Capítulo XXVI — Yakuza

Himiko prendeu a respiração, ao me ouvir falar o nome Kouga em voz alta. Ele mesmo parecia chocado com o fato de reconhecê-lo, e eu sorri. Minha visão finalmente estava restaurada e eu podia observar todas as nuances do assombro dele.

Só que o homem a minha frente... não era Kouga. Era um youkai, parecia-se com Kouga, mas não era ele.

Então... O que estava acontecendo?

— De onde você conhece meu pai? — o youkai perguntou.

Arregalei os olhos diante da pergunta dele, e então veio o sorriso.

— Você é filho de Kouga? — perguntei, animada — Eu não consigo acreditar... Pensei que ele... — Tentei me levantar da cadeira em que estava sentada, mas não consegui. — O que é... — Olhei com horror para as minhas mãos amarradas na cadeira. — Por que eu... Vocês me sequestraram?! — exclamei, olhando acusadoramente para o youkai. Realmente, sequestrar uma garota era bem o tipo de coisa que Kouga faria.

— Era nossa única chance de conversar com você sem que um de seus guarda-costas percebesse.

— Para o quê? Conversar?! Essa é a ideia de vocês de convidar alguém para uma conversa?! — Então encarei Himiko — Mas... E Kayanno? Você me disse que ela...

Himiko ruborizou.

— Ela está bem... É que nós precisávamos atraí-la para longe do seu irmão. — ela disse, olhando para o chão.

Fechei os olhos, aliviada. Eu ainda estava muito irritada por estar amarrada à droga de uma cadeira e de terem me atraído aqui usando a vida de Kayanno como desculpas, mas é que meu alivio foi maior do que a minha raiva.

Certo. Se Kayanno estava bem, então eu tenho outras prioridades no momento... Como descobrir o motivo de eu ter sido sequestrada.

— E por "nós"... — questionei, abrindo os olhos — você quer dizer quem?

Encarei aquela garota, que até aquele momento sempre me parecera gentil e inofensiva, mas que obviamente estava muito longe de ser isso.

Himiko estava a ponto de me responder, quando o filho de Kouga tocou seu ombro e fez um gesto para que ela se retirasse. Aproveitei para olhar em volta, percebendo que estava em um armazém de sucatas, com eletrodomésticos antigos e computadores defasados espalhados em volta.

Ele puxou uma cadeira de metal, que fez um barulho irritante quando foi arrastada pelo chão cimento batido, e sentou-se à minha frente.

— Você ainda não me respondeu... De onde conhece meu pai? — ele questionou nervosamente.

— Traga ele aqui e talvez seu próprio pai dê essa resposta.

Ele me encarou por algum tempo e então cruzou os braços.

— Meu pai está morto, garotinha. Isso já faz duzentos anos. Eu quero saber de onde você ouviu falar dele.

Cada frase ficou ecoando em minha mente por algum tempo, até que eu compreendesse o significado delas.

Kouga estava morto. De alguma forma, isso era chocante. Nesses cinco anos, Shippou nunca havia mencionado sobre Kouga estar vivo, então eu havia suposto que ele já não existisse. Mas esses últimos três minutos da minha vida me deram esperanças, talvez até certeza, de que Kouga tivesse superado o tempo e continuasse com vida. Afinal, Sesshoumaru, Shippou e Kirara haviam conseguido... Por que não ele?

— Ayame... é sua mãe? — perguntei — Ela ainda está viva? — Encarei-o, receosa de sua resposta.

Ele estreitou os olhos.

— Sim, eu sou filho dela, mas ela também morreu. — respondeu. Eu prendi a respiração, tentando controlar a pontada de dor que cortou meu peito. — O que isso significa, garota? Como você sabe deles?!

Demorei alguns segundos para me recuperar, e responder:

— Eu era amiga de seus pais. — Fechei os olhos por um momento, tentando controlar as lembranças de Kouga e a Ayame que começaram a correr em minha mente. — Há muito, muito tempo.

Isso não pareceu convencê-lo.

