I

Jonh Glover assistia a mais um procedimento. A paciente, uma mulher dos lobos brancos de Everett, sofrera um aborto espontâneo, na falta de palavra melhor, e estava passando por uma limpeza uterina.

– Vamos garantir que ela esteja pronta para engravidar novamente o mais rápido possível. – Erica Durance, engenheira genética, disse.

Quando o procedimento acabou, a mulher foi levada de volta para sua cela.

– Quantas mulheres ainda temos?

– Apenas cinco.

– E nenhuma grávida... – John andou pelo laboratório subterrâneo de Erica.

– A culpa não é totalmente minha. – Erica se defendeu. – Você disse que traria mais mulheres...

– As malditas se esconderam no último ataque. – John alisou a gravata. – Mas isso não vai acontecer de novo.

Nesse instante uma sirene tocou.

– Incêndio? – Erica perguntou.

– Não. – John cerrou os punhos. – Ataque.

– O que faremos?

– Vamos sair daqui.

John se xingou mentalmente. Seus caçadores haviam ido atacar a vila do Sul e eis que a matilha de lá vinha ataca-lo. Ele só contava com seguranças normais com armas normais. Nada que pudesse realmente deter os lobos brancos.

– As mulheres devem ser levadas também. – John informou. – Não vou abrir mão delas.

As mulheres foram sedadas e conduzidas para o estacionamento onde ambulâncias as aguardavam. John sabia que os lobos procurariam não chamar atenção. Eles queriam muito que o segredo deles continuasse seguro. Para atacar, eles haviam se aproveitado que as costas do edifício da Glover davam para uma área florestal. O ataque partira dali, mas John fugiria pela frente usando as ruas movimentadas da cidade onde os lobos não poderiam atacar sem causar pânico e sem arriscarem expor o grande segredo de todas as criaturas da noite.

Erica guardou todos os dados da pesquisa em um microchip e o seguiu até o estacionamento subterrâneo.

– Talvez fosse mais seguro guardar estes dados na nuvem... – ela propôs.

– Para um hacker qualquer roubá-los? – John balançou a cabeça. Erica entregou-lhe o microchip. – Entre no carro.

Erica obedeceu. O segurança manteve a porta aberta para John, mas ele não entraria antes de saber que as mulheres estavam todas nas ambulâncias.

– Não parem até chegarem ao Hospital Central.

A Glover Genetic possuía uma ala médica no Hospital Central que ficava na avenida mais movimentada da cidade bem em frente a uma delegacia. Se isso não fosse o bastante para inibir as ações dos lobos brancos, nada mais seria.

II

Monstros não existem. Sam Jones III cresceu escutando isso de todos os pais dos lares temporários por onde passara. Porém se monstros realmente não existiam, por que Sam era órfão? Se monstros não existiam, no que o seu pai atirara naquela noite enquanto sua mãe era arrastada para o meio da floresta?

Claro que o psicólogo dissera que Sam criara a ilusão do monstro porque não sabia lidar com a realidade do pai matando a mãe na sua frente e escondendo o corpo. Claro que por mais que Sam Jones II jurasse que atirara no monstro que matara sua esposa e não nela, ninguém acreditaria. O corpo da mãe de Sam nunca fora encontrado, mas o sangue dela por toda parte e os projeteis que comprovadamente vieram da arma de seu pai garantiram a Sam Jones II pena de morte. Sam tinha pouco mais de vinte anos quando seu pai foi executado.

Por essa razão, ele também debitara na conta dos monstros da noite a morte do pai. Aos vinte e cinco anos, Sam conhecera outros como ele. Outros que haviam passado por experiências medonhas com monstros ou que perdera alguém para eles. Mas foi só há cerca de seis anos que Sam começara a entender sobre as criaturas da noite. O milionário John Glover reuniu e treinou vários sobreviventes de encontros com monstros para um futuro confronto. Sam e seus companheiros já haviam caçado shifters lobos antes, mas nunca haviam se deparado com matilhas como as que encontraram nos últimos tempos. O ataque a Everett foi fácil. Graças a informações privilegiadas que receberam de um tal de Ancião, eles invadiram a vila justo no momento em que todos estavam reunidos no mesmo lugar. A missão era simples, matar todos os machos e levar cativas o máximo possível de fêmeas. No entanto, muitas fêmeas tiraram a própria vida e de suas filhas antes de serem capturadas. Ainda assim, a operação havia sido um sucesso.

