I
– Chad, eu não estou gostando do modo como estão te tratando. – Jared disse num tom firme. – Chega! Você não vai voltar para a Matilha do Sul. Eu estou pegando você de volta.
– Jay... – Chad já ia protestar, mas Jensen foi mais rápido.
– Jared, ninguém está maltratando o Chad. – O ômega pôs a mão no ombro do alfa tentando acalmá-lo. – Os costumes entre nossas matilhas são diferentes, só isso.
– Mas não é certo o Chad ficar lá sem ser reivindicado. – Jared cruzou os braços. – Se eles querem o Chad por lá, vão ter que reivindicá-lo primeiro.
– Não é assim que as coisas funcionam por lá. – Jensen tentava argumentar.
– Mas é assim que as coisas funcionam por aqui. – Jared foi firme. – O Jim reivindicou o Misha antes mesmo de eu aceitá-lo na matilha...
– E o Alfa Ackles ficou puto da vida com isso... – Misha comentou com um olhar distante, quase como se não estivesse prestando atenção à conversa. – Na Matilha do Sul, cada reivindicação é precedida por uma grande festa onde um ritual é celebrado para obter a benção da deusa.
– Vocês são muito supersticiosos. – Jared olhou feio para Misha que o ignorou.
– Superstição ou não, é assim que as coisas acontecem na Matilha do Sul. – Jensen argumentou. – Chad será reivindicado, mas no momento certo.
– Droga! – Jared respirou fundo e voltou-se para o amigo. – Chad, é isso mesmo que você quer? Você está feliz lá?
– Bem... – Chad pensou em mentir, mas Jared era seu irmão de criação, seu melhor amigo, e merecia mais que mentiras. – Não tem sido fácil, mas eu quero ficar com o Jeffrey.
– Chad, tem certeza? – Jared parecia suplicar. – Enquanto você não for reivindicado, ainda pode mudar de idéia. Eu o aceitarei a qualquer hora. Mas se Jeffrey reivindicar você...
– Eu sei, Jay. – Chad sorriu para Jared. – Mas é o que eu quero.
Os dois se abraçaram. Chad se sentiu tentado a mudar de idéia. Sentia tanta falta de Jared e dos outros lobos. Mas agora era impossível. Por mais que ainda não tivesse sido reivindicado por Jeffrey, seu coração lhe pertencia inteiramente. Chad já não podia viver sem ele. Jim também o puxou para um abraço.
– Se cuida, filhote.
– Você também, lobo velho. – Chad sorriu cheio de malícia. – Se cuida ou o Misha vai acabar esgotando você.
– Eu não sou tão velho assim... – Jim queixou-se.
– Boa sorte com o Jeff. – Jensen também lhe deu um abraço. – E, d'Artagnam, tome cuidado com as maluquices de Athos e Porthos.
– Tudo bem, Aramis...
Jared observou a conversa sem entender do que falavam. Misha apenas pulou no pescoço de Chad e lhe deu um beijo estalado na bochecha, depois se afastou rapidinho, pois Jim o olhava feio. Chad riu. Quem diria que Jim seria tão ciumento? Com um último sorriso para Jared, Chad voltou para o carro onde as meninas o esperavam.
– Olha, não sou um lobo madeira e nem tenho super audição... – Kenzie comentou dando a partida no carro. –, mas vi que as coisas estavam meio tensas ali.
– Jared queria me pegar de volta por que o Jeffrey não me reivindicou ainda.
– E você tem certeza de que não quer voltar? – Kenzie perguntou.
– Kenzie! – Dabria olhou feio para a amiga.
– Fala sério, Dabria. – Kenzie fechou a cara numa fúria desvelada. – O Chad abandonou a matilha dele, a família, os amigos e a posição de beta para ver o seu pai ir para cama com qualquer mulher a cada lua cheia até alguma conceber o filho lobo que a matilha tanto quer? Isso é injusto.
– Também acho, mas... – Dabria se encolheu. – Acho que meu pai morreria se Chad fosse embora. – O tom de voz de Dabria era baixo. – Eu também ficaria triste se ele fosse.
– Eu também, mas prefiro vê-lo feliz longe que infeliz perto de mim.
– Não posso voltar. – Chad disse num tom triste. – Já não sei viver sem o Jeffrey.
– Certo. – Kenzie disse com firmeza. – Está decidido, então.