— Não é possível. — ele respondeu — Todas as nossas investigações afirmam que você tem vinte e três anos. Para ser amiga de nossos pais você precisaria ter pelo menos dois séculos de vida.

Pensei em dizer a ele sobre o poço, mas me calei. Havia coisas que eram perigosas de serem ditas, e mesmo que o poço não funcionasse, eu não queria um monte de youkais invadindo o templo de minha família para atestar isso.

— Talvez suas investigações estejam erradas. — Foi a minha resposta. Ele fechou ainda mais a expressão, parecendo quase que infantilmente contrariado por não entender o que estava acontecendo. — E você ainda não me disse quem são vocês e por que me sequestraram.

Só um louco acharia que era uma boa ideia me sequestrar. Hideo era superprotetor e nesse momento já deveria estar me procurando em desespero, já que eu havia sumido da torre da ET (sim, era assim que Daiki chamava o grupo de investimentos da família). Isso sem falar de Shippou, que estava na cidade, e de Sesshoumaru, que quebraria em pedaços qualquer um que se achasse no direito de danificar algo que pertencia a ele.

Fazer algo a mim era praticamente suicídio. Na maior parte do tempo isso é irritante, mas agora é reconfortante imaginar meus irmãos chegando a qualquer momento e dando uma surra nesse fedelho idiota.

Para ter certeza disso, até mesmo desfiz a camuflagem da minha presença. Imediatamente, ele comentou:

— Não vão encontrá-la. — quase como se estivesse lendo minha mente (ou a minha presença, já que era suspeito que eu desfizesse a barreira) — Nós não teríamos sobrevivido tanto tempo se não conseguíssemos nos esconder. E mesmo uma presença como a sua pode ser ocultada com a barreira certa.

Engoli em seco. Se ele de fato estava falando a verdade, então não seria tão fácil assim que meus irmãos me encontrassem. Respirei lentamente, tentando me manter o mais calma possível. Eu tinha que pensar com cuidado em tudo o que estava acontecendo, pois talvez fosse necerssário dar um jeito de sair dessa situação sozinha.

— Acredite, eles vão me encontrar. — respondi calmamente — Se você investigou minha vida, então sabe o que aconteceu com o último que me atacou.

— O Senhor do Leste era um idiota. — Foi a resposta dele. — Nós não somos como ele.

— E quem são vocês? — perguntei mais uma vez, irritada por não obter resposta. Imagino que eu não estava exatamente em posição de fazer questionamentos, já que eu era a sequestrada em questão, mas isso não me impedia de tomar decisões estúpidas.

— Somos filhos de Kouga. Nós somos a Yakuza. — ele respondeu, com orgulho.

De repente, eu estava rindo.

Sei, essa não foi a melhor ideia que eu tive na vida, mas é que foi mais forte do que eu. Apenas foi engraçado pensar que fazia todo o sentido do mundo os descendentes de Kouga fossem a máfia japonesa. Ele e seu bando sempre foram radicais, rebeldes, do tipo "só obedeço as minhas leis".

— Por que você está rindo?! — questionou o filho de Kouga, realmente estressado com o meu acesso de risos — É bem a cara de vocês que fazem parte dos grandes clãs rirem de nós!

Parei de rir, surpresa com essa explosão de raiva.

— Vocês têm poder e dinheiro, — ele continuou — por que deveriam se importar conosco, não é mesmo?! Se um de vocês for afetado, então é motivo para guerra. O Senhor do Leste mal tocou em você, e seu irmão destruiu todo o clã dos Hebi! Mas os outros, aqueles que não fazem parte de grandes clãs, estão sozinhos!

Aparentemente eu consegui tocar em alguma ferida bem dolorida.

— Desculpe-me, eu não estava rindo de... vocês. Eu estava rindo por que de alguma forma seu pai realmente parecia um chefe da Yakuza quando o conheci, há quinhentos anos. — expliquei.

— Como?

— Bom, sabe, seu pai, com o estilo de vida louca dele. — Ele inclinou a cabeça para o lado demonstrando estar confuso. — Sabe, aquela filosofia de "viva la revolución!".

