Capítulo XXXIII — Videogame + Charmander: abolido

Se antes estava ruim, agora estava simplesmente mórbido. Ficar naquela casa sozinha era quase depressivo, ainda mais com o fato de que não posso sair de casa para absolutamente nada.

E quanto a Jinx?

Ela está simbolicamente em casa, mas, para ser franca, nunca me encontrei com ela nesse tempo em que ficamos sozinhas aqui.

E sim, depois de dias confinada, acumulado com o fato de estar tecnicamente sozinha, já tenho intimidade o suficiente com a casa para chamá-la de minha.

Havia horas em que eu realmente me achava uma folgada, levando em consideração como entrava nos cômodos sem cerimônia e mexia nas coisas. Isso é resultado de não ter ninguém na casa a quem pedir permissão. A não ser os criados que são quase tão invisíveis quanto a tal Jinx e que não trabalhavam durante a noite — motivo pelo qual muitas vezes eu ia explorar a casa de madrugada usando apenas uma camisola, sentindo-me em alguma filme trash de terror.

Talvez eu tivesse me acostumado mais rápido com a Mansão Corvo se tivesse ficado sozinha nela por alguns dias, mas lá sempre tem gente; sempre. Mesmo quando é dia que todos deveriam estar ocupados, você encontra um deles perdidos por lá, seja Daiki matando serviço ou Tomoyo perturbando as empregados dizendo os produtos de limpezas que deveriam ser utilizados.

Enfim, nunca houve tempo para encarar aquela casa com intimidade pois de certa forma parecia um hotel movimentado. Mas aqui é diferente, tenho certeza que é por conta de eu estar sozinha esses dias, sem me preocupar com os outros moradores, se estou invadindo o espaço deles... Sabe, sendo apenas uma inconveniente enxerida.

Passei muito tempo de camisola no escritório de Sesshoumaru zerando alguns jogos de RPG que encontrei no quarto de Dmitri. Sim, entrei no quarto dele e peguei os jogos sem pedir, mas tenho boas desculpas: para começar, eu estava investigando a casa no primeiro dia que fiquei aqui sozinha, encontrei o quarto dele por mero acaso, ao ver tantos jogos pensei aqui comigo que não havia mal nenhum em pegar alguns emprestados e devolver antes que ele volte. E caso ele volte antes, apenas digo que peguei emprestado e peço desculpas por ser enxerida. Além do que, uma pessoa entediada que acha um oásis de entretenimento não pode ser julgada.

Não que eu esteja muito entretida. Admito que estou com saudades da agitação da Mansão Corvo. Até sinto falta das brigas de Daiki e Hiroko, as quais eram um pé no prego de tão insuportáveis... Exceto quando Nagi intervinha, aí se tornava cômico.

Espreguicei-me e apanhei um pouco de batatinhas — a despensa estava cheia de doces e salgadinhos, acredito que por trabalho de Kazuki, a quem amo cada dia mais. Atualmente, até mesmo jogar videogame está sendo chato. Soltei um longo suspiro, já havia passado as duas semanas que Kazuki havia dito, mas eles não haviam voltado e nem mandaram qualquer sinal de que voltariam.

Os primeiros dias de solidão foram preenchidos pelas sessões exaustivas de treinamento, mas até mesmo isso começou a ficar sem graça e agora eu fazia apenas pelo prazer de surrar Ryuuji quando ele voltasse.

Eu estava tão desesperada por algo para fazer que quase surtei de alegria quando entrei no meu quarto, uma semana atrás, e encontrei uma caixa sobre a minha cama. Se tratava do presente de Shippou sobre o qual ele tinha me falado no dia do meu casamento, e que ao abrir eu descobri ser uma coleção de calcinhas com tema do Pokémon.

Sério.

