01 - Era para ser um dia normal...
Era um dia normal. Uma tarde normal. O rapaz de cabelos pretos e uniforme verde estava no terraço da escola, aproveitando a quietude, uma vez que o sinal já tocara, e todos os demais otários, quer dizer, alunos, estavam em suas salas, assistindo aula. Ele tinha ao menos mais 40 minutos para aproveitar seu tempo livre antes que viessem atrás deles, uma vez que as únicas pessoas que não tinham medo de perturbá-lo eram Keiko e Kuwabara. A primeira com certeza estava na aula, como boa aluna que era, enquanto o segundo, havia sido ameaçado, que dizer, gentilmente orientado pela irmã mais velha a manter a média da escola, ou se não teria sua mesada cortada.
O garoto sorriu. Realmente era uma tarde agradável. Ainda mais sabendo que depois do resgate de Yukina, Koenma iria dar um tempo de descanso para ele. Finalmente o muquirana mirim decidira dar a ele uma folga. Nem conseguia se lembrar da última vez que tinha gazeado aula conscientemente. As vezes que faltava para cumprir suas tarefas de detetive sobrenatural não contavam. Yusuke fechou os olhos, mas quando estava quase cochilando, ouviu alguém se aproximando. Droga. Kuwabara possivelmente não aguentou a aula de álgebra, e decidiu gazear também.
- Ei Kuwabara. Pode ir escolher outro lugar para ficar. Por hoje o terraço é meu. – Ficou esperando uma resposta. Essas horas o 2° maior delinquente da escola já estaria tentando arrumar briga. Afinal, apanhar de Yusuke era uma das principais ocupações de Kuwabara. Esperou mais um pouco e não obteve nenhuma resposta. Estranho. - Ô filhote de cruz credo, o gato comeu a sua língua?
- Oie! – respondeu uma voz feminina. O rapaz praguejou. Estava bom demais para ser verdade. O desgraçado do Koenma nunca deixaria ele quieto por um mês. Não fazia nem duas semanas que voltara da última missão. Abriu um dos olhos e viu que a menina de cabelos azuis estava com o uniforme de sua escola, usando uma expressão felina. – Quanto tempo Yusuke!
-Bem que eu ficaria feliz em nunca mais te ver de novo – resmungou – Não sei qual é a sua ideia de passagem de tempo, ou a do Koenma, mas um mês de férias deveria ter 30 dias.
- Hohoho. – A menina estava tentando disfarçar, mas no fundo sabia que Yusuke estava certo. Ele estava trabalhando direto ultimamente, e mal estava tendo tempo de se recuperar das lutas. – Bem. Hoje eu trouxe novidades para você. Tenho certeza de que já estava entediado. É uma missão beeem simples. Você vai com uma equipe. Pode até chamar o Kuwabara se quiser!
- Simples? – o rapaz estava desconfiado. Por que uma missão simples iria precisar de uma equipe? E por que teria que chamar o peso morto do Kuwabara? Decidiu sentar, e encarou Botan. – Se é simples que posso dar conta sozinho.
- Sabe o que é Yusuke... – a garota desviou o olhar, e começou a fazer gestos inquietos com as mãos, como se estivesse pensando no que falar. De repente o rosto dela se iluminou. Como se tivesse arrumado uma desculpa, quer dizer, solução para a questão. – É para facilitar a sua vida. Com mais pessoas você vai acabar mais rápido.
- Se é rapidez que você quer, por que levar o Kuwabara?
- É que a sensibilidade espiritual dele tem sido muito útil nas missões. Pensa só o trabalhão que ele pode te poupar!
- Que inferno. Independentemente do que eu fale você e aquele moleque já decidiram tudo. – resmungou.
-Ótimo Yusuke! Me encontre perto da estação com o Kuwabara assim que a aula acabar, que daí eu dou mais detalhes da missão. – Botan fez com que seu remo aparecesse, e subiu nele. –Adeusinho. Até daqui a pouco!
