Discleimer: Inuyasha e Cia. Não me pertencem, mas a história sim.
Comer dá sono e dormir da fome.
Projeção astral.
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Sonhos e lembranças
Como não consegui dormir eu segui a dica de Sango, e decidi sair por ai para uma pequena volta na cadeira de rodas, até que foi bem... Interessante.
Andei pelos corredores do hospital, vendo um ou outro funcionário aqui e ali, e até alguns pacientes com insônia assim como eu, mas estranhamente o lugar pareceu vazio e silencioso demais para mim, era como se estivesse faltando alguma coisa.
Com o avançar das horas, os corredores foram ficando cada vez mais movimentados, e de repente minha cadeira travou, e vi-me girando até dar de cara com o rosto zangado de mamãe.
_Aí está você! – ela disse – O que pensa que está fazendo?
_Hã... Dando uma volta? – sorri amarelo.
Mamãe girou os olhos e moveu-se para trás de minha cadeira, pondo-se a empurrá-la.
Vovô deve tê-la chamado, quando acordou no meio da noite, e não me viu no quarto, com certeza pensa que eu fui sequestrada por algum espirito maligno, ou qualquer coisa do tipo.
_Como a deixaram entrar aqui há esta hora mamãe?
_Como assim Kagome? Já passa das 9h!
_Oh! – eu fiz.
Será que vovô já acordou? Ele deve estar zangado.
Olhei para as minhas pernas, bem, pelo menos eu as cobrir com um lençol branco, ele não pode ficar tão zangado assim... Pode?
_Bem... – ele disse com os braços cruzados sobre o peito, quando mamãe adentrou comigo no quarto – Suponho que se você já está bem o suficiente para dar suas pequenas escapadinhas, também já esteja bem para receber alta. Eu vou falar com seu médico.
Antes de sair ao encalço de algum pobre médico que certamente não tem nada haver com meu caso, ele parou e disse a minha mãe que ficasse de olho em mim, ela olhou-me por cima do ombro e sorriu.
_Aposto que ele fez isto o dia todo ontem, não é mesmo?
_Nem me fale. – tirei o cobertor de minhas pernas e fiquei de pé – Ontem achei que ele e a enfermeira dragão fossem começar alguma... – bocejei – Batalha medieval, ou sei lá o que.
_Sente-se, o seu café da manhã já está esf... – parou ao ouvir-me bocejar novamente – Kagome, você não dormiu bem?
Eu sentei-me em minha cama.
_Pra falar a verdade, não fechei os olhos durante a noite toda.
_Oh Kagome. – mamãe pegou-me pelos ombros e empurrou-me suavemente para trás, fazendo-me deitar – Desse jeito vai adoecer, vamos, é melhor descansar um pouco.
Em meu sonho eu tinha asas ao invés de braços, e voava por baixo da água tentando escapar de uma luz branca e ofuscante que sugava a tudo ao ser redor, mas eu estava perdendo a batalha, a luz estava me engolindo, eu debatia-me em pânico.
Miroku, Sango, e até Kagura também estavam lá. Os três puxavam-me, batendo os pés com força na água tentando tomar impulso e afastar-me da luz, os três tinham cheiro de Karaage, então uma menina branca, que também cheirava a Karaage, saiu nadando de dentro da luz, que já havia me engolido até os joelhos e começou a puxar-me para longe da luz também, porém quanto mais eles tentavam ajudar-me, mais forte a luz puxava-me, e mais eu me debatia.
Até que quando a luz já havia me engolindo quase por inteira uma linha vermelha surgiu a minha frente, flutuando e eu agarrei-me a ela, tinha braços novamente, imediatamente alguém do outro lado da linha começou a puxar-me e eu fui arrancada da luz.
