Pois muito bem, como eu já disse no primeiro capítulo, estou fazendo algumas pequenas mudanças. Como eu postei um atras do outro, não recebi nenhuma Review, então seja uma pessoa maravilhosa e escreva para mim, okay?
Vou gostar de saber o que você pensa sobre meu jeito de escrever, minha visão dos personagens ou qualquer outra coisa que você queira me dizer.
Eu vou me esforçar pra escrever um terceiro capitulo bem legal pra vocês, mas eu só vou postar se eu ver que a galera ta gostando do meu trabalho, então por favor, deixem seus comentários!
Ansiosa pra ver o que vocês estão achando!
Com muito muito carinho,
Mari.
Capítulo 2 -Revelações
Mas é claro que eu não me deixei abalar por aquele beijinho do Potter, se é o que você está pensando. Não teve nada de romântico naquilo. Nada. Aliás, esse foi um beijo igual ao que recebi uma vez de um garoto que morava na minha rua, Drake, quando eu tinha 7 anos e dizíamos por ai que éramos namorados.
Não que eu queira sair por ai dizendo que James é meu namorado. Porque eu não quero.
O caso é que, se eu fiquei um pouquinho... alterada, pelo beijo no rosto que eu recebi, é porque estava meio carente. Só isso.
- O James é tão fofo!– disse Alice entre risinhos, depois de eu contei sobre o resgate-à-Lily.
- Calma ai, senhorita – Lene interveio – não se esqueça do seu namorado.
- Ah, ele supera.
- Lily teve mesmo muita sorte. Se Black e Potter não tivessem por perto, sabe Merlin o que aquele seboso faria – Emily parecia mesmo muito animada com aquilo tudo.
- É, sorte – falei entre um suspiro, me lembrando o que tinha acontecido depois do resgate.
- Que suspiro foi esse? – tudo bem, talvez eu não tenha contado a historia inteira.
-Nada. Quero dizer, nenhum. Não teve suspiro nenhum.
- Ah, teve sim.
- Eu só estou meio cansada, gente, okay? Não acordei muito bem hoje, estão lembradas?
- Achei que a poção do Sirius tivesse ajudado.
- Ajudou, mas mesmo assim, meu dia não foi dos melhores até agora.
- Ta, mas o que eu quero mesmo saber: como foi que o Sirius não arrebentou a cara do Snape? – disse Emily.
Tive que rir para essa pergunta. Duvido que Sirius se importaria de socar a cara de Snape, e verdade seja dita, eu gostaria de ver a cena.
Eu e Severus costumávamos ser os melhores amigos. Ele me ajudou muito na época que eu descobri que era uma bruxa. Eu era muito nova, e perdi todos os meus amigos depois que a minha irmã começou a espalhar pela vizinhança e pela escola que eu era "uma aberração ambulante que não merecia amizade de ninguém". Daí comecei a passar mais e mais tempo com ele. E quando viemos para Hogwarts, ele me contava tudo o que sabia sobre a escola.
As coisas começaram a desandar depois que eu fui escolhida para a Grifinória. Parece que ele aderiu à regra "Você é da Sonserina? Ótimo! Odeie todos os grifinórios" muito bem. Não que ele me tratasse mal nem nada, mas ele não suportava ficar perto de mim quando as meninas estavam por perto. Mas tudo bem, eu nunca suportei aquele pessoal com quem ele andava, de qualquer forma.
Ai teve aquela vez, no quinto ano, quando tudo deu errado e nossa amizade acabou. Potter e Black, como sempre, estavam testando a paciência de Snape. Eu não podia ver tudo aquilo e ainda ficar calada. Era pura maldade o que os meninos estavam pra fazer, entende. Tirar as calças do pobre Severus e tudo o mais. E quando eu tentei ajudar ele, ele me chamou de sangue ruim. Doeu muito, sabe, ouvir meu melhor amigo me xingando daquela maneira. Foi ai que eu percebi que as más influências tinham mudado mesmo o Sev.
Nunca mais dirigi uma palavra a ele sem que fosse absolutamente necessário, e...
- Bom – Marlene interrompeu meus pensamentos – essa conversa esta muito legal e tudo o mais, mas tenho um horário livre e estou indo até a biblioteca, alguém se oferece a me acompanhar?
Meia hora mais tarde, eu estava empoleirada em uma mesa num canto da biblioteca, lendo "História da Bruxaria – edição especial" enquanto Lene folheava desesperadamente as páginas de um livro de poções.
