Capítulo XLII — Como o calor da manhã
Os últimos dias pareciam uma avalanche, simplesmente foram acontecendo, sem freio, sem nenhuma forma de que eu pudesse controlá-los.
Minha cabeça dói, porque passei quase duas horas chorando junto a Sesshoumaru — mais tarde eu me questionaria qual parte dele era consoladora para que eu me sentisse confortável para chorar nos braços dele, mas agora eu não conseguia me concentrar nisso. Meu cérebro parece que inchou e depois se encolheu… Quase como se fosse se mover se eu mexesse a cabeça bruscamente.
A mão de Sesshoumaru segurava meu pulso, enquanto ele me guiava pelos corredores da casa do meu irmão em Sapporo, como se fosse dono desse lugar (e eu aposto um rim como ele sequer esteve aqui antes).
Ele abriu a porta de um quarto e me fez entrar. Apenas me deixou parada no meio do aposento enquanto me encarava. Foi estranho ver Sesshoumaru tão transtornado. Não pensei que ele pudesse se mostrar nervoso ou preocupado com qualquer coisa, mas lá estavam esses sentimentos, embora qualquer desconhecido jamais pudesse notar.
— Eu estou bem. — sussurrei e minha voz soou estranha até para mim mesma.
Vi as mãos de Sesshoumaru se erguerem até a gola da minha camisa negra e então começarem a abrir os botões. Pensei que Sesshoumaru fosse mais do tipo que quebraria os botões com um puxão, mas posso apenas agradecer por ele não fazer isso, já que a ideia de sair daqui apenas de sutiã não é atraente — engraçado que somente quando ele já estava abrindo o último botão foi que eu me perguntei o porquê de ele fazer isso, para finalmente me sentir envergonhada.
— Sesshoumaru! — exclamei, tentando fechar minha blusa. Ele tirou minhas mãos da frente e segurou minha cintura firmemente com as duas mãos. Só percebi o que ele queria quando o vi olhando a cicatriz avermelhada na altura do meu estômago. Apertei os pulsos de Sesshoumaru, tentando tirar as mãos dele do meu corpo, mas ele ficou imóvel como uma rocha, resoluto em ver com os próprios olhos até que ponto eu ainda estava machucada.
— Está tudo bem. — falei, tentando apaziguar a curiosidade (e a consequente irritação dele) — Eu tive apenas uma noite difícil, mas já passou. — Ele ergueu os olhos para me encarar. Céus, ele estava furioso! Minha respiração acelerou sem que que eu percebesse e desviei os olhos. — Eu criei certa resistência com venenos desde… Bem… Desde você e Mukotsu… Você lembra? — perguntei baixinho — Você usou veneno na primeira vez que nos vimos.
Ele me soltou bruscamente, afastando-se, e eu cambaleei. Senti-me traída por mim mesma quando senti falta do apoio dele mantendo-me em pé, mas controlei rapidamente esse sentimento.
— Desculpe-me… — falei baixinho, embora não soubesse por que exatamente estava me desculpando. Tudo estava tão confuso, tão estranho. Olhei para a Tenseiga na cintura de Sesshoumaru e me senti triste mais uma vez.
Ali estava uma espada com o poder de salvar mil pessoas com um só golpe... Talvez, se Sesshoumaru estivesse aqui quando aconteceu... Então...
Não, não posso pensar assim. A notícia só havia chegado a mim quase dois dias depois do acontecido, seria impossível contatar Sesshoumaru a tempo.
Depois de perder a consciência no dia do ataque, eu recebi tratamento de um médico da Yakuza (muito embora ninguém fizesse ideia de qual veneno havia sido usado contra mim). Após uma noite de decadência febril, eu havia acordado milagrosamente melhor no dia seguinte. Ninguém compreendeu realmente o que havia acontecido, então só pude supor que meu sistema imunológico de alguma forma havia conseguido combater o veneno.