Fui sendo puxada cada vez mais para o fundo, até que fui cuspida pelo céu, ele era vermelho da cor de uma fumegante sopa de tomates e tinha uma densidade aquosa, mas eu não estava caindo, estava sendo puxada, lá embaixo havia uma pessoa, que puxava a outra ponta da linha a qual eu me agarrava, eu não podia ver seu rosto, porém havia uma corrente brilhando em seu pescoço, todo o lugar cheirava a Karaage, na verdade o cheiro era tão forte e tão real que eu acabei acordando... E o cheiro continuava lá.
_Aí está. – ouvi alguém rindo – Eu sabia que isso te acordaria!
_O que? – eu pisque sonolenta sentando-me na cama – Isso é cheiro de Karaage, ou ainda estou dormindo?
E como que por pura magia, uma tigela plástica com vários pedaços de Karaage surgiu em meu colo, eu pisquei pensando que fosse uma miragem.
_Vamos, pode comer, não tenha medo! – disse a pessoa pegando um pedaço e o enfiando na minha boca – A sua mãe está lá fora distraindo a sua enfermeira.
Fechei os olhos e mordi, deliciando-me com o sabor.
_Finalmente comida de verdade.
Aquela pessoa voltou a rir.
_Sango me contou da gororoba que eles servem aqui, por isso achei que fosse uma boa hora para cumprir minha promessa.
Eu abri os olhos e pegando mais um pedaço de Karaage franzi o cenho para Inuyasha.
_Por que você foi embora daquela maneira, e não veio ver-me ontem?
Inuyasha desviou o olhar.
_Eu... Tinha umas coisas a fazer. Só isso. Sabe pensei em te trazer flores também – ele olhou a volta, aqui há mais flores do que no festival da primavera – Mas não queria sufocar você.
Eu sorri.
_Sinceramente prefiro o Karaage, você é mesmo um amor Inuyasha!
Ele correspondeu-me o sorriso e perguntou de maneira hesitante:
_Kagome, você... Lembra-se de alguma coisa?
Franzi o cenho, mastigando meu Karaage lentamente, para falar a verdade mesmo, desde que acordei que tenha essa impressão, de que me esqueci de alguma coisa, engoli o Karaage e soquei o braço de Inuyasha.
_Estava te devendo isso. Por você ter namorado escondido de mim com a Kikyou. –afirmei – Mas está tudo bem agora, então não precisa se preocupar porque você continua sendo o meu melhor amigo.
Algo cutucou o meu cérebro, um conselho de Miroku datado de dois anos atrás, mas eu varri-o para longe com uma pequena pontinha de irritação. Ainda não, ainda é muito cedo, quero pelo menos estar vestindo roupas de verdade quando chegar a hora.
Por alguma razão, isso pareceu deixa-lo chateado.
_É claro... – ele levantou-se e suspirou – Bem, você gostou do Karaage? Mamãe vai querer saber.
_Sim, está muito bom... Você já está indo?
_Sim.
Inclinei a cabeça de lado confusa.
_Mas por quê? Você acabou de chegar!
Inuyasha abriu a porta.
_Eu tenho umas coisas... Pra fazer.
_Coisas? Mas que coisas?
_Umas... Coisas. – e se foi.
Nos dois dias seguintes em que permaneci de observação no hospital, com aquela estranha sensação de ter me esquecido de algo sempre a acompanhar-me, eu recebi muitas visitas, alguns antigos colegas de escola, uns poucos repórteres – aqueles poucos que conseguiram evitar a barreira de segurança que minha enfermeira parecia ter erguido ao redor de meu quarto – Sango, Miroku e Souta também vieram ver-me regularmente, mas por causa de minha enfermeira, nenhum deles pode ficar por muito tempo, vovô e mamãe revezaram-se para ficar comigo... Mas Inuyasha não voltou a vir visitar-me.