Ela disse que queria estudar um pouco, já que esse ano temos os N.I.E.M's, e ela quer manter as notas altas para poder seguir a carreira que ela quiser. Não que ela saiba o que quer fazer. Nem eu mesma sei direito que quero.
- Isso nunca vai entrar na minha cabeça! Eu vou ficar louca de tanto estudar, Lily!
- Calma, Lene. O ano mal começou.
- Você diz isso porque não precisa estudar tanto quanto eu! – ela protestou – você sempre vai bem nas provas sem precisar estudar mais do que duas horas.
- Isso porque eu não deixo pra estudar no ultimo segundo. E você deveria seguir meu exemplo, se quiser alcançar uma boa nota nos N.I. – eu disse rindo.
Marlene fez um biquinho, mas logo se recompôs e tirou uma mecha de cabelo da frente dos olhos.
- Esse ano vai ser diferente – prometeu – vou estudar da maneira certa.
- Acredito em você –sorri encorajadora – se precisar de ajuda, é só me pedir.
- Lily, Lily, sempre tão doce e meiga.
Voltei a minha atenção ao livro. Depois de alguns capítulos, coloquei ele de lado e olhei pela janela. Eu estava tão cansada que seria capaz de pedir a Remus para me encobrir na ronda naquela noite. Mas eu não podia fazer isso. Especialmente sendo o dia que era. Não, eu teria que aguentar.
BUM!
- Que diabos...? – Lene começou a perguntar, mas uma segunda explosão aconteceu e alguns livros caíram em cima de sua cabeça – ai!
Levantei de vagar e espiei o corredor, tomando cuidado para que ninguém me visse. Vários livros estavam espalhados pelo chão, e alguns papéis voavam pra lá e pra cá, enquanto caiam suavemente.
- Eu te pedi pra se comportar! – ouvi uma voz cansada – não quero ser expulso da biblioteca novamente!
- Ah, qual é? Você sabe que eu odeio esse lugar – Sirius resmungou – Eu queria estar la fora fazendo alguma coisa mais legal, tipo me afogando.
- Sinta-se a vontade então – Remus replicou.
- Vamos lá, Moony, dê uma chance a ele – Potter disse persuasivo [e me perguntei se é assim que ele convence Remus a entrar nas brincadeiras bestas dos Marotos] – só foram duas explosõezinhas dessa vez.
- É, eu só estava tentando transformar esse lugar sem graça em um lugar mais legal – Sirius se defendeu.
Ah, Sirius, mas que desculpinha mais esfarrapada, pensei.
- VIVA! É FESTA! – Sirius chutou alguns dos papéis que estavam no chão, fazendo todos eles voarem novamente.
- Calado, Sirius! Você esta em uma biblioteca! – Remus disse impaciente
- Ops! Desculpe, papai. Vou me comportar.
Mas antes mesmo de terminar a própria frase, Sirius já havia apontado a varinha para mais uma prateleira.
- Nem pense nisso – eu disse saindo do meu esconderijo.
- Evans! – Potter passou a mão pelos cabelos – nós só estávamos...
- Poupe-me de suas desculpas, ta bem? Você e seu amiguinho ai, me acompanhem.
Passei por eles com boa postura, e com o nariz mais empinado que consegui. Olhei Remus de canto de olho, e vi que ele me encarava com as bochechas coradas. Minha boa postura foi pro espaço.
- Oi, Remus – eu disse sorrindo, enquanto colocava a franja atrás das orelhas – Te vejo na ronda mais tarde?
- Na verdade – ele disse meio sem graça – hoje eu não posso Lily.
Droga, esqueci.
- Deve ter algum engano no cronograma – ele continuou – hoje eu não posso. Será que você poderia me encobrir por essa noite?
Vi uma expressão se formando no rosto de James, e eu daria qualquer coisa pra saber o que era.
-Hm... Claro, Rem – respondi meio chateada (não sei se pelo fato de não saber o que se passava pela cabeça de James, ou porque não faria a ronda com Remus) – a gente se vê outra hora então.
- Tchau, Evans! – respondeu Sirius, já pronto para dar no pé.
- Nada disso, Black. Você e seu amiguinho podem me acompanhar – comecei a andar bem depressa, e vi James correr pra me alcançar.
- Por você eu iria a qualquer lugar, ruivinha – ele disse com um sorriso do rosto.
- Que tal você ir pro inferno, então? – bufei.
- Ai, não precisava ser tão grossa– Sirius protestou, juntando-se a nós – achei que você fosse a boazinha da turma.
