Capítulo XXXIV — Chegando ao clímax

Eu esperei Sesshoumaru por toda a tarde. Não vou mentir que cogitei ir atrás dele no Tai Group ou confrontá-lo enquanto ele estivesse fazendo a barba (se ele se cortasse no processo, seria mero acidente), então lembrei que não sabia se ele fazia realmente a barba e que ir até o Tai Group para conversar sobre esse assunto em questão não era uma boa ideia, já que havia grandes chances de eu parecer uma louca desvairada; possivelmente ele usaria isso para me fazer esquecer a conversa naquele momento e então prolongar a minha espera por respostas. Foi por isso que decidi esperá-lo em casa, no escritório dele.

Pensei nas palavras que Kazuki havia me dito na minha noite de núpcias, no dia em que Kai me revelou sobre a verdade por trás do ataque das serpentes:

"Sesshoumaru é... complicado. Tenha um pouco de paciência com ele."

A voz de Kazuki ecoou em minha cabeça, então respirei fundo, percebendo que eu me sentia muito mais confusa que irritada. O que dificultava completamente que eu chegasse a uma conclusão sobre o que estava acontecendo.

Logo quando minha mãe me revelou sobre o fato de ter visto Sesshoumaru no dia em que nasci, eu me vi convencida de que ele sabia quem eu era. Que ele, de alguma forma, tivesse conhecimento de que eu era a sacerdotisa que havia amado Inuyasha no passado.

Agora eu não consigo ter mais essa certeza, porque milhares de possibilidades surgiam na minha mente. E se ele estivesse lá para me matar? E se ele soubesse que eu era filha de Takashi? E se ele simplesmente tivesse sido atraído pela minha presença, sem haver algum motivo obscuro para estar ali?

Nenhuma dessas opções fazia sentido, mas eram mais plausíveis que imaginar que Sesshoumaru estivesse lá por me reconhecer como a humana de Inuyasha. E se esse era o caso, isso também significaria que nos últimos dois anos ele sabia que estava noivo da mesma garota que tentou matar em Sengoku Jidai.

Havia pouca coisa tão absurda quanto isso para se imaginar.

Massagei minha testa, esgotada. Então ouvi passos no corredor e suspirei nervosamente, levantando-me da poltrona. A porta se abriu e Kazuki entrou, falando rapidamente para Sesshoumaru, que o acompanhava:

— Tudo vai estar pronto para irmos para Kyoto em meia hora, senhor. Dmitri vai ficar e proteger a... — Kazuki finalmente me percebeu no escritório e parou — senhora Kagome?

Apenas acenei de leve e fiquei em silêncio. Eles já estavam saindo de novo? Pensei que Kazuki tinha dito que só iriam amanhã. Ele virou-se para Sesshoumaru, sem saber ao certo o que fazer. Por fim, ele se inclinou e disse:

— Acho que vocês têm tempo para conversar. Eu venho chamá-lo quando for a hora senhor Sesshoumaru. — E saiu, fechando a porta.

Então era apenas Sesshoumaru e eu, sozinhos no escritório dele. Eu não fazia ideia de como começar e apenas fiquei fazendo caretas de frustração enquanto Sesshoumaru colocava as mãos no bolso, esperando que eu tomasse qualquer iniciativa.

— Hum... — resmunguei, indecisa. Não, não posso desistir agora. É tarde demais para voltar atrás. Simplesmente não dá.

Engoli em seco.

— Eu conversei com a minha mãe esta tarde. — falei, calando-me em seguida. Ele não demonstrou nenhum traço de impaciência, mesmo quando baixei os olhos, tentando encontrar as palavras certas para dizer. Por fim, decidi que não havia modo fácil de ter essa conversa, e que a melhor forma era simplesmente contar tudo, sem preparar o terreno devidamente — Ela me disse que viu você no quarto de hospital dela, no dia em que nasci. — revelei, falando devagar e erguendo os olhos — Eu sei que isso soa absurdo, mas... ela o descreveu exatamente como... como eu o conheci. Usando o quimono branco e vermelho de obi amarela. — Percebi que talvez não deveria ter dito isso, mas já era tarde demais. Era tudo ou nada, agora. — Por que você estava lá, Sesshoumaru? — Levei uma mão ao pescoço, tocando o pingente em forma de pena como se procurasse algum apoio para a pergunta que não calava na minha mente. — Você sabe quem eu sou?

