Discleimer: Inuyasha e Cia. Não me pertencem, mas a história sim.

Feliz dia dos namorados a todas aquelas que (assim como eu) são forever alone!

Projeção astral.

.

As coisas mais simples da vida.

.

Assim que Miroku saiu da cozinha Kanna agradeceu-me por tudo, mas disse-me que agora eu precisava voltar agora porque Inuyasha com certeza estava precisando muito de mim. Eu só esperava que Miroku não passasse a mão em Kagura enquanto tentava explicar a ela como ele falava com a irmã morta dela.

Estava tão distraída enquanto voava que quase bati com um pássaro que vinha voando, mas por sorte quando o vi dei um pulo de susto e ele acabou passando por baixo dos meus pés, e só então me lembrei de que ele ia acabar me atravessando de qualquer forma.

Quando entrei pela janela no quarto de Inuyasha, acabei achando que ali havia acontecido um postergaste.

_Inuyasha? – chamei receosa.

Ele virou-se atirando a lata de lixo contra mim, dei um grito assustada, mas a lata atravessou-me e saiu voando pela janela, ele piscou como se estivesse tentando me reconhecer, e suspirou caindo sentado no chão, eu nunca vi o Inuyasha assim, eu não consegui encará-lo virei-me de costas e olhei pela janela, a lata de lixo estava espatifada do outro lado da rua.

_Perdoe-me Kagome. – o ouvi dizer.

Senti um aperto no peito, mas não pude olhá-lo, porque me dói ver ele tão triste.

_Tudo bem a lata me atravessou. – respondi tentando ser indiferente – Mas você podia ter machucado alguém na rua.

_Não Kagome! – exclamou com a voz realmente angustiada.

Quando olhei para trás ele estava lá, de joelhos no chão com as mãos na cabeça, um punho frio fechou-se em torno do meu coração.

_Eu quero que me perdoe por não te ter ouvido!

_Inuyasha...

_Eu fui cego! – ele acusou-se – Como pude namorar aquela...! Aquela...!

_Víbora. – sugeri.

_Víbora! – ele repetiu – Ela estava tentando matar-te! Kagome me desculpe!

Deve ser horrível o que ele esta sentindo, há dois anos Inuyasha prometeu-me que nunca namoraria Kikyou, e no dia seguinte eu peguei os dois aos beijos, doeu-me tanto que saí correndo sem rumo e acabei sendo atropelada, por causa disso estou em coma, e desde então Inuyasha tem ido ver-me no hospital praticamente todos os dias... E aí ele descobre que Kikyou é a responsável pela súbita decisão de desligarem meus aparelhos. Sim, deve ser horrível. A dor da culpa deve pesar-lhe muito.

Quando dei por mim, estava sentada sobre os joelhos em frente à Inuyasha.

_Não se culpe. – eu pedi – Não é culpa sua, então eu não tenho o que perdoar.

_Kagome a culpa é minha, toda minha! – ele tentou arrancar os cabelos – Perdoe-me Kagome!

"Kagura é quem sente muito, e sua culpa me impede de atravessar para o plano espiritual, eu estou presa a ela." As palavras de Kanna vieram-me a cabeça. Quando eu partir, Inuyasha vai sentir-se culpado pela minha morte, e eu acabarei tornando-me um fantasma preso ao plano astral, eu... Não quero que isso me aconteça.

_Tudo bem, Inuyasha eu... Eu perdoo você.

Inuyasha olhou-me, mas quando pareceu que ia dizer alguma coisa, Sesshoumaru abriu a porta do quarto, e num ato impulsivo ele virou-se e pegou a primeira coisa que pode que era uma luminária quebrada no chão, e a atirou contra o irmão, mas Sesshoumaru agiu rápido e fechou a porta fazendo a luminária chocar-se contra ela, depois voltou a abri-la e olhou a volta sem parecer ligar muito para o fato de que Inuyasha estava destruindo parte de seu apartamento, ou de tê-lo acabado de ataca-lo com uma luminária e depois olhou para o próprio Inuyasha.

_É sua namorada de novo. – informou.

Inuyasha apertou os punhos tão forte que os nós dos dedos ficaram brancos, e quando ele falou, sua voz saiu sinistra e rouca:

_Diga a ela que eu mandei-a ir limpar a bunda do elefante com confete.

