Anini piscou várias vezes quando viu o trem.
Estava em uma estação parecida com as gravuras de livros infantis, a diferença sendo apenas que essa estação em especial ficava no meio do nada e o trem era maior do que qualquer coisa imaginável.
-Agora... Talvez eu finalmente descubra alguma coisa sobre mim. –Murmurou decidida, adentrando a locomotiva.
O local possuía assentos largos com tecido forrado de um tecido vinho e vitrais de desenhos de pássaros.
-Que lugar bonito. –Seus olhos vasculharam o local até pararem em uma figura encolhida no canto, encarando-a com um olhar desconfiado.
"Quem será essa pessoa? Alguém como eu? Ou será que ela pertence a esse mundo da ilusão?"
-Hum... Com licença?
-...
- Er... Você por acaso é alguém que vem do mundo além da ilusão?
Mais silencio.
-Eu... Recebi essa carta e um buque de flores. –Anini hesitou um pouco, sentindo-se um pouco desconfortável com o silêncio da outra pessoa.
Após algum tempo e relutância a desconhecida mostrou o envelope, confirmando que ela também havia sido convidada.
-Ah! Então você é como eu. –Anini suspirou aliviada. –Meu nome é Anini, e o seu?
-...
-Entendo. –A garota de olhos ametistas deu um meio sorriso, já acostumada com o tratamento silencioso. – Bem, eu vou dar uma explorada, se eu descobrir algo eu te aviso ok?
-00-
O estranho de cabelos longos e óculos abaixou o livro que estava lendo, encarando Jane que devolveu o olhar.
-Em que posso ajudá-la?
-Gostaria de fazer algumas perguntas. –Disse Jane, direto ao ponto. – Isso o incomodaria?
-Não. –Ele respondeu, colocando o livro na mesa e tirando os óculos. –Desde que a senhorita também responda as minhas perguntas.
-Sem problemas. – Retrucou Jane dando de ombros.
- Sugiro que se sente. –Indicou o homem.
Jane hesitou por um momento, mas fez como o homem pediu.
-Muito bem, primeiramente vamos nos apresentar. – Disse o desconhecido fazendo uma pequena mesura. – Meu nome é Dégel.
-... Jane Brandford.
-Jane Brandford... –Murmurou Dégel. –Devo dizer que não conheço ninguém com esse nome em meu mundo... E eu conheço muitas pessoas.
- Talvez eu faça parte das pessoas que você não conheça.
-... Eu conheço todas que são importantes. –Respondeu o homem com uma expressão séria. –Ao menos, todos que são importantes o suficiente para frequentar esse trem.
-00-
-Quem... É você? –Erika piscou várias vezes, encarando o rapaz de melenas azuis a sua frente.
- Ah... Assim você me fere. –Disse o rapaz dando uma gargalhada estrondosa depois de encará-la com um olhar feroz.
- Eu não sei quem é você. –Erika franziu o cenho. – Se tem algo a dizer diga logo.
-Geez... Querendo sempre as coisas diretas ao ponto, mas quando as pessoas perguntam para você a senhorita faz rodeios e fala coisas desconexas.
Erika revirou os olhos, decidindo que não tinha paciência para ouvir o estranho, se virando e fazendo menção de sair do vagão.
-Ah, tá tirando uma com a minha cara né? –Rosnou o estranho segurando-a pelo braço e fazendo com que ela se virasse. – Erika Erikdaught, filha do chefe de uma das gangues mais conhecidas certo?
-Como...? – Erika arregalou os olhos.
Como em um lugar como esse ela conseguiu encontrar um estranho que sabia quem ela era?
-Nossa, até que enfim uma reação diferente de uma expressão de estátua! –Disse ele com sarcasmo. – Devo dizer que é a primeira vez, e Deus sabe como eu tentei!
-Quem é você? –Ela perguntou, sentindo-se apreensiva.
-... Você não lembra realmente quem eu sou?
-... Não.
