Capítulo XLV — Desgaste emocional
Respirei fundo, ainda desconfortável com aquela situação. Infelizmente, dessa vez eu não estava com tanto sono para simplesmente não me importar com Sesshoumaru na mesma cama que eu.
Virei-me dentro do casulo de cobertores, ficando de costas para ele, e senti o edredom sobre o qual eu estava deitada ser puxado. Tentei afastar da minha mente que ele estava deitado ao meu lado, perto o suficiente para ser alcançado se eu estendesse meu braço.
Ele já havia dormido com você ontem, Kagome. Relaxa. Aliás, você dormiu no colo dele ainda hoje, você lembra? Não, né? Maldita memória de peixinho-dourado essa sua.
Na verdade, o que me deixa mais constrangida é o fato de parecer que eu o tinha convidado para dormir comigo. O que Sesshoumaru queria, também? Para que dormir tanto? Nunca ouvi falar dele ter sono, e de repente ele parecia ser a Bela Adormecida encarnada. Um Belo Adormecido. Poxa, álcool, se não vai colaborar, pelo menos não atrapalha.
Ah, que se lasque, durma!
Eu não consegui dormir. Não sei quanto tempo fiquei deitada, encolhida. Apenas sei que cansei de ficar na mesma posição, então virei-me lentamente, com medo de acordá-lo e prendi a respiração quando me deparei com o rosto dele tão perto do meu: ele estava deitado de lado, com um braço repousando tranquilamente no espaço entre nós dois. Tão perto que ele acabaria por me abraçar apenas movendo o bendito braço na minha direção.
Engoli em seco.
Sentei na cama, o cobertor escorregando e cobrindo minhas pernas; respirei fundo tentando me acalmar. Eu não estava com sono, apenas queria ficar quentinha na cama, coisa que não dá para fazer com Sesshoumaru deitado do meu lado.
Levantei. Simplesmente não vou ficar aqui tendo ataques de coração por que Sesshoumaru está dormindo a quinze centímetros de mim. Acho que uma das características de quando estou "alegre" é meu espirito de exploradora. Resumindo: fui até o closet e vesti o primeiro maiô que encontrei.
Lembro que Kazuki disse algo sobre ter uma piscina aquecida dentro da casa. Isso é tudo o que eu mais desejo nesse momento. Vesti um roupão, peguei uma toalha e calcei pantufas. Piscina, aqui vou eu!
Ainda dei uma última olhada em Sesshoumaru antes de sair, pensando em como ele parecia tão acessível daquele jeito. Balancei a cabeça lentamente, afastando esse pensamento estranho, e saí do quarto. Recordo vagamente de ter sido informada que a sauna e a piscina ficavam na mesma ala que a sala de cinema. Então apenas segui para lá, e depois saí abrindo de porta em porta até encontrar a de vidro fosco que ficava no final do corredor — chega a ser idiota não me tocar que aquela seria a porta que eu procurava.
Abri.
E ouvi risadas.
Imaginem a minha cara de surpresa ao entrar no recinto e encontrar três youkais tentando afogar Dmitri na piscina. Engraçado que Kazuki era um deles.
Das duas uma: ou eu estou muito bêbada ou entrei em algum universo paralelo. Apenas fiquei parada, com uma toalha nas mãos, sem saber o que fazer. Bom… Está certo, ótima ideia, Kagome: dê meia-volta e volte para o quarto.
— Senhora Kagome! — foi a exclamação surpresa de Kazuki. Parei meu ato de tentar sair de fininho para olhar para eles. Kazuki parecia meio envergonhado, como se tivesse sido pego fazendo algo muito errado. Os outros youkais também pareciam muito desconcertados, sendo que eu não os reconhecia. — Bom, parece que todo mundo teve a mesma ideia. — Kazuki comentou, ainda meio sem jeito.
Dmitri saiu da piscina e se aproximou de mim, embora não faço ideia do que ele queria, já que apenas ficou parado ao meu lado, como se apenas o fato de eu ter aparecido fosse a deixa para ele voltar a agir como meu guarda-costas.
Os youkais pareceram finalmente se tocar de que eu estava ali e saíram da piscina, inclinando-se respeitosamente e se apresentando. Sorri para eles, meio constrangida por aparentemente ter atrapalhado a diversão deles. Imagino como deve ser difícil relaxar e se divertir quando Sesshoumaru está para lá e para cá com aquela cara azeda dele.
— Imagino que a senhora tenha vindo até aqui espantar o frio. — disse Kazuki — Então não se acanhe, entre na piscina, eles são grandes mas não mordem.
Os youkais riram e voltaram a entrar na água. Fiquei sem saber o que fazer, perguntando-me se eles ficariam ofendidos se eu fosse embora. Suspirei e segui até uma espreguiçadeira, onde deixei minhas pantufas, a toalha e o roupão. Dmitri ruborizou ao meu lado, ao me ver de maiô. Então se recompôs e sorriu, quase como se estivesse tentando me animar.
— A piscina é realmente aquecida? — perguntei ao me aproximar da beirada. Com o frio que estava, eu me mataria se entrasse em água gelada.
Ninguém me respondeu e as risadas haviam cessado.
— Hum? — perguntei, percebendo a cara séria de todos eles e Dmitri afastar-se um passo de mim. Olhei para trás e vi Sesshoumaru parado na porta de vidro fosco, com os braços cruzados. Engraçado que ele usava apenas uma calça preta de algodão.