Sesshoumaru arqueou a sobrancelha elegantemente.

_Eu direi, e também direi para não voltar a ligar, porque não sou seu secretário. – e fechou a porta dizendo algo como "Pivete mimado".

Amor fraternal é assim mesmo.

_Eu achei que você estava muito irritada comigo, e que nunca mais iria me perdoar, e que nunca mais eu a veria.

_É claro que eu nunca faria isso! – espantei-me e olhei a volta – Talvez a sua mobília não te perdoe nunca, mas eu com certeza te perdoo Inuyasha, afinal você é homem e esta na sua natureza cometer idiotices e ser um completo imbecil porque ficou babando por um rabo de saia, que acabou por se revelar uma bela de uma... Uma...!

_Cadela? – ele sugeriu.

_Cadela! – completei.

Ele suspirou, balançando a cabeça e se levantou eu flutuei para levantar-me.

_Se você não estava zangada, e deveria estar, onde é que esteve nas ultimas quinze horas?

_Bem, você se lembra da Kanna, a menina branca, que nos levou até o escritório daquele médico, que alias deveria ter a licença caçada?

_Lembro.

_Bem acontece que ela é prima da Kikyou e morreu a mais de doze anos atrás...

Contei a ele tudo sobre Kanna e Kagura, e sobre como eu me senti na obrigação de retribui-lhe o enorme favor (omitindo que acreditava que não iria sobreviver), e então acabei levando-a a casa de Miroku, onde depois de alguma insistência ele finalmente conseguiu nos enxergar e finalmente concordou em nos ajudar.

Inuyasha piscou como se tentasse absorver tudo o que eu havia contado a ele.

_Então o Miroku...?

_Pode ver gente morta. Isso mesmo. – eu confirmei.

_... Tem o quarto cheio de brinquedos? – ele completou a pergunta, em seguida dando uma gargalhada. – Eu vou zoar muito com ele!

_Você ao menos ouviu alguma coisa do que eu disse? – irritei-me, fazendo-o parar de rir momentaneamente.

_Ei Kagome tome cuidado, você está oscilando.

_Pare de rir, e eu paro de oscilar. – propus embora não tivesse muita certeza de que poderia cumprir com a minha parte.

_Ok. Tudo bem sua estressadinha. – ele respirou fundo e secou uma lágrima do canto dos olhos – Mas eu ainda vou zoar com ele.

Girei os olhos, meninos. Quem entende?

Mas de repente, lembrei-me de algo que Miroku disse-me, e olhei curiosa para Inuyasha.

_Inuyasha?

_Que?

_Miroku me deu parabéns adiantados. Amanha é meu aniversário?

_ O seu...? – de repente ele arregalou os olhos e olhou a volta parecendo procurar algo enquanto praguejava – Acho que tinha me esquecido!

Atravessou-me e foi pegar no chão um pedaço amassado de papel, quando o desamassou eu vi que era um pedaço de calendário mais estava rasgado e inutilizado.

_Acho que isso não serve pra nada. – sentei-me na posição de lótus em pleno ar, com os cotovelos apoiados nas pernas e o rosto entre as mãos.

_Mas talvez eu possa ver no meu celular... – ele olhou de um lado para o outro e foi olhar debaixo da cama.

Olhei em volta, mas era difícil enxergar um celular no meio de toda aquela destruição, prestei atenção a cada detalhe, e após alguns minutos tive a impressão de ter visto algo familiar.

_O seu celular por acaso é aquele monte de destroços metálicos ali?

Na pressa de se levantar Inuyasha bateu a cabeça contra a cama, resmungou alguma coisa e só depois conseguiu colocar-se de joelhos para olhar para o canto do quarto que eu estava apontando.

_Ah é. – sua face tornou-se impassível – Ele foi à primeira coisa que quebrei quando cheguei ao quarto e o atirei após Kikyou me ligar pela terceira vez.

_Quantas vezes ela ligou? – perguntei só por curiosidade.

_A noite toda. – ele suspirou irritado, o que me fez perceber as olheiras de baixo de seus olhos, será que o telefone tocando não o deixou dormir? – Já perdi as contas, mas acho que ela esta ligando a cada quinze...

