Capítulo XXIX — Casamento (Parte Dois)
Se eu tiver que vestir mais um quimono nessa vida, eu juro que corto meus pulsos. Que tipo de tradição de tortura é essa que obriga as noivas a trocarem de roupa meia dúzia de vezes durante a cerimônia? É alguma espécie de teste do tipo "veja-me vestida em todas as roupas possíveis, querido, para ter certeza de que quer casar comigo"? Casamentos ocidentais parecem ser tão mais simples.
Mas tudo bem, calma, Kagome, a tortura acabou.
Olhei-me no longo espelho a minha frente. Eu estava usando apenas a roupa íntima feita de seda, e embora estivesse lindamente maquiada e penteada... Ainda parecia comigo mesma.
Não há nada de diferente de mim, exceto que estou casada com Sesshoumaru.
E acho que ainda não caiu a ficha desse fato. Durante a cerimônia, fiquei pensando em todos os tipos de bobagens, desde o fato de demônios acharem necessário haver casamento religioso, desde sentir vontade de rir da palidez cadavérica de Daiki... Eu simplesmente não queria pensar no fato de que eu estava me casando com Sesshoumaru.
A grande questão é: eu não vou poder ignorar esse fato por muito tempo.
Afinal, eu sou esposa de Sesshoumaru. Agora, sou mais dele do que nunca fui de Inuyasha. E isso parece errado em muitos níveis. Suspirei, sentindo um grande peso se acomodar sobre meus ombros, e sabendo que teria de conviver com ele pelo resto da minha vida.
Deslizei um vestido marrom rendado pelo meu corpo e calcei as sandálias brancas de salto alto.
Sentei-me na cama e abri a mochila que eu havia pedido para Ryo deixar no quarto. Dentro, estava a caixa de lembranças de Tsubasa Takashi, meu pai — que eu nunca havia devolvido para Hideo, desde a época em que ele me deixou com ela, há cinco anos.
Sempre que me sinto perdida, eu acabo abrindo essa caixa, desesperada para ter algo em que me agarrar. E esse momento, com certeza, é um deles.
Tirei da caixa o já velho conhecido pingente quebrado em forma de pena, e instintivamente toquei o quase-gêmeo dele que pendia do meu pescoço.
Eu sabia, no meu íntimo, que aquele pingente havia pertencido à amante do meu pai... A mesma que Sesshoumaru havia assassinado, conforme o folclore. E nesse momento eu procuro inspiração nela. Nessa mulher desconhecida que morreu para acabar com a Grande Guerra.
Não que o meu sacrifício possa ser comparado com o dela. Nem perto disso. Mas gostaria de ter toda a coragem que ela teve.
A porta se abriu, e Shippou entrou. Eu imediatamente abri um largo sorriso enquanto girava, mostrando como estava elegante em seu já típico smoking branco.
— Olá, senhora Taisho. — ele disse, enquanto fechava a porta e seguia para sentar ao meu lado na cama. — Achei que você precisava de um presente.
— Você? — perguntei, sorrindo.
— Claro. Teria outro melhor?
— Bom, se é um presente de casamento, presume-se que Sesshoumaru também poderá se aproveitar dele. — comentei, piscando um olho maliciosamente.
— Alto lá, mocinha. É bom mesmo termos essa discussão, pois o meu presente deve chegar em alguns dias, e gostaria de deixar claro que Sesshoumaru não pode se beneficiar com ele. — Ele tocou minha bochecha brevemente, enquanto sorria de forma sedutora — É um presente para você, apenas. E para mim, adoraria que você usasse comigo.
— Agora estou curiosa. — comentei, sorrindo de leve — O que será? Uma fantasia de dominatrix? Com chicotes?
— E algemas. — ele respondeu.
Fechei a cara.
— Você andou conversando com o Daiki. — suspirei.
— Ele está revoltado. Disse que irá processar um certo sex shop que garantiu que as algemas que ele comprou eram inquebráveis. — Shippou deu risada e então olhou com curiosidade para a caixa no meu colo — Hum... E o que é isso?
