Discleimer: Inuyasha e Cia. Não me pertencem, mas a história sim.

Comer dá sono e dormir da fome.

Projeção astral.

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Deixe-me ir.

Na manhã seguinte, logo após as aulas, eu fui com Miroku e Inuyasha ver Kagura no hospital, Sango também veio conosco, mas os rapazes tiveram que explicar toda a história para ela no caminho – exceto a parte de terem sido chamados através do fantasma da irmã dela, e também das projeções atrais e a luz branca – e descobrimos que ela já havia despertado, e inclusive estava implorando por analgésicos afirmando dor de cabeça, mas ficou muito surpresa quando nos viu, bem exceto Sango, que preferiu esperar do lado de fora.

_Vocês...! O que fazem aqui?

Eu franzi o cenho estranhando, quero dizer... Ela não deveria dizer algo como "Obrigada por me ajudar com a minha irmã" ou... Ah sei lá, eu só acho que ela não deveria estar assim tão surpresa.

Ao meu lado, Inuyasha arqueou a sobrancelha, acho que ele também não esperava por toda essa surpresa em Kagura, ainda mais depois de eu ter ficado a noite inteira falando sobre Kanna e a luz branca.

_Ah nada demais, só queríamos saber se o seu pai não ficou zangado por termos arrombado a porta da sua casa ontem à noite quando a achamos desmaiada em casa. – respondeu Miroku como se já esperasse por aquilo.

Ele está com frio, como sempre fica no hospital, mas está tentando disfarçar isso o melhor possível.

_Ah caramba! – Kagura arregalou os olhos – Foram vocês?!

_Bem na verdade eu só chamei a ambulância, quem arrombou a porta foi o Inuyasha aqui. – confessou Miroku.

E sem dizer absolutamente nada Kagura abriu um enorme sorriso, jogou as cobertas da cama aos ares e se levantou num pulo, surpreendendo Miroku com um abraço e um beijo estalado na bochecha, depois fez o mesmo com Inuyasha.

_Não... Não é pra tanto. – murmurou Inuyasha encabulado.

_Mas é claro que é. – afirmou Kagura. – Quero dizer... Eu não sei por que, mas sinto que devo ser grata a vocês por algo mais do que apenas ter me salvado... Eu não sei explicar, apenas... Sou muito grata a vocês!

Ela sorriu.

Então eu percebi como Kagura estava diferente, talvez fosse por aquela ser a primeira vez em que eu a via sem maquiagem, e com os cabelos bagunçados, além da camisola de hospital que não tem nada haver com as roupas que eu estou acostumada a vê-la vestir, não espere, as camisolas, ela estava usando duas!

Uma vestida convencionalmente, com as amarras para trás e a outra vestida por cima com as amarras para frente, cobrindo o que a outra deixa a mostra. Acabei dando risada, muito engenhoso!

Mas não era só isso, Kagura também parecia mais calma e humilde, enfim, parecia uma garota totalmente diferente daquela que ajudava Kikyou a me atormentar na escola.

_Ah não precisa ficar desse jeito Kagura. – Miroku balançou a cabeça – Nós só viemos aqui para ver como está.

_Eu estou ótima! – ela respondeu sentando-se na cama com as pernas cruzadas e jogando os cabelos para trás, bem agora sim é a Kagura que eu conheço – Papai disse que vai me dar alta ainda hoje porque não pode ter um leito sendo ocupado por uma "garota mimada que só quer chamar atenção" quando poderia muito bem estar sendo usado por "alguém que realmente precise".

_Mas que crápula. – Inuyasha resmungou.

_Não tudo bem, eu não suporto mesmo ficar aqui nesse hospital, todo esse cheiro de remédio me irrita e a comida é simplesmente horrível.

Alguém deu duas batidinhas na porta, e em seguida a mesma abriu-se e Sango enfiou a cabeça por lá com uma expressão contrariada.

