Capítulo XXXVIII — Corra (da) para a Yakuza

Os três dias seguinte ao meu encontro com Aika haviam sido preenchidos com pensamentos de irritação (certo, talvez nem todos os pensamentos envolvessem isso) direcionados para Sesshoumaru.

Não vou mentir que a conversa que tive com Aika vez ou outra voltava para me assombrar.

O único contato que tive com um yaoguai tinha sido aquela vez em Taiwan, e, daquilo, a única coisa que eu pude absorver era que Sesshoumaru não parecia se dar muito bem com eles — o estranho na verdade seria se fosse o contrário. Apenas isso não era suficiente para que eu os temesse.

Fora o relato de Aika que me deixara com esse sentimento.

Se há uma coisa que eu não posso atribuir à Aika é que ela seja fraca ou covarde. De todos da minha família, ela era de longe a mais racional, a mais razoável; ela não era imprevisível ou manipuladora como os meus irmãos. Com ela, as coisas normalmente eram o que eram. Por isso sei que ela jamais se mostraria tão afetada com o que os yaoguais fizeram se não tivesse sido uma experiência aterrorizadora.

Fosse qual fosse a intenção desses tais de yaoguais, a única coisa que eu sabia é que eles eram poderosos o suficiente para pressionarem os Senhores e cruéis o bastante para machucarem quem quer que seja sem remorso.

Isso me deixava realmente muito preocupada com Hideo, Shippou e com o maldito do Sesshoumaru. Custava tanto assim para eles me deixarem a par do que estava acontecendo? Dar alguma certeza de que estavam realmente a salvo?

De qualquer forma, aqueles eram realmente tempos estranhos. Como se não bastasse tudo o que vinha acontecida, um belo dia eu recebi uma ligação de Kai:

Você deve saber da invasão dos yaoguais. — ele começou, sem me cumprimentar ou dizer "Ah, que saudades de você, sua linda". Ele nunca pareceu do tipo educado, mesmo. — A péssima notícia é que meu pessoal identificou vários deles em Tóquio. Aposto que os Senhores não esperavam que isso fosse acontecer, não é mesmo?

Prendi a respiração, sem perceber.

Sesshoumaru, Hideo e Shippou estavam combatendo o perigo em seus territórios acreditando que seriam capazes de conter qualquer avanço, mas, pelo jeito, eles estavam errados.

De repente, eu percebia que estava aterrorizada de saber que aquelas criaturas estariam tão perto. Até aquele momento em específico, eu não tinha percebido como insconscientemente eu tinha alimentado um medo quase que infantil em relação a tudo o que estava acontecendo — querendo ou não, eu estava sozinha com Dmitri naquela cidade, sem fazer ideia do que realmente teríamos que enfrentar.

O que eu devo fazer? Teoricamente eu sou a Administradora do Leste, mas eu nunca recebi qualquer aviso sobre já estar efetivada ou algum manual de como lidar em caso de invasão demônios chineses, aliens, ou little ponies.

Antes de qualquer coisa, eu precisava saber até que ponto seria perigoso ter yaoguais na cidade. Se bem que apenas o fato de Hideo ter mandado Aika para a cidade para mantê-la "segura" já era um bom indicador de que tínhamos um problema gigante nas mãos.

Eu tenho que avisar Sesshoumaru. E Hideo. Mas… Isso seria terrível, já que ao menos sobre o que diz respeito ao meu irmão, ele largaria Sapporo completamente desprotegida para vir para Tóquio, e eu não preciso ser um gênio para saber o resultado disso.

— Por que você me ligou? — perguntei para Kai, ao recordar que ele ainda estava na linha. — Eu não tenho poder para impedi-los e os Senhores não estão aqui. Ao menos nesse momento, eu não posso proteger a Yakuza, Kai. — Resolvi ser sincera, embora não tivesse certeza se realmente podia confiar nele. Eu nunca teria, na verdade.

A Yakuza sabe se proteger, Senhora do Leste. — ele respondeu, quase ofendido — Só que nós não temos salvo-conduto… Os Senhores não vão tolerar a nossa interferência. A menos que…

Franzi o cenho diante da pausa calculada dele.

— A menos que o quê? O que você precisa?

De permissão. — ele respondeu enfaticamente — Permissão para agirmos em seu nome.