Isso soou ainda mais absurdo quando dito em voz alta, mas não evitou que eu esperasse a resposta nervosamente. Mesmo no meu estado, Sesshoumaru apenas ficou em silêncio por vários segundos e sua expressão não mudou, mesmo quando me respondeu friamente:

— Sim, eu sei.

Apertei as mãos, tentando controlar o sentimento de frustração diante da resposta omissa. Afinal, o que ele sabia?!

— Por que você estava lá, Sesshoumaru? Só responda isso. — pedi, tentando controlar a emoção na minha voz.

— Para pôr os olhos na pequena bastarda do Senhor do Norte. — foi a resposta crua, dolorosa. Senti minha garganta apertar, enquanto eu erguia as sobrancelhas brevemente, tentando impedir que ele visse a decepção em meu rosto.

— Então era isso. — falei com voz embargada — A única coisa que você queria... era colocar os olhos numa criança que um dia você usaria nos seus jogos sujos. — Balancei a cabeça afirmativamente algumas vezes e me adiantei na direção da porta. — E eu pensei que você soubesse...

Eu sou uma idiota por manter esperanças. Uma tola. Apenas isso. Senti que as lágrimas de frustração queimavam no fundo dos meus olhos, mas respirei fundo para tentar me controlar. Abri a porta do escritório, e então ouvi o comentário calmo:

— Que eu soubesse que você era a amante do meu meio-irmão, presumo.

Parei, estática, sentindo meus braços formigarem de nervosismo e ouvindo o sangue pulsar nas minhas têmporas. Virei-me lentamente para Sesshoumaru.

— O que você disse? — questionei baixinho.

— Não me importa se você podia viajar para o passado ou se foi estúpida o suficiente para se apaixonar por Inuyasha. É tipo de coisa que simplesmente não tem valor para mim.

Eu fiquei parada sob o vão da porta, olhando para Sesshoumaru, mas sem enxergá-lo de verdade.

Vários minutos se passaram antes que eu finalmente aceitasse que tinha escutado aquilo. Apertei a mão contra a minha boca, para tentar impedir que minha voz saísse ainda mais embargada ao dizer:

— Você sabia. — acusei.

Sesshoumaru apenas virou-se na minha direção, enquanto eu me apoiava na parede.

— Todo esse tempo, Sesshoumaru... e você sabia quem eu era. — Senti que começava a hiperventilar, e fiz esforço para me controlar, mas a única coisa que eu sentia era aquela tristeza furiosa. Eu simplesmente não posso acreditar, não posso aceitar. De tudo o que podia ser, de todas as coisas que eu poderia esperar... Essa era a única que eu não poderia aceitar com naturalidade. Por mais que fosse injustificado, eu não conseguia suprimir o sentimento de traição. — Eu conheci Jaken, Rin... Você tentou me matar... Você já me salvou! Nós temos uma história! E mesmo assim, você fingiu que não se lembrava disso?!

Apertei os dentes.

— Meu Deus! — exclamei — Por todos esses anos eu estive sozinha, incapaz de superar o fato de ter deixado todos vocês para trás. E você sempre soube onde eu estava, Sesshoumaru. Sempre!

Não importava o quanto eu estivesse chocada e decepcionada, Sesshoumaru não ligava para isso, não ligava para a minha dor. Eu podia esbravejar pelo resto do ano, até minha voz sumir, e ele não se mostraria culpado. Sequer refletiria como descobrir tudo isso me afetava.

Eu havia deixado pessoas que amava para trás, deixei um amor, uma vida... Mas para Sesshoumaru nada disso importava, por que não lhe servia. E daí que ele próprio fazia parte desse passado que eu deixei dolorosamente para trás? E daí que parte da saudade que eu sentia também o incluía? Para ele era apenas um detalhe sem importância. Algo que ele podia ignorar, mesmo depois de me ver após quinhentos anos, de me pedir em casamento, de termos convivido com frequência por três anos inteiros... Mesmo depois de termos feito os votos de matrimônio.

E ele sempre soubera onde eu estava. Antes mesmo de eu sonhar que conheceria Inuyasha, ele já sabia da minha existência. O irmão dele havia estado aqui, em Tóquio, e mesmo assim ele jamais nos procurara.