_Ainda vão demorar muito? – ela perguntou – Eu quero ir logo ver a Kagome.

_Hã... Olá Sango.

Sango lançou um olhar atravessado a Kagura e respondeu secamente:

_Oi Kagura. – e logo desviou o olhar para os rapazes – Você vem ou não?

_Estamos indo. – respondeu Miroku indo até Sango e sendo seguido por Inuyasha e eu.

_E-esperem! – gritou Kagura botando as mãos sobre a boca em seguida – Digo, eu só... Queria pedir desculpas.

Sango cruzou os braços e olhou para ela ceticamente.

_Pelo o que exatamente você está pedindo desculpas?

Kagura desviou o olhar, e enxugou as mãos suadas na camisola de hospital, o que indicava claramente o seu nervosismo.

_Por... Bem... Você sabe. – ela balbuciou sem consegui encarar-nos – Por tudo o que fiz. – ela respirou fundo como se tomasse coragem e ergueu o olhar – Na verdade eu nem sei por que era daquele jeito, acho que só estava tentando punir alguém por algo... Algo do qual eu me considerava culpada, mas agora a culpa desapareceu. Então eu só queria desculpar-me por ter tratado Kagome daquela forma, é só que ela me fazia lembrar tanto de uma pessoa. Queria pedir desculpas a ela pessoalmente, mas, bem devido as circunstancias... Eu hã... Achei...

_Está mesmo sendo sincera? – indagou Sango ao que Kagura respondeu com um aceno de cabeça. – Bem, Kagome não está aqui, mas tenho certeza que se estivesse ela a perdoaria.

_Eu perdoo sim.

Falei ainda que nem Kagura nem Sango me pudessem ouvir, mas então Kagura suspirou aliviada como se realmente tivesse me ouvido, ou então foram às palavras de Sango que a deixaram mais tranquila.

_Mas e quanto a você? Será que um dia também será capaz de me perdoar?

Sango olhou-a calada, como se refletisse sobre o assunto, mas algo na sua expressão me dizia que ela achava aquela possibilidade impossível, ah não Sango, você não deve ser assim tão rancorosa! Olhei para os rapazes em busca de ajuda, mas eles apenas observavam a cena quietamente. Bufei e bati o pé no chão.

_E vocês? Não vão fazer nada?

Eles me olharam sem nada dizer realmente, mas eu podia ver em seus olhares o que queriam que eu entendesse: não havia nada o que se fazer.

_Você e a sua prima magoaram muito minha amiga, sabe disso não é?

_Sei... Mas estou muito arrependida. Juro-te!

Sentir toda aquela tensão no ar era-me agonizante, era como se naquela sala um julgamento estivesse se passando, Kagura era a ré culpada do crime, no entanto arrependida, e Sango era a juíza e o jure e também a carrasca, parece-me que quando se é um habitante do plano astral – ou visitante no meu caso – pode-se sentir as emoções daqueles que estão a nossa volta, como se suas emoções fluíssem a minha volta, e então, finalmente a Sango tomou o seu veredito, e algo me dizia que não era o perdão...

Kagura esperou sentada na cama de queixo erguido, embora seu olhar vacilasse, enquanto Sango aproximava-se dela, e quase não reagiu quando foi jogada para trás com uma estalada tapa na bochecha.

Inuyasha e Miroku arregalaram os olhos e adiantaram-se em direção as meninas como se quisessem impedir Sango antes que ela perdesse o controle de vez, não acredito que eles esperaram até Sango bater em Kagura para tomar uma reação! Estes homens, aposto que tudo o que querem é ver uma briga de mulheres, só faltam mesmo os biquínis e a lama.

Mas então ainda jogada na cama Kagura ergueu a mão:

_Não, podem deixar. – ela murmurou – Eu mereci, por ter sido mesmo uma vaca com Kagome.

_É claro que mereceu! – bufou Sango virando-se e saindo do quarto.