— Papai era bem genioso.

— Nem me diga. Ele fazia sempre o que queria e como queria. Simplesmente ser o chefe da yakuza combina com a personalidade dele. Desculpe ter me expressado errado, não queria lhe ofender. — Eu sei. Muito tolo da minha parte me importar com os sentimentos de alguém que está me sequestrando. Mas o que posso fazer? Não resisto a esses machos alfas que agem como cachorrinhos traumatizados.

O youkai corou, envergonhado por ter agido como um tolo ao ter compreendido errado a minha reação. Era estranho ver um homem feito (de lá seus duzentos anos) agindo dessa forma. Mas Kouga também era assim, não suportava a ideia de fazer papel de idiota.

— Então a Yakuza é formada por youkais? — comentei — Ninguém havia me falado disso antes.

— Os senhores não nos veem como perigo, imagino. — ele disse, com um sorriso amargo — Mesmo o Senhor do Leste apenas nos tolerava em troca de favores clandestinos. E quanto ao seu irmão ou ao seu noivo... Se sabem de nossa existência, acredito que eles tenham problemas maiores para lidar.

— E quanto a Shippou?

O youkai não respondeu, o que me leva a imaginar que Shippou soubesse da existência deles, e, talvez, até tivesse um relacionamento estreito com a Yakuza. Uma raposa era uma raposa, afinal, e tenho certeza absoluta de que o clã do Sul tem suas ligações com o submundo.

— Compreendo... Ele sabia que vocês iriam me sequestrar?

— Quando ele descobrir, nós já teremos o que queremos. — ele respondeu. — E eu não estou sequestrando você.

Olhei significativamente para as minhas mãos amarradas na cadeira.

— Você tem certeza?

— Isso é apenas para garantir que você vai me escutar. — ele limpou a garganta, ansioso.

— Sei... Já que isso é uma conversa amigável, que tal me dizer seu nome? — sugeri, com um sorriso falso.

— Eu sou Kai. — ele respondeu a contragosto — Sou um dos sete líderes da Yakuza.

— Pois bem, Kai, líder da Yakuza, meu nome é Kagome Higurashi, e acho melhor você me soltar imediatamente.

Ele me encarou por algum tempo e depois cortou as cordas com um canivete. Massageei meus pulsos.

— Eu não confio em você. — ele disse, enquanto o canivete sumia misteriosamente do meu campo de visão para dentro de sua manga. — Mas vou correr o risco… — Ele limpou a garganta mais uma vez, enquanto eu abria e fechava os dedos para a ativar a circulação.

— Estou ouvindo. — falei, embora não tivesse erguido os olhos para ver a expressão de impaciência dele.

Kai começou:

— Nós estamos investigando você há sete anos. — Eu demorei bastante tempo para compreender que era de mim que ele estava falando. — Sua presença assustadora deixou todos os youkais da região nervosos, principalmente Sakamoto, o Senhor do Leste. Ele se perguntava se a presença de um tengu nas terras dele seria uma declaração de guerra do Senhor do Norte, e pediu que a Yakuza ficasse responsável de investigá-la. E nós precisávamos fazer isso, por que nossa existência dependia da cooperação dele. Ao contrário de vocês, dos grandes clãs, a Yakuza não é composta de guerreiros ou de youkais que se preparam a partir do momento que nascem para suas funções; mas sim de renegados, youkais em extinção, sem poderes ou força, que precisam de proteção da influência dos Senhores. — Ele respirou profundamente — Nossa investigação, no entanto, sempre foi frustrada pelos hanyous que protegiam você. E mesmo as informações que colhíamos eram confusas e...

— Espera... — interrompi — Você disse hanyous? No plural?

Kai olhou para mim com irritação, como se achasse que eu estava interrompendo-o apenas para ser petulante. Mas obviamente que não era isso. Ao que eu sabia, apenas Raiden esteve me protegendo durante esses anos... A menos, é claro, que meu pai tivesse designado mais de um hanyou para me proteger.

