Capítulo XXVII – Sem beicinho dessa vez
Resolvi não ficar para ver meu noivo brincar de morder-o-lobo, e saí da propriedade de Kai. Encontrei um Ryuuji estressado encostado ao carro de Sesshoumaru.
— Você é idiota?! — ele exclamou, ao me ver — Eu tiro minha atenção de você por dois minutos e você desaparece por esse mundo fodido?! — Ele veio na minha direção, pegou meu braço e me empurrou no banco de trás do carro. Ele entrou logo depois do lado do motorista e ficou apertando o volante até os nós dos dedos ficarem brancos. — Eu devia matá-la por ser tão estúpida! — rosnou.
— Pare de rosnar, ainda não falo língua de cachorro. — falei.
— Apenas fique quieta! Sesshoumaru vai esfolar minhas costas por que não protegi você de novo! Agradeça o fato de ele conseguir sentir sua presença mesmo com a porra da barreira!
— Eu estava indo muito bem sem vocês, sabia?
— Você nunca deve ter lavado um prato na vida, vai me dizer que sabe lidar com a máfia? — ele virou-se no banco para me olhar com raiva — Qual o seu problema, afinal?! O que custa ficar com o rabo quieto onde alguém possa te vigiar?
— O que você quer me vigiando? Eu sei me cuidar sozinha.
— Até um filhote de ganso sabe se cuidar sozinho melhor do que você.
Eu estava a ponto de me inclinar e dar uns tapas nele quando a porta ao meu lado se abriu e Sesshoumaru entrou, obrigando-me a me afastar um pouco no banco. Ryuuji respirou fundo e ligou o carro.
Arregalei os olhos, percebendo que aquilo fora bastante rápido. E, ainda por cima, Sesshoumaru estava novamente impecável em um terno. Eu me pergunto se a roupa é absorvida quando ele se transforma ou se ele é uma espécie de super-homem às avessas, e se meteu em uma cabine telefônica para se vestir para o trabalho.
Observei a expressão dele, ele parecia satisfeito. Perversamente satisfeito. Bom, melhor isso que irritação. Mas o alívio demorou pouco, já que eu percebi que ele estava me encarando.
Ele estava esperando que eu dissesse o que infernos eu estava fazendo na sede da máfia.
— Kai é filho de Kouga. — respondi, como se isso explicasse tudo. Mas então percebi que não explicava nada, e, ainda por cima, me complicava. Se Sesshoumaru lembrasse quem era Kouga, então seria difícil de explicar a situação toda. — Ele também é amigo de Shippou.
— Pare de andar com Shippou. — Sesshoumaru disse.
— Hã? Espera, o que Shippou tem a ver com isso?
— Só faça o que estou mandando. — ele respondeu.
— Não vou de forma alguma! — exclamei — O idiota me sequestra, me amarra numa cadeira, diz que o Senhor do Leste tinha lhe dado a missão de me matar, e Shippou é o culpado?!
Ryuuji freou o carro bruscamente, no meio da rua. Os carros atrás buzinaram em protesto, mas os tai-youkais no carro não pareceram se importar com isso. Ruuji olhou para Sesshoumaru pelo retrovisor.
— O senhor quer que eu dê meia-volta? Ainda está em tempo de voltar e matar o desgraçado.
Meu celular começou a tocar na bolsa e eu o procurei enquanto Sesshoumaru parecia refletir sobre a proposta.
— Alô? — chamei, ofegante, enquanto me inclinava e dava um tapa no ombro de Ryuuji para que ele voltasse a dirigir.
— Onde você está?! — Hideo berrou. Droga.
— Ehr... Hum... — Olhei em volta, sem saber o que responder. — Eu estou com Sesshoumaru, Hideo.
— Você está o quê?!
— No carro, com Sesshoumaru. O capacho dele está dirigindo. — Ryuuji tirou a mão do volante para mostrar o dedo do meio para mim.
— Você fugiu daqui... Para se encontrar com Sesshoumaru?! Kagome, a gente tinha acabado de conversar sobre como você tinha que me avisar quando fosse sair!
— Desculpe... Foi o impulso... Eu... Hum... Pensei em almoçar com Sesshoumaru.
Eu ouvi Hideo hiperventilando do outro lado da linha.
— Nós vamos ter uma conversa realmente séria quando você chegar em casa. — ele disse, mordaz — E mande esse imbecil do seu noivo ter certeza de que você vai estar segura.
E desligou na minha cara.
Eu realmente havia conseguido tirar Hideo do sério. Acho que só o meu charme não vai ser suficiente para ser perdoada dessa vez.
