Capítulo LXI — Oba-Oba
Encarei Sesshoumaru, surpresa. Meu coração palpitava e meu corpo inteiro formigava, em razão do esforço físico e da adrenalina resultantes da luta com Dmitri. Apesar de eu estar tão alerta, não conseguia compreender por que Sesshoumaru estaria tão furioso. Fúria demais até para alguém como ele, que tinha "raiva" como o único sentimento com permissão para ser demonstrado.
Eu ainda estava ofegante e vi Ryuuji e Richard parados ao lado da porta. Não faço ideia de há quanto tempo eles estavam ali, mas não me surpreenderia se eles tivessem sido atraídos pelo barulho da minha luta com Dmitri.
— Não sabia que Sesshoumaru tinha adquirido um brinquedo tão legal. — disse Richard sorrindo, eu estava nervosa demais para me perguntar quando é que Richard havia chegado de viagem. Ou Sesshoumaru. — Dmitri, posso experimentá-lo depois que você terminar?
Isso, aparentemente, foi a gota d'água para Sesshoumaru. Só tive tempo de franzir o cenho e alguns segundos depois me ver planando sobre o chão do corredor.
Eu não sabia que podia voar. Simplesmente não sabia dessa minha habilidade especial até aquele prezado momento. Mas, espere um momento, eu não estou realmente voando. Sesshoumaru que me carregava pelos corredores de casa, e sim, estou embaixo do braço dele me sentindo um livro que alguém carrega pelos cômodos da casa procurando o local mais agradável para começar a lê-lo.
Estava pronta para questionar o que ele achava que estava fazendo, mas, quando abri a boca, ele me colocou no chão. Ou seja, a cena era Sesshoumaru em pé, na minha frente, com o rosto franzido e eu com a boca entreaberta, completamente contrariada. Sacudi a cabeça, tentando fazer minha mente voltar a trabalhar, coloquei as mãos na cintura em uma postura de reprovação.
— O que você acha que está fazendo? Não pode simplesmente interromper meu treinamento e sair me carregando como se eu fosse um saco de batatas, Sesshoumaru.
— Sesshoumaru pode sim. — ele respondeu, obviamente transtornado, tentando controlar a irritação.
Não deixei que ele me intimidasse.
— Você assustou o Dmitri! Depois disso, ele não vai mais querer treinar comigo.
— Excelente. — ele respondeu, com um rosnar baixo, enquanto virava as costas e seguia para o closet.
— Sesshoumaru! — chamei, sem que ele me desse atenção. Suspirei, seguindo-o. — Você não pode fazer isso! Sabia que você sumiu por semanas sem me dar qualquer explicação?
— Tome um banho, troque de roupa. — ele rosnou ao meu lado, jogando algumas peças de roupa contra meu peito. Segurei as peças de roupa, apenas por instinto, e deixando escapar um "hã?" bastante confuso.
Ele apenas ficou me encarando, esperando que eu fizesse o que ele havia mandado. Joguei as roupas numa poltrona e reclamei:
— Não vou. Vou continuar treinando e nem se atreva e me interromper de novo! — saí do closet pisando duro. Na minha imaginação, havia lindos e perfeitos rostos sesshoumarurianos estampados no porcelanato, e era neles que eu pisava sem dó nem piedade.
Dei dois passos para fora do closet e senti a mão de Sesshoumaru fechando em torno do meu antebraço, fazendo com que eu me virasse. Fiz uma careta de dor e senti o aperto ser afrouxado.
— Me solta.
— Onde pensa que vai?
— Treinar. Quer que eu soletre?
— Sesshoumaru a proíbe. Ninguém irá treinar com você. Nem Ryuuji e muito menos Dmitri.
— Ah claro, suponho que Kazuki e Richard também estejam fora da lista daqueles que podem treinar comigo. — ele não respondeu, mas o estreitar de olhos denunciou que era exatamente isso o que ele estava pensando. — Eles não vão me machucar! Isso é bobagem, sabia?! Eu treinei com Ryuuji e até ele tem se controlado razoavelmente. Isso sem falar na vergonha que eu vou passar. Daqui a pouco as criadas vão começar a fofocar por causa do seu piti. Vão dizer que você surtou com ciúmes porque Dmitri estava me tocando ou coisa assim.