O dia seguinte ao ataque foi um dia de recuperação, tanto da minha parte quanto da Yakuza, que começava a lidar com os resultados da batalha na noite anterior, como a destruição da propriedade e o interesse feroz da polícia acerca do que havia acontecido. Foi quando as notícias começaram a chegar.
Os yaoguais haviam atacado todos os Senhores simultaneamente. Comparado com o que havia acontecido nas fronteiras, o ataque à Yakuza foi uma briga de escola. Eles haviam me atacado com poucos yaoguais porque, antes de ir para a sede da Yakuza, eu estava praticamente sem proteção. Imagino que a falta de tempo para mudar o plano fez com que eles optassem pelo ataque desesperado à sede da máfia japonesa. E posso me considerar com sorte por causa disso, já que Sesshoumaru, Hideo e Shippou haviam enfrentado uma horda.
E então, de repente, havia chegado a pior das notícias: Yuri estava morto… Fora assassinado de forma brutal tentando dar tempo para que Arnya fugisse com Ren. O nosso Yuri, o divertido Yuri, o poderoso Yuri, mutilado, transformado num corpo sem rosto e sem lembranças.
Senti as lágrimas escorrerem por meus olhos mais uma vez.
Os últimos três dias pareciam cobertos por uma neblina. Lembro pouca coisa além de Dmitri trazer a mim e Aika para Sapporo e depois se dirigir para Kyoto ao descobrir que Kazuki havia sido ferido na batalha. Agora eu estava aqui, no funeral de Yuri, sem conseguir acreditar que ele estivesse morto. E, Deus, eu não faço ideia de como vou contar isso para a Ruri.
Abotoei minha camisa enquanto tentava controlar meu choro silencioso, algo em que estava fracassando miseravelmente. Limpei o rosto com as mãos voltando minha atenção para Sesshoumaru que permanecia calado a alguns passos de mim.
— Partiremos amanhã cedo. — foi a única coisa que ele disse.
— Como?
— Você virá comigo para Kyoto. — Pisquei algumas vezes, tentando compreender. — Recomponha-se e volte para a sua família.
Então ele saiu. Nem ao menos me deu a oportunidade de questionar ou discordar, simplesmente fez o que sempre faz: deu ordens e esperou ser obedecido. Ainda sem entender, saí em busca de Hideo, pois sei que por mais que esteja sustentando aquela face de alicerce, ele é quem mais precisa de apoio. Vou deixar para questionar sobre as intenções de Sesshoumaru depois.
Apoiei a cabeça no ombro de Sesshoumaru que estava sentado ao meu lado. Alguns metros a minha frente estava Daiki, igualmente sentado, tendo Hiroko ao seu lado, segurando a manga de sua camisa, ocasionalmente ele se inclinava em sua direção quando ela dizia algo. Procurei Hideo com os olhos. Ele estava conversando com alguns tengus. Nossos olhos se encontraram e ele esboçou um sorriso fraco de quem estava visivelmente tentando me encorajar, mas não sustentou o sorriso por mais de dois segundos.
Ryo estava sentado ao lado da foto de Yuri, não sei quanto tempo faz que ele está ali, e toda vez que meus olhos se deparam com a cena, sinto minha garganta doer por causa do choro reprimido. De todos ali, ele era o mais unido à Yuri por serem primos, e só Deus sabia como ele realmente estaria emocionalmente.
— Vamos ao jardim. — ouvi Sesshoumaru dizer ao meu lado, voltei meu olhar a ele, seu rosto estava sério. Não indiferente, mas sério.
— Não quero.
— Não foi um convite. — Ele abaixou o tronco, deixando o rosto na altura do meu, então foi quando notei o motivo de ele não se levantar imediatamente: eu estava agarrada ao quimono dele. — Venha. — Ele segurou meu braço e me ergueu consigo.
Não resisti, apenas deixei que ele me guiasse até o jardim. Soltei o ar de forma dolorosa quando a brisa tocou meu rosto, sentei no banco de madeira que ficava de frente à fonte com a imagem de um imenso corvo. Daiki havia me dito da última vez que eu havia estado em Sapporo que nosso pai havia encomendado aquela fonte há mais de um século. Sesshoumaru permaneceu em pé, ao meu lado, e ficamos em silêncio por algum tempo.
