Discleimer: Inuyasha e Cia. Não me pertencem, mas a história sim.
Se o meu sorriso mostrasse o fundo de minha alma, muitas pessoas, ao me verem sorrir, chorariam comigo.
Projeção astral.
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Mentirinha fofa.
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Eu tentei juro que tentei voltar para meu corpo, e não foi uma nem duas, mas várias vezes! Só que não deu em nada, e a prova disso sou eu perambulando por esse hospital, enquanto meu corpo permanece inerte lá no quarto. Não sei ao certo quanto tempo fiquei lá, do jeito que vai a minha noção de tempo não duvido nada que tenham sido dias.
Primeiro eu sentei-me sobre meu corpo, e quando não senti nada eu me deitei, fiquei ali por algum tempo e me sentei de novo, suspirei e voltei a deitar, apenas para sentar-me novamente logo em seguida, fiquei de pé, andei pelo quarto, ouvi o burburinho nos corredores do lado de fora, vi os pássaros do lado de fora através da janela, depois tentei voltar para meu corpo novamente, e não deu em nada, e fiquei daquele jeito, "senta, deita, levanta e anda em círculos pelo quarto, senta e deita, levanta de novo" por muito tempo. Mas nada consegui, senti quase como se eu já não estivesse ligada ao meu corpo.
Foi quando eu simplesmente desisti, e sai do quarto a procura do Inuyasha, talvez ele já houvesse ido embora há horas ou dias, (afinal já não tenho noção alguma de tempo), mas felizmente o encontrei, estava no corredor do hospital, com uma barra de chocolate na mão sentado numa cadeira ao lado de Souta, os dois pareciam resmungar um com o outro.
Ah irmãozinho...
Respirei fundo e caminhei até eles, parei bem a frente de Inuyasha, mas ele não me viu porque estava distraído discutindo com Souta, sobre eu ir ou não para luz, girei os olhos.
_Chocolate dá espinhas, você sabia?
Inuyasha voltou-se para mim no mesmo momento, e seu olhar encontrou-se com o meu, Souta pareceu confuso, pois olhou para Inuyasha e depois para a direção que ele olhava, sem me ver, é claro, sorri triste com aquilo, e Inuyasha pareceu perceber, porque olhou para ele como se o fosse bater.
_O que foi? – perguntou, sem entender absolutamente nada.
_Nada. – bufou Inuyasha – E Kagome não vai para a luz, entendeu? Ela vai acordar.
Neste momento ele me olhou pelo canto dos olhos, e eu podia ler claramente a mensagem ali decodificada:
"O que ainda faz fora de seu corpo?"
_Eu não pude voltar para meu corpo. – suspirei.
Ele voltou a me olhar diretamente, sua boca abriu-se, como se a qualquer momento ele fosse urrar "como assim não pode voltar?", enquanto que seus olhos ficaram enormes, e eu achei que a qualquer momento iriam pular para fora de seu rosto, sabe tipo aqueles desenhos animados? Essa não! Só algumas horas na presença dele e já estou ficando com a mente deficiente que nem a dele!
_Ela não vai acordar Inuyasha. – suspirou Souta, completamente sem esperanças. – Ei Inuyasha o que foi? – perguntou quando percebeu o olhar de Inuyasha para mim, ou do ponto de vista dele, para o nada – Está se sentindo bem? Quer que eu chame um médico?
_Eu estou bem.
Ele respondeu se levantando e me atravessando, respirei fundo para não me irritar e tentei falar o mais mansamente possível:
_Não faça isso.
Ele parou de andar, mãos nos bolsos, acenou com a cabeça tão levemente que Souta não percebeu o movimento, e continuou a caminhar, eu queria segui-lo, mas não pude, olhei para meu irmão, que balançava os pés no ar e brincava com as mãos, parecia um pouco triste, comovi-me com aquilo e sentei ao seu lado, onde Inuyasha estava antes.
