02 - E ela acordou...
Acordou com um barulho. Como se alguém estivesse abrindo ou fechando uma porta. Por experiência, descobriu que nunca era bom abrir os olhos de imediato, sendo sempre melhor esperar para compreender a situação em que se encontrava. E a sua condição física não era nem um pouco boa. Tudo doía, o que tornava difícil de se concentrar. Ao menos, dessa vez conseguia sentir que estava deitada em um futon, e aparentemente não tinha nenhum aparelho ligado ao seu corpo, monitorando sua condição. Conseguia ouvir vozes ao fundo. Tentou se lembrar dos últimos acontecimentos antes de desmaiar. O laboratório. Os guardas. A batalha. O estranho com olhos escarlates...
Não conseguia levantar ainda, mas considerou seguro abrir os olhos. De sua posição deitada, pode perceber que o local que em estava lembrava muito uma casa em estilo japonês, quase como um templo. Ao menos cheirava como um. Mas se fosse um templo ela conseguiria sentir alguma energia espiritual, e no momento não sentia absolutamente nada. E isso estava a apavorando. Não se sentia dopada como no laboratório, logo não era para seus sentidos estarem abafados. Droga. Não conseguia nem sentir a energia das pessoas no aposento próximo ao dela. O que estava acontecendo?
Conseguia ouvir as vozes cada vez mais próximas a ela. Não sabia ao certo o que fazer. Sem seus poderes e com seu corpo debilitado, estava indefesa. Esse era um ambiente novo, e uma condição diferente. Não estava amarada, nem conectada a nenhum equipamento. Na dúvida, decidiu fingir dormir e ver como seus novos carcereiros iriam se portar.
- Ela ainda não acordou... – era uma voz feminina. Reconhecia de algum lugar. Lembrou da garota irritante de cabelos azuis. – É uma pena.
Conseguia menina conseguiu ouvir cinco pessoas no quarto. Precisava ouvir mais da conversa deles para entender a situação em que se encontrava, ou quantos dias haviam se passado.
- Ela está acordada Botan. - falou uma mulher mais velha. A menina gelou. Velha miserável. Como ela descobriu? – Pode parar de fingir agora. Você poderia ter passado despercebida se a sua respiração não tivesse acelerado quando nós estramos no quarto. Mas ainda é muito cedo para uma criança tentar me enganar.
- Nossa velhota, tá afiada hein. Eu nem tinha percebido. – essa voz ela reconhecia. Era o menino louco que havia atirado nela. – Ei bela adormecida. Pode ir abrindo esses olhos. Precisamos falar com você.
Não tinha mais como evitar, então com um suspiro, abriu os olhos. Tentou se sentar, mas tudo doía.
- Calma. Não precisa se mover. – era uma voz que ela também já conhecia. O rapaz ruivo e sensato (comparado com os demais). Percebeu que ele sentou no chão, próximo do futon. Nisso, involuntariamente, seu corpo tentou se afastar dele. Não estava com seus poderes, mas todos os seus instintos gritavam "perigo". O rapaz devia ser mais do que aparentava. – Nem ficar com medo. Você já saiu daquele lugar. Agora, para poder te ajudar, e aos outros que nós encontramos, vamos precisar da sua ajuda. Primeiro, você entende o que estou dizendo?
A garota estava odiando o tom lento com que ele estava falando. E era desconfortável ficar tentando encarar a ele e os demais da posição sentada que em que se encontrava. Não era uma invalida, e precisava estudar o local em que estava para buscar uma forma de escapar. Reuniu coragem, e se sentou, reprimindo um grito. Não entendia por que sentia uma dor lacerante na nuca. Não lembrava de nenhum trauma nessa região.
- Ei, você ainda está se recuperando. Não faça movimentos bruscos. – falou a "Botan", que logo veio se sentar próximo dela, com o intuito de ajudá-la, apoiando suas costas. Não se sentia confortável com uma desconhecida tão próxima, em um momento vulnerável, mas não podia fazer nada a respeito. – Aqui, tente tomar um pouco de água.
Segurou o copo d'água, e observou a sala. Ainda bem que fez isso, pois percebeu que haviam seis pessoas no cômodo, e não cinco, como havia pensado anteriormente. Voltou sua atenção ao copo de água, sabia que precisava se hidratar, mas o receio de ser dopada era maior. Voltou sua atenção para o ruivo.
- Eu entendo. – droga. Sua voz estava muito rouca e baixa.