Sesshoumaru reapareceu no quarto de Inuyasha, e pela primeira vez notei que ele também tinha olheiras e sua face exibia uma fúria glacial.

_Como a sua namorada descobriu o número do meu celular?

_Eu... Não sei. – Inuyasha levantou-se lentamente como se não tivesse certeza de que havia ouvido certo – Porque ela ligou para o seu celular?

_Porque eu desconectei o telefone depois de manda-la ir limpar a bunda do elefante com confete. – ele jogou o telefone para Inuyasha que o apanhou no ar logo depois dele atravessar a minha cabeça em seguida ele perdeu o controle: – Então atende logo a merda desse telefonema, porque eu quero dormir!

Não sei se Inuyasha fez a mesma coisa que eu, mas eu comecei a balança a cabeça freneticamente simplesmente aterrorizada, mesmo que Sesshoumaru não pudesse me ver e muito menos fazer alguma coisa contra mim.

Ele fechou a porta com um estrondo tão grande que todo o quarto sacudiu, mas logo em seguida voltou a abri-la, agora já com o controle recuperado ele voltou a falar friamente como de costume.

_E se você quebrar o meu celular como fez com o seu eu vou estraçalhar o seu crânio. – Sinceramente? Eu preferia que ele tivesse gritado.

Olhei para trás quando Sesshoumaru se foi, Inuyasha estava olhando fixamente para o celular em suas mãos, fiquei indecisa e mordi o lábio inferior.

_Quer que eu saia?

Ele balançou a cabeça, e respirando fundo levou o celular ao ouvido, então eu encostei meu ouvido às costas do celular para ouvir o que aquela vaca iria dizer.

_Escute aqui sua vadia, quando eu te pegar...! – do outro lado da linha havia apenas chiados.

Seres extra corporais produzem campos magnéticos que causam interferência em certos aparelhos, lembrei-me com um susto pulando para longe de Inuyasha.

_Desculpe!

Ele me olhou com uma expressão confusa, mas então pareceu escutar alguma coisa do outro lado da linha e sua cara contorceu-se numa expressão de fúria que eu só vi uma vez antes: ontem quando ouviu Kikyou exigindo a minha morte.

_Sua vadia quando eu te pegar eu vou estrangular você sua menina mimada e egoísta, e depois...!

Quando dei por mim já tinha corrido totalmente apavorada para fora do quarto, eu não costumo ver pessoas tão furiosas então quando as vejo eu meio que entro em pânico.

Quando entrei na sala vi que Sesshoumaru havia capotado no sofá, e agora estava num sono profundo ali mesmo, bem acho que ele falou serio sobre querer dormir, olhei em volta, o telefone estava jogado esquecido num canto da sala e a televisão estava ligada, e a imagem cheia de chuviscos, certamente por causa da minha presença... Pensando bem, naquele dia em que o Miroku veio até aqui pela primeira vez depois que me tornei uma projeção astral para assistir... Sei lá um jogo de voleibol feminino eu acho, tinha alguns chuviscos na imagem, mas eu nem dei atenção, agora percebo que é por causa da minha presença que a imagem fica um pouco ruim, mas mesmo assim da pra assistir. Estava passando um filme eu acho, onde uma mulher loira em um terninho preto parecia discutir com um cara de cabelos escuros.

"... Meu nome é... Meu nome é Elizabeth!" – disse a mulher loira na televisão.

"Você não sabe o seu nome!" – o rapaz moreno respondeu olhando dela para uma caneca onde havia escrito o nome "Elizabeth" – "Você teve que ler para saber".

"Eu...! Eu sei o meu nome!" – devolveu a loira teimosamente.

Inclinei a cabeça de lado, como assim ela não lembra o próprio nome?

De qualquer forma o casal na televisão me pareceu muito mais atrativo do que os gritos de Inuyasha, sentei-me no chão e comecei a assistir, esforçando-me o máximo possível para ignorar a fúria de Inuyasha do outro lado da porta.

Não sei quanto tempo eu fiquei ali assistindo aquele filme, mas já entendia bastante sobre ele: Elizabeth era um fantasma, ou então era isso que David, o cara moreno, pensava porque ela insistia que estava viva, mas na verdade ela estava em coma (como eu), ela era medica e o nome do filme era "E se fosse verdade". Porque será que tem esse nome?