- Que veneno – completou James.
A esse ponto, já tínhamos passado alguns passos da porta da biblioteca. Eu parei e me virei para eles, me concentrando pra manter as feições calmas, e não mostrar o quanto eu estava magoada por ter sido chamada de venenosa.
-Olhem – eu disse com a voz meio esganiçada – essa é a terceira vez em duas semanas que vocês atrapalham a paz da biblioteca, eu não aguento mais ter que chamar a atenção de vocês por causa disso, e também...
- Ta bom, Evans – James disse impaciente – pode nos dar a sentença e seguir sua vidinha.
- Da pra deixar eu terminar, Potter? – tentei não gritar – Vocês merecem sim uma bela detenção. Contudo, pela ajuda que vocês me deram hoje, eu vou liberar vocês dessa vez.
- Cê ta falando sério?
- Deve ser brincadeira! Lily-Evans-A-Toda-Certinha nos dando uma chance?
- Uau, Prongs, não vamos perder nosso compromisso!
- É um milagre dos céus! A Evans deve estar com febre. Você esta se sentindo bem? – ele encostou as costas da mão na minha testa, como se checasse minha temperatura.
- Calem a boca antes que eu mude de ideia – virei as costas e sai correndo.
- Então foi isso? – Marlene perguntou assim que eu acabei de relatar o acontecimento da biblioteca – Lily, foi só mais uma discussão. Não é como se fosse a primeira vez que eles dizem uma coisa dessas...
- Eu sei.
- Então por que você esta tão alterada?
Encolhi os ombros e olhei para o meu pé.
- Você gosta mesmo deles, não é? – Lene sorriu pra mim.
Sabe, essa não é uma coisa que eu goste de admitir, e ARGH, não acredito que eu vou mesmo dizer isso. Mas eu gosto muito desses meninos. Do Potter e do Black, eu digo. Por mais que eu grite, xingue, e seja muito contra àquelas atitudes deles de azarar as pessoas sem motivo nenhum, eu gosto deles. As vezes as piadinhas do Sirius são um saco, e ficar aguentando o ego inflado do James é uma tortura, mas muitas vezes ficar com eles rendem muitas risadas. Sim, eu sou uma carrasca com eles. Mas eles merecem todas as broncas que recebem. Não é legal atacar os outros, como eles fazem. Mesmo que " os outros" sejam da Sonserina ou qualquer coisa do tipo.
Assenti e olhei manhosa para Lene, que ainda me olhava com um sorriso.
- Bom, apesar de tudo, eu gosto deles, e não foi legal ter eles me chamando de grossa e venenosa. Especialmente o James.
- Especialmente o James – ela repetiu arqueando as sobrancelhas. Eu podia sentir o divertimento em sua voz.
Ok, não me julgue. Eu sei que nunca dou uma chance ao James, e as vezes parece que eu odeio ele acima de qualquer outra pessoa no mundo. Tem horas que eu mesma acredito nisso. Mas tentem entender, por mais que eu tente esconder, eu gosto quando ele me chama pra sair. Quero dizer, que garota não gostaria de um encontro com James Potter, não é mesmo? Mas aí é que ta. Eu não quero ser como as outras. E o caso é que ele não gosta de mim de verdade. Como ontem, ele me chamou pra sair duas vezes, e logo depois já estava se agarrando com a Janneth. Isso só mostra que eu não significo tanto pra ele como ele diz que eu significo. E é por isso que eu fico muito nervosa e chateada as vezes.
E é por isso também que eu não me deixo ser amiga dos Marotos. Se eu começar a gostar do Potter, gostar de verdade, eu só vou sofrer. Porque eu vou ser só mais uma babaca apaixonada pelo cara que nunca vai se amarrar por ninguém em toda a sua vida. Ai, Deus, por que isso tem que ser tão confuso?
- Lily Evans, quando você vai admitir que é caidinha por ele?
- Para, Lene! – eu disse exasperada – Eu não sou caidinha por James Potter.
- Ta bom, ta bom – ela levou as mãos pro ar, como se estivesse se rendendo – eu só acho que esta demorando muito pra vocês dois perceberem que nasceram um para o outro.
- MARLENE!
- Ta, ta bom! Parei! Hm.. Escuta, Lily, eu vou pro Salão Comunal, okay? Já esta tarde, e eu prometi a Alice que ajudaria ela com o dever de Trato das Criaturas Mágicas...
- Okay, a gente se vê depois.