– Decidido o quê? – Dabria perguntou desconfiada.
– Vamos dar um jeitinho de o Jeff reivindicar o Chad antes da próxima lua cheia.
– Como? – Dabria e Chad perguntaram.
– Ainda não sei, mas vou pensar em alguma coisa.
Os três guardaram o carro no celeiro e voltaram pela trilha antiga até a vila dos lobos. Graças à super audição de Chad e à astúcia de Kenzie e Dabria, eles não foram descobertos. Quando Jeff chegou em casa de manhã, encontrou Chad enroscado numa poltrona, Dabria e Kenzie encolhidas no sofá e a televisão e o DVD ligados. Os três dormiam pesadamente.
Jeffrey pensou em acordá-los e avisar que haviam se esquecido de guardar as botas de trilha, mas achou melhor simplesmente preparar o café. Afinal, os três haviam voltado. Sabe-se lá de onde, era verdade, mas ao menos voltaram sãos e salvos. Não havia motivo para aborrecê-los com broncas.
II
– É ela? – Chad perguntou observando a mulher que se encaminhava para o Centro Social.
– Liane Balaban. – Dabria informou. – A nova ginecologista e obstetra da matilha.
– Ela veio da Matilha de Ática. – Kenzie acrescentou.
– E por que o Jeffrey é quem teve que ir buscá-la? – De mau humor, Chad observava Jeffrey guiando a mulher até o Centro Social.
– Ele é o beta. – Kenzie disse. – Como foi a nossa matilha que pediu por ela, já que perdemos nossa ginecologista, é costume demonstrar respeito mandando alguém de hierarquia alta para escoltá-la.
– É, mas os dois estão um tanto íntimos demais...
– Relaxa, meu pai é louco por você. – Dabria disse.
Eles estavam empoleirados na janela do quarto de Kenzie de onde tinham uma visão privilegiada do Centro social e da maior parte da vila. Como os três haviam se tornado muito amigos, era normal passarem as tardes ali ou na casa de Dabria e Chad. Da janela eles viam os preparativos para a festa de boas vindas da nova médica. Chad não participaria, pois fora escalado para fazer a ronda.
– Vocês vão ficar de olho no meu lobo, para mim, não vão?
– Claro! – Dabria assentiu. – Se a nova médica começar a assanhar para cima do meu pai, eu darei um jeitinho nela.
– Meninos, o lanche está pronto! – Kristen havia entrado no quarto sem bater. Kenzie olhou feio para ela. Odiava quando ela fazia aquilo. Na verdade, enteada e madrasta tinham quase a mesma idade, mas nunca poderiam ser amigas. Kristen se comportava como uma mulher de meia idade e censurava praticamente tudo o que Kenzie fazia. A filha do alfa odiava isso e odiava ainda mais o modo como Kristen a tratava, como se ela e seus amigos fossem crianças da pré-escola.
– A gente já vai descer. – Dabria disse antes que Kenzie abrisse a boca e mandasse a madrasta para um lugar bem feio.
– Não demorem. – Ela sorria ao sair. Kenzie bufou.
– Não entendo por que meu pai tinha que se casar com isso. – Queixou-se. –Por que ele não podia se casar com um lobo legal tipo o Chad?
– Por que ele não é gay? – Dabria deu de ombros. – Vamos logo comer o lanchinho ou a sua madrasta vai ligar para o Jeff e contar que estamos fazendo bagunça.
Kenzie revirou os olhos, mas a seguiu. Chad foi atrás. Quando chegaram à cozinha, havia um prato cheio de sanduíches sobre a mesa e uma jarra de suco de laranja. Kenzie balançou a cabeça. Já ia dizer alguma coisa, mas Dabria a cutucou. Quando estavam na casa de Jeffrey, o lanche da tarde era cerveja e algum tira gosto picante que eles devoravam enquanto jogavam pôquer. Mas na casa do alfa, o lanche mais habitual era biscoitinhos de chocolate e copos de leite. Quando os três se sentaram para comer, Kristen se postou atrás de Kenzie e abriu uma carta.
– Kenzie, querida, chegou mais um convite da minha antiga matilha para que você participe da próxima festa do Ritual da Lua Cheia de lá. – Kristen disse com voz de seda. Kenzie fechou os punhos com força, evidentemente se segurando para não dar um soco na madrasta. – Você deveria ir. E poderia levar a Dabria com você...