_Higurashi Kagome está agora a poucos passos da saída, ela caminha com seus próprios pés... Senhoras e senhores, isso é tão emocionante! – narrou Miroku seguindo-me todo empacotado com seu casaco e luvas, pois a presença dos espíritos do hospital lhe dá fr... Espera. O que? – Ela está abrindo a porta! Ela está... Ela está oficialmente fora senhoras e senhores! É oficial Higurashi Kagome saiu do hospital! Repetindo: Higurashi Kagome saiu do hospital!
Sango e Souta que já me esperavam do lado de fora com chapeuzinhos de festas em suas cabeças, começaram a jogar confetes em minha cabeça, e vovô tocou uma daquelas cornetinhas de festa, Kagura veio até mim e deu-me um grande abraço, logo em seguida depositando um buque de flores em minhas mãos.
Mais além, mamãe deu uma risadinha.
_Oh que bonitinho Kagome, todos vieram assistir a sua reestreia no mundo dos vivos!
Eu olhei a volta, e suspirei... Nem todos.
De repente, Miroku, já tendo se livrado do casaco e das luvas, passou o braço ao redor de meus ombros, e colocou seu microfone, – o pirulito que pegou na recepção – a minha frente.
_E agora, Higurashi Kagome. A pergunta que não quer calar! O que pretende fazer agora que está finalmente livre do hospital? Uma viaje talvez?
_Ah Miroku. Para com isso. – eu empurrei-o de leve.
_Ei, por que você não parece feliz como uma pessoa que acabou de escapar da morte deveria estar? – Kagura perguntou confusa.
Mais uma vez eu olhei ao redor.
_Onde ele está? – perguntei a ninguém e a todos.
Vovô fungou.
_Bem se você está se referindo aquele rapaz o Inuyasha, ele não dá sinal de vida desde... Ai! Keiko! – reclamou quando mamãe o beliscou.
Mamãe olhou-me inquieta.
_Bem... O Inuyasha não pode vir porque ele... Bem... Acontece que...
Ela está tentando inventar uma desculpa. Percebi de súbito.
_Tia. – chamou Sango – Será que podemos levar a Kagome para comemorar? Nada demais... Talvez só...
_Uns sanduiches personalizados! – intrometeu-se Miroku, todo animado com seu pirulito na boca – E eu conheço o lugar perfeito!
_Bem... – mamãe hesitou um pouco – Está bem, mas não demorem e nem comam demais, eu vou fazer um almoço especial hoje. Papai o senhor vai me ajudar. – ela segurou o braço de vovô – Souta, você...
_Quero ir com a mana. – ele disse de imediato.
_Muito bem. – concordou mamãe e pegou o buque que Kagura havia me dado. – Eu levo isso para você querida.
Depois que mamãe e vovô partiram, Kagura checou seu relógio de pulso e surpreendeu-se.
_Gente olha só a hora! Sinto muito, não vou poder ir com vocês, meu avião parte em 4 horas e meia, e mamãe gosta de chegar bem cedo ao aeroporto, Lisboa aí vou eu!
Ela ajeitou o chapéu cuja aba era enorme em sua cabeça, colocou um par de óculos de sol e jogou uma das pontas da echarpe por cima do ombro antes de ir-se embora, tirando o celular da bolsa, provavelmente para ligar para sua mãe e dizer que já está a caminho, enquanto a saia rodada do vestido balançava de um lado para o outro ao redor de suas pernas, e os saltos ressoavam na calçada de pedra.
Sango piscou, como se não acreditasse que Kagura havia acabado de ir embora, para morar em Lisboa, como quem diz que vai passar uma tarde no shopping e vai nos ver amanha.
_Não seria melhor... Despedirmo-nos dela no aeroporto? – perguntei.
Miroku balançou a cabeça.
_Eu bem que sugeri isso, mas ela odeia despedidas. Em fim, vamos indo, eu conheço um lugar ótimo! Vocês vão adorar!
Uma coisa eu posso dizer: Souta certamente adorou.
Quanto a Sango e eu... Bem, nós ficamos um pouco surpresas, e constrangidas também.
