Verão do ano 298 D.D., Baixada das Pulgas - Porto Real.

Não tenho a ousadia de pensar que algum dia esses escritos serão lidos, muito menos que alguém se lembre de mim; faço essas anotações para que a minha memória seja preservada e para que eu me lembre de quem sou.

Meu nome é Sansa, da Casa Stark, filha de Lorde Eddard Stark e de Lady Catelyn Stark, outrora uma Tully. Já fui filha da Mão do Rei e noiva do Príncipe Joffrey Baratheon, atualmente Rei Joffrey I de seu nome, fui também Princesa do Norte devido a proclamação de meu irmão, Robb Stark, como Rei do Norte e por esse motivo me tornei traidora. Atualmente sou mais um passarinho no bordel de Petyr Baelish e atendo pelo nome de Cardeal, meu amo me deu esse nome por dizer que os meus cabelos são vermelhos como a plumagem dessa ave. Eu detesto esse nome assim como detesto meu senhor.

Hoje fui trazida para enfrentar o meu destino. Rei Joffrey I não cumpriu o que me foi prometido, já não sou mais noiva de um rei nem tenho a dignidade de ser consagrada como esposa legítima. Minha ambição por me tornar rainha foi a minha ruína. Sonhei em me sentar no Trono de Ferro ao lado de um Rei gentil e bondoso, mas ao contrário disso, devo dividir o meu leito com seus cavaleiros, homens brutos e deselegantes que a noite (e algumas vezes durante o dia) vão de uma gaiola para outra procurando o passarinho com a plumagem mais bela e o gorjear mais agradável. Algumas dessas aves conseguiram superar suas condições enquanto outras permitiram que suas condições as fizessem.


O sol ainda estava alto no céu e o cheiro de podridão daquele lugar era absurdo. Com o nariz tampado com a manga do vestido elegante que utilizava, Sansa caminhou ao lado de Petyr Baelish até o bordel onde ele administrava na Baixada das Pulgas. Antes dessa data a garota Stark nunca colocara os pés nessa parte da cidade e agora entendia o porquê.

A Baixada das Pulgas era uma zona de pobreza e miséria. Todo o tipo de comércio que se possa imaginar tinha vez em suas ruas estreitas com casas simples e de diversos tamanhos, uma estando colada na outra, característica de cortiços. Em frente à essas casas se via poças de dejetos humanos e crianças brincando ao seu redor. O mau-cheiro de Porto Real vem desse lugar. Sansa constatou. Moscas e pombos tinha de montão nessa região e por mais estranho que possa parecer, algumas ruas eram mais limpas do que as outras, provavelmente uma característica trazida pelos diferentes moradores, alguns com gerações em Porto Real e outros de diversas partes de Westeros e até mesmo para lá do mar estreito.

- Sansa, cuidado! - Petyr exclamou, mas fora tarde de mais.

Uma criança brincando de pega-pega correu na direção da garota e, sem ver que tinha alguém ali, derrubou-a no chão com o impacto e o rapaz de no máximo 7 anos de idade caiu sobre ela.

- Garotinho, saia de cima da donzela! - Petyr segurou a criança pelo braço e a afastou de Sansa.

- Belos seios - O menino sorriu revelando a ausência de dentes.

Sansa estava com as bochechas rubras e de imediato cobriu os seios com os braços. Crianças e homens feitos irão elogiar meus atributos. Pensou a donzela. Ao ser atingida pelo garoto foi atirada na rua imunda da Baixada das Pulgas e ao cair diversas substâncias desconhecidas mancharam suas sedas de Myr. Não passo de mais uma sujeira na rua. Seus olhos se encheram de lágrimas, tinha muito amargor guardado pelos eventos recentes que lhe acometeram e qualquer coisa era motivo o suficiente para derrubá-la.

- Deixe-me ajudá-la, Sansa - Petyr ofereceu-lhe uma mão. Apesar de todas as probabilidades, Petyr Baelish era a única pessoa em todo o reino de Westeros que foi cavalheiro o suficiente para lhe estender uma mão no momento que mais necessitava de amparo... Mas infelizmente essa ajuda não a agradava nem um pouco.