Ele não respondeu, apenas me soltou e caminhou na direção da porta, pisquei algumas vezes e antes que pudesse me impedir, comentei:
— Está vendo? É porque você age assim que elas vão fofocar.
Ele parou de andar. Por um momento pensei que ele iria suspirar, mas Sesshoumaru apenas girou o corpo lentamente e ficou me encarando, com aquela cara de limão podre.
— O que foi? — questionei, tentando entender por que ele estava me encarando como se eu fosse uma humana estúpida incapaz de ver uma coisa óbvia. Passei um minuto inteiro tentando entender, até perceber que a coisa óbvia era que ele realmente parecia estar com ciúmes. — Você está com... Mas... — comentei incrédula com a ideia, balancei a cabeça e ri. Ele permaneceu parado e quieto, então virou as costas, seguindo para a escrivaninha e abrindo uma gaveta, de onde tirou algumas pastas. Fiquei abrindo e fechando a boca, incrédula, até que andei na direção dele e dei a volta, ficando de frente para Sesshoumaru. — Você está? — Arregalei os olhos quando ele não desviou o olhar. — Meu Deus, Sesshoumaru, isso não é engraçado! Você não pode simplesmente ficar calado, esperando que eu adivinhe o que você está pensando, então basta responder com um "não" depois que eu perguntar "você está?", entendeu?
Ele estreitou os olhos, mas disse apenas:
— Jinx treinará com você de agora em diante.
Era frustrante tentar lidar com Sesshoumaru. Ele não é apenas omisso, é quase um comissivo negativo. Você tem que chutá-lo para tirá-lo da inércia completa.
Fiquei sem saber como agir diante da tentativa dele de fugir do assunto. Estava tão concentrada em pensar no que fazer, que não percebi quando ele passou a me ignorar, apenas me tocando desse fato quando ouvi o som do computador sendo ligado.
De repente, eu me sentia exausta. Cansada de amar uma pessoa completamente inacessível como Sesshoumaru, de tudo que aconteceu nos últimos anos, de viver às voltas com a frustração de jamais saber o que meu marido pensa. De ter que policiar minha vontade de simplesmente vomitar tudo o que eu sentia e ver Sesshoumaru se afastando de vez.
— Com a Jinx? — questionei, quase friamente, enquanto ele se sentava na cadeira dele e encarava o celular como se o aparelho fosse virar um autobot e conversar com ele sobre os mistérios da galáxia. — Está certo. Então vou para a casa dos meus irmãos. Hideo não vai se importar de treinar comigo. Aliás, acho que ele vai adorar, especialmente. Ou Shippou. Shippou comentou algo sobre treinamento e relaxar do esforço nadando nus e tal. Coisas de raposa, imagino. Vou ligar para ele, bom trabalho, Sesshoumaru.
Ouvi o celular estralar e percebi que Sesshoumaru o estava segurando com mais força do que era necessário.
Antes que eu conseguisse me controlar, eu estava sorrindo. Havia algo de doentio em ficar feliz de ver que era capaz de deixar Sesshoumaru tão transtornado apenas fazendo alusão a deixar que algum homem me treinasse. Podia ser apenas o orgulho dele sendo ferido ou ele poderia estar com ciúmes, mas a última opção me dava alguma esperança. Não que eu já tivesse muita.
Agora, mais do que nunca, eu percebo que sou a Rainha Sem Bom Senso. Antes que eu pudesse impedir o impulso, me aproximei de Sesshoumaru e sentei no colo dele, tirando imediatamente sua atenção do computador. Ele semicerrou os olhos para mim, num misto de desconfiança e irritação, achando que, de alguma forma, eu estava fazendo alguma brincadeira. Ergui uma sobrancelha quando ele, literalmente, rosnou para mim, colocando as mãos na minha cintura e tentando me forçar a levantar do colo dele.