Só um segundo! Ele estava usando apenas isso enquanto estávamos na cama?! Ele não sente frio?
— Querido… — falei, soando falsa e exageradamente doce — Você não estava dormindo?
Ele apenas virou as costas e foi embora. Suspirei. Vou aproveitar a chance e ir também, porque não estou tão afim assim de entrar numa piscina no meio da madrugada com um monte de machos.
— Fica para a próxima. — falei para os youkais, acenando brevemente e pegando minhas coisas para seguir Sesshoumaru.
Nossa, meus planos não podiam ter dado mais errado do que isso. Massageei minha nuca, enquanto me apressava pelo corredor, pensando no esforço inútil de sair da cama para tomar banho numa piscina aquecida e conseguir apenas irritar Sesshoumaru. Nada de piscina aquecida. Por quê, Deus?
Ele já estava no quarto quando cheguei. Fui trocar de roupas no closet enquanto ele sentava na cadeira à mesa dele e ficava quieto, quase como se estivesse cansado.
— Tanto trabalho trocando de roupa para nada. — resmunguei, voltando para o quarto — Você estragou o programa de todo mundo, seu chato.
Ele me ignorou. Que novidade.
Andei até a estante e escolhi algum livro que me agradasse para voltar para a cama, já que dormir não parecia uma opção. Sentei em posição de lótus e abri o livro, enquanto me inclinava para pegar meu celular no criado-mudo e ver que horas eram.
Só que em vez do marcador das horas, meu celular informava outra coisa. Haviam 14 ligações perdidas da Ruri.
Isso fez com que a realidade voltasse com força; acordou a dor que eu tinha empurrado para o recanto mais fundo da minha mente. Tudo que eu havia tentado ignorar estava de volta. Só que eu não poderia fazer isso para sempre. Eu ainda tinha que enfrentar meus sentimentos dolorosos e contar para a minha amiga que o homem que ela amava estava morto. Isso se ela já não soubesse e esse fosse o motivo para tantas ligações.
Levantei-me devagar, indo até a mesa do meu marido. Ele virou o rosto para olhar para a minha expressão tensa.
— Eu tenho que ir para Tóquio, Sesshoumaru. — falei e dessa vez nem mesmo ele poderia me impedir.
Eu não deveria estar irritada, já que Sesshoumaru havia acatado a minha vontade: estou em Tóquio. Apesar disso, eu não conseguia deixar de me irritar com o fato de eu não estar sozinha em Tóquio. Sesshoumaru havia dado ordens claras para que Dmitri não saísse de perto de mim. Ter um cão-de-guarda é algo realmente irritante quando você quer conversar em particular com as pessoas. Não importava que argumento eu usasse, Dmitri estava irredutível: não me deixaria sozinha.
Para ser sincera, eu deveria esperar algo do tipo. Sair de Kyoto com certeza foi um feito glorioso. Sesshoumaru simplesmente não deu atenção alguma para a necessidade de eu vir para Tóquio até que eu apanhasse o celular dele e colocasse para despertar a cada minuto com o toque mais irritante que pudesse existir. Fiz o mesmo com o meu celular, quando o dele foi misteriosamente desligado. Quando o meu seguiu o mesmo destino, eu consegui um apito para cachorro com uma das empregadas humanas.
Resultado: para não me matar, ele me trouxe para Tóquio... Sim, ele me trouxe. Afinal, ele veio comigo. Ou seja, quando não estou sendo vigiada por Dmitri, estou sendo por Sesshoumaru.
Dos males, o menor: dessa vez era Dmitri que cuidava da minha segurança. Ele parecia obviamente desconfortável por estar na Mansão Corvo, dava para notar pela rigidez dos músculos de seu maxilar. Bem... Eu podia usar isso ao meu favor, confesso que não consigo ver ele desobedecendo o Sesshoumaru, mas não custa tentar.
— Não vou falar com ninguém enquanto você não me esperar no carro. — Ele estreitou os olhos. — Vou ser rápida, ligue o ar condicionado e o som, nem vai sentir o tempo passar.
— Desculpe, mas a senhora sabe que não posso fazer isso.
— Pode sim, sabe bem que não saio daqui até que você me deixe conversar sozinha com o Nagi.
— Não...
— Por favor, Dmitri. É importante.
Ele me encarou, parecendo realmente hesitante sobre o que fazer. Fiz minha melhor carinha de cachorro que caiu da mudança, mas só consegui que ele desviasse o olhar. Então sentei no chão e cruzei os braços.
— Ótimo, vou montar acampamento aqui.
— Senhora Kagome.
— Dmitri, é importante. Eu realmente preciso conversar com ele em particular.
Ele passou a mão pelo cabelo, soltou um suspiro e ficou me encarando por mais alguns minutos. Quando pareceu convencido de que eu poderia passar o dia todo ali sentada por pura teimosia, colocou as mãos nos bolsos da calça e seguiu para o carro, ficando encostado no capô. Sorri e me levantei.
— Obrigada. — agradeci, e entrei em casa.
Abri a porta do escritório de Nagi, encontrando-o sentado à mesa dele, lendo. A aparência dele estava horrível. Barba por fazer, cabelo desgrenhado e olheiras. Nagi tem essa habilidade de parecer bonito mesmo quando está desalinhado — faz parte do charme de ser um homem inteligente e bonito —, mas nesse momento ele não fazia jus a sua fama.