Baixei os olhos, observando o pingente quebrado que eu ainda acariciava entre os dedos.
— São algumas coisas do meu pai. — falei tristemente — Estava pensando nele.
— Pensei que estaria pensando em outra pessoa, a essa altura do campeonato.
Ergui os olhos para Shippou, percebendo pelo seu olhar sério de quem ele estava falando.
— Inuyasha? — perguntei, um pouco surpresa. Então suspirei. Foi um som tão cansado, tão exausto, que eu senti como se tivesse perdido um pouco da minha alma. — Antigamente, — comecei — eu evitava pensar nele, pensar no passado... Era mais fácil ignorar e fingir-me de boba. Hoje em dia não preciso mais.
— O que você quer dizer com isso? — ele perguntou, enquanto deixava o corpo cair para trás e deitava parcialmente na cama, com as longas pernas apoiadas no chão.
— Eu mudei muito, Shippou. E como não mudaria? Oito anos atrás eu era apenas uma garota. E quando somos muito jovens... qualquer coisa de ruim que acontece tem a proporção do fim do mundo. Ver Inuyasha correr atrás de Kikyou era o equivalente a uma morte. Embora hoje em dia eu vejo que isso não significava que ele não me amava... apenas que amava a mim e a Kikyou com intensidades diferentes. — Sorri amargamente, fixando meu olhar no pingente entre meus dedos — Naquela época, ele era tudo o que eu precisava para ser feliz.
— E hoje não?
Hesitei alguns segundos.
— Eu nunca vou me arrepender de amar Inuyasha. Mesmo com toda a dor. A única coisa que sei é que eu mudei, Shippou, que eu não sou mais a mesma daquela época... E que talvez a Kagome de hoje não pudesse ser feliz com Inuyasha.
— E é agora? — Shippou perguntou — Você encontrou felicidade?
— Felicidade é algo tão complexo, não é? Antes eu achava que felicidade era um conceito muito rígido. Como se você pudesse engarrafar ou colocar uma moldura. Eu amadureci o suficiente para perceber que as coisas não são divididas em preto ou branco, mas que existe centenas de matizes de cinza entre esses dois extremos.
— Agora está mais para preto ou mais para branco?
— Ah... Eu estou bem. Muito bem, na verdade. — garanti.
— Hum... Então... você se apaixonou por Sesshoumaru. — ele insinuou.
Dei risada.
— O que ele fez para que eu me apaixonasse por ele, Shippou? — questionei, ainda rindo.
— Não sei... O que Inuyasha fez?
Ele tinha um ponto.
Continuei sorrindo, e Shippou fechou os olhos, parecendo estar pronto para dormir ali, naquela posição. Não vou mentir que era tentador fazer o mesmo.
— O que importa agora... — ele começou meio rouco, como se estivesse mesmo ficando com sono. — É que somos amantes e Sesshoumaru, corno. Sinto que minha meta de vida está cumprida, posso morrer em paz.
— Ouse morrer e eu lhe mato.
— Isso não faz sentido.
— Vai fazer quando eu aparecer no mundo dos mortos com uma foice.
— Eita...
— Nunca duvide do poder de uma mulher enfurecida.
Então rimos.
Era tão bom sentir a atmosfera finalmente leve. Devo admitir que apenas agora estou me sentindo um pouco mais relaxada que o cansaço me abateu, mas não poderia deitar e simplesmente dormir, mesmo que fosse o que mais queria.
Por sorte, eu tive que deixar a tentadora ideia de lado quando alguém bateu na porta do quarto.
— Pode entrar. — falei. Eu nem preciso dizer como fiquei surpresa ao me deparar com Himiko na minha porta, lançando um sorriso tímido. Não consigo imaginar que Sesshoumaru tenha deixado ela entrar, ou que Ryuuji tenha deixado passar uma hanyou lobo por sua segurança. — Himiko?