Interessante é que eu me identifiquei bastante com o filme, porque nós duas estamos em coma, nós duas somos projeções astrais, e corremos contra o tempo para voltar aos nossos corpos antes que desliguem nossos aparelhos. Além de que o filme é bem engraçado!

"... Ele tá fazendo sinal feio!" – disse Elizabeth me fazendo soltar uma risada.

A esta altura eu já tinha me esquecido completamente de Inuyasha.

"Tá fazendo sinal feio?" – David olhou feio para Jack parado entre os dois.

Jack fez uma cara tão comicamente assustada que eu tive que rir de novo, mas parei no instante em que a porta do quarto de Inuyasha se bateu com força e desviei momentaneamente a atenção do filme.

Sabe quando você está muito irritado mesmo, e quer descontar na primeira pessoa que ver pela frente, só que se sente culpado porque essa pessoa não tem culpa da sua desgraça, e aí fica se corroendo de raiva por dentro? Pois é, é exatamente assim que o Inuyasha esta.

_Como foi?

_Aquela vadia cínica teve a ousadia de me dizer que foi tudo um mal intendido! – encolhi-me involuntariamente ao som estrondoso da voz de Inuyasha – Ah se não fosse crime bater em mulher!

_Não se você for outra mulher. – comentei olhando para a televisão.

David havia acabado de convencer Jack que ele realmente estava falando com o espirito de Elizabeth...

_O que esta sugerindo Kagome? – Inuyasha não tá vendo que eu quero ver o filme? – Que eu me vista de mulher só pra dar uma surra naquela...

_Piranha. – sugeri distraidamente.

_Piranha. – repetiu Inuyasha.

David estava falando com aquele médico metido da Elizabeth que estava contando os minutos para desligarem os aparelhos dela, olha outra coisa que temos em comum: nossos médicos querem se livrar de nós o mais brevemente possível!

Uau que lindo soco!

Hã? O Inuyasha esta dizendo alguma coisa?

_Você esta me ouvindo? – ele perguntou indignado.

_Hã... Não muito. – confessei desviando o olhar para a televisão de novo.

Jack e David estavam correndo com o corpo de Elizabeth numa maca, olha até que é uma boa ideia, eu poderia sugerir ao Inuyasha que por acaso, ele podia assim pegar meu corpo emprestado e leva-lo para dar um passeio... Aí trazia de volta quando eu tivesse acordado.

_Eu estou preguntando... – Inuyasha parou a minha frente e eu comecei a esticar o pescoço de um lado para o outro na tentativa de ver a televisão atrás dele – É se você esta sugerindo que eu me vista de mulher para dar uma surra naquela piranha da Kikyou?

Jack empurrou um médico (ou segurança, não dá pra ver direito com o Inuyasha na frente) para dentro do elevado e... Espera. Que foi que Inuyasha disse?

_Não faça isso Inuyasha, você não ficaria bem de batom. – Olhei para cima. – de qualquer forma, você não pode bater na Kikyou porque é homem. – e antes que ele reclamasse eu acrescentei: – Então deixe isso para a Sango.

_Sango? – Inuyasha piscou.

Na televisão ouvi David gritado por Elizabeth e fiz um esforço sobre humano para não olhar.

_Pelo o que eu sei Sango é uma garota, a não ser que minhas memorias estejam muito confusas mesmo. – argumentei – E também, Sango sempre sonhou em dar uma surra na Kikyou. Você sabia disso?

Na verdade, eu até me lembro de que uma vez a Sango chegou a escrever um e-mail para um desses programas que "realizam sonhos", e o e-mail começava mais ou menos assim "Têm uma garota muito insuportável lá na minha escola, que esta sempre atormentando a minha melhor amiga, e sinceramente o meu maior sonho é dar uma surra bem dada naquela vaca..." e acabou que o programa acabou mandando uma resposta pra ela... Algo sobre ela precisar visitar um psicólogo eu acho.