A segunda investida nem tanto. Parte do problema foi porque Glover anunciou que eles trabalhariam com shifters lobos para atacarem outros shifters. Sam não gostou da ideia e muitos caçadores desertaram. Não estavam ali para aquilo. Sam permaneceu firme. Após cumprir sua missão, era só acabar com os shifters aliados, assim pensava. Mas os lobos brancos daquela vila eram loucos e lutavam como bestas selvagens. Sam perdera muitos amigos naquela ocasião, mas acabara subindo de posto.

Agora estava comandando aquela operação. Após o último ataque, ficara claro que não sobrara muitos lobos na vila, apenas algumas mulheres e crianças que não se transformavam. Tudo o que tinha que fazer, era entrar ali e levar as mulheres para Glover esteriliza-las para que nunca mais dessem luz àquelas monstruosidades. Estava imaginando que seria fácil, quando viu treze lobos seguindo ligeiros rumo á Seattle. Quando pensou que deveria ir atrás deles e ataca-los o Ancião apareceu a sua frente.

– Não seja tolo, homem! – O ancião disse com desdém. –Você não é páreo para eles.

– Eles podem estar indo atacar o Sr. Glover.

– Aquele homem sabe se cuidar. – o Ancião disse. – Agora cumpra sua missão.

– Capturar as fêmeas? – Sam passou a mão pelo rosto. – Se eu acabar com eles, talvez nem seja necessário...

– Cumpra a sua missão. – o Ancião disse friamente.

– Certo.

Sam sinalizou para seus homens segui-lo e rumou direção á vila dos lobos, mas surpreendeu-se ao encontra-la cercada e com câmeras de segurança. Até que aqueles monstros não eram tão selvagens assim.

Ele espalhou seus homens pelo perímetro avaliando as defesas do local, por fim encontrou uma parte da cerca cuja defesa era mais fraca. Havia muitas árvores tanto do lado de dentro quanto do lado de fora, permitindo que eles se escondessem das câmeras e a área era bem afastada das casa, o que poderia ser útil para o seu ataque. Usando seus explosivos mais silenciosos, Sam explodiu um pedaço da cerca, mas não entrou imediatamente. Ficou parado, em silêncio, esperando alguma reação dos moradores da vila. O mais provável era que ninguém havia escutado nada, mas Sam não iria arriscar.

Depois de um tempo apenas observando a falta de movimentação na vila, Sam decidiu entrar. Àquela hora todos deveriam estar dormindo, então o ideal seria realizar ataques com dois homens a cada casa. Se tivesse sorte, poderia fazer isso rápido e em silêncio, sem dar chance àquelas aberrações loucas de se matarem.

Estava indo rumo à primeira rua quando um movimento repentino atrás da linha de seus homens lhe chamou a atenção. Sam olhou para trás, mas só viu seus homens olhando de um lado para o outro e a mata escura atrás.

– O quê aconteceu? – Sam perguntou.

– Teddy sumiu. – Glen respondeu.

– Quando?

– Ele estava do meu lado agora...

Sam quebrou a formação e foi até a última fileira de seus homens. Quando chegou junto á Glen, houve um súbito movimento na primeira linha de seus homens.

– O Rock sumiu! – alguém gritou.

Sam se virou para frente rumo a quem gritara, mas outros movimentos e desaparecimentos o deixaram feito um novato assustado olhando para todos os lados e apontando a arma a esmo sem encontrar um alvo.

– O Glen sumiu!

– Agora foi o Harry!

– Cadê o Ash?!

– Peter! Cadê você?!

Sam se viu com apenas cinco homens formando um círculo fechado, apontando as armas para as estranhas árvores que os rodeavam. Ouvia o som dos movimentos e via vultos rápidos demais para que ele pudesse identifica-los. A situação não estava boa.

– Atirem! – gritou.

– Onde?!

– Todos os lados!

Logo o som dos disparos encheu a mata, mas mesmo assim, um por um, seus homens foram desaparecendo. Quando viu que era o último, Sam correu rumo à primeira rua. Encontraria uma daquelas vadias e a faria de refém. Antes de chegar à primeira casa, Sam se viu cercado por graciosos, porém intimidantes, lobos brancos. Sam parou de correr. Aquilo não era possível. Como a Vila do Sul poderia ter perdido tantos lobos no último ataque e ainda contar com treze lobos para atacar e ainda possuir mais onze lobos para a defesa? Ao observar melhor, Sam se deu conta de que não se tratavam de lobos, e sim lobas.