Guardei o celular na bolsa.
— Acho que você vai ter que pagar um almoço para mim.
Pensei que Sesshoumaru iria apenas jogar uma nota de mil ienes no meu colo e me abandonar em alguma barraca de rua, mas acabou que ele me levou para um restaurante, onde aparentemente ele havia largado clientes no meio de uma negociação para me salvar das garras de Kai.
Eu fiquei meio tocada em saber isso, mas me arrependi amargamente de sentir simpatia pelo demônio, já que tive que passar o almoço inteiro ouvindo um velho ranzinza contando histórias de glória comerciais de seu passado, enquanto o filho dele ficava olhando para o meu decote. E pior é Sesshoumaru se aproveitou disso para manipulá-los.
Um noivo de verdade teria surrado aquele imbecil, mas pelo que vejo sou eu que vou ter que surrar o meu noivo.
Quando a tortura acabou, e eu pensei que ficaria finalmente livre, Sesshoumaru me levou até o seu escritório na torre do Tai Group e eu fiquei apenas sentada em seu sofá, folheando uns relatórios que estavam na mesa de centro. A secretária dele entrou no escritório, usando uma saia curta demais para o trabalho, e ficou chocada de me ver ali. Sim, moça, tem uma mulher no escritório do seu chefe insuportável. Lide com isso.
Observei que os relatórios que estavam nas minhas mãos eram cheios de anotações de Kazuki (depois de dois anos recebendo recados dele, é impossível não reconhecer a letra). Percebi que analisar esses relatórios era trabalho dele, e que havia largado o serviço no meio — aliás, era muito estranho ele não estar ali.
Continuei vendo os relatórios até perceber qual era o padrão de informações que Kazuki estava procurando, já que sempre grifava os números de retiradas para pagamentos de indenizações e acordos em ações coletivas. Eu já havia visto Aika fazer esse tipo de relatórios antes para análises de satisfação de mercado.
Levantei-me e segui para a mesa de Sesshoumaru, onde abri suas gavetas sem cerimônia para pegar canetas e algo em que pudesse fazer anotações. Meu noivo não pareceu se importar com o que eu fazia, mas a secretária dele se calou e ficou me observando, boquiaberta. Ignorei-a e me afastei depois de achar o que queria, e passei o resto da tarde e boa parte da noite analisando os relatórios.
Eram 22h quando Sesshoumaru agarrou meu pulso e me puxou para que eu me levantasse. Eu comecei a protestar, que nem uma criança que é obrigada a ir dormir.
— Estou quase terminando. — falei, usando meu peso para tentar me manter sentada, mas Sesshoumaru era muito forte, e o máximo que eu conseguiria seria deslocar o pulso. — Por favor.
— Esse não é seu trabalho.
— Então deixe-me levar para casa. — pedi, parecia estúpido ficar fazendo birra por um trabalho que não era meu, mas ninguém pode dizer que eu não seja alguém que goste de terminar o que começou.
Sesshoumaru soltou meu pulso, para a minha surpresa, e eu sorri, enquanto juntava os relatórios. E assim terminou meu dia, Sesshoumaru me levou para casa, toda feliz com os meus relatórios, onde eu passei as próximas três horas ouvindo Hideo brigar comigo. É dessa vez não adiantou fazer beicinho.
Hideo ficou tão infeliz com o meu comportamento que toda a casa levou a culpa pelo acontecido. Toda vez que alguém deixava um recado na geladeira, ele ia lá, arrancava, e rasgava em pedacinhos. Qualquer coisa era motivo para descontar do salário de alguém, desde rir muito alto até entrar em casa de sapatos. Álcool estava proibido naquela propriedade por tempo indeterminado, e certa noite Hideo foi encontrado ao lado de um tonel onde ele queimava todas as revistas pornográficas que tinha encontrado na casa. Daiki e Tomoyo se abraçaram e choraram enquanto suas preciosas coleções de pornografia viravam cinquenta tons de cinzas.
Enquanto isso, o dia do meu casamento finalmente se aproximava, e Daiki começou a imitar o comportamento de Hideo.
A situação ficou catastrófica.
Se não bastasse, era impossível ter que organizar meu casamento com ajuda de uma mãe que acreditava piamente que meu noivo era invenção minha, e que a mídia havia sido enganada pelos meus devaneios. Aliás, ela só estava me ajudando por que uma amiga dela que era terapeuta dizia que o melhor era agir como se acreditasse nas minhas alucinações. E não ajudava em nada quando Hideo e Daiki respondiam com um "Que casamento?!", toda vez que ela perguntava algo para eles.