— Vocês podem lidar com essa situação… sem a ajuda dos Senhores? — perguntei, esperançosa, e ao mesmo tempo receosa, acho que o ouvi gaguejar do outro lado da linha e tenho a ligeira impressão de ter ouvido "ela só pode estar curtindo com a minha cara".

Nós poderíamos sim.ele respondeu, irritado.

— Então… — falei, respirando antes de dizer, como se estivesse me dando uma pausa para pensar — Vocês têm minha permissão.

Ótimo, essa conversa finalmente está dando frutos. — Pensei que ele ia desligar, mas continuou — Por precaução, é melhor que você venha passar um tempo na sede da Yakuza. Não quero perder meu investimento porque você é uma tonta.

E aí sim desligou. Respirei fundo, meio aliviada, meio preocupada. Essa não era uma boa hora para tudo isso estar acontecendo. Aliás, hora nenhuma seria, devo dizer.

Para dizer a verdade, eu não sabia muito bem que conclusão tirar do que eu tinha acabado de fazer. Mentalmente, eu já estava me repreendendo por ter dado permissão a Kai de fazer qualquer coisa em meu nome sem pensar com cuidado antes.

Infelizmente, não havia mais nada que eu pudesse fazer a respeito.

Coloquei a mão no queixo, pensativa, e então sorri ante um pensamento bastante interessante (e meio fora de lugar, também): que Shippou, Hideo e Sesshoumaru tinham seus próprios guerreiros, seus clãs… E que agora, de certa forma… eu tinha a máfia.


— Vamos manter isso em segredo de Sesshoumaru, está bem? — falei para Dmitri, que estava completamente pálido desde que eu falei para ele que iríamos passar uma temporada na sede da Yakuza.

O.k., eu não sei como vou fazer isso dar certo, mas eu tinha que tentar.

Dmitri colocou minha mala no carro e ficou parado me encarando feio, provavelmente querendo me dar uns tapas pelo o que eu estava fazendo. Ah, Dmitri, se você vai realmente ficar me seguindo, é bom aprender que eu sou especialista em tomar decisões idiotas.

— Antes de irmos para a Yakuza… nós devemos dar uma passada na Mansão Corvo. — ele estranhou o meu pedido, mas o atendeu.


— Aika! — falei, entrando no quarto dela sem bater, sem me apresentar nem nada parecido — Temos que ir!

Ela estava sentada na cama, com um computador no colo, e olhou para mim com expressão assustada.

— O quê?

— Tóquio não é segura, há yaoguais aqui. — ela deixou o computador de lado e se levantou, então pareceu ainda mais assustada e andou na direção do telefone. Eu fui mais rápida que ela — Você não pode avisar o Hideo ou ele vai vir de Sapporo e deixar as linhas defesa do Norte. Há… outra saída. Nós duas não somos tão inofensivas quanto Hideo ou Sesshoumaru acreditam… Vamos dar um jeito nisso, está bem?

— Apenas nós duas? — ela perguntou, cética.

— Bom… Eu vou explicar tudo, mas já vou avisando que você vai achar muito, muito idiota. Enquanto isso, que tal ir arrumando as malas? — sugeri já a empurrando para dentro do closet.


Dmitri dirigia, com cara fechada. Aika estava ao meu lado, com cara fechada. Acredito que estamos no dia de "vamos dar um gelo na Kagome e fechar a cara". Isso só deixava claro como eles achavam a minha ideia completamente estúpida.

Muito bem, concordo com vocês, mas estão neste carro, não estão? Pois então ótimo.

Além do mais, não estamos em uma situação que nos permita escolher muito o que fazer. Até porque imagino perfeitamente Kai mandando seus "irmãos" invadirem a minha casa e eu sendo carregada no ombro de algum brutamontes. Sim, imagino perfeitamente a cena e realmente acredito que possa acontecer, portanto, fui rápida em minha decisão e estamos todos indo sem baixas para o "QG" da Yakuza em Tóquio.

Ora, Kagome, de colegial que vai para Sengoku para médica que fica hospedada na Yakuza... Que upgrade. Se bem que não sei se você está progredindo ou regredindo em sua vida, minha querida.

Falar comigo mesma em terceira pessoa é estranho. Enfim, o importante é não acontecer confrontos entre nós... Somos todos aliados e devemos dar as mãos e ser felizes. Hum.