De qualquer forma eu nunca a deixei bater na Kikyou, mas não consigo lembra o por que... Ah é. Por causa dos meus princípios contra a violência e também porque não queria que minha melhor amiga fosse suspensa por minha culpa. Se bem que ela sempre dizia que isso seria um prazer.

_Não, eu não sabia. – respondeu-me Inuyasha meio atordoado, mais rapidamente seus olhos ganhavam um brilho maligno – Mas é uma ótima ideia, acho que vou visitar Sango!

Ele jogou o celular em cima do Sesshoumaru que continuava dormindo profundamente no sofá (pelo visto ele realmente estava cansado!), que nem sequer se mexeu e foi até a porta calçar os sapatos.

Voltei a olhar a televisão, Elizabeth já havia acordado, mas não se lembrava de David, então estava passando em frente aquela livraria onde aquele sensitivo trabalhava e ele acenou pra ela, ele parece meio... Sei lá, desligado. Será que o Miroku vai ficar assim?

_Você não vem? – perguntou-me Inuyasha parado próximo a porta.

_Mas... É o meu filme favorito. – eu murmurei.

Meu filme favorito? É! Meu filme favorito!

"E se fosse verdade?" sempre foi meu filme favorito, assim como Sakura card. captor era o meu desenho favorito quando eu era criança.

Inuyasha retrocedeu alguns passos, e viu o que estava passando na televisão.

_E daí? – perguntou – Você prefere ficar aqui e ver "E se fosse verdade?" pela quinquagésima quinta vez, ou sair e ver a Sango bater na Kikyou?

Eu adoro esse filme, mas também sempre quis ver a Sango pegar umas bifas... Olhei suplicante para Inuyasha.

_Depois você promete que aluga esse filme para mim em uma locadora?

_Certo. Eu prometo. – ele girou os olhos.

Levantei-me em um salto e voei para fora do apartamento a toda velocidade.

_Então vamos logo! O que é que você está esperando seu lerdo?

Quando estávamos na rua eu percebi que eu havia me esquecido das coisas mais simples da minha vida, coisas como o que eu gosto e o que eu não gosto, quais são meus medos, e também o nome da minha mãe.

Eu já sei que o meu filme favorito é "E se fosse verdade", mas de qual filme eu não gosto? Ah sim, qualquer um que não tenha comédia.

Muito bem, a minha cor favorita é... Rosa? Azul? Amarelo? Laranja? Vermelho? Marrom... Fiz uma careta, certo eu não gosto de marrom, Então Preto? Cinza? Verde? Branco? Roxo?... Verde! Minha cor favorita é verde!

Tudo bem eu comecei a me sentir mais animada, agora uma comida, qual minha comida favorita?

Yakisoba? Ramen? Inuyasha gosta de Ramen não gosta? Acho que sim, acho que essa é sua comida favorita, mas e eu? Eu gosto de Ramen? Bem, talvez eu não odeie, mas também não é minha comida favorita. Então qual?

Takoyaki? Sukiyaki? Oden? Tempura? Karaage? Minha boca se encheu de água. Karaage, eu gosto de Karaage, na verdade eu amo Karaage!

Karaage era, depois de Sesshoumaru, minha paixão, uma das razões do meu viver!

_O que foi? – perguntou-me Inuyasha.

Aparentemente ele não se importa mais que as pessoas o vejam falando sozinho na rua.

_Ah eu só estava me lembrando de que gosto de Karaage.

Ele me olhou de cenho franzido.

_Mas você não gosta de Karaage, Kagome.

_Eu não gosto? – repeti confusa.

_Não. – Inuyasha fez uma pequena pausa – Você é obcecada por Karaage!

Sim eu me lembro, eu amo Karaage, estava sempre implorando a minha mãe para que ela fizesse Karaage, meu avô me repreendia, dizia que ia ficar gorda, cheia de estrias e celulite, com as veias do coração todas entupidas, mas... Eu não podia resistir. O Karaage era simplesmente mais forte do que eu.

_Eu gosto da cor verde, mas não gosto de marrom, e gosto de comer Karaage. – falei passando os dedos pelos cantos dos lábios para garantir que não estava babando – Mas eu não gosto de comer...

_Motsunabe. – Inuyasha respondeu automaticamente.

_Ah é. – fiz uma careta.

