Discleimer: Inuyasha e Cia. Não me pertencem, mas a história sim.

Comer dá sono e dormir da fome.

Projeção astral.

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Meu terrível acidente

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_Por quanto tempo vai ficar com essas roupas? – perguntou-me Inuyasha assim que entramos no apartamento – São muito estranhas.

_Eu não sei. – respondi dando de ombros – Não sei como troco de roupas assim de uma hora para outra, e até acho essas roupas confortáveis se quer saber.

_Então gosta dessas roupas? – ele olhou-me com uma sobrancelha arqueada.

_Gosto. – respondi rodopiando pela sala – São bem leves e macias além de quentinhas e confortáveis.

_Estranho muito estranho.

_Eu sei que as roupas são estranhas, mas...

_Não, não é isso. – interrompeu-me – É que é estranho você gostar dessas roupas já que as odiava antes do acidente.

_Verdade? – perguntei parando de rodopiar.

_É, e dizia que se dependesse de seu avô as únicas roupas que você usaria seriam essas e o seifuku escolar.

Sentei-me no sofá, totalmente abismada.

_Não me lembro de nada disso

_Você bateu com a cabeça muito forte. – afirmou sentando-se ao meu lado.

_Acho que sim.

_Você sente frio do jeito que está? – perguntou-me de repente.

_Não. – franzi o cenho com a pergunta repentina – Não sinto nada.

_Então como sabe que a roupa é quentinha?

_Não sei, eu só...

Antes que eu terminasse de falar alguém começou a bater na porta, Inuyasha e eu nos olhamos sem entender.

_Não pode ser Sesshoumaru, ele tem a chave. – afirmei, e Inuyasha concordou comigo – Você está esperando alguém?

_Ninguém.

_Então quem será? – ele balançou a cabeça e se levantou, já estava prestes a abrir a porta quando eu advertir – Não se deve abrir a porta sem olhar pra ver quem é primeiro, pois pode ser um bandido.

_Um bandido muito educado que bate na porta? – Inuyasha me olhou cético.

_Nunca se sabe. – dei de ombros. – Cautela e canja de galinha não fazem mal a ninguém.

Ele girou os olhos e voltou-se para a porta novamente, mas dessa vez hesitou um pouco e por fim olhou através do olho mágico, em seguida soltou um pesado suspiro e descasou a testa contra a porta.

_O que foi? – perguntei – Quem é?

_Sh! – ele fez – Fique quieta e talvez ele pense que não tem ninguém e vá embora!

_Você tem noção de que é o único que pode me ouvir, não tem?

Assim que fechei a boca uma voz veio do outro lado da porta.

_Inuyasha abre a porta cara, eu sei que está ai dentro.

Inuyasha lançou-me aquele olhar de "olha o que você fez!", mas eu não me importei porque estava concentrada em reconhecer aquela voz, que me parecia extremamente familiar, muito familiar mesmo, só não conseguia dizer a quem pertencia.

_Abre logo. – falei – Ele sabe que você está em casa.

Praguejando e a muito contra gosto Inuyasha abriu a porta.

_Quem está aqui com você? – perguntou um rapaz de cabelos negros e olhos azuis escuro, que eu achei extremamente familiar, entrando no apartamento. – Eu ouvi você falando com aguem.

_Ninguém. – respondeu Inuyasha fechando a porta em um baque. – Não estava falando com ninguém.

_Então estava falando sozinho? – ele sorriu para Inuyasha como se ele fosse louco.

_E o que você quer? – Inuyasha ficou emburrado.

_Isso é jeito de se receber um amigo que veio lhe fazer uma visita? – perguntou o outro se fazendo de ofendido.

Esse garoto, eu o conheço, eu tenho certeza que sim, mas não lembro quem ele é.

_É quando este amigo só veio visitar o seu computador ou a sua televisão! – retrucou Inuyasha mal humorado. – E essa mochila no seu ombro? – perguntou cerrando os olhos – Disse a sua mãe que ia estudar na biblioteca de novo e veio aqui, ver televisão ou navegar na internet, não é?

_Foi você quem disse não eu. – Ele deu de ombros e jogou a mochila que carregava no ombro para o sofá.

