Discleimer: Inuyasha e Cia. Não me pertencem, mas a história sim.

Comer dar sono, e dormir da fome.

Projeção astral.

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Vá para luz!

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_Se quer minha opinião, você desaparece sempre que se irrita. – assustei-me ao ouvir a voz de Inuyasha vinda de trás de mim, sendo que a menos de um segundo ele estava na minha frente, e virei-me assustada, lá estava Inuyasha encostado ao batente da porta com uma lata de coca cola na mão, ele não sabe que isso da úlcera?

_Eu fiz de novo, não é? – perguntei o óbvio.

_Fez. – ele respondeu entrando e fechando a porta atrás de si – Você é muito esquentada.

_Não sou não. – neguei vendo ele se sentar na beirada da cama – Você que é irritante.

_Ou as duas coisas. – ele deu de ombros tomando um gole de sua coca.

_Isso causa ulcera. – comentei.

_Definitivamente é a Kagome. – ele me olhou com um sorrisinho.

_Então você acredita que sou real? – perguntei sem conseguir evitar um sorriso.

_Eu sei que você é real. – ele afirmou, fazendo meu sorriso aumentar.

_E sabe que eu sou eu? – meu sorriso aumentou ainda mais.

_Sei se não eu já tinha contratado um exorcista ou sei lá. – respondeu-me Inuyasha.

_E vai me ajudar? – agora estou radiante.

_Não. – ele respondeu, espera um pouco enquanto eu recolho minha cara que acabou de cair no chão?

_O que, que é isso? Psicologia? Dois "sim" e um "não"? – para tudo, que eu não entendi nada!

_Não sou psicólogo, e você sabe disso. – respondeu-me calmamente.

_E não vai me ajudar por quê?

_Porque você é minha melhor amiga. – respondeu.

Ah tá, saquei, ele não vai me ajudar porque, segundo ele, sou a melhor amiga dele, então Deus me livre de saber como ele trata os inimigos!

Trinquei os dentes, tentando não me irritar muito, não quero desaparecer de novo, acho que Inuyasha tinha razão quando disse que eu desapareço quando fico brava.

_Esta tentando controlar a raiva. – ouvi Inuyasha rir.

_Como você sabe? – perguntei.

_Você está oscilando.

Pisquei confusa, e olhei para minhas próprias mãos, elas estavam transparentes e tremulas, mas não tremula do tipo que uma pessoa fica quando tá com frio, mas sim tremula do tipo que a água fica quando a gente joga algo nela, logo supus que meu corpo inteiro estivesse daquele jeito, até que minutos depois voltei a normalizar-me, se é que se pode chamar de normal conseguir atravessar tudo que é sólido.

_Uau! – exclamei.

_Você tem uns poderes de fantasma bem legais! – exclamou Inuyasha – Aposto que também pode voar!

_É eu posso. – cerrei os olhos e cruzei os braços – Mas não sou fantasma.

_Deve ser algo bem parecido, ao menos. – ele sacudiu a mão através de mim, deixando clara a falta de meu corpo físico.

_Pare com isso! – tentei agarrar-lhe o pulso, mas é claro, foi em vão, o que fez Inuyasha rir de mim, mas ao menos parou de balançar a mão através de mim – Voltando ao que interessa, porque não vai me ajudar?

_Porque você é minha melhor a...

_Isso é motivo para me ajudar e não o contrario! – interrompi contrariada, mas então respirei fundo, não posso irritar-me demais.

_Eu não vou ajudar você a atravessar a luz e me abandonar aqui, que droga Kagome! – ele irritou-se.

Espera um pouco... Luz? Mas que luz?

_De que luz você está falando? – indaguei.

_Aquela luz no fim do túnel que todo mundo vê quando morre! – Pai do céu, ele ainda não entendeu que eu não morri? – Olhe em volta Kagome, você deve está vendo alguma luz te chamando! – ele jogou o braço livre para o ar.

Eu olhei em volta, com muita atenção, mas não vi luz nem uma, olhei de novo, e continuava sem ver luz alguma.

_Não vejo luz nem uma seu pateta. – respondi olhando-o tediosamente – E para sua informação, eu não morri, e se visse uma luz no fim de um túnel eu ia correr dela e não para ela, porque certamente seria um trem, ok?