– Impossível... – Sam sussurrou. Nunca, em todos os seus anos de caçada, encontrara uma mulher que podia se transformar.

– Impossível ou não, está acontecendo. – uma voz grave interrompeu suas reflexões.

Sam olhou para trás e viu um homem apontando-lhe uma arma, ele estava ladeado por seis mulheres igualmente armadas.

– Solte a arma devagarinho, colega, e fique de joelhos. – o homem instruiu.

– Quem é você? – Sam soltou a arma e ajoelhou-se lentamente. – Quem são elas?

– Eu sou o Josh, o irmão do alfa. – O homem disse. – E essas aí são as lobas da vila.

– Não existem lobas. – Sam disse enquanto uma mulher amarrava suas mãos ás costas.

– Agora existem. – Josh respondeu sorrindo.

III

Invadir a sede de uma grande empresa como a Glover não era tarefa simples. O local era protegido por seguranças treinados e havia câmeras e bloqueios em todos os andares. Felizmente o filho de Jim havia trabalhado ali tempo suficiente para informar cada detalhe a Jared que transmitiu tudo ao seu antigo ômega.

Graças a isso, Jensen montou um plano. Havia trajes noturnos e armas guardadas na mata atrás da Glover. Dois lobos voltaram à forma humana e iniciaram o primeiro ataque. Como o esperado, Glover decidiu fugir pela frente levando consigo as mulheres. Elas deviam estar em três das cinco ambulâncias que saíram sendo escoltadas por oito motoqueiros. Logo atrás veio uma limusine blindada sendo escoltada por cinco motoqueiros.

Quando o comboio estava na metade da avenida, ocorreu um blackout deixando as ruas escuras. Perto dali, um aparelho foi conectado à antena de celular causando uma onda que desabilitou, quando não queimou, celulares e computadores. Invisíveis e sem possibilidade de serem vistos, os lobos avançaram pela avenida atacando os batedores das ambulâncias. Os seguranças atiravam sem hesitar, mas munição normal mal arranhava os lobos. Aos poucos os batedores foram sendo derrubados. Por fim, o comboio se dividiu. Chad instruiu aos lobos brancos que se esquecessem da limusine e fossem atrás das ambulâncias. Só havia nove lobos, portanto as mulheres eram a prioridade.

A primeira ambulância foi aberta, mas não havia nenhuma mulher ali, exatamente como os lobos brancos já esperavam. Na segunda e na terceira, eles encontraram as mulheres. A quarta estava vazia e a quinta tinha mais uma. Chad mandou alguns lobos levarem as três mulheres para a vila e foi atrás da limusine.

Ela estava quase saindo da área do blackout quando Chad derrubou seus batedores e a fez virar na estrada. Uma pessoa saiu se arrastando do banco de trás. Chad voltou à forma humana e se aproximou da mulher ferida.

– Ele... – ela fazia um grande esforço para falar. – O Sr. Glover não está aqui...

– Eu sei. – Chad se abaixou junto dela. – Sempre soube que ele não estaria.

IV

Kenzie terminou de se vestir e se olhou no espelho. Conseguira sair de seu primeiro combate como alfa sem nenhum arranhão e sem perder nenhuma vida. É claro que o mérito não havia sido somente dela, parte do plano fora elaborado por Jeff e Josh, mas fora ela quem liderara as lobas para uma emboscada perfeita.

Ao lado dela, Dabria e as outras lobas terminavam de se vestirem. Havia sido ideia de sua beta criar um quarto no "Castelinho" para que as lobas pudessem voltar à forma humana e se vestirem longe dos olhos dos lobos. O velho Jeffrey e Josh estavam esperando-as na sala de reuniões. As mulheres que haviam sido treinadas por Josh e agora integravam a força de defesa da vila estavam vigiando os prisioneiros nas celas recém-criadas no porão do castelo.

Como ainda não haviam recebido nenhuma notícia de Jensen, Kenzie presidiria a reunião como alfa, o que, de fato, ela seria se Jensen não voltasse. A menina tremeu só em pensar nessa possibilidade. Jensen tinha que voltar.