Eu gritei assustada quando vi aquela coisa enorme vir para mim, e tentei me desviar, mas fui muito lenta, só que a mochila me atravessou e chocou-se contra o sofá.

_Cuidado! – esbravejou Inuyasha.

_O que foi? – perguntou o rapaz olhando da mochila no sofá para ele.

Eu também fitava a mochila com um ar curioso, já que ela era perfeitamente visível através de meu ventre, depois acabei rindo um pouco, me levantando e indo me sentar no canto do sofá, Inuyasha pareceu-se acalmar com a minha risada, pois viu que eu não estava ferida, e como poderia?

_Faça logo o que veio fazer seu malandro. – resmungou Inuyasha sentando-se no sofá logo ao meu lado.

_Legal! – exclamou o outro pulando no sofá ao lado da mochila, que acabou ficando no meio entre ele e Inuyasha, já com o controle remoto em mãos.

_E o que vai assistir? – perguntou Inuyasha desinteressado.

Ao invés de responder ele olhou-o com um sorriso, mas não era um sorriso qualquer, era um sorriso... Pervertido!

Miroku! É o Miroku! Este sorriso sem duvida pertence à Miroku!

Comecei a rir de mim mesma, só então percebendo que eu me lembrava de Miroku, me lembrava de que ele era o melhor amigo de Inuyasha depois de mim, que quando Inuyasha não estava comigo estava com Miroku, que Miroku era um sem vergonha sem limites que estava sempre apanhando, mas simplesmente não me lembrava de seu rosto até então!

_Deixa, eu não quero saber. – Inuyasha girou os olhos, mas contrariando suas próprias palavras olhou para a televisão.

_De repente, senti um formigamento na nuca. – comentou Miroku esfregando a nuca distraidamente e ligando a televisão com o controle remoto.

_Como assim? – perguntou Inuyasha enquanto eu franzia o cenho.

_Não sei exatamente. – ele respondeu mudando os canais – É quase como se não estivéssemos sós.

_Sesshoumaru não está em casa. – falou Inuyasha.

Mas Miroku não respondeu nada, repentinamente muito interessado na televisão.

_Acho que ele está sentindo a minha presença, ou qualquer coisa assim. – conclui em voz alta para Inuyasha.

Afinal isso é meio que óbvio, já que Miroku foi nascido e criado em um templo budista, assim como eu, apesar de seu alto grau de perversão, ele tinha que ter pelo menos algum vestígio de poder espiritual.

Entretanto Inuyasha não me respondeu, pois assim como Miroku ele parecia ter sido hipnotizado pela televisão.

Curiosa eu voltei o rosto para televisão, e logo vi o motivo da fascinação daqueles dois sem vergonha: uma partida de vôlei de praia feminino, com direito a mulheres soadas e seminuas e tudo o mais.

_Vocês não vão mesmo ficarem ai babando feito idiotas por causa delas vão? – obviamente nem um dos dois me ouviu. – Bem, não vou ficar aqui o dia todo só vendo vocês babando, e sendo ignorada, vou dar uma volta. – avisei me levantando, não que um deles ligasse é claro.

Cruzei a sala e fui direto para o corredor seguindo em direção à cozinha, de braços cruzados, atravessei a janela e a parede para o ar livre e comecei a cair lentamente como se pesasse menos que uma pluma (o que eu não duvido nada) as roupas de miko esvoaçando ao meu redor e me faziam sentir uma sensação gostosa.

_Homens! – bufei girando os olhos. – São todos iguais!

No instante seguinte franzi o cenho sentindo uma sensação de dejávù, tenho a impressão de que já tivesse dito isto antes. Pousei no chão com a mesma leveza que havia flutuado de forma pensativa, tentando lembrar quando eu havia dito aquilo antes, e me pus a caminhar pela calçada de baixo do céu noturno com os braços balançando livremente ao lado do corpo.

Mas parei de caminhar, o que para mim pareceu minutos mais tarde, quando ouvi um som muito familiar, ao olhar para o lado deparei-me com a minha antiga escola, dei um pequeno sorriso, ao perceber que havia ouvido a campainha da escola, e olhei para o céu, apenas para constatar que já havia amanhecido e devia de ser por volta de entre sete e oito da manha.

