QUARTO CAPITULO
I'LL BE THERE FOR YOU

SETEMBRO DIA 15

Daniel

- Porque será que ela ainda não me telefonou? Será que tá tudo bem com ela? Será que lhe aconteceu qualquer coisa? - estas eram apenas algumas perguntas que me saiam da boca para fora, enquanto falava com Luce. - Isto não é normal dela. Antes quando ela sai com o Miles e a Shelby, já me tinha telefonado há horas.
- Daniel, tens de te tentar acalmar. Decerteza que ela está bem. Se calhar ficou sem bateria no telemovél, ou então teve de o desligar porque foi ao cinema, ou então...
- Ou então foi assaltada e perdeu o movél
- Daniel, tens de tentar ter calma, ela deve estar bem. Se houvesse algum problema ela teria telefonado, ela tem dezassete, a caminho dos dezoito. Ela sabe do que faz.
- Eu sei disso, mas ela ainda não tem a cabeça no sitio. E pode fazer uma parvoice que lhe podem um pouco mais do que um telefone.
- Relaxa. Nós as duas partilhamos a mesma idade, eu sei muito bem o que lhe passa pela cabeça. - disse Luce aproximando-se de mim e tocando com as suas mãos na minha cara para a encarar. - Ela deve estar apenas a divertir-se com a Arriane e o Roland. Ela não os vê desde o ano passado é natural que queria passar o máximo de tempo com eles. Tem calma que vai tudo correr bem.
- Eu sei disso, é apenas dificil deixar de pensar no que lhe pode acontecer de mal. E se alguma coisa lhe acontesse, e eu não estive-se lá. Acho que nunca me perdoaria. - eu detestava preocupar Luce, principalmente nesta altura no oitavo mês, mas eu também tinha que ser realista em relação a Gabbe.
- Então fazemos assim. Como ainda são 22:42, não fazemos nada e tu tentas relaxar em relação a ela. Se quando passar das 23:50 e ela ainda não estiver em casa - Luce suspirou. - eu telefono a alguém.
- A quem?
- Com sorte, não descobres hoje.
A resposta dela apenas me deixou ainda mais curioso, mas eu recusei-me a pensar nisso. Agora estava mais preocupado com Gabbe. A vida nunca foi fácil, e se ela descobrisse a verdade não sei o que seria da nossa familia.
- Ei, eu já te disse para não pensares mais nisso.
- Eu sei desculpa, mas é que este segredo corroi-me por dentro.
- Aquele da Gabbe e da familia? - passados seis dos nossos quase dez meses juntos, eu tive que contar a Luce o meu segredo de familia e fez-lhe prometer que ela nunca contaria nada a Gabbe. O segredo tambem a corria por dentro, via-se isso cada vez que falava com Gabbe.
- Sim, eu não sei o fazer se ela o descobrir, quer dizer eu escondi metade da vida dela, de ela própria. E eu conheço-a bastante bem para saber o ela era capaz de fazer.
- Tenta não pensar nisso agora ok? Decerteza que se ela o tivesse já descoberto, a primeira coisa que ela fazia era vir para casa e confrontar-te em relação a isso.
- Como tens tanta certeza disso?
- Porque essa seria a primeira coisa que eu fazia se fosse comigo. E eu também tenho a certeza que ela iria compreender porque lhe escondes-te isso.
- Espero que tenhas razão.
- E eu também espero que sim. - Eu amava Lucinda tanto como amava Gabbe, e eu sei que elas podiam ser grandes amigas, se Gabbe a deixa-se tentar compensar o mal que lhe fez no passado. Mas sempre que chegava a casa fechava-se no quarto e só saia a hora de jantar, e mesmo ai era dificil de falar com ela. Ao jantar ela vinha sempre com os auriculares nos ouvidos e a ouvir música aos berros e depois disso voltava para o quarto e só saia de lá na manhã seguinte para tomar o pequeno-almoço. Estava perdido nos meus pensamentos quando a voz de Luce me despertou.
- Bem, temos até as onze e tal para ela chegar a casa. O que queres fazer até lá? - quando ela me fez a pergunta, olhei-a de alto a baixo e fiz um sorriso irônico, e como se ela soubesse o que eu tinha em mente começou a beijar-me primeiro nos lábios e depois desceu até ao meu pescoço. Depois afastou os seus lábios da minha pele e olhou-me nos olhos.