— Quero ficar. — disse, lembrando-me da viagem que ele queria que fizéssemos no dia seguinte.
— Não.
— Por quê? Não quero ficar longe da minha família agora.
— Esta não é sua única família.
— Como se você se importasse, não é? De qualquer forma, minha mãe está bem, recebi informações sobre a situação em Tóquio.
Ele olhou para mim e fiquei o encarando sem entender o olhar dele. Acredito que Sesshoumaru notou minha dúvida, pois desviou o olhar e repousou a mão sobre a Tenseiga. Parecia incomodado, de alguma forma... Não sei dizer.
— Como Kazuki está? — perguntei por fim, desistindo.
— Você o verá amanhã, pergunte por si mesma.
E novamente eu não pude responder, pois ele se afastou. Quando fui segui-lo, vi Arnya sentada com Ren no colo sob uma árvore de cerejeira desfolhada. Fiquei tentada em ir até lá e conversar com ela, mas, no primeiro passo em sua direção, eu vi Raiden se aproximar, então preferi deixá-los a sós e voltei para o saguão, sentando ao lado de Daiki, que passou o braço em volta do meu ombro e me puxou para perto de si.
A noite foi muito longa. Precisei ir ao jardim umas duas vezes para recuperar minhas energias e continuar ao lado de Daiki ou Hideo. Em algum momento sentei ao lado de Ryo que continuava ao lado da foto de Yuri. Ele desviou o olhar e sorriu fracamente dizendo que devíamos sair para beber em homenagem ao nosso amigo. Concordei com ele, em seguida Ryo se levantou e tocou a moldura da foto. Com um suspiro doloroso ele se afastou indo na direção de Arnya que havia entrado junto do marido e do filho.
Senti um aperto em meu ombro e virei o rosto para encarar Hideo.
— Você deveria descansar. — ele disse.
— Não sei como conseguiria descansar.
— Kagome, logo amanhecerá e você ficou aqui indo de um lado para o outro desde que chegou.
— Eu estou bem, não se preocupe.
— Sempre irei me preocupar. — Sorri enquanto ele levava a mão ao meu rosto e acariciava minha bochecha. — Por favor, vá descansar.
— Depois eu vou. Estou bem, não se preocupe.
Hideo torceu o nariz, mas não pode continuar a conversa, já que dois tengus vieram conversar com ele. Aproveitei a deixa para me afastar discretamente; sabia que meu irmão não iria desistir até que eu aceitasse ir descansar... Como se realmente fosse possível ir dormir.
Olhei ao meu redor, procurando por Sesshoumaru. Ele havia desaparecido desde a nossa conversa no jardim. Isso é preocupante, ele é um tai-youkai com uma katana em um funeral de um tengu. Apesar de ser a Tenseiga e ela não servir para ferir, os tengus não sabiam disso, ao julgar pela reação ofendida dos meus irmãos quando Sesshoumaru havia chegado.
Resolvi sair em busca de Sesshoumaru, presumindo que ele deveria estar ali em algum lugar. Tentei sentir sua presença, mas não fui bem sucedida, portanto, resolvi fazer do jeito tradicional: abrir todas as portas da casa e vasculhar todos os cômodos. Em algum momento em minha busca acabei parando na cozinha, onde havia dois hanyous tengus, senti-me muito mal quando eles me cumprimentaram e saíram. Deveria ter perguntando o nome dos dois.
Agora que havia chegado ali, notei o quanto a minha boca estava seca. Abri a geladeira na esperança de haver uma garrafa de soda; para minha sorte, havia. Abri a latinha enquanto deixava a geladeira fechar, bebi um generoso gole e encarei a porta, sentindo meu coração falhar uma batida.