_Você se sente sozinho, não é? – perguntei, mesmo sabendo que ele não me ouviria, e simulei passar o braço ao redor dele e deitar minha cabeça sobre a dele, mas na verdade eu não me sentia abraçando a nada, e sabia que ele também não sentia nada o abraçando – Eu vou acordar maninho, eu prometo. – suspirei fechando os olhos.
Inuyasha deve ter percebido que eu não o seguia, porque voltou, mas eu só me dei conta disso quando ouvi seu pé batendo impaciente no chão, e logo em seguida Souta perguntou:
_O que foi?
Neste momento abri os olhos, e antes que Inuyasha dissesse alguma coisa, se é que ia dizer, eu perguntei preocupada:
_Ele vai para casa, sozinho?
Inuyasha limpou a garganta, e perguntou a Souta, respondendo-me indiretamente:
_Como é que seu avô e sua mãe te deixam vir para tão longe, sem a companhia de um responsável?
_É isso que esta te incomodando? – perguntou Souta, e senti que ele franzia o cenho.
Separei-me de meu irmão, eu sabia que não era aquilo que estava incomodando Inuyasha, mas sim o fato de eu não o ter seguido, é claro que ele não falaria nada sobre aquilo.
_Para a sua informação já sou bem grandinho, faço nove anos daqui a dois dias. – Souta cruzou os braços, desafiador – Posso andar por ai sem me perder.
Nove anos em dois dias? Balancei a cabeça, fiquei tempo demais em coma, lembro-me perfeitamente que antes de ser atropelada, Souta tinha sete anos e três meses. Ouvi Inuyasha resmungar alguma coisa e se afastar.
_Inuyasha! – gritei, mas desta vez ele não parou, apressei-me a alcança-lo – Você não pode deixar Souta ir embora para casa, sozinho!
_Porque não? – murmurou despreocupado.
_Porque é muito longe! – postei-me a sua frente, da forma mais autoritária que pude – Pode acontecer algo a ele!
_Kagome. – Inuyasha suspirou o mais baixo e paciente possível – Seu irmão já vem visita-la sozinho, desde que você estava em coma há somente três meses, e nada aconteceu a ele, porque acha que aconteceria agora?
Por um momento fiquei em choque, como assim desde que eu estava em coma há três meses? Quer dizer que ele anda sozinho por aquela cidade perigosa, sem qualquer proteção desde que tinha sete anos e meio, enfureci-me com minha mãe, e fechei os olhos tentando conter minha fúria, que diabo ela esta pensando? Pra deixar uma criança pequena, como o Souta, andar sozinho por ai?
_Mãe! – berrei abrindo os olhos novamente, e tão furiosa eu estava que nem sequer surpreendi-me de está no templo Higurashi, minha casa, ao invés de no hospital.
Sem pensar eu corri para a casa, percebi então que antes estava no topo da escada do templo, entrei ali atravessando as portas, não sabia o que poderia fazer, mas imaginei que talvez, enfurecida como estava, eu pudesse causar um pequeno "postergaste", qualquer coisa que servisse como um sinal, para os dois irresponsáveis que eram meu avô e minha mãe, e faze-los não deixarem mais que Souta fosse sozinho para o hospital, me visitar.
Encontrei-os conversando na cozinha, mas minha fúria desapareceu quando ouvi o que conversavam:
_Este Souta. – dizia minha mãe. – Garoto teimoso, será que não entende o quanto é perigoso ficar fugindo de casa para ir ver a irmã no hospital?
_Esse menino parece que é seletivamente surdo. – disse meu avô – Já cansamos de dizer a ele que quando vamos visita-la todas as terças e quintas, ele pode ir conosco, mas ele insiste em continuar fugindo de casa todos os sábados.
Então estamos num sábado? Ou estávamos? Eu já não sei, posso ter desaparecido por um ou vários dias.
_Talvez eu deva colocar grades na janela do quarto dele. – disse minha mãe abaixando a cabeça, percebi então que ela não tinha culpa de absolutamente nada.
_Não vai adiantar, ele sempre vai arranjar um jeito de fugir para ver a irmã, sábado após sábado. – contrariou meu avô.