Kenzie e Dabria vinham de linhagens muito antigas e fortes de lobos brancos. Era quase certeza de que qualquer filho que elas tivessem seria um lobo. As irmãs de Dabria eram todas mães de lobos. A magia dos lobos brancos estava tão forte nelas, que costumavam dizer que elas seriam lobos se não tivessem nascido meninas. Por essa razão, a maioria das matilhas de lobos brancos as queria em seus rituais da lua cheia. Mas Kenzie e Dabria não participavam nem mesmo dos rituais da própria matilha, quanto mais dos de outra.
– Não obrigada. – Kenzie disse com falsa meiguice. – Já tenho planos.
– Não sei que planos. – Kristen insistiu. – A propósito, Chad, você terá que participar do ritual também.
– Eu? – Chad quase engasgou com o suco.
– Você é um lobo da matilha. – Kristen disse com naturalidade. – Sei de algumas mulheres que estão interessadas em te requisitarem.
– Mas eu sou um lobo madeira. – Chad argumentou. – Isso não é... Sei lá, um tabu?
– Bom, é. Mas já que você está aqui vivendo conosco, então faz parte da matilha e qualquer filho lobo seu será bem vindo.
– É, mas acontece que eu sou gay. Totalmente gay. Eu nunca vou fazer um filho.
– O Jeffrey também é e ele tem um monte de filhas.
– Mas... – Antes que Chad procurasse em sua mente mais alguma desculpa para não participar do ritual, o alfa entrou na cozinha com o pequeno Luck no colo.
– Chad, já está na hora da sua ronda. – O alfa avisou. – Dj Qualls está te esperando na entrada da vila.
– Obrigado pelo lanche. – Chad disse se levantando e saindo rapidamente. Não queria nem pensar nessa história de ritual.
III
Chad suspirou. Nem escurecera e ele já estava de serviço. Na verdade, ele não havia assumido a ronda propriamente. Dj Qualls o estava levando para conhecer a área que ele teria que vigiar. A floresta era estranha para Chad. Ainda que fosse o mesmo tipo de vegetação da floresta no território de Stª. Bárbara, as árvores ali pareciam mais velhas e Chad podia jurar que elas estavam vivas. Não o tipo de vida que as plantas geralmente têm, quietas em seus lugares e se movendo unicamente pela força do vento. Quando Chad passava por aquelas árvores, principalmente à noite, ele quase podia ouvi-las conversando entre si e dando risadas dos guerreiros lobos que se embrenhavam na mata.
Pensar sobre isso dava calafrios em Chad, mas Dj parecia não se importar nem um pouco em ficar sozinho na floresta com aquelas árvores que falavam. Era como se ele estivesse totalmente acostumado àquela bizarrice. E provavelmente estava já que ele nascera ali.
– Viu, Chad? – Dj apontou para um carvalho alto e frondoso. – É aqui que termina seu território de busca. Quando chegar a esse ponto, você dá a volta e busca de volta até o ponto inicial.
– Certo. – Chad assentiu. Se não fosse um lobo ele certamente não conseguiria guardar na cabeça toda a área a ser coberta em sua vigia, mas ele era.
– Alguma dúvida? – Dj perguntou.
– Várias. – Chad disse num tom sério. – Porém a que mais me intriga é: como você sabe que suas previsões para o alfa e para o Jeffrey vão se realizar?
– Eu não sei... – Dj deu de ombros. – Só tenho certeza quando as coisas acontecem.
– E duas de suas previsões já aconteceram, não é? – Chad queria tirar aquela história a limpo. – Uma é a gravidez da tal Swank. E a outra? O que você previu, Dj?
– Hunnn... Acho que não posso te dizer, Chad. – Dj encolheu os ombros. – Sinto muito.
– Por que não? Eu não sou um lobo da matilha agora?
– Você é, mas...
– Quer dizer que eu sou da matilha o suficiente para fazer a ronda e para o Ritual da Lua Cheia, mas não sou para saber dos segredos que rolam aqui...
– Não é isso. É só que você não está no laço...
– Laço? – Chad franziu as sobrancelhas. – O que é isso?
– É complicado explicar... – Dj recuou alguns passos. – Eu vou indo. Se precisar de ajuda, uive alto. Nossa audição não é tão boa quanto a sua...