- Tome a água. – a voz veio do canto oposto do quarto. Era o rapaz de olhos escarlates. Lembrava que se não fosse por ele, sua condição física seria bem pior. Observou que ele estava usando uma faixa na testa. Droga. Em seu torpor no laboratório, tinha ignorado totalmente o fato dele ter três olhos. Agora sabia que estava lidando com Yokais. Viu o rapaz sorrindo com escárnio. – Ninguém aqui precisa de drogas para te manter sob controle. Você já se pôs em um estado deplorável sozinha.
Mas como ele sabia? Lembrou de como foi posta para dormir logo após o seu "resgate". Ele deveria ser um telepata. Um dos seus inimigos naturais.
- Eu não quero ele lendo a minha mente. – falou antes que pudesse pensar direito. Odiava telepatas. Sempre considerou sua mente sagrada. Ao longo desses anos conseguiu se manter sã, e muitas vezes, seus pensamentos foram seu único refúgio. Com seus poderes conseguia bloquear intromissões, mas agora não tinha como fazer alguma coisa. Encarou o ruivo. – Se ele for remexer a minha mente, eu não vou colaborar com vocês.
Viu o sorriso de escarnio do telepata aumentar e o ruivo suspirou.
- Hiei... não é para deixá-la mais estressada.
- Hm. Como se eu quisesse ler a mente de uma humana inútil. Mas como você pode ver, ela está com uma linha de raciocínio normal. Pode começar o interrogatório. – "Hiei" virou o rosto, e passou a ignorar a ação na sala. A garota estava irritada, mas acreditou que ele não estava interessado em nada que estava acontecendo, logo, sua mente estava em segurança no momento.
- Eu sei que você deve ter várias perguntas, mas antes disso, precisamos que responda algumas coisas...
- Kurama, será que não é melhor chamar o Koenma-sama? Ele que está encabeçando a operação. – disse Botan.
- Acho que Koenma-sama já está muito ocupado lidando com a situação no mundo espiritual. Acredito que precisamos das informações o mais rápido possível para começar a agir no mundo humano.
- Concordo com o Kurama. – se pronunciou o cara com cabelo estranho. A menina não o conhecia muito bem, mas podia ver que ele estava com uma expressão dura no rosto. Sua experiência com pessoas dizia que ele havia entrado em contato com algo que mudara sua percepção do mundo. É nessas horas que humanos amadurecem e vão perdendo a fé nos outros. Sentiu simpatia pelo rapaz. Ela mesmo já passara por isso inúmeras vezes, até perder a fé em tudo e em todos. Esse era um caminho sem volta. Suspirou.
- Sou Mirai Okumura. Tenho 14 anos. – começou a ceder informações sobre a sua identidade falsa. Estava cansada e queria acabar com isso logo. Estranhamente confiava no rapaz de cabelo estranho, e isto fez com que relaxasse um pouco. – O que mais vocês precisam saber?
Aparentemente surpreendeu as pessoas do cômodo. Talvez eles esperassem que ela agisse como uma menininha normal e começasse a chorar. Decidiu tomar um gole de água enquanto esperava eles decidirem o que perguntar.
- Você estava a quanto tempo no laboratório? – Perguntou "Kurama".
- Não sei. – ficou esperando a próxima pergunta, até perceber que ele queria um complemento à sua resposta. – Só consigo me lembrar de ter tido um dia normal e ir dormir. Isto foi na segunda-feira, dia 12. A próxima vez que acordei já estava no laboratório. Que dia é hoje?
- O que você lembra sobre o laboratório? - Perguntou a mulher mais velha, ignorando totalmente a sua pergunta.
- Como eu já disse, acordei lá. Não me lembro de ser transportada, ou raptada da minha casa. Agora, se vocês puderem me dizer que dia é hoje, e quanto tempo passei desacordada...
- Mirai-chan... nós queremos só saber sobre o que você se lembra. Qualquer informação que nós te dermos agora, pode afetar sua memória. Depois vamos responder todas as suas perguntas. – interrompeu Botan com um tom excessivamente agradável. Decidiu que a garota de cabelos azuis a irritava. Muito. Mas por enquanto, iria responder as perguntas deles, ocultando o que fosse conveniente.
- Acordei em uma sala fechada, estava conectada à vários equipamentos, fingi que estava dormindo quando escutei pessoas entrando no quarto. Era um homem, "Sasaki-sensei", e uma mulher, "Ageha". Eles me conectaram a uma máquina que iria retirar meu sangue a cada duas horas, e o homem decidiu ir retirando aos poucos o sedativo, para que eu acordasse logo. Não lembro exatamente o que foi dito, mas aparentemente eles trabalhavam para uma terceira pessoa, que enviava "cobaias" para serem testadas. Entendi que utilizavam Yokais como guardas, e que haviam outras "cobaias" como eu, e no final todos que não morriam durante os experimentos viravam comida. Fim.
