – Ela disse quando eles saíram da casa. Ela lhes lançou um olhar aprovador. – Mas valeu à pena esperar...
– Aonde vamos? – Dabria perguntou empolgada. – Àquela boate na cidade?
– Não. – Kenzie disse já indo para a rua. – Vamos à festa do ritual da lua cheia.
– O quê?! – Chad e Dabria ainda no mesmo lugar perguntaram atônitos.
– Não mesmo. – Chad disse. – Não quero ver o Jeffrey com aquela mulher.
– Por isso mesmo que você vai. – Ela disse sem se voltar e continuando a andar em direção à praça. Chad e Dabria tiveram que correr atrás dela. – Você prefere ficar em casa comendo pipoca e assistindo comédias românticas ou prefere ir lá e acabar com a festa da vaca da Hillary?
– Kenzie, ele não pode fazer isso. – Dabria parecia alarmada. – Se ele fizer alguma coisa, seu pai pode mudar de idéia e expulsá-lo da matilha. Meu pai iria morrer se...
– Calma, lobinha. – Kenzie disse sem se alterar ou diminuir o passo. – Ninguém vai saber que tivemos algo a ver com o que vai acontecer.
– E o que vai acontecer? – Chad perguntou cheio de curiosidade e já prevendo que eles assistiriam a um grande espetáculo.
– Vocês têm que estar lá para ver... – Kenzie disse com um sorriso maldoso. – Vai ser inesquecível.
Chad e Dabria trocaram olhares. Fosse o que fosse que a filha do alfa estava planejando, eles pagariam para ver.