Respirei fundo, fechando os olhos que começaram a arder, denunciando que logo me desmancharia em choro novamente. Era hábito dos tengus terem muitos recados na geladeira; não era fenômeno exclusivo da casa em Tóquio, tanto que me deparei com muitas discussões na geladeira por bilhete-adesivo em minhas estadias em Sapporo.
Abri os olhos lentamente, voltando a encarar o bilhete no centro da geladeira:
"Quem inventou queijo com goiabada deveria receber um beijo de meus lábios carnudos e cálidos... Isso é muito de Deus, como consegui viver até agora sem saber disso?"
(By Yuri)
Doeu ainda mais ler os comentários ao lado, todos dizendo que era permanentemente proibido tocar no bilhete.
Senti uma mão apertar meu ombro. Virei o rosto para me deparar com Sesshoumaru. Tentei engolir o choro, realmente tentei não voltar a chorar, mas quando dei por mim, minha soda estava no chão e eu estava agarrando o quimono dele.
Sinto-me uma fraca por ficar desabando dessa forma, mas é simplesmente mais forte do que eu.
Esfreguei meu rosto no peito de Sesshoumaru, de certa forma surpresa por ele não ter me afastado. Pensando bem, seria uma ação normal dele, contudo tenho que levar em consideração que estamos na casa do meu irmão e que somos casados, tornando estranho para alguém que o visse afastando-me dele.
— Obrigada. — sussurrei com a voz embargada.
— Venha. — ele disse, afastando-se, precisei correr para alcançá-lo. Segurei a manga de seu quimono enquanto andávamos.
— Que horas vamos para Kyoto? — Ele parou de andar e me olhou. — Não quero brigar com você e nem dar motivos para meus irmãos brigarem.
— Logo após o funeral.
— Está bem. — respondi, respirando profundamente.
Dmitri não estava mentindo quando falou sobre as dimensões da casa de Sesshoumaru em Kyoto; a grande questão é que eu não estava com ânimo para conhecer nada. A única coisa que eu queria era ver se Kazuki estava bem, depois seguir para o meu quarto e ficar quieta. O meu guarda-costas me guiou pela casa a mando de Sesshoumaru e levou-me até onde Kazuki estava, que se revelou ser uma sala de última geração com computadores, grandes telas de plasma, telefones e um monte de outros aparelhos que eu não fazia ideia para que serviam. Era quase como se Sesshoumaru tivesse o próprio servidor de internet dentro de casa.
Kazuki sorriu ao me ver, mas foi um sorriso triste, quase como se estivesse tentando me animar pela perda de Yuri. Balancei a cabeça levemente, dando a entender que não queria falar sobre isso e perguntei como ele estava.
— Eu já estou bem. — disse Kazuki, passando a mão pelo ombro, o que me faz crer que era o local onde ele fora machucado — Vou sobreviver. Fiquei sabendo que você se feriu e Dmitri está se culpando por isso…
— Todo hanyou fica com complexo de culpa quando acha que falhou em uma missão? — perguntei desgostosa, lembrando como Raiden havia reagido da mesma forma anos atrás no ataque que sofri das serpentes — Ele me salvou. Nas condições em que estávamos, foi uma sorte que eu tenha ficado viva.
— Bom… Ele não é o único se sentindo culpado, suponho. — Kazuki falou, sorrindo — Sesshoumaru provavelmente acha que a culpa para terem atacado você foi o fato de tê-la exposto em Taiwan. Ryuuji comentou que Sesshoumaru estava usando uma roupa com o seu cheiro, mas fez questão de trocar pelo quimono antes de encontrar Niu Mo Wang para que ele não percebesse a sua assinatura olfativa... Talvez eles tenham visto você.
Lembrei-me desse dia em questão, da festa de aniversário da filha de um empreendedor chinês em Taiwan. Lembro que minha presença ficou exposta por um segundo quando vi Sesshoumaru jogar a cabeça decapitada de um yaoguai no concreto… Mas será que isso foi suficiente para que o tal Niu Mo Wang me percebesse?
