Várias carruagens param em frente a uma mansão, e de dentro dela desceram as convidadas com os seus respectivos guias que ao avistarem um ao outro sorriram e entraram pelo um imenso portão, dando para um jardim cheio de flores gigantes.
Havia flores parecidas com lótus, outras como vitórias régias onde brotavam águas de cores diferentes que caiam em outras flores, as gotas parecendo contas coloridas, algumas eram dentes de leões que tinham suas minúsculas partes, parecido com penas, flutuando ao redor deles quando o vento batia.
Sem dúvida, era um local parecido com as flores de Alice no País das Maravilhas, a diferença era que não estavam vendo apenas ilustrações e com mais flores exóticas que poderia imaginar.
-Uau! Esse lugar é demais! –Marie se empolgou, pulando de um lado para o outro, doida para explorar o lugar.
-Marie, comporte-se. –Falou Shion olhando atentamente para a garota, já que era a única coisa "normal" em relação ao estranho mundo.
-Certo, certo. –Ela parou de dar pulinhos.
-Parem. –Disse um dos guias mais a frente, fazendo com que os outros parassem em frente a bancos de madeira, indicando para que se sentassem enquanto eles permaneciam de pé. –Por favor, sentem-se, nosso irmão irá recebe-los.
-Espero que a viagem tenha sido boa. –Uma voz carregada de um riso claro ecoou, enquanto que o homem de cabelos negro, trança longa e vestes chinesas pretas e de mangas verdes entrou, fazendo uma leve mesura. – Permita-me apresentar-me; Meu nome é Regno, o mais velho dos 11 irmãos dessa mansão.
As pessoas que serviram de guia andaram a passos leves e se prostraram perto de Regno, sendo que este franziu o cenho levemente ao notar a ausência de um deles.
-Bom... Creio que eu deva apresentar os seus respectivos guias não é? –Ele sorriu.
A guia de Marie, Shion e Lucca, uma mulher de cabelos marrons avermelhados deu um passo à frente, a sua expressão séria e digna.
-Esta é a quarta irmã, Erin.
-Muito prazer em conhece-los. –Erin se curvou. –Normalmente eu moro em outra localidade e vivo ocupada, mas se eu tiver algum momento livre você podem ficar à vontade para me pedir favores.
O rapaz que deu o próximo passo tinha cabelos de um cinza quase negro e olhos de cor prata, possuindo uma expressão serena, os seus lábios formando uma linha reta.
-Este é Klaus, o quinto filho.
O loiro de roupas estranhas foi o próximo.
- O sexto irmão, Stradivari, ele adora música e sabe tocar muito bem, qualquer dia desses vocês poderiam ouvi-lo tocar.
A dupla de irmãos sorridente de um passo ao mesmo tempo, um sendo o garoto de olhos dourados e cabelo cor areia e a outra sendo a garota de cabelos púrpuras e olhos vermelhos.
-A seguir temos Aurum, o oitavo e Garnet, a nona.
-Prazer em conhece-los!
-Nós nunca temos nada para fazer, então fiquem a vontade de pedir favores para nós a qualquer hora!
Regno de um olhar desaprovador (embora amigável) ao Aurum e Garnet, que apenas deram risadinhas nervosas.
-Eu sou o décimo irmão! – Disse o rapaz de cabelos azuis com um largo sorriso. –Dio! Ao seu dispor enquanto estiver em casa!
- ... Creio que o senhor disse que eram 11 irmãos? – Jane arqueou a sobrancelha.
-Está faltando 4. –Complementou Erika.
-Sim. – Regno meneou a cabeça abrindo um sorriso triste. – A segunda e o terceiro irmão estão... Desaparecidos, enquanto que o sétimo, Mark, está ocupado e meu irmão caçula deveria estar aqui, já que eu pedi para que ele viesse recepciona-las.
