E na noite seguinte, como prometido, lá estava ele. E Sofia sentiu-se tão feliz que nem pensou em mais nada. "É muito bom te abraçar de novo", disse com a voz trêmula e os braços em volta do cavaleiro.

"Eu digo o mesmo", ele respondeu abraçando-a de volta. "Mas não sei por que demorou tanto para me abraçar".

Ela riu. Ah, ele sabia...

Mas passada aquela pequena euforia, as lembranças do que havia visto na noite anterior acossaram a sua mente. Toda aquela briga entre irmãos, que estava longe de ser uma briga comum... muito, muito longe. Tudo o que ela havia originado: dor, na verdade uma coisa só, mas uma dor tão intensa que se dividira em várias dores: a dor de perder um irmão para as trevas, a dor de ter que matar um irmão, a dor de ter que se preparar para enfrentar um irmão, a dor de um combate que deve aniquilar qualquer resquício de afeto... uma dor que rasgaria as estranhas de um ser humano normal. E só de sentir uma pequena fração dela, Sofia já sentia um mal estar quase físico. Era isso o que Defteros havia sentido. E talvez Aspros também, depois de ter voltado a si... era quase insuportável...

Por isso, quando ela voltou a olhar para Defteros, seus olhos estavam agoniados. Ele, sabendo que ela queria falar alguma coisa, a olhou como se dissesse "Diga".

"Como foi lutar contra o seu irmão?"

Sem alterar o semblante, como se estivesse diante da pergunta mais fácil do mundo, ele respondeu: "Foi um alívio, para dizer a verdade. Passei dois anos dedicando a minha existência àquilo, suprimindo cada boa lembrança que tivesse de Aspros. Aquilo precisava ter um fim".

Sofia não conseguiu segurar as lágrimas. Não podia explicar o quanto era difícil mensurar a dor que aqueles dois irmãos deviam ter sentido. Ela não podia pensar em como havia sido aquela luta.

"Você já não chorou demais?", perguntou Defteros em um tom de brincadeira.

"É que... depois de tudo o que vocês passaram... ainda tiveram que... lutar um contra o outro..."

"Calma", ele disse suavemente segurando o seu rosto, "Acalme essas lágrimas. Não chore. Lutamos porque tínhamos que lutar. Precisávamos disso, ou não ficaríamos em paz".

Sofia o olhou um tanto surpresa, enquanto Defteros limpava as suas lágrimas. "Não chore por nós", ele finalizou sorrindo.

Ela assentiu e terminou de limpar as lágrimas. Que bom que depois da luta tinha vindo a paz...

"Aliás", Defteros continuou, "Estive junto com o meu irmão depois de lutarmos. E quando você dançou com ele, foi como se eu dançasse com você também".

Ela sorriu. Era verdade... então dançara com ele, de certo modo. Outra pequena euforia a invadiu.

"Meus geminianos favoritos...", ela disse em um abraço.