— Mandei você ir tomar banho. — foi o que ele disse entredentes. Apenas deixei que o meu peso me levasse novamente para o colo dele. Para me tirar dali, ele teria que usar força suficiente para me machucar. Sesshoumaru me encarou, dessa vez beirando a cólera. — Tome o maldito banho, Kagome!
Minha mente começou a trabalhar, tentando entender o que ele estava querendo dizer com aquela ordem, não consegui chegar a uma conclusão, pois Sesshoumaru simplesmente decidiu que se eu não iria obedecê-lo, simplesmente iria me forçar a fazer o que ele queria. E como ele fez isso? Arrastou-me para o banheiro e entrou comigo com roupa e tudo embaixo da ducha fria.
— O que você está fazendo?! — exclamei, tentando me afastar, mas sendo mantida firmemente embaixo da água. Sesshoumaru segurou meus pulsos embaixo do chuveiro, parecendo pouco se importar com a água que também escorria pelo corpo dele. Ergui os olhos, notando que ele estava aspirando o ar lentamente enquanto soltava uma mão e a apoiava na parede atrás de mim. — O que diabos está fazendo, Sesshoumaru?!
Pisquei, ainda mais confusa, e me senti petrificar quando ele abaixou o rosto o suficiente para que sua orelha roçasse na minha bochecha... Ele aspirou o ar novamente de forma lenta, fazendo com que eu percebesse que o motivo para me forçar a tomar banho tinha a ver com isso.
— Você estava me mandando tomar banho por causa do meu cheiro? Era isso que estava te incomodando? — questionei, confusa. Eu não estava cheirando tão mal para precisar de um banho, a menos que o cheiro que o estivesse incomodando… Abaixei-me o suficiente para conseguir olhar o rosto dele. — Era isso?
Ele ficou ereto soltando o meu outro pulso e se desapoiou da parede. Odeio o estado de confusão em que ele me deixa permanentemente. Respirei fundo, colocando minha mente lentamente no lugar enquanto nós dois permanecíamos calados embaixo do chuveiro.
— Tem alguma coisa a ver com o composto? Eu pensei que a essa altura já estaria neutralizado, mas... Se o meu cheiro estivesse estranho você me diria, não é? — Continuei encarando-o, até perceber que não, ele não diria. — É isso? Eu estou morrendo ou coisa assim? Que droga, Sesshoumaru, custa simplesmente me dizer?
— Hanyou. — ele disse.
— O quê? — perguntei, sem encontrar sentido naquela única palavra. Ele achava que isso explicava alguma coisa? "Hanyou" poderia significar tanta coisa. Poderia dizer respeito a Inuyasha. Ou a minha condição. Ou ainda aos efeitos do composto em hanyous. Ou meu cheiro. Cheiro de hanyou.
— Você nunca se incomodou com meu cheiro antes. — comentei, percebendo que tremia por causa da água fria.
— Outro hanyou.
Franzi a testa. Compreendi: Dmitri.
— Era isso? Fez todo esse escândalo por que não gostou de sentir o cheiro de Dmitri?
— Em você. — foi a resposta irritada. Muito irritada. Tanto que em primeiro momento eu me assustei, e só depois percebi todo o peso que vinha acompanhado com aquelas duas palavras. Não, Kagome, não tenha esperanças. Isso deve ser apenas algum instinto territorialista e nada a ver com alguma espécie de sentimento que ele possa nutrir por você. Isso é bobagem.
Sorri tristemente para mim mesma e apenas perguntei:
— Meu cheiro melhorou?
Não obtive resposta dele e Sesshoumaru apenas saiu do chuveiro, puxando-me com ele.
— Ei, estamos molhando tudo!
Ele me deixou parada no meio do closet, encharcando o carpete. Suspirei e me deparei com meu reflexo ensopado, com a camisa transparente, e isso me fez atingir um tom de vermelho bordô. Respirei fundo e voltei minha atenção para minha parte do closet, a ideia era pegar uma alguma roupa seca e voltar ao banheiro, mas me assustei quando ouvi a madeira da porta de um armário se partir.
Sesshoumaru estava com a mão direita na parte de cima do armário aberto, a outra em sua testa, apertando fortemente. Aproximei-me, preocupada com o que teria feito ele simplesmente quebrar a porta.