_Se compararmos ao que ela fez com Kikyou, eu diria que ela até pegou bem leve. – Inuyasha comentou ao meu lado enquanto saiamos do quarto, e posso dizer que estou de pleno acordo com ele.

_Olha pode estar ardendo agora, mas a marca some depois de um tempinho. – Miroku disse a Kagura vendo-a esfregar o rosto com uma careta de dor, acho que ele já tem alguma experiência com as tapas de Sango – E... Kagura?

_O que?

_Disse que Kagome te fazia lembrar-se de alguém, essa pessoa é Kanna não é?

Os olhos de Kagura arregalaram-se surpresos e voltaram-se rapidamente para Miroku.

_Como sabe disso?!

_Passar bem Kagura! – ele sorriu e fechou a porta.

Mas porque Kagura não se lembra de nada?

Eu lembro-me do pai dela dizendo que talvez ela acordasse uma pouco confusa, será por isso então?

_Quem é Kanna? – ouvi Sango perguntar.

_A irmã falecida dela, que morreu quando as duas eram crianças. – Miroku respondeu distraidamente.

_E como sabe isso?

Miroku parou, finalmente percebendo que estava falando demais, e Inuyasha deu-lhe uma bela cotovelada só para ajudar, acho que o frio que a presença dos espíritos o faz sentir está começando a congelar o cérebro dele.

_E então Miroku, como você sabe disso? – insistiu Sango.

Chamei por Inuyasha baixinho, e fiz sinal para irmos embora, aquela era a nossa deixa, Miroku já estava bem enrolado e não precisava de nós para se encrencar mais, porque agora a Sango não o vai deixar em paz até conseguir fazê-lo falar, e eu tenho certeza de que ela vai conseguir.

_Acha que ele vai contar algo a ela? – perguntou-me Inuyasha – Sabe sobre... Essa visão incomum dele.

_Dê apenas alguns minutos a Sango, e ela vai o fazer cantar feito um passarinho. – confirmei atravessando a porta de meu quarto, e ao dar de cara com meu corpo hospitalizado uma pergunta escapou de meus lábios – Quanto tempo eu ainda tenho?

_Trinta dias.

Ele respondeu com pesar, e eu sentir um bolor formar-se em minha garganta, pois pensei no que Kanna havia me dito: Kagura sentia-se culpada por sua morte, e esta culpa era tão pesada que não a deixava partir, e naquele dia eu apenas estava correndo porque queria fugir de Inuyasha... Eu queria nunca mais ter de olhar a sua cara cínica, não depois de vê-lo com Kikyou.

E se, naquele dia eu não tivesse saído correndo seria agora outra pessoa em coma ocupando o meu lugar naquela cama? Ou seria aquilo uma daquelas coisas inevitáveis do destino que as parcas prescrevem?

E se a minha morte também for inevitável? Então Inuyasha ira prender-me ao plano astral com a sua culpa, e eu acabarei tornando-me num espirito errante assim como Kanna.

Respirei fundo e passei as mãos sobre os cabelos.

_Inuyasha, eu acho que nós precisamos ter uma conversa.

_Não use esse tom Kagome, assusta-me. – ele reclamou. – Sobre o que quer falar?

Mas eu lhe dei pouca atenção e indiquei a cadeira no quarto, enquanto eu mesma sentava sobre a minha cama. Mas precisei de vários segundos para tomar coragem e responder a sua pergunta:

_Quero falar sobre a minha morte.

_Kagome você não vai...!

_Você não pode saber ninguém pode! – cortei-o rudemente – Digo... É uma possibilidade Inuyasha, eu posso sim morrer e você precisa aceitar isso. Mas; não quero que pense que a culpa foi sua quando acontecer.

_Se acontecer.

Respirei fundo, certo isso não vai ser nada fácil.