Suspirei. Acho que agora isso não importa mais.
— Parece cansada. — falou Kazuki, tirando-me de meus devaneios. — Vou pedir para Dmitri lhe acompanhar até o quarto.
Eu não queria dizer a ele que estava tudo bem e que não queria dormir, afinal, eu não estava nada bem. Talvez eu tentasse realmente dormir, estou a muito tempo sem pegar no sono, até mesmo no avião foi impossível fechar os olhos e relaxar um pouco, já que sempre que tentava vinha em minha mente imagens do funeral, do ataque, dos momentos que passei com Yuri e, sobretudo, como eu faria para contar para Ruri.
Sendo assim, respirei fundo e encontrei Dmitri na porta. Despedi-me de Kazuki e acompanhei o filho dele pelos corredores, perguntando-me se o cansaço me venceria quando eu deitasse na cama.
Assustei-me quando Dmitri parou de andar. Aquela parte da casa parecia diferente, não sei dizer ao certo como, mas passava aquela sensação de que tudo deveria estar impecável.
— Descanse bem, senhora Kagome.
— Ainda te faço me chamar apenas de Kagome. — reclamei, fazendo-o dar de ombros, em seguida ele bateu levemente na porta e a abriu, dando passagem para mim.
Entrei, ficando surpresa ao me deparar com um quarto exatamente igual ao de Sesshoumaru em Tóquio. Dmitri fechou a porta atrás de mim, fazendo-me virar para a porta fechada. Certo... O que isso significa? Olhei em volta mais uma vez, percebendo que este quarto não era tão exatamente igual quanto eu presumia. Atrás de uma cortina larga havia uma porta de vidro que dava acesso à um jardim privativo rodeado por cercas-vivas. Até mesmo havia um solar de trepadeiras cobrindo duas espreguiçadeiras, uma mesa de madeira e algo que uma análise mais cuidadosa revelou ser uma lareira portátil (que, mais tarde, eu descobriria se tratar de uma das melhores invenções do homem). Era um lugar realmente lindo, mas tive que fechar a porta, já que estava frio demais para deixá-la aberta.
Voltei para o quarto e descobri, chocada, que havia uma espécie de escritório que eu não tinha percebido até aquele momento. Esta sala estava acoplada ao quarto, e havia apenas um largo arco para separar os dois cômodos, como se tivesse sido feito estrategicamente para que alguém pudesse trabalhar ali, mas sem atrapalhar quem estivesse no quarto descansando.
Isso faz com que eu me questione: porque diabos um quarto assim? Até parece que ele foi realmente projetado para duas pessoas, o que para mim não faz muito sentido, a não ser que ele tenha mandando construir esse lugar quando ficamos noivos — o que eu realmente duvido.
Fiquei parada embaixo do arco, encarando a escrivaninha, os arquivos embutidos e as prateleiras forradas de livros, sem compreender. Acabei desistindo de tentar entender e fui ao closet, apenas para ser surpreendida mais uma vez. Era muito maior do que o closet de Tóquio, tinha até mesmo uma mesa de centro e poltronas verdes, sem falar do espelho que era quase da largura de um sedã do Hideo.
Curiosa, abri as portas dos armários, encontrando ternos, camisas sociais, esportivas, relógios, sapatos, gravatas, cintos, abotoaduras, óculos. Eu sequer sabia que Sesshoumaru usava esse tipo de coisas. Encontrei um compartimento alto, e, ao abri-lo, deparei-me com o quimono de Sesshoumaru impecável no cabide. Toquei-o levemente e fechei a porta em seguida, soltando um suspiro.
Aquele lugar era enorme, mas minha curiosidade ganhava de lavada, por isso me virei indo na direção dos armários do outro lado e quase gritei de surpresa quando encontrei roupas de mulher, e não apenas isso, também havia joias, produtos de beleza, roupas de banho, roupa íntima e toda a classe de coisa desnecessária que já havia sido feita para mulheres.