Ao dizer isso, Dj, mais que depressa, sumiu dentro da mata. Chad suspirou. Não era a primeira vez que ouvia falar do tal laço, mas ninguém se deu ao trabalho de explicar a ele o que era isso. Chad sentia que por causa desse tal laço ele nunca seria verdadeiramente da Matilha do Sul. Seria sempre um peixe fora d'água. Será que valia à pena viver assim só por causa de um amor? Mal essa dúvida bateu em seu coração, a resposta veio imediatamente. Valia. Valia tudo para ficar com Jeffrey.
Chad começou a se despir. Já tinha tirado a jaqueta e se preparava para tirar a blusa quando ouviu as folhas se mexendo e galhos no chão se partindo. Aquele não era o som que os lobos brancos faziam ao se mover pela mata. Para ser franco, Chad mal se dava conta da presença dos lobos brancos na floresta, pois eles se misturavam tão bem ao ambiente que até seus passos eram encobertos pelo farfalhar das folhas das árvores e pelo sussurro do vento. Quem se aproximava era outra criatura. Chad pensou em se transformar imediatamente, mas ao farejar o ar descobriu que tipo de ser era aquele que se aproximava. Não estavam muito perto da entrada da vila dos lobos, por isso, Chad achou que não seria perigoso ir até ele. Vestiu a jaqueta e foi ao encontro do homem que parecia perdido na floresta.
– Oi! – Chad chamou sua atenção. O homem se virou para olhá-lo e pareceu bem surpreso por vê-lo. – Você é o Josh da oficina, não é? Está perdido?
– Bom... – Josh parecia sem jeito. – Mais ou menos... Estive pensando se a casa da Dabria não ficaria por aqui. Sempre a vejo vindo para esse lado, mas só encontrei essa floresta sem fim...
– Ah! – Chad sorriu. O cara estava mesmo interessado na lobinha. Ela pularia de felicidade ao saber que ele procurou por ela. Mas e o alfa? Será que Ackles ficaria feliz em saber que o filho não lobo chegara tão perto da vila da matilha? Provavelmente não. Era melhor Chad fazer alguma coisa. – Você não deveria andar por aqui sozinho, Josh. – Chad o alertou. – Há lobos por aqui.
– Mas e você? – O olhar de Josh era meio desafiador. – E a Dabria? Vocês sempre vêm para cá, não é? Vocês moram por aqui? – Ele se aproximou de Chad e tentou olhar acima de seu ombro como se esperasse ver uma casinha atrás dele.
– Está escurecendo, Josh. – Chad usou um tom de voz firme. – Os lobos daqui costumam caçar à noite. É melhor você ir.
– E se eu não for? – Josh cruzou os braços. – Quero ver a Dabria.
– Ela está ocupada agora. – Chad disse. Tinha que dar um jeito de tirar Josh dali antes que algum lobo branco o descobrisse tão perto da vila. – Vou pedir para ela passar na oficina amanhã.
– Por que não posso vê-la agora? Por que não posso saber onde vocês moram?
– Não sei se a Dabria te contou, Josh, mas nós vivemos em um tipo de comunidade. – Chad tinha que pensar numa explicação razoável para tirar Josh dali. – Nossa comunidade não gosta de estranhos, então...
– Mas nem se eu for me apresentar? E se eu for e pedir permissão ao pai dela para...? – Josh se calou. Chad sabia que ele e Dabria apenas conversavam. O sentimento estava ali, mas nenhum dos dois havia dado sequer um passo para que tivessem um relacionamento. –... permissão para conversar com ela? – Josh concluiu.
– Chegando assim do nada, você só vai conseguir encrencar a Dabria. – Chad cruzou os braços. – O pai dela é muito severo.
– Achei que ele fosse mais liberal. Afinal ele e você...
– Eu e o pai dela somos uma coisa, ele e ela são outra. – Chad disse. – Jeffrey fica muito irritado quando a Dabria o desobedece. E levar estranhos para casa seria desobedecê-lo. O Jeffrey poderia proibir a Dabria de sair de casa por um mês...
– Mas ela é maior de idade.
– Isso não conta na nossa comunidade. – Chad disse. – Agora vá antes que o pai da Dabria te veja aqui e resolva castigá-la.