_Tudo bem, se acontecer eu não quero que pense que a culpa foi sua, porque não foi entendeu bem Inuyasha? Afinal você não tinha como saber, e eu também não tinha nada que sair correndo desenfreadamente. Mas também quem iria imaginar que haveria alguém dirigindo bêbado àquela hora da manhã?

Ele calou-se, não parecia estar aceitando muito bem as minhas palavras na verdade acho que ele estava procurando uma maneira de convencer-me de que a culpa foi dele sim. Suspirei.

_Inuyasha, se você não se perdoar eu não poderei partir, ficarei presa a terra.

_Então isso faria você ficar aqui comigo?

Oh não Inuyasha. Eu não gosto nada deste tom esperançoso que ouvi em sua voz.

_Sim, mas não seria a mesma coisa.

_Como assim?

_Eu não seria mais eu mesma, sem o fio da vida meu rosto perderia todas as emoções, meus olhos tornar-se-iam opacos e os meus cabelos assumiriam um tom estranho, mas fora isso eu seria uma alma condenada e em eterno sofrimento, impossibilitada de seguir em frente até que tu te perdoes... Além do mais, eu nem sei se você ainda seria capaz de me ver se eu morrer. É isso o que você quer Inuyasha? Fazer-me sofrer?

Ele balançou a cabeça.

_Não, é claro que não Kagome.

_Então se o pior acontecer, você tem de deixar-me ir. – sorri compreensiva – Entendeu Inuyasha?

Ele apertou os punhos, e evitou olhar-me, mas concordou com um aceno de cabeça.

Um sorriso espontâneo veio aos meus lábios, e sem pensar eu pulei sobre ele, Inuyasha ergueu o olhar surpreso, quando meus braços envolveram o seu pescoço, mas eu não cheguei a tocá-lo... Exceto quando beijei a sua bochecha. Não sei explicar, mas foi quase como se eu sentisse os meus lábios na bochecha dele.

_Inuyasha. – chamei baixinho com o rosto bem próximo ao dele – Obrigada.

As bochechas de Inuyasha ficaram rosadas, deixando ele com uma expressão fofa, o que só me fez sorrir ainda mais.

_O-olha Kagome-e... – ele gaguejou – Tem uma coisa que eu quero muito te dizer.

_O que é?

_Eu...

De repente a porta abriu-se e eu saltei para longe, flutuando para o canto do quarto até quase atravessar minha cabeça pelo teto, Sango apareceu à porta com um olhar perdido, e meio cambaleante, ela passou os olhos pelo quarto e parou em Inuyasha.

E aí ela pareceu ficar repentinamente zangada, "oh-oh" pensei engolindo o seco, enquanto vi-a marchar até Inuyasha que ficou ereto na cadeira no mesmo instante, olhei para a janela, mas que pena que Inuyasha não pode voar que nem eu. Voltei a olhá-los no exato instante em que Sango punha uma das mãos nos quadris e com a outra apontava direto para a cara de Inuyasha.

_E então? É verdade?

Inuyasha piscou parecendo um pouco confuso, talvez ele estivesse esperando que ela começasse a bater nele como fez com Kikyou e Kagura.

_O que?

_Sobre Kagome, Dã! – mesmo estando de costas pra mim eu soube que ela girou os olhos – Ela... Realmente está aqui? – sussurrou.

Tanto eu quanto Inuyasha, automaticamente apontamos para a única cama ali no recinto.

E ela socou-o no braço.

_Não idiota! Eu quero dizer... Bem... É verdade que ela agora é um fantasma? Miroku contou-me isso, mas eu preciso ouvir da tua boca Inuyasha, e não ouse mentir para mim!

_Ah isso. – Ele riu sem jeito, enquanto eu pousava bem atrás de Sango. – Sim é verdade, mas ela não gosta que a chamem de fantasma.

Esperei que a Sango fosse rir nervosa, ou desmaiar – embora isso não faça bem o tipo dela – ou então simplesmente não acreditar no Inuyasha, mas ao invés disso ela agarrou-o pela camisa e puxou da cadeira até que ele ficasse de pé para poder sacudi-lo à vontade.