Fiquei gelada, sem entender essa nova informação, e Kai apenas continuou falando:

— Demoramos anos para compreender que você não sabia esconder sua presença, mas aí os tengus já estavam vindo em peso para Tóquio... O Senhor do Norte pediu permissão para manter sede temporária aqui, e o Senhor do Leste aceitou, sentindo-se pressionado, sabendo que seu irmão provavelmente iniciaria uma guerra se o pedido fosse negado. — Kai levantou-se, como se não pudesse continuar a falar sem se mover — A questão é que a presença do Senhor do Norte em Tóquio pressionava os Hebis. O clã inteiro estava ansioso e alerta, se perguntando quando os tengus iriam se virar contra eles, já que não havia outra explicação para pedirem permissão de se estabelecerem aqui.

— Hum... Acho que vocês acreditam que meu irmão é mais maquiavélico do que realmente é. — comentei.

— Tsubasa Hideo?! — questionou Kai, surpreso — Seu irmão é um demônio, com perdão do trocadilho. Não é muito diferente de Sesshoumaru Taisho.

Franzi as sobrancelhas ante a comparação. Fazê-la era quase um sacrilégio. Embora eu tenha que admitir que para alguém de fora, meu irmão talvez realmente pareça frio e cruel. Mas eles sequer imaginam que isso é apenas uma máscara e que, apesar de ser muito inteligente, Hideo na realidade é apenas retardado e superprotetor.

— Está certo... Continue...

— Essa foi uma época bastante complicada para nós. Todos os youkais mais fracos da região se sentiam desprotegidos. Sabiam que seriam os que mais perderiam se houvesse guerra no território, e nos procuravam. Todos os dias, a Yakuza recebia novos youkais. Foi um crescimento completamente desorganizado e de repente a Yakuza não conseguia mais manter o controle sobre tudo. Eu admito a culpa disso ter acontecido. Eu deveria ter me tocado que esse crescimento desequilibraria tudo, mas estava muito preocupado no resultado da guerra que seu irmão travava com as serpentes, depois que eles"atacaram" você. Uma guerra que aconteceu de forma rápida e sem baixas do lado do seu irmão, você deve se lembrar.

Ele fez uma pausa para cruzar os braços e me encarar.

— Você se pergunta por quê? O clã do Leste não era tão fraco a ponto de ser completamente abatido sem levar consigo alguns oponentes. — Ele riu ironicamente — Não, eles perderam por causa do terror. Por que sabiam que se não fossem mortos por Hideo, seriam por Sesshoumaru. Até mesmo Shippou poderia se aproveitar da situação e vencê-los. Era só uma questão de tempo. E foi por estarem aterrorizados que eles se precipitaram quando atacaram você. — Ele riu mais uma vez.

— Eu não compreendo...

— Você nunca se questionou o motivo de ter sido atacada pelas Serpentes? — ele questionou franzido o cenho — Você foi atacada em plena luz do dia, por youkais que nunca tinha visto, e nunca se perguntou o porquê disso?

Empalideci.

Kai continuou:

— Bom, eu me questionei. Eu queria entender o que faria alguém tão ardiloso quanto Sakamoto agir tão desesperadamente. O que é que havia em você que a tornava um perigo tão iminente. — Ele sentou-se novamente, inclinando-se na minha direção para continuar dizendo — Ele ia matar você. Ocasionalmente. Sei disso por que essa era uma missão que ele deu a mim. Seria um trabalho rápido, sem complicações e discreto. Mas alguma coisa mudou naquela época. Ele descobriu alguma coisa que o fez tomar uma atitude desesperada. Se ele a matasse, ele talvez conseguisse de volta algo que jamais superou por ter perdido.

De repente, a conversa havia tomado outra proporção. O youkai a minha frente estava dizendo com todas as letras que, um dia, tinha recebido a missão de me matar. E não parecia sentir nenhum encargo de consciência por isso.

Fiquem em alerta, cautelosa.

— Demorei para descobrir. — comentou Kai, quase cínico.

— E o que você descobriu? — questionei lentamente.