-To vendo que é verdade quando dizem que você é uma criatura fria e que não liga pra ninguém. – Ele resmungou coçando a cabeça em frustração, para depois olhá-la nos olhos. – Meu nome é Kárdia, tá lembrando agora?
-...Não.
-Ack! Ok, eu sou... Da gague rival, segundo filho do chefe. –Respondeu Kárdia encarando-a com tédio.
-O que você quer? –Perguntou ela livrando o braço e dando passos para traz, fuzilando-o com o olhar.
-Liberdade.
-Hum?
-É, nós nunca nos damos bem, mas nesse ponto nós sempre concordamos. –Falou Kárdia arqueando a sobrancelha.
-...
-Bom, o que você está fazendo aqui?
-Hum?
-Essa deve ser a... Décima vez que visito esse mundo? –Ele contou nos dedos. - ... Eu não me lembro de tê-la visto antes, então o que está fazendo aqui?
-Eu...
-Olha, nós nunca fomos muito próximos. – Kárdia rolou os olhos. –Mas sou a única pessoa que te conhece.
-... Recebi uma carta e um buque.
-Ah, então você foi convidada assim como eu. –Murmurou ele com interesse. –Certo, por quem?
-Não sei, a carta não diz nada.
-Hum... – Murmurou o rapaz com desinteresse. – Heh, vamos descobrir quando chegarmos.
-... Aonde você vai? –Erika perguntou quando ele abriu a porta que dava para outro vagão.
-Ao meu quarto descansar. –Respondeu. –Ah! E dica, você provavelmente deve ter um quarto também, se você estiver com a sua carta provavelmente vai conseguir entrar.
-00-
-TCHA!-
-Seu louco! –Berrou Aurora irritada quando foi jogada dentro da banheira de água quente.
-Desculpa! –Ele se desculpou. –Eu tropecei sem querer! Se bem que... Bom, as suas roupas também precisam de um "banho" né?
-... Sai daqui e me deixa em paz!
-Ok, desculpa, eu estou indo. –Disse ele fazendo sinal de paz. – Te espero do lado de fora.
-EU NÃO QUERO QUE VOCÊ ME ESPERE!
-Ei, a carta que eu recebi tinha instruções para cuidar de uma garota com a sua descrição já que não sabia ler. –Ele falou fazendo sinal de paz. – Então é melhor obedecê-la, não é toda vez que se tem uma oportunidade como essa!
-...
-Oh certo, tome. –Disse ele pegando algo na sua mochila e colocando nas mãos da garota. -... Normalmente não recomendaria comer enquanto se toma banho, mas você está puro osso.
Aurora pegou o embrulho e abriu com cuidado, se deparando com um hambúrguer apetitoso.
-Comprei no McDonalds antes de vir para cá. –Disse ele dando uma piscada. –Aproveite!
Dohko apenas deu um sorriso amistoso em sua direção, saindo do quarto e fechando a porta atrás de si.
Aurora ficou um bom tempo encarando a porta sem saber como reagir, mas um grunhido vindo de seu estômago fez com que voltasse a realidade e ao lanche em suas mãos.
Ele tinha um cheiro bom, e ela sempre teve vontade de comer o tal lanche já que ela sentia o cheiro quando as pessoas passavam na rua.
Deu uma dentada e começou a mastigar devagar, seus olhos arregalando quando sentiu pela primeira vez o delicioso sabor.
"Isso é muito bom" – Pensou enquanto dava outra mordida de forma animada – "... Suponho que deva agradecer, afinal, esse lanche é bem caro"
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-Eu não acredito que estou aqui, Eu não... –Shion começou a xingar, massageando as têmporas em sinal de profunda irritação.
-Relaxa Shion! Esses vagões são lindos, confortáveis e estamos indo em uma viagem mágica! – Falou Marie animadamente, pulando no assento.
-... Eu não quero nada haver com essa loucura! Quero me manter são!
-Você é são. – Marie replicou parando por um segundo.
-... Você está aceitando bem essa situação bizarra.