- Eles disseram mais alguma coisa sobre esse cliente, ou o que eles queriam monitorar em você? – Kurama perguntou. Fez a notação mental de que ele era a pessoa esperta do grupo. Esperto e sensato. O rapaz ruivo pode apresentar perigo a ela.
- Nada que eu esteja ciente.
- E como é que você sabe da existência dos Yokais? Tô achando muito estranha essa sua calma toda – perguntou Yusuke. Drogaaaaa. Esqueceu de esconder essa parte. Teria que dar um jeito de maquiar situação.
- Normalmente eu vejo seres espirituais. Depois de algum tempo, você começa a entender como diferenciar um espirito errante de um demônio. - Mirai decidiu que não era tão raro assim humanos que viam espíritos, então posar como uma menina sensitiva não seria tão difícil. Viu que alguns esboçaram surpresa, mas o primeiro a se pronunciar foi Kurama.
- Bem, isso vai facilitar a nossa explicação sobre certos, hum, aspectos da sua situação...
Dois dias atrás
Essa missão acabara sendo mais desconcertante do que o imaginado por qualquer um do grupo. Primeiramente por descobrirem que o clube de lutas era uma fachada para um laboratório que realizava teste em seres humanos. Não conseguiram descobrir maiores detalhes, uma vez que todos que trabalharam no local conseguiram fugir, ou estavam mortos. Além da menina humana encontrada ao explorarem o local, descobriram andares subterrâneos que continham mais humanos. O curioso de toda a situação foi que não conseguiam sentir nenhuma energia espiritual vinda desses humanos, e por não ter precedentes, precisaram avisar Koenma-sama. Os humanos encontrados eram jovens e estavam mentalmente instáveis, o que tornou o resgate mais difícil do que inicialmente haviam imaginado. Por incrível que pareça, a humana suicida era a mais sã entre as cobaias humanas, de acordo com Hiei.
Concluiu-se que o mais importante era identificar os humanos, e tentar reestabelecer suas condições físicas e mentais, porém isso era algo muito além da capacidade do detetive sobrenatural e seus colegas. Botan pediu reforços para o mundo espiritual para que os humanos fossem encaminhados para uma equipe mais especializadas que eles. Agora restava saber se manteriam a menina que salvaram no mundo humano, para interrogações, ou se a enviariam para o mundo espiritual. No momento estavam no templo da Genkai para discutir o assunto.
- Eu já vi alguns Yokais e Sacerdotes bem treinados mascararem a sua presença, mas apenas durante um curto espaço de tempo. Vocês trouxeram a menina para mim à 6 horas, e até agora o estado dela se mantém o mesmo. – falou a mestra de Yusuke. – Não tem como uma criança sem treinamento se manter desta forma inconscientemente. Qual é a condição dos outros que vocês encontraram?
- Foram encontrados no total 13 humanos, que, de acordo com os médicos do mundo espiritual, variam entre 10 e 18 anos. Eles foram levados pelo pelos médicos do mundo espiritual, já que estavam sem reação. Nenhum apresentava algum sinal de energia espiritual. – respondeu Kurama.
- Koenma-sama teve que preparar uma ala especial para os humanos no mundo espiritual. As coisas estão bem complicadas por lá. – falou Botan. – O humor dele está péssimo por toda papelada que ele está tendo que assinar. Aiai...
- Então tudo que podemos fazer agora é esperar... - disse Kuwabara.
Botan bateu palmas para chamar atenção dos presentes.
- Gente, acho que agora não podemos fazer mais nada. Vou ficar com a Genkai para monitorar a menina que encontramos, e quando ela acordar, ou eu tiver novas ordens do Koenma-sama, vou chamar vocês.
- Certo. Acho que eu e Hiei podemos tentar nossas fontes para descobrir se existe algum artefato demoníaco que sumo com a presença espiritual de humanos. – completou Kurama.
- Não me inclua nos seus planos. Ao que me consta, minha participação era até desmantelar o "clube". Não vou perder meu tempo com seres humanos.
- Hiei, que falta de visão. – falou Yusuke em tom jocoso de desaprovação, antes que Kurama pudesse intervir – E criatividade. Você tem que pensar no futuro e nas possibilidades. Se realmente existir um modo de ocultar totalmente a energia espiritual, vai ser muito mais fácil de você realizar os seus furtos e...
Yusuke foi interrompido por um soco de Genkai.
- Qual é o seu problema velhota!? – exclamou um Yusuke esfregando a região machucada.
