Capítulo XLVIII — Apalpe!
— Você parece que está prestes a morrer. — foi o comentário animador de Nagi. Engraçado ele dizer isso, porque alguns dias atrás era ele quem estava com aparência de zumbi. Agora ele parecia tão bem alinhado e vestido que era difícil imaginar que no dia anterior ele parecia apenas um maníaco.
— Não enche. — reclamei — Estava tão ansiosa que acabei dormindo na ala de descanso dos médicos em vez de ir para casa.
Uma enfermeira passou por nós no corredor do hospital e lançou um olhar de interesse para Nagi. Ela devia estar se perguntando desde quando trabalhava ali um médico tão bonito, já que ele estava usando o maldito jaleco — ainda tentei convencê-lo a tirá-lo, alegando que poderia ser confundido como médico do hospital por algum paciente, mas, obviamente, ele não me escutou.
— Você podia ter usado seu tempo de forma melhor.
— Indo ajudar você? — perguntei inocentemente.
— Convencendo Sesshoumaru a me ajudar. Ele não tem caráter, mas é útil.
— Nossa, e você tem muito caráter. — resmunguei, rolando os olhos.
— Está falando isso para o indivíduo que tem passado os últimos três dias tentando salvar sua vida? — Nagi estreitou os olhos.
— Certo, e já que você está tão ocupado, o que veio fazer aqui? — perguntei.
— Tinha que contar o que descobri para alguém, e já que as criadas da Mansão Corvo saem correndo de mim, você é minha única opção.
— Elas fogem por que você tem uma personalidade repugnante. — brinquei, ele apenas me encarou, bastante sério. — Está bem, parei. Só temos um problema: eu estou ocupada.
— Ocupada parada no corredor? — ele perguntou ironicamente. Então colocou as mãos nos bolsos do jaleco, tirou, soltou o ar com um grunhido. Ele estava obviamente muito ansioso.
— Estou com um humor muito bom para deixar que você me provoque. — respondi — O que você descobriu?
— Eu fiz a leitura de todos os exames possíveis e comparei com os resultados de amostras anteriores ao ataque dos yaoguais e obtive um resultado muito surpreendente... — ele disse, sorrindo de uma forma estranha. Nagi dava um horizonte diferente para a palavra "obcecado".
— Espera um segundo... — falei, erguendo a mão — Você disse "amostras anteriores ao ataque"?
— Sim, foi exatamente o que eu disse.
— Amostras minhas? Do meu sangue?
— Não, amostras de sangue de um orangotango. Lógico que são suas. — Ele realmente ficava impaciente quando era interrompido, mas isso era algo que precisava ser esclarecido.
— E posso saber como você conseguiu essas amostras?!
— Coletei na ocasião do ataque das serpentes, há seis anos. — Ele ergueu um dedo ameaçadoramente — Se você me interromper novamente com algum comentário idiota, eu saio desse hospital e deixo você morrer.
Hum... Acho que ele fica bem mais que impaciente. Apenas acenei afirmativamente, com medo do que ele faria se eu falasse alguma coisa.
— O resultado surpreendente é que... estava tudo exatamente igual. Mesmo as anormalidades eram uma constante em todas as amostras.
— Mas você não disse que meu cheiro estava diferente?
— Seu cheiro está diferente. Só que mesmo agora, está mais fraco que dois dias atrás. O que me leva a crer que seja lá qual o veneno que utilizaram no ataque, era algo que já havia no seu sistema biológico. Era algo que seu corpo já estava mecanizado para combater. O cheiro forte provavelmente é apenas o seu corpo liberando toxinas e resíduos resultantes do sistema imunológico.
— Espera... Então eu estou morrendo ou não?
— Não está, e essa é a grande questão.
— Mas você acabou de dizer que me deixaria morr... — Apertei os lábios, calando-me, diante do olhar dele. — Certo, nada de comentários idiotas.
— Você foi envenenada, se é que esta é a palavra certa, por algo que seu corpo já possuía. Só que esta mesma coisa matou Tsubasa Takashi, o que descarta que seja algo que já conheçamos. Resta saber, portanto, o que é que você e Takashi tinham de diferentes.
— Eu sou uma hanyou e ele um youkai completo. — comentei o óbvio, franzindo o cenho — O meu lado humano herdou algo capaz de matar um youkai?
— Não acho que seja tão simples. — respondeu Nagi — Um youkai e um humano são tão diferentes quanto uma esponja-do-mar e uma baleia. Só que ainda assim eles são capazes de se reproduzir, o que nos leva a crer que, em essência, eles são geneticamente iguais ou extremamente semelhantes. Essa já é uma discussão antiga entre os youkais que dedicam algum de seu tempo à ciência, mas pouco pacífica quanto às teorias. Nós, que fazemos parte desse mundo, sabemos que não existe apenas um plano físico, mas que muito do que existe faz parte de um plano espiritual. Como explicar que um youkai pode viver quase que eternamente se ele é igual a um humano, então? O seu poder de sacerdotisa, nossa imortalidade virtual... Tudo isto só tem explicação no plano espiritual que eu acabei de citar.