-Bom... É algo incomum e eu acho a vida normal um tédio. –Respondeu Marie, se enterrando no puff. – Sabe, é que nem Harry Potter!
- Você não deveria ter uma visão tão idealizada de uma aventura em outro mundo. – Disse Shion meneando a cabeça negativamente. –Você não sabe que espécie de perigos podem haver nesse outro mundo.
-Ou coisas divertidas!
-... Você só pensa positivamente?
-Sim, há algum problema em pensar em coisas boas? –Ela perguntou, piscando de forma curiosa.
- Nenhum, mas... Pensar no que pode dar errado ajuda a não ser pego de surpresa.
-É um pensamento paranoico e bem pessimista.
-Eu fui internado várias vezes por causa do que eu consigo enxergar. – O rapaz respondeu, rolando os olhos. –Forçado a tomar remédios quando não estou doente... Isso acaba com o equilíbrio mental de qualquer um!
-... Acho que você precisa se acalmar. – Disse Marie dando um tapinha amigável em suas costas. – Eu não vou te julgar porque vejo as mesmas coisas e também porque não ligo e nem vou te botar no hospício.
-...
-Pode se abrir e falar a vontade, você está livre para ser quem você quer ser perto de mim!
-...
-Oii~ Terra chamando Shion?
-...
-Xii... Acho que deu pane no sistema. – Riu Marie enquanto o rapaz se afastava aos poucos, encarando a parede do vagão de forma desconfortável. –Certo, eu vou dar uma voltinha por aí, também vou checar para ver onde o Lucca se meteu ok?
-00-
-Importante? –Repetiu Jane.
-Exato.
-... Heh. – Ela permitiu-se dar um sorriso, tendo vontade de rir do que o home dissera.
Ela estava longe de ser importante, mesmo no mundo dela a vida que levava era bem normal, às vezes sendo quase ao ponto do tédio.
- Eu estou longe de ser importante. –Balançou a cabeça. – Eu levo uma vida bem comum do lugar de onde venho.
- Do lugar... Um momento. –Dégel pausou. –Você é do "Mundo Real"?
-Sim.
-Então está explicado. – Ele deu um longo suspiro, a sua expressão ficando mais grave. –Quem lhe convidou?
-Não faço a menor ideia.
-...
"Por que importa tanto assim saber quem me convidou?" –Pensou Jane intrigada. –"E também... Por que esse homem está com uma expressão tão grave? Será que há algum problema com esse outro mundo?".
-Há algum perigo nesse outro mundo?
-...Perigo eu não diria. – Ele respondeu. –Mas... Esse mundo não é para os que vivem na realidade, somente desiludidos gostariam de ficar em um lugar como esse.
- Então posso supor que o senhor seja um desses desiludidos?
-Talvez. – Dégel deu de ombros, apesar de seu perfil sério e postura ereta a fazia duvidar que esse fosse o caso. – De qualquer forma a senhorita não deveria estar aqui.
-Oh? E isso por que...?
- O seu olhar é forte. – Ele respondeu, olhando-a de forma penetrante. –Uma pessoa assim não pertence a esse lugar.
-00-
Quando Anini abriu o próximo vagão, após o corredor de portas ela se trombou com uma garota baixinha.
-Ah! Desculpe! –Anini se curvou levemente.
-Sem problemas! –Respondeu a recém-chegada com energia.
-Oh! Você tem uma carta! –Notou.
-E você também! –Replicou a outra com animação. –Então você também foi convidada né?
-S-Sim. –Anini abriu um sorriso, surpresa e contente de encontrar alguém tão amigável quanto à pessoa a sua frente. –Meu nome é Anini.
-Anini? Legal! Eu sou Marie, muito prazer!
-O prazer é todo meu. – Respondeu cumprimentando-a com um aperto de mão. –Ah... Peço desculpas por ser uma pergunta repentina, mas gostaria de perguntar o que você sabe sobre esse trem ou sobre essa carta.
-Nadinha de nada. –Marie disse meneando a cabeça de um lado para o outro. – Hum... Eu também tenho uma pergunta a fazer.