- Yusuke... você é um detetive espiritual. Aja como tal.
- E então Hiei? – perguntou Kurama, já sabendo a resposta. Yusuke podia ter feito a sugestão brincando, mas sabia que Hiei iria observar toda a situação com outro viés agora. Na pior das hipóteses, caso realmente achem o artefato, é só destruí-lo antes que Hiei possa pôr as mãos nele. Mas até lá, ganharam mais uma pessoa para trabalhar no caso.
- Hm. – fez-se uma pausa, onde todos estavam olhando para Hiei. – Não posso prometer nada em relação aos meus contatos. Qualquer coisa, aviso vocês.
E com isso Hiei sumiu. Kurama estava tentando segurar a risada. Quem diria Yusuke, com seu jeito de malandro, iria dominar a arte de manipular Hiei em tão pouco tempo? Humanos sempre o surpreendiam.
- Acho que todos podem ir para casa. Qualquer alteração, eu vou comunicando vocês. – Disse Botan, e todos foram para suas casas.
Acabaram sendo convocados ao templo dois dias após a invasão ao clube. As notícias não eram animadoras. Aparentemente, cinco dos humanos resgatados haviam entrado em coma por causas desconhecidas, e ao longo desses dois dias, quatro morreram. Os que não entraram em coma estavam enlouquecidos, e tiveram que ser sedados. Hiei e Kurama também não conseguiram achar nenhuma informação sobre o que poderia ter causado a falta de presença espiritual.
Ou seja, precisavam da garota que resgataram. Caso fosse necessário, Hiei ou Genkai iriam forçar o despertar dela para que pudessem fazer perguntas. Entraram no quarto em que a menina estava desacordada. A aparência dela estava bem melhor do que a de quando a resgataram, agora, sem todo o sangue e sujeira, dava para ter uma noção da aparência dela. Ela tinha a pele realmente pálida e cabelos carmesim, que podiam facilmente ser confundidos com a cor de sangue. Ela era pequena e magra, o que fazia com que os hematomas e as bandagens se destacassem ainda mais.
Botan queria que a garota tivesse acordado por conta própria, forçar o despertar dela iria apenas trazer mais estresse para o corpo que já estava fatigado. Só que precisavam de respostas. E estavam correndo contra o tempo.
Kuwabara estava horrorizado com a situação. Tinha visto coisas ruins. Mas julgava que os piores casos eram similares ao de Yukina. Agora, ver jovens sendo mortos por causa de experimentos feitos por humanos, era outro nível. E não ajudava o fato de estar olhando para uma menina que era a prova viva disto tudo. Ele era contra acordarem ela para uma seção de questionamento. Alguém que passou por tudo isto deveria ficar em paz para poder se curar. As vezes achava que era a única pessoa com alguma sensibilidade no grupo.
Kurama ficava se perguntando em como deveria lidar com a garota depois que ela acordasse. Meninas nessa idade são muito sentimentais. Possivelmente teria que lidar com muito choro e histeria antes de conseguir algumas respostas válidas. Estava ponderando se deveria dar carta branca para Hiei ler a mente dela assim que ela acordasse, e logo depois pô-la para dormir. Yusuke e Kuwabara seriam contra, mas era a maneira mais rápida. Só que claro, sempre havia a possibilidade de Hiei mentir sobre o que encontrou na mente da garota.
Hiei, por sua vez, estava se divertindo com a situação. A pirralha já estava acordada fazia tempo. E estava surtando. Nunca havia se deparado com um humano tão paranoico como ela. Se bem que talvez fosse o esperado de alguém que passou um tempo como rato de laboratório. Ao menos, ela não estava insana como as outras cobaias. Decidiu ficar quieto e esperar. Ou a menina iria se revelar, ou alguém iria perceber a farsa.
- E foi mais ou menos isso... – explicou Botan. Deixando de fora o atual estado dos outros humanos resgatados, para não assustar Mirai.
Ou seja, eles não sabiam de nada, e Mirai, por sua vez, não tinha muito mais com o que colaborar. Mas teve um ponto em tudo isso que a deixou curiosa. E ceder esta pequena informação para eles não iria custar muito para ela, e ao mesmo tempo, poderia coloca-los no caminho certo, e mais tarde, poderia fazer uso do que fosse descoberto.
- Vocês não conseguem sentir a minha presença? Nada? – Mirai possuia mais energia espiritual que seu corpo poderia comportar. Sempre teve que esconder isso com selos, talismãs e treinamentos. Recentemente usava brincos que suprimiam sua energia espiritual, mas nem isso conseguia deixa-la como um humano normal, quem dirá sem presença nenhuma.