— Você tem pelo menos se alimentado ultimamente? — perguntei, sem cumprimentá-lo. Ele ergueu os olhos para mim, mas não pareceu surpreso ao me ver — Hideo me disse que você tinha ficado aqui. — comentei — "Sempre deve haver um tengu em nossa casa", foi o que ele disse. Sinto muito por você não ter ido ao funeral de Yuri.
— Não havia muita coisa que eu pudesse fazer em Sapporo que não pudesse fazer daqui. — ele respondeu, encostando-se no espaldar da cadeira e cruzando os braços — É muito cedo para você estar em Tóquio, fiquei sabendo que o seu marido te carregou para Kyoto. Ainda não é seguro que você fique sozinha. Imagino que ele saiba disso.
Dei de ombros.
— Ele veio comigo. — comentei, vendo o sorriso de canto de Nagi — Eu vim para perguntar se minha amiga Ruri teria vindo aqui, mas acho que vou ter que aproveitar a oportunidade e obrigar a você a tomar um banho e comer algo.
— Ruri? — ele perguntou, ignorando completamente a última coisa que eu tinha dito — Você fala da namorada do Yuri? Sim, ela veio.
E com isso eu também esqueci a última parte que eu tinha dito. Senti minha cabeça latejar.
— E como… como ela reagiu quando soube? — perguntei, preocupada. Eu sou uma péssima amiga se deixei que ela descobrisse a morte do homem que ela amava pelo Nagi, em vez de vir aqui e dar eu mesma a notícia, por mais dolorosa que fosse.
— Eu não contei. — ele respondeu, fazendo-me franzir o cenho. — Ela apenas queria saber se Yuri ou você estavam, e eu disse que não.
— Por que você não disse? — perguntei, confusa.
— Ela não me perguntou. — foi a resposta seca dele. "Ela não me perguntou", como se estivéssemos falando de um assunto banal, e não de algo que destruiria a vida da minha melhor amiga. Acho que ele percebeu como isso havia me abalado e deu de ombros. — Com poderes ou não, todos nós somos animais. Animais morrem, Kagome.
Pensei em questionar por que ele estava com aquela aparência horrível se de fato acreditava naquilo que dizia, mas me calei. Quem sou eu para questionar a forma de alguém lidar com a perda?
— Vá tomar um banho. — falei — Vou pedir para alguma das criadas preparar algo para comer e depois você vai dormir. E não me faça vir atrás de você.
Nagi levantou-se lentamente, com expressão concentrada, e veio em minha direção. Afastei-me um passo, surpresa. Era estranho que ele se aproximasse assim, do nada, quando um segundo antes ele estivera tão apático sentado na cadeira.
Ele ficou parado na minha frente e respirou fundo, como se estivesse sentindo o meu cheiro.
— O que você está fazendo? — perguntei com desconfiança.
— Seu cheiro está diferente... — disse, estreitando os olhos levemente.
Rolei os olhos. Daiki havia feito a mesma coisa logo quando me encontrou após a minha lua de mel... Será que esses idiotas têm que ficar me constrangendo toda hora apenas por sentir o cheiro de Sesshoumaru (na verdade, do quarto dele) em mim?
— É o cheiro de Sesshoumaru. — resmunguei, erguendo a mão para afastá-lo, mas Nagi segurou meu pulso e me puxou mais para perto.
— Você acha que eu estaria perdendo tempo se fosse o cheiro dele? — Mais uma vez Nagi aspirou lenta e profundamente — Esses cheiro é... familiar. Hideo me disse que você tinha sido atacada... O que exatamente aconteceu?
Mordi os lábios, sem saber o que responder. Eu havia omitido de Hideo o fato de ter sido atacada e envenenada e, se Nagi já estava sabendo disso, era porque Aika finalmente deixara meu irmão a par da situação. Surpreende-me que Hideo não tenha me ligado, completamente surtado por causa disso — quer dizer, a menos que ele tenha feito isso e Kazuki convenientemente tivesse filtrado as ligações de meu irmão.
— Eu fui ferida por uma adaga envenenada. — respondi — Está tudo bem. Já fui atacada com venenos duas vezes, isso me deu alguma resistência.
Excluí completamente a informação de que Sesshoumaru fora autor de um desses ataques.
— Se isso fosse assim tão fácil, as pessoas já teriam deixado de usar venenos há séculos e os tiranos sempre teriam imunidade. — ele falou de forma rabugenta, como se eu não passasse de uma idiota — É necessário vários anos de exposição gradativa para se chegar a um nível aceitável de resistência.
— Bom... Você pode falar isso, mas eu estou viva, não estou?
Isso pareceu prender a atenção dele, que estreitou os olhos mais uma vez, pensativo.
— Existem venenos capazes de matar um youkai. — foi o comentário reflexivo — Por que eles usariam um veneno que não mataria sequer uma hanyou? — Nagi coçou negligentemente a barba por fazer — O Senhor do Oeste não falou nada? Tai-youkais têm o olfato mais sensível que os tengus, seria estranho que ele não tivesse percebido.
Neguei com a cabeça.
— Ele parece preocupado, mas não falou nada.
Nagi chegou mais perto, aproximando o rosto do meu pescoço como se estudasse o cheiro com atenção. Arregalei os olhos, surpresa com a aproximação dele. A única coisa que ele fez foi resmungar "fique quieta, inferno" antes de se afastar.
