Capítulo XLI — Missing Scene IV
(Hideo narra)
Papai saberia o que fazer, saberia como agir. No passado, mesmo quando perdíamos nossos companheiros, ele sempre parecia forte e seguro... Era a nossa base e não se curvava por nada. Ele fazia a perda parecer mais fácil.
Hoje eu vejo que ele era quem mais sofria, mas se forçava a aparentar firmeza porque tinha outros que dependiam da força dele. De todos os fardos de ser o Senhor do Norte, esse é o único que eu me vejo incapaz de suportar. Duzentos anos de vida, apenas para me sentir perdido mais uma vez. Sendo Senhor, mas por dentro ainda se sentindo um garoto que não sabe o que fazer sem ter o pai para guiá-lo.
As lágrimas queimavam no fundo dos meus olhos e meu coração ardia, mas nada disso era demonstrado. Fazem nove anos desde que meu pai se foi. E mesmo depois de quase uma década, perdê-lo havia sido, e ainda era, a pior dor que eu e qualquer outro tengu tivesse sentido. Essa dor antiga agora estava revitalizada por uma nova.
Ao contrário do que muitos acham, quando você conta a vida por séculos, a dor de perder alguém para a morte se torna ainda mais dolorosa. Os humanos se vão com facilidade, então aprendemos a não nos apegarmos a eles, a amar somente aqueles que poderão seguir com você durante uma vida que pode chegar a ser eterna… Então, quando você perde estes, você também perde um pouco de si mesmo, um pouco de identidade.
Como vou sobreviver mais uma vez a isso, pai?
Aika segurava meu braço com firmeza, chorando tão alto que soluçava. A única coisa que eu queria era abraçá-la e deixar minha tristeza se mostrar, mas eu não podia. Cada olhar lançado para mim parecia desesperançado e eu tinha que ser uma rocha, uma certeza de que todos nós sobreviveríamos à essa dor mais uma vez.
Sapporo estava fria, mas a neve ainda não caíra, apesar de ventar bastante. Parece que o mundo está triste também. Encontrávamos-nos em um funeral e os tengus estão de luto; porque havíamos ganhado, mas também havíamos perdido. Dentro de uma urna fúnebre restava as cinzas de uma pessoa que os tengus amaram. Mais tarde, as cinzas seriam jogadas ao vento, por que um tengu não pode ser aprisionado, mesmo quando deixa de existir.
Seria um adeus definitivo.
Ouvi passos no corredor e virei-me para ver Sesshoumaru entrar. Ele estava sozinho e usava um quimono branco com detalhes em vermelho e obi amarela que apenas algumas poucas vezes eu o vi usando.
E estava armado.
Ver a espada embainhada que ele trazia agitou toda a dor dentro de mim.
— Como você se atreve? — exclamei, afastando-me de Aika, ciente de como soava machucado e passional. Vi Daiki se movimentar ao meu lado e eu soube que o meu irmão compartilhava a mesma tristeza revoltada que eu. — Como se atreve a vir armado a um funeral da minha família?!
Sesshoumaru apenas me encarou com olhar vazio, como se jamais tivesse que dar respostas a mim, mesmo quando invadia a minha casa armado durante um funeral. Vi quando ele pousou a mão sobre o cabo da espada que trazia à cintura.
Não… Nem mesmo meu pai suportaria tanto. Senti minhas espaldas queimarem, no local onde minhas asas sairiam. Independente de quão poderoso Sesshoumaru fosse, havia ofensas que não podiam ser ignoradas.
— Não, Hideo! — Kagome exclamou, de repente, ficando entre mim e Sesshoumaru. — Por favor… Não é o que você está pensando. — Então a dor se mostrou no rosto dela, a mesma dor que ela estivera segurando com tanta perseverança, mas que se recusara a mostrar na nossa frente. Ela virou-se para Sesshoumaru, os expressivos olhos azuis tão tristes como jamais eu havia visto e pousou a mão direita sobre a que Sesshoumaru apoiava na espada.
— É tarde demais, Sesshoumaru… — foi o sussurro dolorido, embargado.
Então Kagome se inclinou na direção dele, pousando o rosto em seu peito e segurando o quimono dele com a mão... Finalmente permitiu-se chorar
Doeu ver isso; saber que Kagome se sentiria mais confortável para chorar com ele do que comigo. Só que a dor que eu já sentia era tão grande que essa foi apenas mais alguns litros de água num oceano.
Desviei o rosto de Kagome e Sesshoumaru, da intimidade que eles pareciam compartilhar e encarei a foto emoldurada que ficava ao lado da urna funerária.
Pai… cuide bem do Yuri, pedi.
E parte da minha identidade estava perdida mais uma vez.
Ladie
Maldição, internet, para de me trollar!
Obrigada.
Enfim, promessa é promessa e gente como vocês me assustaram. vocês deixaram tantas reviews que o ff bugou para mim e ficava mostrando números randons de reviews (ora 687, ora 673, ora 690). que. medo. mas amo vocês de um tanto que seria capaz de beijar cada um de vocês. pegar mononucleose seria um preço baixo para demonstrar todo o meu amor.
Certo, tenho boas e más notícias. Qual vocês querem primeiro?
A boa primeira: Mary quer que eu poste o próximo capítulo logo!
A ruim: é que o próximo capítulo precisa de uma revisão mais cuidadosa e posso demorar.
A outra boa notícia: é que se vocês me incentivarem, eu posso terminar isso até que bem rapidinho. 1bj.
Agora a melhor notícia de todas: É NO CAPÍTULO QUE VEM QUE O ROMANCE ENTRE SESSHOUMARU E KAGOME COMEÇA DE VERDADE. SOFRAM.
Bem, espero SINCERAMENTE que vocês tenham achado que o funeral era da Kagome (que essa era a intenção, já expliquei para vocês que os títulos e as Missing Scenes só servem praticamente para trollar vocês. 2bjs.)
Sim, a gente se odeia por ter matado o Yuri. A questão é que percebemos que queríamos que Senhor do Norte fosse razoavelmente plausível, e que, no ambiente deles, as pessoas morrem. Queríamos trazer isso para a história e a melhor forma de fazer isso era com alguém que fosse importante ou para a trama ou para outro personagem da história (A MARY COGITOU O HIDEO, CARA, O HIDEO!), e então entre Tomoyo, Hiroko, Ryo, Ryuuji, Dmitri e Yuri, acabamos decidindo pelo Yuri (por causa da Ruri). Esperamos que entendam por que isso foi importante.
Ah! Recebemos lindas reviews construtivas nesse capítuloe quero discutir sobre essas lindezas com vocês, mas isso fica para o próximo capítulo que ainda tenho que viajar.
WELL, DEIXEM REVIEWS. É SÉRIO.
E deram uma ótima ideia nas reviews: agora só vamos postar se recebermos 150 reviews por capítulo. Bora trabalhar ai, povão.
(Brincadeiras à parte, o capítulo sai na sexta)
Beijos da Ladie
