O Lado Negro da Lua

Capítulo Dois

No Navio

-Vamos roubar um navio? – perguntou Will – aquele navio? – ele olhou para o orgulho da marinha local, O Destemido.

- Nos apossar. Nós vamos nos apossar daquele navio. Termo náutico. Uma pergunta sobre nossos negócios, garoto, ou não vale a pena continuarmos. Essa garota, o quanto longe você está disposto a ir por ela?

-Eu morreria por ela. – respondeu Will, sério e determinado.

-Bom, sem preocupações então – falou Jack.

Wow, pensou Ellen. A garota devia ser realmente muito bela, ou realmente incrível.

Jack, Will e Ellen pegaram um bote e entraram por baixo d'água, literalmente andando pelo leito do mar até O Destemido.

-Isso é genialidade ou é loucura – comentou Will. A água do mar estava quente. A água é sempre quente no Caribe.

-É notável a frequência com que esses traços coincidem. – falou Jack.

-Fiquem todos calmos, estamos tomando o navio! – disse Jack.

-É, rendam-se.

-Esse navio não pode ser controlado por dois homens e uma mulher. Vocês nem vão conseguir sair da baía.

-Filho, eu sou o Capitão Jack Sparrow, savy?

Enquanto a Marinha corria atrás do O Destemido, deixando O Interceptor para trás. Eles pularam para o segundo navio, que a própria marinha já tinha deixado pronto para partir. Eles já avançavam em direção ao mar aberto quando notaram a fuga com o outro navio.

Jack ainda brincou:

-Obrigado, Comodoro, por preparar nossa partida. Seria muito difícil fazermos isso sozinhos!

Quando as coisas se aquietaram e teve-se a certeza que não seriamos perseguidos, Jack tomou o comando no navio e Ellen e Will se sentaram ao lado dele. Havia uma sensação de estranhamento ali; eram 3 desconhecidos, que tinham acabado ali com motivações muito diferentes.

Will estava inquieto; tinha tomado todas aquelas decisões no desespero. Ele amava Elizabeth desde o momento que acordou depois do naufrágio e a viu. Todos esses anos sentiu que a teve a distância, nunca ela tinha sido realmente dele, mas não poderia suportar perde-la. Talvez ele não devesse ter se aliado a Sparrow e muito menos concordado em trazer a moça com eles. Quem era ela? Jack disse que era uma caçadora de criaturas, mas isso sequer fazia sentido. Ela se vestia como uma pirata e estava na companhia de Jack. Provavelmente era uma pirata; ele começou a observa-la, sem de fato conseguir desviar o olhar. Tinha a pele muito branca, embora o rosto tivesse manchas vermelhas de sol e sardas; o cabelo era preto desbotado e os olhos, verdes. A calça masculina preta, as botas e a camisa também masculina azul não disfarçava as curvas do corpo dela; na verdade parecia só ressaltar. Will sentiu uma onda de calor passar pelo corpo... O vento balançava a camisa dela, revelando parte do colo...

-Tem algo de errado comigo? – a voz dela surgiu de algum lugar distante e Will foi chamado de algum lugar distante da realidade. Ele sentiu-se embaraçado.

-Não, eu estava me perguntando, Jack disse que você é uma caçadora de criaturas – ele falou apressadamente – o que isso significa?

-Demônios, monstros, vampiros, lobisomens, criaturas de lendas e mitológicas. Não são lendas, não são histórias. Elas são reais e são mantidas controladas por nós, os caçadores. – ela falou seriamente. – eu não sou louca, Will. Eu sei que você não acredita, mas o mundo é bem maior que chás e jovens ladys em vestidos cor-de-rosa. Não vou pegar leve com você.

Jack deu uma risadinha.

-Eu sei que o mundo é mais que isso. Eu sou um ferreiro.

Dessa vez Ellen parecia um pouco mais surpresa.

-Bem, eu devia ter suposto que você não era da alta classe, já que teve que se aliar a um pirata para conseguir salvar sua amada. Mas me diga, ela é filha do governador. Como você a conhece?

-Ela salvou minha vida. Eu vivia na Inglaterra, e minha mãe me criou sozinha. Depois que ela morreu, vim para cá procurar meu pai. O navio que eu estava sofreu um ataque pirata, e foi Elizabeth, que me viu na água. Devo minha vida a ela.

-Realmente romântico. – Will não soube dizer se Ellen estava sendo irônica ou não; alias, ele ainda nem sabia se acreditava na história de demônios e lobisomens. Contar a história de como ele e Elizabeth se conheceram fez o lembrar de algo que queria questionar Jack.

-Falando em meu pai – ele disse, a voz mais alta – Will Turner. Na cadeia, você só concordou em me ajudar quando eu falei o meu nome. Como era isso que eu queria, eu não discuti. Não sou um tolo, Jack, você conheceu meu pai.

-Eu conheci – falou Jack – provavelmente poucos conheciam ele como William Turner. A maioria apenas o chamava de Bootstrap ou Bootstrap Bill.

-Bootstrap? – repetiu Will, incrédulo.

-Bom homem, bom pirata. Eu juro que você se parece exatamente com ele.