_Como você é egoísta Inuyasha Taisho! – ela acusou-o – Porque não me contou nada sobre Kagome?

_Como disse? – perguntou meio zonzo.

_Acha que é o único que sentiu falta dela seu arrogante?

_Hã... Desculpe-me?

_Eu sou a melhor amiga dela, você deveria ter me contado Inuyasha!

A porta voltou a abrir-se, e Miroku apoiou-se ofegante ao seu batente.

_Eu cheguei. – anunciou – Sango quando foi que você aprendeu a correr tão rápido?

E então Sango jogou Inuyasha de volta a cadeira e voltou a sua posição agressiva e acusadora para ele.

_E você também, seu grande imbecil!

_O que foi que eu fiz? – assustou-se Miroku.

_Deveria ter contado antes, sobre Kagome!

Ele franziu o cenho como se pensasse naquilo, e também entrou no quarto fechando a porta logo atrás de si.

_E de que adiantaria? Você não a enxergaria de qualquer forma.

Sango cruzou os braços e sentou-se de cara amarrada ao lado do meu corpo na cama.

_Mesmo assim, eu iria apreciar o gesto!

Sentei-me ao lado dela na cama e suspirei como pude tê-la deixado de fora assim? Digo, ela é a minha melhor amiga, acho que iria gostar de saber que posso atravessar paredes.

_A Kagome também senti muito por não ter te contado. – disse Miroku.

Sango olhou-o pelo canto dos olhos com cara de "eu nem ligo".

_Ela está aqui?

_Está.

_Prove.

O quarto ficou silencioso como um cemitério. Espera, porque eu disse cemitério?

Eu podia ter dito... Sei lá, necrotério? Não isso não!

Então... Espera, é melhor eu parar de pensar porque tenho medo do que vou imaginar a seguir, sério essa coisa de morte tá mexendo com a minha cabeça.

_Como quer que eu prove Sango?

_Sei lá. – ela olhou para Miroku e Inuyasha completamente entediada com cara de quem dizia "se virem!" – Pede pra ela levitar alguma coisa, sei lá.

_Levitar coisas! – eu bufei – Será que é só nisso que as pessoas pensam quando se fala em experiência extracorpórea? Qual é! Eu posso voar e atravessar paredes, será que não é o bastante?

_A Kagome não é um espirito Sango. Ela não pode fazer esse tipo de coisa. – Miroku tentou explicar.

_E você deixou-a zangada. – acrescentou Inuyasha.

_Bem prove. – Sango balançou a cabeça – Eu não consigo acreditar que... Kagome tenha voltado e... Não tenha me procurado!

Sabe desenhos animados quando um bloco gigante de concreto caí sobre o personagem com a palavra "culpa" escrita? Pois é, foi exatamente assim que eu me senti.

Suspirei e pus a cabeça entre as mãos.

_Ah Sango pare com isso. – Ouvi Inuyasha gemer – Você está deixando-a agitada, Kagome está desaparecendo!

_O que quer dizer?

_Hã... O plano astral onde Kagome está presa agora é uma dimensão em que não existe gravidade ou tempo Sango. – Miroku começou a explicar – Então sempre que Kagome se agita ela pode desaparecer, e só reaparecer alguns dias...

_Semanas. – disse Inuyasha.

_Ou semanas, depois. Ela não faz de propósito, apenas é que ela simplesmente não percebe o tempo passar.

Sango, que espécie de melhor amiga eu sou para você? Quero dizer, já estou fora a o que? Um? Dois meses? E nem sequer me passou pela cabeça de tentar, de alguma forma comunicar-me com você. E daí que você não pode ver-me? Eu poderia ao menos ter tentado, eu nem sequer tentei!

