I

Chad já ia entrando no quarto quando uma visão o fez estacar ainda na porta. Jeffrey estava deitado na cama e estava completamente nu. Chad ofegou. Já fazia três dias que estava fazendo greve de sexo e Jeffrey vinha tentando provocá-lo de todas as formas. Fazendo força para ignorar a parte da frente de suas jeans que estava apertada demais, Chad apenas sorriu para Jeffrey.

– Assim vai pegar um resfriado, amor. – Chad disse indo se sentar na beirada da cama e começando a tirar os sapatos.

– Você não quer me esquentar, querido? – Jeffrey perguntou com uma voz extremamente sensual.

– Depende. – Chad se virou sorrindo para Jeffrey. – Você vai me reivindicar?

– Você sabe que eu não posso.

– Então nada feito. – Chad voltou a dar as costas a Jeffrey.

Terminou de tirar os sapatos e as meias, tirou todas as roupas e vestiu uma calça moletom e uma camiseta. Depois foi até o banheiro escovar os dentes e fazer seu exercício mental para tentar se controlar. "Eu não estou excitado. Eu não estou excitado." Repetia mentalmente. Quando achou que conseguiria se manter sob controle, voltou ao quarto. Jeffrey havia puxado o edredom até o pescoço, mas Chad sabia que ele continuava nu debaixo do edredom. Chad se deitou ao seu lado, mas fazendo o possível para não encostar-se a seu corpo. Jeffrey já fazia o contrário. Ele tentava se esfregar em Chad de todas as formas.

– Se você continuar, eu vou dormir no sofá. – Chad ameaçou.

– Chad, você não pode estar falando sério. – Jeffrey parecia chateado. – Até parece que essa situação é minha culpa. Se eu pudesse, eu teria te reivindicado na primeira vez que te vi na sala de estar da casa do alfa da Matilha de Stª. Bárbara.

– Culpa sua ou não, só vai ter o meu corpo quando for me reivindicar. – Chad foi impassível. – Boa noite.

Chad ainda escutou Jeffrey bufando de frustração. Jeffrey não sabia, mas Chad se sentia igualmente frustrado. Se pudesse estaria enroscado em seu corpo o cobrindo de beijos e se entregando completamente. Mas não podia. Se havia um modo de pressionar Jeffrey para fazê-lo reivindicá-lo, aquele era o modo. Ao menos ele esperava que fosse.

II

– Como está indo? – Kenzie perguntou.

– Nada bem. – Chad suspirou pesadamente. – Ontem quando entrei no quarto para ir dormir, Jeffrey estava me esperando completamente nu.

– Meu pai sabe jogar pesado, hein? – Dabria entregou uma cerveja a cada um.

– E como sabe... – Chad bufou.

Estavam na cozinha da casa de Jeffrey jogando pôquer. Aquela seria a noite da festa do Ritual da Lua Cheia que ocorria todos os meses. As mulheres sempre preparavam a festa montando barraquinhas de jogos e de comida e enfeitando a praça. Dabria e Kenzie nunca ajudavam nos preparativos, por que, na verdade, elas nunca participavam do ritual.

– Vocês já pensaram em um modo de me manter livre daquelas duas? – Chad perguntou.

– Dabria e eu já temos um plano. – As duas moças trocaram olhares. – Também descobrimos um meio de tirar o Jeffrey da pista.

– Mesmo? – Chad ficou encantado. – Como?

– Apenas confie em nós e espere para ver. – Kenzie disse sorrindo.

– Não me decepcionem. – Chad pediu.

Se ele conseguisse fugir das duas pretendentes e conseguisse manter Jeffrey fora do mercado, talvez fosse finalmente reivindicado. Essa era sua esperança.

III

– Me explique de novo por que eu tenho que participar desse ritual se eu sou um lobo madeira. – Chad pediu a Jason. Chad gostava de conversar com Jason. Assim como ele, Jason era um forasteiro ali. Entrara na matilha para cobrir a saída de Misha que era um mago da memória. Jason não era tão bom quanto Misha, mas era o que o alfa havia conseguido.