Certo, pensei comigo mesma, caminhei a noite toda e nem me dei conta, agora no mínimo deve ser segunda-feira, isso sendo otimista, porque se eu for pessimista vou acabar concluindo que caminhei por um ano inteiro ou mais e nem me dei conta, de qualquer forma Inuyasha deve estar lá dentro agora.

Quando fiz menção de entrar no prédio alguém me segurou o pulso, o que de fato me surpreendeu. Já que tudo até agora só fazia me atravessar.

_O que...? – ao olhar para trás deparei-me novamente com a menina branca, aquela mesma que havia me ensinado a voar e que ainda carregava um espelho com a outra mão – É a menina branca.

_Menina branca? – ela perguntou com sua voz baixinha.

Senti-me desconcertada em explicar aquilo.

_Quer dizer... É que você tem a pele tão clarinha, e seus cabelos são tão branquinhos, assim como as suas roupas... E...

_Você não deve entrar naquele prédio Kagome. –advertiu-me a menina branca, largando meu pulso quando percebeu que eu não ia fugir.

_Por quê? – perguntei voltando-me inteiramente para ela. – Há algo que vá me machucar lá dentro?

_Não fisicamente.

_Isso é meio óbvio, já que meu corpo está num hospital bem longe daqui. – comentei olhando para o céu. – Desculpe, não quis se grossa! – apressei-me a dizer.

_Está tudo bem. – ela falou, mas foi só isso, não deu nem um sorrisinho, o que me deixou meio temerosa se realmente estava tudo bem – Há doze anos e alguns meses que não falo com ninguém, então não me importa que sejam grossos desde que falem comigo.

_Você não parece ter doze anos. – falei franzindo o cenho – Em que hospital está seu corpo?

_No cemitério que só falta você. – arregalei os olhos e me engasguei – Tudo bem?

_Sim... Não! – respondi ainda me engasgando – Eu dispenso o convite.

_O que?

_Nada. – balancei a cabeça – Então você esta mor... Mor...

_Morta? – fiz um sinal afirmativo – Sim.

_Mas voltando ao assunto anterior... – falei nervosa, você também ficaria caso estivesse falando com um espirito, não ficaria? – Porque não devo entrar na escola?

_Se entrar, você vai saber por que estava tão irritada quando sofreu acidente e vai voltar a se irritar. – ela me explicou. – E vai voltar a desaparecer.

_Então... Eu vou descobrir o que me deixou tão brava com o Inuyasha afinal? – perguntei olhando para trás mordendo o lábio inferior.

_Sim, mas...

Antes que ela terminasse de falar eu sai correndo, vai lá, você pode dizer, eu provavelmente sou a pessoa mais curiosa de quem você já ouviu falar. Pode dizer, eu sei disso.

Parei no corredor ao perceber uma coisa: Não me lembro de absolutamente nada deste colégio!

Quer dizer, eu sei que fui aluna daqui, mas... É como se nunca tivesse estado aqui antes, nem mesmo sei em que sala eu estudava, dei um passo a frente para tentar reconhecer o local quando novamente ouvi a campainha da escola. Um homem robusto de ar mal humorado saiu de uma das salas, e soube que era um professor, logo outros professores também saíram de suas salas e entraram em outras diferentes, segundos depois que todos haviam entrado a campainha soou novamente e eu franzi o cenho. Os professore voltaram a trocar de salas e novamente segundos mais tarde a campainha soou novamente.

_O que está acontecendo aqui? – desconcertei-me, se me lembro bem, cada aula dura uma média de uma hora, o que é uma total injustiça porque o intervalo só dura vinte minutos!

Novamente a campainha, só que dessa vez não foi somente os professores que saíram das salas, mas também uma multidão de alunos, e logo percebi que estava me afogando naquela multidão de selvagens, que pareciam um bando de cavalos desenfreados, mas que sumiram num piscar de olhos, literalmente. Ouvi novamente a campainha e em seguida vi os professores trocando de salas, repetidas vezes, fiquei ali esperando até que parassem de trocar de sala a cada dez segundos pelo menos, até que, na quarta campa, novamente a torrente de alunos irrompeu os corredores. Só que dessa vez mais ferozes, trotando feitos cavalos enlouquecidos para a saída mais próxima com as mochilas nas costas.

Pelo menos vinte deles devem ter passado através de mim!