Por que a surpresa? Bem simplesmente porque Miroku nos levou para "a terra dos super heróis", as mesas tinham, cada uma delas, a estampa de um herói diferente, assim como os copos, os pratos, e até o porta-guardanapos e o porta canudos.
As paredes eram pintadas com cenas de lutas entre "o bem e o mal", e os funcionários– aqueles que eu podia ver pelo menos – usavam camisetas de temáticas heroicas.
E por que o constrangimento? Devem estar se perguntando. E eu lhes digo o porquê: nós éramos as únicas garotas ali.
A clientela era, sem querer ofender, de um tipo bem estranho, vários homens, das mais variadas idades que pareciam colecionar coisas de super heróis e ainda morarem com suas mães, de forma que quando entramos todos se viraram para nós, alguns pararam até de comer, e um ou dois sacaram seus celulares para tirarem fotos.
Miroku passou os braços por nossos ombros e sorriu.
_É isso mesmo, elas estão comigo. Agora morram de inveja! – disse se achando e sussurrou baixinho para que só nós ouvíssemos – Estou imaginando o sucesso que vocês fariam na loja de quadrinhos!
Enquanto isso, Souta corria pelo lugar, sem saber em que mesa se sentar, até que, depois de uns sete minutos, decidiu-se por uma mesa do poderoso Thor.
Um garoto que deveria ter mais ou menos a nossa idade, com algumas espinhas no rosto, e uma camiseta do super-homem – como o corpo dele desenhado, mas sem a cabeça, simulando que o rapaz era o próprio super homem – veio nos entregar os cardápios, e ainda demorou-se vários segundos a mais, apenas olhando para mim e para Sango, como se não tivesse certeza de que nós realmente existíamos. O cardápio foi uma nova surpresa: praticamente todos os sanduiches servidos ali, tinham nomes de super heróis.
_Oh, já entendi o que você quis dizer com sanduiches personalizados. – disse Sango, passando os olhos pelo cardápio – O Incrível Huck?
_Um sanduiche vegetariano. – respondeu Miroku – Totalmente verde! Entendeu? Vegetariano. Verde. Huck...?
Pelo canto do olho eu vi alguém tirar uma foto nossa com o celular.
_Ah, é claro. – Sango forçou um sorriso e inclinou-se em minha direção e sussurrou, também se sentindo incomodada com aquela atenção toda: – Me lembre de nunca mais deixa-lo escolher aonde vamos.
De repente Souta pulou em seu lugar, e empurrou o cardápio contra Miroku, cheio de empolgação.
_E esse? – ele disse – O que vem nesse? O que vem?!
_O Espetacular Homem-Aranha. – leu Miroku, e encolheu os ombros – É só um queijo quente normal... Cortado em forma de aranha.
_Que maneiro!
_Ah é. E o queijo vem tão quente e derretido, que ele vem esticando e lembra até a...
_Teia do homem aranha!
Era até engraçado ver meu irmão e Miroku conversando sobre sanduiches de super heróis, o sanduiche de frango da mulher gavião, super vitaminado e nutritivo sanduiche do super homem. Esta aí uma ótima maneira de fazer criança comerem coisas saudáveis... Ah e não me deixem esquecer-se do sanduiche de sardinhas do Aquaman, Sango quase vomitou quando leu esse – ela odeia sardinhas – e vocês já entenderam o que eu quis dizer.
_E vocês ainda não viram a melhor parte! – Miroku exclamou todo animado enquanto nos serviam.
O espetacular Homem-Aranha para Souta, A mulher gavião para mim e para Sango e O incrível Huck para Miroku, guaraná para mim, Coca-Cola para Miroku e Souta e Fanta Laranja para Sango.
_Tenho medo de perguntar. – falei – Mas qual é a melhor parte?
_Os brindes! – disse contente feito uma criança pequena – Olha ganhei o anel do Lanterna Verde! Ele ascende à luz se apertamos bem aqui!