Yusuke viu a garota partir. Mesmo estando contrariado, decidiu tentar relaxar e cochilar de volta. Sabe-se lá onde era essa nova missão, e quando poderia dormir de volta. Arrumou uma posição confortável, e quando estava quase dormindo, ouviu uma voz ao longe.
-YUSUKE! – ou melhor, não tão longe assim. Keiko já havia subido as escadas. E estava vindo com um passo furioso em sua direção – Yusuke Urameshi. O que você está pensando? Normalmente você nem vem para a escola, e quando vem não aparece na aula? Você quer reprovar direto por causa das suas faltas?
Keiko continuou falando. E por experiência, sabia que seria menos doloroso para ele deixar Keiko extravasar, antes de responder qualquer coisas. Suspirou. O que havia de errado com as mulheres hoje? Só podia ser um maldito complô contra ele. Tudo que ele queria era um cochilo, sem preocupações. Agora teria que arrastar o idiota do Kuwabara para estação e viajar para onde judas perdeu as botas. Queria muito conhecer outros detetives sobrenaturais. Quem sabe se montassem um sindicato poderiam reivindicar algumas coisas, como folgas e horários de trabalho com Koenma. Talvez até um salário...
-YUSUKE! Você está prestando atenção no que eu estou te falando? Você precisa ser mais responsável! E...
O garoto suspirou. Hoje iria ser um longo dia.
Os três jovens desceram do ônibus em um local deserto, uma rodovia, próxima de uma extensa área de floresta densa. De acordo com Botan, o desaparecimento de humanos nas cidades próximas fez com que Koenma desconfiasse de alguma atividade envolvendo yokais, ainda mais quando passou-se algum tempo sem encontrarem nenhum rastro dos humanos desaparecidos. Koenma enviou alguns subordinados para descobrirem o que estava acontecendo, e aparentemente, existe um clube de apostas envolvendo humanos e yokais na região. O clube é antigo, conseguiu passar desapercebido por mais de 15 anos, mas houve uma recente mudança na direção, e isso deve ter gerado o deslize do sumiço. A esperança de que esses humanos estivessem vivos era nula.
Como já estava anoitecendo, a sensibilidade espiritual de Kuwabara seria essencial para guiar a equipe pela mata, e ele foi convencido a ajudar, simplesmente pelo fato de que "um homem de verdade não iria deixar humanos indefesos serem atacados". Agora, Yusuke, Hiei e Kurama estavam nessa por que deviam ao pirralho. O primeiro por ter ressuscitado (depois de ter morrido por erro do pessoal lá de cima), e os outros dois, por ainda estarem pagando pelo crime do roubo dos artefatos. Yusuke sempre achara Hiei, e principalmente, Kurama inteligentes, mas vendo que os dois estavam virando piões do Koema, estava começando a rever seus conceitos. Era isso, ou acreditar que aquele mané de chupeta era muito mais inteligente do que aparentava ser, e essa ideia era assustadora.
- O Kurama e o Hiei ficaram de encontrar com a gente aqui. – A menina de cabelos azuis olhou ao redor, onde haviam quilômetros e mais quilômetros de vegetação. Suspirou. – Mas nós nunca definimos onde exatamente era "aqui".
-UWAAAA – gritou Kuwabara quando viu um vulto preto aparecer repentinamente na sua frente. Yusuke riu.
-Ah. Vejam eles chegaram! – Botan disse em um tom alegre, vendo Hiei em frente à Kuwabara, e Kurama se aproximando do grupo. – Agora podemos começar!
- Boa Tarde pessoal! - Cumprimentou Kurama.
- Hm. Vocês demoraram – comentou a "sombra preta", vulgo Hiei.
- Ô seu nanico. Será que tem como você deixar de fazer essas aparições? – reclamou Kuwabara, que recebeu somente um olhar cortante como resposta.
- Fala a verdade Kuwabara. Você ficou com medinho é? – zombou Urameshi. – Acho que homens de verdade não ficam com medo de sombras.
- Cale a boca Urameshi. Eu não fiquei com medo. Só me surpreendi.
- Aham. Sei disso.
- Vocês tem certeza que um mongoloide que se assusta com a sua própria sombra deveria ver com gente? – Hiei falou para Kurama, Botan e Yusuke, ignorando Kuwabara de propósito.