"Acontece que um hanyou é a união de duas criaturas com paradigmas de envelhecimento completamente diferentes. Só que esses paradigmas encontram um ponto de equilíbrio e um hanyou obtém poder de cura praticamente igual ao de um youkai durante séculos, até que essa habilidade começa a decair e o corpo de um hanyou se torna, praticamente, tão resistente quanto um humano. Veja bem, um youkai não morre de causas naturais. E nós chamamos essa característica de sobrenatural. É um nome ridículo, mas nenhum estudo foi direcionado para identificá-lo biologicamente, então vamos continuar chamando assim, certo? Acontece que essa particularidade sobrenatural está presente no corpo de um hanyou e, com o tempo, perde a eficácia. Podemos dizer, portanto, que essa característica pode ser explicada 'fisicamente' e não 'espiritualmente' e que algo herdado do lado 'humano' é que combate isso. Ou seria o contrário?"
— Calma, Nagi, eu realmente não estou acompanhando o raciocínio.
Nagi coçou o queixo recém-barbeado, pensando em como me explicar de uma forma mais fácil.
— Imagine que no seu corpo tem duas naturezas em conflito. Uma delas garante sua existência eternamente, e a outra, um prazo de validade. O seu lado youkai, o sobrenatural, impede que você envelheça, que você contraia doenças, que você morra de causas naturais. Isso significa, basicamente, que você tem o sistema imunológico mais eficaz do planeta. Um capaz de combater qualquer coisa, e que, ainda por cima, é testado constantemente pelo seu lado humano. Você entende essa ideia básica, não é?
— Entendo. Como... uma vacina? — questionei — Introduzir um corpo-estranho enfraquecido para que o sistema imunológico crie resistência àquele ente específico?
— Exatamente. — disse Nagi — Agora pense comigo: seu sistema imunológico combateu o que usaram para te envenenar, não é? A prova está nos laudos. Nada em você mudou, exceto o seu cheiro. Mas e se essa mesma coisa, que é ineficaz em um hanyou, for algo que o corpo de um youkai não estiver preparado para combater?
— E você está dizendo que foi isso que... matou o meu pai? Mas que essa mesma coisa é incapaz de me matar, por causa do meu lado humano que testa o sistema imunológico do meu lado youkai? — Busquei em minha mente qualquer coisa que se encaixasse nessa descrição, mas sem sucesso. — Você tem alguma ideia?
Nagi sorriu de forma arrogantemente confiante antes de responder:
— Envelhecimento.
Encarei-o.
— Mas isso não é uma doença.
— Tem certeza? — questionou Nagi — Deterioração de tecidos, do sistema imunológico, nervoso, gástrico... Tudo atingido pelo envelhecimento. Tem certeza que não é uma doença? A pior de todas. Uma com a qual todo humano nasce. — Ele sorriu novamente — Eu tenho que admitir que isso me deixa meio louco. Eu tenho que identificar a causa específica, mas vou precisar de amostras de sangue de outros hanyous, youkais e humanos. Bom, talvez também precise de amostras de tecido... Mas levando em consideração como você e Takashi foram contaminados, eu faço apostas em contágio sanguíneo.
— Você é louco. — falei, ainda surpresa demais para digerir toda aquela informação.
Nagi estava me dizendo, em outras palavras, que eu havia sido envenenada por envelhecimento? Como se fosse possível isolar o fator que o causasse e infectar outras pessoas com isso?
Era estúpido.
Ou não?
Quer dizer, se considerássemos realmente como uma doença... Uma que todo ser vivo possui, exceto os sobrenaturais, então não seria reconhecida como doença, uma vez que é um padrão e não casos isolados.
Quer dizer, também, que, mesmo sendo infectada por isso, eu não sofreria efeito algum por ser uma hanyou... Simplesmente por ser uma doença que eu já tinha adquirido do meu lado humano, mas que meu sistema imunológico já estava preparado para combater.
Eu sou uma idiota por achar sentido nisso?
Nesse momento, a porta atrás de mim se abriu e o Dr. Toyama saiu do quarto de Kayanno, tirando-me dos meus devaneios. Vi pela porta aberta mãe e filha se abraçando, embora Kayanno aparentemente não fizesse ideia do motivo de sua mãe estar chorando.
O médico fechou a porta e deixou as duas em seu mundo particular de alegria e alívio.
— Você estava certa. — disse o Dr. Toyama, bastante intrigado, lançando um olhar descrente para os laudos que tinha em mãos — A nova ressonância identificou apenas um tumor dessa vez, e, de acordo com a biópsia, é benigno. Até mesmo o primeiro tumor identificado sumiu. A infecção também foi curada. — Ele coçou a nuca — Isso não faz sentido algum. Vou pedir outra bateria de exames só por precaução e deixá-la de observação apenas mais um dia antes de dar alta.
— Será que a máquina de ressonância está com algum problema? — perguntei ingenuamente, Nagi percebeu que eu estava mentindo e estreitou os olhos, observando-me.