Espere um pouco, Souta fugia de casa para ir ver-me no hospital? Recostei-me ao batente da porta dando-me conta que mamãe e vovô não tinham culpa de nada, e franzi o cenho, porque cargas d'água eu achei que eles teriam uma irresponsabilidade dessas? Foi então, que me lembrei, das palavras de Inuyasha.
_ Como é que seu avô e sua mãe te deixam ir para tão longe, sem a companhia de um responsável?
Minha expressão tornou-se sombria, e eu só tive certeza de que não havia desaparecido de novo porque vovô e mamãe continuavam sentados à mesa, aquele pilantra!
Já estava no corredor, em direção à porta de saída, quando ouvi as vozes, de minha mãe e meu avô novamente.
_Papai, acha que Kagome acordará um dia? – perguntou minha mãe, totalmente sem esperança.
_Sim filha. – respondeu meu avô, embora não houvesse um só pingo de confiança em sua voz – Ela vai acordar um dia, vai sim. – ele parecia querer convencer a si mesmo.
Eles tinham perdido a esperança, Souta, mamãe e vovô, nem um deles acreditava que eu iria voltar a abrir os olhos. Sai daquela casa com o coração destroçado.
Eu sei que é dramático, mas não posso evitar, se é como eu me sinto Ok?
Eu caminhei pela rua, só então percebendo já ser de noite, até me entediar e segui o resto do caminho voando para o apartamento de Sesshoumaru e Inuyasha, esse negócio de voar a hora que quiser esta começando a divertir-me, pousei exatamente no meio do quarto de Inuyasha, que estava entretido brincando com algum jogo na internet, de costas para mim.
_Bonito hein senhor Taisho? – falei cruzando os braços – Me deixa furiosa e depois vem jogar joguinhos on-line.
Inuyasha girou a cadeira de forma despreocupada e perguntou-me tediosamente inocente:
_O que foi agora?
_Me fez acreditar que minha mãe meu avô eram dois irresponsáveis que deixavam Souta andar sozinho pela cidade! – acusei apontando para ele.
_E não deixam? – perguntou-me.
_Claro que não! – cruzei os braços – O pestinha foge de casa.
Inuyasha riu, na verdade gargalhou.
_Claro, eu já devia desconfiar que fosse isso.
Neste momento, baixei a guarda.
_Então não sabia?
_Claro que eu não sabia. – ele negou ainda risonho – Pelo amor de Buda, eu já não vejo sua família, além de Souta, a mais de um ano Kagome.
_Porque não? – perguntei desconcertada.
_Porque nunca tombei com seu avô ou sua mãe no hospital, apenas Souta uma vez ou outra. – ele deu de ombros.
Balancei a cabeça.
_Não foi mais ao templo? – perguntei.
_O que eu iria fazer lá? – ele franziu o cenho – Ouvir histórias do seu avô? Cozinhar com a sua mãe? Jogar bola com seu irmão?
_Então é assim? – bufei – Eu fico em coma e você para de visitar o templo!
_Do que esta falando? – ele me perguntou – Sabe que eu nunca fui visitar o templo, apenas você.
_Mentira! – bati o pé no chão – Me lembro de que logo que nos conhecemos, você foi ao templo comprar um amuleto!
_Ah, aquilo? – Ele deu de ombros – Foi só uma desculpa para você falar comigo.
Alguém pode, por favor, quebrar a casca do ovo? Eu acabei de ficar chocada.
Certo, eu devia ficar alegre com aquilo, e pensar coisas do tipo "Ah que fofo, ele arranjava desculpas só para ir me ver e falar comigo!", mas ao invés disso tudo o que consegui pensar foi:
"Como assim, esse sacana me passou a perna, foi isso?" – trinquei os dentes – Inuyasha Taisho!
_Ei se acalme! – Inuyasha ergueu as mãos em sinal de paz – Você está oscilando de novo.
_Seu grande mentiroso duas caras! – deixei escapar, virando-me e puxando os cabelos – Todo esse tempo eu achava que você ia visitar o templo, quando na verdade você ia me visitar!