- Olhe aqui seu...
-MENINOS. – Gritou Botan. Todos os olhos se voltaram para ela. – Bem, como estamos todos aqui, só gostaria de esclarecer alguns pontos. Não foi possível encontrar nenhum sinal de energia humana no local, logo o objetivo de vocês é desmantelar o clube de apostas fazendo o maior estrago possível, enquanto eu aproveito a distração para descobrir o que aconteceu com os humanos.
- Opa. Essa parte de causar estrago é comigo mesmo! – exclamou Yusuke. – Keiko falou tanto no meu ouvido hoje que to precisando socar a cara de alguém para desestressar.
- Isso se eu deixar alguém para você Urameshi – Falou Kuwabara.
- Se acalmem. Não conhecemos o lugar certo do estabelecimento, nem sabemos o nível da segurança do local. Por isso devemos proceder com cui...
- Vamos parando com esse blábláblá aí Botan. Já que me tiraram das minhas férias, agora eu quero um pouco de ação! – interrompeu Yusuke.
- Finalmente alguém falou algo que preste. – disse Hiei com um sorriso de lado. - Quero acabar logo com essa missão besta.
Botan tentou explicar novamente a situação em que se encontravam, mas sem sucesso. Kurama tentou acrescentar que investigou o local com suas plantas, e existem resquícios de Yokais no local, mas Yusuke e Kuwabara acabaram discutindo, e quando o último apontou a direção em que achava que o clube estava, acabaram saindo correndo, para ver quem chegava por primeiro no local. Hiei desapareceu, deixando apenas Kurama e Botan no local.
O rapaz ruivo não sabia se achava a imaturidade de seus colegas pitoresca, de maneira característica de jovens, ou simplesmente enfadonha. Possivelmente, hoje estava tendendo mais para o última opção. Afinal, ele era Yoko, um yokai com 1000 anos de idade, e todos alí, incluindo a Shinigami, eram criancinhas se comparado com ele. Suspirou. O que precisava aturar para continuar sua vida pacífica como Minamino?
Três horas depois, Kurama e Botan estavam próximos a arena. Evitaram maiores brigas, por isso chegaram antes dos outros. Pouco tempo depois, Hiei foi a encontro deles, com uma atitude blasé e sem nenhum aranhão. A primeira vista, as pessoas iriam pensar que Hiei era maduro e sensato, e não cedia a provocações menores. Mas na verdade, Kurama sabia que ele era um tsundere esquentadinho, não muito melhor que os outros dois rapazes da equipe. Não demorava muito para entrar nas competições e provocações dele. E mesmo que Hiei negasse, Kurama sabia que ele, bem, bem no fundo, respeitava Yusuke, e achava a presença de Kuwabara tolerável.
O grupo ficou esperando mais meia hora até os últimos membros da equipe aparecerem. Os dois estavam esbaforidos, com o uniforme rasgado, e gritando um com o outro. Até aí, nada fora do normal. Como os dois gastaram um pouco de energia lutando contra os yokais menores da floresta, foi possível manter eles parados por dez minutos para ouvirem o plano elaborado por Botan e Kurama. Durante o tempo em que ficaram esperando, os dois puderam observar a movimentação do local, e assim decidir como proceder. O edifício tinha um formato circular, como se imitasse uma arena, e era alto o suficiente para ter uns 3 ou 4 andares. Havia uma porta dupla bem grande e praticamente nenhuma janela, também havia um heliporto, que deveria ser como os clientes chegavam no estabelecimento.
Ficou acordado que os 4 rapazes iriam partir para dentro do prédio, pela porta da frente e enfrentar qualquer Yokai que estivesse no local, atraindo toda a atenção para o grupo. Enquanto isso Botan tentaria achar alguma sala de comando, para buscar maiores informações sobre o local. Seria importante encontrar possíveis clientes do local, bem como o grupo que está administrando o "Clube" de apostas atualmente. Botan havia deixada um comunicador com Kurama, no caso de haver algum imprevisto.