— É a única explicação, embora a máquina tenha sido calibrada há menos de um mês. Vou pedir uma revisão e pedir novos exames de todos os pacientes que usaram a máquina desde a calibragem. O que é estranho é que foram realizadas biopsias dos mesmos tumores que sumiram milagrosamente. Não faz sentido. — Ele fez um barulho de cansaço com a boca, provavelmente estressado só de pensar em todo o trabalho que teria, mas acabou sorrindo — De qualquer forma, fico feliz pela garotinha estar bem. Esse vai ser um caso interessante para o seu relatório, não é, Dra. Higurashi?
— Vou lembrar de colocá-lo. — garanti, sabendo que seria ele quem provavelmente revisaria meu relatório de residência.
— Fiquei sabendo que é seu último mês aqui. Vai tentar se integrar oficialmente ao quadro de médicos do hospital depois de obter a especialização?
— Estou pensando seriamente. — menti. Infelizmente, eu tinha certeza quase absoluta que exercer a medicina em hospitais seria impossível quando eu assumisse oficialmente a posição de Administradora.
— Está certo. — Então ele olhou para Nagi, franzindo o cenho — Já nos conhecemos?
— Eu sou Nagi. — apresentou-se informalmente.
— Você é médico? — perguntou o Dr. Toyama, olhando o jaleco de Nagi. Então deixou de lado a atitude pedante e estalou os dedos, aparentemente lembrando algo — Você disse Nagi...? Qual o seu sobrenome?
— Kazuaki.
— Kazuaki? Aquele Nagi Kazuaki? — Estranhei a animação do Dr. Toyama. Era quase como se tivesse acabado de encontrar uma celebridade — Eu assisti uma palestra sua em um seminário quando eu estava fazendo faculdade, desde então acompanho todas as suas teses! — Ele olhou novamente para Nagi, provavelmente perguntando-se como ele ainda tinha a aparência de um jovem adulto quando o próprio Dr. Toyama já beirava os cinquenta anos. — Você não seria o filho do Nagi Kazuaki que eu vi, não?
— Venho de uma longa linhagem de médicos chamados Nagi. Você vai achar sinais dos meus ascendentes desde dois séculos atrás. — Nagi respondeu de forma desinteressada. Ele já estava tão acostumado a mentir sobre isso que havia se tornado quase um bordão.
— Isso explica porque encontrei um artigo sobre tétano de um Nagi Kazuaki. — O Dr. Toyama soltou uma risadinha. Deletei completamente da minha mente a visão de ver o cirurgião-chefe do Hokkaido agir como uma tiete e comecei a pensar novamente tudo o que Nagi havia me dito.
Envelhecimento.
Então seria essa a causa da morte do meu pai? Nagi havia falado que papai tinha morrido por causa de uma simples gripe... Seria isso uma prova de que ele estava certo?
Tudo isso também implicaria que os yaoguais faziam estudos sobre youkais; em formas de matá-los. Significa que os yaoguais sabiam de coisas que nem mesmo nós sabíamos. Só refletir sobre isso já me deixava nervosa.
O inimigo havia feito o impensável: trazer a natureza humana para um corpo imortal. Trazer um fim para algo que deveria ser perene.
O sobrenatural.
Olhei para a porta do quarto de Kayanno, lembrando de ontem à noite, do milagre que Sesshoumaru havia feito acontecer diante dos meus olhos. E então uma ideia surgiu.
Olhei para Nagi, com olhos arregalados, quase sorrindo. Esperei impacientemente até que o Dr. Toyama tivesse sua curiosidade sobre Nagi sanada e se afastasse, fazendo promessas de entrar em contato, embora Nagi parecesse nada interessado nisso. Vi o Dr. Toyama virar no corredor e garanti que ninguém nos ouvia, antes de perguntar:
— Nagi... Você disse que envelhecimento é uma doença, não é? Algo que nem mesmo o sistema imunológico poderoso de um youkai é programado para combater, não foi?
— Exato.
— E o contrário? — questionei, sorrindo.
— Do quê, especificamente?
— Você disse que é possível adaptar algo da natureza humana para agir no corpo de um youkai. Seria possível fazer o contrário? Seria possível fazer o sistema imunológico de um youkai funcionar no corpo de um humano... Como... por exemplo... para curar um câncer?
Isso prendeu a atenção de Nagi. Vi quando o canto de seus lábios se ergueram lentamente. Ele parecia tão seduzido quanto eu pela ideia — embora, tenho certeza, por motivos bem diferentes.
— Talvez. — foi a resposta calculada — Mas eu precisaria dos recursos corretos. E não falo apenas de recursos materiais, mas humanos (ou youkais, tanto faz).
Meu sorriso se alargou.
— Você conseguiu me convencer, Nagi... — declarei, pela primeira vez vendo alguma utilidade em ser a Administradora do Leste — Você vai ter seu instituto.
— Como você se sente? — perguntei para Kayanno.
— Sem borboletas. — respondeu prontamente. Eu tive que rir. Eu era completamente encantada com a forma de ela ver o mundo. — Dra. Higurashi... — ela sussurrou, colocando a mão na frente da boca, como se confidenciasse um segredo. Aproximei meu rosto, olhando para os lados cautelosamente, fingindo estar muito preocupada que alguém escutasse nossa conversa — O seu Príncipe de Neve... é realmente mais bonito que o Siwon.