_Bem. Provem-me que Kagome está mesmo aqui. – Sango insistiu agora ponto a mão fechada em punho atrás das costas – Vamos fazer igual fizeram naquele filme, o favorito dela.

_E se fosse verdade. – respondeu Inuyasha.

_Esse mesmo. Quantos dedos eu tenho aqui atrás? – E mostrou-me dois dedos.

_Dois. – eu disse.

_Dois. – repetiu Inuyasha.

_Foi sorte. – afirmou à cética Sango.

E em seguida começou a mudar várias vezes o número de dedos que estava em suas costas, enquanto eu tentava acompanhar, mas com alguma dificuldade. Três. Cinco. Um. Quatro. Dois. Dois. Cinco. Quatro. Um.

Os meninos tinham um pouco de dificuldade em me acompanhar, mas repetiam todos os números.

E então a Sango... Ela... Ela...

_Vamos! – pressionou Sango – Digam o que eu estou fazendo com a mão agora!

_Hã... Bem que queríamos, mas a Kagome está calada. – disse Inuyasha.

_E está ficando vermelha. – contou Miroku, olhando desconfiadamente para Sango – O que está fazendo com essa mão mocinha?

_A Sango está fazendo sinal feio! – gritei toda escandalosa.

Ambos olharam reprovadores para Sango.

_Sango você está fazendo sinal feio? – disse Miroku.

Sango deu um gritinho agudo e baixo e rapidamente tirou a mão das costas, sacudindo-a como se achasse que de repente seus dedos haviam se transformado em víboras venenosas.

_Tudo bem, eu acredito! – falou olhando por cima do ombro com os olhos arregalados para ver se me enxergava, mas obviamente ela não pode.

Eu dei risada e Inuyasha respirou aliviado.

_Já não era sem tempo, daqui a pouco eu ia dar um nó na língua por ter que repetir aqueles números tão rápidos!

Infelizmente demoramos demais a convencer Sango, porque o horário de vistas acabou e a minha enfermeira, que o Miroku, carinhosamente, apelidou de enfermeira dragão, veio até o quarto para botá-los para fora.

Engraçado, eu não percebi que passamos tanto tempo assim no hospital.

Na saída eu vi Kagura em seu quarto, preparando-se para sair, as camisolas estavam cuidadosamente dobradas sobre a cama, e ela estava próxima à janela de costas para a porta maquiando-se com um espelho na mão.

Eu parei ali para observá-la, perguntando-me se não seria bom que a acompanhássemos até em casa, mas Sango está conosco, e embora Kagura esteja arrependida acho que não seria muito bom deixa-las juntas, digo... Seria com acender um fósforo num galpão de pólvora e esperar que nada explodisse.

Então acenei para Kagura desejando silenciosamente que ela chegasse bem em casa, e a vi, através do reflexo do espelho, arregalar os olhos e virar-se rapidamente, ficou ai encarando o nada – ou seria me encarando? – por alguns estantes de olhos arregalados.

Franzi o cenho.

_Kagura? – ela não respondeu.

Eu olhei ao redor procurando ver o que a tinha surpreendido tanto, mas não encontrei nada, e quando voltei a fita-la, ela estava guardando o espelho e o estojo de maquiagem na bolsa. Encolhi os ombros e segui com meu caminho.

_Miroku eu estive pensando... – comentei quando já no aproximávamos do prédio de Inuyasha. – Você não completou a missão que eu te dei.

Miroku me olhou e coçou a nuca sem saber do que eu falava.

_Como assim? Mandei Kanna para a luz. Fim da história.

_Mas está não foi à única coisa que eu te pedi! – e cruzei os braços desafiadoramente.

Inuyasha parou de caminhar e puxou Sango para que ela também parasse e esperasse, enquanto Miroku revistava a sua mochila até tirar de lá o seu caderninho de anotações e abri-lo.

_Ah – ele exclamou – Eu esqueci-me de dizer a Kagura que a Kikyou é uma vaca e que Kanna não gosta dela.