- E que tal mover-mos está conversa para o quarto? - quando ela acabou de falar peguei-lhe ao colo e levei-a para o meu quarto, que agora era nosso.

- Vou tomar um duche e já venho, ok? - disse levantado-me da cama. Uma boca queca como está acalmava-me sempre os nervos. Claro eu ainda estava preocupado com a minha irmã, mas agora estava um bocado mais relaxado em relação a isso. Eu tinha que ter confiaça nela, e também tinha que aprender que ela tinha quase dezoito e que já sabia tomar conta de si própria, mesmo que muitas vezes isso parecesse mentira.
Quando sai da casa-de-banho e devo ter demorado uns bons 10 minutos, vi Luce vestida e com uma cara preocupante, quando eu vi essa cara nunca era bom sinal.
- O que se passa Luce?
- São quase duas da manhã, e eu já foi ao quarto da tua irmã e ela ainda não chegou.
- Mas como é que é possivel serem quase duas da manhã? Nós viemos para ao quarto as 22 e tal, como é que passamos tanto tempo...
- Nós fizemos sexo duas vezes. Mas quando acabamos a primeira eu adormeci durante um tempo, e tu também deves ter tido adormecido. E algum tempo depois acordas-te para ires buscar água e quando voltas-te fizemo-lo outra vez. E quando acabamos foste tomar duche e eu provei-te para ver as horas, e quando fiz isso sai do quarto e fui a procura dela na casa toda. E não a vi em lado nenhum. - enquanto ela falava, eu ia-me vestindo a pressa e pegar nas primeiras roupas que via.
- Isso pareceu ter sido minutos, não horas. Já lhe tentas-te telefonar?
- Tentei. Primeiro do meu, ela não atendeu porque talvez ainda não me tenha perdoando. Mas depois telefonei do teu e nada. - quando acabei de me vestir, sentei-me ao seu lado e abracei-a.
- Sabes que agora tens de telefonar para aquela pessoa.
- Eu sei. - disto isto ela pegou no seu telemovél e telefonou para um número. Ao fim de três toques a pessoa atendeu o telefone. Luce pos a chamada em alta-voz para eu também ouvir o que se passava. No barulho de fundo só se ouvia música e pessoas a gritar que queriam ver mais.
- Tou?
- Sim, olha Cam, sou eu, a Luce.
- Ah, olá Lucinda. Como é que vai o pai da tua criança?
- Eu vou bem, agora responde-me a uma coisa. - falei antes de Luce poder ter tido oportunidade de responder. Eu honestamente não gostava muito de Cameron, e depois do que eu ouvi dizer que ele fazia a Gabbe ainda tinha menos razões para gostar.
- Não sabia que tinhas a chamada em alta-voz. Eu podia ter sido mais bem educado com ele.
- Cameron - respondeu uma vozinha de fundo,era uma voz feminina, mas pela forma com se ouvi-a, a dona dessa voz devia estar mesmo ao lado dele.
- Ok, ok, tem calma com contigo. O que querem vocês os dois no outro lado do movél?
- Queremos saber se viste a irmã do Daniel
- Quem?
- A Gabbe. - este gajo as vezes parecia que se fazia de estúpido só para me irritar.
- Refrescar-me a memória Daniel
- Este gajo tá a falar a sério? - perguntei a Luce que como resposta apenas encolheu os ombros. - Pronto, ela era aquela rapariga da tua turma do ano passado. Andavas sempre atrás dela durante os intrevalos. Ela andava com uma rapariga chamada Arriane e...
- Ah, a loirinha. Sim, eu via. Mais precisamente tou a ve-la agora mesmo.
- Que queres dizer com isso Cam? - perguntou Luce antes de eu falar.
- Quer dizer que eu tou num clube que serve álcool a tudo e todos e ela e a sua amiga Arri tão a dançar juntas ao um pole daqueles que ves nos stripclubs. E quando eu digo juntas, eu quero dizer JUNTAS memo. Parece que tão coladas ao pole.
- O QUE? - eu não fui capaz de manter a calma quando ele respondeu. A minha irmã a dançar com uma amiga como se stripers.
- Acalma-te elas ainda tem as roupas vestindas, mas por este andar não deve faltar muito para que as comecei a tirar.
- Cam, porque é que dizes isso? - perguntou Luce enquanto eu tentava manter a calma em relação a dança.