Digamos apenas, que eu não sou a maior fã de vísceras de vaca. E acho que Inuyasha não é o maior fã de pimenta do mundo, na verdade se me lembro bem, ele odeia pimenta.

_Quando você acordar eu vou pessoalmente te levar uma porção enorme de Karaage para você no hospital.

Quando eu acordar. Aquelas palavras me deixaram triste, mas eu tentei não demonstrar.

_Que bom, porque eu soube que comida de hospital é simplesmente horrível! – dei uma risada falsa.

Pois é, eu também não gosto de hospitais, porque lá é cheio de médicos, e eu tenho a impressão de que eles têm uma pequena compulsão por dar injeções nas pessoas, e adivinhe? Eu não gosto de agulhas.

Mas gosto bastante dos pirulitos que eles sempre me davam, porém nem tanto quanto gosto de Karaage.

Será que existe Karaage no paraíso? Sabe do outro lado da luz.

Por falar em luz, lembrei que tenho medo do escuro, não sei por que, mas eu sempre tive esse medo... Acho que sempre terei.

Ah e medo de bonecas! Não que eu vá ver uma boneca e sair correndo e gritando feito uma doida, é só que... Quando eu era menor meu quarto era cheio de bonecas, mas quando anoitecia e ficava tudo escuro, lá estavam elas, dezenas de pequenos olhinhos sinistros me encarando. Eu tinha a impressão de que a qualquer momento elas iam criar vida, e pularem em cima de mim, às vezes eu ficava boa parte da noite só virando as bonecas de costas para elas não ficarem me olhando. Eu nunca admiti meu pequeno medo de bonecas em voz alta.

Inuyasha e eu entramos numa ruazinha que não tinha prédios nem templos, e eu me lembrei do porque de termos saído, íamos ver Sango, acho que tinha me esquecido de que algumas pessoas não moram em templos ou apartamentos, mas sim em casas normais.

_Você se lembra de onde a Sango mora? – perguntou-me Inuyasha.

_Não! – respondi surpresa.

Olhei para todas as casas, mas nenhuma me parecia familiar. Ao meu lado Inuyasha riu.

_E nem poderia, ela se mudou pra cá há uns seis meses.

_Ah seu palhaço. – mostrei a língua para Inuyasha.

_Tudo bem, é aquela casa ali. – ele apontou para uma casa azul, com um pequeno pátio, cujas grades do portão eram pintadas de branco.

Inuyasha não se importou de ficar gritando no portão por Sango até que ela aparecesse e estava genuinamente surpresa com a visita.

_Inuyasha! – exclamou surpresa correndo para abrir o cadeado – O que foi? Alguma coisa aconteceu com a Kah?

_Não. É só que eu queria te pedir um pequeno favor.

_Qual? – perguntou abrindo o portão.

_É que eu sou homem, então fica feio para mim, mas você podia dar uma surra na Kikyou por mim?

Primeiro o choque completo. Depois a surpresa e a incredulidade. (Eu até podia entender, também nunca imaginei que aquelas palavras unidas em uma mesma frase, pudessem sair justo da boca de Inuyasha). E por fim o brilho reluzente de uma alegria descomunal. Essas foram às reações que passaram pelo rosto de Sango.

Era um sonho que se tornava realidade.

Eu quase poda ouvir o coro de "Aleluia" soando logo atrás de Sango, e aí... Ela ficou seria, como se Inuyasha tivesse pisado em seu calo.

_Por quê? – quis saber.

_Como assim "Por que"? – devolveu Inuyasha – Achei que seu maior sonho fosse quebrar o nariz da Kikyou.

_E é. – Sango apontou um dedo na cara do Inuyasha – Mas eu não quero me meter em briguinha de casal, porque depois vocês fazem as pazes e você vem brigar comigo porque quebrei o nariz da sua namoradinha, e se você fizer isso eu vou quebrar o seu nariz. – ela arredou-se para o lado para deixar Inuyasha entrar – Agora entra.

Inuyasha entrou comigo logo atrás, Sango acompanhava cada um de seus passos com um olhar desconfiado, talvez achando que aquele ali não era o Inuyasha, e sim um "gêmeo do mal" ou sei lá.

