Capítulo LX — Missing Scene VIII
(Sem querer perturbar, mas vou assumir um pouco a narrativa. Dmitri.)
Senhora Kagome estava animada. Não sei exatamente o que havia acontecido para ela ter acordado tão bem disposta essa manhã, ainda mais quando ela tem sido puro mau-humor nas últimas semanas. Se não fosse muito estranho, tinha ainda o fato de que a vi dormindo na sala. Pensei que ela estaria com as costas doloridas e irritada, mas não, a minha senhora estava muito bem disposta. Fiquei curioso e me aproximei, sentando ao seu lado ao balcão. Ela parou seu monólogo agitado e se direcionou a mim com um sorriso contagiante:
— Bom dia.
— Bom dia. Está bem animada hoje, senhora Kagome.
— Ka-go-me. — ela disse pausadamente franzindo o semblante, em seguida suspirou e pegou um pedaço de bolo. — Essa formalidade que você e seu pai têm ainda vai me matar.
— Espero que não.
— Estava entediada então comecei um novo jogo de RPG, é o novo Final Fantasy... Vai me ajudar?
Droga, eu realmente odeio o fato de ela conhecer tão bem meu ponto fraco, simplesmente desprezo o nerd que sou por causa disso. Muito bem, não caia mais uma vez nesse truque barato, Dmitri, seja forte e esperto, como todo bom tai hanyou deve ser.
— Talvez mais tarde. — Ela percebeu minha insegurança e sorriu de leve. Muito cuidado, Dmitri, ela pode sentir o cheiro do seu medo (por sorte, não literalmente).
— Tem certeza?
— Tenho... Então, senhora Kagome, qual o motivo de estar tão animada logo pela manhã?
— Consegui estourar o limite do cartão do Sesshoumaru esse mês.
— Como é que é?
— Estourei o limite dele... Comprei alguns presentes para o meu irmão mais novo e outros para minha mãe, mais uma reforma no templo para meu avô e algumas doações para caridade... Enfim, consegui estourar o limite!
Fiquei a encarando meio perplexo, ainda mais por causa do sorriso resplandecente dela. Respirei fundo e balancei a cabeça confuso.
— Está feliz por causa disso?
— Sim.
— Como conseguiu isso?
— Eu não sei! — ela ergueu os braços animada — Apenas sei que recebi a ligação do gerente essa manhã, ele pediu para fazer um depósito para liberar o cartão. Passei para o seu pai.
— Está realmente feliz com isso?
— Claro que estou. É quase como se eu tivesse cumprido meu objetivo de vida... Certo, me sinto meio sem rumo agora, o que mais posso ter como meta de vida? — Dei de ombros, sem saber o que responder. Até por que acho que ela tinha esquecido do detalhe que o cartão de Sesshoumaru era ilimitado. Acho mais fácil meu pai ter ligado para o gerente e pedido que ele dissesse tal coisa apenas para animar a senhora Kagome. Eu sei que esse é um jeito muito estranho de tentar animá-la, mas estranho é quase um sinônimo de Kagome — Já sei! — ela espalmou a mão na outra. — Derrotar o Ryuuji, venha comigo!
— Para onde?
— Treinar.
— Mas senhora...
Ela segurou meu braço e me puxou, vi-me obrigado a seguir com ela até a sala de treinamento (onde ela praticamente havia passado 2/3 do tempo dela treinando com Ryuuji desde que o senhor Sesshoumaru havia viajado).
Apenas quando entramos na sala, foi que ela se lembrou que não estava vestida adequadamente para um treino e pediu para eu esperasse. Soltei um suspiro e tirei o cinto, junto com a camisa social que usava, ficando apenas com a regata que sempre usava por baixo da camisa. Kagome retornou alguns minutos depois com uma short de lycra e camisa regata branca, um conjunto que era de fato confortável e maleável, mas obviamente muito revelador.
Se ela vem usando isso para treinar com Ryuuji, então finalmente compreendo o humor de dragão (com perdão do trocadilho) com o qual ele tem andado ultimamente.
— Senhora Kagome... — comecei, perguntando-me como poderia dizer para ela o quanto aquilo era inadequado.
— Andei treinando com o Ryuuji desde que ele voltou, então já vá sabendo que não precisa pegar leve comigo. Aquele demônio tem me treinado para a guerra Média, por que ó...
— Não estou muito à vontade com a ideia de treinar com a senhora. — falei de forma hesitante.
— Deixa disso, preciso de sua ajuda para treinar e não tem nada demais.
Suspirei e estralei o pescoço, ainda indeciso se deveria realmente levar aquilo adiante — diferente de Ryuuji, tenho grandes problemas em acertar algum golpe em minha senhora.
Ela pareceu notar isso, então me acertou um soco no ombro, arregalei os olhos, surpreso com a força, então ela mudou ligeiramente a posição dos pés, invertendo a base, e me acertou outro, com ainda mais força. Dei um passo para trás, recuando, e ela assumiu posição de ataque, mantendo a mão esquerda na altura da cintura, demonstrando o cuidado em não deixar a própria guarda desprotegida. Soltei um pesaroso suspiro e adotei uma posição mais defensiva.
Kagome começou o ataque com um chute na minha perna, foi algo que identifiquei ser do muay thai; em seguida veio um soco de mão aberta que quase acertou meu nariz... Ela não estava para brincadeira, portanto, meu lado competitivo despontou e, quando dei por mim, estávamos em uma luta calorosa, onde não havia mais nada que técnicas marciais aplicadas sobre técnicas. Acredito que ela queria vencer Ryuuji pela técnica acumulada com a inteligência. Afinal, em força ele é obviamente superior.
Guardei para mim o elogio que se formava. Ela lutava como uma hanyou de primeira linha de ação. Furtiva, rápida e inteligente. Seria uma ótima agente.
Dois socos me tiraram de meus pensamentos e fizeram com que eu me concentrasse na luta. Tentei recuar de um gancho que acertou meu queixo, mas não consegui a tempo. Afastei-me três passos, sacudindo a cabeça. Ela estava mudando de modalidade com muita rapidez.
A questão é que eu era melhor em lutas de chão, sendo assim, realizei uma manobra simples: parti para cima de Kagome, que espalmou as mãos em minha costas para se afastar, mas, como sou bem maior que ela, ainda consegui abraçar suas pernas e puxá-las para meu lado esquerdo. O som do corpo dela atingindo o chão invadiu o meus ouvidos, então pisquei, preocupado, mas logo voltei à luta quando ela acertou um cruzado no meu maxilar. Ouvi um estralo e me perguntei se ela tinha deslocado meu queixo.
Prendi as mãos dela e tentei executar uma chave de braço conhecida como arm lock, mas ela se fez de seu pequeno tamanho para escapar e conseguir ficar sobre minha barriga. Sim, não sei explicar como ela conseguiu esse feito, só que havia feito e eu comecei a procurar formas de inverter nossa posição, colocando as mãos nas coxas dela e tentando empurrá-la com o quadril.
Não passou pela minha cabeça que a posição em que estávamos poderia ser interpretada de alguma forma errada. Não podia imaginar que, de repente, ela seria arrancada de cima de mim pelo senhor Sesshoumaru, enquanto eu recebia dele um olhar de fúria como jamais tinha visto em seu rosto.
O que eu fiz diante disso?
Me resignei a ficar sem saber como agir.
LADIE
AGORA É SÉRIO GENTE
SEGUREM AS CALCINHAS
GRANDES EMOÇÕES NO PRÓXIMO CAPÍTULO
BEIJOS DA LADIE