— Tudo bem?
Ele se voltou para mim e seu olhar passeou lentamente pelo meu corpo, da cabeça aos pés, o que me fez lembrar que estava com uma camiseta transparente. Ruborizei de novo. Sesshoumaru deu um passo em minha direção. Fiquei paralisada e fechei os olhos quando sua mão direita tocou meu braço e subiu até minha nuca.
Sesshoumaru aproximou-se ainda mais de mim e eu podia sentir sua respiração contra o meu rosto — um som doloroso, como se fosse difícil manter o ritmo. Abri os olhos, e, mesmo consciente do quão perto ele estava, eu o encarei, prendendo o fôlego instintivamente. Eu nunca tinha visto os olhos de Sesshoumaru tão expressivos ou tão próximos. Era apenas intensidade desenfreada, como uma força da natureza.
Depois de descobrir que amava Sesshoumaru, e perceber o grande potencial de frustração com o qual me deparava, eu acabei isolando o assunto no fundo da minha mente, em uma tentativa não muito eficaz de não me machucar. Era chocante olhar para Sesshoumaru, agora, e perceber que ele não era tão indiferente quanto eu imaginava. Na verdade, perceber isso trouxe o assunto de volta à minha mente com tal força, que eu tremia diante da percepção de como eu havia desejado encontrar uma resposta apaixonada de Sesshoumaru.
E agora... Havia tudo isso.
Obriguei-me a voltar a respirar, embora fosse apenas um ofego. Meus dedos se fecharam em volta do pulso de Sesshoumaru, apertando a mão dele contra mim, com uma urgência que eu não reconhecia como minha. Mas existia, estava lá, e de uma forma bastante estranha, eu estava satisfeita com ela.
Usei a minha mão livre para tocar seu rosto exatamente no local onde estariam as marcas youkais se ele estivesse em sua verdadeira forma. Não passou pela minha cabeça que ele poderia me rejeitar, simplesmente fiz o que sempre faço: agi idiotamente por impulso. E então, quando finalmente percebi a bobagem que estava fazendo, como se Sesshoumaru estivesse lendo meus pensamentos, as marcas que irradiavam das orelhas até as maçãs-do-rosto apareceram sob meus dedos, assim com a meia-lua em sua testa. Era quase como se ele estivesse permitindo que eu o visse exatamente como era; como eu o tinha conhecido. O pensamento me fez abrir um pequeno sorriso. O alívio de não ter sido sumariamente rejeitada.
No segundo seguinte a boca dele descia contra a minha, fazendo com que toda a capacidade de raciocínio me abandonasse. Arregalei ainda mais os olhos, sentindo a mão dele passar pela minha cintura e me prender fortemente contra seu corpo. Fechei meus olhos e instintivamente procurei a nuca dele com a mão, entrelaçando meus dedos em seus cabelos, deixando escapar um suspiro rouco diante da sensação de formigamento em meus lábios.
De alguma forma, senti como se isso quebrasse o restante de controle que ele ainda tinha. Ele usou todo o corpo para me empurrar contra a porta do armário, interrompendo o beijo e forçando-me a puxar o ar violentamente por causa do impacto. Puxei-o contra mim, colando nossas bocas novamente. Senti sua língua passando pelo meu lábio inferior, aprofundando o beijo.
Eu me sentia perdida, como se eu não estivesse totalmente no controle de mim mesma. Havia uma parte de mim que ainda tentava achar um resquício de racionalidade, mas não tinha nada, somente ele. Antes que percebesse, eu já havia sussurrado o nome dele, mordido levemente seu lábio superior e acariciado suas costas. O botão de "controle-se" que eu achei ter quebrado mais cedo, agora, tinha realmente ido pela janela, quando Sesshoumaru desceu as mãos até minhas coxas, puxando-me para cima de forma que eu prendesse minhas pernas em volta de seu quadril. Deixei escapar um gemido rouco.