– Certo. – Josh disse desanimado. – Mas você vai pedir para ela passar na oficina amanhã, não vai?
– Vou, mas só se você for agora.
– Eu vou...
Josh deu meia volta e começou a se afastar de Chad. O lobo madeira ainda ficou um tempo no mesmo lugar escutando o modo desajeitado com que o não lobo se movia entre a mata. Se fosse em Stª. Bárbara, Chad tinha certeza que mal algum aconteceria a Josh. Os lobos madeira tinham por extinto proteger os humanos que viviam ao redor da matilha. Mas ali no Sul... Chad não sabia o que os lobos brancos, que desprezavam os humanos e não lobos, fariam com o mecânico se o encontrassem vagando pela floresta.
– Bom trabalho! – Chad quase pulou no mesmo lugar. Ao se virar encontrou Steve Carlson a encará-lo. O homem estava nu, o que significava que há bem pouco tempo ele estivera em forma de lobo. – Se Josh tivesse encontrado a matilha, teríamos um bom trabalho para limpar a memória dele e o alfa iria querê-lo o mais longe possível. A Dabria não ficaria contente com isso.
– Então acho que você concorda que é melhor mantermos em segredo o fato de o Josh ter chegado tão perto, não é? – Chad lhe deu seu melhor sorriso a fim de conquistar sua simpatia.
– Infelizmente isso não é possível. – Steve suspirou. – Se eu sei, então os outros lobos sabem e o alfa também.
– O quê? Mas você nem teve tempo de contar... – Chad estava confuso.
– Não preciso contar. – Steve deu de ombros. – O laço é mais forte quando estamos em forma de lobo, então todo mundo sabe.
– O laço? – Aquilo de novo? – O que diabos é isso?
– É... complicado explicar. – Steve encolheu os ombros. – Você tem que estar nele para saber...
– É, mas eu não estou e todo mundo fica falando desse tal laço sem me explicar o que é. – Chad fechou a cara.
– Sinto muito por isso... Os outros também não devem ser capazes de pôr o laço em palavras. – Steve suspirou. – Espere mais um pouco, certo? Jeffrey deve conversar com você a respeito disso.
Assim que acabou de dizer isso, Steve se transformou e sumiu no meio da mata. Chad bufou. Os lobos brancos eram criaturas escorregadias que sempre escapavam quando eram pressionadas a dar uma resposta direta. Jeffrey também era assim. Várias vezes Chad lhe perguntara sobre o laço e Jeffrey sempre fugia dizendo que não era bom para explicar essas coisas.
O restante da ronda foi bem tranqüilo. Na metade da noite, Jason apareceu com o jantar para ele e explicou que havia sempre um lobo para atender as necessidades dos lobos em vigia. Ele havia levado para Chad hot dog, batatas fritas e bolo da festa de boas vindas da médica. Chad buscou notícias de Jeffrey e ficou puto em saber que seu lobo estava sendo o par da médica durante a festa. Mas como não era noite de lua cheia, Chad se sentiu um pouco aliviado. Ao menos Jeffrey não fora para a cama com ela. Ainda... Algo lhe dizia que a tal Balabam tentaria fisgar Jeffrey durante o ritual.
Pela manhã, Chad voltou para casa e encontrou Jeffrey dormindo pesadamente. Chad estava morrendo de sono, mas o desejo de saber tudo o que acontecera na festa vencera seu cansaço. Foi até o quarto de Dabria e não se surpreendeu ao ver que Kenzie também dormia ali. O lobo aproximou-se da cama e puxou os pés delas. As meninas acordaram assustadas.
– Chad? – Kenzie esfregou os olhos. – Quê foi?
– Hunnn... – Dabria havia se sentado na cama, mas seus olhos ainda estavam fechados.
– Quero que me contem tudo o que rolou na festa. – Disse se sentando aos pés da cama.
– Tá bom... – Kenzie bocejou. – Lá vai...
De acordo com Kenzie, a tal médica não havia desgrudado de Jeffrey, mas o lobo fora apenas gentil. Eles dançaram, comeram e jogaram nas barraquinhas de jogos da festa. Jeffrey havia apresentado todos da vila a ela e depois a deixara com a mulher do alfa e havia ido dormir.
– Só isso. – Kenzie disse ainda sonolenta.