— Não tão rápido — ele disse, com um sorriso torto — Sabe... Nós também demoramos muito para reestruturar a Yakuza. Hoje, nós somos vinte vezes mais poderosos do que cinco anos atrás. Tão fortes quanto qualquer um de seus clãs. Poderosos o bastante para começar uma guerra. — ele fez uma pausa — Mas se fizéssemos isso, apenas nos converteríamos em novos Senhores, e a função da Yakuza se perderia. Nós existimos porque somos a união de fracos... E os fracos se tornam fortes porque se sentem oprimidos. Se por acaso se tornam opressores, não terão mais a mesma força.

— Não entendo onde você quer chegar...

— Os boatos dizem que você vai se tornar a administradora do Leste quando se casar com Taisho. — ele comentou. — E nossa segurança depende de como você vai tolerar nossa existência.

— Talvez... — respondi, com cuidado — Isso não significa que eu vá mandar em qualquer coisa. A única coisa que vou fazer é ser mediadora entre a vontade do meu irmão e do meu noivo... Só vou servir para fazer o que eles mandarem.

— Você vai ter influência. — Ele cruzou os braços — Estou ciente de que essa não foi a melhor forma de trazê-la aqui para ter essa conversa, assim como sei que isso pode acabar com qualquer negociação... Mas com seu casamento marcado para o próximo mês... Eu não tinha muitas alternativas.

— Você falou muito... Mas ainda não compreendi perfeitamente onde você quer chegar.

— Quero garantias de que você vai interceder em nosso favor caso os Senhores resolvam que somos um estorvo. Quero que faça vista grossa para nossas atividades. Quero proteção. — ele disse.

— Não tão rápido, garoto... — Sei que é estranho chamar um youkai de mais de duzentos anos de garoto, mas não posso deixar essa sensação de que, querendo ou não, Kai era filho de um cara que um dia me reinvindicou como mulher dele. Portanto, eu tinha o direito de chamá-lo assim. — Se você de fato comanda a Yakuza, então você vai ter que convir que suas... atividades... são ruins para a sociedade. Muitas pessoas são prejudicadas pelo que vocês fazem, sabia?

— Não venha bancar a virtuosa... Sua família controla corporações, controla lucros... Não se importa com os humanos em que pisam. O que fazem não é diferente do que fazemos.

— É diferente, sim. — afirmei. — Os excessos ocorrem em todos os lugares, mas mesmo em multinacionais é possível correr atrás de direitos. Vocês não dão essa oportunidade para as pessoas.

Kai parecia bastante irritado com a forma como eu o confrontava, mas ficou calado.

— Está bem... Se essa é sua objeção, então vou acatá-la. — ele respondeu, parando para respirar profundamente — De qualquer forma, a maior parte de nosso dinheiro não é obtido por extorquir comerciantes. Vem de fraudes e empréstimos, ou de negócios clandestinos. E, já que você não é muito familiarizada com esse mundo, deixe-me dar-lhe uma lição, boneca: apenas os desonestos podem ser enganados.

— Isso não é verdade.

— Não? — ele lançou um sorriso de gangster que me fez fechar a cara ainda mais — As pessoas perdem dinheiro em cassinos por que estão desesperadas por dinheiro fácil e em quantias altas que nunca conseguiriam em seus trabalhos comuns. Se não é por isso, é porque sentem prazer por seduzir e enganar, ou em vencer. Se uma velhinha vende sua empresa de família por uma quantia completamente fora do mercado, e é enganada, é por que foi levada pela ganância. Se eu lhe digo que preciso de dinheiro para tirar um tesouro do fundo do mar, e desapareço depois de pegar seu dinheiro, é porque você foi movida pelo dinheiro fácil que poderia obter. Acredite, só uma pessoa desonesta pode ser enganada. — Ele terminou o discurso com uma risada, ao ver minha expressão surpresa. — Vejo que você compreendeu. Ninguém honesto será lesado.

— "Honesto" de acordo com os parâmetros de quem? — questionei.

— De acordo com os seus. — foi a resposta dele, e fiquei satisfeita com isso. — Se alguma de nossas atividades lhe desagradar, nós a cessaremos.