Os rapazes entraram, ou melhor, explodiram, a porta da frente, e com isso começou o caos. Botan se aproveitou disso para sair de maneira despercebida. Suas missões como assistente de detive sobrenatural a ensinaram como ser discreta, e sumir em situações como essa. Felizmente, o layout interno do prédio era bem simples. Diferente do que eles previram anteriormente, o prédio tinha apenas dois andares com pé direito alto, possivelmente para acomodar os Yokais maiores. No centro do prédio ficava a arena de lutas, que ficava visível para os dois andares. No primeiro piso, haviam algumas celas, e instalações para a vivencia dos Yokais que "geriam" o estabelecimento, enquanto no andar de cima, haviam camarotes, onde os "apostadores" poderiam assistir as lutas. A única coisa curiosa, foi que a garota percebeu que haviam alguns elevadores espalhados. Era estranho que um prédio com dois pisos tivessem tantos elevadores.
A busca de Botan foi infrutífera. Por mais que tivesse conseguido transitar pelo prédio sem atrair a atenção de nenhum Yokai, não conseguiu encontrar nada que se assemelhasse à uma sala de controle, ou uma administração. Suspirou. Koenma-sama iria ficar irritado. Decidiu que era melhor encontrar os rapazes, e ver o "progresso" que eles fizeram nesse meio tempo. Afinal, conseguia ouvir os barulhos, mas isso não ajudava realmente a encontrar o grupo, uma vez que o local era grande.
- Kurama, não consegui encontrar nada por aqui. Esse local parece não ser administrado por ninguém, ou talvez a central seja em outro local. – A garota falou de maneira desanimada, observando que atrás de Kurama, Hiei estava despedaçando um Yukai que se assemelhava à um ogro, e mais ao fundo podia ver Yusuke e Kuwabara discutindo e lutando ao mesmo tempo. Viu a quantidade de corpos caídos. Suspirou. Esse lugar realmente tinha muito mais seguranças do que o esperado. – Onde vocês estão?
- Estamos terminando de limpar o primeiro andar. Vamos tentar entrar na arena agora. Parece que eles liberam os Yokais que estavam nas celas. – Botan percebeu que Kurama estava se movendo, já que um grupo de yokais foi ataca-lo. – Os Yokais aqui são fracos. Mas eles estão em grande quantidade. Tenha cuidado.
Kurama desligou o comunicador. Botan desceu as escadas e sentiu um forte cheiro de sangue. E com isso ela foi seguindo a trilha de corpos. Como uma variante mais macabra da história de João e Maria. Fez uma careta. Só esperava não encontrar nenhuma bruxa má no caminho.
- Ei Urameshi. Já derrotei 43. Duvido que você consiga superar. – Sorriu Kuwabara. Ele havia aprendido a aumentar e diminuir o tamanho da sua Reiken, então era fácil empalar dois ou três adversários em de uma única vez. Isso fazia com que Yusuke, que só conseguia enfrentar um adversário por vez, ficasse em desvantagem.
-Ah é. Vamos ver isso aí. – O garoto analisou o local, e percebeu que o número de adversários diminuiu significativamente, mas achou o que estava procurando. – LEIGAN!
E com isso explodiu 3 em uma única vez. Viu que Leigan ricocheteou na parede. Há. Agora ele e Kuwabara estavam empatados. Agora era só tentar manter o ritmo que ia vencer esse cara achatada. Yusuke olhou ao redor, agora a arena estava sem nenhum Yokai vivo, possivelmente Hiei e Kurama acabaram com os últimos. Mas ainda conseguia sentir algumas presenças no andar de cima.
- Ei, malditos. Desçam até aqui. Queremos terminar a limpeza.
- Urameshi. Esses aí de cima são meus! – bradou Kuwabara.
- Idiota. Isso aqui não é uma competição. Mas se fosse, você já teria perdido. – zombou Hiei.
- Como assim, seu nanico?
- Além de burro, você também é surdo?