– Certo. – Chad já se sentia aliviado. – Mas e aquela história de que eu tenho que participar do ritual da lua? A sua madrasta falava sério?
– Sim. – Kenzie encolheu os ombros. – Infelizmente.
– Parece que a Sophia Bush e a Kenzie Dalton estão bem interessadas em te requisitarem no ritual. – Dabria informou. – Mas não se preocupe. Kenzie e eu já bolamos um plano para manter as duas longe de você.
– E quanto ao Jeffrey? Vocês prometeram um jeito de fazer ele me reivindicar.
– E eu já sei de um jeito, bobinho. – Kenzie riu e contou o plano.
– O quê? – Chad ficou pasmo. Como assim?
– Meu pai vai subir pelas paredes. – Dabria riu.
– E eu também. – Chad disse horrorizado. – Você não tem nenhum outro plano, não?
– Sinto muito, Chad. – Kenzie saiu da cama. – Foi só nisso que pensei. – Ela entrou no banheiro e fechou a porta, mas de lá ela gritou. – Se eu pensar em outra coisa, te aviso, mas até lá siga com esse plano...
Chad olhou para Dabria como se suplicasse a ela que lhe desse outra saída. Mas Dabria encolheu os ombros. O plano de Kenzie era o melhor que haviam conseguido. Prevendo a terrível situação pela qual passaria nos próximos dias, Chad suspirou pesadamente e voltou para o seu quarto com Jeffrey. Quando entrou no quarto, o lobo branco já estava de pé.
– Bom dia, amor! – Jeffrey foi até ele e lhe deu um beijinho estalado nos lábios. – Como foi a ronda?
– Boa. – Chad sorriu para o lobo. – Só aconteceu uma coisinha...
– O lance com o Josh, não é?
– Como você...? Ah, sei. O tal de laço, não é? – Chad já estava por aqui dessa história de laço que ninguém lhe explicava.
– Não se estresse com isso, lobão. – Jeffrey o abraçou. – É só não pensar nisso...
– Certo. – Chad se desvencilhou de seus braços. – Vou tomar um banho.
– Quer companhia? – Jeffrey lhe olhou sugestivamente.
– Não, obrigado. – Chad entrou no banheiro e fechou a porta atrás de si, mas Jeffrey entrou logo atrás.
– Chad, aconteceu mais alguma coisa? – Jeffrey perguntou num tom preocupado.
– Não. Por quê? – Chad fingiu-se de desentendido enquanto se despia diante do olhar lascivo de Jeffrey.
– Você espera mesmo que eu não tome um banho com você quando tira a roupa toda na minha frente desse jeitinho sexy? – Jeffrey sorriu tirando a blusa. – Sem chances...
– Ok. – Chad apanhou uma toalha e a enrolou na cintura. – Pode tomar banho primeiro, então... – Ele já ia saindo do banheiro quando Jeffrey o segurou pelo braço.
– Chad, o que está acontecendo?
– Nada. – Chad disse o encarando. – Por quê?
– Parece que você está... – Jeffrey parecia confuso. – Você não quer fazer sexo? Está se sentindo mal ou alguma coisa assim?
– Não, Jeffrey. – Chad sorriu. – Eu estou ótimo. Só não vou mais transar com você.
– O quê?! – Jeffrey arregalou os olhos.
– Você ouviu, Jeff. – Chad sorriu de um jeito malicioso. – Nada de sexo de agora em diante.
– Mas por quê? – Jeffrey estava completamente confuso. – O que eu fiz?
– Nada.
– Então por quê?
– Exatamente por isso, Jeff. Você não fez nada. Você não me reivindicou. – Chad assumiu uma expressão séria. – Se você tem o direito de ficar por aí com qualquer uma durante a lua cheia, então, eu tenho o direito de só fazer sexo com você quando for o momento de ser reivindicado.
– Mas...
– Sem "mas", Jeff. – Chad foi firme. – Se quiser me ter de novo, vai ter que me reivindicar.
Jeffrey o olhou de boca aberta. Por aquela ele não esperava. Chad não fez caso da surpresa do lobo. Simplesmente o empurrou para fora do banheiro e trancou a porta. Apesar do friozinho da manhã, Chad tomaria um banho gelado. Só assim ele conseguiria seguir em frente com o plano de Kenzie. Só assim ele faria Jeffrey reivindicá-lo.