Comecei a mexer nas roupas e abrir as gavetas. T udo do meu tamanho, incluindo as peças íntimas, o que quase me matou de vergonha. Pedi aos deuses que tivessem sido compradas por uma mulher. Um "click" chamou minha atenção, fazendo-me notar uma porta no fundo do closet, dessa vez não contive o choque quando Sesshoumaru passou por ela usando apenas uma toalha em volta do quadril.
Por que ninguém me avisou que ele estava no quarto?
Sesshoumaru repousou a mão na toalha e, graças aos deuses, percebi a tempo que ele iria tirá-la. Virei-me, sentindo que toda e qualquer parte do meu corpo estava ruborizada.
— O que está fazendo? — questionei nervosamente
— Vestindo-me. — ele respondeu simplesmente.
— Não podia esperar que eu saísse?
Kagome, você precisa respirar.
Se bem que meu esforço foi inútil quanto senti a mão dele em meu ombro. Na verdade, foi quase como se levasse um choque. Queria me afastar, mas, ao mesmo tempo, estava paralisada, no final das contas fui empurrada pela porta em que ele havia saído, a qual descobri ser a de um banheiro estupidamente grande e luxuoso.
— O que está fazendo?
— Melhore seu cheiro. — E com isso ele se afastou; consegui ver de relance que ele usava uma calça de moletom e camisa branca.
Acho que foi um "tome um banho para relaxar, querida". Mas apenas acho.
Um banho iria me fazer bem. Fechei a porta e conferi as trancas. Nunca se sabe.
Acabei por tomar um banho realmente demorado. Amaldiçoei-me quando percebi que precisava sair de toalha no closet e agradeci aos céus por não haver sinal de Sesshoumaru quando tive coragem de sair do banheiro.
Troquei-me rapidamente, vestindo um pijama, e, ao voltar para o quarto, deparei-me com uma cena que pensei que nunca veria: Sesshoumaru dormindo na cama. Até mesmo me aproximei para garantir que meus olhos não estavam me enganando. E eu que achei que esse youkai nunca dormia, mesmo com as provas de Nagi de que até mesmo os youkais precisavam de seu sono de beleza.
O que eu faço agora?
Sentei-me na beirada da cama, encarando essa cena. Fora ali, naquele momento, mas apenas mais tarde eu perceberia isso; apenas depois eu notaria quando foi que realmente se tornou sólido. Mas naquele momento apenas pareceu que meu coração palpitava, inundado por uma sensação que poderia ser comparada à luz de uma lareira ou o calor de uma manhã.
Massageei o meu peito, confusa.
Aquela sensação passou algum tempo comigo, brincando com as batidas do meu coração. Mas era tolice, então expulsei o calor de mim.
Respirei profundamente, bem devagar. Eu estava exausta de todas as formas possíveis; física, emocional e mentalmente. Havia questões que poderiam esperar, e, uma delas, era sobre quão errado seria dormir na mesma cama que Sesshoumaru.
Engatinhei sobre o colchão, o mais cuidadosamente quanto era possível, e deitei minha cabeça no travesseiro.
Não fiquei nervosa; não tive tempo para pensar em Sesshoumaru. Apenas dormi.
Ladie
Primeiro! Vocês deixaram 63 reviews seus putos. Sério, vocês são tão lindos que mereciam vir com selo do inmetro!
(Fkake: Eu precisei vir aqui comentar que vocês são realmente uns lindos!)
Sério, gente. Eu só não postei o capítulo ontem mesmo por que cheguei muito tarde e hoje tive um trabalho gigante para fazer. Acabei de chegar da faculdade e estou aqui revisando isso, morrendo de vontade de deitar e morrer, mas até para isso tô com preguiça (menos para revisar e postar, por que para isso há muito fogo ;* )
Pois é, gente, eu tinha preparado um monte de coisas maneiras para vir discutir aqui, mas acabou que vou resumir meus comentários a uma coisa importante, e uma treta. Vamos primeiro à nota, por que nem todo mundo vai querer acompanhar a treta, né?