– Também não entendo direito. – Jason deu de ombros. Chad e ele estavam ajudando a levar objetos pesados para serem usados durante a festa. Chad carregava um fogão de seis bocas e Jason um freezer. – Se fosse na minha antiga matilha, nem aceito como companheiro de um beta você seria. Acasalar com uma de nossas mulheres, então? Nem pensar.

– Você é de onde mesmo?

– Sou da Matilha de Everett. Sou primo do Misha. Manipular memórias é um dom de família...

– Ah...

– Mas no fim, deve ser bom para você ter alguém para atender suas necessidades, já que você e o Jeff... – Jason não terminou a frase, pois o olhar que Chad lhe lançou era assassino.

– Será que existe algum modo de manter segredo do que quer que seja nessa matilha? – Chad perguntou emburrado.

– Foi mal, Chad, mas o laço...

– Sei. O raio do laço faz com que vocês saibam tudo o que outro faz ou deixa de fazer.

– Não é bem assim. Na verdade, sem estarmos na forma de lobo, só sentimos algumas emoções e captamos alguns pensamentos mais fortes. Nesse caso, a gente captou a frustração do Jeffrey e a gente sabia que era sexual, daí a sacar que vocês dois estavam com problemas foi inevitável.

– Certo... – Chad ainda estava emburrado. Detestava o fato de todos ao seu redor terem aquele tipo de ligação com Jeffrey e ele não.

– Não fica assim. – Jason colocou o freezer dentro da barraquinha de bebidas enquanto Chad colocava o fogão dentro de outra. – Use essa noite para se divertir e descobrir coisas novas. Vai que você gosta...

– Jason, você é heterossexual?

– Sou. – O lobo branco pareceu não entender a pergunta.

– E se fosse eu a sugerir que você aceitasse numa boa passar a noite com outro homem só para se divertir e descobrir coisas novas?

– Ah, foi mal, Chad. – Jason envergonhado encolheu os ombros. – Eu fui um grande babaca. Desconsidere o que eu disse.

– Eu também não estou sendo muito legal – Chad passou as mãos pelos cabelos. – Essa coisa de ter que aceitar o Jeffrey dormir com outro alguém e ainda ter que passar a noite com uma mulher está me deixando de cabeça quente.

– Eu imagino...

IV

A banda tocava as músicas melosas de sempre que embalavam os casais. Chad chegou à praça acompanhado por Kenzie e Dabria, mas assim que Sophia Bush o viu, o convidou para dançar. Pela tradição, Chad não podia recusar. Dançou com ela. Mal a música acabou e Kenzie Dalton o puxou para dançar uma lenta coladinhos. As ficaram revezando a noite inteira. Quando estava perto de meia noite, quando as mulheres poderiam requisitar os lobos, Chad viu Jeffrey, que até então dançara com Liane, se curvar com uma mão no estômago e outra na boca. Liane passou as mãos em suas costas. Chad concentrou sua audição na conversa dos dois.

– Talvez um sal de frutas... – A médica sugeriu.

– Sinto muito... – Jeffrey murmurou e saiu às pressas.

Liane ficou parada no meio da pista vendo Jeffrey se afastar. Chad olhou para Dabria e Kenzie que sorriam para ele do outro lado da praça. Chad sorriu de volta. Contanto que elas não matassem seu lobo, elas poderiam fazer Jeffrey passar mal sempre que quisessem. Estava quase no momento da requisição, quando Kenzie puxou Chad para dançar. Sophia e a outra Kenzie olharam feio para ela, mas não disseram nada. Ela era a filha do alfa. Tinha precedência.

– Assim que vir o meu pai caminhando para o meio da praça, diga em voz alta que vai buscar uma cerveja para mim. – Kenzie instruiu baixinho. – Vá para o lado da barraca de cerveja, mas se esconda na barraca de hot dog.

– Por que lá? – Chad perguntou.

– Por que os hot dogs acabaram e a barraca está vazia. – Kenzie disse. – Lembre-se de ir depressa.

Chad olhou para o lado e viu Dabria cochichando no ouvido de Sophia. A outra Kenzie, de braços cruzados, observava Chad dançando com a filha do alfa. Quando Chad viu que Ackles se encaminhava para o centro da praça, interrompeu a dança.