Senti os lábios dele passarem pela linha do meu queixo, demorando-se no meu pescoço. Então, fechei os olhos, incapaz de me concentrar em qualquer outra coisa além da sensação da língua dele contra a minha pele. As mãos de Sesshoumaru procuraram o meu corpo por baixo da minha regata, tocando a minha barriga e firmando-se na região logo abaixo dos meus seios, enquanto a boca dele descia em direção à minha clavícula.
— Não. — deixei escapar, embora fosse mais respiração do que som. Puxei o cabelo dele, tentando afastá-lo. — Aqui não.
Ele parou, afastando-se o suficiente para que seu rosto estivesse na altura do meu, analisando-me. Roçando os lábios nos meus, Sesshoumaru se afastou, soltando minhas pernas de seu corpo, deixando que eu deslizasse lentamente até ficar de pé novamente. Perceber a posição em que havíamos estado me deixou constrangida, mas antes que eu tivesse tempo de agir por causa desse acanhamento, Sesshoumaru segurou o meu pulso e me puxou para fora do closet.
Somente percebi que ele havia me jogado na cama quando o colchão macio absorveu meu impacto. Apoiei o peso em meus cotovelos, observando-o a minha frente. Os cabelos molhados grudados a testa, a camisa colada ao corpo, e os olhos… olhos vermelhos, como se sua natureza youkai estivesse tomando o controle. Acompanhei com olhos arregalados ele puxar o colarinho da camisa com as duas mãos para cima, arrancando-a, fazendo com que eu me sentasse, subitamente espantada.
Vi Sesshoumaru piscar várias vezes, esforçando-se para voltar ao controle de si mesmo. Continuei encarando-o com expressão chocada, até perceber que era exatamente por isso que ele estava tentando se conter. A respiração estava ainda mais pesada e ele colocou a palma da mão esquerda contra a testa. Senti que ele se afastaria, e eu não queria isso.
Agi antes de pensar. E quando refleti sobre o que fazia, tive a certeza de que era o certo. Levantei e colei minha boca à dele, segurando-o pela nuca, enquanto minhas unhas arranhavam sua pele, então eu o puxei para perto. Eu não o queria longe de mim, queria que ele entendesse que eu estava chocada com a intensidade do que estava acontecendo e não com ele. Acho que ele entendeu a minha mensagem, já que passou os braços pelas laterais do meu corpo e nos empurrou juntos, mas lentamente, de volta para a cama.
Suas mãos que estavam em minha cintura, desceram até o meu quadril e seus dedos deslizaram para debaixo da minha blusa. Fiquei frustrada quando ele se afastou, cortando o contato dos nossos lábios, abri os olhos em protesto, apenas para notar que ele havia apoiado o joelho no colchão da cama, e em seguida, senti que ele retirava minha camiseta, jogando-a de qualquer jeito em algum lugar do quarto.
Fechei os olhos esperando pelo contato, mas quando este não veio, abri-os novamente apenas para notar, um tanto constrangida, Sesshoumaru me observando.
Pisquei algumas vezes, desviando os olhos dos dele, sentindo as bochechas ferverem. Não demorou muito para que eu sentisse a mão firme de Sesshoumaru envolvendo o lado do meu rosto, obrigando-me a encará-lo.
Fiquei surpresa quando me deparei com o rosto dele tão próximo, encarando-me, sua respiração pesada misturando-se com a minha. Sesshoumaru fechou os olhos devagar e inspirou lentamente, como se tentasse absorver tudo ao seu redor.
— Gosto disso.
O simples comentário foi o suficiente para me deixar ainda mais confusa.
— Disso...?
Minha tentativa de realizar uma pergunta coerente foi por água a baixo, pois antes mesmo que eu pudesse terminar minha frase — que quase não passara de um sussurro — a mão de Sesshoumaru se dirigira aos meus cabelos, apertando-os fortemente e puxando-os para trás, me fazendo sussurrar seu nome.
Senti o nariz de Sesshoumaru roçar em meu sutiã e logo, minha pele, entre os seios. Não consegui controlar o gemido que escapou da minha garganta quando senti a ponta de sua língua fazer o mesmo percurso. Ele percorreu da mesma forma o caminho até minha orelha, deixando um rastro de fogo em cada local de minha pele que tocara e, ainda assim, fazendo com que me arrepiasse por completo.