As lobas dirigiram-se à sala de reuniões passando pelos corredores com algumas mulheres grávidas, crianças pequenas, meninas jovens demais para integrarem a guarda e mulheres mais velhas que haviam sobrevivido ao ataque anterior. Prevendo um ataque, Jensen instruíra que todos da vila passassem a noite no Centro Social.

Kenzie fitou de relance o rosto orgulhoso da Drª Ballaban. Ao fitar rapidamente os outros rostos viu que todas, com exceção das idosas, pareciam prestes a explodirem de orgulho de verem mulheres lobos. Kenzie não resistiu e sorriu para elas.

Antes eram ela e Dabria que ficavam ali nos corredores enquanto os lobos passavam vitoriosos. Lembrava-se claramente que naquela época não achava que poderia existir um orgulho maior do que ser a filha do alfa e irmã do futuro alfa da matilha. Agora ela orgulhava-se de si mesma e de todas as outras que assim como ela nunca antes haviam encontrado valor nelas mesmo.

Agora Kenzie podia sentir o que seu pai e seu irmão sentiram. Kenzie podia finalmente se orgulhar por ter o sangue dos lobos brancos, o sangue de Sirhan.

V

John Glover aguardava no heliporto ao lado de dois enfermeiros que empurravam macas com duas mulheres dos lobos brancos. Dois seguranças seguravam luzes de emergência e sinalizadores para o helicóptero que viria. John imaginou que os lobos não se arriscariam a atacar em público, mas mesmo assim, decidiu se garantir. Os dados da pesquisa da Drª Durance estavam a salvos com ele e ainda havia duas cobaias.

Apesar de ter se preparado para um imprevisto, foi uma surpresa o blackout e a onda que destruiu celulares e computadores da empresa. Por sorte, já havia chamado o helicóptero. John sabia que a Matilha do Sul tinha recursos financeiros, mas nunca imaginou que eles, que eram tão antiquados, teriam também recursos tecnológicos para tanto.

Quando o helicóptero pousou John ordenou que as mulheres fossem embarcadas primeiro. Estava prestes a subir quando um enorme lobo branco parou a sua frente. Os enfermeiros fugiram correndo e os seguranças nem tentaram confrontara aterrorizante fera e apenas seguiram os colegas. Atrás do lobo, o helicóptero alçou voo.

John recuou de costas. Sabia que Jensen Ackles ou O Lobo, não importava quem estivesse ali, não o deixaria fugir. Para sua surpresa, rapidamente o enorme animal deu lugar a um homem loiro com os olhos verdes em chamas.

– Jensen Ackles, eu suponho... – John não escondeu a admiração. – Cortar a luz de meia cidade e torrar os aparelhos eletrônicos de milhares de pessoa para fazer um resgate em segredo, realmente, foi algo para fazer até eu tirar o chapéu. Como conseguiu isso?

Jensen permaneceu em silêncio e John achou que nunca saberia.

– Colaboradores humanos. – Jensen disse simplesmente.

– Como é? – John se surpreendeu. – Vocês desprezam humanos.

– Não exatamente. – Jensen deu de ombros. – Os lobos brancos vêm trabalhando com humanos durante séculos. A forma de pagamento pelos nossos trabalhos sempre variou conforme as nossas necessidades. Se meu pai ainda fosse o alfa, ele, muito provavelmente, jamais concordaria em pedir favores de nossos colaboradores humanos, mas o alfa agora sou eu.

– Entendo. – John alisou a gravata. – Você deve ter contatos com os magnatas de energia e do serviço de segurança, não é?

– Meus contatos estão por toda parte.

– Mas nem mesmo seus contatos vão lhe dizer onde aquelas duas foram parar se você me matar. – John riu. – A única forma de tê-las de volta é fazendo um acordo comigo.

– Que tal esse acordo...? Vou fazê-lo engasgar com seu próprio sangue.

– Faça isso e não as verá nunca mais.

– Acho que eu vou vê-las sim. – Jensen cruzou os braços. – Em meia hora aquele helicóptero vai pousar em uma fazenda em Moonville onde haverá lobos para leva-las em segurança para a Vila do Sul.

John arregalou os olhos.

– A sua ligação foi interceptada. Seu helicóptero nunca veio. Aquele que você viu era de um dos meus colaboradores.

– Não pode me matar. – John recuou mais. – Eu sou humano. – Vocês não matam humanos...

– Sabe... De todas as pessoas que conheci, você é, seguramente, a menos humana de todas...