E como se não adiantasse a psicose dos meus irmãos, o comportamento de Nagi ficou extremamente sombrio, do tipo "realmente guardo corpos no assoalho do meu quarto".
Aika estava pedindo arrego.
Eu também pensei que estaria. Mas minha sorte foi e Kazuki ficar tão agradecido por eu tê-lo ajudado com os relatórios, que estava me ajudando na organização do casório. Eu descobri alguns dias depois, que ele havia sumido naquele dia por que Sesshoumaru havia mandado que ele descobrisse as intenções da yakuza ao me "sequestrar", então posso dizer que ajudá-lo foi praticamente minha obrigação.
Também aproveitei esse tempo para coletar informações de Himiko. Ela era uma hanyou lobo. De acordo com o que ela havia me dito, a avó dela havia feito parte dos emigrantes que foram para o Brasil, só que havia um youkai lobo (sobrinho de Kai) que era tão apaixonado por ela que saiu do Japão até a América do Sul para ficar com ela, trazendo depois a família de volta para o Japão quando a esposa faleceu. Isso significava que Himiko era uma espécie de tatarasobrinha de Kai. Isso também explicava de onde era o sotaque melodioso dela - e por que tinha tantos brasileiros trabalhando para a Yakuza.
Enfim, isso não era importante no momento. Afinal, o mês passou voando, e de repente já era o dia do meu casamento.
E aí pessoal ultrajovem e jovem xD
Aqui é a Fkake que vós fala e primeiramente um FELIZ NATAL PARA TODOS VOCÊS SEUS LINDOS/LINDAS E CHEIROSOS/CHEIROSAS. Em segundo lugar venho aqui trazer o capítulo conforme foi prometido pela Ladie. Para sem bem sincera eu to fazendo o comentário antes de postar, então não sei ao certo se vou esquecer, mas vocês saberam. Pode que ser que eu ligue o notebook apenas para fazer isso e de preguiça de falar com vocês e dar um feliz natal que todos merecem, pois bem, estou comentando antes.
Bom, de acordo com que minha toddynho disse no capítulo anterior, teremos postagem apenas em Janeiro, portanto um feliz ano novo para vocês.
Sendo sincera espero que esse ano seja melhor pois 2013 foi uma merda, odeio anos impares, serio. Mas espero de coração que todos passem bem as festas e que se divirtam com seus familiares e amigos, não esquecendo que o espirito dessas festas é comer, beber e ganhar presentes... brincadeira, em alguns casos. Espero que vocês sejam os casos que minha brincadeira se encaixa, que realmente sabem o significado de todas as festividades. Não sou o tipo mais religiosa, na verdade, estou muito longe disso, mas realmente acredito que essas festa de final de ano é um escape em que a gente esquece um pouco todos os problemas que temos, incluindo com a família e festeja na esperança de que as coisas melhorem ou que continuem boas.
Desejo que os seres que não comentam começassem a comentar, afinal, os comentários de vocês é literalmente o nosso pagamento por horas conversando sobre a trama e mais horas escrevendo e apagando e escrevendo de novo e mais conversa sobre o enredo e principalmente, a preocupação com os mínimos detalhes para que não fique uma perda tempo para vocês nossos leitores.
Aproveitando minha vontade de comentar, quero agradecer as betas que estão fazendo um trabalho impecavel deixando Senhor do Norte uma fic de respeito. Obrigada meninas por cederem seu tempo para corrigir a fic, agradeço de coração e sei que a Ladie também, afinal, sabemos que vocês não estão ganhando nada nos ajudando além de nossa gratidão e carinho.
E como sei que ela vai vim aqui ler o que eu comentei na fic...
Tracy, agradeço todos os dias da minha vida por ter encontrado uma amiga tão leal e magnifica como você. Sabemos como esse ano foi cheio de provações e como tivemos que penar para ficar em pé. Não sei o que o meu futuro reserva, mas eu desejo que você esteja ao meu lado. Acho que já falei demais, mas não canso de repetir, você é como um irmã para mim e é realmente um das poucas pessoas que me importo em manter em minha vida. Quando paramos para escrever Senhor do Norte, é simplesmente um dos meus momentos favoritos do dia... antes disso só quando abro uma coca-cola gelada xD.
Enfim, falei/escrevi demais, sei que não vão ler, mas foda-se, eu precisava escrever essas ladainhas. Até o próximo capítulo e rogo para não esquecer de postar essa budega de madrugada... sim a fic é minha chamo como quiser .