Segurei o riso, tarefa que se tornou impossível quando ela me encarou com olhos brilhantes de uma pequena romântica incurável.
— Você é a Princesa Corvo que se tornou Princesa de Neve. — Ela explicou — Por isso você tem cabelos de breu e olhos de Taiga, mas coração de sol.
Fiquei em silêncio, percebendo que o que ela me dizia era mais que romantização, era um elogio encantador.
— Meu coração de sol não alcança o Príncipe de Neve. — expliquei.
— Ele tem alma de sol escondida atrás do rosto de gelo. — garantiu Kayanno, soando sábia e quase condescendente, como se eu fosse a adulta cega incapaz de ver o que os olhos de criança dela enxergavam.
— Sol em meu coração e na alma dele. — repeti, embora não entendesse exatamente o que aquilo significava para ela. Independente de minhas dúvidas, ela acenou afirmativamente, como se eu tivesse encontrado a resposta para todos os mistérios do universo.
Voltei para casa assim que os exames de Kayanno foram feitos mais uma vez e ela recebeu a promessa de alta para o dia seguinte. Meus olhos se encheram de lágrimas de ver a expressão feliz dela quando soube que seu cabelo finalmente poderia crescer. Ver isso fez com que eu sentisse tanta gratidão por causa de Sesshoumaru, que juro por tudo que é mais sagrado que eu teria o abraçado se ele estivesse comigo no momento — por sorte não estava, e eu recobrei o juízo.
Descobri que Dmitri havia passado a noite toda no hospital, só que na recepção. Senti muita pena dele. Ultimamente eu tenho tornado a vida do coitado realmente difícil. Sei disso porque ele até mesmo sorriu quando eu prometi que ficaria em casa por alguns dias para que ele pudesse descansar.
Por fim, depois de três dias de inferno, entrei no quarto e deixei escapar um suspiro exausto.
Eu precisava urgentemente de um banho. Sesshoumaru não estava em casa. O resultado foi uma Kagome sem pudor tirando a roupa no meio do quarto — dele — e correndo para o banheiro.
Permiti a mim mesma um banho demorado e ainda quis me sentir linda e cheirosa, ou seja, peguei um dos cremes caros que ganhei de casamento da Tomoyo, segui até a cama apenas de toalha e comecei a passar o creme, sem me importar com a possibilidade de Sesshoumaru entrar no quarto. Afinal, aqui em Tóquio o escritório era em um cômodo separado e com certeza meu marido estaria lá e não viria tão cedo, uma vez que havia perdido antes um dia todo de trabalho por minha culpa.
Comecei a me questionar o que Sesshoumaru estaria fazendo. Sei que a opção "trabalhando" cobria 80% das possibilidades, e isso é muito deprimente. Não posso deixar de estar agradecida por ele ter deixado o trabalho no Tai Group para me acompanhar até o Hokkaido, e, ainda por cima, salvar Kayanno.
Sorri, tirando a toalha para passar o creme por todo o corpo, e pensando em como Sesshoumaru havia me surpreendido com o que fizera. Agora, eu não conseguia mais enxergá-lo apenas como um youkai sem sentimentos. Talvez ele tivesse alguns. E se não os tinha, pelo menos se importava em fazer coisas boas.
Como salvar e cuidar de Rin.
Arregalei os olhos, finalmente lembrando algo. Como os últimos meses foram um verdadeiro inferno e Sesshoumaru e eu não tivemos nenhuma oportunidade de conversar (certo, seria mais um monólogo meu, obviamente) sobre o fato de eu ter conhecido Jaken, Rin e até a mãe dele, eu tinha esquecido completamente de mostrar a minha mais preciosa relíquia.
Coloquei a toalha em volta do corpo e olhei em volta. Kazuki, muito capciosamente, havia mandado que as criadas colocassem minhas coisas no quarto de Sesshoumaru, mas não lembro de ter visto o meu álbum de fotos ali. Assegurei-me que a toalha estava bem presa e fui em busca do álbum perdido, encontrando-o dez minutos depois dentro de uma gaveta no closet.
Levei para o quarto, sentando-me na cama e abrindo-o. Foi como acionar uma granada de nostalgia. Ali, naquele álbum, estavam as fotos que eu fortuitamente tinha tirado quando havia levado uma câmera fotográfica para a Era Feudal.
Acho que fazem quase nove anos desde a última vez que eu abri esse álbum, apenas pelo simples fato de não poder suportar a realidade de nunca mais poder ver Inuyasha e os outros. Só que agora… É muito estranho dizer isso, mas eu não senti melancolia ou tristeza, apenas a boa sensação de lembrar dos meus amigos. Era realmente surpreendente perceber que depois de todos esses anos, eu finalmente tinha superado a perda. Talvez porque o destino tinha trazido Shippou e Sesshoumaru de volta para mim, talvez apenas porque eu tivesse amadurecido… Quem vai saber, não é? Posso ficar feliz pelo simples fato de olhar essas fotos e lembrar de coisas boas.