_Ah... Sim. – eu pisquei, já nem me lembrava dessa parte – Mas falo de outra coisa.

E então, ele leu o que havia escrito a seguir: Kagome. Chata. Sango. Confessar-me.

E suas orelhas ficaram vermelhas enquanto ele imediatamente enfiava o caderno de volta a mochila.

_Não sei do que está falando Kagome! – ele disse rapidamente e saindo quase correndo na frente.

_Miroku não fuja! – eu gritei, mas ele entrou correndo no prédio e fez que não me ouviu. Bufei.

Inuyasha estava me olhando, e Sango olhava para o prédio onde Miroku tinha sumido.

_O que foi isso? – ela perguntou.

_Eu sei lá. Kagome do que você estava falando?

_Deixa pra lá. – suspirei e segui em frente.

O Miroku é mesmo um bobo!

Nós não fizemos nada de importante no apartamento do Inuyasha, digo, os meninos só se jogaram no sofá maior com as pernas umas por cima do outro e começaram a jogar videogame, enquanto Sango e eu nos sentávamos no sofá menor.

_É isso que fazem o dia inteiro? – Reclamou Sango – Ficam aí jogados no sofá esperando que a Kagome acorde por algum milagre?

_Exato. – Miroku respondeu ainda sem coragem para encará-la, ou talvez ele não tenha coragem de me encarar. – Não podemos fazer mais nada, e olha que o Inuyasha tentou.

Sango bufou e ase afundou no sofá com os braços cruzados.

_Olha Miroku, eu queria te perguntar algo... Não se preocupe, não tem nada haver com a sua tarefa incompleta, é só que... Porque Kagura não se lembra de nada? Sabe o plano astral, Kanna, a luz...

_Ah, isso é um pouco complicado de se explicar, Kagome.

_O que? – Sango piscou e endireitou-se no sofá, de repente interessada.

_Mas deixe-me ver... Como posso te explicar isso.

_O que? – insistiu Sango.

_Imagine a sua alma como uma pessoa que sempre escreve tudo o que se passa no seu dia a dia em um diário, e esse diário é o seu corpo material, então quando a alma se desprende do corpo essa pessoa fica sem o seu diário, e quando retorna as lembranças não está claro o suficiente para serem escritas com riqueza de detalhes no diário, e muitas, ou às vezes todas, as lembranças acabam se perdendo. Entendeu?

_Não muito. – confessei.

_Mas acho que eu entendi. – disse Inuyasha sem desviar nem por um segundo os olhos do videogame – É como quando você acaba de acordar e não se lembra do que sonhou, você sabe que sonhou, mas não se lembra do que, ou então se lembra apenas de pequenas partes... Às vezes você nem se lembra que sonhou! Acertei Miroku?

_Eu não poderia ter explicado melhor.

_E então, como é que vai o plano astral? – Sango perguntou sarcasticamente enquanto cerrava as unhas – Nada que eu saiba é claro.

Ah Sango, eu ri, você sempre odiou ficar por fora.

E então, ouvimos o som de chaves girando na fechadura e Sesshoumaru entrou em casa, olhou atentamente para Sango e Miroku, com um polido "Boa tarde", depois parou os olhos em Inuyasha, e como se Miroku e Sango fossem surdos falou ao caçula:

_Precisamos conversar. Mande-os embora.

E seguiu pelo corredor em direção à cozinha.

Sesshoumaru, a imagem da arrogância... A bela imagem da arrogância.

_Hã...

Inuyasha olhou constrangido para nossos amigos, mas Miroku ergueu uma mão.

_Já está ficando tarde mesmo, vem Sango eu te levo para casa.

_Você? – Sango riu, mas levantou-se do sofá – Miroku, por acaso já ouviu falar naquele ditado "antes só do que mal acompanhado"?