— Isso. — ele sussurrou — Seu cheiro.
— Sessh... — a frase foi interrompida quando seus lábios mais uma vez se empurraram contra os meus. O beijo era diferente dos anteriores, mais urgente, mais faminto. Sesshoumaru passou a língua por entre meus lábios, fazendo com eu os abrisse. Tínhamos nos beijado antes, mas mesmo assim, não estava preparada para o arrepio que percorreu meu corpo com a intensidade do ato. Cada terminação nervosa do meu corpo era um fio desencapado e eu sentia que entraria em curto-circuito a qualquer momento.
Eu nunca pensei que meu corpo reagiria assim, que eu me tornaria essa massa feita apenas de sensações, que havia em mim um instinto tão primitivo como esse de me deixar levar pela paixão. Os filmes haviam me iludido por toda a minha vida, fizeram com que eu acreditasse que me entregar seria algo simplesmente romântico, mas não era apenas isso. Eu talvez encarasse melhor compreender que havia superestimado a realidade, de me deparar com fato de que não havia nada de realmente poético nisso, mas não estava preparada para descobrir que era mais do que eu tinha imaginado.
Minhas mãos deixaram o pescoço de Sesshoumaru, seguindo em direção aos seus ombros. Cravei as unhas em sua pele ainda molhada, arranhando toda a extensão de seus braços, quando senti o aperto em minha cintura ficar mais forte.
Senti a mão de Sesshoumaru descer dos meus cabelos e passear pelo meu corpo, acariciando meu pescoço, descendo para o meu seio e logo mais para a minha cintura. Ele desceu os beijos, seguindo o mesmo caminho que sua mão tinha feito, depositando uma mordida leve na junção entre meu pescoço e ombro, fazendo com que eu fosse incapaz de conter um suspiro. Suas presas desceram pela minha clavícula, arranhando levemente minha pele, até a barra do sutiã. Prendi a respiração, apenas para engasgar com ela quando ele lambeu o mamilo por cima do tecido. Ele obviamente sabia o efeito que estava causando em mim.
Arqueei as costas, inconscientemente, procurando intensificar o contato e Sesshoumaru grunhiu, apertando ainda mais minha cintura. Tenho certeza que ficará uma marca. No segundo seguinte, meu sutiã foi parar em algum local incerto e não sabido. E eu não podia me importar menos, pois agora, sem a peça que antes apenas atrapalhava o toque dele, a sensação era quase inenarrável.
Suspirei audivelmente seu nome, quando ele mordeu a lateral da minha cintura enquanto suas unhas arranhavam a parte interna da minha coxa.
Eu não conseguia me concentrar, e não seria capaz de lembrar meu próprio nome se minha vida dependesse disso. Estava perdida em mim mesma. Sempre achei vergonhoso quando lia em livros descrições como essa, mas agora eu tenho que entender por que os autores a usavam com tanta frequência. Não havia como explicar de outra forma, senão dizer que meu cérebro parecia completamente focado em absorver a sensação das carícias de Sesshoumaru e amplificá-las, como fogos de artifício de açúcar explodindo na minha cabeça. E o fato de isso fazer sentido para mim é a maior prova de que eu não estava em meu juízo perfeito.
Deixei escapar um gemido de protesto quando os lábios de Sesshoumaru deixaram meus seios e desceram em direção a minha barriga. Apoiei-me novamente nos cotovelos, com a respiração acelerada. E quando Sesshoumaru levou as mão a barra do meu short e fez menção de tirá-lo, mordi o lábio inferior, nervosa. Ele deve ter sentido minha apreensão, pois levantou os olhos, numa pergunta silenciosa. Esse era o mais longe que já tinha permitido que alguém chegasse, e eu estava apreensiva, mas amava — sim, amava — Sesshoumaru, confiava nele, e mais, eu queria. Respirei fundo e sorri de leve, deixando que ele deslizasse o short por minhas pernas.