— Quero te examinar. — ele disse, de supetão.
— Por quê? — questionei de cenho franzido. — Não tenho tempo agora, preciso ir na casa de Ruri depois daqui.
— Não vai demorar cinco minutos para que eu recolha algumas amostras de sangue. — Ele se afastou na direção dos armários para pegar seringas, agulhas, algodão e álcool.
Cruzei os braços, emburrada, questionando-me como uma mera visita havia se tornado uma consulta.
Eu apertei a campainha do apartamento de Ruri. Ela morava em um condomínio com a mãe e a irmã mais velha e torci para que ela estivesse em casa. Até porque eu duvido muito que consiga convencer Dmitri a me deixar sair de casa de novo — principalmente porque ele quase surtou ao sentir cheiro de sangue em mim quando saí da Mansão Corvo; foi muito difícil explicar para ele que eu não estava propriamente ferida.
A porta se abriu e minha amiga apareceu.
Ruri ficou parada à porta, de olhos arregalados. Estava pálida e com olheiras, mas o sorriso ainda parecia o mesmo. Vê-la assim, aparentemente inconsciente das péssimas notícias que eu trazia, foi como um soco. O discurso que eu tinha preparado fugiu de mim. Toda a preparação psicológica, toda o ensaio minucioso, sumiram. Meus olhos lacrimejaram de imediato, e eu só tinha vontade de abraçá-la, mas controlei-me, consciente que ela ficaria muito assustada se eu reagisse assim.
O sorriso dela se apagou.
— Kagome? — ela perguntou de forma confusa — Está tudo bem? O que aconteceu?
— Ruri... — eu gemi, e simplesmente soube que não conseguiria preparar o terreno, que não conseguiria explicar tudo antes de dar a notícia, então apenas coloquei toda a minha força em ser capaz de dizer a verdade de uma vez — Yuri está morto.
E eu me arrependeria pelo resto dos meus dias por ter dado essa notícia assim.
Ruri estava deitada na cama dela. Eu sempre havia brincado que ela parecia uma boneca, mas agora ela se parecia com uma não pela beleza impecável, mas pela aparente inexistência de vida. Ela estava pálida e apática, como se não existisse forças nela.
Eu já estava ali há horas. A mãe dela havia chegado do trabalho e encontrado Ruri abraçada à mim, chorando a ponto de soluçar.
Ela não havia acreditado de início, quando lhe contei sobre a morte de Yuri. Primeiro ela ficou chocada, e depois ficou quieta, irritada por achar que eu estava brincando com ela. Então eu a havia puxado até a sala, feito ela se sentar, e começado a explicar detalhe por detalhe sobre tudo o que tinha acontecido, desde o ataque surpresa até o fato de Yuri ter se sacrificado para salvar Arnya e Ren. No meio do relato, eu comecei a chorar e tremer, e foi quando Ruri finalmente pareceu acreditar em mim.
Ela não chorou nesse primeiro momento. Apenas apertou as mãos com força e as encarou, vidrada. Hesitante, ela falou o nome de Yuri uma vez, e então seus lábios tremeram. Foi quando a primeira lágrima veio, acompanhada do primeiro soluço. Vi o sangue pingar na saia bege dela e percebi que ela estava apertando as unhas contra a carne com muita força.
Aproximei-me dela e segurei suas mãos, tentando abri-las e impedi-la de se machucar mais. Na hora, ela pareceu recusar meu contato, afastando as mãos. Mas eu segurei firmemente e puxei-a contra mim, abraçando seus ombros e apoiando o rosto dela em meu ombro.
Então ela quebrou. O choro começou como se o ar lhe faltasse, o som trêmulo de ela tentando respirar, como uma corda de violino se partindo... Um som errado, doloroso. Um som que era pura dor.
Meu peito ardia e chorei silenciosamente ao lado da minha amiga, enquanto as lágrimas dela saíam acompanhados de soluços intensos. Isso me fez lembrar que a vida real era muito diferente de uma novela ou de um filme. A dor de uma pessoa nunca era bonita. Era emocionante, sim... Mas bonita, dificilmente.
Massageei os cabelos dela, enquanto ela agarrava minha camiseta com força. Segurei-a quando todo o controle dela parecia ter sido arrebatado. O choro foi se tornando silencioso, mas a dor aumentava, enquanto ela murmurava o nome dele.
— Por que...? — ela perguntou em um momento, embora não para mim, mas para o homem que amava e que não podia mais ouvi-la — Você... Você dizia que não conseguia... pensar... no futuro, em um dia... me ver morrer... Mas fui eu que te perdi... — E afundou o rosto ainda mais contra mim, tremendo tanto que parecia quase convulsionar.
Foi quando a mãe dela chegou e nos encontrou daquele jeito. Eu pedi para que ela procurasse um calmante para Ruri e ela atendeu meu pedido, mesmo sem entender o que estava acontecendo. Apenas uma hora depois disso foi que eu consegui levá-la para a cama. Sentei ao lado dela e peguei meu celular, ligando para Arusa e pedindo para que ela viesse.
— Eu não pude ir ao funeral dele. — Ruri falou lentamente, meio dopada — Todos esses dias e eu continuei vivendo sem saber que o tinha perdido.