— Oi. — ela disse, olhando de esguelha para Shippou e ruborizando. Percebi que ele sorriu lentamente, mas não falou nada. Se eu precisava de uma prova de que ele estava envolvido com a máfia, essa já seria suficiente. — Kai me mandou até aqui.
Claro. Por que será que isso não me surpreende? Quer dizer… Nesse momento, eu já sou mulher de Sesshoumaru. O que significa que já tenho direito pela administração do Leste, embora… necessariamente falando… a união não estivesse consumada.
— Como você entrou? — perguntei, curiosa.
— Estou escondendo minha presença e eu disse que vim trazer o presente de casamento do Hokkaido. — Ela mostrou um envelope pardo que trazia nas mãos — Mas, antes, tio Kai quer falar com você.
Franzi o cenho, e observei quando ela tirou o celular do bolso e discou um número. Assim que a pessoa do outro lado da linha atendeu, estendeu o aparelho para mim. Tive que me levantar para pegar o telefone.
— Alô.
— Fiquei sabendo que você já se algemou ao Senhor do Oeste.
— Bom, eu fui a primeira a saber… Então não é exatamente uma novidade.
Kai riu.
— Então… Qual a sua resposta?
Respirei fundo.
— Eu aceito. Mas cumpra sua parte do acordo. Proteção em troca do cessar das ações danosas contra pessoas honestas. — Eu olhei para Shippou, que apenas ergueu uma sobrancelha, curioso.
— Ótimo. — ele disse, satisfeito — Vai ser um prazer trabalhar com você.
Ele disse isso e senti um calafrio subir pela espinha, como quando sabemos que tem algo bem errado; resolvi ignorar, caso contrário Kai e eu nunca entraríamos em um acordo.
— Espero que sim.
— Bom… Já que fechamos negócio… Himiko tem algo para você. Espero que seja de alguma utilidade. Entrarei em contato em breve.
E desligou na minha cara. Educação, ela te manda um beijo.
Olhei para Shippou, que parecia a ponto de me perguntar sobre o que eu estava falando com Kai.
— Te explico mais tarde. — falei, e então virei-me para Himiko, devolvendo o celular — Ele disse que você tem algo para mim.
Ela guardou o celular no bolso e me estendeu o envelope que segurava. Então olhou para Shippou mais uma vez, ruborizou até o último fio de cabelo, e foi embora com um aceno.
Olhei acusatoriamente para a raposa velha que atende por meu amigo.
— O que você fez com ela?
— Por que acha que fiz alguma coisa?
— Porque você é uma raposa velha safada da qual não se deve confiar em um bigode sequer.
— Isso foi ofensivo, daria minha vida por você.
— O que você fez?!
— Nada, apenas fui... cortês...
— Cortês onde?
— Em uma balada de strippers enquanto ela fazia pole dance para mim e meus homens. — Estreitei os olhos, sem acreditar nele. — Quanta desconfiança, apenas fiquei bêbado uma vez com ela e o tal chefe dela lá... Não me lembro de muita coisa, mas acho que pedi para ela ir comigo até Vegas.
— Você a pediu em casamento!?
— Acho que sim, eu estava bêbado.
— Vou te matar. — Comecei a dar murros no ombro dele e ele começou a andar pelo quarto se queixando.
— Para de tentar me castrar e abre logo o envelope. O que tem aí?
— Promissórias. — falei, empurrando-o para fora do quarto. — Pode me dar licença?
— Você está me deixando escolha? — ele perguntou, antes de eu fechar a porta nas costas dele.
Olhei para o envelope pardo, sem sequer desconfiar que as informações dentro dele iriam mudar tudo.
Eu havia insistido para que a recepção fosse pela tarde, porque assim demoraria menos. Era cedo demais para encher a cara, então a maioria dos convidados — apenas a impresa, os principais sócios de Sesshoumaru e do meu irmão, além dos clãs e alguns amigos íntimos — não tardaria em ir embora.