Isso foi tão a cara do Shippou que eu passei horas rindo. As calcinhas eram lindas! Tinha do Pikachú, do Blastoise, do Squirtle, e até do Charmander. Aliás, era esta última que eu estava usando com uma camiseta branca enquanto brincava de zerar o Tekken 5 no modo history com todos os personagens apenas pelo prazer de ver os endings.

E sim, eu estava no escritório de Sesshoumaru. Não me critique por estar usando apenas calcinha e camiseta nessa casa, por que estava calor e ficar no meu quarto é muito deprimente. Ao menos vestida assim é um deprimente refrescante.

Levantei-me, deixando o controle de lado e me espreguiçando. Já estava entrando a madrugada, e nada de diferente para fazer, a não ser achar um espelho e ficar admirando o rabo do Charmander estampado na parte de trás da calcinha. Um rabo laranja com fogo na ponta.

Fiquei vermelha só de perceber como isso era estranhamente sugestivo e comecei a rir. Tudo bem, Kagome, não é como se alguma outra pessoa fosse ver para fazer piada disso.

A porta do escritório se abriu.

Ok, falei cedo demais.

Olhei para a porta. Sesshoumaru estava parado no vão, com o cenho levemente franzido. Tirando isso, nada mais demonstrava como ele estava achando estranho encontrar uma mulher seminua no escritório dele.

— Vocês voltaram! — exclamei, enquanto abria um sorriso. Eu sou uma idiota por ficar feliz ao ver que meu marido cretino estava de volta? Com toda certeza. Mas ninguém pode julgar uma pobre garota que passou quase duas semanas sozinha numa casa gigantesca sem poder falar com nenhuma criatura viva que não fosse as criadas que corriam de você como se fosse o demônio encarnado.

Sesshoumaru estava usando um terno escuro, o que é muito estranho, levando em consideração que era madrugada. Tudo bem que a gravata estava folgada e o colarinho aberto — era a primeira vez que eu via Sesshoumaru tão desalinhado —, mas era tarde demais para estar usando algo tão formal.

— Está tudo bem? — perguntei, ao olhar para o rosto dele e perceber algo que eu nunca tinha visto em todos esses anos. Ele parecia cansado. Não que ele estivesse com olheiras ou marcas de expressões, apenas parecia não estar totalmente focado.

Quer dizer, até Kazuki falar algo atrás dele, e olhar por sobre o ombro do meu marido para ver o motivo de Sesshoumaru ainda não ter entrado no escritório. Fiquei pálida ao me tocar do óbvio: que eu ainda estava só de calcinha e camiseta no meio do escritório de Sesshoumaru.

Antes que eu pudesse gritar, a porta de correr bateu com força — muita força — e eu estava a salvo do olhar de Kazuki ou de qualquer outro que estivesse acompanhando o meu marido. Menos do olhar dele, é claro. Sesshoumaru cruzou os braços e me encarou, parado de forma cruel na frente da porta fechada.

Olhei em volta, fingindo que não havia percebido que ele esperava uma explicação. Cheguei a pensar em assobiar e olhar para as minhas unhas crescendo, mas tive medo de ele me dar uns tapas por ser tão insolente.

Está tudo bem, Kagome, você está apresentável. Sua calcinha é maior do que muitos biquínis, mesmo que fosse laranja e tivesse o rabo do Charmander estampado em sua bunda.

Certo, não dá para bancar a insolente nessas condições.

Senti que ficava vermelha e puxei a parte da frente da camiseta para baixo, tentando esconder... bem, aquilo que não deveria estar a mostra. Olhei de relance para Sesshoumaru, implorando para ele ter desviado o rosto. E ele realmente não estava olhando para mim. Ao menos não diretamente. Olhava para a janela atrás de mim, e eu não preciso ser um gênio para saber o que ele estava vendo refletido. Não importava o quanto eu tentasse salvar o que restava da minha dignidade, por que Sesshoumaru já tinha visto tudo o que tinha para ver do Charmander.

Eu acho que vou derreter de tanta vergonha.