O arrependimento me consumiu. Eu podia ter feito mais, feito diferente. Podia carregá-la comigo para Sapporo e levá-la ao funeral de Yuri, mesmo que Hideo achasse inapropriado ter um humano em sua casa nessa ocasião. Hideo quebraria o protocolo por Ruri. Mas eu só pensei na minha dor.
Estiquei a mão para tocá-la, desesperada para passar algum conforto, mas ela se afastou levemente do meu contato. Recuei, percebendo que para Ruri, naquele momento, eu não era apenas uma amiga, mas parte do mundo que havia matado o homem que ela amava. Para ela, Yuri havia morrido protegendo a minha família, e mesmo que mais tarde ela percebesse que não foi nossa culpa, nesse momento eu não podia cobrar dela nenhum pensamento racional.
— Eu sinto muito, Ruri. — falei roucamente. Levantei-me devagar e fechei a porta do quarto, indo para a sala. Esperei até Arusa chegar e então segui para a saída.
Dmitri estava no corredor, em pé.
— Você ficou todo esse tempo aqui? — perguntei, com um sorriso amargo, Dmitri apenas me encarou — Eu... — suspirei de forma trêmula, incapaz de controlar o sentimento de arrependimento, traição e tristeza — Eu só quero ir para casa. — falei.
Dmitri atendeu prontamente.
Entrei no escritório de Sesshoumaru, mas ele não estava. Era meio da noite e eu não conseguia dormir. Não faço ideia do motivo de ter vindo aqui, apenas de camisola, segurando um travesseiro e um cobertor. E compreendo ainda menos porque eu estava triste por encontrar o cômodo vazio.
Percebi que havia um móvel novo no escritório: um enorme sofá branco que ficava em frente à televisão. Sorri tristemente, perguntando-me se isso era trabalho do marido Kazuki. Acho que isso não importa agora, já que essa nova aquisição veio tão bem a calhar. Deitei no sofá e enrolei-me no cobertor, pensando como era estranho que eu tentasse buscar conforto aqui.
— Deve ser muito bom ser uma herdeira. — disse a Dra. Otonashi ironicamente — Quer dizer, imagine como deve ser gratificante sumir semanas do trabalho e não receber nenhuma reprimenda quando voltar.
Baixei os olhos, diante do comentário ácido. Eu sabia que esses boatos estavam rolando pelo hospital, mas não imaginei que alguém fosse tentar me provocar com eles. Eu já me sentia com problemas suficientes para ter que lidar com mais esse.
— Credo, mulher, a Dra. Higurashi já se desculpou com toda a equipe e explicou que teve que viajar para participar do funeral de um familiar. Nem mesmo você pode ser tão insensível para não tentar entender. — exclamou o Dr. Gin, em minha defesa. A Dra. Otonashi apenas deu de ombros e se afastou.
Por mais que ela estivesse sendo cruel, eu não poderia deixar de entendê-la, já que ao voltar ao trabalho o Diretor apenas tinha dado seus pêsames e informado que eu poderia tirar uma licença se achasse necessário. Não demorou muito para que surgissem os rumores de que eu era privilegiada por que meu irmão e meu marido faziam grandes doações para o hospital.
Apenas inclinei-me respeitosamente para o Dr. Gin e saí da sala de descanso dos médicos. Por mais que seja insuportável ser alvo de fofocas, prefiro isso a ficar em casa. Eu enlouqueceria se ficasse ociosa, ainda mais depois de ligar para Arusa hoje de manhã e ela me dizer, muito constrangida, que Ruri não queria me ver no momento.
O único jeito de sufocar essa sensação de que havia algo errado foi vir para o trabalho, apesar dos protestos de Dmitri — a quem eu havia obrigado a ficar a pelo menos um andar de distância de mim.
Segui para o quarto de Kayanno, que havia voltado para o hospital depois de ser diagnosticada com infecção renal, conforme eu havia sido informada tão logo havia chegado. Encontrei-a sentada na cama, brincando com um conjunto de maquiagens infantis espalhadas por uma mesinha cor de rosa. Seu rosto parecia uma confusão de maquiagem azul, rosa e vermelha, que combinava (não tão) perfeitamente com o lenço multicolorido amarrado em volta de sua cabeça.
A mãe dela estava sentada na poltrona, assistindo televisão.
— Dra. Higurashi! — exclamou Kayanno, soltando uma risada infantil tão acolhedora e alegre que inundou meu coração atormentado com felicidade. Ela parecia pálida e fraca, mas ainda emitia aquela boa energia de quem tinha alma pura.
— Oi, querida. — cumprimentei, aproximando-me. A mãe dela olhou para mim e sorriu, acenando com a cabeça. — Eu estava morrendo de saudades de você.
— Eu sei! Eu sei! — ela exclamou, quase derrubando a mesinha de plástico rosa na empolgação — A srta. Himiko veio aqui todos os dias enquanto a senhora estava fora. Ela trouxe chocolates e doces, e mamãe fica controlando o que eu posso ou não comer. Ah, e Taiga está enooooorme. — ela disse, agitando as mãos enquanto tentava descrever o tamanho do seu filhote de husky siberiano — Vovô diz que ela é uma máquina de fazer cocô. Mas eu disse para ele "vovô, é a minha máquina de fazer cocô, então o senhor tem que amar a Taiga".
Eu soltei uma risada, enquanto a mãe de Kayanno limitava-se a agitar a cabeça de leve, desistindo por completo de tentar ficar constrangida com a natureza tagarela da filhinha.