Sansa aceitou a mão de seu salvador e se pôs em pé. As lágrimas que percorriam sua face foram secas por dois polegares macios pertencentes ao seu senhor.

- Não chore, Cardeal - Petyr a consolou. Sansa arregalou os olhos sem entender do que fora chamada.

- Cardeal..? - Repetiu.

- Sim, Sansa - O homem sorria de lado, havia uma diversão interna no apelido - Seus cabelos são da mesma cor que a plumagem dessa ave. Já viu um cardeal alguma vez?

Sansa negou com a cabeça a pergunta que lhe fora feita. Nunca dera muita importância as aves, sempre preferira aos cães enquanto Arya, sua irmã mais nova, se ocupava com os cavalos junto com os demais irmãos.

- Pois agora conhecerá, minha pequena. Quando chegarmos em minha propriedade encontrará em seu quarto um exemplar dessa ave, um presente de boas vindas para você.

A garota Stark pensara tantas coisas horríveis a respeito do homem à sua frente e agora, nesse breve contato que tivera com ele nessa manhã, chegara a conclusão que ele não podia ser tão ruim como diziam que ele era. Ele me acolheu e agora me dá uma ave. Ela tinha consciência de como seria o pagamento desses benefícios que recebia de Lorde Baelish, mas ela tinha esperança de que ela ficaria isenta a essa taxa, ainda que todos os caminhos levavam a cobrança.

- Sinto muito que seu belo vestido tenha estragado, porém não se preocupe, estamos quase chegando e lá você receberá roupas novas - Ele continua a sorrir pelo canto dos lábios e conduziu-a pelo braço até o caminho para sua morada.

- Você vê aquele sobrado salmão? - Petyr perguntou apontando uma bela construção que se destacava das demais naquela rua da Baixada das Pulgas. O sobrado de Petyr ainda trazia a aparência de 'caixote', pois sua forma era quadrada, todavia suas janelas e porta dianteira eram arredondadas com diversos passarinhos no tamanho de um punho esculpidos na madeira. Das quatro janelas do segundo andar via-se as cortinas rubras balançando contra o vento - A terceira janela do segundo andar é a janela de seu quarto - Cochichou no ouvido de Sansa. Não é o que você está acostumada e nem aquilo que você queria, mesmo assim tenho certeza de que vai acabar se acostumando - Lhe confessou.

Você não tem mesmo escolha. Foi o que a donzela acrescentou no fim da frase.

- Sansa, seja bem vinda à Gaiola - Disse ao abrir a porta do bordel.

O imóvel não deixava a desejar. A primeira coisa que Sansa reparou ao adentrar no lugar foi o forte cheiro de rosas e de incensos e após, seus olhos se maravilharam com as mobílias. Logo no hall de entrada se via dois luxuosos sofás arroxeados de couro, um grande espelho de frente para a porta, uma mesa com um arranjo de flores ao lado do espelho e duas mesinhas de canto também com vasos de flores ao lado de cada sofá. Havia também algumas pinturas obscenas nas paredes que Sansa se recusou a olhar duas vezes. Do cômodo ao lado se ouvia risinhos.

- Lorde Baelish chegou com a garota! - Uma voz feminina histérica na sala ao lado anunciou - Passos ecoaram e tecidos foram ouvidos arrastando no chão. Em seguida uma garota de idade semelhante a de Sansa com volumosos cabelos negros e pele pálida trajando um vestido azul - que era mais um tecido transparente amarrado ao corpo- , entrou na sala esbaforida e se atirou em cima de donzela.

Sansa enrugou o nariz demonstrando nojo. Ela não sabia quem era aquela garota que a abraçava, a única coisa que sabia é que ela era uma meretriz e trabalhava para Petyr. Tinha consciência que não era tão diferente do que ela, mas mesmo assim sentia desgosto por mulheres da vida, reação comum entre as damas da Corte.

- Que saudades! - A morena exclamou, abraçando a ruiva com mais força. A voz não lhe era estranha... Não é possível! Seus olhos se arregalaram.