Aproximei-me de Sesshoumaru, fazendo com que ele desviasse o olhar da janela para me encarar. Baixei os olhos.

— Estava calor e o videogame estava aqui. — murmurei, enquanto parava na frente dele. Passei a mão pelos ombros de Sesshoumaru e empurrei o terno dele para trás, começando a tirá-lo.

Ele não disse nada enquanto eu puxava o terno, passando as mangas por seus braços e deixando-o vestido na camisa branca de colarinho aberto e gravata folgada. Quer dizer... O que havia de realmente estranho naquela cena, afinal? Éramos recém-casados, estávamos de lua de mel, ele passou duas semanas longe de casa e ao voltar, encontrou-me seminua no seu escritório. Realmente não havia nada de estranho no fato de a esposa começar a despir seu marido, exceto pelo fato de que não tínhamos esse tipo de relacionamento.

Vesti o terno dele e suspirei, aliviada. Olhei para Sesshoumaru, tentando parecer mais confiante do que realmente estava. Ele apenas ficou me encarando, com aquele olhar desfocado.

Alguma coisa estava diferente, eu só não conseguia definir o que era.

Engoli em seco.

— Vou para o meu quarto. — falei, estendendo a mão para a porta, a fim de abri-la. Aquele não era um bom momento para ficar ali, e nem para revelar para ele que por meu quarto eu me referia ao quarto dele.

Sesshoumaru segurou minha mão antes que eu alcançasse a porta. Virei o rosto para ele.

— Estou vestida com o seu terno. — falei, mostrando que o paletó era grande o suficiente para me cobrir quase até os joelhos.

Isso não pareceu deixá-lo satisfeito. Afinal, tenho certeza que a última coisa que ele queria era que qualquer comentário fosse gerado por que eu estava andando pela casa sem estar devidamente vestida.

A única coisa que ele fez foi me puxar na direção da televisão e me fazer sentar na almofada que ficava de frente para ela.

Ok, entendi o recado: fique aí jogando até eu achar que é seguro você sair daqui.

Suspirei mais uma vez, irritada por ele mal ter chegado e já voltar a agir como o cretino desgraçado que era, forçando-me a obedecer suas vontades. Peguei o controle do videogame e lancei um olhar irritado para ele, enquanto observava-o pegar o celular, começar a fazer ligações e falar numa língua que eu nunca havia escutado — depois de Taiwan eu iniciei o estudo de algumas línguas, mas nada que me ajudasse a distinguir a origem da que ele estava falando nesse momento.

Bom, era muito tarde para estar resolvendo problemas... Mas bem, não é como se Sesshoumaru seguisse qualquer regra de lógica.

Mexi nos jogos de Dmitri que eu ainda não tinha começado e peguei um de zumbis-fungos... O que posteriormente se mostrou uma péssima ideia, porque fiquei tão compenetrada no jogo que me esqueci que Sesshoumaru estava lá e cheguei a tirar o terno por causa do calor. Quando percebi o que tinha feito, amarrei-o em volta do meu quadril e coloquei uma almofada no colo, o que me rendeu um olhar bastante irritado do meu marido por estar amarrotando suas preciosas roupas.

Era quatro da manhã quando eu fui vencida pelo sono e fui para o quarto dele dormir. Sesshoumaru continuou trabalhando, como se descansar nunca fosse opção.


Sesshoumaru ainda foi no quarto às oito da manhã para tomar banho e trocar de roupa. Sei disso por que acordei com o som de passos o e abri os olhos em tempo de ver Sesshoumaru entrar no closet usando apenas uma toalha em volta do quadril.

E daí que ele tinha um corpo de agradecer aos deuses? E daí que o quarto era dele? Ele não tinha o direito de me acordar quando eu tinha ido dormir tão tarde. Resmunguei alguma coisa sem sentido e afundei meu rosto no travesseiro, desejando que ele se vestisse logo e saísse do quarto para que eu voltasse a dormir.