-Ele não era um pirata, era um marinheiro mercante. Um bom e respeitável homem que obedecia a lei.

-Ele era um maldito pirata – respondeu Jack, zombando claramente da irritação de Will.

-Meu pai não era um pirata – Will apontou a espada para Jack.

-Abaixe isso, filho, você não quer ser derrotado de novo.

-Você não me derrotou, você ignorou as regras de luta. Numa luta justa, eu teria vencido você.

-Isso não é um incentivo para que eu lute justo, não é mesmo? – Jack moveu uma das velas, que empurra Will para fora do navio. Ellen se preocupou; ela não deixaria Jack matar Will ou Will matar Jack, mas não queria se intrometer em assuntos que não eram dela. – Agora, enquanto você está pendurado ai, preste atenção. A única regra que importa é essa: o que um homem pode fazer e o que um homem não pode fazer. Por exemplo, você pode aceitar que seu pai era um pirata e um bom homem ou você não pode. Mas pirataria está em seu sangue, garoto, então você vai ter que lidar com isso um dia. Agora, eu, por exemplo, eu posso deixar você se afogar, mas não posso levar esse navio para Tortuga sozinho, apenas com a ajuda da Ellen ali. Então, você pode navegar sobre o comando de um pirata ou não pode?

Era quase madrugada, e Ellen ainda não tinha adormecido. Ela podia ouvir os roncos de Jack na cabine do capitão ao lado. O navio tinha poucas cabines além de capitão. A cabine de Will, ao lado da dela, estava silenciosa. Ela se levantou, resolveu dar uma volta para o navio. Algo a deixava inquieta, ela já estivera em muitas caçadas – e aquela era uma caçada apenas, mais uma caçada, em um navio. Mas ela sentia que algo de diferente estava no ar, e ela não sabia exatamente o que.

Havia uma leve luz saindo da cabine de Will, a porta estava encostada. Ela resolveu entrar, no impulso. Ele estava acordado; os cabelos bagunçados e a camisa totalmente amassada. Parecia cansado e preocupado.

-Olá. – ela disse, parada na porta – também não consegue dormir?

Will levantou a cabeça e deu um ligeiro sorriso, que ela usou de estimulo para entrar na cabine. Ele estava sentado à mesa, olhando mapas espalhados.

-Está tudo bem? – ela perguntou. Sabia o que acontecia com ela, as vezes eram muitos sentimentos e pensamentos para aguentar sozinha, as vezes a costumeira solidão se tornava um fardo pesado demais e ela precisava falar com alguém.

-Oi, Ellen. – ele falou, sorrindo. Ele gostava dela, com certeza mais do que gostava de Jack. Não sabia se podia confiar nela ou não. Ela se sentou na frente dele. – Então, eu estava querendo te perguntar... Você conhece Jack há muito tempo?

-Eu o conheci na prisão. Eu fui presa por me confundirem com uma pirata. Já aconteceu antes.

-Então, por que está aqui? Se é uma caçadora como você diz... – ele ainda parecia incrédulo – Jack mencionou um trato com você.

-Ele me pediu para ajuda-lo a resolver um problema com uma maldição. Eu acho que vamos tratar disso após resolver seu problema.

-Acha que Jack está me ajudando por bondade do coração mesmo?

-Eu acho que ele está te ajudando, pois vai ganhar alguma coisa com isso, apenas não sei o que é. Deus sabe o que se passa na cabeça dele.

-Você confia nele?

Ellen fez que não com a cabeça.

-Então por que está aqui?

-Eu não tinha para onde ir, eu precisava sair da prisão e Jack me ofereceu uma boa oportunidade de caçada. Valeu a pena arriscar. Se der errado, só foi mais algo que não deu certo.

-Você pode morrer.

-Ora, não sou tão pessimista. Estou viva há 20 anos – ela riu. – Já sobrevivi há muita coisa, e pelo visto você também. Então como é que chegamos a Will Turner, ferreiro de Port Royal?

-Depois que fui salvo, o ferreiro me pegou como aprendiz. E como você se tornou uma caçadora?

-Negócios de família. Os Huntington são uma família de caçadores.

-Onde está sua família?

-Espalhada. Perdida. Talvez morta. Coisas acontecem. Nunca achou seu pai?

-Nunca. Se ele realmente foi um pirata...

-Por que odeia piratas?

-Por causa do ataque aos navios. Porque são maus. Levaram Elizabeth.

-Elizabeth e você são próximos? – Ellen resolveu não entrar em detalhes ao ódio aos piratas; devia ser dolorido para ele descobrir que o pai tinha sido um. Falar de Elizabeth talvez melhorasse o humor de Will; mas ele pareceu triste.

-Não muito. – ele murmurou.

-Você parece amá-la muito.

-Eu a amo.

-Espero que você consiga salvá-la, e sabe, que vocês fiquem juntos.

Will sorriu de leve para Ellen. Tinha decidido que gostava de Ellen. Quem sabe, até pudesse confiar nela. Ela também não confiava em Jack. Estava até começando a acreditar que talvez ela fosse realmente uma caçadora – mas que demônios e vampiros realmente existiam, ele ainda tinha suas dúvidas.