— Conte-me tudo. — pedi, sentando-me na beirada do leito dela. Kayanno riu e começou a falar de todas as aventuras que ela e a filhote Taiga haviam dividido nessas poucas semanas em que elas ficaram em casa (que se resumiam em dormir tarde e assistir videoclipes dos Super Junior).
— Você não tem idade para gostar tanto deles. — falei, fingindo repreendê-la — Mas olha aqui uma pequena fã, não é?
— É que o Siwon é tãããão bonito! — ela disse — Eu quero casar com ele.
— Quando você tiver idade para casar, ele já vai ser velho demais para essas coisas. — afirmei, tocando o nariz dela com o dedo indicador.
Então ela gritou. Por um momento eu fiquei assustada, até perceber que ela estava gritando num surto que misturava empolgação, surpresa e o fato de ter recordado algo muito importante.
— O que aconteceu, querida? — perguntou a mãe dela, surpresa.
— Mamãe! Mamãe! Eu quase esqueci! Dra. Higurashi, a srta. Himiko disse que você se casou! — ela exclamou, dessa vez realmente derrubando os pincéis de sua coleção de maquiagem infantil — Ela disse que foi no seu casamento e que a senhora estava linda como uma princesa! Que seu vestido era feito de morangos e seu cabelo estava enfeitado com pó-de-fada. Ah! E ela disse que seu príncipe é lindo! Ela disse que ele é mais lindo que o Siwon, e eu não acreditei, porque ninguém é mais lindo que o Siwon... Mas ela disse que ele tem cabelo de neve e olhos de sol e que ele faria qualquer coisa pela senhora... E se a senhora ama ele, ele tem de ser mesmo tão bonito quanto o Siwon, não é mesmo?! E eu queria ver o seu vestido de morangos, Dra. Higurashi, a senhora deixa?
Eu arregalei os olhos, pega de surpresa por aquela visão tão romantizada que Himiko havia passado para Kayanno sobre meu casamento ou do meu relacionamento com Sesshoumaru. Os olhos dela pareciam brilhar tanto que eu fui incapaz de destruir a fantasia dela, acabando por alimentar sua imaginação, descrevendo Sesshoumaru como um guerreiro poderoso, incapaz de ser vencido. Ela se disse apaixonada por Sesshoumaru, mas acabou deixando essa paixão de lado quando falei para ela que tinha um irmão que era o Príncipe Corvo, que tinha cabelos de escuridão e olhos azuis como o mar. Ela então exclamou um "Olhos azuis como os da Taiga!" e então Hideo se tornou sua mais nova paixão platônica.
Sorri para mim mesma, fazendo uma nota mental para trazer Hideo para conhecê-la assim que ele viesse à Tóquio.
— Oi, Dra. Higurashi. — disse Himiko, da porta do quarto, soando surpresa por me encontrar ali — Nossa, que conveniente encontrar a senhora aqui.
— Srta. Himiko! — exclamou Kayanno — Já é hora dos exames? A senhorita vai me levar para o Túnel de "Rejuvenânscia"?
Sorri, lembrando que ela se referia assim à máquina de ressonância. Uma vez ela me disse, toda animada, que sua avó adoraria quando ela lhe contasse que havia uma máquina no hospital que servia para deixar as pessoas bonitas para sempre.
— Vou sim. — disse Himiko — Está pronta?
— Estou! Vou ficar quietinha, como a Bela Adormecida, esperando o Meu Príncipe Corvo de Olhos de Taiga. — ela falou de forma sonhadora.
Himiko olhou para mim, curiosa, e perguntou aos sussurros:
— Ela se refere ao Senhor do Norte? — Acenei afirmativamente, e Himiko agitou os ombros, como se estivesse se arrepiando. Eu ainda estranhava que as pessoas tivessem essa impressão que meu irmão era uma espécie de monstro ganancioso, mas apenas sorri. — Isso me lembra... — ela disse, aproximando-se — Tio Kai quer que você vá vê-lo imediatamente.
— O que aconteceu?
Ela ergueu as mãos com as palmas para cima, como se dissesse não saber.
— Está bem. — prometi, com um suspiro, baixei o tom de voz para que a mãe de Kayanno não ouvisse as minhas palavras — Vou à Yakuza assim que acabar o meu expediente.
Himiko fez um sinal de que passaria o meu recado e então foi ajudar Kayanno a se locomover para a uma cadeira de rodas.
Liguei novamente para Arusa e perguntei como Ruri estava. Dessa vez não fiz comentário algum que desse a entender que queria ver a minha amiga. Garanti a mim mesma que estava fazendo isso para salvaguardar o estado emocional já bastante precário de Ruri, mas eu sabia que, lá no fundo, eu estava magoada com a rejeição dela. Eu repetia com frequência para mim mesma que eu não podia cobrar dela nenhuma atitude racional, mas também percebo que não posso cobrar isso de mim também.
Eu também estava sofrendo. Querendo ou não, Yuri era da minha família. Era egoísmo de Ruri pensar que ela era a única que não estava bem.
E, droga, eu me sinto uma pessoa horrível por pensar e me sentir assim.
Só percebi que havíamos chegado à sede da Yakuza quando Dmitri parou o carro e virou-se para olhar para mim com cara feia.