_Kagome! – exasperou-se Inuyasha, atrás de mim – Porque está tão aborrecida?
Eu parei de surtar, cocei a cabeça pensativa, que dizer ele mentiu pra mim, é verdade, e a mamãe sempre disse que mentir é muito feio, só que essa mentira dele, de repente, me pareceu muito... Fofa.
_Porque você mentiu? – perguntei me voltando para ele ainda pensativa – Podia só chegar e dizer "Oi eu sou Inuyasha, e você?", sabe que nem gente normal...
_Acho que fiquei nervoso. – ele cruzou os braços atrás da cabeça.
_Mas você continuou visitando o templo mesmo depois de nos tornamos amigos.
_Como você é boba Kagome. – ele disse sem olhar-me – Eu estava indo visitar você mulher!
_Mesmo assim não devia ter mentido. – Suspirei e sentei-me em sua cama. – Menti é pecado sabia? – cruzei as pernas.
Inuyasha sorriu para mim, e recurvou-se sobre os joelhos, com o rosto entre as mãos.
_Então "Srta. Certinha" o que quer que eu faça com relação, ao "meu grande pecado"?
_Bem... – olhei pensativa para o teto – Você podia ir visitar o templo Higurashi para se purificar.
_Você é uma criatura extremamente manipuladora, Kagome Higurashi. – Inuyasha fez uma careta.
Ri com gosto daquilo, e balancei minha cabeça afirmativamente.
_E Inuyasha?
_O que?
_Que discursão foi aquela entre você e Souta, sobre eu ir ou não para a luz? – disparei. – Você sabe que eu estou bem aqui!
_Ah, aquilo. – Inuyasha constrangido coçou a cabeça – É que sempre que encontro Souta no hospital, ele esta te mandando "deixar esse mundo e seguir para a luz", e aí eu me descontrolo, porque não quero que você vá embora.
_Ai que fofo! – exclamei, antes que pudesse me segurar, e Inuyasha ficou vermelho.
_Naquele momento no hospital, eu... Acho que me deixei levar.
_Acha? – perguntei, e ele ficou ainda mais vermelho, é melhor fazer outra pergunta, antes que a cabeça dele entre em combustão instantânea – Por quanto tempo eu sumi, desta vez?
_Umas dez horas, pelo menos. – respondeu-me distraído.
Franzi o cenho, dando-me conta de que não sabia que horas eram, e nem o dia da semana em que estávamos.
_Quando estamos?
_Quando? – Inuyasha riu um pouco, girei os olhos sabendo que lá vinha besteira pela frente – Isso parece coisa daquele filme "O exterminador do futuro".
_Que seja. – respondi aborrecida, porém não o bastante para começar a oscilar – Responde logo.
_Sábado, 13 de fevereiro – respondeu.
_Horas. – exigi.
_O que?
_Você ouviu.
Inuyasha suspirou e resmungou alguma coisa, e virou-se para o computador, antes de finalmente responder:
_20h17min. Satisfeita?
_Quase. – sorri, lembrando-me de outra pergunta – Porque eu estava tão zangada com você, quando fui atropelada? – Inuyasha não respondeu – Inuyasha?
_Seu aniversário. – ele mudou de assunto – É daqui a menos de dois meses.
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Hum, eu não gostei muito desse capitulo, estava pensando em apaga-lo e reescrever tudo de novo, mas aí eu só ia porta no mês que vem. -.-'
Respostas review's:
Dreime: Que bom pena que este de agora não saiu tão legal.
Priscila Cullen: Não, ele não é retardado, e como pode ver ele explicou o que foi. ^^
Joanny: Seja bem vinda, e eu espero que continue acompanhando.
Kah: Espero que tenha gostado do capitulo, então.
Gabyh: Eu? Abandonar uma fanfic? Nunca! (COF COF)
Kiaraa: Muito obrigada, mas antes dela voltar para o corpo estou planejando algumas trapalhadas KKK.
