O Lado Negro da Lua
Capítulo Um
Azar se torna Sorte
Ellen sabia que era arriscado estar em Port Royal. O pessoal tinha sérios problemas com pirataria ali e por algum motivo, pareciam achar que Ellen era uma pirata. Ellen não se achava parecida com um pirata. Era verdade que ela usava calças e botas, mas mesmo assim...
Então o único motivo para confundirem Ellen com uma pirata era o fato de ela usar calças e burrice extrema, porque os caçadores eram conhecidos por pessoas com algum conhecimento.
Mas é claro que ela não contava com a marinha tendo um alerta para piratas porque um pirata havia sido preso no dia anterior. Ela estava caçando um Demônio do Azar, para o azar dela, porque como ela ficou ocupara em se esconder dos homens da marinha e do demônio, o demônio aproveitou a distração dela para fazer acontecer a pior coisa que podia acontecer para Ellen naquele momento: ser encontrada pela marinha.
Eles não tinham a mínima delicadeza, aqueles dois homens que arrastavam Ellen para a cadeia. E ela ainda tentava fazer aqueles idiotas entenderam. O local em que ela fora pega não era muito longe do forte, mas mesmo assim, ela já tinha conseguido escapar três vezes. Aquele era um demônio do Azar fraco, só conseguia provocar as situações azaradas – ou os amuletos dela eram muito bons. Podia ser uma mistura das duas coisas.
-Eu já disse que eu não sou uma pirata. – e ela ainda tentava escapar.
-ah, conte outra, garota. Então o que você é? – respondeu o mais gordo, enquanto o magro abria a porta de uma cela. Os dois empurraram ela lá para dentro.
-Uma pirata – respondeu o mais magro e os dois saíram rindo.
-Eles são idiotas – disse uma voz masculina e Ellen percebeu que não estava sozinha em sua cela. – É obvio para mim que você é uma caçadora. O que aconteceu?
-Não é a primeira vez, disso você pode ter certeza – respondeu Ellen – estava caçando um Demônio do Azar. Quem é você?
-Capitão Jack Sparrow, amor. E você é a caçadora?
-Ellen Huntington. Por que tem um buraco na outra cela?
-Porque houve um ataque de piratas aqui a noite passada. Aquilo foi um tiro de canhão.
-Hmmm...
-Você não pretende ficar aqui presa?
-Não.
-Então como pretende sair daqui? As chaves fugiram.
-Fugiram?
-É um cachorro que guarda as chaves.
-Hã. Eu não pretendia usar chaves mesmo.
-Eu sei. Então podemos começar a nossa fuga logo?
-A nossa fuga?
-Você não vai me deixar aqui, vai amor?
-Sei lá. – ela respondeu, se levantou e achou um grampo no bolso.
É um truque velho, mas funciona.
Ellen estava lutando contra a fechadura, enquanto recebia comentários (inúteis) de Jack. O pirata era com certeza maluco e provavelmente merecia estar preso, mas Ellen gostava mais dele do que qualquer um daqueles soldados.
-Então, o que você sabe sobre navios? – ele perguntou.
-Não muito – ela respondeu. A fechadura fez um barulho. Estava abrindo.
-E sobre maldições astecas?
Ellen se virou, de repente interessada na conversa:
-Sei bastante. Por quê?
-Quando sairmos daqui, amor, o que você acha de me ajudar a derrotar uma maldição asteca?
-Sério? - ela falou, como se fosse besta.
-Claro que sim. Você é uma caçadora, não é isso que vocês fazem?
-É sim. – ela disse com um sorrisinho irônico. Não acreditava muito em Jack, que provavelmente era só um pirata bêbado que ficou tempo demais no sol.
-Juntos, vamos conquistar um grande tesouro, amor.
Ellen voltou a trabalhar na fechadura. Ela não tinha nada a perder. Sua vida nos últimos anos tinha sido uma sequencia de caçadas cada vez mais entediantes e pouco lucrativas. Se a maldição fosse de fato verdadeira, ela poderia ganhar muito ouro. Poderia ganhar poderes. Fama. E mais ouro.
-Qual é a maldição? – ela perguntou, agora mais interessada. Essa poderia sua grande oportunidade, de ser algo mais do que apenas mais uma caçadora. De ser algo grande, e quem sabe, resgatar seu nome entre seus familiares.
-Bem, eu tenho que admitir que teremos que procurar uma pessoa para isso... Mas você é boa em localizar pessoas, não é? Tem muitos contatos?