Albafica franziu o cenho levemente e Alice se remexeu, inquieta, em seu banco, fato que não passou despercebido por Regno que arqueou a sobrancelha.
- Bom, agora que as apresentações foram feitas eu creio que os senhores e senhoritas queiram explorar o lugar não é? Fiquem a vontade para pedir ajuda aos meus irmãos e sejam bem vindos a esse mundo!
-00-
-Albafica, senhorita Alice, aconteceu alguma coisa? –Regno se aproximou, claramente preocupado.
-Arkheim. –Albafica respondeu simplesmente, cruzando os braços.
-... O que ele fez?
Albafica pegou com delicadeza o braço de Alice e mostrou o local onde tinha feito o curativo.
-... O meu irmão a feriu? – O homem franziu o cenho.
- A pele dela é bem delicada e ele segurou com muita força. –Falou. – Também a ameaçou.
-Ugh... E eu falei para ele ser gentil com os convidados... Honestamente, eu pensava que ele me respeitava o suficiente para acatar ao meu pedido. –Regno massageou as têmporas, respirando de forma cansada. – Peço que me perdoe senhorita Alice, eu irei falar com meu irmão e não deixarei que ele saia impune.
-Hum...
-Você é bem reservada hum? – O primogênito riu. –Não precisa ter medo, meus outros irmãos são bem amigáveis, isso eu garanto, então você pode contar com eles.
-Regno. –Chamou o rapaz de cabelos claros.
-Sim, Albafica?
-Ele também colocou um relógio. –Disse mostrando a palma da mão da garota.
-"12 horas"?
-Sim, afirmou que esse era o tempo que ela tinha.
-... A situação dela é tão grave assim?
-Pelo que parece...
-Entendo. –Respondeu o outro apoiando o queixo em sua mão.
-Hum... Se... Senhor. –Perguntou Alice, finalmente superando a sua fobia social o suficiente para se pronunciar. –O que vocês querem dizer com isso? Ou com o fato de eu poder ficar presa para sempre?
-Ah ele te contou isso? –Regno respondeu de forma pensativa. –Bom, há um certo limite de tempo em que você pode ficar neste mundo antes de ser considerada um habitante e permaneça aqui.
-...
-Claro, eu pretendo deixa-las voltar antes que chegue a esse ponto, mas isso varia de pessoa a pessoa. –Ele explicou. –Eu só não esperava que seu caso fosse sério a ponto de você não durar nem um dia aqui.
-... Então o que eu faço?
-Bom, esse é um lugar de ilusões e de não existência. –Ele explicou, admirando o jardim. – É só você criar laços com alguém de seu mundo para validar a sua existência.
Alice engoliu em seco.
-Não é tão difícil quanto aparenta. –Ele sorriu. –Afinal, você conheceu duas pessoas não é? A senhorita Marie e Anini.
-Nós não nos tornamos amigas.
-Bom, o fato de elas terem o interesse de ser sua amiga já é um começo. –Ele alargou o sorriso. –Eu vou chamar a Anini para passar um tempo com você, assim isso lhe ganhará algum tempo, mas como ela não poderá passar o tempo todo com você é melhor que você também tente se aproximar dos outros uma vez ou outra está bem?
-... Certo.
-Albafica?
-Vou cuidar dela como você me pediu.
-Ótimo, obrigado como sempre.
-...
-Há algum problema?
-Senhor Regno, a Anini não é ...?
-Irei explicar mais tarde, por hora eu pretendo conversar com o senhor Dégel.
-00-
-Ei Shion, vamos explorar!
- Senhorita Marie, Senhor Shion, gostaria que eu levasse as suas bagagens enquanto fazem isso? –Perguntou Erin. – Ah! E por favor, não saiam das imediações do jardim, não gostaria que vocês se perdessem no primeiro dia.
-Opa, sério? Muito obrigado!
-Deixe-me ajuda-la. –Lucca se ofereceu enquanto Marie saltitava para dentro do matagal, puxando Shion que tinha uma expressão mortificada.