– Não, por favor...

– Quando eu terminar de arrancar de você tudo o que sabe sobre os planos de Zaci, você vai estar me implorando para mata-lo.

VI

Dabria se perguntava como... como seu pai conseguira suportar por anos e anos aquelas reuniões. Aquilo era insuportavelmente chato! Primeiro veio o relatório do interrogatório feito aos invasores. De acordo com o que seu pai, o velho Jeffrey Dean Morgan, descobrira, eles se intitulavam como "caçadores" e haviam sido recrutados, treinados e armados por Glover, aparentemente, com o intuito de eliminar matilhas de shifters lobos. Eles não sabiam nada dos planos de Glover, na verdade, os tolinhos acreditavam que o empresário estava sequestrando as mulheres dos lobos brancos para esteriliza-las. Pelo que entendera, todos os caçadores haviam tido encontros traumáticos com criaturas da noite e por isso nutriam um ódio desmedido por tudo que não fosse humano.

Esse relato a deixara meio com a pulga atrás da orelha. Dabria crescera ouvindo que havia magia em seu sangue e que precisava dos machos da vila para protegê-la das outras criaturas da noite. Todavia ninguém nunca lhe dissera quais criaturas eram essas. No entanto os relatos dos caçadores abriram seus olhos para ao menos mais uma criatura além dos lobos: vampiros.

Depois Josh havia feito um levantamento sobre os danos à cerca e pedia a aprovação de um orçamento para consertá-la e reforça-la, além disso, ele queria armar e treinar mais mulheres e blindar todos os carros da matilha. Sem o lobo que cuidava da contabilidade da vila presente, sobraria para Felícia Day abrir os livros e verificar as finanças e agendar o repasse da verba necessária. Josh ainda queria relatar o que havia feito com a primeira verba que recebera de Jensen.

Estava meio distraída ouvindo os relatos tediosos do namorado quando sentiu algo que não soube definir ao certo o que era. Kenzie ao seu lado se remexeu inquieta e as outras lobas reagiram ao nervosismo da alfa. Jeffrey aparentemente não sentira nada, embora estivessem todos no laço, Kenzie não era sua alfa, mas ao ver as mulheres agitando-se, ele agitou-se também. Apenas Josh, pobre Josh, ficou ali com cara de bobo falando para pessoas que não se importavam mais com nenhuma palavra do que dizia. Sua fala foi interrompida quando as portas da sala de reuniões foram escancaradas.

Kenzie ficou de pé num pulo e foi seguida por suas lobas e Jeffrey. Josh calou-se e recuou sem entender por que todos reagiam assim diante de um velhinho.

O Ancião sorriu com desdém para as lobas e para Josh, depois caminhou lentamente até parar a dez passos da alfa.

– Josh, – disse Kenzie entre dentes. – leve todos para um lugar seguro.

– Quê?! – Josh parecia confuso e prestes a pedir explicações, mas a tensão no ar o fez passar pelo Ancião, mantendo certa distância dele, e ir cumprir as ordens de sua irmã o mais rápido possível.

– Eu estaria muito surpreso por vê-los aceitando não lobos na vila, mas minha maior surpresa é por ver lobas. – o Ancião disse quando Josh saiu. – E ainda por cima uma alfa... – o Ancião desviou seu olhar de Kenzie para olhar para Dabria. – e uma beta, suponho... – Dabria sentiu os pelos da nuca se eriçarem. Aquele olhar era o de alguém perigoso e que não teme nada. – Graças ao ômega Jensen, não é mesmo?

– O que você faz aqui? – Kenzie foi mais a frente diminuindo a distância entre ela e o Ancião. – Você não é mais bem vindo. Já deveria saber...

– Sim. – O Ancião deu três passos em direção à Kenzie. – Eu deveria ter percebido... Mas achei que poderia manipular sua matilha por mais um tempo, principalmente com sua mãe fora do caminho... Ela descobriu, graças ao seu dom de ler os corações dos outros, minhas intenções para com o seu precioso filhinho, o Jensen, e tentou fugir de mim levando aquele amuleto. Obviamente ela não foi muito longe...

– Seu... – Kenzie rosnou. – Você não vai sair vivo daqui.

– Vou sim, doçura. – O Ancião sorriu e ao sorrir pareceu estranhamente mais jovem mais forte e mais cruel. – E vou levar você comigo...