- Jeyne? - Chamou e quando seu chamado foi atendido toda fala e todo pensamento foram congelados. Não conseguia acreditar naquilo. Após o aprisionamento de seu pai, Lorde Eddard, a amiga Jeyne Poole sumira, assim como a Septã Mordane, mas diferente dessa última que encontrara a morte, Jeyne encontrara um destino bem diferente e inesperado para Sansa.

- Assum Preto! - Petyr repreendeu Jeyne - Esses não são modos que lhe ensinei.

O terror surgiu no rosto de Jeyne que não passou despercebido por Sansa, ainda que tivesse sido uma reação muito rápida que logo esvaneceu-se.

- Perdoe-me, senhorita - Fez uma pequena reverência.

- Muito bem - Petyr abriu um sorriso amarelo - Eu sei que vocês duas querem passar um tempo juntas, então leve a nossa recém chegada para o seu quarto e ajude-a a se trocar.. De preferência de um banho nela, precisarei dela limpa para o que farei - Petyr depositou um beijo no dorso da mão esquerda de Sansa, como fizera quando a cumprimentara mais cedo - Agora peço-lhe desculpas, pois irei deixá-las e sairei para resolver alguns assuntos pendentes, quando eu chegar irei esperá-la em meu escritório, Cardeal - Dito isso, o senhor saiu pela mesma porta que entrara.

- O que ele quis dizer com isso? - Desesperou-se Sansa.

- Nada de mais - Jeyne a consolou, escondendo algumas verdades em suas palavras - Você caiu em alguma armadilha da Arya de novo? - Riu a jovem fazendo referência a sujeira no traje de Sansa.

- Não... - Os olhos de Sansa se arregalaram - Você viu Arya!? Eu não a vi na Fortaleza Vermelha após a morte de papai... Ela veio para cá? - Segurou nos ombros da amiga.

- Calma, Sansa! - Jeyne a conteve - Tenho certeza que nada aconteceu com ela... - Havia incerteza na frase.

- Quer dizer que ela não está aqui? - Perguntou novamente. Jeyne negou com um menear de cabeça.

- Não vamos falar sobre isso agora, sim? Há lindos vest... - Foi cortada pela insistência de Sansa.

- Você não sabe de nada! Joffrey a odeia! É bem capaz que ele tenha mandado matá-la depois do que Nymeria fez com o braço dele... Não foi culpa da loba da Arya, nem da minha irmã! Muito menos da loba e mesmo assim... Mesmo assim... - Sentiu um nó de choro se formar em sua garganta. Não aguentaria saber que mais alguém da sua família ou conhecido havia falecido por ordem do Rei.

- Sansa, não se preocupe, tenho certeza que o Lorde Petyr irá reparar os fatos, confie nele, ele é bom - Jeyne disse como se estivesse lendo um texto. Foi o que lhe disseram. Entendeu - Agora venha, deixe-me lhe mostrar o seu quarto! - Sorriu como uma criança e segurando na mão da amiga a puxou escada acima até o quarto que lhe fora dado. No corredor saindo da escada haviam várias portas, algumas se ouvia passos outras risinhos e ainda tinha aquelas que se ouvia gemidos, essa última correspondia a exatamente duas portas aparentemente.

- Oh! - Sansa elevou as mãos a boca ao entrar em seus aposentos na Gaiola. O quarto era tinha as paredes laranja, o que lhe feriu os olhos devido a coloração vibrante, as cortinas rubras dançavam com o vento e saiam e entravam dentro do quarto. A cama de casal se assemelhava a que possuía na Fortaleza Vermelha, mas essa possuía dossel avermelhado e sua construção era de um metal dourado. Ouro? Não.. Concluiu, ouro não teria aquela cor vibrante. Havia uma cômoda na parede lateral esquerda da porta, feita de mogno e ao seu lado, com o mesmo metal da cama havia uma gaiola onde um pequeno passarinho residia em seu poleiro. Por fim, na parede onde a porta se localizava havia um biombo que ocultava uma parte da parede direita do quarto, onde era provável que houvesse uma banheira.