- Não. Nada vindo de você, ou dos outros que resgatamos. – respondeu Botan.
- Hum...eu também não consigo sentir vocês. Achei que no laboratório isso se devesse ao fato de estar sob efeito de medicação, mas se estou aqui a dois dias, já era para eu ter voltado ao normal.
- Você não pode estar em um estado de choque, e devido a isso o seu corpo não está respondendo como normalmente faria? – questionou Kurama. Ele já tinha algumas hipóteses do que poderia estar acontecendo, mas precisaria confirmar algumas coisas primeiro.
- Não. Meu corpo pode estar debilitado, mas para mim, o físico e o espiritual não influem um no outro. Eu poderia estar com metade dos ossos do meu corpo quebrados, ou ter perdido dois litros de sangue, mas não ficaria insensível ao meio espiritual.
- A menina tem razão Kurama. Este tipo de sensibilidade não some desta forma. – completou Genkai. – É possível assumir que o que quer que tenham feito no laboratório suprime a energia espiritual para os dois lados.
- Acho melhor conversarmos sobre isso em outro lugar e deixar a Mirai-chan descansar, não é? – falou Botan.
Botan acreditava que precisavam debater sobre a situação e as novas informações, porém, não na frente de Mirai. Quando revelou o que havia acontecido, ocultou propositalmente a atual condição dos outros humanos resgatados, principalmente por que o quadro evolutivo deles é progressivo. Não existe nada que comprove que Mirai não irá ficar no mesmo estado que eles dentro de alguns dias.
- Na verdade, gostaria de voltar para casa. – pronunciou Mirai. Ela tentou esboçar um sorriso, para tentar se passar por uma menina normal que se sentia extremamente grata com seus "salvadores" – Não posso mais abusar da hospitalidade de vocês. E também fiquei muito tempo fora de casa. Preciso voltar para escola e para o meu trabalho...
- Mas Mirai-chan... você está muito debilitada ainda, e nós não conseguimos curar todas as suas fraturas ainda...
- Fora que você mora sozinha. Existe a possibilidade de tentarem te sequestrar de novo. – completou Yusuke.
- Não acho que exista essa possibilidade. Eles já foram derrotados, não é? E também vou ser mais cuidadosa a partir de agora.
- Calma. Por que não fazemos o seguinte? Você fala o seu endereço para nós, e o Yusuke e o Kuwabara vão investigar o local onde você mora e a vizinhança... podemos monitorar por uma semana, só para ter certeza de que nada de diferente aconteceu... – interferiu Kurama. Precisavam manter a garota sob observação, tanto pela segurança dela, como para que eles obtivessem mais pistas.
- Bom, se vocês quiserem me acompanhar até o meu apartamento, tudo bem, mas eu realmente quero ir para casa... – Mirai falou usando seu tom de voz mais agradável e educado, se esforçando para manter o sorriso. Droga, até seu rosto doía para sorrir.
- Não adianta tentar enfeitar a situação para ela Kurama. – cortou Genkai. Agora voltando sua atenção para Mirai. – Você vai ficar aqui até nós solucionarmos o que está acontecendo. Isso é pela sua segurança e das demais pessoas que convivem com você. Agora você tem duas opções. Ficar aqui como uma convidada, ou como uma prisioneira. Entendeu?
Fez-se silencio na sala. A abordagem de Genkai foi mais ríspida que o necessário, mas iria poupá-los do desconforto de tentar inventar desculpas para manter a menina no templo. Agora, só faltava ver qual seria a reação de Mirai.
Mirai, estava borbulhando de raiva. Mal se livrara de um cárcere e já encontrava em outro. Sabia que não havia como enfrentá-los com força brusca no momento, e juntando seu corpo debilitado ao fato de estar sem poderes, fazia com que só pudesse adotar uma estratégia no momento...
- Entendi sim – respondeu com um sorriso angelical no rosto. Não podia confiar neles. Não podia confrontar eles. Então ao menos faria com que ficassem com a guarda baixa, usaria seu tempo presa para se recuperar fisicamente, e ao mesmo coletar informações sobre eles e sobre o local no qual estava. Daí iria fugir. Eles vão se arrepender.
Oi! Quanto tempo!
Quero que saibam que eu não larguei a fic. É que este ano está um pouco tenso, então não estou com muito tempo para projetos pessoais.
Caso vocês achem que alno no capitulo está desconexo, ou mal explicado, me avisem, por favor!
Dúvidas e sugestões são muito bem-vindas!
Obrigada e até a próxima!