Levantei depois de algumas horas e fui na cozinha atrás de comida. As criadas estavam ainda mais acanhadas do que normalmente, porque o meu marido Kazuki estava sentado ao balcão, tomando café e olhando algo em um tablet.

— Como foi a viagem? — perguntei, enquanto me sentava ao lado dele e sorria.

— Cansativa. E amanhã já temos que viajar de novo. — Ele desligou o tablet e se concentrou em tomar o café. — Sei que a senhora está ansiosa para ficar algum tempo com o senhor Sesshoumaru, mas vai ter que esperar um pouco mais. Ainda não conseguimos resolver o problema que temos em Kyoto.

— Ansiosa para quê? Deixe de piadas. — Uma criada perguntou se eu queria café e acenei afirmativamente. — Bom, de qualquer forma, bem-vindo de volta, marido Kazuki.

Ele sorriu.

— Opa. Então bom dia, madrasta. — cumprimentou uma voz feminina da porta da cozinha. A voz pertencia a uma garota pálida e magra de cabelos negros que eu havia visto apenas uma vez no meu casamento. Madrasta? Como assim? Ela foi até a geladeira e pegou uma latinha de refrigerante enquanto dizia displicentemente — Bom dia, pai — para Kazuki.

Arregalei os olhos, ao finalmente me dar conta do que aquilo queria dizer. Encarei Kazuki, incrédula.

— Essa é minha filha Jinx, senhora Kagome. Ela á uma hanyou a serviço de Sesshoumaru.

— E aí? — ela me cumprimentou com um gesto interessante, como se estivesse batendo continência apenas com dois dedos. Kazuki lançou um olhar de repreensão na direção dela, provavelmente pela falta de modos.

— Você tem uma filha, seu safado?! — exclamei — E vem me contar isso depois de estarmos casados?!

Kazuki riu enquanto Jinx pegava alguns pães e saía da cozinha. Uma criada colocou uma xícara de café na minha frente e eu arregalei os olhos mais uma vez ao perceber outro fato absurdo:

— Dmitri me falou que era irmão de uma tal de Jinx... Isso significa que ele... Ele é...

— Meu filho? — sugeriu Kazuki — Sim, ele é. Pensei que você soubesse, senhora Kagome.

Mas o quê?

— Como eu saberia?! — levantei-me do banco surpresa — Como... Como isso é... Vocês não agem como pai e filho, como eu poderia imaginar?

— Nossas funções no clã estão acima do parentesco. — ele falou, sorrindo de forma condescendente.

— Há mais alguma coisa que eu deva saber? Tipo... Sei lá... Ryuuji é filho de Sesshoumaru, ou algo assim?

— Não, com certeza não. — Kazuki garantiu, rindo.

— Hum... — Sentei-me novamente no banco, pensativa — Falando nele... Cadê o Ryuuji? Ele prometeu que treinaria comigo quando voltasse.

— Ele não está em Tóquio. Está em uma missão fora do país e deve demorar bastante tempo até voltar.

— Ah. — falei desgostosa. Não que eu esteja com saudades daquele infeliz, mas depois de todo o treinamento solitário que venho tendo, eu esperava finalmente surrar aquele idiota.

— Bom, eu tenho que ir. O Senhor Sesshoumaru saiu mais cedo para ir à torre do Tai Group e ele já deve estar me esperando. — Kazuki se levantou — Tenha um bom dia, senhora.

— Espere... — falei, confusa — Sesshoumaru foi trabalhar?

— Sim, oficialmente vocês voltaram da lua de mel ontem.

— Quer dizer que eu posso sair dessa casa? — perguntei, esperançosa, com um sorriso quase tão largo quanto o do Coringa.

— Pode, sim. — ele informou enquanto se afastava, então parou e virou-se para mim — Mas tome cuidado se for sair... Estes são tempos... conturbados.