— Isso se eu souber do que vocês fazem. — falei, estreitando os olhos.

— É claro.

Isso me parece encrenca. Bom, de qualquer forma posso usar Shippou para ficar a par das atividades desses infelizes. Mas, espere, talvez eu esteja me precipitando. Será possível que depois de dois anos vendo Hideo negociar com executivos eu não tenha aprendido nada?

— E o que eu ganho com isso? — perguntei.

— Nossos serviços. — ele respondeu sem hesitar — A maior rede de espionagem e atuação que se pode imaginar. Poderia financiar suas atividades, mas creio que você não vai querer ter os negócios de sua família envolvidos com lavagem de dinheiro.

— Não, nem pensar. — respondi. Na verdade, eu duvido muito que eu queira utilizar a Yakuza para qualquer tipo de serviço. Mas é melhor saber o que está acontecendo do que bancar a administradora omissa. — E se eu não aceitar? — perguntei.

Ele pareceu confuso, como se não esperasse que eu estivesse pensando em não aceitar sua oferta. Querendo ou não, apesar do tratamento nada adequado, ele havia me trazido aqui para me apresentar uma ótima proposta (ligeiramente brusca, mas, ainda assim, ótima). Aliás, se ele era ao menos um pouco parecido com Kouga, então tinha certeza de que Kai era impaciente e achava seus planos infalíveis.

Kai passou a língua pelos lábios, nervoso.

— Bom... Nesse caso, teremos que entrar em guerra contra os Senhores. — ele respondeu.

É claro. Esses youkais cabeças-duras só sabem resolver os problemas assim. Guerra isso! Guerra aquilo!

Suspirei.

— Eu preciso de tempo para pensar. — respondi.

Ele não pareceu muito satisfeito com essa resposta.

— Quanto tempo? — questionou.

— Eu não vou ser administradora do Leste antes do meu casamento. — respondi — Você pode ter sua resposta depois.

— No dia do seu casamento, então. — ele respondeu, levantando-se — Eu irei procurá-la.

Percebi que ele estava dando nossa reunião (forçada) por encerrada e me levantei.

— Ah! — lembrei — Espere... O que você descobriu? Sobre o motivo de as Serpentes terem me atacado?

Ele deu um sorrisinho irônico.

— Eu lhe contarei, quando for conveniente. Imagine como seu... — ele parou por um momento, coçando o queixo — presente de casamento? Parece uma boa data para lhe contar.

Sorri, compreendendo a chantagem implícita na resposta. Kai parece o tipo de criatura que é melhor se ter como aliado.

— Compreendo... — Ele segurou meu braço para me guiar pelo armazém. — Apesar de eu dizer que vou pensar, eu não posso impedir que Hideo faça algo depois de vocês me sequestrarem, sabe?

— Se você quer que eu lhe conte o grande segredo que envolve seu ataque, então é melhor garantir que ninguém morra em razão disso.

Revirei os olhos. Era realmente difícil lidar com predadores natos como Kai. A questão é que eu estava escaldada de tanto ter que lidar com Sesshoumaru.

Ao sairmos, eu percebi que o galpão fazia parte uma propriedade tradicional japonesa, mas, ao contrário da de Sesshoumaru, que era um tradicional arquitetado, essa era tradicional por ser antiga, apesar de bem conservada. Parecia como um imenso dojô construído na era Edo.

Himiko estava na porta, segurando a minha bolsa, a qual ela me entregou, com olhos baixos. Kai me guiou pelo alpendre que margeava um jardim bem-cuidado e passamos por alguns youkais e hanyous (muitos em suas formas animalescas). Todos me olhavam com desconfiança e não custavam a sair do meu caminho.

Todo o percurso até a entrada principal levou dez minutos.

Um youkai guaxinim passou assustado ao lado de Kai, o que pareceu deixá-lo em alerta. E eu percebi que havia algo errado quando notei que o local estava deserto.

Kai se apressou em direção à entrada bem a tempo de ver o gigantesco cão prateado que aterrissava no jardim.