— Eu sei o que você acha. — falei, inclinando-me no banco na direção dele — Mas você tem que confiar em mim. A minha decisão de vir para cá da última vez salvou as nossas vidas, ou você esqueceu?
Ele abaixou os olhos, talvez envergonhado por lembrar do ocorrido. Por mais que eu odiasse fazê-lo se sentir culpado pelo o que tinha acontecido, isso também serviria para ajudá-lo a decidir de uma vez que sua lealdade não estava apenas com Sesshoumaru, mas comigo também.
— Você pode me acompanhar. — falei, abrindo a porta do carro — Só tem que me prometer que vai manter isso em segredo de Sesshoumaru.
Ele rolou os olhos, mas concordou.
Não que Sesshoumaru fosse incapaz de descobrir sozinho onde eu estava. Mesmo a barreira que os líderes mantinham em volta da Yakuza para esconder a presença dos youkais não havia sido suficiente para despistar o meu marido, quando eu havia sido sequestrada da última vez.
Percebi que o portão frontal da sede da Yakuza estava em reforma, e fomos reconhecidos facilmente por um dos youkais que estavam trabalhando no conserto. Algum tempo depois Shrek apareceu para nos levar até Kai, tagarelando sem parar de como as coisas estavam animadas por ali. Admito que ver um youkai daquele tamanho falar compulsivamente como a Kayanno foi bastante surpreendente.
Finalmente chegamos ao salão de reuniões (bebidas) da Yakuza. Kai ergueu as mãos para o alto, e rosnou, numa mistura de irritação e louvor pelo fato de eu ter aparecido.
— Por onde diabos você andou?
Suspirei teatralmente.
— Eu fui ao funeral de Yuri.
— Eu vi fotos suas com Sesshoumaru em uma festa. — ele acusou — Não entendo como esses Senhores ficam perdendo tempo com luto e com festas, quando tem yaoguais atacando os territórios deles!
— Se você fosse um Senhor... — começou Kane, que estava sentado atrás de Kai, com uma bandeja de comida e bebida — o nosso clã já teria se extinguido. Os humanos não sabem da existência dos yaoguais. Seria estranho se os principais rostos do mundo executivo do Japão simplesmente sumissem do mapa.
— Fodam-se os humanos. — Kai disse lentamente. Então virou-se para mim. — Aliás, você pode fazer o favor de me explicar isso?! — Ele foi até Kane e estendeu a mão, o irmão apenas pegou algum rolo de documento que estava ao lado e entregou para Kai — Sesshoumaru nos mandou isso aqui. — E entregou o rolo para mim. Desenrolei e notei que se tratava de um mapa de Tóquio rabiscado com as rotas de ataque e de fuga dos yaoguais no ataque que a Yakuza havia sofrido. — Ele está tentando nos ofender, por acaso?
Voltei a enrolar o mapa, e sorri.
— Ele não estava tentando ofender vocês. Sesshoumaru não perde tempo com esse tipo de coisa, a menos que vá ganhar algo com isso. — Entreguei o mapa para Kai — Imagine isso como um... reconhecimento por terem protegido algo que pertence a ele.
— Mostrar onde nós erramos é o jeito do Senhor do Oeste nos agradecer por termos salvado você? — Kai questionou ceticamente.
Pensei por alguns segundos e então afirmei com um gesto de cabeça, sorrindo.
Kai arreganhou os dentes brevemente, em um rosnado silencioso, e então virou-se de costas para devolver o mapa para Kane, que continuava bastante entretido com a comida em sua bandeja.
— Pensar no Senhor do Oeste me dá azia. — Kai resmungou — Vamos ao que interessa.
— Não era por causa disso? — questionei, curiosa.
— Claro que não. Ou você esqueceu do pacote que nos deixou? — Kai gesticulou para que o seguíssemos e Dmitri e eu o obedecêssemos — Não conseguimos capturar nenhum yaoguai vivo e o único que temos é o que você selou. Para evitar questionamentos sobre o fato perturbador de você ter poderes sagrados — Kai lançou um olhar desconfiado para mim — nós espalhamos o rumor de que havia veneno paralisante na flecha. Só que não vamos poder segurar essa versão se o yaoguai continuar adormecido pelo resto do ano. Precisamos que você desfaça o selo. Acha que consegue?
Não respondi, enquanto pensava. Eu já havia feito isso uma vez, logo quando conheci Inuyasha, mas havia sido algo completamente innstintivo. Inclusive quando selei o yaoguai, eu não estava exatamente pensando em fazê-lo.
— Vou tentar. — respondi.
Entramos em um corredor e no final dele dois hanyous abriram um alçapão que revelou ser uma passagem para um pavimento subterrâneo. Desci as escadas, sentindo Dmitri literalmente roçar nas minhas costas, desconfiado das intenções de Kai.
A iluminação era toda feita com lâmpadas fluorescentes e uma delas piscava incomodamente sobre alguns instrumentos macabros de metal. Aquele porão se mostrava digno de algum filme de terror como "O Albergue".
Havia um youkai lobo vestido de preto dos pés à cabeça (nomeei-o intimamente de Mortícia), parecendo bastante impaciente por não ter ninguém para torturar, já que o yaoguai na maca estava desacordado.
Aproximei-me e quase senti Dmitri ficar ainda mais nervoso atrás de mim.
— Nós tiramos a flecha, mas ele não acordou — Kai informou, explicando porque o yoaguai estava deitado de barriga para cima, e não de bruços, o que seria o ideal caso ele ainda estivesse com a minha flecha encravada em suas costas.