Sorriu mais uma vez e foi embora. Quanto a mim, limitei-me a tomar o café o mais rápido possível e ir trocar de roupa para ir ver a minha mãe.


Trezentos e vinte e dois degraus até chegar ao templo. Não importa se sou uma hanyou ou se eu tenho condicionalmente físico, essa escadaria ainda me mata.

Pouco mais de cinco anos atrás eu subia essa escadaria desesperada, com medo de Daiki quando o vi na universidade pela primeira vez. Eu podia imaginar naquela época que reviravoltas minha vida tomaria? Que eu me apegaria tão fortemente aos meus irmãos e que reencontraria Shippou, Kirara e até os descendentes de Kouga e Ayame? Que eu me casaria com Sesshoumaru?

A vida realmente pode ser muito irônica.

Nem sei por que estou lembrando disso agora. Há coisas mais importantes para fazer, Kagome.

Andei na direção da casa da minha mãe — sempre à direita por que os deuses andam pelo centro, diria meu avô. Entrei em casa e tirei os sapatos na entrada. Souta não estaria em casa aquela hora, já que havia começado um curso de programação e passava o dia todo fora de casa, dividido entre os estudos e a namorada. Quanto ao meu avô, ele devia estar no galpão limpando as bugigangas purificadoras que ele vendia.

— Estou em casa! — Entrei na cozinha e sorri ao me deparar com a minha mãe preparando o almoço — Olá, mãe.

— Bem-vinda, querida! — Ela deu um pequeno salto de alegria enquanto vinha na minha direção para me abraçar. Ela distribuiu beijinhos pelo meu rosto e se afastou para me observar. — Hum? — ela soou confusa, como se tivesse percebido algo errado — Você não está diferente, querida. Que estranho.

Que estranho seria a senhora achar que eu voltaria diferente da minha... lua... de mel. Ah, meu Deus, mãe! Não é possível que ela achasse que eu fosse parecer diferente depois de perder a virgindade ou qualquer coisa assim, não é?

Fiquei encarando-a, ruborizada, e ela riu ao perceber meu desconforto.

— Pensei que voltaria bronzeada. — ela comentou, tentando se explicar, embora eu desconfie que essa seja apenas uma desculpa que ela arranjou de última hora. — Onde vocês passaram a lua de mel? Como foi? Aconteceu algo importante? Onde estão meus presentes?

— Perguntas demais, mãe. Vamos priorizar. — comentei, tentando fugir do assunto. Claro que ela não ia aceitar isso.

— Então, onde estão os meus presentes? — Acho que ela não entendeu bem a parte do priorizar.

— É que... Eu não tive tempo... — Cocei a nuca. — Sabe, tanta coisa para... hum... fazer... Eu não tinha cabeça para isso... Nem cheguei a passear nem nada... A senhora entende?

— Claro, querida, era sua lua de mel, era de esperar que você não tivesse cabeça para qualquer coisa que não envolvesse o seu marido. E onde ele te levou?

— Ãnh... A senhora sabe, mãe, o que importa não é o local, mas com quem você está, essas coisas...

— Sim, vocês com certeza tinham coisas melhores para fazer do que ir visitar pontos turísticos. — Ela deu uma risadinha maliciosa; e eu dei a mim mesma um ultimato de suicídio. Iria ficar louca com mais cinco minutos desse tipo de conversa.

— Vamos esquecer isso por enquanto. — falei desconcertada — Eu vim por que a senhora me mandou uma mensagem dizendo que precisava conversar urgentemente comigo.

— Oh, querida, não queria preocupar você. Não precisava vir logo depois de chegar de viagem, eu teria entendido se você tivesse dado um tempo para descansar e aproveitar o seu...

— Ok, mãe, foco. Já estou aqui, então por que não conversamos sobre o tal assunto urgente?