Meu. Deus. Eu tinha esquecido como Sesshoumaru era absurdamente grande em sua forma animal. O pelo era longo, e os olhos vermelhos pareciam cruéis. A meia-lua que eu vira tantas vezes no passado estava marcada em sua testa.

Vi de relance quando Kai empurrou Himiko para longe e ficou encarando Sesshoumaru em expectativa.

Apressei-me na direção de Sesshoumaru, sorrindo. Estava me questionando como ele havia me encontrado, mas acho que isso pode esperar. Aproximei-me o suficiente para acariciar a pelagem macia da pata esquerda dele — a mesma pata que Inuyasha havia arrancado há quinhentos anos e que depois Sesshoumaru havia recuperado.

Sei que parece estupidez acariciar Sesshoumaru como se fosse um cãozinho. Mas é que, tirando o diminutivo, Sesshoumaru é um cão prateado gigante! Tudo bem que da primeira vez que eu tinha visto ele nessa forma ele tinha tentado me matar e tudo o mais. Mas isso foi há tanto tempo... Hoje em dia eu sou mais valiosa viva.

Ergui os olhos e percebi que ele estava completamente alheio ao meu surto de kawaiigirl enquanto acariciava a pelagem dele. Ele estava focado em Kai, e parecia possesso e cruel. Bom... Imagino que esteja mesmo, já que Kai resolveu sequestrar o brinquedinho dele.

Expirei pela boca, repentinamente cansada.

— Não mate alguém. — falei para Sesshoumaru — Do contrário eu juro que deixo meus irmãos me mandarem fazer especialização no Cazaquistão.

Ele não pareceu me ouvir, mas sei que ele escutou.

Sinto muito, Kai, isso é tudo o que posso fazer. Sesshoumaru não vai ficar satisfeito até descarregar sua raiva, então, por favor, aguente firme. De qualquer forma, a única coisa que você me pediu foi que ninguém saísse morto nessa brincadeira. Vamos torcer para que Sesshoumaru tenha me ouvido.


Olá, gente. Ladie aqui.

Como prometido, esse é o primeiro capítulo de dois que iremos postar hoje! ~aleluias~

Esse é de minha responsabilidade, então vim aqui fazer alguns comentários (tive que postar agora mais cedo por que tenho que viajar, e a Fkake deve postar de madrugada, por que quando ela vai ter tempo livre (se ela se lembrar)).

Bom, primeiramente! FELIZ NATAL (meio adiantado), PESSOAS!

Obrigada por me suportarem durante todo esse tempo em que acompanham a história. E um obrigada ainda mais caloroso (leia-se: com abraços, apertões indevidos, beijo no pescoço e fungada na nuca) a todos os bonitos que sempre deixam comentários nessa história. Vocês, que se importam em mostrar como gostam do nosso trabalho, recebam todo o meu amor!

Ah, ok, parei de me fazer de difícil! Vocês que não comentam também, recebam meu amor! S2 E cuidem dele!

A gente deve voltar a postar capítulo novo dia 20 de janeiro (depois do próximo capítulo, claro (se a Mary lembrar)). A menos que vocês nos surtem com comentários divosos. Ai a gente pira e acaba postando bem antes. BEM ANTES.

- Nota: pessoas que deixam comentários, olhem seus inbox, por que estamos respondendo as reviews por PM.

- Nota2: pessoas que deixam como anônimo, e querem conversar com a gente sobre a história, nos add no face (Tracy Anne Duarte – Augustinópolis/TO - Mary Moraes - Sorocaba/SP)

- Nota3: aos novos leitores que deixaram reviews no último capítulo. SEUS LINDOS, TIVE VONTADE DE APERTAR VOCÊS.

Enfim, é isso. Feliz natal para vocês! E Fkake, minha toddynho, feliz natal para você também! Obrigada por me suportar há 10 anos e ser uma das pessoas mais incríveis que eu conheço!

No mais, espero que vocês deixem tantas reviews que o celular da Fkake enlouqueça com os alertas de novo e-mail do ff. net e ela lembre de postar o outro capítulo de hoje.

Bjs, Ladie.