Encarar aqueles olhos enquanto me analisavam foi uma verdadeira tribulação de sentimentos. Acho que atingi tons de vermelho humanamente impossíveis depois disso. Lutei contra o instinto de desviar os olhos, temendo que fosse perder o momento. Respirei fundo, e levei minha mão ao rosto dele, acariciando as marcas em sua bochecha e me aproximei, depositando um beijo leve em seus lábios.
— Não é justo. — murmurei, encostando minha testa na dele. Pude senti-lo franzir o cenho. — Você ainda está vestido…
Tenho quase certeza que ele sorriu quando eu disse isso. Quase, por motivos de: Sesshoumaru não sorri, a menos que o mundo esteja sendo consumido por chamas. Não pude confirmar a suspeita, uma vez que minha atenção foi direcionada a mão que subia pela minha coluna numa carícia leve, fazendo com que todos os pelos do meu corpo se arrepiassem.
Puxei lentamente o ar, fechando os olhos ao sentir o cheiro de Sesshoumaru, que, naquele momento, era algo entre elegante e inebriante. Senti-me tonta e ainda de olhos fechados saboreei um pouco mais daquela sensação, por fim, deslizei meu nariz por sua bochecha, até o pescoço, logo abaixo da orelha, onde o cheiro era mais forte. Incapaz de me conter, passei a língua sobre sua pele, descendo em direção a garganta. Não posso dizer que sabia o que estava fazendo, pois era muito mais instintivo do que qualquer outra coisa, mas quando senti que Sesshoumaru me jogava de volta na cama, colocando-se por cima de mim, percebi que, seja lá o que fosse que eu estivera fazendo, estava fazendo certo.
Não lembro o momento exato em que as calças de Sesshoumaru deixaram o corpo dele, ou minha última peça de roupa. Era difícil me concentrar em qualquer coisa que não sua boca contra a minha. Portanto, quando ele me abraçou, colando nossos corpos, soltei um suspiro audível, e apertei-me ainda mais contra ele. A sensação de pele contra pele, assim, sem nenhuma barreira de tecido, era simplesmente mais do que eu podia aguentar.
Mordi o lábio inferior quando o senti me erguer, fazendo-me recostar a cabeça no travesseiro, ele mordiscou o lóbulo da minha orelha enquanto deslizava mão direita por minha cintura, parando na minha perna, senti um leve aperto de seu polegar na parte interna de minha coxa, enquanto ele a acariciava em movimentos circulares. Puxei o ar com força devido a sensação. Engraçado como uma carícia tão suave pudesse obter uma resposta tão intensa do meu corpo.
Sesshoumaru beijou-me, puxando levemente meu lábio inferior. Desceu os beijos novamente pelo meu pescoço, enquanto suas mãos permaneciam acariciando minhas coxas, afastando-as devagar, para que pudesse se colocar entre elas. Não creio que já estive mais envergonhada em qualquer outro momento de minha vida, e vermelho bordô provavelmente não é vermelho o suficiente para descrever meu rosto neste momento.
Mordi o lábio inferior, numa mistura de nervosismo, vergonha e ainda assim, excitação. Busquei pelo olhar de Sesshoumaru apenas para encontrar olhos dourados que estavam fixados em mim. Quase ri. É claro que ele sabia o que eu estava sentindo. Malditos youkais e seu faro apurado!
Não era necessário ser um youkai para notar que eu estava apreensiva. Depois de tudo que havíamos passado juntos, desde a primeira vez que nos vimos, na Era Feudal, as lutas, o casamento e as brigas e discussões constantes, eu me encontrava ali, nua, prestes a entregar minha virgindade a Sesshoumaru. A verdade era: eu estava apavorada.
Então, meus olhos novamente encontraram os dele. Tudo mais desapareceu. Dessa vez, não temi desviar o meu olhar do dele. Não pensei se aquilo era certo ou errado, ou em como os meus amigos e minha família reagiriam quando descobrissem que, de fato, éramos um casal.
Aquele olhar me fez perder a capacidade de raciocinar. Os olhos que antes demonstravam desejo e urgência, agora transmitiam uma sensação inigualável de confiabilidade. Esse era o jeito de Sesshoumaru dizer que não me machucaria, que tudo estava bem e que eu podia confiar nele. E eu o fiz, sem pestanejar. Afinal, confiança é um ato de fé. Não era preciso pensar sobre isso.