Agora percebo que mesmo essas poucas horas seriam demais. Eu queria sair dali o mais rápido possível, me trancar em algum quarto, e tentar encontrar sentido nos documentos que Kai havia enviado para mim.
As pessoas vinham me cumprimentar e eu sorria e agradecia, mas não fazia ideia do que estava fazendo. A única coisa que realmente importava era Sesshoumaru, parado ao meu lado.
Eu queria me afastar dele. Queria dar distância entre a gente. Pelo menos por ora, enquanto eu não posso enfrentá-lo na frente dos convidados.
Arnya, a mulher de Raiden, se aproximou, com Ren nos braços. Ele estava vestindo um lindo terno preto e gorro de Mokona. Esse é o bom de ser a única criança numa família rica, superprotetora e que gosta de distribuir afeto… Sempre vai ter roupinhas fofas para derreter os corações alheios.
Ergui os braços, quando Ren soltou um gritinho e agitou as mãozinhas na minha direção. Peguei ele no colo e sorri para Arnya.
— Quando você chegou?
— Cheguei agora de Sapporo, fui buscar Ren com a Sajia. Mal tive tempo de me arrumar. Não que eu precise. — E sorriu enquanto passava a mão no cabelo cortado extrememamente curto. Eu tinha muita inveja de Arnya, por que tenho certeza absoluta que eu ficaria parecendo um pré-adolescente se usasse um corte assim. Nela ficava feminino e sexy. Ninguém pode julgar o Raiden por fazer um filho nela poucos meses depois de se casarem.
Ren se esticou no meu colo para olhar inquisidoramente para Sesshoumaru, como se decidindo se devia ou não gritar para o meu noi… marido pegá-lo no colo. Arnya também encarou Sesshoumaru.
— Parabéns para vocês. — ela disse, voltando a olhar para mim — Vocês fazem um casal muito bonito.
Sorri timidamente e resolvi que a melhor forma de gastar meu tempo era ficar balbuciando bobagens carinhosas para Ren. Sesshoumaru continuava calado ao meu lado.
Vi de relance Shippou e Hideo conversando de forma cúmplice no bar. Desde que eu revelei para o meu irmão que eu conhecia Shippou de quinhentos anos atrás, eles ficaram assim… super amiguinhos. No fundo do salão, Daiki estava debruçado sobre uma mesa, com o rosto entre as mãos, enquanto minha mãe tentava confortá-lo. Ela praticamente perdeu a recepção inteira tentando acalmar meu irmão.
Estava tão distraída com isso, que só notei que algo estava errado quando Arnya soltou um ofego. Olhei para baixo, bem a tempo de ver que Ren tinha babado sobre praticamente meu ombro inteiro.
Arregalei os olhos. Como ele havia conseguido isso?
— Ah, céus! — Arnya pegou Ren dos meus braços — Desculpe, Kagome… Ele sujou todo o seu vestido!
— Tudo bem… — falei, sorrindo — Eu troquei de roupa tantas vezes hoje que não me importo nem um pouco de fazer isso mais vez.
Virei de costas e saí do salão.
Sim, eu me importava muito de trocar de roupa, mas a culpa não era de ninguém… E, sinceramente falando, estava tão desesperada para sair de perto de Sesshoumaru que realmente quase agradeci Ren pelo imprevisto.
Entrei no meu quarto e desci o zíper do vestido, quando ouvi a porta abrir e Sesshoumaru dizer calmamente atrás de mim:
— Dê-me o colar.
Virei para a porta, assustada, segurando a frente do vestido para, de repente, não ficar só de lingerie na frente dele.
— Como… O quê…?!
— O colar. — ele disse, olhando a corrente negra com o pingente em forma de pena no meu pescoço — Tire-o.
Baixei a vista para olhar eu mesma o colar, e então fechei minha mão em torno do pingente.
— Por quê?
— Esse colar deu legitimidade ao seu irmão para procurar vingança quando o Senhor do Leste a atacou. — Ele se aproximou — Você não pertence mais ao Senhor do Norte. Tire o colar.