-Pode perguntar.
-Você viu uma pessoa chamada Lucca? Ele é da nossa idade.
-"Ele"?
-É, é que esse é o nome que eu dei a ele.
-Hum... Desculpe, eu não vi.
-Oh... Obrigado. –A voz dela pareceu menos animada e até um pouco apreensiva.
-Algum problema?
-É que nós nunca nos separamos desde que éramos pequenos então estou estranhando a ausência dele.
-Bom, eu posso ajudá-la a procurar por ele.
-Sério? Muito obrigado!
-00-
-Oh você finalmente saiu!
-... Obrigado pelo lanche.
-Hehehe de nada. –Respondeu Dohko. –Como médico eu não deveria nem comprar esse tipo de coisa já que não é saudável, mas... Bom, ninguém é de ferro certo?
-...
-... Por que você está usando a toalha?
-Eu dei uma lavada nos meus trapos, mas não tenho outra roupa para usar.
-É mesmo, você veio sem muitos pertences. –Ponderou o aspirante a médico. –Bom, nesse caso eu posso te emprestar uma camiseta e o meu casaco, assim você fica mais coberta.
-...
-...Claro, depois de um banho.
-? Mas eu já tomei banho.
-Você se esqueceu de lavar o cabelo. – Ele deu risada, segurando as pontas. –Hum... Pelo visto você não deve ter visto o xampu não é? Anda, eu te ajudo a lavar o cabelo e te ensino como lavá-lo de forma adequada, já que muita gente comete o erro de passar o condicionador na raiz, o que não é muito saudável.
-... Certo.
- Hum~ Pelo visto a senhorita ainda parece incomodada com minha presença. – Ele sorriu. – Certo, a proposta da carta era de acompanhá-la por não saber ler, então eu vou te ensinar, assim você não precisará depender de mim ok?
-...
-Vou tomar isso como um sim.
-000-
Olá gente!
Chegou pares de um lado para o outro e fico triste que a Alice teve uma participação irrisória nesse capítulo, espero poder escrever mais sobre ela nos próximos -
... Em compensação apareceu quase todos os pares eu suponho?
E nesse capítulo eu deixei mais pistas sobre o outro mundo, hehehehe~ E não liguem para o McDonalds aleatório no capítulo, sou eu que estou morrendo de vontade de comer um QuQ
Ah! Antes que eu me esqueça, eu fiz o desenho do Lucca, quem quiser ver tem um link no meu profile, é so copiar o link e colar ok?
...
REVIEW TIME!
Notte di Luce- Dohko é tão espontâneo que a maioria ficaria perdidinha XD(Com exceção da doida da Marie é claro)
A Marie, com exceção da Anini, é a única alma não carrancuda pfff... Adoro ela, louquinha de pedra!
Ah, sim, parte dos mistérios sobre a Anini vão ser revelados no próximo ou depois do próximo capítulo, e obviamente não vou entregar todas as cartas.
Mache-san- Eitcha, mas você é safada heim? XD HAHAHAHA!
Não, o Dohko não se ofereceu para dar serviço completo, mas em compensação ele vai lavar o cabelo dela, e ele é ainda estudante de medicina ok?
Eu queria que a inspiração batesse para eu poder desenhar o par misterioso, que infelizmente só tem nome por hora(gota), adoro aloprar com o Shion!
Horay~ Como eu disse na parte dos comentários é só checar meu profile, tem um link com o desenho do Lucca, agora você sabe como ele é!
Jules Heartilly- Não é exatamente mágica, mas não sei explicar de outra forma, pois é, a descrição do trem é porque baixou a descrição da salas do "Dark Secrets"(Nem me pergunte quando vou atualizar ela, porque eu sinceramente não sei).
Acho hilário aloprar o Shion e nem sei porque XD, HAHAahah, peguei sua sugestão, quer dizer, em parte.
Ah sim, Anini tem uma situação familiar "delicada", e em breve vocês saberão o porquê.