Havia um garotinho jogado no sofá da sala vendo desenhos animados, ele tinha cabelos castanhos, e sardas no rosto, isso me fez lembrar de que eu sempre amei desenhos, meu favorito era (e sempre será) Sakura Card. Captor, mas... Franzi o cenho, quem era aquele menino?

Passamos direto pela sala, a imagem da televisão ficou com alguns chuviscos quando eu passei, mas o menino de tão concentrado no desenho que passava nem percebeu nossa presença, mas havia um pequeno animal em cima da televisão, um gato bege, com alguns detalhes negros, e curiosamente tinha duas caudas, eu arregalei os olhos, nunca tinha visto um gato de duas caudas, já tinha visto gatos que nascem sem a cauda, mas com duas jamais, enquanto eu olhava o gato, percebi que ele me encarava de volta, olhando-me fixamente enquanto eu passava, os animais podem me ver, lembrei a mim mesma. Fomos para uma porta no final do corredor, onde havia uma plaquinha de madeira escrita "Sango/Kohaku".

Kohaku deve ser o garotinho na sala. Então... Sango tem um irmão?

O quarto era até bem simples, com as paredes verde bebê, com duas camas de solteiro separadas por uma cômoda, com uma janela logo acima delas, um guarda-roupa e uma bagunça. Mas não era uma bagunça, daquelas que fariam à arrumadeira ter um ataque do coração, era uma bagunça daquelas que você não sabe se o quarto pertence a um garoto ou a uma garota. Havia prateleiras com bichinhos de pelúcia super fofos e bonecos da linha Max Steel, Bem 10, e alguns super heróis (que nem de longe se comparava a coleção de bonequinhos do Miroku). Uma pista de corrida com dois carrinhos estava abandonada no canto do quarto, logo ao lado de uma revista com modelos de desenhos para unhas e alguns poucos materiais para pintar as unhas, e adesivos florescentes do espaço sideral estavam grudados por todo o teto.

_Você pode se sentar ali. – Sango apontou para a cama com tema espacial enquanto ela mesma se sentava na cama de tema floral – Agora desembucha logo, e tente convencer-me.

Forcei a memória tentando me lembrar de qualquer rastro que fosse de Sango possuir um irmão, eu pensei no nome escrito na porta "Kohaku", e fiquei repetindo mentalmente até que consegui me lembrar de alguma coisa:

Dois meses antes de sofrer o acidente eu convidei Sango, Miroku e Inuyasha para irem até minha casa estudarem para a prova, mas só Sango aceitou o convite, Miroku disse que era dia de limpar o templo e seu pai só o deixaria sair de lá quando o ultimo grãozinho de poeira daquele templo sumisse, e isso seria mais ou menos... Na véspera de natal.

Claro que ele estava exagerando, mas eu também morava em um templo e sabia como demorava em limpá-lo.

O Inuyasha disse que era a vez dele de fazer o jantar na sua casa (apartamento do Sesshoumaru), o que era estranho porque ele não sabia (e acho que ainda não sabe) nem mesmo fritar um ovo sem que pedacinhos de cascas sejam fritos juntos, mas eu boba como sou, acabei engolindo aquela... E convidando Kouga no lugar dele.

Naquele dia me arrumei o mais naturalmente possível. Prendi os cabelos para trás em um rabo de cavalo, coloquei uma blusa branca de ombro meio caído do Pokémon com um tope vermelho por baixo, e um shortinho jeans com a bainha esfiapada. Passei gloss nos lábios, e pintei de rosa bebê as unhas dos pés.

Nada muito na cara sabe.

Quando ouvi que batiam na porta, desci as escadas em velocidade recorde, na correria quase pisoteei Buyo no corredor, que deu um miado alto e saiu correndo assustado para a sala, parei ofegante na porta, mas antes de abri-la ajeitei a postura e chequei se estava com mau hálito.

Mas não era Kouga, era Sango.

_Oi Kah, desculpa, mas eu tive que trazer o meu irmão junto. – com um gesto de mão indicou um garotinho que só agora eu percebi está parado ao seu lado. – Meus pais saíram e eu não podia deixa-lo sozinho em casa.

Ele tinha cabelos castanhos e algumas sardas em seu rosto, segurava uma bola de futebol de plástico.