-Você não precisa se incomodar Lucca. –Erin falou pegando a bagagem com facilidade, colocando dentro de uma carruagem que apareceu do nada. –Afinal, você são convidados.
-Eu insisto. –Disse ele pegando a bagagem de Marie e colocando dentro. –Afinal, é farta de cavalheirismo deixar uma garota carregar peso sozinha não é?
-Nesse caso fico honrada. –Ela respondeu, fechando a porta e subindo no assento que dava para a condução. –Se o senhor quiser você pode ir atrás da senhorita Marie.
-Oh eu faço isso mais tarde quando ela estiver menos elétrica. –Ele riu. – E também é bom ela passar algum tempo com outra pessoa além de mim.
-Compreendo. –Erin sorriu levemente. –Bom, nesse caso, depois de eu colocar as malas nos quartos você poderia me acompanhar?
-Hum? Ah claro. –Ele concordou, subindo no banco e se sentando ao lado dela. –Mas... Para onde?
-Para o lugar onde você estava. –A expressão dela ficou séria por um momento, -A porta que dá ao espaço entre os dois mundos.
-00-
-Ok, e agora? O que eu faço? – Erika perguntou-se, se sentindo entediada enquanto andava pelos imensos jardins.
Não que a vista não fosse incrível e ela não estivesse impressionada, mas era a primeira vez que tinha liberdade ilimitada e não precisava se preocupar em ser seguida e nem com questões sobre as gangues.
-Bom, suponho que tenho o tempo inteiro para pensar nisso. – Ela disse se sentando no chão e encostando a cabeça no tronco da árvore e fechando os olhos.
-Ei! Erika! –Uma voz familiar chamou o seu nome e ela se viu obrigada a abrir os olhos quando uma sombra bloqueou o sol, encontrando com o rosto sorridente de Dio.
-... O que você quer? –Perguntou ela franzindo o cenho.
-Wow! Você é mau humorada como o Kárdia comentou! –Dio gargalhou, fazendo com Erika estreitasse os olhos.
-O que ele sabe sobre minha pessoa? Nada!
-Ah ele sabe sim. –Dio se aquietou. –Ele me contou que você era filha do chefe da gangue rival, que odeia doces e fala palavras difíceis!
-Como ele tem conhecimento dessas informações? – Erika arqueou a sobrancelha com uma expressão neutra.
- Ele disse que já te encontrou algumas vezes, e que te achou estranha.
-Estranho é ele, eu sou apenas... Peculiar.
-O que?
-Diferente.
-Ah... Legal! –Dio respondeu, abrindo a boca em formato de "O".
"Esse garoto tem retardo mental ou alguma coisa do gênero?" – Perguntou-se Erika.
-Ei! Já sei! –Ele bateu palmas. – Você poderia me ensinar palavras novas? Eu adoraria aprender! Sabe, eu tenho muita dificuldade de ler os livros que o Dégel e meu irmão mais velho escreviam!
-Eu não sou sua tutora e nem tenho interesse de ser.
-Por favor?
-Não.
-O que custa?
-Custa meu tempo. –Replicou. –Por que você não vai se divertir com o Kárdia? Lembro de vocês mencionarem brincar de faz de conta.
- Ah certo, é verdade! –respondeu Dio, o que indicava que ele tinha esquecido completamente o que combinara. –Obrigado! Eu tinha me esquecido!
-De nada, agora vá! –Erika fez gestos de dispensa.
Dio fez menção de sair, mas parou no último instante, olhando Erika de forma fixa e com a expressão incerta.
-Algo mais em que poderia ajudá-lo? –Erika cruzou os braços.
-Você está gostando de nosso mundo?
-Não sei, acabei de chegar minutos atrás, não dá para avaliar. –Respondeu com um tom de sarcasmo.