Ela ficou calada e virou para o fogão para ver o andamento da comida. Eu estranhei. O que seria tão sério que faria ela parar para pensar sobre como iniciar o assunto? Da última vez que ela fez isso, me contou que eu era filha de Tsubasa Takashi. Será que agora vai revelar que me adotou e que minha mãe é um dragão?

— Eu lembrei porque tinha achado o seu marido tão familiar. — ela disse, respirando fundo.

Franzi o cenho.

— O que a senhora disse?

Ela virou-se para mim e sentou à mesa, chamando-me para fazer o mesmo. Enquanto eu me sentava, ela tirou uma foto de um livro e me estendeu. A foto já estava gasta de tanto manuseio, mas foi impossível não reconhecê-la: era a foto de Sesshoumaru que eu havia entregue para ela logo quando fiquei noiva dele, três anos atrás.

— Lembra? — perguntou, sim, eu lembrava perfeitamente de ter entregue essa foto para ela porque sabia ser impossível que Sesshoumaru fosse visitá-la — Quando vi essa foto pela primeira vez, eu sabia que esse homem era familiar. Sabia que ele me lembrava alguém que eu conhecia... Mas só fui recordar quem era quando o vi no seu casamento. — Ela lançou um olhar cuidadoso para mim.

Apreensiva, eu apenas fiquei calada, sem saber o que responder. Eu sabia que um dia ela juntaria todos os pontos e perceberia que Sesshoumaru era parente de Inuyasha, só não esperava que fosse acontecer logo agora. Passei os braços em volta da minha cintura, pensando em como contar toda a verdade para a minha mãe.

— Você podia ter me dito, Kagome... Em todos esses anos, você nunca me disse que estava noiva de um youkai. — Ela olhou mais uma vez para a foto — E ele não mudou absolutamente.

Inclinei a cabeça, sem entender. Não era possível que ela estivesse confundindo Inuyasha com Sesshoumaru. Eles não eram tão parecidos assim para achar que eles se tratavam da mesma pessoa.

— Mas isso me deixa mais calma, também. É bom saber que ele se importa com você. — Ela sorriu para mim e me entregou a foto de Sesshoumaru, dando tapinhas na minha mão como se dissesse para eu ficar com a foto.

— O que a senhora quer dizer?

— Ele estava lá, sabia? Quando você nasceu. — Ela sorriu amavelmente — Foi um parto difícil, você sabe. Depois de você nascer, os médicos do Aiiku me deram apenas algumas horas de vida e a única coisa que eu pedia era para me deixarem ficar com você. Você era tão pequenininha e preguiçosa. Eu mal tinha energia para respirar, mas queria passar aquelas horas com você. E minha menina só sabia dormir. — Ela riu, enquanto eu mal piscava, sem compreender o que ela dizia. — Então a escuridão veio e ficou tão difícil de manter os olhos abertos. Quando eu pensei que finalmente morreria, algo me trouxe de volta. — Eu já tinha ouvido essa história antes, sobre como ela quase morrera no dia do meu nascimento, e se salvara por um milagre... Só que ela nunca me contara todos os detalhes do acontecido e era estranho que resolvesse falar logo agora. — Eu acho que não podia morrer quando tinha tanto para viver com vocês.

— Mas o que isso tem a ver com Sesshoumaru?

Ele estava lá, Kagome. — ela disse vagarosamente — Estava usando um quimono branco e uma katana presa na obi. Estava em pé, parado na frente do seu berço, com uma mão perto de tocá-la... E você ergueu essa mãozinha e segurou o dedo indicador dele. — Minha mãe riu, enquanto dava tapinhas na minha mão mais uma vez.

— Mãe... O que... — comecei, mas parei, sem saber o que falar. O que ela estava me dizendo?!