Ele colocou o anel no dedo e o apertou o fazendo começar a piscar feito uma daquelas luzes de natal, fascinando Souta e me obrigando a rir. Tenho a impressão que se Miroku morresse – Que Buda nos livre! – E precisasse ficar na sala de espera, para ele a sala seria um mundo de super heróis.
Espere. Sala de espera? Da onde eu tirei isso? E por que me veio à mente agora um parque de diversões e um carrossel?
Depois de algum tempo Sango e eu relaxamos e acabamos esquecendo que éramos "estrelas" ali, mas ainda foi meio estranho quando de uma hora para a outra os pelos do braço de Miroku arrepiaram-se e ele virou-se para o lado e disse:
_Desculpe, mas já estou em um caso agora, não é nada complicado, talvez eu possa te ajudar na semana que vem, porque não vai até minha casa? Podemos nos acertar lá.
Sango por outro lado não pareceu achar isso nada estranho, e Souta estava distraído com outra coisa:
_Olha o meu brinde! Olha o meu brinde! – exclamou Souta segurando um morceguinho negro feito de plástico – Isso é do Batima, né?
_Isso mesmo. – concordou Miroku – E vocês meninas o que ganharão?
Eu pisquei e mostrei a Miroku o meu pequeno brinde: um pequeno chaveiro do super homem com uns 10 cm de altura, com um pequeno botãozinho nas costas que ascendia duas luzinhas vermelhas em seus olhos.
Sango ganhou um botton da mulher maravilha.
Depois disso fomos para minha casa, onde mamãe já nos esperava com um delicioso e requintado almoço, coisa meio estranha porque ela nunca soube cozinhar nada de muito sofisticado, e Souta me disse que ela não melhorou em nada as habilidades na cozinha nesses dois anos que estive... Fora.
Sango foi quem desvendou o mistério: minha mãe contratou um Buffet. Achou o cartão com o número deles, no bolso do avental de mamãe.
Mamãe ficou muito constrangida.
Foi um dia bem divertido, mas... Ainda faltava alguém.
Naquela noite sonhei que estava voando pelo espaço, a minha volta várias imagens, que pareciam ser lembranças iam surgindo e desaparecendo, em uma delas eu estava correndo atrás de Inuyasha na rua, somente com uma camisola de hospital, em outra eu estava sentada em cima de uma geladeira usando uniforme de Ed. Física e conversando com Inuyasha, também vi uma em que estava abraçada a ele, e outra em que estava deitada junto com ele numa cama. Só tinha um problema: nenhuma daquelas lembranças havia acontecido realmente.
Então por que eu sentia como se tivessem?
_Pode entrar. – falei ao ouvir que alguém batia na porta.
_Bom dia meu amor. – cumprimentou-me mamãe entrando em meu quarto – Tenho boas noticias, segunda-feira que vem você poderá voltar à escola, você vai fazer este ano os dois anos que perdeu na escola, mas ainda vai ficar um ano atrasada em relação a seus amigos...
_Tudo bem mãe. – respondi.
Ela sentou-se ao meu lado no chão, e passou a mão em minhas costas.
_Filha... Tem algum problema?
_É Inuyasha. – eu respondi. – Não o vejo desde aquele dia, que me levou Karaage secretamente no hospital.
_É verdade, naquele dia o rapaz pareceu ir embora bem chateado. – falou lembrando-se – O que disse a ele Kagome?
Pensei em minha ultima conversa com Inuyasha, mas não consegui lembrar-me de nada que possa tê-lo deixado chateado ou zangado comigo.
_Se o fiz, não foi proposital.
_Bem. – mamãe tocou minha cabeça e levantou-se – Seja o que for Kagome, peça desculpa a ele.
_Mamãe! – chamei, quando ela já saia do meu quarto – Eu só queria dizer... Que o papai te amava muito.
Mamãe sorriu saudosa.