-Ah é verdade. –Dio riu sem jeito, antes de olhar em um ponto qualquer com uma expressão vaga, se abaixando e a olhando nos olhos. –Ei, o que faria se você não for líder da sua gangue ou seguir o caminho que você traçou para si mesma?
- Como é?
- Kárdia adora uma boa briga mas detesta que mandem nele e o enjaulem, por isso ele escolheu a liberdade acima de tudo. –Revelou Dio. –Ele nunca mais vai voltar ao mundo dele.
-...
-Ou era isso que eu achava. –Pausou. – Se ele realmente quisesse permanecer aqui ele deveria ter evitado falar com você.
-Por que?
-Porque você é a única coisa que o conecta ao mundo real.
-00-
-Ei Aurora devagar! –Dohko parou, se apoiando em uma árvore para respirar.
-Não.
-Ei! Espera! Eu sou um ano mais velho que você! –Disse ele em tom de brincadeira. –Não que eu saiba sua idade exata mas... Bom, eu acredito que seja mais velho que você, então me dá um desconto!
-... Você não é tão velho assim. –Aurora parou olhando-o com a sobrancelha levemente arqueada.
-Eu sei. –Ele admitiu com uma gargalhada. –Antigamente era bem atlético, mas ficar horas com o traseiro enquanto estuda atrofia os músculos de qualquer um não é?
-...
-Ah! Ela me ignorou de novo! –Ele riu quando Aurora se distraiu com uma borboleta de cores brilhantes que pousou perto de onde ela estava.
Sem dúvida a garota era incomum. Teve alguns momentos que ele pensou que ela tinha autismo ou algum problema do gênero mas viu que o modo dela agir não batia exatamente com os sintomas, ela era apenas socialmente reclusa.
"Ah... Quando teve alguns momentos em que ela decidiu manter um contato social eu pensei que ela estava sendo menos arisca mas pelo jeito essa é uma situação instável"
Como ele faria para que isso se tornasse permanente?
Talvez...
-Ei Aurora, poderia tomar um pouco do seu tempo? –Perguntou Dohko, tocando no ombro da garota. –São só alguns segundos.
-...Ok. – A garota o encarou quando a borboleta voou longe.
-Bom... –Ele pigarreou. – Como eu percebi que você ainda não se sente confortável em falar comigo eu decidi estabelecer uma regra.
-Tá.
-Você nem vai questionar que regra é essa? – Ele cruzou os braços. – Oh bem, a regra é essa: Eu só vou ouvir dez palavras do que você disser e o resto eu vou ignorar, e o mesmo se aplica a mim, você escolhe ouvir somente dez palavras do que eu disser.
Aurora piscou, de forma confusa.
-Como assim?
-É exatamente o que eu disse, dez palavras, eu vou contar nos dedos quando falarmos. –Ele tentou se segurar para não rir da expressão de confusão dela. – De uma em uma hora só podemos falar 10 palavras está bem?
-Eh...
-Bom, espero que você se divirta. –Ele falou, andando na direção oposta. –Até mais!
-00-
-Ah! Vamos visitar o maninho Mark! –Garnet cantarolou de forma animada enquanto sua montaria, um avestruz, corria.
-Senhorita Jane, como você conheceu o senhor Dégel? –Perguntou Aurum com um ar interessado.
-No trem.
-Hum... Ultimamente ele tem usado muito o trem.
-Ele ainda acha que o nosso irmão vai voltar?
-É, eu acho que sim.
-De quem vocês estão falando? –Jane perguntou.
-Do terceiro mais velho.
-É, ele foi o mestre do senhor Dégel e cuidava da biblioteca que o Dégel herdou!
-Mark começou a trabalhar com o senhor Dégel após o desaparecimento não é?
-Bom, de todos nós, ele era o mais apegado a ele não é?
-É sim.
-Como esse seu irmão desapareceu? – Inquiriu.
-Ninguém sabe. Provavelmente o Dégel sabe mas ele não quer contar nada.