— A flecha era apenas o caminho. Foi o meu poder que o selou. — respondi, observando o yaoguai. Era estranho pensar que eu havia selado este homem. Que ele poderia passar meio século paralisado no tempo, como Inuyasha havia ficado, e que eu era a culpada disso.
Observei a expressão serena dele, inundada pela nostalgia, embora ele não se parecesse com Inuyasha. A pele do yaoguai era dourada, o cabelo negro e curto, nariz e maçãs-do-rosto de linhas retas. Senti curiosidade para vê-lo de olhos abertos e saber se seus olhos seriam tão atraentes quanto o resto do conjunto.
Massageei o peito, percebendo que de uma forma estranha eu estava tomando responsabilidade por ele, mesmo depois de ele ter tentado me matar. Perguntei-me intimamente se eu havia feito a mesma coisa com Inuyasha, se eu tinha tomado responsabilidade por ele apenas por ter quebrado o selo de Kikyou.
Deixei isso de lado. Não era tempo para isso.
Concentrei-me em reprimir essa sensação que se estabelecia por causa do yaoguai, lembrando-me que fora criaturas como ele que haviam matado Yuri. Ao mesmo tempo, lembrei que odiar o yaoguai por este motivo seria fazer o mesmo que Ruri estava fazendo: culpar alguém por algo que essa pessoa não podia controlar — por mais que eu tivesse falhado com ela por não tê-la levado ao funeral de Yuri, isso não significava que eu podia ter impedido o que aconteceu.
Pousei a mão no peito do yaoguai, concentrando-me em controlar o poder que eu havia usado para selá-lo. Senti minha mão formigar e então o coração sob a pele dourada bater lentamente. Os olhos escuros do yaoguai se abriram, arregalados, e ele arfou, como alguém que voltava a vida depois de ter se afogado.
Vi o braço de Dmitri entrar em meu campo de visão e ser puxada rapidamente para trás do meu guarda-costas. Mortícia sorriu cruelmente para Kai e o lobo correspondeu o sorriso.
— Ótimo, Senhora do Leste. — Kai comentou — Agora poderemos obter respostas.
E sinto que não vou querer saber os métodos que eles usarão para isso.
Shrek estava me guiando para fora da Yakuza quando meu celular tocou.
Era Nagi.
— Precisamos conversar. — ele intimou.
Franzi a sobrancelha.
— Isso tem algo a ver com os exames que você fez? Já tem algum laudo? — Ele não respondeu. — Droga, Nagi, custa adiantar o assunto?
— Vai vir aqui ou não?
Suspirei. Esse dia parece que não vai acabar nunca.
— Me dê algum motivo para ir. — falei, esperando vários segundos até Nagi respirar profundamente do outro lado da linha, impaciente.
— O cheiro que eu senti em você... é exatamente o mesmo cheiro que Takashi Tsubasa apresentou depois que ele lutou contra os yaoguais, há mais de três décadas. — Estanquei no meio do corredor, atraindo a atenção de Dmitri — Você ouviu, Kagome? Seja o que for que você tenha no seu corpo, é a mesma coisa que matou o seu pai.
Senti meu coração acelerar vertiginosamente.
Meu Deus... O que mais poderia acontecer hoje?
Fkake:
Bom galera, estou deixando hoje vocês na mãos da Tracy, sejam abusados por ela sem reclamar.
Apenas vindo aqui para falar que o "Porão" esta e prporcionando horas de muita risada e que sim, a gente não é normal.
Beijos e até sexta que vem, ou não.
Ladie:
Oi, gente. Eu tinha um monte de coisas para falar, mas agora não recordo. Ok, vamos com calma.
Primeiro: OBRIGADA POR DEIXAREM REVIEW EM "Como Conseguir Agarrar Um Cara em Três Eventos Científicos", vocês me ajudaram a convencer o Wateru a continuar escrevendo aquela coisa linda. Então, muito obrigada mesmo. Ele disse que ia postar capítulo novo hoje. Estou apenas esperando. (BOM POSTAR MESMO)
Tá. Sobre o spoiler que a Vitória deixou nas reviews: ACABOU QUE O SPOILER ERA MESMO VERDADE E A KAGOME COMEÇOU A MORRER. OMG. Mary e eu vamos nos retirar por alguns dias por motivos de segurança pessoal. Não nos matem. Ah... Isso me lembra outra coisa:
O próximo capítulo será lançado na sexta e depois dele Fkake e eu vamos fazer uma pausa de um mês. A gente tá bem cansadas, pessoal, precisamos de uma pausa até por que OAB tá se aproximando e a gente tem que estudar. Isso sem falar de que nós meio que fomos OBRIGADAS a decidir por essa pausa, uma vez que a coisa e o coisado resolveram se casar e tirar lua de mel (Lucius e Corina, as segundas-mentes que de Senhor do Norte, vai entender).
Ah, sim. Gente, eu to passando mal de rir com aquele grupo no face TODO SANTO DIA. Já prometeram um pote de paçocas para gente quando SN acabar (ACEITAMOS PRESENTES, GENTE), já gravamos uma vinha ultra pervertida, já teve chamada no skype para se acabar de rir. Sério. Zoeira é vida.
CEEEEEEEEEEERTO. ACHO QUE É ISSO.