_Eu sei disso, também o amava. – fez uma careta – Mas nem todo o amor do mundo foi capaz de fazer aquele homem parar de fumar! Francamente aquele homem soltava mais fumaça que uma chaminé...! – e foi-se embora reclamando de papai.
Amor...
Uma das ultimas lembranças que tenho antes do acidente, é de que na noite anterior, Sango veio dormir em minha casa, e enquanto trançávamos os cabelos uma da outra, peguei-me confessando a ela, estranhas sensações que andava tendo ultimamente, e cogitando a hipótese de que talvez fosse alergia.
Mas Sango logo descartou essa ideia, disse que o que eu tinha era uma coisa que começava com a letra P.
_Pneumonia? – chutei inocentemente.
_Não Kagome, é uma coisa que tem seis letras, começa com P e termina com O.
_Piolho?! – lembro-me de ter me assustado – Acha que estou com piolho?
E depois de me tentar fazer entender por mais algum tempo, ela finalmente desistiu, e disse-me com todas as letras de uma vez o que diabos eu tinha afinal:
_Kagome, minha pequena e ingênua Kagome, o que você tem é paixão. Você está apaixonada por Inuyasha.
No dia seguinte, foi uma verdadeira batalha tirarem-me da sala de aula, eu inclusive agarrei-me a cadeira.
_Não quero ir! – exclamei em minha covardia – E se ele rejeitar-me?!
_Não vai, Kagome largue essa cadeira! – Sango respondeu.
_Estou assustada Sango. Uma coisa dessas pode acabar com nossa amizade.
_Vamos Kagome, precisa ser forte. – Miroku intrometeu-se, e deu-me um conselho que ele mesmo deveria seguir: – Melhor confessar-se e se arrepender por ter sido rejeitada, do que jamais confessasse e ficar para sempre em duvida sobre o que teria acontecido se tivesse tido coragem.
Olhei-o suplicante.
_Acha mesmo?
_Sem sombra de dúvida!
E encorajada pelos amigos, eu decidi largar a cadeira e ir confessar-me a Inuyasha. Mas tive a desagradável surpresa de encontra-lo nos braços de Kikyou.
Fiz uma careta. Certo, está não é uma lembrança das mais agradáveis.
Porém, Kikyou já não está mais aqui para ficar entre nós, ela está longe, em Hong Kong, eu preciso ser rápida e confessar-me logo de uma vez antes que outra chegue na minha frente, de novo, mas como vou fazer isso se esse garoto de repente pareceu ser tragado pela terra?!
Diabos, eu devia mesmo era ter falado de uma vez no hospital, mas não, a velha e covarde Kagome tinha que falar mais alto!
Mas que seja então. Se ele não vem até mim, então eu vou atrás dele, ah se vou!
*.*.*.*
Pronto desde 23/04/13, eu e essa minha mania de anotar tudo!
E então? Voltei rapidinho né? Aposto que vocês pensaram que eu ainda ia demorar décadas pra postar né? Como vocês pensam mal de mim! KKKK
Pois é, depois desse deveria ter só mais uma capitulo, mas eu acabei criando um epílogo. Fazer o que né? ^^'
Respostas as review's:
Gabyh: Estamos em cada esquina KKKK
É, sou sim, admito. ^^
patyzinha: Ah não diga isso! Só há uma pessoa que eu odeio na vida, e essa pessoa não é você, tenha a certeza disso! ^^
Ah o Miroku já explicou isso uma vez, quando se é uma projeção astral é normal se esquecer do que se passou, como aqueles sonhos que a gente não lembra o que sonhou. É exatamente por isso, ele está chateado porque ela já não lembra mais que disse que o amava.
Yogoto: E depois desse ainda temos pais o ultimo capitulo e o epilogo! ^^
É como o pai da Kah disse: aquele homem a corrompeu.
É a danada se safou fingindo que passou mal, mas ele foi preso! KKKK