- Esse é o seu passarinho? - Jeyne sorriu ao ver Sansa correr até a gaiola - Eu também ganhei um, Assum Preto.

Eu não fui a única, então... Não sabia dizer o porquê, mas aquilo a incomodou. Ela gostava de ser exclusiva, é verdade, mas tinha algo mais na frustração que sentia. Pelo menos o meu pássaro é único. Procurou vantagens para se animar. A ave que lhe fora presentada era inteiramente vermelha, com exceção da região ao redor dos olhos, que era preta. A ave ainda possuía um topete avermelhado. Quando Sansa se aproximou ela começou a piar, divertindo a jovem.

- Se parece com você - Jeyne zombou na brincadeira - Adora tagarelar e é topetuda! - Gargalhou.

- Jeyne! - Sansa gritou com um sorriso estampado no rosto e pulou em cima da amiga, dando-lhe leves tapas. Era tão bom poder agir de acordo com a idade que tinha depois de tantos momentos de tensões. As duas, rindo e se estapeando caíram no chão e só então elas se separaram. - Idiota... - Gargalhou.

- Você acha que algum dia poderemos ser como antes? - Jeyne apoiou-se sobre os cotovelos e encarou Sansa que estava deitada ao seu lado com seriedade - Fazendo nossos bordados sob os olhos de Septã Mordane, comendo bolos de limão e conversando sobre garotos bonitos e histórias de cavalaria em Winterfell? - Suspirou, recordando-se dos tempos passados. A expressão de Sansa se fechou na hora que Jeyne começara a falar da rotina que tinham em Winterfell.

- Eu realmente espero que sim... - Começou - ... Mas Septã Mordane está morta e não tenho mais tempo nem material para bordados e já não me lembro mais das histórias de cavalaria... - Confessou.

- Nem das canções você se lembra? - Insistiu Jeyne - Florian e Jonquil?

- Não - Negou com a cabeça - Apenas as canções da Fé dos Sete, canto-as todo dia, mas os Sete não me ouvem..

- Não diga isso, Sansa! - Jeyne a repreendeu - Os Deuses ficarão com raiva se a ouvirem falar dessa forma!

- Por quê? Eles atenderam à sua prece? - Sansa arqueou uma sobrancelha em desafio - Ah, espere, você está aqui. Então não.

- Mesmo assim, não podemos perder a fé... - Advertiu.

- Confio mais nos deuses de meu pai.

- Mas eles também não salvaram o seu pai... - Corrigiu Jeyne.

- É porque estamos no Sul. O poder deles são fracos aqui e meu pai não orava pra eles desde quando deixamos Winterfell - Explicou-se - Eu nunca deveria ter deixado Winterfell...

- Fala isso por causa do Joffrey?

- Também... - Confessou - Ele não é aquilo que eu pensei que ele fosse...

- Nenhum homem é - Jeyne voltou a deitar-se no chão.

- Como sabe? - Foi a vez de Sansa apoiar-se no cotovelo - Você por um acaso..? - A realidade mais uma vez chocara a garota. Não deveria estranhar o fato, Jeyne estava a mais tempo na Gaiola do que ela e diferente de si já havia tido o primeiro sangue da lua.

- Petyr me apresentou à uns senhores - Jeyne demonstrou incomodo com a conversa - Todos eles prometeram ser gentis, mas não o foram... - Desceu com a mão até a região de seu ventre - Eu ainda os sinto aqui...

- Dói? - Sansa entusiasmou-se com a conversa. Sempre quisera perguntar sobre sexo e nunca tivera com quem conversar. Apesar dos seus 16 anos, ainda era considerada 'jovem demais' pela sua mãe e não se conversa sobre essas coisas com homens, muito menos com seus irmãos.

- Dói muito! - Jeyne exclamou, no intuito de chocar Sansa, obtendo sucesso.

- Mentirosa! - Acusou.

- Não é mentira, dói mesmo! - Defendeu-se Jeyne - Você vai ver quando for com você - Sorriu com maldade.

As palavras foram como um soco no estômago de Sansa. Ela realmente iria saber como é em pouco tempo e essa certeza a golpeou tão forte e violentamente do que uma espada.

