O Lado Negro da Lua
Capítulo Três
O Beijo
Chegaram a Tortuga ao anoitecer do dia seguinte. O segundo dia a bordo do navio tinha sido sem maiores incidentes. Jack ficara calado, bebendo rum. Will e Ellen, por outro lado, conversaram bastante.
Ela tinha decidido que gostava dele; a conversa era agradável e ele era gentil. Ele era romântico também, e sonhador. Aliais, Ellen desconfiava que estava se sentindo atraída por ele. Ele não era o tipo de homem com quem ela tinha se envolvido antes; sempre foram caçadores também, e devido à natureza do trabalho, sequer teve a chance de durar. Ela nunca tinha estado realmente e loucamente apaixonada, ou amando. Ela não pensava muito em amor. Era quase indiferente a isso. A atração que sentia por Will era compreensível. Ele era um homem muito bonito, além de todas as características do seu comportamento. Ellen sabia que sua convivência com ele seria de tempo curto. Ela não tinha intenções de deixar algo a mais acontecer além desse clima de amizade que estabeleceu entre eles nos dois dias que navegaram. Ela tinha sequer pensado nisso; ela apenas gostava da companhia dele.
Jack procurou um conhecido, Gibbs, e encarregou este de conseguir uma tripulação. Depois disso, desapareceu com mulheres. Will e Ellen se viram soltos em Tortuga.
-Então, o que vamos fazer? – perguntou Ellen.
-Bem – disse Will – eu estava pensando em voltarmos ao navio e descansarmos um pouco, amanhã será um longo dia.
-Sério mesmo, Will? Estamos em Tortuga, vamos beber pelo menos. – respondeu Ellen, se encaminhando para o bar. – Eu compro o rum. Nós podemos ir para a praia.
Will concordou com o rum, mas preferiu ficar no navio. Eles se sentaram no convés, cada um com uma garrafa. Will bebeu um gole, a bebida desceu amarga. Ele gostou da sensação.
Ele e Ellen estavam rindo.
-Eu nunca fiquei bêbado antes – confessou Will.
-Ah, sério, não me diga – riu Ellen. Desde que eles tinham ficado bêbados, a conversa assumira certo ar provocante. Ela já tinha perdido as contas de quantas vezes Will tinha ficado realmente próximo dela, ou quantas vezes ele colocara a mão na cintura dela, para depois se afastar. Ele cheirava a sal e a rum, e ela estava muito na dele. Burra, burra, burra, burra. Ele ama Elizabeth. Ele ama Elizabeth. Ele não está interessado em você... Então por que ele continua agindo dessa maneira sedutora com você? – a lista de coisas que você nunca fez poderia encher uma biblioteca, William Turner.
Will riu para ela. Ele nunca tinha bebido, e com certeza nunca tinha se sentido daquela maneira na vida. Desde que conhecera Ellen, se sentia atraído por ela, pois ela era muito bela, e depois, ele também estava apreciando estar com ela no navio. Ela era divertida e inteligente. Mas agora, bêbados, com ela cambaleando em volta dele, ele tinha já a abraçado e se aproximado dela várias vezes. Ele não sabia o porque de estar agindo daquela maneira. Ele se sentia quente e animado, e gostava de ter atenção de uma mulher bonita como aquela. Ele de ter atenção de uma mulher bonita como aquela. Ele estava gostando tanto de estar ali com ela que até poderia beijá-la.
Ele riu com a ideia, e dai notou que os corpos e rostos estavam bem próximos. Ele gostou da proximidade. Ela o encarava, um pouco mais séria, os olhos verdes muito escuros a luz do luar.
-O que, está pensando na lista? – ela falou, rindo, mas sem se mexer.
-É – ele viu as palavras escapando da sua boca, antes que pudesse pensar – eu nunca beijei uma garota.
Ele pensou que talvez tivesse sido muito estupido dizer isso; que talvez ela risse dele, mas ela sorriu, e ele se lembrou durante muito tempo a maneira que ela o olhou e disse:
-Eu sou uma garota.
Então ele encostou os lábios no dela, e quando as línguas se encontraram e o beijo de fato começou, ele desejou que nunca parasse.