— Como você soube? — perguntei irritadamente, embora não estivesse esperando uma resposta — Como você sabia que a garotinha que havia nascido no seu hospital era a sacerdotisa que acompanhava Inuyasha? — Ergui os olhos para observá-lo em toda a sua frieza arrogante. Ele não me daria respostas. Jamais. — Você sabia desde quinhentos anos atrás que eu era uma hanyou tengu...? Não, não faz sentido. Na primeira vez que nos vimos você quase cospiu em mim por que eu era humana. Então como você sabia, Sesshoumaru?

Minha resposta foi um olhar sem sentimentos.

— Você não sabia. — afirmei por fim — Você descobriu quando me viu na Convenção de Senhores?

Sesshoumaru, quase impaciente, respondeu:

— Eu sempre soube.

Calei o meu monólogo agitado. Ele sempre soube? Como isso seria possível?

— Então... Tudo o que aconteceu... — parei, sem saber ao certo o que estava se passando pela minha mente. Fui tomada por uma compreensão meio absurda dos fatos, absurda o suficiente até para mim, que já estava acostumada com o rumo ilógico que minha vida gostava de tomar — Você salvou a minha mãe usando a Tenseiga quando eu nasci...

Encarei Sesshoumaru, chocada. Eu esperava ser presenteada com pouco mais de insensibilidade da parte dele, mas fui surpreendida com a visão dele desviando o olhar, como se estivesse muito incomodado com o que eu dizia; incomodado com uma prova de fraqueza.

— Não pode ser. — respondi incrédula. Por que ele, logo ele, salvaria uma humana que jamais teria peso em qualquer um de seus planos? A minha mãe? Franzi o cenho, ainda mais confusa com as conclusões que tomavam forma.

Sesshoumaru apenas virou de costas e seguiu na direção da escrivaninha.

— Não ouse me ignorar, Sesshoumaru! — exclamei, indo até ele e puxando-o pela manga do terno para forçá-lo a me encarar — O que custa me contar a verdade?

Eu sabia que não fazia sentido, que era impossível que Sesshoumaru pudesse ser sentimental a ponto de salvar a minha mãe por minha causa quando eu era apenas uma lembrança de um passado tão distante. Mas era exatamente isso que me provocava a chegar a essa conclusão absurda. Porque eu sou o que restou de um tempo passado, de uma época em que ele aprendeu a ser humano... Importante o suficiente, ao menos, para que ele se preocupasse em saber a época do meu nascimento e salvar a minha mãe da morte.

Só que esse não era o Sesshoumaru que eu conhecia. E as chances de eu estar sendo apenas ingênua e esperançosa eram colossais.

Puxei Sesshoumaru mais uma vez pela manga, dessa vez apenas por reflexo, desesperada para que ele me desse uma resposta.

— Por favor, Sesshoumaru... — implorei — Por favor, só agora... só agora... não use essa máscara de indiferença. Diga que eu estou errada. Apenas isso e eu vou deixá-lo em paz... Mas eu tenho que saber. Eu sou apenas uma peça no seu jogo Sesshoumaru? É isso?

Ele me encarava. Os olhos dourados focados no meu rosto, mas não havia resposta neles. Nada em que eu pudesse me apoiar para matar minha esperança idiota.

Diga, Sesshoumaru... Diga que nunca fez nada pensando apenas no meu bem, que apenas me usou. Diga que eu fui uma peça. Não deixe que eu me prenda desesperadamente à essa ideia de que eu fui importante ao menos o suficiente para que as lembranças que eu guardei de você e de Rin não tenham sido em vão.

— Está tudo pronto para irmos, senhor Sesshoumaru. — informou Kazuki da porta que eu havia deixado aberta, sem perceber o clima tenso da nossa conversa.

Sesshoumaru me encarou por alguns segundos que pareceram longos demais para que eu ficasse desconfortável. Então afastou-se do aperto da minha mão em seu terno e seguiu Kazuki para fora do escritório.

Ele não se importava com o que eu sentia. Independente do que tinha acabado de acontecer, das coisas que eu havia descoberto... Sesshoumaru acreditava que eu poderia lidar sozinha com meus sentimentos confusos.

Sesshoumaru me deixou para trás.


Fkake (com comentários randons da Ladie)

Primeramente, parabéns ao Sanderson e a Valéria, que ficaram chorando horrores por capítulo como presente de aniversário... mentira não choraram tanto assim, na verdade estamos usando isso para postar antes sem dor na consciencia xD (Ladie: Feliz Aniversário, Neherenia e Sanderson!)
Falando realmente serio, parabéns aos dois e como prometido, capítulo na segunda-feira, claro que terá o da sexta, caso contrário esse nao seria realmente um presente.
Quanto as teorias:

— Reencarnação da Rin — não!

