Discleimer: Inuyasha e Cia. Não me pertencem, mas a história sim.

Comer dá sono e dormir da fome.

Projeção astral.

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Como em um sonho.

O primeiro lugar em que fui procura-lo foi, obviamente, a casa dele, mas qual não foi a minha surpresa ao ser atendida por uma garota que eu sequer conhecia, mas que tinha a impressão de já ter visto em algum lugar, e que me disse que ele já não morava mais ali.

_Ele se mudou?! – repeti incrédula.

A menina, que usava uma camisa masculina três vezes maior que ela, com um cinto fino na altura da cintura e uma calça Capri jeans que batia um palmo abaixo do joelho, concordou alegremente.

_É um covarde! – exclamou alegremente, ela parecia ser mais velha que eu, uns dez anos no mínimo, porém eu era mais alta – Foi-se embora correndo assim que Sesshoumaru disse que eu estava voltando para casa, acho que ficou com medo que eu pintasse as unhas de seus pés novamente enquanto ele estivesse dormindo!

_Você ia fazer isso?

_Não. – respondeu-me – Na verdade estava planejando fazer nele uma bela maquiagem de gueixa. – ela deu uma risadinha – Você não tem ideia de como ele tem sono pesado. E depois tiraria uma foto e daria para a mãe dele, Izayoi adora colecionar fotos.

_Você é Rin. – afirmei de repente.

_Exatamente! – ela concordou. – Inuyasha falou de mim para você?

_Não. – minha própria resposta surpreendeu-me, mas uma foto de Rin em um balanço com uma camisa laranja e uma calça jeans pairava em minha cabeça. – Ou talvez sim... Não sei.

Rin sorriu para mim.

_Qual seu nome?

_Kagome. – respondi – Para onde ele se mudou?

_Para a casa dos pais. – respondeu-me.

_É claro. E... Obrigada. Desculpe ter incomodado.

_Não foi incomodo algum. – Rin negou.

Mais tarde no metrô eu percebi que devia ter pedido o endereço dos pais de Inuyasha para Rin, suspirei, mas como sou idiota!

Saí da estação de metro e fui caminhando tranquilamente até o templo onde Miroku mora, se Inuyasha não estiver lá, pelo menos Miroku deve saber onde ele mora agora, diferente do templo em que eu moro, o templo de Miroku não tem nenhuma escadaria e fica a altura da rua, eu atravessei o pátio e passei pelo templo, indo direto para a casa dele, mas quando bati na porta, quem atendeu foi Sango.

_Oi Sango! – falei um pouco surpresa – O que faz aqui?

Sango encolheu os ombros.

_Acho que é natural passar um tempo aqui, agora que Miroku é meu namorado. Você sabia desse gosto por super heróis dele?

_Eu tinha uma vaga ideia. Mas você devia ver o quarto dele. – falei, sem saber como é que eu sabia como era o quarto de Miroku.

Sango concordou e afastou-se para que eu pudesse entrar.

_Talvez outro dia.

Quando entrei me deparei com a seguinte cena: Miroku sentado no sofá em frente à televisão com os olhos arregalados e respirando em um saco de papel.

Virei-me para Sango.

_O que aconteceu com ele?

Ela passou a mão pelo pescoço.

_Não sei exatamente, nós nos sentamos para ver desenhos, pois é ele é meu namorado agora fazer o que, e ele ligou a televisão dizendo que mal podia acreditar que eu ia ver "Os vingadores" com ele.

_Isso não é um filme?

_Parece que tem um desenho também. Em fim, quando ele ligou a televisão ao invés de começar "Os vingadores" começou "Esquadrão herói" e... Bem, depois disso ele teve um ataque de nervos. – olhou para Miroku sentado no sofá puxando a respiração com força – Estava gritando algo sobre estarem humilhando os heróis publicamente, e que o Thor não age e nem fala daquele jeito, e também sobre ser uma afronta... Em fim, coisas sem sentido. Eu nem sei por que ele pirou, os bonequinhos até eram bonitinhos e a musiquinha era bacana.

_Hã... – olhei para Miroku respirando com força no saco de papel, não acho que ele esteja lá em condições de me ajudar no momento – Ele vai ficar bem?

Sango fez que sim.

_Não se preocupe, ele vai sobreviver.