Dei um passo atrás, com expressão chocada.
— Não vou. — arfei.
Senti que Sesshoumaru não pediria uma quarta vez e me muni de raiva. Não iria deixar ele simplesmente mandar em mim quando eu tinha tantas coisas para dizer a ele.
Acusei, furiosa:
— Quando o Senhor do Leste me atacou, foi isso que você disse?! Ou você quer dizer, quando você o manipulou para me atacar?!
Tive a impressão de que Sesshoumaru estreitou os olhos de leve, mas nada além disso denunciou que ele havia compreendido o que eu dizia.
— Você manipulou tudo, Sesshoumaru! — falei em tom irado — Kai me entregou todas as provas! Desde que eu passei a emitir presença, tem alguém sob seu comando me seguindo. No dia em que fui atacada, tanto Ryuuji quanto Dmitri estavam no local. E até mesmo a viagem dos meus irmãos a Tóquio quando eles perceberam minha presença foi culpa sua!
Sesshoumaru parecia completamente insensível às minhas acusações. Apenas ficou ali, parado, encarando-me enquanto eu jogava as verdades no ar.
— Você nega? Nega que adulterou os balancetes de uma das empresas de Hideo para ele ter que vir para Tóquio? Nega que você esperou pacientemente que o Senhor do Leste resolvesse que devia me matar para ameaçá-lo? Que você disse "eu vou destruir você", sabendo que ele tentaria me sequestrar para me usar como escudo contra você? — Meus olhos se encheram de lágrimas de frustração — Era óbvio que Hideo não deixaria barato. Você só teve que esperar no camarote enquanto meu irmão fazia o trabalho sujo para você! Ai veio aqui, disse aquela baboseira de dividir a administração do território… Usou todo mundo! E agora? Vai me usar para ameaçar Shippou ou Hideo?!
Aquele não foi o melhor momento para ele entrar no quarto e me pedir o colar daquela forma. Aquele pingente havia se tornado meu mais poderoso escudo, minha certeza de que eu não estava sozinha. Era a segurança que eu não tinha desde que me separei de meus amigos na Era Feudal. E Sesshoumaru não tinha o direito de me pedir para tirá-lo quando eu não me sentia segura o suficiente com ele, ainda mais depois de descobrir que era o exato cretino manipulador que Hideo afirmava que ele era.
E pensar que eu passei tanto tempo defendendo-o para o meu irmão, acreditando que Sesshoumaru realmente não seria capaz de me fazer mal (afinal se ele quisesse assim, teria feito muito antes) e descobrir que ele tinha o dedo metido no ataque que sofri das Serpentes... foi um tapa na cara. Respirei fundo e realmente esperei que ele me respondesse, mas isso não ocorreu.
Ele nem ao menos disse um "conversaremos depois" ou "agora não é o momento". Não; ele simplesmente girou nos calcanhares e saiu do quarto, como se não precisasse dar qualquer explicação.
Filho de uma puta! Eu vou ser dona do recorde de casamento mais rápido do mundo, por que eu vou MATAR o Sesshoumaru!
Quem vai me culpar?! Tenho certeza que nenhuma entidade divina. Porque se alguém mais tivesse um marido desgraçado que manipulou o universo inteiro apenas para ter o que queria, e ainda por cima sequer parece culpado pelo que fez, estou certa de que já teria cometido um homicídio a muito tempo.
Tudo bem, acho melhor eu me acalmar, até por que tentar matar o Sesshoumaru não é opção. Não seria fácil. Seria mais um suicídio que um homicídio em si.
A recepção já estava acabando e os convidados se despedindo. Se eu tivesse que sorrir mais uma vez por causa de alguma piada inconveniente sobre estarmos apressados para ficar sozinhos, eu enfiaria uma taça quebrada na minha garganta. Até mesmo as perguntas de "Para onde vão na lua de mel?" eram proferidas com extrema naturalidade, como se fosse muito simples imaginar Sesshoumaru me levando para uma viagem romântica aos Alpes Suíços.