Quando chegamos na sede da Yakuza, Aika ficou me encarando por um tempo até sair do carro, desci logo atrás dela e sorri ao notar Himiko vindo ao nosso encontro. Fiquei um pouco surpresa de encontrá-la naquele horário ali, esperava que estivesse no hospital; talvez as circunstâncias a tenha feito mudar seu plantão.

— Bem-vinda, Dra. Higurashi.

— Oi, Himiko. — Sorri e recebi um olhar de incredulidade de Aika. Acredito que para ela está sendo meio difícil entender meu relacionamento com eles, mas Aika precisa compreender que o "bom relacionamento" se resume exclusivamente à Himiko. — Essa é Aika, minha cunhada. — Senti Aika prender a respiração de indignação às minhas costas — E Dmitri, o guarda-costas.

— Lembro dele do dia do seu casamento. — ela comentou, fazendo uma ligeira reverência para ambos, em seguida pediu para que a seguíssemos.

Agora que ela tocou no assunto, lembro que Himiko me entregou os podres/não podres do Sesshoumaru no dia do meu casamento, quando ela havia ido lá para me entregar o envelope com as informações e me passar uma ligação de seu tio Kai. Então havia sido Dmitri que permitira que ela entrasse na mansão. Bom, é mais aceitável pensar que foi ele do que o Ryuuji.

— Vocês ficarão no quarto dos hóspedes da ala leste. — Ela rolou os olhos por algum motivo que não entendi, acho que fiz alguma careta pois ela continuou a falar quando me encarou. — Ala leste, região leste... É uma das piadas nas quais apenas o tio Kai encontra a graça.

Não entendi muito bem que ela quis dizer com isso e resolvi que era melhor não perguntar. Se bem que Kai não parece ter senso de humor, o que me faz pensar que ele é incrivelmente parecido com seu pai, e não estou falando de apenas fisicamente.

— Esse será seu quarto. — ela disse me encarando, em seguida abriu a porta ao lado. — Senhora Aika poderá ficar aqui.

Dmitri adentrou no quarto que Himiko havia me designado enquanto Aika agradecia formalmente. Ele caminhou pelo aposento, observando tudo com cuidado e olhar crítico, certeza que procurando câmera e armadilhas... Não sei se chamo ele de precavido ou paranoico, mas tudo bem, já que de certa forma é o trabalho dele.

— Gostaria de ficar no mesmo quarto que a Kagome? — questionou Himiko, fazendo Dmitri se virar para encará-la. Ele piscou algumas vezes e por fim ficou rubro, saindo enquanto resmungava algo como "vou pegar as malas". — Disse algo de errado? Ele parecia tão preocupado que pensei que fosse querer ficar aqui.

— Ele é meio perturbado, esqueça isso. — falei acenando com a mão em claro gesto de que era para deixar pra lá.

— Vou conferir como andam os preparativos do banquete. Por favor, fiquem à vontade, há um banheiro no final do corredor. — Ela sorriu. — Com licença.

— Obrigada, Himiko. — falei sorrindo enquanto a via se afastar. Voltei minha atenção para Aika que massageava a própria testa. — Eu me entendo com Hideo depois.

— Isso não vai impedi-lo de ficar uma década falando no meu ouvido sobre ter aderido à essa ideia estúpida.

— Se fosse tão estúpida, você teria me impedido. — Ela suspirou. — Espera, o que a Himiko quis dizer com banquete?

Aika deu de ombros. De alguma forma, estou com um péssimo pressentimento quanto a isso.


Se Aika quiser me matar depois desta noite, então tudo bem; eu permitirei que ela faça isso. E caso o Dmitri decida que a melhor coisa que ele faz é ajuda-la... Ok, vocês estão certo, sigam em frente com seus planos assassinos.

A Yakuza é estranha. Himiko havia sido modesta quando falou de "banquete". Sei disso, porque estávamos nele.

Kai achou que a forma mais fácil de me apresentar aos seus irmãos era com comida e bebida. E pelos deuses como esses homens bebiam. E sim, HOMENS, youkais machos. Questionei Himiko para saber sobre as mulheres e tudo que ela disse foi:

— Elas não têm tempo para esse tipo de algazarra. — E com isso ela foi até um homem alto e musculoso, para lhe servir saquê. Ele tinha uma linda tatuagem de dragão no braço direito que ia até o meio das costas, e ela estava totalmente a vista pois por algum motivo que não sei dizer este homem estava sem camisa, vestindo apenas uma calça jeans. O cabelo ruivo e os olhos verdes me lembravam muito a Ayame, por isso acreditei que se tratava de um dos irmãos de Kai.