- Porque cada vez que elas dançam a sempre uns gajos a comprei-lhes mais álcool. E agora estão a dar-lhes mais whisky.
- Onde é que vocês estão? - perguntei num tom de voz um pouco mais calmo.
- No cLuB X, a Luce deve saber onde fica e só um concelho de amigo para amigo...
- Tu mal és meu amigo Cameron.
- Isso é indiscutivel. - tive que combater quase uma vontade de revirar os olhos. - Devias despachar-te em vez de tas ao telefone comigo - Quando Cameron acabou de dizer isso, eu tirei o telefone das mãos de Luce e desliguei-o. Eu não consegui aturar aquele gajo de maneira nenhuma. Quando desliguei eu e Luce fomos para o meu carro. Quando paramos no semáforo achei que seria melhor começar com Luce, a viagem até ali tinha sido tão silenciosa.
- Sabes onde fica esse cLuB X?
- Sim, ia lá raramente, metade do tempo só ia lá beber, mas depois deixei-me disso.
- Porque engravidaste?
- Não, porque te conheci, eu não bebo nada de álcool desde que te conheci. E honestamente isso foi uma escolha que até agora nunca me arrependo. Eu amo-te
- Eu também te amo. - beijei-a, os seus lábios doces, sabiam a cereja. Ela devia ter posto um gloss ou assim. Quando o sinal ficou verde arranquei para o cLuB X, seguindo as direções que Luce me dava. Quando chegamos dentro do clube a primeira coisa que fizemos foi andar a procura de Cameron. Ainda não o tinhamos visto quando uma rapariga ruiva chegou ao pé de nós.
- Vocês os dois são a Lucinda e o Daniel certo?
- Sim, e tu és? - perguntou Luce
- Sou a Lilith, a.k.a a rapariga que estava a falar ao telefone com vocês. Venham vou vós levar ao Cam.
- Obrigada - disse Luce. Eu queria ficar calado até ver a Gabbe. Eventualmente chegamos ao pé de Cameron que estava encostado a uma parede, que assim que nos viu fez um sorriso irônico e apontou o dedo para o palco, que se via bem no sitio onde nós nos encontravamos. Eu continuava a olhar para Cameron a tentar perceber porque ele tinha um sorriso na cara, quando a voz de Luce me invadiu os ouvidos e fez com que eu olha-se para o palco.
Quando vi Gabbe a dançar daquela maneira, fiquei estupefato. Eu não sabia como reagir. Uma pessoa nunca espera encontrar a irmã a dançar duma maneira provocadora com uma amiga ao lado, e igualmente bebedas.
- Eu disse-te que a tinha visto. - disse Cameron desfiando o olhar de Gabbe e de Arriane. - Eu sempre soube que ela "especial" desde o momento em que lhe pos a vista em cima. - quando ele disse isso, eu dirigi-me a ele, peguei-lhe pela gola da camisa e empurrei-o contra a parede. No braço livre senti-a Luce a agarra-lo para eu solta-lo.
- Daniel, alcama-te. Lembra-te que viemos aqui buscar a Gabbe. Tratas do Cam noutra altura.
- Pois é meu, acalma-te. Só porque não sabes controlar a tua irmã, não quer dizer que a culpa seja minha.
- Tu tás mesmo a pedi-las. - respondi empurrando-o ainda mais contra a parede.
- Cameron chega. Já basta o rapaz ver a irmã naquele estando e tu ainda fazes pior. - para nossa supresa foi Lilith que falou.
- Tá bem, eu calo-me. Assim que ele me largar.
- Daniel. Por favor. - Só as doces palavras de Luce me fizeram acalmar. Ela tinha um enfeito em mim que muitas pessoas talvez não compreendessem.
- Muito bem, meu. Agora, já pensaste como vais tirar dali a tua mana?
- Eu nem sei como me meter entre está gente toda para chegar ao palco, quanto mais tira-la de lá. - respondi a Cameron, ele as vezes podia ser um grande filho da mãe. Mas ele também sabia, metade das vezes, ser um bom amigo.