– Vou pegar uma cerveja para você. – Disse em voz alta e logo se afastou apressado.

Com sua audição superior ele escutou todo discurso de Ackles enquanto entrava sorrateiro na barraca de hot dog. Ficou escondido ali. Após o discurso, ouviu Sophia e Dabria se aproximando. Mas a filha do alfa chegou antes e se encostou à barraca a de cerveja.

– Cadê o Chad? – Sophia perguntou.

– Deu mole. – Kenzie disse com indiferença. – A Kenzie Dalton o requisitou primeiro.

– Que droga! – Ela xingou.

– Se eu fosse você correria ou não vai encontrar ninguém para essa noite. – Dabria comentou. – Acho que vi o Jason sozinho para aquele lado...

– Certo. – Sophia se afastou apressada.

Antes que Chad pudesse sair e agradecer, ouviu os passos de Kenzie Dalton se aproximando.

– O Chad veio para cá? – Ela perguntou.

– Ele acabou de sair com a Sophia. – Dabria disse. – Você queria requisitá-lo?

– Acho que o Dj Qualls está disponível. – Kenzie comentou.

– Mas quem iria querer ficar com ele? – Kenzie Dalton perguntou com desprezo.

– Se ele não te agrada, fique sozinha essa noite. – Dabria cantarolou. – Não sobraram lobos sem serem requisitados. Sobraram, Ken?

– Só o Dj mesmo...

– Tá legal! – Kenzie Dalton disse de mau humor. – Onde ele está?

– Eu o vi perto da banda. – Dabria informou.

– Certo. – A mulher se afastou correndo.

As duas amigas gargalharam. Chad saiu de seu esconderijo e se juntou à elas. Aquelas duas eram mesmo incríveis.

– Muito obrigado, Athos e Porthos. – Ele disse.

– Não há de quê, d'Artagnan. – Dabria tirou um chapéu imaginário.

– Agora corra para casa antes que alguma mulher te veja sozinho e decida requisitá-lo. – Kenzie o peveniu.

– Farei isso. – Chad sorriu para as duas. – Vejo vocês amanhã!

Estava quase chegando em casa quando Liane Balaban cruzou seu caminho. Seus olhares se encontraram.

– Ora, você é Chad Murray, não é? – Ela perguntou. – O lobo madeira...

– E você é a nova médica. – Chad afirmou. Será que ela estava vindo de sua casa? Será que tinha ido averiguar se Jeffrey realmente não estava em condições de ser requisitado?

– Liane Balaban. – Ela estendeu a mão para ele. Quando Chad apertou a mão dela, ela não o soltou. – Estou requisitando você.

Chad engoliu em seco. Estava ferrado.

V

Jeffrey acionou a descarga mais uma vez. Não se lembrava de ter comido nada diferente, então, por que seu estômago queria colocar para fora até suas tripas? O pior era que a tal Liane havia ficado livre aquela noite. Jefrey sabia que Dabria e Kenzie dariam um jeito de manterem Sophia Bush e Kenzie Dalton longe de Chad, mas elas não contavam que Liane também estivesse interessada no lobo madeira. Desde que a buscara na Matilha de Ática, Liane não parara de perguntar pelo lobo madeira que a Matilha do Sul havia aceitado. Mesmo Jeffrey explicando que Chad era gay e que eles estavam juntos, o interesse dela não diminuiu. Na verdade, essa informação pareceu instigá-lo ainda mais.

Jeffrey passara muito tempo com ela explicando o funcionamento da matilha e apresentando as pessoas, mas fez o possível para manter Chad longe das vistas dela. Sabia que num primeiro momento, Chad não se interessaria por ela, mas Liane era uma mulher incrível e seu namorado estava muito magoado. Jeffrey não queria correr o risco de Chad passar a noite com Liane e acabar se apaixonando. Por essa razão, ele se ofereceu para dançar com ela na noite do ritual. De longe os dois observaram Sophia e Kenzie disputando a atenção dele. Jeffrey não teceu comentários à respeito da situação. Ficou o tempo todo conversando sobre outras coisas. Mas mesmo assim, ele percebeu que ela ficara decepcionada por não poder requisitar o lobo madeira. Jeffrey pensou que talvez acabasse sendo requisitado por Liane. Não era o que queria, mas antes ele que Chad. Mas aquele súbito mal estar o havia tirado da jogada. O que não era ruim. Logo Chad chegaria e cuidaria dele. Não seria uma noite muito romântica, com Jeffrey vomitando o tempo todo, mas ao menos estariam juntos.