— Promessa ao Inuyasha — estamos falando do mesmo Sesshoumaru aqui?

Bom, quero explicar uma coisa sobre os títulos dos capítulos, eles são troll, sim, uma trolagem nossa, é um spoiler errado que passamos a vocês, sim poderiamos fazer um título que de um spoiler certo, mas para que facilitar se pode complicar?
Para ser sincera, SN tem um padrão unico de títulos pois eu sempre avacalho com eles e a Ladie deixa pq ela fica rindo, ai conto mesmo nossos segredos, pq sou dessas! (Ladie: obrigada por revelar nosso segredo, sua maldita... Gente, aposto que vocês não perceberam, mas é exatamente isso que a Bolo falou... Os títulos dos capítulos geralmente são criados para trollar vocês seja para dar spoilers errados, dar spoiler nenhum, ou então serem nonsenses. Aliás, aposto que nunca notaram que os capítulos "Missing Scenes" também são trollagens. Toda vez que vocês virem uma MS, já comecem a se preparar por que vem treta... Aliás... O título desse capítulo é a prova de como nos divertimos fazendo vocês terem ideias erradas do que vai acontecer 1bj)

A filha do Sesshoumaru — DESAPEGA!

(Ladie: eu to meio assustada por que todo mundo se pegou nisso. uhauhuahah Tipo, era um frase avulsa, e causou uma revolução. Vão nos matar quando descobrirem, você sabe, né, Mary?)

Gente, a Kagome não é filha do Sesshoumaru, não mesmo! Eu juro que nao... EU ESCREVO SAPORRA EU SEI QUE NÃO É! (Ladie: spoilers da fonte, confiem!)

A morte da Rin — DESAPEGA!

Ela morreu de velhice, sim, não tenho criatividade de como desgrever a morte então para mim ela morreu de velhice, teve uma vida linda maravilhosa com kimonos que o Sesshoumaru deu a ela.

Núcleo de personagens — São tantos né? Jeito é começar a matar alguns =D

Bom, falando sério agora (ou não)... eles são realmente muitos, engraçado que pegamos muitos personagens de fics que a gente já havia escrito, como o Hideo, Yuri e Ryo, eles são de fics que tenho e a Ladie tem e colocamos nessa fic, pis queriaos um núcleo grande de tengus, quando aos tai-yokais eles são realmente mais reservados então não tem como dar uma dimensão de como é, pois ela fica mas tempo com o Sesshoumaru e como a fic é POV dela, não te como apresentar personagens que não foram apresentados a ela, sinceramente acho que é por isso que de certa forma fica natural quando um personagem novo entra em cena, pois a Kagome esta naquela determinada situação e aquele ser é necessário para o desenrolar da historia, por isos alguns personagens somem por um tempo e depois voltam ou simplesmente nunca mais aparecem, não importante de fato qual nucleo que eles fazem parte.

AAAHHHH, erro meu, todo o núcleo da saporra da Mansão Corvo existem em fics em nossas! (Ladie me lembrou isso depois =/) (Ladie: exato, todos os personagens tengus são personagens de outras histórias: Sajia, Ryo e Tomoyo, são de The Beauty and The Geek; Hideo, Nagi, Raiden (Tatsuo), e Yuri são de Personagem Fictício; Aika, de Alcoviteiros; Hiroko de Meu escritor favorito: o boneco-de-neve; Arnya de Dever)

O unico tengu que não existe em outra fic nossa é o Daiki, que na verdade é uma versao mais pervetida de um personagem meu que já existe... Daisuke Victory. Ele tb é retardado e meio pervertido com a irmã, mas não chega no nivel do Daiki, por motivos dele ser mais fodão que pervertido, o Daiki é mais pervertido mesmo, tem a parte foda, mas quem nao conhece essa minha fic não entenderia ao certo do que estou falando.

Bom, acho que é só isso... só? oO
Deixem suas perguntas e criticas que a gente responde no proximo capítulo. Beijos, cuidado com os pernilongos, eles nao são de Deus!
NENHUMA CRATURA QUE TIRA SEU SONO É DE DEUS!
Fui!

(Ladie: é, também vou, beijos e até sexta)

(Ladie: ah, e comentem)

(Ladie: sério -.-')