Com a poeira baixando, Kurama percebeu que o grupo de Yokais no andar superior estavam segurando algo que se assemelhava à uma garota humana. Mas achou que era uma ilusão criada por eles, ou talvez um demônio que conseguia mudar de forma. Afinal, as únicas presenças humanas que conseguia sentir no local pertenciam à Kuwabara e Yusuke. Até que sentiu um cheiro de sangue diferente. Não pertencia aos humanos de sua equipe. Mas também não era sangue de um Yokai. Droga. A garota realmente era humana. Tinha que chamar a atenção dos seus colegas. Ela já estava bem ferida. Não ia aguentar muito mais.
- Se acalmem. Olhem lá. – interviu Kurama. Esperava que eles entendessem sem que precisasse falar ou sinalizar. Hiei também devia ter um olfato apurado, mas Kuwabara e Yusuke não possuíam essa característica. Viu o demônio que se assemelhava à um réptil e tinha quase três metros de altura se aproximar da borda da arena, e trazer uma garra ao pescoço da menina, que tentou disfarçar uma careta de dor.
- É isso aí. Se movam e a garotinha vai virar picadinho. Ou melhor. Por favor, nos ataquem. Se ela virar uma casualidade desta invasão, nosso chefe não vai se incomodar quando nós a devorarmos. Logo depois de acabarmos om vocês.
O chefe lagarto terminou sua sentença gargalhando. Não tinha como ser um vilão mais cliché, pensou Yusuke. O que fazia tudo mais ridículo era pensar um sub-yokai como aquele, achava que poderia derrotar o grupo, mesmo com uma refém. Decidiu brincar um pouco com eles, enquanto os distraía, para que Kurama pensasse em algum plano.
- Não sei não. Koenma só pediu para virmos aqui acabar com o seu clubinho de lutas ilegais. Não disse nada sobre resgatar menininhas. Logo, ela não é nossa responsabilidade seu mané! Tenho cara de quem trabalha de graça?
Yusuke lançou um Leigan, e errou o grupo de propósito. Nesse interim, o grupo se olhou, e cada um soube do seu papel. Era estranho pensar que eles se conheciam a tão pouco tempo, mas já tinham formado uma dinâmica sobre como agir. Enquanto Yusuke e Kurama distraiam os yokais, Hiei iria resgatar a menina, já que era mais rápido. Kuwabara ficaria de apoio para o caso de algo dar errado. Foi possível ver o líder do grupo de demônios ficar sem reação.
- Como assim? Aquele pirralho do Koema não está interessado na segurança dela?
- Bem, Koenma-sama mandou nós destruirmos o grupo de lutas clandestino. Ele não deu nenhuma instrução sobre como proceder com possíveis reféns. – Kurama sorriu. Havia achado a sentença anterior estranha. Tinha algo de importante nessa menina? – Na falta de instruções, nós vamos seguir com o plano mais simples. Ou seja, não temos interesse em refém nenhum.
- Kurama, tem que falar em termos mais simples. O QI deles deve ser menor que o do Kuwabara. – zombou Yusuke. – Hey, desçam aqui. Quero terminar logo isso, e ir para casa. Ou espera. Vocês estão com medinho?
O grupo de Yokais ficou inquieto. Hiei já deveria estar pronto para agir. Até que o inesperado aconteceu. Viram a menina se desvencilhar dos demônios, e se jogar para a arena, bem no instante que Hiei começou a retalhar o grupo. Kurama gelou. Não sabia se Hiei seria rápido o bastante. Gritou para o rapaz tentar segurar a menina. No estado em que a ela se encontrava, dificilmente conseguiria sobreviver o impacto. Mesmo se eles a pegassem antes de atingir o piso.
Hiei escutou Kurama gritar, e percebeu que a pirralha tinha decidido se matar. Ótimo. Teria que tentar salvar uma suicida em queda livre. Por isso detestava humanos. Tão frágeis, e ao mesmo tempo tão idiotas. Conseguiu pegar ela em queda livre. A humana estava em um estado deplorável, com sangue seco no cabelo desgrenhado, e diversas feridas. Mas se tivesse que escolher, diria que o mais preocupante era o hematoma que estava se formando na testa dela. Em um Yokai não significaria muita coisa. Mas para um humano poderia ser fatal. Tentou aterrissar de maneira suave, de forma que não a impactasse muito. Pensou que ela havia desmaiado, até perceber um par de olhos o fitando. Sentiu uma raiva súbita neste instante. Ela fizera Hiei ter que correr mais do que o necessário para tentar salvar sua vida inútil.