Jeffrey sentia um calor insuportável. Tinha vontade de correr nu na floresta para ver se sua temperatura caia um pouco. Mas não era o momento para aquilo. Jeffrey cambaleou até a janela do quarto e abriu as cortinas em busca de uma brisa que o refrescasse. Quando seus olhos bateram no casal de mãos dadas se afastando por uma rua deserta, seu coração quase saiu pela boca. Liane estava puxando Chad pela mão. Ela o levava em direção à casa que recebera do alfa. Jeffrey sentiu seu sangue ferver. Liane havia requisitado o seu Chad. Ela passaria a noite com ele.

VI

Liane entregou uma cerveja à Chad e sentou-se ao lado dele no sofá. Ele agradeceu e tomou um gole.

– Então... Você não tem mesmo o menor interesse em mulher? – Ela perguntou.

– Sinto muito. – Chad se sentia constrangido com a situação, mas era melhor abrir o jogo. – Nunca fiquei com uma mulher antes e, para ser sincero, nunca quis.

– Bom para o Jeffrey, mas... – Ela jogou os cabelos para os lados e olhou nos olhos de Chad. – Você sabe que com ele não é assim, não sabe? Essa noite ele pode estar fora de jogo, mas na próxima lua cheia, com certeza, alguém irá requisitá-lo.

– Eu sei. – Chad baixou a cabeça. Por mais que fosse verdade, ele odiava que lhe dissessem isso.

– Você não quer ao menos tentar? – Seu olhar era sensual, mas inútil com Chad.

– Eu amo o Jeffrey. – Chad foi sincero. – Mesmo que você fosse o homem mais gostoso sobre a face da terra, eu não conseguiria ficar com você.

– Tudo bem, então... – Liane se deu por derrotada. – Acho que temos que arrumar algo para passar o tempo. – Ela levantou-se e foi até a estante e apanhou um baralho. – Pôquer ou filmes?

– Pôquer. – Chad sorriu. – Eu preparo os tira gostos.

VII

Chad mal havia cochilado no sofá de Liane. Bem cedo a mulher levantou-se para ir trabalhar. Embora ela tivesse dito que tudo bem se ele continuasse dormindo ali, Chad achou melhor voltar para casa. Não eram nem sete da manhã quando ele abriu a porta da frente e entrou. Pensou em ir direto para o quarto, mas ouviu a respiração pesada de Jeffrey vindo da cozinha. Foi até ele. Jeffrey estava sentado à mesa com uma xícara de café nas mãos. Seu rosto estava pálido e ele tinha enormes bolsas escuras sob os olhos.

– Não dormiu essa noite? – Chad perguntou inocentemente. – Continua passando mal?

– ... – O lobo nem sequer olhou para ele.

– Talvez eu devesse lhe comprar um remédio ou levá-lo ao posto médico. – Chad sugeriu.

Jeffrey largou a xícara sobre a mesa e se levantou. Seus olhos escuros se fixaram nos de Chad, mas estavam tão indecifráveis que o lobo madeira não fazia idéia do que se passava em sua mente. Jeffrey foi andando firme em direção a Chad, fazendo o lobo madeira recuar assustado até bater as costas contra a parede.

– O que foi, Jeffrey? – Chad perguntou com a voz vacilante. – Você está me assustando...

Jeffrey não disse nada, simplesmente prensou seu corpo contra o de Chad, levou a mão a sua nuca e o beijou. Chad bem que tentou fugir do beijo, mas a mão de Jeffrey segurou com força seus cabelos mantendo sua cabeça no mesmo lugar. Sua outra mão segurava seu rosto. Chad empurrou Jeffrey com toda a força, mas o lobo mal se moveu. Ele era incrivelmente forte demais. Quando Jeffrey aumentou a pressão contra o seu corpo, Chad se enfureceu. Ele não era uma menininha que qualquer marmanjo podia chegar e dar uns amassos à força. Chad era um lobo madeira, um beta. Chad fechou os punhos e deu um soco no rosto de Jeffrey. O lobo cambaleou para longe dele.