Sangô. Miroku. Kirara. Kaede. Estavam todos ali. E Inuyasha era o astro da minha pequena coleção de lembranças. Eu havia capturado dezenas de nuances em expressões e olhares. Sorri, acariciando as fotos carinhosamente. Havia fotos de Shippou também, e mal posso ver a hora de mostrá-las para ele. Passei algumas páginas e então encontrei o que estava procurando.
Tirei a foto do álbum, corri para o closet, vesti um short jeans e camiseta, e então fui muito ansiosamente procurar Sesshoumaru.
Essa sou eu, sendo frustrada por não encontrar Sesshoumaru em casa. Resultado: fui para a cozinha, completamente deprimida, atrás de sorvete. Porque sorvete cura tudo.
Encontrei Dmitri e Jinx: ele aparentemente estava fazendo o jantar (a julgar pelo chiado que ouço da frigideira e a espátula que ele segura com naturalidade) e ela digitando freneticamente algo em um notebook.
— Oba! Cheguei na hora certa.
— Quase certa, ele começou agora a fazer algo para me alimentar. — comentou Jinx sem tirar os olhos da tela do note. Sentei-me ao seu lado. — Aproveite que ganhei a aposta e ele vai cozinhar, peça algo difícil de ser preparado e desconte do salário dele se você não gostar do sabor... Mas também dê uma bonificação se gostar, afinal, o que é justo é justo.
— Que aposta?
— Nada demais. — ele comentou, jogando cubos de carne vermelha na frigideira.
— Não fique tímido. — Ela se inclinou na minha direção. — Apostamos sobre quem conseguiria hackear o sistema de papai... Eu consegui, ele não. — Ela olhou para o irmão com um olhar de superioridade. — Seu incompetente.
— Eu estava cansado, não valeu a aposta.
— Como é que o papai fala mesmo? — Ela ficou ereta e imitou perfeitamente aquela expressão calma de Kazuki. — "Não encontre desculpas, encontre soluções!"
— Não imagino o Kazuki falando isso.
— Se fosse filha dele, você imaginaria.
— O que vai querer comer, senhora Kagome?
— Aceito o mesmo que a Jinx. — falei.
— Certeza? Eu gosto de comidas apimentadas. — ela avisou.
— Hoje meu espírito está aventureiro.
— Uia... Dim, bota quentura nisso aí.
— Você quis dizer pimenta? — ele questionou, olhando por sobre o ombro e erguendo uma sobrancelha.
— Não, lava derretida... Claro que falei de pimenta, meu amor. — Jinx piscou para o irmão e eu sorri.
— Certo, amor. Pimenta... Vou colocar o suficiente para te abrir uma úlcera.
— Você é testemunha de como eu sofro, Kagome. — ela sussurrou enquanto suspirava.
— Senhora Kagome — corrigiu Dmitri.
— Me chame apenas de Kagome... — pedi, olhando feio para o meu guarda-costas — E sim, sou testemunha, conte com meu depoimento.
Rimos e Dmitri começou a caminhar pela cozinha, levantei para ajudá-lo a colocar a louça e os hashis no balcão. Peguei suco na geladeira e não demorou muito para que estivéssemos os três sentados.
Primeira garfada e... eu tenho que admitir que esse maldito sabe cozinhar.
— É o carro de Sesshoumaru. — Jinx comentou, olhando para a tela do computador.
— Senhor Sesshoumaru. — Dmitri a corrigiu, suspirando exaustamente. — Nosso pai vai ter que desafiar aquele desgraçado por te deixar com hábitos tão ruins.
— Que desgraçado? — perguntei entre as tarefas de beber grandes quantidades de suco e abanar meus lábios, numa tentativa de me livrar dos efeitos nada agradáveis da comida apimentada. Dmitri e Jinx se entreolharam, e ela estava a ponto de me responder com um sorriso quando eu a interrompi, dizendo, muito surpresa — Espera… Como você sabe que Sesshoumaru chegou?
— Estou monitorando as câmeras.
Cuspi o suco que tratava de beber.
— Tem câmeras aqui?! — questionei muito pálida (o que era extremamente difícil, já que meu rosto ainda estava afogueado por causa da comida). — Dentro da casa?
— As internas foram desligadas logo quando acabou a lua de mel de vocês. — Ela sorriu maliciosamente para mim, o que me fez ter certeza de que ele certamente me viu andando de calcinha de Charmander e camiseta pela casa. Ruborizei. — Senhor Sesshoumaru mandou desligar. Por que será?
Desviei os olhos, fingindo que não fazia ideia do que ela estava falando, então apenas terminei com o suco em meu copo e me levantei, pegando a foto que eu havia deixado ao meu lado no balcão.
— Bom, obrigada pelo jantar, obrigada pela companhia. Tenho que fazer algo agora.
Entrei no escritório de Sesshoumaru e o encontrei andando de um lado para o outro, falando ao celular. Ao me ver, ele simplesmente terminou a chamada e colocou o aparelho no bolso do terno. Por algum motivo que não sei qual, ele parou e ficou me encarando. Notei que ele ergueu um pouco o rosto e inspirou rapidamente, como os cachorros fazem quando estão farejando, mas de uma forma muito mais discreta — afinal, não dá para imaginar Seshoumaru fungando o ar.