- E tendo em conta ao número de pessoas que a tão ver, eles nunca te vão sair daqui com ela. - disse Luce
- Talvez acha uma maneira de a tirares do palco sem seres odiando por todos cá dentro. - disse Lilith que quando falou olhamos todos para ela
- Que maneira fofa? - perguntou Cameron
- Bem, talvez, se ela por exemplo cai-se ou desmaia-se no palco, tu como irmão dela tinhas de a ir buscar. E nesse caso as pessoas são obrigadas a deixarem-te passar para o palco. - respondeu Lilith enquanto olhava para Gabbe
- Essa ideia por acaso não é nada má. Talvez devessemos tentar. - disse Luce
- Ok, esperem ai que eu vou aquecer. - disse Cameron, eu acho que ia ser nada bom querer saber o que ele ia fazer, mas mesmo assim tinha que perguntar
- O que é que ele tá a fazer? - perguntei a Lilith
- Eu também não sei. - respondeu Lilith. Luce estava ao meu lado calada a espera de ver o que ele ia fazer. Tal como eu e Lilith, Luce também não sabia qual era a ideia dele.
- Ok, tou pronto. Um beijinho de boa sorte. - pediu Cameron a Lilith que o deu na cara, e que depois voltou a cruzar os braços e virou-se para o palco, eu e Luce seguimos os exemplo e também nos viramos para Gabbe.
- Gabrielle! - Cameron gritou, o que chamou a atenção de Gabbe para nós. Eu senti os olhos azuis nos meus e depois ela parou de dançar e virou-se para a minha direção.
- Daniel. - ela gritou quando viu que era mesmo eu, e não apenas imaginação dela. O Dj parou a música quando ouviu Gabbe a gritar.
- Isto foi um pouco a filme dramático, não acham? - perguntou Cameron enquanto bebia da garrafa que tinha na mão. Mal ele acabou de falar Gabbe desmaiou no palco. Nós os quatro vomos até ao palco onde se encontrava Arriane de joelhos ao lado de Gabbe.
- O Meu Deus! Ela está bem?O Meu Deus! - dizia Arriane tentando controlar as lágrimas que lhe caiam dos seus olhos.
- Ela vai ficar bem, só precisa de ir para casa e descansar. Amanhã já deve estar melhor. - respondi com sinceridade a rapariga. Vi nos olhos dela, que ela nunca queria que acontecessem alguma coisa de mal a Gabbe. - Eu vou leva-la para casa.
- Ok, obrigado - disse saido do palco e indo ter com uma bartender e um rapaz. Eu ia pegar em Gabbe quando Cameron me agarrou no braço direito o que me fez encara-lo.
- Deixa que eu levou-a. Tu toma conta da tua mulher. - disse ele. Cameron sabia não ser um total imbecil quando queria, olhei para Lilith que assentiu, e que mostrava que não se importava que o namorado pega-se na minha irmã. Como ambos aprovavão da decisão eu fui ter com Luce e levei-a, a Cameron e a Lilith até ao meu carro. Primeiro abri a porta a Luce, e depois a Cameron para ele deitar a Gabbe no banco de atrás e Lilith encostanda a porta do clube a espera de Cameron.
Enquanto ajudava Luce no carro, reparei que Cameron estava a por um papel dentro da camisa de Gabbe. Eu podia ter-lhe batido por isso, mas assim que acabou de por o papel e ajeitar a camisa dela olhou para mim com olhar decisivo, por isso mesmo que eu lhe batesse, o papel ia continuar na camisa de Gabbe. Eu duvido que Lilith tivesse visto o ele tinha acabado de fazer.
- Bem meu, foi uma boa festa, mas tá na altura de seguir-mos caminhos diferentes. Lucinda vemo-nos na escola, Daniel vemo-nos por ai, e Lilith vamos para casa. - disse Cameron, quando ele falou para mim tinha o mesmo olhar que quando pos a folha em Gabbe, e esse olhar era para eu não contar nada a Luce e que ele também não ia contar a Lilith.
- Adeus Cameron. - respondi a ele, enquanto Luce apenas acenou adeus. A viagem de volta a casa foi silênciosa, eu conseguia ver que Luce estava com sono e que a primeira coisa que queria fazer era ir dormir quando chega-se a casa.
Eu queria saber o que o papel que Cameron derá a Gabbe dizia, mas a única forma de o descobrir era mexer-lhe na camisa até o papel cair e Gabbe poderia ou não acordar, mas eu também queria que ela dormisse. Eu também sabia bem o suficiente que quando ela visse o papel não me ia dizer o que estava lá escrito. Mas isso era o menor dos meus problemas agora.