Suspirei e sorri cordialmente quando um dos rapazes me serviu saquê. Olhei de esguelha para Aika, que estava com uma expressão que eu não conseguia identificar. Vou dormir com um olho aberto essa noite.

Dmitri estava sentado logo ao lado dela, com uma expressão de puro terror. Posso até ler sua mente trabalhando para tentar construir diálogos que convenceriam a Sesshoumaru que ele não havia permitido que a esposa dele ficasse na sede da Yakuza.

— CALEM A BOCA! — gritou Kai se levantando, quase engasguei com o saquê por causa do susto. — O CHEFE 'TÁ AQUI.

Chefe? Não é ele o chefe?

Os rapazes se ajoelharam e se curvaram quando a porta de correr se abriu, por ela adentrou um homem segurando um celular contra o ouvido, gesticulando com a mão enquanto falava. Acredito que ele não notou que estavam todos curvados, pois sua expressão mudou completamente depois de dar três passos e finalmente olhar em volta.

Franzi o cenho. Aquele não poderia ser o chefe... Quer dizer... Não, certamente não era. Afinal, como o chefe da Yakuza poderia ser um homem de aproximadamente um metro e sessenta de altura que não deveria pesar mais que cinquenta quilos? E, para completar, estava vestindo calça e camisa social branca. Seu cabelo era negro e um pouco comprido e, por ser ondulado, estava completamente desalinhado, caindo sobre os olhos azuis.

— É meu aniversário? — ele questionou, erguendo uma sobrancelha.

— Não lembra o que te falei? — questionou Kai aproximando-se dele.

— O que você me disse? — Kai acertou um tapa na própria testa, em seguida rolou os olhos. — AH! PARABÉNS, KITO! — Ele exclamou, tentando abraçar o youkai de braço com a tatuagem de dragão, mas esse o afastou e acertou um tapa em sua nuca. — Não é seu aniversário?

— Não!

— HIMIKO, VOCÊ EMBUXOU?! — e ele abraçou Himiko arrancando um "o quê?" de todos ali presentes. — PARABÉNS, TITIO ESTÁ SATISFEITO!

— Tio Kane... Eu não sou nem casada para estar grávida.

— Desde quando é preciso casar para ficar grávida? Como você anda com uma mente atrasada, os tempos mudaram.

— Kane, pare de tentar adivinhar... Como disse antes... A Senhora do Leste está aqui para passar uma temporada de guerra com a gente. — Kai falou por fim. — Chamei todos para que assim ela os possa conhecer de uma vez.

— Ah! — ele deu um soquinho na palma da própria mão. — Então é isso. Cadê o salmão?

— Acabou.

— Como assim?

— Você demorou para chegar, estávamos bebendo e conversando.

— Sem salmão? — ele suspirou. — Estou indo em um restaurante, que negócio de pobre essa casa. — E então começou a andar para fora da sala, os machos ali, com exceção de Dmitri, fizeram outra reverência enquanto Kai saia gritando atrás dele.

— Comecei a achar a nossa família normal. — comentou Aika. Não evitei rir.

Himiko sentou ao meu lado, soltando um suspiro audível enquanto as conversas paralelas voltavam ao salão.

— Himiko. — ela se voltou para mim. — Não era o Kai o chefe?

— Mais uma das piadas do meu tio. — ela suspirou. — Tio Kane é o caçula dos irmãos e o Tio Kai acha engraçado ficar berrando que o chefe chegou sempre que ele entra. Afinal, ele é o mais velho e o tio Kane é o caçula, então fica algo de contraste, um trocadilho idiota, sei lá... Não entendo o senso de humor dele.

— Kai é difícil de entender. — resmunguei, confusa também.

— Eu não tento mais. — Himiko respondeu — Mas no fundo acho que ele faz isso para proteger o tio Kane… Para lembrar todo mundo que ele é pequeno, mas ainda manda. Sempre tem gente nova entrando na Yakuza, então é sempre bom fazer isso para evitar conflitos de liderança. Não que isso importe, já que são as mulheres que fazem todo o trabalho, infiltrando-se nas empresas. Enquanto isso eles ficam aqui, comendo e bebendo e falando mal dos Senhores. — ela percebeu o que tinha falado e então ruborizou, olhando para mim constrangida.