_Você me tem em tão baixa estima assim? – ele fez-se de ofendido abrindo a porta para que ela saísse primeiro então se virou e acenou para nós – Até outro dia.

Sango vasculhou a sala com olhos minuciosos e então, disse meio envergonhada:

_Tchau Kah, esteja onde estiver.

A porta fechou-se, mas eu ainda pude ouvir as vozes deles se afastando pelo corredor:

_Ela ficou esse tempo todo ao seu lado no sofá.

_Você está brincando...

_Não estou não. Verdade.

E então, suas vozes sumiram definitivamente, engolidas pelo elevador.

Levantei-me do sofá e fui flutuando até a base do corredor.

_Vamos Inuyasha, vamos ver o que o seu belo irmão quer.

Inuyasha olhou-me com uma careta.

_Pensei que tivesse deixado essa sua queda ridícula por ele de lado.

_E deixei. – encolhi os ombros enquanto ele seguia-me pelo corredor – Mas isso não quer dizer que agora eu tenha de acha-lo feio.

E na cozinha Sesshoumaru aguardava Inuyasha, fitando a cafeteira fazer o seu trabalho.

_Sesshoumaru. – ele rosnou. E eu tenho a nítida impressão de que parte dessa raiva é culpa minha. – O que você quer de mim?

Por algum tempo Sesshoumaru não respondeu, ele ficou ali esperando o café ficar pronto, depois se serviu de uma caneca e encostou-se com ela na parede, calmamente tomou um gole para só então fixar os seus olhos dourados nos olhos do irmão caçula.

E disse de forma definitiva:

_Rin esta voltando para casa.

*.*.*.*

Pronto desde 04/11, eu e essa minha mania de anotar tudo!

Bem sei que demorei a postar, mas é que estava tentando terminar "Projeção astral" antes de voltar a postar... Bem não consegui. Eu sou muito impaciente.

E também estive um tempo fazendo algumas pesquisas que me fazem crer que terei de aumentar o rated da fanfic.

Respostas as review's:

Gabyh: Ai a cena dele é mesmo de cortar o coração né?

Eu sou mesmo uma pessoa muito cruel.

O ladrão de raios em quadrinhos?! Guia definitivo?! Puxa eu estou por fora mesmo! O.O

Ah desculpe pela demora, espero que não tenha infartado!

nane-chan3: Ah muito obrigada.

lilecco: Acho que é capitulo mais bonito da estória.

Clarinha: Para a nossa sorte a luz só leva aqueles que não têm mais o fio da vida! XD

DafnyChaan: A Kagome é meio lenta, liga não. Filme? Talvez "E se fosse verdade"? Porque a estória é inspirada nesse filme.

Babb-chan: Eu é que tenho de pedir desculpas pela minha demora!

Verdade, a vida de Kagura acabou moldando para ela uma terrível personalidade, mas como vimos neste capitulo ela ainda tem concerto.

Porque ela chamou a ambulância? O que Kanna disse em seu ouvido? Essas perguntas só serão respondidas no próximo capitulo.

A cena do Inuyasha foi mesmo de partir o coração, eu sou uma pessoa má.

O amor fraternal delas é mesmo uma coisa linda não é?

Pra falar a verdade, eu não tinha pensado nisso. '-'

Mas agora me deste a ideia... XD

E parabéns, a tua review é a 100°!

Guest: Já vi mesmo que todos acharão este um capitulo emocionante, que bom.

Sim, uma boa pessoa de fato. Inclusive no anime eu acredito que ela não seja de todo mal, ela apenas obedece às ordens de Naraku, e certo que ela também não e lá muito boa... Ela parece o Sesshoumaru: nem boa nem má.

Guest: Bem para saber terá de ler até o fim. ;)

Não se preocupe, não falta muito.

beatriz-chan: Na verdade a Kagome é muito lenta.

Como falei na sua review de Ela é o cara, eu ainda te procurei, mas não soube para qual Beatriz Santos mandar o convite.