_Certo. Sango eu vim aqui porque queria que Miroku me dissesse qual o novo endereço de Inuyasha, já que ele se mudou e aparentemente não está aqui, eu preciso... Preciso dizer a ele o que não disse há dois anos.

Sango concordou.

_Já estava na hora. Espere aqui, vou ver o que posso fazer.

Quase meia hora depois retornou folheando uma pequena agenda negra com "lista de contatos" escrita na capa, de cenho franzido.

_Miroku contou-me que não gosta de anotar nada em coisas eletrônicas, porque esses aparelhos quebram ou são roubadas, e tudo se perde. Você já foi ao quarto dele? É o paraíso dos heróis. Por que a maioria das pessoas anotadas aqui são garotas? Definitivamente ele vai ter de se livrar dessa agenda! Ah, olha aqui o Inuyasha.

Ela arrancou a ultima folha da agenda, anotou alguma coisa nela e entregou-me o papel.

_Vai lá amiga. – incentivou-me com um grande sorriso – Eu sei que consegue!

_Obrigada. – eu sorri agradecida e levantei-me do sofá, mas antes de ir lancei um rápido olhar a Miroku, ainda em estado de choque – E quanto a ele?

_Hã? Ah sim. – ela caminhou até ele tirou o saco de papel de suas mãos, inclinou-se em sua direção, apoiando as mãos no encosto do sofá ao lado de sua cabeça e o beijou longamente, depois se colocou de pé com um sorriso. – Viu? Ele já melhorou.

Miroku piscou, e de repente, saltou para longe do sofá e saiu correndo em direção ao quarto.

_Espera! – Sango gritou indo atrás dele – Aonde vai?

_Preciso usar a Internet! – ele gritou de volta – E contar ao mundo a minha revolta, com certeza não sou o único! E também quero enviar um e-mail de reclamação formal para a emissora!

_Miroku para com isso, é só um desenho! – disse Sango logo antes do som da porta do quarto de Miroku se fechando.

Dei um risinho antes de ir embora, Miroku é um fã de super heróis e mediador de espíritos em horas vagas, mas Sango sabe disso e o aceita mesmo assim, é por isso que acho que eles serão felizes juntos, na verdade, eu sorri, tenho quase certeza de que logo ela será tão fã de super heróis quanto ele.

Fui à estação de metro com o novo endereço de Inuyasha em minhas mãos.

Quando bati a porta, tive a estranha sensação de já ter estado lá antes, como um Dejávù, e a mulher que atendeu a porta parecia-me estranhamente familiar, talvez fosse porque ela fosse mãe de Inuyasha e assemelhava-se com ele.

_Sim, o que deseja?

Eu inclinei a cabeça de lado e perguntei estupidamente:

_Já nos conhecemos?

A mulher pareceu confusa.

_Desculpe, eu não creio...

_É a senhora tem razão. Desculpe-me... Inuyasha está em casa?

Ela balançou a cabeça.

_Não querida. Ele praticamente saiu correndo daqui depois que recebeu uma ligação de Rin, sequer disse-me aonde ia.

Rin deve ter ligado para dizer que eu estava a sua procura, e ele fugiu.

Ele não quer me ver... Percebi com um aperto no peito.

_Sabe... A que horas ele volta? – perguntei com a voz sufocada.

_Antes do jantar para o bem dele. – respondeu-me.

_Ah sim, obrigada.

Virei-me e desci os três degraus que separavam a porta da calçada, mas mal tinha me afastado meio metro, e a senhora Taisho alcançou-me.

_Espera. – pediu – Você é Kagome?

_Sou sim. – respondi confusa.

A Sra. Taisho sorriu enigmaticamente.

_Inuyasha carrega algo no pescoço. – ela disse – É feito de prata, assim como seus olhos, e sempre que pensa que não estou ouvindo ele à toca, e murmura seu nome.

Pelo resto do caminho fiquei pensando no que a mãe de Inuyasha havia me dito, perguntando-me o que ele carregava no pescoço, algo feito de prata como os meus próprios olhos. Virei-me para fitar meu reflexo na janela do ônibus, a fim de ver meus olhos, cinzentos como um dia de tempestades, bem no momento em que o ônibus passava em frente a um cemitério.