— Não, tudo bem, também falo mal deles. — eu disse, sorrindo.

Eu queria perguntar mais sobre a Yakuza e como estava a situação com os yaoguais, mas fui impedida de fazer qualquer comentário quando um youkai de cabelos negros e pele bronzeada sentou-se defronte a Himiko e a mim, colocando uma bandeja que continha uma caneca que parecia de chá, quando ele as entregou a nos duas, notei que se tratava de saquê... Mais saquê? Olhei para Aika que recebera uma caneca igual.

— Você se sirva sozinho. — falou o youkai, encarando Dmitri, que estreitou os olhos. — Um brinde a esta casa que agora tem mais duas mulheres lindas e cheirosas para tirar essa fragrância de peixe vencido com meia suada que tem por aqui.

— Que nojo. — comentou Himiko.

— Concordo, campanha por mais mulheres e menos homens... Rapazes, apoiam?

Ouvi um coro e Himiko bateu em sua própria testa, balançando a cabeça levemente e corando.

— Desculpe por isso, acredito que o saquê esteja os afetando.

— Tudo bem. — falei sorrindo. Voltei-me para Aika, que encarava a xícara. Sou capaz de apostar o meu fígado de que ela está pensando se deveria realmente ser educada e beber o saquê. Quase ri com esse pensamento e em seguida observei Dmitri... Ele estava visivelmente transtornado e começo a me sentir mal por tê-lo colocado nessa situação difícil. — Quais são os que moram aqui?

— Como?

— Sei que a casa é grande, mas não acho que todos moram aqui, certo? — Himiko coçou a própria bochecha. — Espera, está me dizendo que todos moram aqui?

— Apenas os casados possuem casa. — Ela olhou ao redor. — Isso se resume em seis dos que estão aqui.

— Vamos beba! — falou o cabeludo, empurrando a xícara contra os lábios de Himiko, que espalmou as mãos em seu peito.

— Takeru! — ela o empurrou fazendo-o derrubar o saquê no chão.

— SAQUÊ DESPERDIÇADO!

Então eles se curvaram pedindo perdão pelos seus pecados... Estou cercada de loucos. Novamente. Isso já virou rotina.

— SENHORA TAISHO, POR FAVOR, RESISTA POR MAIS QUATRO MESES PARA QUE EU GANHE O BOLÃO! — soou uma montanha de músculos de bochechas rosadas no fundo da sala. Ouvi um "isso aê!" proferido por mais quatro homens ao lado dele.

— Bolão? — perguntou Aika, inclinando-se na minha direção, então suspirei.

— Parece que estão fazendo um bolão sobre o tempo que permanecerei casada com Sesshoumaru.

— Outro bolão. — encarei Aika arregalando os olhos, ela esqueceu que o saquê era suspeito e tomou um gole. — Ryo e Yuri não acreditam que seu amor por Sesshoumaru durará por muito tempo agora que está vivendo com ele.

— Eles apostaram?

— Com outros tengus em Sapporo... Não leve a sério, eles são idiotas.

— Ryo e Yuri vão se entender comigo quando os vir de novo. Me sinto ultrajada. Minha própria família.

— Compartilho o sentimento. — comentou Dmitri, que fingiu não ter dito nada e ficou encarando todos a sua volta com expressão assassina. De novo.

Sinceramente, nada contra banquetes ou bebidas, mas esse povo deveria ser proibido de beber. Até por que ficar impedindo que Dmitri se levante e esfole alguém por derrubar comida e saquê em mim estava cansando. E olha que isso aconteceu várias vezes.

Quando a música foi ligada, foi o ápice da noite, creio, já que todos iniciaram uma dança estranha, que deveria ser tradicional japonesa, mas não passou de algo de "mexa os braços e pernas de forma frenética enquanto tenta beber ou comer".

Para piorar a situação, por duas vezes um deles caiu sobre mim. Por sorte Dmitri nem teve tempo de pensar em fazer algo contra eles, pois ao caírem sobre mim consequentemente derrubavam algo em Aika, o que resultava em uma tengu distribuindo tapas que deveriam doer na alma dos ancestrais deles.