"Mais uma coisa para acrescentar a minha lista de coisas que preciso perguntar"
-Ah! Chegamos! – Anunciou Aurum.
-Impressionante. – Jane assobiou quando viu o tamanho do monumento.
Havia um imenso portão prateado conectado a várias construções cilíndricas por meio de pontes, sendo que no centro dessa mini-cidade estava um castelo colossal, com vários ramos verdes pendendo de um dos balcões superiores.
-O seu irmão tem um gosto bem extravagante.
-Bom, ele quis fazer um cenário incrível baseado em um livro e também para ter espaço para colocar todos os livros que encontrava e também aqueles que ele mesmo escrevia.
-Hum, certo, esse lugar é enorme. –Jane olhou a tudo com calma incomum, já que qualquer outra pessoa já estaria maravilhada com o cenário. –Como vamos encontra-lo?
-Provavelmente ele deve estar no jardim principal.
-Esse jardim fica muito longe?
-Não muito, por que?
-Por que eu não quero entrar dentro de uma biblioteca com um avestruz!
-00-
-Então essa não é a sua irmã. –Dégel repetiu.
-Exato, essa é a minha sobrinha, filha dela. –Confirmou Regno.
Dégel andou fechou os olhos de forma pensativa.
De todas as situações que poderia imaginar essa era a mais improvável de acontecer.
-Ele... Sabe disso?
-Não. –Negou Regno. – Como você sabe, ele desapareceu; nem mesmo eu posso localizá-lo.
-...
-De quem... Vocês estão falando? –Perguntou Anini se remexendo na cadeira de forma inquieta.
-Do terceiro filho e irmão de puro sangue de sua mãe.
-Ah... O que aconteceu a ele?
-Assim que sua mãe desapareceu meu mestre enlouqueceu. –Explicou Dégel. – Ele estava procurando sem parar por uma forma de trazê-la de volta, então ele foi ao mundo de vocês para buscar pistas.
-... Há quanto tempo foi isso?
-15 anos.
-Oh... Os outros devem ter sofrido com o desaparecimento dele não é?
-E como. –Regno suspirou de forma cansada. –Foi um golpe tremendo em nós, Mark foi o mais afetado já que ele era bem próximo.
-... Também era assim com minha mãe? –Perguntou Anini balançando os pés de forma inconfortável.
-Todos nós adorávamos sua mãe e éramos muito apegados a ela. –Respondeu Regno. –Mas... Se você quiser ser bem específica, o caçula foi o que mais se alterou com a perda.
-Entendo...
-Regno. –Chamou Dégel notando a expressão de Anini. – Eu ainda acho que o seu plano é sem fundamento.
-Eu estou dando a opção a Anini de decidir se quer ou não.
-Certo, mas se ela se recusar você vai manda-la de volta ao lugar onde veio para que os outros não a vejam não é?
-...
-Regno, eu entendo que você queira proteger os seus irmãos da verdade mas pense um pouco na garota em questão. – Disse Dégel com um olhar sério. – Qual o problema de ela se apresentar como sobrinha?
-... Eu teria que explicar coisas que preferia não revelar.
-... Você se refere ao incidente?
-Sim.
-O que de fato aconteceu nesse dia?
-Lamento meu amigo mas não posso revelar. –Regno respondeu.
-Com licença. –Anini tossiu nervosamente.
-Sim pequena?
-Eu... Vou concordar em fingir ser minha mãe. – Ela respondeu, sua voz cheia de hesitação. - ... Mas com uma condição.
-Qualquer coisa que eu puder oferecer.
-Primeiro, além de você tem mais alguém que saiba sobre mim?
-Além de mim tem a Erin; a quarta filha e Arkheim, o caçula.
-Certo, então... Eu gostaria de ser tratada como eu mesma ao invés de ser vista como minha mãe enquanto eu estiver a sós com qualquer pessoa que saiba sobre mim.