-Sim – a rede entre caçadores era enorme e Ellen já estava entendendo. Provavelmente era uma maldição bem comum dos astecas, que a maldição só poderia ser quebrada com o sangue de uma pessoa especifica, normalmente uma mulher. – qual é o nome dela?
-Dela? Eu acho que é na verdade, é um homem.
-Consegui! – ela disse, interrompendo Jack. A porta estava aberta. – Qual é o nome dele?
Foi então que eles ouviram passos rápidos.
-Vem vindo alguém. – ela disse, sentando se rápido e escondendo o grampo. Jack se deitou, colocando os pés na fechadura arrombada, impedindo que a porta se abrisse.
-Você! Sparrow! – um homem com o cabelo e roupas bagunçadas apareceu. Apesar da bagunça de sua aparência, ele era bonito, reparou Ellen.
-Aye. – respondeu Jack. Ellen ficou quieta. Ela não queria ter a presença notada. Ele não era um militar, mas ela gostava de passar despercebida.
-Você conhece aquele navio? – disse o homem – O Perola Negra?
Jack respondeu, desinteressado:
-Já ouvi falar.
-Onde fica ancorado? – perguntou o homem.
-Onde fica ancorado? – respondeu Jack – você não ouviu as histórias? O capitão Barbossa e sua tripulação de miseráveis partem da Isla de La Muerta, uma ilha que só pode ser achada só por alguém que já sabe onde é.
-O navio é real o suficiente. O ancoradouro deve também ser um lugar bem real. Onde é?
Ellen não pode conter uma risadinha. Ingênuo.
O homem pareceu ter notado a presença dela agora, porque perguntou com curiosidade:
-E quem é você?
-Ninguém. – respondeu Ellen.
Ele olhou para Jack, que olhando para as unhas, perguntou para Will:
-Por que me pergunta sobre o navio?
-Porque você é um pirata.
-E você também quer se tornar um pirata?
-Nunca! – ele respondeu irritado. Ele ficou em silêncio e olhando para o outro lado, respondeu – eles levaram a Srta. Swann.
-Oh, então você encontrou uma garota? Eu entendo. Você sendo corajoso como é, a resgata e ganha o coração dela. Então terá que fazer isso sozinho. Não vejo beneficio para mim nem para a Srta. Huntington.
-Eu posso tirar vocês daí.
-Como? – Ellen percebeu que Jack testava o homem, já que, claro, ela tinha aberto a cela – as chaves fugiram.
-Eu ajudei a construir essas celas. Com a aplicação certa de força a porta se abre. – ele disse, colocando a mão nas barras de metal.
-Qual é seu nome? – perguntou Jack.
-Will Turner.
Jack parecia de repente mais interessado.
-Deve ser um apelido para William, eu imagino. Bom, um forte nome. Sem duvida, o nome de seu pai, não é?
-É.
Jack se sentou.
-Hmm... Então, Sr. Turner, eu mudei de idéia. Se você nos tirar dessa cela, eu juro pela minha morte que eu e a Srta. Huntington vamos ajudar você a resgatar sua donzela em apuros.
William se virou e Ellen, ficando de pé, assim como Jack, sussurrou:
-Eu também?
Ela não queria resgatar nenhuma lady fresca com problemas com piratas. Tinha mais coisa para fazer e aliais, onde é que ficava aquela maldição asteca?
-Depois desse pequeno desvio, seguiremos como planejamos, amor. - falou Jack. E Ellen pensou: Por que não? Afinal, uma oportunidade para ganhar ouro que nem esta não surge todos os dias. Não ia custar nada ela ir salvar a moça.
-Já está aberto. - ela falou para Will, que se preparava para arrombar a porta da cela.
-Como? – ele perguntou surpreso.
-Eu abri. – ela mostrou o grampo – grampos têm mais utilidade do que prender cabelos - ela sorriu.
-Quem é você? – ele perguntou.
-Ela é Ellen Huntington, uma caçadora de criaturas. – respondeu Jack – e ela vai aonde eu vou, pelo menos por enquanto. Já que tínhamos um trato antes de você aparecer e você sabe como caçadores tem tendência a desaparecer.
-O que? Caçadores de criaturas? – Will falou e pela cara dele ele que ele não acreditava em uma palavra.
Jack pegou suas coisas de um gancho. Will ainda olhava para Ellen com curiosidade.
-Eu sou Ellen – ela disse, sorrindo – e você acredita em mim se quiser. Mas eu estou indo junto com vocês.