— Creme novo. — respondi apenas, supondo que o cheiro que ele havia percebido vinha de mim — Não gosta? — Ergui o braço e cheirei o pulso.
Ele seguiu até a mesa, abriu o notebook e coçou o queixo levemente enquanto esperava a página do sistema operacional carregar. Soltei um suspiro e sentei na cadeira à frente dele.
Sesshoumaru realmente tinha a habilidade de ser inacessível.
— Tenho algo para você. — falei, olhando para a foto em minhas mãos, nem precisei erguer o rosto para saber que Sesshoumaru estava me ignorando completamente.
Suspirei, fechei o notebook dele (sim, isso mesmo) e coloquei a foto de cabeça para baixo em cima do computador. Estou ousada hoje. Meu espírito aventureiro correria o risco de irritar Sesshoumaru, então apenas sorri quando ele me encarou com olhos estreitos.
— Isso é um presente. — falei, indicando a foto com uma guinada de rosto. O celular em cima da mesa começou a tocar; Sesshoumaru sequer olhou para ele. — Não vai atender? — questionei. A julgar pela falta de reação, não, ele não atenderia.
Esperei até que o barulho irritante parasse e então sorri animadoramente.
— Então dê uma olhada na foto que dei para você. — indiquei.
O celular voltou a tocar, Sesshoumaru continuou a me encarar. Eu já estava ficando irritada com isso. Minha vontade era de pegar minha maldita foto, virar as costas e deixar essa mula idiota mofando nessa porcaria de escritório. Custava pegar a foto?
Ouvi o toque irritante do celular mais uma vez. Ah, dane-se, perdi a paciência!
Levantei-me e peguei o telefone, atendendo com um irritado:
— Quem é?!
A pessoa do outro lado da linha ficou em silêncio, provavelmente confusa com o fato de ter se deparado com um interlocutor inesperado.
Depois de alguns segundos, um homem falou, em inglês:
— Quem está falando?
Ergui as sobrancelhas, surpresa. Nem havia me tocado que Sesshoumaru estava falando em inglês quando eu havia entrado. Era verdade que, em questão de conhecimento, eu era praticamente fluente em inglês, mas isso não significa que eu tenha confiança para conversar com alguém nativo na língua.
Sesshoumaru levantou-se da sua cadeira e deu a volta na mesa, com intenção de tirar o celular de mim. Puramente por teimosia, eu me afastei um passo e respondi, também em inglês:
— A mulher de Sesshoumaru.
Acho que woman soou muito íntimo, mas eu não recordei as palavras que poderia usar para dizer que estava casada com Sesshoumaru. Enfim, quase sorri para mim mesma de como havia soado profissional e confiante, mas me controlei, tencionando fingir que encarava a situação com naturalidade. Sesshoumaru ficou parado em frente à mesa, com as mãos no bolso da calça social escura.
— Ah, sim, a criança de Takashi. — foi a resposta animada do homem, estreitei os olhos ao ouvi-lo mencionar o meu pai — Sesshoumaru lhe pediu para atender esta chamada?
— Acho que não. — respondi. Ele trata Sesshoumaru apenas pelo nome dele? Digo... Eu faço isso, mas é que eu não tenho exatamente bom senso.
— Imaginei. Pois bem, já que você atendeu, que tal negociarmos? — O tom de voz dele era calmo, bastante rígido, quase militar. Temi que ele pedisse para que eu batesse continência e o tratasse por "sargento".
— Negociar? É claro, Sesshoumaru não vai se importar.
— Tenho certeza que não. Você poderia fazer um favor para mim? — Ele questionou.
— Posso sim, basta pedir.
— Sesshoumaru está com você?
— Hum... Sim, está. — respondi, avaliando Sesshoumaru teatralmente da cabeça aos pés.
— Então, por favor, pegue a carteira dele. Se não estiver no bolso interno do terno, vai estar no bolso traseiro direito da calça dele.
Troquei o celular de mão e segui até Sesshoumaru, usando a mão direita para bater no peito e no abdômen dele, procurando algum relevo que indicasse a localização da carteira. Para qualquer desavisado, provavelmente pareceria que eu estava apalpando ele de forma descompromissada, mas se havia uma coisa que já entramos em consenso é o fato de eu não ter bom senso. O próprio Sesshoumaru estreitou os olhos para mim diante de todo o contato físico desavisado, reação que me fez sorrir, divertida.
Como não encontrei no terno, segui para a segunda pista, e coloquei a mão no bolso traseiro de Sesshoumaru. A-há! Tirei a carteira de couro do bolso dele.
— Estou com a carteira. — falei, usando o ombro para equilibrar o celular contra o meu ouvido enquanto abria a carteira de Sesshoumaru. Achei três cartões internacionais ilimitados, dinheiro, cartões de visita e sua carteira de motorista. — Aqui diz que você tem trinta e dois anos, querido. — brinquei ingenuamente, dessa vez falando em japonês. Sesshoumaru desviou os olhos para o teto, irritado.