"Cemitério que só falta você" diziam as letras no portão. Um arrepio subiu-me a espinha, mas por alguma razão, eu desci do ônibus e entrei no cemitério.

Não sei o que faço aqui, cemitérios nunca me agradaram, e nem sequer conheço ninguém que esteja enterrado aqui... Conheço?

De repente vi-me em frente a uma sepultura, onde dois vasos com flores frescas haviam sido deixados, assim como também um leque branco de detalhes vermelhos, e um espelho quebrado.

Kagura esteve aqui.

Eu soube de algum modo, talvez tenha passado aqui a caminho de casa, ou do aeroporto, também havia uma foto emoldurada ali, uma menina loirinha e sorridente de uns quatro ou três anos de idade, sentada numa toalha de piquenique, com um bebê de cabelos escuros e um sorriso sem dentes sentado entre suas pernas.

Você sempre estará no meu coração irmã. Alguém havia escrito em vermelho, num canto inferior da foto.

Na lápide a inscrição: Kanna Onigumo, pequeno anjo de pureza, amada filha e irmã. 14/08/1990 - 03/05/1999.

Por alguma razão um calor espalhou-se por meu peito, um carinho e uma gratidão inexplicável, como se de alguma forma eu tivesse conhecido aquela criança, que havia falecido tantos anos antes, e até me tornado amiga dela. Mesmo que isso fosse impossível.

Eu sorri.

Depois de quase um quarto de hora eu embarcava novamente em outro ônibus, desta vez sem paradas vou direto para casa... Inuyasha está evitando-me.

Ele saiu correndo de casa assim que soube que eu o estava procurando, mas não vou desistir assim tão facilmente, amanhã, postar-me-ei em frente ao colégio e esperarei até que ele saia, e não descansarei, até finalmente dizer que o amo.

Como devia ter feito há dois anos.

Cheguei ao templo por volta das 17h, nem acredito que passei três horas inteiras procurando Inuyasha em vão, Buyo foi quem veio receber-me, esfregando-se em minhas pernas a procura de carinho, peguei-o no colo.

_Oi gatinho. – cumprimentei fazendo-lhe carinho enquanto caminhava para casa.

Porém, quando cheguei à porta de casa, uma repentina imagem do canteiro de flores que eu cultivava lá nos fundos veio-me a mente, pergunto-me se ele ainda existe, minhas pequenas e delicadas flores certamente não sobreviveriam sem cuidados por dois anos, será que alguém o cultivou? Ou agora será apenas um monte de mato e erva daninha?

Pensando em meu canteiro coloquei Buyo no chão, ele olhou-me e miou, entalando por meio segundo na portinha antes de conseguir entrar, talvez precisassem de uma portinha maior, ou colocar o gato de regime, desde que foi castrado há quatro anos, Buyo engordou terrivelmente, eu disse à mamãe que por ser um gato macho de três cores no pelo, o Buyo era naturalmente estéril, e, portanto não havia necessidade de castrá-lo, mas ela não quis es... Inuyasha.

Parei subitamente, e pisquei achando que a imagem de Inuyasha, sentado diante o meu canteiro fosse de alguma forma uma miragem, mas ele continuava ali, sentado com as pernas meio dobradas e os braços em volta dos joelhos, olhando para o céu como se já estivesse aqui há muito tempo.

Ele suspirou, e ficou lá parado por mais alguns minutos sem saber que eu o observava, mas de repente, como se pressentindo minha presença, seus músculos enrijeceram e ele virou-se em minha direção.

_Finalmente. – disse, olhando-me debaixo com os olhos fixos nos meus – Achei que nunca chegaria.

Caí de joelhos e o abracei afundando meu rosto na curva de seu pescoço.

_Eu estava procurando você.

_Que engraçado. – ele riu abraçando-me – E eu estava este tempo todo a esperando bem aqui. Rin ligou-me sabe? – perguntou soltando-me – Disse que uma garota de nome Kagome havia passado lá me procurando, e que era melhor eu conversar com meus amigos sobre meu novo endereço, porque Sesshoumaru "é um chato". Achei que... Se estivesse mesmo me procurando tinha algo importante para dizer.

_Eu tenho. – afirmei – Estava procurando-o, e este tempo todo você esteve bem aqui.