_Então você não quer atravessar a luz? – perguntou-me abismado. – Não que passar para "o outro lado da vida"?

_É claro que não. – girei os olhos – A vida após a morte pode esperar até depois de eu morrer de verdade. – enfatizei as ultimas palavras. – E esse negócio de "o outro lado da vida" parecesse... Sei lá, refrão de filme.

_Porque é um refrão de filme. – ele sorriu. – Mas então... – ele fez uma pausa para tomar outro gole de coca cola – Se não que passar para o outro lado da vida, o que você quer?

_Quero que me ajude a acordar. – respondi – Caso não tenha percebido, eu já estou em coma há dois anos, já é hora de eu acordar, não acha? – continuei quando o vi franzi o cenho.

_Não sei não. – ele respondeu pensativo – Porque tem aquela minissérie "o vidente", onde o cara sofreu um acidente e ficou em coma por dez anos, ai quando ele acordou descobriu que havia desenvolvido poderes paranormais e podia ter visões de pessoas que nunca viu na vida, apenas tocando num objeto que pertenceu a elas. – ele sorriu meio aéreo – Quem sabe se você ficar em coma por mais oito anos...

_Ei, isso aqui não é televisão! – exclamei. – E ainda estou na escola lembra? Já perdi dois anos, não posso perder outros oito!

_E o que você vai fazer se eu não te ajudar? – me perguntou com um sorriso cínico.

Cerrei os olhos de novo, esse garoto é impossível!

_Eu vou procurar algum paranormal sensitivo ou sei lá. – respondi.

_Ah sei. – ele sorriu aéreo de novo – Que nem naquele filme "vozes" onde...

_Eu já disse que isso aqui não é televisão. – murmurei.

_Kagome. – ele me chamou de repente muito sério.

_O-oque? – gaguejei.

_Eu vejo gente morta. – sussurrou.

_Você vê o que? – arregalei os olhos achando ter ouvido errado.

_Não. – Inuyasha começou a rir descaradamente, pilantra está gozando de mim! – Agora é a hora em que você tinha que perguntar, "com que frequência?" e ai eu respondia "o tempo todo", como naquele filme "O sexto sentido".

_Seu pilantra, você me assustou! – exclamei – Eu já te disse que isso aqui não é televisão!

_Calma. – ele me disse entre gargalhadas – Não se irrite, sabe o que acontece quando se irrita... Você tinha que te visto a sua cara!

_Eu não fiquei brava, só me assustei! – comecei a tentar bater nele, mas meus punhos só o atravessavam – Seu idiota não faça mais isso!

_Esta... Esta bem, se acalme. – me disse parando de rir e enxugando as lágrimas do canto dos olhos.

Palhaço! ¬¬

_Agora vamos. – ele se levantou e deixou a lata vazia em cima da mesa onde fica o computador, e depois foi até a porta onde estava pendurado um casaco.

_Vamos aonde? – perguntei, desconfiada de que ele fosse falar de outra coisa que viu na televisão.

_Ao infinito e além! – exclamou jogando o punho para cima.

_Pare com isso, já disse, repeti e repeti de novo, isso aqui não é televisão! – Nota mental: dar um jeito de fazer Sesshoumaru cortar a televisão da vida de Inuyasha.

_Ok. – ele sorriu – Mas admita essa foi uma pergunta idiota, afinal a resposta é óbvia.

_Muito bem se é tão óbvio diga de uma vez!

_Nós vamos ao hospital te acordar é claro. – me respondeu.

Eu olhei para ele com cara de: Você pirou?

_Você não pode fazer isso!

_Porque não? – perguntou-me abrindo a porta do quarto e me esperando com ela aberta.

_Eu estou em coma! – respondi me levantando da cama – Não dá pra você simplesmente ir lá me sacudir e manda-me acordar, porque eu não vou!

_Eu sei disso. – ele deu de ombros saindo do quarto logo atrás de mim e fechando a porta atrás de si – É por isso que você vai voltar para o seu corpo.

_Como disse? – Acho que além de ter perdido meu corpo físico, e minha noção de tempo, eu também perdi a minha audição.