- Sua imbecil. – rosnou. Em sua visão periférica, percebeu Botan saindo do seu esconderijo e se aproximando.
- Ei Hiei, como ela está? – Ele tentou deixar a garota em uma posição sentada, para que Botan pudesse analisá-la, ignorando totalmente o desconforto dela. - Calma, acho melhor deixar ela quieta por enquanto... Mas Koenma-sama não disse nada de resgatar ninguém. Por que será que a mantinham cativa aqui?
- Por que manter uma fêmea em cativeiro em um lugar de lutas ilegais? – Hiei falou de maneira irônica. Ela poderia facilmente ser usada como um "prêmio" para os lutadores da arena.
-Mas ela é humana... eles não iam a deixar viva tanto tempo... – respondeu Botan em um muxoxo. O resto dos rapazes se aproximaram.
- Caramba. Por pouco achei que o Hiei não ia conseguir ser rápido o suficiente. – exclamou Yusuke. Quando olhou para ela soltou um assobio – Rapaz, esses miseráveis fizeram um estrago e tanto. Ela está horrível.
- Acho que precisamos ir embora. Ela claramente precisa de cuidados médicos. E nós já acabamos aqui. – falou Kurama, enquanto o grupo permanecia alheio às tentativas de comunicação da menina. – Hiei, você consegue carregar ela? – Hiei soltou um grunido. Ele não gostou da ideia. Mesmo assim Kurama continuou. Eles não podiam perder tempo para salvar a menina. Levá-la para um hospital seria complicado, e somente Botan não conseguiria curá-la. Então lembrou da mestra de Yusuke. Genkai não iria gostar nada de levarem uma menina moribunda até ela, mas talvez essa fosse a única opção para não atraírem atenção desnecessária. E também precisavam investigar a "falta de presença" da menina. - Talvez seja melhor não a mover muito. Acho melhor você levá-la até Genkai.
A menina que continuava no chão, com as costas apoiadas por Hiei, tentou se sentar, e então caiu para sua posição inicial, fazendo uma expressão de dor. Isso fez com que os cinco voltassem sua atenção para ela. Viram a garota movimentar os lábios, mas quase não saia nenhum som.
- Vocês conseguiram ouvir alguma coisa? – perguntou Yusuke. – Será que ela não bate bem das ideias?
- Ai Yusuke. Ela só deve estar em choque... Provavelmente. – falou Botan.
- Hiei – Kurama disse em tom de alerta. Ele conseguiu distinguir o que a menina falara. Mas precisava de confirmação. Por isso precisava dos poderes telepatas de Hiei. Viu o mesmo ativar o Jigan, e a menina dormir. Passou pouco segundos, e Kurama recebeu uma confirmação silenciosa por parte do outro yokai. Droga. Tinha o pressentimento que esse era o inicio de uma situação muito problemática.
Heyy! Quanto tempo! Muuuito obrigada pelas reviews. Fiquei bem feliz ^.^
Nos últimos meses, muitas coisas aconteceram. Faculdade, estágio, TCC, publicação de artigos ... e por isso fiquei sem cabeça para escrever qualquer coisa por lazer. Mas pretendo melhorar. Não prometo atualizar semanalmente, mas ao menos uma vez por mês. Também vou tentar reviver minha outra fic, que é uma UA de Naruto. Se quiserem dar uma olhada e me dar um feedback depois, vai ser muito bem vindo.
Sobre Lua Escarlate... A principio pretendo fazer várias fics com poucos capítulos, de forma que cada uma seja um arco da minha história. E pode, ou não acompanhar o anime. Vou tentar encaixar Lua Escarlate depois do resgate da Yukina, por que o grupo está mais em sintonia, e antes do desafio do Koguro e o Torneio das Trevas.
Até a próxima!