— Ele parecia tão solitário, Kagome, enquanto a olhava. Havia tanta dor naquele olhar, enquanto você o segurava pela mão quando sequer tinha aberto os olhos ainda. — Ela respirou profundamente — Lembro de ter procurado forças para perguntar quem ele era. Fechei os olhos por um segundo, e ele já não estava mais lá. E agora... Esse mesmo homem é seu marido. Parece como um conto de fadas, sabia?

Fechei os olhos, sentindo que ficava tonta. Massageei meu peito, tentando me acalmar, mas sabendo que isso não seria possível. Será que minha mãe entendia a gravidade do que ela estava me contando?

Sesshoumaru sempre soubera sobre mim, antes mesmo de eu nascer. E só havia uma explicação para isso.

É, mãe, pode parecer um conto de fadas para você, mas para mim está parecendo mais uma terrível tragédia.


OI, GENTEM! Ladie aqui.

Primeiro, vamos aos comunicados:

— Atualmente Fkake e eu estamos terminando o Capítulo 44 (por atualmente, digo, neste momento), o que nos dá bastante espaço para acelerar a postagem de SN aqui no ff. Em razão disso, as postagens passarão a ser SEMANAIS, em vez de quinzenais, como vinha sendo. Então, as postagens devem acontecer nas quintas, sextas ou sábados. Fiquem de olho.

Muito bem, deixa eu dar uma olhada aqui nas reviews e nas mensagens inbox para ver quais perguntas surgiram essa semana.

Bom, esse capítulo foi cheio de revelações né? Mas se preparem, por que o próximo capítulo é ainda pior.

Primeiro, não, a Jinx não é filha do Sesshy, mas sim do Kazuki (agora fica a dúvida, onde essa fdp tá, né? UAHUHAUHA). E se ele sabe que ela é a Kagome do Inuyasha? Pois é, gente, quem sabe? Isso se resolve no próximo capítulo.

Se a Kagome tem os poderes de miko dela de volta? Bom, eles não foram totalmente suprimidos. Tanto que nos primeiros capítulos ela usou contra o Hideo e depois contra o Daiki, vocês se lembram? O que acontece é que nos últimos anos ela tem treinado para controlar o poder youkai dela, e isso pode ter feito a Kagome deixar um pouco de lado os poderes mikos, ao ponto de ele não ser mais tão natural. Mas provavelmente ainda está lá, quem sabe.

Sapphier... SIIIM, estou bem! AUHAHUAHUA É que eu tinha viajado e Mary postou sozinha. Ah, sobre o seu comentário, eu concordo que o capítulo anterior foi bem entediante, mas é porque esse aqui seria... bem... assim. Então quando postamos de um em um, os capítulos podem ser frustrantes, mas quando se lê como um todo, você vai perceber que esses capítulos mais friozinhos são importante para a narrativa, senão quando formos olhar o conjunto, a história vai parecer uma sucessão de convulsões. (OMG, QUE EXAGERO) Estou curiosa para saber se você adivinhou o que iria acontecer.

Por último, sim, escrever o Sesshoumaru é meio tenso. Geralmente Mary e eu fazemos o seguinte enquanto estamos escrevendo: se achamos que uma cena do Sesshoumaru possa ter ficado forçada, nós tentamos lembrar se tem alguma cena equivalente no anime/mangá. Se tiver, a gente mantém... E também se houver alguma coisa que nos deixe confortável para que a reação dele pareça plausível. Se nos convencermos que não parece com o Sesshoumaru, então apagamos e pensamos em outra coisa. Vocês não fazem ideia de quantas cenas foram apagadas até agora. Inclusive o final do próximo capítulo foi completamente modificado por que chegamos à conclusão de que o Sesshoumaru não seria tão expansivo.

Bem, gente, é isso por hoje. Eu publiquei uma nova fanfic Sesshoumaru e Kagome na minha conta chamada "Meu Escritor Favorito: o boneco-de-neve", então, quem quiser dar uma olhada.

Até a próxima, folks.

Não esqueçam de comentar, gente! 3