- Boa ronda! – Ela gritou, já se afastando às pressas.
- Marlene MacKinnon, nada de correr pelos corredores! – eu gritei de volta, exercendo minha função de monitora.
Suspirei e voltei a andar lentamente, olhando o piso do castelo. Era realmente um saco ter que monitorar sozinha. Quando Remus esta comigo, nós sempre rimos e conversamos sobre mil e uma coisas diferentes, mas sem ele as noites de ronda são cansativas e tediantes.
- Ora ora – disse uma voz no final do corredor – achei que a gótica do cabelo de cavalo nunca fosse embora!
- E quem é você pra falar do cabelo de alguém, Seboso? – eu respondi olhando para o garoto que se aproximava.
- Ah, Srta. Evans, não é assim que se fala com seu querido amigo de infância! Modos, por favor.
- O "querido" ficou para trás há uns dois anos, Snape. O que você quer?
- Terminar nossa conversa, é claro! – ele disse com um sorriso no rosto. Ah, como eu gostaria de tirar o sorriso desse rosto.
- Vai conversar com o polvo gigante! Aproveita e vai morar com ele no fundo do Lago Negro!
- Lily, você não muda – ele disse rindo. RINDO DE MIM – você nunca foi boa com insultos, não é mesmo?
Opa, perto de mais, Snape.
- Da pra manter distancia? – perguntei irritada – não quero respirar o mesmo ar que você.
- Que pena. Sabe, eu não pude evitar ouvir a conversa de vocês. Então você esta caindo no charme daqueles nojentos, Lily?
- Esta com ciúmes, Sev?
- Não vai achando que eu vou deixar você se engraçar com aqueles Marotos ridículos!
- VOCÊ ACHA QUE EU VOU PEDIR SUA PERMISSÃO? – não evitei gritar – eu fico com quem eu quiser, não é da sua conta!
- Você é mesmo uma vadiazinha, como o pessoal sempre me falou.
- Vai começar a me insultar agora?!
- Eu esperava mais de você, Evans – ele disse com nojo na voz – mas o que eu poderia esperar de uma sangue r...
PLAFT.
Levei minha mão ao rosto dele. E com muita força.
Ele ficou me olhando estupefato, e eu não vi o que ele fez ou disse depois disso, pois eu me virei e corri, antes que ele pudesse reagir.
Não vi exatamente pra onde eu estava correndo. Meus olhos marejados não me deixavam enxergar claramente, eu só tomava cuidado pra virar as esquinas dos corredores e não bater com a cabeça em uma parede.
- Idiota, cretino, mesquinho – eu ia xingando enquanto deixava meus pés liderarem meu caminho.
E ai, eu trombei no poste mais macio que eu já tinha visto. O poste me segurou pelo pulso ao que eu cambaleei para trás, antes que eu caísse.
- Evans?
Oh, não. Por favor, que meus ouvidos estejam me enganando. Por favor, por favor, Merlin, não permita que essa voz seja dele. Não, ele não pode me ver chorar, não pode.
- Potter – eu disse ao olhar pra ele.
- O que faz correndo desse jeito? Está chorando? – ele completou após me olhar atentamente.
- Não – funguei e limpei o rosto com as costas da mão.
- Esta sim! – Ele disse exasperado – Evans, o que houve?
Eu me sentei, encostada em uma das paredes. Ele se sentou do meu lado, e continuou me olhando fixamente, com o olhar cheio de preocupação.
Ótimo. Porque com tudo o que esta na minha cabeça, eu precisava mesmo justo do Potter aqui pra me aconchegar nesse momento.
- Não foi nada, Potter, ta bem? Esquece, você não entenderia.
- Dia ruim?
-Dia péssimo – funguei mais uma vez.
- E por que a certeza de que eu não seria capaz de entender?
- Porque sua vida é perfeita! Amigos perfeitos, notas perfeitas! A pior coisa que pode acontecer é pegar uma detenção, e nem com isso você se importa!
- O quê? – ele disse confuso – Evans, seus amigos e suas notas também são perfeitos! Do que é que você esta falando?
- Snape – eu disse baixinho.
- O que aquele ranhoso fez? – ele tinha um peso na voz – não me diga que ele usou...
- Não, ele não usou aquela porcaria de poção. Mas ele me ameaçou. E ele me xingou, Potter... E sabe-se lá o que ele vai fazer com aquilo!
- Ele não vai fazer nada contra você – disse confiante.
- Se você diz – não tinha porque discutir com ele.