Confesso que quase dei um beijo em Himiko quando ela por fim conseguiu nos tirar da sala de jantar. A coitada teve muito trabalho desviando atenção de todos que vinham impedir nossa saída, pois, de acordo com todos, éramos os convidados especiais e deveríamos nos divertir... Mas o senso de diversão da Yakuza é por mais que perturbado. E se acho isso depois de ter morado com Hideo, Daiki e os outros tengus, é porque aqui o negócio é muito tenso.

Sendo assim, pedi para Aika dormir comigo. Engraçado que ela nem pestanejou por um segundo para aceitar. Deve estar tão desconfortável quanto eu e procurando um ponto seguro. Isso aí, Aika, vamos dar as mãos e encarar os doidos juntos e que tenhamos sorte e sejamos fortes mentalmente, já que acredito cegamente que será necessário tal força.

Quando deitei ao lado de Aika, ela soltou um suspiro, parecendo cansada. Virei-me para encará-la. Pude ver perfeitamente a expressão preocupada dela, mesmo à meia-luz.

— Qual o problema?

— Não estou gostando disso, Kagome. Hideo vai ficar falando disso por décadas. — ela sentou — Posso ouvi-lo perfeitamente: "como você pode deixar minha doce irmãzinha se misturar com aquela corja?".

— Se acalme. — respondi me sentando. — Vou explicar a ele que a ideia foi minha.

— Por favor, realmente acha que ele vai acreditar nisso?

— Mas a ideia foi minha, você estava em casa tranquila, eu que fui te buscar.

— Kagome, você pode esfregar a verdade na cara dele, pode até mesmo tatuar a sua versão da história na pele daquele maldito... Mas para todos os efeitos, você é a pobrezinha que a tirana Aika arrastou para a sede da Yakuza.

— Não seja dramática.

— Dramática? — ela balançou a cabeça e ergueu as mãos, indignada. — Seu irmão que é um dramático maldito. Aliás, os dois são. — ela prendeu a respiração, arregalando os olhos, em seguida falou em um sussurro. — Se ele descobrir sobre a Himiko... Vai me culpar por não ter feito uma investigação decente sobre o Hospital Hokkaido.

— Ele mandou você fazer uma? — Ela piscou parecendo se dar conta do que havia dito. — Aika, ele mandou?

— Claro que mandou. Tenha paciência, até parece que você não sabe como seu irmão é. Ele é o motivo dos meus cabelos brancos.

— Você não tem cabelos brancos.

— Ainda. — Ela disse com solenidade e com isso voltou a se deitar. Comecei a me sentir mal por tê-la colocado nessa situação. Hideo sabe ser mais insuportável que o Daiki quando quer. — Kagome. — Voltei a minha atenção a ela. — Estou acostumada com o chato, não se preocupe e durma.

— Claro, joga na cara os problemas que causo e depois me manda dormir dizendo que não preciso me preocupar... Legal, você.

Ela riu, ainda mais porque deitei emburrada e cruzei os braços. Ela foi parando de rir aos poucos.

— É bom que você saiba o que está fazendo, Kagome. — foi o comentário esperançoso dela.

É, Aika, eu também espero.


Ladie

Oi, seus delicias! (Aquele momento em que eu entro e encontro uma dezena de reviews cobrando capítulo) AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAH DESCULPA, GENTE. É QUE A VIDA TÁ NO NIVEL HARD.

Mas aparecemos. ~ Bum chalaka Wow Fantastic Baby ~

E não, não estou bêbada.

Eu fui revisar esse capítulo, e ai foi que me toquei: POXA, A TRETA SÓ COMEÇA MESMO CAPÍTULO QUE VEM, O POVO VAI ME MATAR. Espero que me perdoem. Mas como sou linda, a Mary me prometeu que posta o capítulo 39 na terça se vocês deixarem 25 reviews para ela. Bom, independente disso, tem capítulo sexta que vem, viu, gente?

AH, GRAVAMOS O PODCAST! Foi muito engraçado, terminei o podcast com a barriga dolorida de tanto dar risada. Foi muito retardado e lindo. Aviso aqui assim que estiver editado e disponível para download.

É isso gente. Ah... Cara... Sério, gente, deixem reviews, pois quanto mais reviews recebemos, mais rápido postamos. E quanto mais rápido postamos, mais rápido a gente posta os capítulos 40, 41 e 42. E ACREDITEM EM MIM, VOCÊS VÃO QUERER LER ESSES CAPÍTULOS.

(Leitores que leram esses capítulos estão surtando até agora, o ministério adverte).

É isso, gente. Bom carnaval! See you later!