— Há um cartão prateado na carteira dele, por favor, ache-o. — instruiu o homem. Fiz o que ele pediu. Respondi um "pronto". — Há uma linha de série atrás do cartão, você pode repetir para mim?
— É claro. KHTT-151821-243D0Y1-N.
— Muito obrigado.
— Apenas para encargo de consciência: o que eu acabei de lhe dar?
— A senha de acesso ao servidor de Sesshoumaru. Por favor, avise-o que vou deixar as coordenadas arquivadas. — Eu havia feito o quê?! Como Sesshoumaru não mostrou reação alguma, imagino que não tenha feito nada realmente grave. — A propósito, adorei negociar com você, atenda as minhas ligações das próximas vezes. Mande abraços ao Daiki. Diga que estou com saudades daquele corpo gostoso dele.
— Sei... E quem é você?
— Richard. Espero revê-la em breve, Kagome. — e desligou. Esse desconhecido maluco acabou de me chamar apenas pelo meu nome ou foi impressão minha? Aliás, como ele sabia meu nome?
Suspirei. Eu só atraio essa gente estranha, isso é um fato. Estendi o celular para Sesshoumaru, e como ele se recusou a tirar as mãos dos bolsos para pegá-lo, eu apenas deixei-o em cima da escrivaninha, aproveitando para pegar a foto que ainda estava intocada em cima do computador dele.
Ergui a foto na altura do rosto de Sesshoumaru, quase esfregando em seu nariz arrogante e o obriguei a olhá-la. Foi quando eu finalmente vi alguma reação da parte dele: franziu ligeiramente as sobrancelhas perfeitas, confuso, e então me encarou.
— O que significa isso? — questionou.
— É uma foto de Rin. — falei, virando a foto para mim e olhando a expressão sorridente de Rin, usando seu quimono laranja e negro. — Eu tirei quando estava na Era Feudal... Jaken não deixou que eu o fotografasse, dizendo que eu queria roubar seus poderes. — Ele continuou me encarando e meu sorriso foi sumindo aos poucos. — Você não gostou?
Sesshoumaru desviou o olhar para a foto e ficou observando-a com expressão grave. Surpreendi-me quando ele pegou a foto das minhas mãos.
— Por quê? — ele perguntou simplesmente, e imagino que o questionamento seja sobre o motivo de eu lhe dar aquela foto.
— Imagine como um... Deixe-me ver... agradecimento. — expliquei — Por tudo que você fez. Não, dessa vez, vamos dizer que é apenas por ter salvo Kayanno.
— Eu não fiz isso pela humana. — ele respondeu secamente.
— Então fez por quem? — questionei, inclinando o rosto para estudar melhor sua expressão imutável. Aproximei-me um passo, já sorrindo. — Você fez por mim?
Ele desviou os olhos e colocou a foto sobre a escrivaninha, preparando-se para se afastar, mas eu fui mais rápida. Sim, eu havia perdido meu juízo e agi antes que pudesse pensar: simplesmente passei os braços em volta da cintura de Sesshoumaru e me apertei contra ele.
Vários segundos se passaram até que eu percebesse que estava abraçando um Sesshoumaru completamente imóvel. Eu ruborizei, chocada, mas, alguns segundos depois, vi-me sorrindo. Havia sido uma coisa muito idiota para se fazer, mas agora eu estava satisfeita por ter feito.
Afastei meu rosto do peito dele para encará-lo.
— Isso... — falei, afastando-me um pouco e segurando seus braços — é uma demonstração de afeto. Eu acho que você compreende o conceito, mas não a prática. — Senti que ruborizava ainda mais, mas não cedi, coloquei os braços dele em volta de mim e voltei a abraçá-lo — Viu? É tão difícil?
Fechei os olhos e encostei minha testa contra o peito dele, numa tentativa de tentar dar tempo a mim mesma para apaziguar meus sentimentos confusos: por um lado, havia a satisfação egoísta de forçá-lo a algo que obviamente não gostava; por outro, havia a extrema vergonha de obrigá-lo a uma situação hipotética de carinho. Realmente não sei qual das duas prevalece.
Suspirei, e só então percebi algo bastante perturbador: Sesshoumaru não me afastara.
De repente, senti-me tão confusa, que dei um passo para longe dele. Pensei que ele me afastaria, mas não compreendo por que senti prazer ao perceber que ele não o fizera. Respirei algumas vezes, incapaz de erguer os olhos e encará-lo. Então percebi a foto na escrivaninha, que ele havia deixado virado para cima.
— Vou fazer direito. — eu disse, com um sorriso embaraçado, apanhando a foto. Ele sequer me olhou, apenas deu a volta na mesa, abriu o computador e me ignorou novamente. Deixei escapar um suspiro e avisei. — Vou emoldurar para você.
E saí do escritório em busca de porta-retratos. Na verdade, isso foi apenas uma desculpa muito esfarrapada para sair e me acalmar sem que ele percebesse como eu havia ficado abalada com o simples fato de ele não ter me afastado.