_Você vai voltar para o seu corpo. – repetiu colocando o casaco e apanhando um molho de chaves que estava num pratinho artesanal em cima de uma mesinha próxima a porta.

_Não Inuyasha, eu não posso. – aproximei-me dele aflita – E se eu não acordar, e ficar presa no meu corpo?

Por alguns meros segundos eu vi uma centelha de preocupação passar pelos olhos de Inuyasha, mas logo ele sorriu tentando me acalmar.

_Nunca saberemos se não tentarmos. – Ele abriu a porta e esperou que eu saísse. – Ah e mais uma coisa. – acrescentou – Não vou falar com você em publico.

_Por quê? – perguntei já no corredor.

_Porque não quero pagar papel de louco que fala sozinho. – respondeu saindo e fechando a porta atrás de si.

_Tudo bem. – sorri, enquanto nos dirigíamos ao elevador.

A viagem até o hospital foi tranquila, o metro até que não estava tão cheio (o que me foi uma grande surpresa) tinha até dois lugares juntos para sentar, onde eu e Inuyasha nos sentamos, e seguimos calados ouvindo os burburinhos das poucas pessoas que estavam lá, isso até uma mulher quase sentar em cima de mim e eu ser obrigada a pular para o lado, e ainda pude ouvir o Inuyasha rindo baixinho, canalha!

Eu me sentei em outro lugar, e não demorou muito, Inuyasha sentou-se ao meu lado, felizmente ninguém mais tentou sentar em cima de mim, e pouco depois estávamos descendo em nossa estação, duas quadras antes do hospital.

Quando nós paramos em frente ao hospital eu senti um arrepio, como se alguém descesse um cubo de gelo por minha espinha, e tentei pegar a mão de Inuyasha, momentaneamente esquecida de minha condição, mas é claro, minha mão atravessou a dele, que nem sequer notou meu movimento, nós entramos e paramos na recepção onde Inuyasha deu meu nome completo e informou esta ali para uma visita, a enfermeira que estava ali o olhou com um olhar penoso, quase como se quisesse dizer:

"Desista meu filho, ela não vai acordar".

E isso me deu vontade de chorar, logo depois ela informou a Inuyasha em qual quarto de que andar eu me encontrava, mesmo que Inuyasha já soubesse chegar até lá de olhos fechados.

_Mana você não esta vendo a luz? – ouvi uma voz estranhamente familiar dizer, e, de alguma forma, eu sabia que estava falando comigo, olhei em volta procurando, mas não havia ninguém falando comigo.

_O que foi? – ouvi Inuyasha sussurrar.

_Você não ouviu? – perguntei, e quando ele não respondeu nada expliquei – A voz.

Vi Inuyasha me olhar pelo canto dos olhos, mas depois voltou a olhar para frente, e seguimos caminhando até que eu ouvi novamente:

_Você pode ir, eu prometo que não vou ficar bravo.

_Olha a voz ai de novo! – exclamei.

_Eu não ouvi nada. – murmurou Inuyasha, novamente me olhando de canto.

_Mas eu...

_Eu vou cuidar da mamãe e do vovô por você. – a voz interrompeu-me – E do Buyo também.

Foi ai que eu comecei a correr, não sabia para onde e nem porque, apenas comecei a correr, não porque eu queria, mas porque minhas pernas haviam desenvolvido vida própria, dobrei corredores e subi escadas, atravessei pessoas e o que mais estivesse na minha frente, e por fim atirei-me contra uma porta branca cujo número gravado não tive tempo de olhar.

_Mana, quando você for para a luz eu... Prometo que não vou chorar. – dizia um garotinho de cabelos escuros ao lado de minha cama.

Parei perplexa, quem era aquele menino? Porque ele me parecia tão familiar? Porque ele estava me mandando ir? E ir para onde?

_Vá mana, vá! – ele me incentivou – Vá para a luz!

_Não Kagome! – exclamou Inuyasha abrindo a porta em um baque e fazendo-me saltar para o lado de susto – Fique longe dessa luz!

_Mana você tem que ir! – apressou-se o garotinho, correndo para o outro lado da minha cama.

_Não! – gritou Inuyasha correndo para o lado de minha cama – Não vá!