-... Está certo.
-... Se "ele" soubesse que a sua mãe "está" aqui com certeza ele largaria tudo e voltaria.
-O meu tio de puro sangue.
-Sim.
-Como é esse meu tio? –Perguntou Anini subitamente interessada.
-Bom...
-... Eu vou deixar os dois a sós para não atrapalhar o seu momento em família. – Dégel se levantou. –Além do mais, eu tenho que voltar a biblioteca e organizar alguns livros.
-Certo, obrigado por tudo. –Agradeceu Regno, recebendo uma educada mesura do outro como resposta.
-Regno?
-Oh, perdoe-me. – Regno riu. –Bom, como posso dizer... Ele é o irmão que mais acerta nas decisões, e também o carisma que eu não possuo.
-00-
Mundo Real, Catedral antiga.
-Muito obrigado pela generosa doação senhor. –Agradeceu uma velha senhorinha, uma freira respeitável em seus 70 anos. –Peço desculpas por não poder acompanha-lo, mas é por que minhas costas não são como antigamente.
-E nem é necessário que a senhora faça tal esforço. –Garantiu o rapaz de cabelos azul acinzentado e gentis olhos azuis escuros como o céu estrelado que usava um pingente com uma bola vermelha de vidro pendurada no pescoço, ocultada pelo cachecol. –Eu posso procurar sozinho.
-Bom, para falar a verdade... –Hesitou a velha senhora.
-Sim?
-Uma das meninas do convento se candidatou a servir como sua guia após descobrir como o senhor doou parte de sua fortuna a esse monastério e também quando soube que eu não tinha condições de recebe-lo.
-E onde está essa gentil senhorita?
-Vindo em alguns minutos, provavelmente está terminando de rezar. –Falou a senhora com um sorriso orgulhoso. –Espero que o senhor não se incomode.
-De forma alguma. –Negou o estranho.
-Eu gostaria de pedir desculpas novamente, pois eu preciso me retirar, é hora de tomar o meu remédio e repousar, lamento por deixar o senhor sozinho.
-Não há problema, eu agradeço pela companhia.
-Muito obrigado senhor.
-00-
Assim que acabara de rezar Rosemary Collins decidiu trocar de vestes e colocar a roupa do convento, comprida, recatada e que escondia a maior parte da sua pele dourada pelo sol e também suas pernas torneadas e ligeiras curvas.
Mas havia outros aspectos de sua aparência que não eram cobertos pela longa roupa, como os lábios pequenos e rosados, nariz arrebitado, o rosto assimétrico o fato de ser alta e principalmente os seus olhos azuis, intensos e expressivos.
Teve um pouco de dificuldades já que não podia ficar de pé por que não tinha mobilidade nas pernas, mas era bem persistente.
-Filha.
-Mãe. –Sussurrou Rosemary segurando a mão da mãe, que estava deitada na cama. –Eu tenho que ir.
-Ok, vá com cuidado.
-00-
Quando chegou ao salão principal avistou um rapaz de cabelos cinza azulado sentado pacientemente em um banco, parecendo entretido em seus pensamentos.
"Será ele o senhor que fez a doação?" – pensou ela com estranheza já que ele aparentava ser muito jovem.
-Boa tarde. –Cumprimentou educadamente.
O rapaz se virou e a encarou com espanto, o que não era de se admirar, já que com certeza não esperava que alguém em cadeira de rodas fosse ser sua guia.
-Boa tarde. –Ele respondeu, fazendo uma leve mesura. -... Por acaso a senhorita seria minha guia?
-Sim. –Ele confirmou, e ao ver a expressão incerta ela adicionou rapidamente. – Eu trabalho aqui para ajudar com as despesas, então não precisa se sentir desconfortável.
-Peço desculpas se agi de forma rude. –Ele pareceu sem jeito.