– Que porra você pensa que está fazendo?! – Chad tremia de raiva.

Jeffrey passou as pontas dos dedos no lábio inferior ferido e os levou manchado de sangue até diante de seus olhos. O lobo branco ainda ficou um tempo apenas observando o próprio sangue, mas logo voltou seu olhar para Chad.

– Quer dizer que transar comigo você não pode, mas transar com a Balaban tudo bem?!

Chad teve vontade de gritar que não tinha transado com ninguém, mas estava com tanta raiva de Jeffrey que disse outra coisa.

– Essa frustração é por ciúme de mim ou dela? – Chad disse cheio de veneno. – Pelo que percebi, você estava esperando ser requisitado por ela...

Jeffrey sorriu cheio de amargura e balançou a cabeça. Havia em seus olhos raiva, decepção e algo mais que Chad não conseguiu identificar. O lobo branco voltou a se aproximar de Chad cerrando os punhos. Chad pensou que ele descontaria o soco quando o viu levantar o punho. Ele até ensaiou uma postura de defesa, mas Jeffrey socou a parede ao lado de sua cabeça. O rosto de Jeffrey era uma máscara de ódio.

– Nunca mais. – O lobo disse pausadamente. – Você não ficar com aquela mulher nunca mais.

– Você ser requisitado, tudo bem, mas eu não... – Chad interrompeu seu discurso quando Jeffrey voltou a socar a parede ao lado de sua cabeça, mas desta vez com tanta força que fez um buraco. Chad arregalou os olhos. Ele ainda levou alguns minutos para se recuperar do susto. – Chega. – Disse com os olhos marejados de lágrimas. Algo em Chad havia se quebrado naquele momento. O lobo que ele julgava conhecer não era aquele na sua frente. Não era... – Isso já foi longe demais.

Ao dizer isso, Chad empurrou Jeffrey para longe e saiu da cozinha. Jeffrey foi atrás dele.

– Para onde você pensa que vai? – Jeffrey perguntou o seguindo pelas escadas.

– Eu vou para casa. – Chad disse sem olhar para trás.

– Aqui é sua casa.

– Não. Não é. – Chad se virou para encará-lo. – Aqui só seria minha casa se eu fosse seu companheiro.

– Eu já expliquei por...

– Eu não quero suas desculpas esfarrapadas, Jeffrey! – Chad gritou. – Eu não quero ouvir você me falar que tem que ir para cama com qualquer uma por que essas são as regras e depois vir me condenar por fazer o mesmo.

– Chad, eu...

– Eu não quero ouvir mais nenhuma palavra da sua boca. – Chad disse. – Se você realmente gosta de mim um pouquinho, Jeffrey, me dê ao menos dez minutos sozinho para eu arrumar as minhas malas.

Jeffrey abriu a boca, mas voltou a fechá-la sem dizer nada. Chad ainda esperou um pouco para ver se ele diria algo, mas como o lobo branco apenas baixou a cabeça, o lobo madeira engoliu o choro e correu para o quarto batendo a porta ao entrar. Antes que Jeffrey lhe visse chorando, ele sairia dali.

Chad abriu as malas e foi jogando suas roupas ali sem o menor cuidado. Por causa da bagunça de roupas desdobradas e misturadas a sapatos e outras coisas, Chad não conseguiu guardar nas malas nem metade do que trouxera. Estava lutando para fechar a última mala quando Jeffrey entrou no quarto.

– Estou quase acabando. – Disse sem olhar para o lobo.

– Não tenha pressa. – Jeffrey disse. – Eu ainda nem comecei a fazer as minhas malas.

– Você o quê? – Chad olhou para Jeffrey. O lobo tinha uma expressão sofrida, mas decidida.

– Se você vai embora, Chad, eu vou com você. – Jeffrey disse. Chad ficou de boca aberta. Jeffrey iria embora com ele? Como assim?