_O papai! – disse o garotinho – Ele deve está te esperando mana, vá logo!

_Ele pode esperar, fique Kagome! – exasperou-se Inuyasha – Não vá!

_Eu... Estou bem aqui. – informei meio constrangida.

_Kagome, por favor, fique comigo! – disse Inuyasha me ignorando completamente.

Sinto-me invisível.

_Inuyasha você tem que a deixar ir! – o garotinho olhou furioso para Inuyasha, e foi só então que eu vi seus olhos, exatamente iguais aos meus.

_Souta. – sussurrei.

_Ela não vai a lugar algum! – disse Inuyasha.

_Mana! Mana! – exasperou-se Souta – Você tem que ir para a luz!

_Mas que luz? – perguntei aflita – Não vejo luz alguma!

_Não vá Kagome, a luz é ruim! – disse Inuyasha

_Não mana, a luz é boa! – contradisse Souta.

_Mas que luz, criaturas?

_Apague essa luz! – ordenou-me Inuyasha.

_Parem com essa gritaria! – urrou a enfermeira mal humorada que eu havia visto outro dia, abrindo a porta de repente e quase nos matando de susto, inclusive eu pude ver meu coração disparar através daquele aparelhinho conectado ao meu corpo – Pelo amor de Deus, isso aqui é um hospital!

_Desculpe-nos enfermeira...

_Fora! – ela interrompeu Souta – Os dois saiam daqui agora!

_Mas... – Inuyasha tentou argumentar.

_Não! – ela vociferou – O horário de visitas já acabou!

Eu, Inuyasha e Souta olhamos o relógio que havia na parede, faltava mais de uma hora para encerrar o horário de visitas.

_Mas ainda são...

_Para vocês o horário de visita já terminou! – ela interrompeu irada – Saiam daqui e vão fazer essa algazarra lá fora!

Souta e Inuyasha correram para fora numa fração de segundos, mas mesmo assim eu pude notar o olhar de Inuyasha para mim, carregado com um pedido de desculpas.

_E você mocinha! – disse a enfermeira, com sua voz naturalmente grossa.

Congelei de medo, será que ela ia me mandar para fora também? Mas eu sou a paciente em coma! Ela não pode me colocar para fora! E além do mais, ela não pode me ver, pode?

_Trate de acordar logo! – ela apontou seu dedo para meu corpo, estendido na cama – Já não suporto a confusão que esses dois armam toda santa semana! – e com uma rebanada ela voltou-se e saiu, fechando a porta, mas não antes de dizer – Sua família deveria ter dado ouvidos ao doutor e desligado seus aparelhos de uma vez!

Fiquei ali sozinha no quarto de hospital, apenas eu e meu corpo, e quando dei por mim já estava sentando na cadeira ao lado da cama que Souta ocupara antes.

_Bem, acho que é hora de acordar. – sorri fracamente para meu corpo.

Não sei por que, mas tenho a ligeira impressão de que as coisas não serão assim tão fáceis.

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Pois é, um mês após minha ultima postagem estou aqui mais uma vez *risada maligna* não vão se livrar de mim tão facilmente!

Espero que tenham aproveitado o capitulo, e o que vocês acharam?

Será que Kagome vai conseguir voltar ao seu corpo e despertar?

Quero review's! \o/

Respostas as review's:

Priscila Cullen: Valeu, espero que tenha achado graça nesse também, é ele demorou a cair na real, ou quase né, porque pelo jeito ele tá achando que isso é televisão.

Dreime: Que bom que gostou! ^^

É, é realmente uma pena que os filmes de terror não sejam assim, mas pensando bem, se fossem assim, não seria terror, seria comédia! ^^

Pamela Evans: Muito obrigada.

Kah: Oi! Respondendo rapidinho porque impus a mim mesma de postar hoje e nem um dia a mais!

Valeu, e desculpe tê-la feito esperar! ^^

Gabyh: Sim até que enfim (ou quase porque pelo jeito ele tá achando que isso é televisão! ^^). Ficou com pena? Pois eu não tive pena nem uma! *risada maligna* Ele merece!

Quanto à da geladeira... É eu acho que também nunca mais ia abrir ela!