Foi então que eu avistei Inuyasha saindo de uma das salas, dei um sorriso e preparei-me para chama-lo, mas alguém fez isso antes de mim:

_Inuyasha! – ele olhou para trás, para alguém que ainda estava dentro da sala de aula – Não me deixe para trás.

Por alguma estranha razão senti-me nauseada ao ouvir aquela voz.

_Me desculpe. – disse Inuyasha virando-se para a porta – Mas é que eu estou com pressa para chegar a casa.

_Bem eu te perdoo, desde que me de um beijo. – disse a dona da voz de forma melosa, passando os braços ao redor do pescoço de Inuyasha, e eu percebi que também usava um seifuku verde.

Engasguei-me, que atrevimento!

De repente eu reconheci aquela atirada, jamais me esqueceria de sua pele de "porcelana", ou de seus longos e escuros cabelos lisos, e muito menos de seu rosto, ou de sua voz enjoativamente melosa. Rangi os dentes apetando os punhos.

_Kikyou, sua maldita. – resmunguei sentindo um crescente ódio por ela ergue-se em meu coração.

Inuyasha sempre correu atrás de Kikyou, desde muito antes de eu conhece-lo, mas ela sempre o desprezou, o tratava feito um cachorrinho, só faltava o mandar sentar, rolar e fingir de morto! E o idiota cego de paixão nunca se deu conta disso!

Mas nada se comparava a fúria e o ódio, estranhamente familiar, que eu senti ao ver Inuyasha enlaçar ela pela cintura e beijá-la com vontade.

Por dois segundos fiquei sem ação, mas então eu explodi:

_Inuyasha! – curiosamente não fui só eu a gritar.

Pois ao mesmo tempo em que eu gritei percebi que outra pessoa também gritou, olhei para o lado e vi ali a mim mesma, só que usando o seifuku verde da escola, ao invés das roupas de miko que estou usando, mas igualmente irritada.

_Kagome! – arfou Inuyasha empurrando Kikyou – Eu posso...!

_Explicar? – urrou a Kagome de seifuku já com os olhos cheios de lágrimas – Poupe-me das suas desculpas! – ela apontou um dedo tremulo para Inuyasha – Vocês...! – engasgou-se com o próprio choro – Vocês homens são todos iguais!

Em seguida saiu correndo, sem se importar que estivesse chamando a atenção de toda a escola.

_Kagome, espera! – gritou Inuyasha passando correndo por mim, indo atrás da outra Kagome.

Kikyou ficou lá parada gritando por Inuyasha, e eu senti uma enorme vontade de lhe mostrar um gesto nada bonito com a mão, mas percebi algo:

_Não! – gritei dando-me conta que aquele era o dia de meu acidente, eu estava revivendo o dia de meu acidente!

E logo em seguida sai correndo em dispara atrás de Inuyasha e a outra Kagome, e durante a corrida percebi que eu já não usava mais as roupas de miko, mas sim o seifuku verde novamente, enquanto ouço Inuyasha gritar meu nome ao longe.

_Kagome espere! – ele gritou parando no pátio, segundos depois eu o alcancei e parei ao seu lado.

A outra Kagome, aquela que estava prestes a sofrer o acidente, parou de correr e o olhou irada, eu nunca achei que veria tanta fúria no rosto de alguém, principalmente o meu próprio, e com todas as forças de seu pulmão berrou:

_Me deixe em paz Inuyasha, eu te odeio! – e saiu correndo ainda mais rápido, deixando para trás um Inuyasha chocado.

_Não Kagome! – gritei correndo atrás de mim mesma – Volte!

Mas era tarde demais, porque ela chegou à esquina e no mesmo instante ouvi o som desenfreado de um carro, mal tive tempo de ver um carro completamente descontrolado subir no meio fio e... Acho que você já sabe o que aconteceu.

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Hoje meu mundo é cinzento, perdi meu sorriso em algum lugar desta longa e árdua vida, minhas esperanças a muito também se foram, a luz simplesmente esvaiu-se de mundo, deixando-o frio e escuro.

Resposta a review:

Gabyh: Oh, vou passar isso para ela, da próxima vez que ela postar! Se você quiser também pode ler a fanfic que me fez desistir da ideia de desistir do mundo das fanfic's, o nome dela é "marcas" e esta em minhas favoritas.