Eu me limitava a responder "Sesshoumaru está fazendo segredo", que na verdade significa o segredo de não irmos a lugar algum.
Minha mãe veio se despedir de mim. Ela lançou um olhar inquisitivo para Sesshoumaru, como se estivesse diante de um mistério que não conseguia decifrar. Quando aparentemente não conseguiu chegar a uma conclusão, ela se virou para mim, com um olhar preocupado.
Por que ela estava tão séria?
Vendo que eu havia percebido sua reação, minha mãe sorriu fracamente.
— Foi uma cerimônia bonita. — ela me disse, e então o sorriso alargou, tornando-se genuíno — Você estava linda. Em todas as roupas. — Ela arregalou os olhos, indicando como deve ter rido às minhas custas toda vez que eu tive que me retirar para trocar de quimono.
Revirei os olhos e me aproximei dela para abraçá-la.
Senti que o abraço demorou mais do que qualquer outro que ela tenha me dado. Como uma despedida. Ela se afastou, fungando, e abanando o rosto como se isso pudesse secar as lágrimas que se acumulavam.
— Nossa… Desculpa, filha… É que… eu não esperava… — Não esperava o quê, mãe? Que eu fosse casar um dia?! Ela sorriu mais uma vez, e tocou o meu rosto. — Você vai ser muito feliz. — ela olhou para Sesshoumaru — Tenha certeza de assegurar isso.
Por um momento, tive vontade de segurar a mão da minha mãe e sair correndo com ela. Não queria que ela visse Sesshoumaru bancando o insuportável (ou seja, sendo ele mesmo). Esperei que ele lançasse aquele olhar de superioridade que Sesshoumaru usa toda vez que alguém tem a ousadia de dizer para ele o que fazer. No entanto, ele apenas ficou encarando a minha mãe, bastante sério.
E isso pareceu ser resposta o suficiente para ela.
É bom que ao menos uma pessoa nesse salão acredita que eu possa ser feliz ao lado de Sesshoumaru.
Ladie
Oi, gentem! Sei que eu falei "daqui a dez dias", mas uma pessoa nos deixou uma review tão surtante (sim, Sapphire, foi você) que jogamos a mesa e resolvemos postar agora! Muita gente perguntou sobre a "filha" que o Sesshoumaru citou no capítulo anterior... É gente, the tretas has been planted.
Também pediram para mandar os perfis das escritoras que participaram no capítulo anterior. Infelizmente, duas delas (Quésia e Nyara) só têm perfil no fórum Need For Fic. Agora a Vitória tem uma fanfic Sesshome aqui no ff, chamada "O VIRGEM DE DEZESSETE ANOS", eu super indico para leituras.
Já que não podemos mais responder reviews no corpo dos capítulos, eu resolvi que vou procurar assunto para encher o saco de vocês sempre que der.
Hoje vou falar dos bastidores dessa história. *sentem aí e peguem a pipoca* Fkake e eu nos conhecemos através das fics... Isso faz oito anos - cara, parece que foi ontem. E ai ficamos amigas... Na verdade, mais que isso, a gente virou irmã (título recebido do NFF, shupa mundo, que é oficial). Enfim, sempre tivemos vontade de escrever juntas, mas fazer isso é MUITO complicado. Sério, parece simples, mas é uma dor de cabeça. Já tínhamos tentado duas ou três vezes e não tinha dado frutos.
Mas ai descobrimos o google docs - a melhor ferramente online já criada depois d' -a deep web- os sites de buscas. Isso significa que podemos acompanhar em tempo real o que a outra escreve, e fazer alterações em tempo real e surtar em tempo real... Enfim, é muito instantâneo e foi isso que tornou possível escrevermos juntas. Aliás, há muitos capítulos que foram escritos com tanta colaboração simultânea, que íamos intercalando, cada uma escrevendo um parágrafo. Isso também causa um fenômeno interessante, que é o de não lembrarmos depois quem escreveu o quê - os momentos em que uma acusa outra de ter escrito alguma parte são bastante comuns, na verdade.