Eu ri de minha própria falta de sorte, mas acabei perdendo a voz quando Inuyasha tocou-me no queixo, olhando-me diretamente nos olhos.

_E então? O que quer dizer-me?

_Eu...! – engasguei-me, isso não é tão fácil quanto pensei.

Inuyasha espalmou gentilmente a mão em minha bochecha direita, seus olhos encarando-me com suavidade.

_Kagome você finalmente se lembrou? – perguntou-me.

_Lembrei-me de que? – perguntei, droga ele está me distraído – Não, eu... Inuyasha aonde vai?!

Ele parou a alguns metros de mim, e virou-se para mim com os punhos cerrados.

_Me desculpe Kagome. – disse-me – Mas eu não posso mais estar perto de você. Não sabendo agora o que eu sinto por você, e sabendo também que você não se lembra de nada do que se passou... Foi um erro vir até aqui. Eu tinha falsas esperanças.

Ele está indo embora. Ele não pode ir embora!

Meus olhos ardem, meu coração está aos saltos.

_Inuyasha. – sussurrei angustiada, e então gritei: – Inuyasha! Inuyasha, por favor, não vá!

Mas ele ignora-me, age como se não estivesse me ouvindo.

_Inuyasha, por favor, eu amo você!

Finalmente ele parou, e olhou-me abismado.

_O que você disse?!

_Amo você! – repeti aos prantos – Amo! Amo! Amo! Tentei dizer-te isso há dois anos, e tive medo no hospital, mas agora eu te imploro, por favor, não se vá, porque eu amo você Inuyasha!

De repente o ar faltou-me nos pulmões, quando fui pega, desprevenida em um abraço de ferro de Inuyasha.

_Eu também te amo, Kagome.

Disse-me, e antes que eu pudesse reagir pressionou seus lábios contra os meus, no principio foi brusco, e desesperado, mas então aos poucos se foi tornando tranquilo e gentil.

Minhas mãos espalmaram-se contra seu tórax, e foram subindo em direção ao seu pescoço, até que de repente, meus dedos enroscaram-se em algo que havia ali, uma corrente de prata.

Inuyasha carrega algo no pescoço. É feito de prata, assim como seus olhos, e sempre que pensa que não estou ouvindo ele à toca, e murmura seu nome.

De repente, tudo me veio à memória, o mundo branco, o fio prateado da vida, Kanna, o plano astral, os meses em que fui uma projeção astral, o Poltergeist no quarto de Kikyou, a última noite que passei ao lado de Inuyasha, o dia em que lhe dei a corrente de prata de meu pai e a linha vermelha do amor.

_Kagome? – chamou-me preocupado, quando percebeu que havia algo errado.

Inesperadamente eu abracei-o pelo pescoço.

_Eu me lembro. – confessei – Lembro-me de tudo... Acho que sempre me lembrei, mas antes tudo era como um sonho. Oh Inuyasha, eu me lembro. Não foi um sonho. Nada foi um sonho, não é?

Tremulo, como se não pudesse acreditar no que estava ouvindo Inuyasha abraçou-me pela cintura.

_Não. – sussurrou em meu ouvido.

E sorrindo ele inclinou a cabeça em minha direção e voltou a beijar-me.

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Pronto desde 26/04/13, eu e essa minha mania de anotar tudo!

Ai gente tá acabando, só falta o epilogo e vocês já podem dar adeus, para a fanfic "Projeção astral".

Resposta as review's:

Yogoto: Antes esse aqui era para ser o ultimo capitulo, mas ai decidir escrever um epilogo também! Tipo eu fiquei pensando: se tem um prólogo por que não vai ter um epilogo? ^^

Jekac: Bem, obrigada. Fico feliz que tenha gostado da estória! ^^

Gabyh: Há e eu voltei rapidinho de novo, só para a surpresa de vocês! KKKKK

Bem para o bem o para o mal aqui está o que deveria ser o ultimo capitulo da fanfic, mas não se preocupe, eu ainda criei um epilogo para ser postado! ;)

patyzinha: Pronto já acabou a sua agonia, que ela já se lembrou de tudo!

Um lugar de sonhos para se comer, não é? *_*

nane-chan: Pois é! Imagina o sucesso que elas fariam na loja de quadrinhos!