Ficamos em silêncio por uns instantes, e então as palavras saíram da minha boca antes mesmo que eu pudesse para-las.
- Você me acha mesmo venenosa?
- O QUÊ? – parecia que eu havia esbofeteado a cara dele, pelo jeito com que ele me olhava – Evans, shhh, não, não precisa chorar –ele me abraçou meio sem jeito, mas os braços dele se encaixaram perfeitamente ao redor dos meus ombros, e eu estava mesmo muito confortável ali – é claro que não. Não me diga que era por isso que você estava chorando!
Apenas funguei mais uma vez, me aconchegando mais em seu abraço.
- Evans, eu nunca diria aquilo de verdade. Era só o calor do momento, não foi a primeira vez que a gente discutiu.
- Desculpe – eu disse me afastando dele – o dia foi mesmo ruim, não tem importância. Devo estar de TPM.
- UGH – ele respondeu – as mulheres definitivamente deviam ser proibidas de passar por isso.
- Concordo – dei um riso fraco.
Acho que eu estava corando. Eu só podia estar corando. Senti meu rosto ficar muito quente. James Potter me deu um beijinho e um abraço no mesmo dia. Respira, Lily, respira.
- Você não devia estar em... outro lugar, Potter? –olhei profundamente pra ele.
- Hum... Eu já estava voltando pro Salão Comunal.
Ta bom, James, como se eu estivesse falando do Salão Comunal.
- Só ia pegar algumas coisas pra comer, já que eu não jantei – ele continuou – mas acho que posso esperar um pouco.
Dei um sorriso fraco pra ele, que retribuiu.
- Foi muito legal da sua parte não nos dar uma detenção pelo lance da biblioteca – ele disse depois de um momento.
- Eu devia essa a vocês.
- É, acho que eu não vou escapar na próxima, então?
- Não conte com uma próxima, Potter – eu disse sorrindo.
Ele jogou a cabeça para trás e riu.
- Certo, vou me lembrar.
E foi ai que a coisa mais estranha aconteceu. Potter e eu passamos a próxima hora falando de coisas absurdamente aleatórias. Demos muita risada quando ele imitou o jeito engraçado do Doggory de falar, e ele fingiu surpresa quando contei minha versão da historia de quando Sirius saiu no murro com um quintanista.
Foi muito legal passar aquele tempo com o Potter. Nós nunca tínhamos passado tanto tempo junto sem uma briga atrapalhar o momento. E quer saber, ele é mesmo muito legal quando ele é apenas ele. Sabe, sem tentar aparecer e tudo o mais.
- Acho melhor você ir – anunciei – já esta na hora de você escapulir do castelo.
- O que?! – ele perguntou confuso – do que você esta falando?
Dei um sorriso maroto –HÁ! Entenderam?
- Só diz um oi pro Remus pra mim – foi o que eu respondi – E... toma cuidado, ta bem? É uma situação perigosa, não sei como vocês lidam com isso tudo.
- De que situação você esta falando, se é que eu posso saber? – ele se fez de desentendido.
- Você sabe, esse lance do Rem ser um lobisomem.
Ele jogou a cabeça para trás e começou a gargalhar.
- Você é mesmo incrível, Lily! – Ele disse – descobriu tudo sozinha?
- Tudo não – admiti – Mas foi bem fácil ligar os pontos.
- Essa baixinha é muito inteligente!
- EI! – eu levantei num salto – não sou tão baixinha! Tenho 1,60cm!
- Claro, Evans, porque 1,60cm é digno de uma pessoa muito alta – ele revirou os olhos e se levantou, como se pra exibir o próprio tamanho. Que era bem maior que o meu, devo dizer.
- Vai se achando, vai, Potter – eu disse divertida – mas eu vou tirar esse seu sorrisinho da cara quando eu descobrir o resto dos seus segredinhos.
- Ah, Evans, ia ser tudo tão mais fácil de você soubesse de todos os meus segredos...
- Pode começar então –cruzei os braços no peito esperando que ele dissesse alguma coisa.
- Quem sabe outra hora – ele riu – eu preciso mesmo ir. E você também, pelo visto – ele riu mais ainda quando eu bocejei.
- Acho que minha cama esta gritando por mim – comentei – então até amanha...
- Boa noite, ruivinha – ele sorriu largo.
Me pus nas pontas dos pés para poder depositar um beijo no rosto do James, e sai andando a passos rápidos, enquanto ouvia ele suspirar e dizer de novo, dessa vez mais para si mesmo:
- Boa noite, ruivinha.