Revirei a casa e não encontrei nada, até mesmo perguntei para uma das criadas, mas ela apenas resmungou algo que duvido um pouco se era em japonês e sumiu. Como não encontrei Dmitri por parte alguma, resolvi fazer algo que estava acostumada na Mansão Corvo, apanhei um bloco de papel-adesivo que usava para fazer anotações livros e escrevi:
"Tem algum porta-retratos que posso usar aqui em casa? By Kagome"
Voltei para o escritório de Sesshoumaru, apenas para encontrá-lo digitando algo no computador. Eu já estava calma o suficiente para não deixar que ele percebesse como eu estava confusa. Engraçado que, apesar disso, eu na verdade queria ficar perto dele.
Peguei um dos livros de administração de Sesshoumaru e sentei no sofá. Sete capítulos mais tarde precisei levantar para esticar as costas. Voltei minha atenção a Seshoumaru, ele parecia que lia algo por conta da forma que movia o botão de rolagem do mouse. Suspirei.
— Você nunca tira uma folga? — Como ele não mostrou que estava prestando atenção, continuei meu monólogo. — Passar um dia inteiro sem trabalhar. Você nunca faz isso? — Estou abusada hoje, então abaixei a tela do notebook dele, finalmente recebendo um olhar. — Você sabe o significado de "férias"? Sinceramente, você e o Hideo ficam nessa de planos ardilosos de conquistar o mundo e nem mesmo se preocupam em descansar um pouco. Até vocês precisam.
— Terminou?
Suspirei e caminhei até a porta, resmungando sobre como ele era ingrato e cretino, incapaz de se deixar amolecer pela preocupação alheia. Voltei, lançando um olhar irritado para ele, apanhei meu livro (sim, me apossei dele) e saí do escritório em direção à cozinha, onde encontrei Kazuki, Dmitri e Jinx parados em frente à geladeira, junto com duas criadas. Notava-se pelo rosto delas o quanto estavam confusas. Aproximei-me.
— Aconteceu alguma coisa? — questionei curiosa com o motivo de tamanha comoção.
— Senhora Kagome. — falou Kazuki, virando-se para mim. — Gostaria de saber onde encontrar um porta-retratos?
— Sim.
Kazuki apanhou o bilhete da geladeira.
— Vou providenciar um para a senhora.
— Desculpe pelo bilhete, mas é que não encontrei ninguém que pudesse tirar a dúvida.
— Não há problema algum com o bilhete, senhora Kagome. — ele sorriu amigavelmente. — Dmitri, pode resolver este assunto?
— Claro.
Fiquei sem entender se ele havia sido apenas educado ou não. Na próxima oportunidade que tiver, vou colocar bilhetes na geladeira e ver o que acontece, pois de certa forma Sesshoumaru me parece alguém que ficaria profundamente incomodado se encontrasse papeis-adesivos em sua geladeira. Ou em seu escritório. Ou seu quarto.
Hum…
Apesar de estar quase passando mal de rir só de imaginar em fazer algo do tipo, eu desisti dos planos malignos. Mas só por hoje, porque está tarde, e porque eu preciso dormir depois dos últimos dias.
Descobrir que não vou morrer e que Kayanno sobreviveria haviam preenchido o dia com coisas boas. Vou dormir de uma vez e não desafiar o destino a acabar com a minha felicidade.
Ladie:
AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAEW! CAMBADA, ESTAMOS DE VOLTA. Agora perguntem se paramos de escrever nessa pausa. NEM UM DIA SEQUER. Aí foi que a gente surtou e escreveu para caralho e a gente já está praticamente entrando no último arco da história. Mal vejo a hora de vocês lerem, por que tá foda para caralho. Sério, eu que sou uma das autoras to surtando porque tá muito amor. Vocês vão nos odiar e nos amar e nos odiar de novo. Vai ser lindo!
Bom, agora vamos que vamos. Semanal novamente e só pretendemos parar agora no epílogo. UHULES!
Próximo capítulo na semana que vem.
Beijos da Ladie para todos (e amor selvagem para você Mary, que sou dessas).
Fkake:
Saudades? Sei que não, bom, estou aqui apenas por força maior (Tracy: sou maior, mesmo) (força da Tracy me mandando comentar) estou passando mau, pois comi pracaraio, superarei isso. Bom, espero que tenham gostado do capítulo agora acredito que voltará a ser semanal, temos capítulos suficiente para manter um bom ritmo de postagem como antes, qualquer coisa, a gente vai aumentar o tempo de intervalo de um cap para o outro, mas isso vai ficar com o tempo. Estamos finalmente na reta final da fic, 80% concluída, acredito. Sinceramente (e modestamente falando) estou muito satisfeita com o nosso trabalho, tenho pena da Tracy que fica com toda parte chata do trabalho enquanto eu só tenho que ficar fazendo cenas idiotas, enfim, te amo Ladie e espero que perdoei minha incompetência xD Sem mais nada a declarar, dúvidas e criticas aceitamos de boa, espero que comentem oq gostaram e deixaram de gostar. Que a força esteja com vocês e vai He-Man