- ...Você mente... - Repetiu com insegurança na esperança de que fosse mentira.

- Não, não minto. Dói sim e dói bastante, mas só no começo, depois você aprende a gostar - Deu de ombros.

- Aprende a gostar de sentir dor? - Questionou.

- Não! Depois você não sente mais dor! - A morena riu - Porém tem homens que gostam de causar dor a mulher e tem homens que gostam que as mulheres lhe causem dor... Eu nunca conheci nenhum dos dois tipos...

- E como você sabe disso?

- Os outros passarinhos já passaram - Confessou Jeyne.

- E como você sabe que eles gostam disso? - Sansa estava com medo.

- Alguns dizem como querem o sexo, outras vezes o Lorde Baelish nos conta o perfil do cliente e ainda tem a pior forma... Quando descobrimos só quando o sexo começa.

- Você sabe quem foi o seu primeiro? - Sansa perguntou tentando desviar do assunto.

- Aerys Oakheart - Deu de ombros.

- Oakheart... Espera! Ele não é um membro da Guarda Real!? - Assustou-se - Os Cavaleiros da Guarda Real não podem construir família, ter posses ou fazer sexo! - Jeyne gargalhou, como se Sansa estivesse dizendo algo muito engraçado.

- Você se surpreenderia se eu lhe contasse que quem mais faz visitas à Gaiola são membros da Guarda Real - Jeyne disse com simplicidade - A propósito, Sor Meryn Trant é um dos caras que gostam de fazer a mulher sentir dor durante o sexo - Mais uma vez Sansa se assustou - Não se preocupe, Lorde Baelish não permite que ele pegue novatas como nós. Falando nisso...

Jeyne se pôs de pé e desamarrotou o vestido e em seguida estendeu a mão para Sansa.

- ... Nosso mestre irá retornar em breve e ainda não está apresentável.

Sansa aceitou a mão de Jeyne e se levantou. A amiga ajudou-a a se limpar com o auxílio de um pano e um jarro de água. Como Sansa já havia tomado banho aquela manhã, quase não havia partes sujas para serem limpas. Quando caiu na Baixada das Pulgas o seu vestido recebeu grande parte da sujeira, deixando uma parte ínfima para as suas mãos e batatas da perna. Após limpa Jeyne e a vestiu com um vestido semelhante ao seu, sendo o de Sansa laranja e de tecido menos transparente que o da morena. Foi o tempo de Jeyne amarrar a ponta do vestido no pescoço de Sansa que uma outra mulher uns 5 anos mais velhas do que elas e também dona de um logo emaranhado rubro de cabelos abrir a porta e anunciar que Petyr Baelish havia voltado e estava a esperar a recém-chegada em seu escritório.

- Lorde Baelish não gosta de esperar - Disse a mulher de 21 anos.

- Diga a ele que Sansa irá descer em breve, Ros - Respondeu Jeyne.

- Diga você mesma - Deu de costas com arrogância e se tirou dos aposentos de Sansa.

- É melhor você ir - Incentivou Jeyne.

- Mas...

- Não se preocupe, lembre-se, você pode confiar nele - A morena sorriu.

Sansa não confiou nas palavras de Jeyne, elas estavam mecanizadas de mais e não soavam naturais. Ela iria até o escritório de Petyr Baelish sozinha, porém ela não fora apresentava a todos os cômodos do bordel e lembrou-se desse fato apenas quando atingira o último degrau da escada. Lembrando-se que Jeyne ficara em seu quarto depois que saíra, voltou correndo até lá.

- Jeyne, eu... - Ao abrir a porta não viu sinal algum da amiga morena lá, porém a mulher que Jeyne chamara de Ros estava mexendo nas gavetas de Sansa.

- Não lhe disse que Lorde Baelish a está esperando? - Ros olhou-a com desdém e continuou a remexer a gaveta a procura de algo.

- O que está fazendo com as minhas coisas? - Desesperou-se.

- Suas coisas? - Ros abriu um sorriso amarelo - Esse quarto era meu antes de você chegar! - Riu e havia ódio em sua risada.

