Sofia começou a sentir-se mais leve à medida em que tinha aqueles sonhos. Porque agora sabia o que lhe acontecia todas as noites. Ou será que ela estava sendo visitada por sonhos, como diziam os antigos gregos, que acreditavam serem os sonhos entidades? Até que faria sentido, porque eles eram tão reais que ela sentia-se mesmo conversando com Defteros. Como se aquilo já não fosse mais sonho, e sim a mais simples realidade. Ele vinha, eles conversavam e ela não desejava mais nada.
"Então, cunhadinha!"
Sofia despertou com uma enorme surpresa naquela noite.
"Aspros!", disse com um enorme sorriso e mais que depressa um abraço.
"Não disse que nos tornaríamos a ver?"
Quem diria, ele tinha razão... e só então foi perceber como sentia saudades também dele. O irmão que havia ajudado a curar um pouco da sua tristeza quando o outro partiu.
"E então, se comportou bem desde a minha partida?"
"Eu tentei", ela disse depois de uma risadinha.
"É bom mesmo. Do contrário, terei que contar a Defteros"
Ela riu, e ele contou sobre sua batalha com Yohma. Sofia ficou fascinada com cada detalhe, e comovida com o encontro dele com Atena. Gostou muito das palavras que ela usara, não era à toa que era a deusa da sabedoria. Aspros percebeu a comoção em seus olhos, e disse com um sorriso sagaz:
"Você chorou muito, não é? Seus olhos não mentem"
"Eu tentei me comportar...", ela disse com um meio sorriso.
"Mas não teve tanto êxito", ele completou.
"Ah, como eu poderia, depois de ter perdido meus dois geminianos?"
"Quem resiste a uma resposta dessas..."
"É claro", ela disse voltando a abraça-lo, "Meus geminianos favoritos...". Quis que pudesse abraçar os dois ao mesmo tempo.
E aquela noite ela passou com seu querido cunhado.
Na noite seguinte, Defteros voltou. Ela reparou que tanto ele como Aspros usavam a armadura de Gêmeos. Um sinal de igualdade entre os irmãos.
"Aspros veio, não é?"
"Sim, como você sabe?", ela perguntou surpresa.
"Irmãos sabem dessas coisas. Especialmente os gêmeos", ele respondeu com um sorriso muito parecido com o de Aspros, "Gostou da visita dele?"
"E como não iria gostar?", Sofia respondeu satisfeita, "Fiquei muito feliz em vê-lo".
"É bom que fique, senão terei que contar a Aspros".
Ela riu com aquele gracejo de irmãos.
Então, agora está explicado como o Defteros (e também o Aspros) aparecem... gostaram? Eu achei que era a forma mais bonita de fazer esse reencontro: sonhos daqueles bem reais, que a gente tem de vez em quando. Ah, e as partes em itálico do antepenúltimo capítulo, quando a Sofia tenta colocar em palavras o que sente pelo Defteros, são versos da música En tus pupilas, da Shakira. Muito bonita, aliás.