Por causa de Senhor do Norte, Fkake e eu passamos HORAS diárias em conversas de skype. Na verdade, qualquer motivo é bom o suficiente para fazermos isso - às vezes ficamos em chamada apenas fazendo companhia uma a outra enquanto fazemos qualquer coisa, desde assistir animes até fazer trabalhos da faculdade.
*Foco, Ladie, foco*
Tá, ok... Estamos falando dos bastidores. Às vezes estamos aqui, escrevendo, e a Mary tem as ideias mais doidas varridas que existem... Ela só fala "tive uma ideia" e começa a escrever maniacamente, e eu fico acompanhando. Do nada, eu to passando mal de tanto dar risada. Ela é simplesmente a autora que eu conheço (de qualquer tipo de mídia escrita) mais incrível para lidar com comédia - até as histórias de terror dela acabam virando comédia, sério.
Ai meu trabalho se resume praticamente a surtar, e ficar USANDO CAIXA ALTA PARA MANDAR ELA ESCREVER. E xingar ela, e a mãe dela, e os antepassados dela e qualquer um que a gente conheça.
Ela também tem uma habilidade muito tensa: a de me fazer shippar personagens do nada. Ela vive brigando comigo por que diz que eu shippo a Kagome com qualquer ser de cromossomo XY que apareça, mas ela nunca entendeu que a responsável por isso é ela, e não exatamente o meu surto por shippar. Eu sou monoshipp na maioria das vezes... A Fkake é a única que me faz ficar assim...
Vou resumir, por causa da Fkake, eu shippei a Kagome com o Daiki, com o Hideo, com o Yuri, com o Nagi (principalmente com o Nagi, OMG!), com o Shippou, com o Ryuuji, com o Dmitri e até com o Kenjiro. É muito homem para pouca Kagome, e eu fico sem saber como lidar. Resultado? Acabo escrevendo fanfics da minha própria fanfic (uma delas até virou capítulo de SN, que é a Missing Scene em que o Nagi dá uns pegas na nossa heroína).
Ela também faz isso com os personagens canons de Inuyasha. Por isso eu tenho um prazer especial em convencê-la a escrever fics de shipps inusuais, como o Bakotsu com a Kagome ou o Jakotsu com a Kagome (sim, ela faz, inclusive ela postou uma delas ALCOVITEIROS aqui na conta dela do ff, E É SIMPLESMENTE HILÁRIA, OK?).
Enfim, o que eu lembrei agora para encher o saco de vocês foi isso. Se eu lembrar de algo mais, trago para vocês na próxima vez que comentar.
Fkake
Fala aew galerinha do mal!
Aí como é bom ser vida loka!
Estou aqui trazendo o capítulo para vocês no dia 14/01 e não no dia 15/01 conforme combinei com a Ladie, pois eu sou dessas que vive perigosamente! IHA, NINGUÉM ME SEGURA!
Estavam perguntando sobre hentai, aquietem os passarinhos e periquitas, escrever NC17 não faz o nosso estilo, mas não vou dizer que não possa acontecer, pois podemos pagar alguém (com amor e carinho, pois dinheiro ta foda) para que nos de um help ou escreva essa porra... pode até ser que possamos nos empenham conforme for desenrolando a historia e façamos nós mesmas. Mas não prometo nada, leram? NÃO PROMETO HENTAI NESSA BUDEGA!
A Ladie depois fala que pensa sobre isso =D
Mas se a conheço bem, a opinião dela será a msm que a minha, tuche!
Deixem comentários pois isso nós deixa ouriçadas e faz com que postamos antes do que prometemos ^_^
Próximo capítulo entre dia 01/02 ao 15/02 - leiam novamente a frase acima... #ficadica
Nada mais a declarar, saída pela direita no "x" vermelho.
