Enfim, chegamos ao final da nossa história. E eu quero muito agradecer a quem acompanhou desde o início, ou que entrou no meio, em especial à Arurun, por me dar um feedback tão maravilhoso. É muito carinho que virou combustível para ela chegar aonde chegou! Defteros e Sofia já são os meus xodós, e escrever uma história tão longa (pelo menos para mim), explorando direitinho os sentimentos e detalhes, às vezes leves, às vezes muito densos, tal como eu queria, foi uma vitória. Muito, muito obrigada!
Foi um prazer enorme escrever essa história, acho que ela acaba do jeitinho que eu queria. Fico feliz! E bem, vamos ao capítulo final:


E assim o tempo ia passando...

Talvez fosse só a impressão de Sofia, mas ela achava que cada vez mais Defteros aparecia quando a noite ia aos poucos se tornando manhã. Naquela transição de céu escuro para céu claro. Num desses dias já era manhã com um sol delicado no céu quando eles estavam conversando. Ela gostava disso, de não ter que temer o dia porque então era o sinal da despedida. Era bom sentir a luz do sol entre os dois. Defteros parecia então ficar mais bonito do que nunca...

E, era engraçado, mas... cada vez mais ela parecia temer menos a partida dele. Talvez porque soubesse que ele iria voltar, talvez porque já não tinha medo das horas sem ele. O dia havia voltado a ser como era antes: o dia, apenas, sem dor ou saudade. Com o futuro à frente. Ela já não se angustiava.

Parecia mágica, dado o tamanho da sua dor até não muito tempo atrás. Até mesmo o Santuário parecia menos incompleto. Ela não sabia dizer como isso havia acontecido, mas algo lhe dizia que era seu coração ficando pronto. Que era como se Defteros a estivesse preparando para chegar a isso.

E Sofia ficava muito feliz ao pensar assim.

Aos poucos, deu-se conta de que Defteros já não aparecia sempre. E dentro de um certo tempo, ele simplesmente deixou de aparecer. E ela não sentiu dor. De alguma maneira, soube que era chegado aquele momento. Sempre sentiria saudades, tanto dele quanto de Aspros, mas sentia que seria envolvida, e não sufocada, por elas quando chegassem. Como se uma leve nostalgia pairasse sobre si por alguns momentos.

Ela o amava. Poderiam perguntar o que é que ela entendia desse sentimento, tendo vivido tão pouco. O que poderia saber disso, sendo tão nova? Mas certas coisas são mais simples do que parecem.

Era muito grata a Defteros. Agora sabia que podia seguir sem ele.

O seu querido geminiano.

No inframundo, dois irmãos conversam.

"Se despediu?"

"Sim", foi a resposta, "E ela entendeu".

"Foi mesmo uma boa ideia usarmos o cosmo para nos comunicarmos com ela".

"E foi graças a você".

"Não precisa me agradecer", Aspros disse com um sorriso, "também tenho muito apreço por Sofia".

Defteros retribuiu o sorriso. Há muito tempo que não fazia isso com o irmão. "Quem diria, sonhos são nossos aliados".

Aspros assentiu com a cabeça. Um instante de silêncio se fez. "Acha que ela continuará bem?"

"Ela ficará bem", Defteros respondeu, "Sofia apareceu como uma luz para mim. Me ajudou a enxergar além de minha prisão", ele fez uma pausa olhando para cima. "Nos seus sonhos, ainda estarei lá. Na sua memória. Ela não tem o que temer".

E com um semblante tranquilo, como quem já soubesse daquilo há muito tempo, ele continuou:

"Assim como eu tive as minhas questões, ela terá as dela. E poderá resolve-las também".