Andamos por aí por mais de uma hora, o lugar era enorme para eu mostrar tudo, mas eu mostrei os principais: os dormitórios no quarto andar; e As salas de estudos e os escritórios no terceiro andar.

Estávamos no segundo andar, eu lhe mostrei o refeitório e em seguida nos dirigimos à cozinha.

– Então, o que lhe disseram? – Perguntei – Você disse que já te contaram sobre esse lugar, mas eu não sei tudo o que eles falaram. – Vá que contaram o que falamos para todo mundo, ou seja, uma mentira.

– Bom, primeiro sua amiga Bliss ficava me perguntando quais eram minhas intenções com você. Eu contei sobre como nos conhecemos e ela perguntou se eu era o draki príncipe e gato que você quebrou o nariz.

Minhas bochechas queimaram com o rubor. Fala sério Bliss!

– Eu estava falando do lugar, do instituto – Falei por fim, mas não conseguia olhar em sua cara então apenas olhava em frente enquanto nos aproximávamos da cozinha.

– Ah! Bem, depois que descobriram que eu era um draki eles me contaram que aqui era uma espécie de abrigo e reformatório para drakis "e afins" – Disse ele fazendo aspas com os dedos. – Mas eu gostaria de saber por que vocês vêm para cá?

– Há inúmeros casos diferentes, alguns clãs expulsam membros ainda jovens de seus lares e nós os encontramos e trouxemos para cá.

– Nós?

– Os mais velhos. Depois que completamos dezoito, ou se já tem a idade somente após terminar o treinamento, Nós podemos participar dos resgates.

– Então é isso? Vocês resgatam drakis em perigo?

– Mais ou menos, como eu disse são casos diferentes, também temos informantes espalhados por aí para avisar àqueles que precisam de um lugar que nós existimos.

– Nossa! Eu nem imaginava que havia esse tipo de lugar.

– E Nem era para saber, como eu disse antes.

– Mas e o os "afins" – Perguntou ele fazendo aspas com os dedos de novo. – Pelo menos Bliss e Mason falaram algo parecido.

Dei um suspiro. – Cassian, você sabe o que acontece com quem bebe nosso sangue?

Ele parece congelar por um momento. Ele sabe.

– Sim, eu sei – Ele responde fazendo aquela mesma expressão de antes, como se lembrasse de algo que lhe causasse dor

– Esses são os "afins" – Acabei fazendo o gesto das aspas também e Cassian riu. Mas depois congelou de novo.

– Mas não são apenas os enkros e os caçadores que têm acesso ao nosso sangue?

Fico encarando o chão (vá que tenha gatinhos por ali), estamos parados há um tempo e logo adiante está a porta da cozinha. – Algumas pessoas não pediram para serem caçadoras. E também, têm aqueles que pagam qualquer fortuna para conseguir um remédio milagroso para curar seus filhos. E os caçadores aproveitam isso e vendem sua cura.

– Quem?

– Mason tinha uma doença incurável, ele tinha apenas oito anos e contava os dias até a sua morte, o médico lhe dera dois meses.

"Seu pai ficou desesperado, não se sabe como ele conseguiu contato com os caçadores e tenho certeza de que ele não fazia idéia de onde estava se metendo, mas ele conseguiu a cura, o sangue de draki."

"Uma cura milagrosa. Depois de alguns anos, já recuperado Mason começou a desenvolver certos poderes, como você já deve imaginar, ele conseguia respirar embaixo d'água e tinha uma força maior que o comum. É claro que ele foi atrás de resposta e depois de algumas informações com o seu pai, algumas buscas e contatos ele descobriu tudo."

– Ele é um cara esperto

– Isso que na época ele só tinha treze.

– E depois ele veio para cá?

– Não, ele passou um tempo se dedicando a saber, mais sobre esse novo mundo que descobrira, mas acabou no meio de uma caçada a um draki hypnos e se escondeu em uma fenda no meio de uma montanha rochosa.

– Ele se machucou lá?

– Não, mas o draki sim. Mason o ajudou a se esconder, cuidou de seus ferimentos e conseguiu comida até ele se recuperar. Eles ficaram lá por uns três dias, até o draki se curar totalmente e sair da forma de dragão.

"Era um garoto da mesma idade que a dele e estava fugindo de seu clã por causa da repressão por lá, ele disse que era quase uma ditadura e ele não queria essa vida, nós necessitamos de liberdade, mas você entende né?"

– E então? – Cassian parecia interessado na história.

Depois de todos esses anos acho que ele finalmente saiu de seu mundinho de príncipe e finalmente abriu os olhos para os perigos e as verdades que cercam nosso mundo.

– Então eles viveram felizes para sempre. – Disse uma voz atrás de nós e eu e Cassian nos viramos.

Entrando no refeitório está Ian, um cara alto de cabelos loiros e olhos dourados.

– Pelo menos até agora. – Ele completou.

– Cassian, esse é o Ian, o draki hypnos que Mason salvou, e também namorado dele. Ian, esse é Cassian... nós nos conhecemos há alguns anos atrás e ele é um Ônix.

Ele veio até nós e ambos se cumprimentaram.

– Você está bem? – Ian me pergunta e eu assinto.

– Vamos entrar, Bliss está cozinhando. – Diz Ian sorrindo, e com razão. Bliss é uma ótima cozinheira, nós até nos voluntariamos para lavar a louça se for para ela cozinhar.

Quando entramos na cozinha Bliss está atrás de um fogão industrial mexendo em algumas panelas com Mason espiando dentro delas, um cheiro delicioso invade minhas narinas e meu estômago ronca. Não tinha percebido que estava com tanta fome até agora.

Os garotos dão uma risada e aí percebo que eles ouviram minha barriga e eu fico vermelha. Bliss 'e Mason erguem a cabeça ao ouvirem as risadas e vêm em nossa direção.

Bliss se joga em mim me abraçando e eu quase caio para trás. Mason se dirige até Ian e lhe dá um beijo rápido.

– Caramba Sophie! Nunca mais me assuste desse jeito! – Bliss me diz ainda me abraçando e então se afasta. – Você está bem?

– Vou ficar depois que pararem de me perguntar isso. – Murmurei.

Ela dá um sorriso e me puxa em direção ao fogão. – Mason me disse que você acordou e eu lembrei que você não tinha comido nada e corri para cá fazer algo para você. – Ela abriu uma panela e me mostrou um Fricassé de Frango que estava terminando de cozinhar. – Também fiz arroz e tem batata palha. – Ela fala enquanto aponta para uma panela e um pote com as batatas.

Meu estômago ronca de novo e dessa vez todos ouvem e caem na risada.