- Petyr disse que ele é meu... - Defendeu-se.

- Você deve chamá-lo de Lorde Baelish, como todas nós chamamos. Você não é especial, sabia? - Ros caminhou até Sansa e o jeito que a mulher andava era carregado de sedução e poder.

Sansa não conseguiu se mover, estava paralisada de espanto.

- O fetiche dele é ruivas e ele tende a gostar mais de nortenhas, assim como você, eu também sou nortenha, eu conheci o seu irmão, Robb - Ros tocou o próprio sexo - Ele era inexperiente, assim como você é agora - Ela riu - Theon também era, mas aprendeu mais rápido que o seu irmão... Até o bastardo me quis - Vangloriou-se.

- Pára! - Sansa gritou tampando os ouvidos. Tudo bem escutar a vida sexual dos outros, mas dos seus irmãos já era de mais.

- Quem poderia imaginar que o Duende tivesse uma pica maior do que a do Rei do Norte! - Zombou Ros.

- Pelo visto você conhece Westeros inteiro - Sansa disse em um desafia e em seguida acrescentou - ... Piranha.

Sem saber exatamente como começou, Sansa se viu presa nas garras de Ros que a atirou contra a parede e começou a esmurrá-la, no que Sansa retribuiu, mas inexperiente do jeito que era em brigas, acabou tomando a pior, pois a prostituta era mais alta e mais forte do que ela. Ouvindo os gritos de dor e de xingamento das duas diversas outras moradoras do bordel vieram ver o que estava acontecendo, até mesmo Jeyne fora ao encalço delas e ao verem a cena, muitas se prontificaram em separá-las dizendo coisas como Não vale a pena e Você é melhor que ela.

- Me solta! - Ros gritava estando imobilizada por 4 moças.

- Para, Ros! Lorde Baelish não vai gostar de saber do que aconteceu!

Sansa por outro lado estava escondido atrás de Jeyne que entrara em sua frente. A donzela não demonstrava intenção alguma de continuar com isso. O lábio latejante era prova o suficiente de que acabaria na pior se continuassem a brigar.

- Sansa, você está bem!? - Jeyne perguntou, segurando a amiga pelos ombros e chacoalhando-a.

- S-sim.. - Gaguejou.

- Ótimo! Lorde Baelish a estava esperando, corre lá, Ros não conseguirá pegá-la se estiver lá.

- M-mas... E-eu n-não s-sei ch-chegar l-l-lá... - Tornou a gaguejar.

- Venha, eu te levarei até lá! - Segurando na mão de Sansa, Jeyne mais uma vez a puxou escada a fora.

- Isso mesmo, corre, covarde! - Ros gritava ao fundo e algumas outras mulheres vaiavam a atitude de Sansa.

Depois de descerem as escadas Jeyne tomou um caminho que Sansa não conseguiu acompanhar com os seus pensamentos que ainda estavam presos nas palavras de Ros e como tudo aquilo aconteceu rápido demais. Quando Sansa voltou a prestar atenção na realidade ela estava parada de frente para uma porta de cerejeira com um grande pardal esculpido. Sansa reconheceu a ave apenas porque Lorde Baelish carrega consigo um broche da mesma ave.

- Vai Sansa, entra lá! - Jeyne a empurrou porta adentro e logo em seguida a porta bateu em suas costas antes que pudesse dizer qualquer coisa.

- Está atrasada - A voz de Petyr não carregava nenhuma animação, de fato, carregava um grande peso que podia ser confundido com ira - E eu não gosto de esperar - Concluiu e Sansa ouviu um barulho vindo da direção que seu mestre se encontrava.


N/A: Ok, não faço a mínima ideia de como se chama o bordel do Petyr e como eu estou trabalhando sobre a ideia de passarinhos (porque eu amo o apelido de Little Bird da Sansa e quero manter isso), nada melhor do tornar essa a obsessão dele e chamar seu bordel de 'Gaiola', rs ;)

Peço mil desculpas pela demora! Ano de muito estresse e muita tensão, sinto muito pelas frustrações e unhas roídas!