-Não há problemas nenhum senhor. –Respondeu ela com um sorriso. – Ah! Como eu tinha mencionado eu serei sua guia, meu nome é Rosemary Collins.
-Encantado em conhece-la. –Ele respondeu fazendo outra mesura quando sentiu o olhar dela sobre si. -... Lamento, mas eu não posso revelar o meu nome.
-Oh... – Ela se sentiu um pouco desapontada e sentiu vontade de perguntar o motivo, mas achou que seria rude demais então guardou os pensamentos para si.
-Não pense mal de minha pessoa. –Ele começou a falar, parecendo notar o desapontamento. –Estou proibido de falar o meu verdadeiro nome, até mesmo o nome que usei para as transações é falso.
-Hum... Se me permite perguntar... –Hesitou. –Por que?
-Se eu disser o meu nome uma maldição cairá sobre mim. –Respondeu de forma misteriosa.
-Compreendo. –Ela replicou apesar de em verdade, não ter entendido o que o rapaz queria dizer com aquilo. – Mas... Se o senhor não pode me dizer o seu nome de que forma eu deveria me referir...?
-A senhorita será minha guia por toda a minha estadia não é?
-Sim.
-Bom, creio que ter um nome para me chamar seja necessário nesse caso. – O rapaz pareceu ponderar por alguns segundos. – Então... Que tal a senhorita me oferecer um nome?
-Oferecer um nome?
-Como desculpa por não poder dizer o meu. –Ele sorriu. – Qualquer nome que você criar eu atenderei por esse nome se você me chamar.
-Hum...
Ela olhou com atenção para o gentil estranho.
Havia algo etéreo sobre o rapaz, desde a cor incomum de cabelo, rosto fino, pele aparentando ser macia e também os olhos mais incríveis que já vira. Apesar de ela também ter olhos azuis os dela não apresentavam pontos luminosos que lembravam a noite sem nuvens em um local onde o céu era limpo.
-Bom... Que tal... "Angel"? –Ela sugeriu.
-Angel?
-A-Ah, peço desculpas, não foi uma boa sugestão.
-Não, é um nome bonito. –Os lábios se curvaram para cima e o brilho nos olhos pareceu se intensificar.
-Senhor Angel onde o senhor-
-Não precisa me chamar de senhor.
-Hum?
-Eu prefiro ser chamado pelo nome que a senhorita me ofereceu.
-C-Certo. –Ela corou levemente, sem saber o que dizer. – S- Angel, onde gostaria de ir?
-A biblioteca do monastério.
-000-
COMUNICADO IMPORTANTE:
Gostaria de pedir desculpas a linanime, a Jules Heartilly e também a todas as minhas leitoras! (e leitores se tiver)
Os pares que eu coloquei no segundo capítulo estavam trocados (eu já corrigi o erro), na verdade, o Par da Erika é o Kárdia e o Par da Jane é o Dégel!
Novamente, desculpas!
FIM DO COMUNICADO
Ah, e eu finalmente introduzi a ficha final, e como dá para perceber, o par da Rosemary é o irmão gêmeo da Anini que ainda não vou revelar o nome verdadeiro O3O.
...
Bom, acho que é só, agora para as reviews:
Jules Heartilly – Cara, desculpa por ter demorado tanto para cair a ficha! Não é à toa que eu estranhei quando você falou "apesar de não serem par" ou botar o Kárdia para ter ciúme, espero que você não se importe de sua personagem ser com o Dégel, já que era isso que eu tinha (e tenho) em mente para a história.
Agora que o Dohko está colocando restrições a Aurora vai ficar que nem barata tonta sem saber como reagir XD, vai ser fofo e hilário HAHAHAH.
Ah... Pois é, sem ideia para atualizar as fics, sinto falta do Aonis, mas ele não é tão ruim quanto o Arkheim (esse sim, é um lazarento)
O Shion tá precisando de umas pingas ou suco de maracujá para se acalmar HAHAHA!