_Eu contei a ele que você também tem um irmão caçula, espero que não se importe. – Sango sorriu encabulada.

_Não claro que não. – movi-me para o lado para deixar os dois irmãos entrarem – Entrem, por favor.

É claro, Sango sempre falava sobre Kohaku, seu irmão caçula, mas eu só o conheci pessoalmente dois meses antes do acidente.

Acabou que naquele dia Kouga acabou não aparecendo, na verdade quem veio no lugar dele foi o Inuyasha dizendo "Feh, o Sesshoumaru que faça sua própria comida!" e também um papo estranho de que talvez Kouga tivesse pegado o endereço errado, e estivesse procurando pelo templo Higurashi bem longe dali.

Se bem que, no dia seguinte a Kikyou estava bem irritada, ou seja, mais insuportável do que já é naturalmente, na época eu achei que fosse TPM (Temporada Para Matança), mas agora percebo que talvez ela só estivesse fula da vida porque o Inuyasha deu o bolo nela.

Mordi o lábio inferior. Então Inuyasha e Kikyou estão juntos a mais tempo do que eu pensava, Baixei a cabeça e dei de cara com meus pés descalços, cujas unhas estavam pintadas de rosa bebê. Pisquei, e percebi o shortinho jeans de bainha desfiado, e a blusa branca do Pokémon.

_Desgraçada! – Sango vociferou me fazendo dar um pulo de susto. – Eu não vou só quebrar o nariz daquela vagabunda infernal eu vou desfigurar aquela piranha, e quando eu acabar, qualquer semelhança entre o que sobrar dela e o que era antes será somente uma mera coincidência!

É pelo jeito ele fez um bom trabalho em convencer ela, porque eu nunca vi a Sango tão furiosa, quero dizer eu já presenciei Sango zangada, tipo quando o Miroku passava a mão nela ou em outra garota (especialmente quando ele passava a mão em outra garota), mas nunca tão furiosa como está agora, como se estivesse pronta a arrancar os braços de alguém (Kikyou) e enfiá-los pela goela.

Ela passou por mim de forma tão tempestuosa que minha forma tremulou, como quando se joga uma pedra na água e as imagens nela refletidas se tornam turvas.

Inuyasha e eu andávamos pela rua meio correndo, tentando acompanhar as passadas largas e rápidas da Sango, mas estava ficando meio difícil, Inuyasha já estava ficando vermelho pelo esforço e eu já estava apelando para a minha pequena vantagem de voar.

_Sorte a sua que é uma projeção astral! – ele resmungou.

Balancei a cabeça.

_Você não sabe o que esta dizendo Inuyasha.

Olhei para frente e vi que como um tsunami Sango arrastava a destruição por onde quer que passe, eu quase senti pena de Kikyou, mas ai me lembre de mais uma coisinha:

Eu simplesmente odeio a Kikyou com todas as forças do meu ser.

*.*.*.*

Este cap. Está pronto desde o dia 27/04, legal né? Finalmente estou começando a me organizar com as Fanfic's! ^^

Agora gente é provável (quase certo) que eu só vá postar de novo nas férias, porque segunda-feira já começam minhas provas na escola e eu tenho que estudar.

Respostas as review's:

DH: Eu também quero, por isso estou tentando enrolar o mínimo possível... Coisa muito difícil para mim.

Bem... Deixa só eu resolver todos os probleminhas dela.

Yogoto: Obrigada pelo seu carinho, me deixa muito feliz! ^^'

Gabyh: É claro que ele ouviu, eu não seria tão ruim a ponto de fazer ele não ter ouvido...

E você viu, bem que ele tentou.

Se eu fosse ele eu não quebraria a cara dela, apesar dela merecer, porque eu sou da paz, não gosto de violência, (Falou a menina que ama Diários do vampiro por causa das mortes e também desenhos violentos).

Infelizmente eu não imagino tão depressa assim. ^^'

DafnyChaan: Seja bem vinda! E eu nem tenho tanta criatividade assim... Quero dizer, essa fanfic é inspirada num filme do qual eu gosto chamado "E se fosse verdade" já assistiu?

Eu ficaria muito feliz se você lesse outras fanfic's minhas!

nana uzumaki: E eu agradeço o seu carinho.