Sesshoumaru beijou-me o colo, descendo pela barriga, deixando um rastro molhado. Mordeu-me o quadril, fazendo com que minhas mãos fossem para os cabelos dele e um gemido escapasse pelos meus lábios. Se a intenção dele era me distrair a ponto de me fazer esquecer meu próprio nome, ele tinha cumprido sua missão mais uma vez. A única coisa que ocupava meus pensamentos era ele, seu cheiro, seu corpo, seu toque e todas as sensações que me provocava.
Tive que morder meu lábio inferior com força quando sua boca desceu até a parte interna da minha coxa. Senti sua língua quente encostando na minha pele, fazendo com que eu separasse minhas pernas um pouco mais, por reflexo. Sesshoumaru sugou e mordiscou o local por um tempo, tornando a tarefa de conter os gemidos quase impossível.
Não creio que eu possa descrever fielmente o que senti quando ele se concentrou em outro lugar, um pouco mais ao lado.
Meu senhor, não consigo pensar direito. Não consigo raciocinar. Era assustador descobrir que meu cérebro poderia ficar tão confuso apenas com prazer — um prazer desconhecido, intenso como nunca pensei que pudesse ser. Sesshoumaru fazia com que eu sentisse agonia; uma agonia boa, que eu gostaria que continuasse por muito tempo, mas que se intensificava de tal forma que eu também desejava que acabasse logo.
O orgasmo me atingiu como um trem desgovernado. Havia pontos brancos na minha visão. Se fosse brincar de liga-pontos, iria encontrar uma baleia cor-de-rosa cantando Sinatra.
Sesshoumaru distribuiu beijos pela minha barriga, subindo até o meu rosto, dando-me tempo para respirar fundo e, ao menos, tentar pensar em algo que faça algum sentido, uma vez que moby dick usando black tie não podia ser considerado um pensamento conexo, mas isto era apenas um detalhe.
Os olhos dele cravaram-se nos meus e eu soube o que aconteceria a seguir. Não havia como voltar atrás — nenhum de nós se encontrava em condições de fazer isso. O olhar intenso sobre mim requisitava permissão. E eu a dei quando coloquei minha cabeça entre o ombro e o pescoço de Sesshoumaru, meu olhos cerrados devido a mistura de medo e expectativa que tomava conta de mim.
Senti Sesshoumaru invadindo meu corpo firmemente. A dor foi imediata. Meu primeiro impulso foi gritar, porém, contive-me da única maneira que pude: mordendo o ombro de Sesshoumaru com toda força que tinha.
Ele não parou, como pensei que faria. Em vez disso, gemeu alto em meu ouvido, como se estivesse gostando de ser mordido, e me fazendo arfar quando senti toda sua extensão em mim. Abri os olhos devagar e recuei, percebendo, apavorada, do local onde eu havia mordido um filete de sangue escorrer e pingar próximo ao meu seio. Sesshoumaru se inclinou, lambendo a gota vermelha que contrastava com minha pele branca, e voltou a beijar minha boca.
Ele começou a se mover lentamente, sem partir o beijo. Gemi contra seus lábios, sentindo a dor ser substituída por uma sensação de desconforto. Senti suas mãos puxando minhas pernas para entrelaçá-las em seu quadril, fazendo com que o desconforto diminuísse um pouco.
A ferida causada por minha mordida me chamou atenção. Não parecia tão feia quanto eu pensei que estivesse, mas, mesmo assim, fui movida por um impulso estranho de lambê-la. O gosto de sangue se espalhou por minha boca. Passei uma das mãos pelo braço de Sesshoumaru e a posicionei em sua nuca, cravando minhas unhas em sua pele. Ele aumentara o ritmo, segurando minha cintura firmemente enquanto se chocava contra mim.
Mais forte, mais rápido, mais, mais, mais, até que eu simplesmente perdesse qualquer traço de raciocínio, perdesse todas as partes de mim. Não sabendo onde um terminava e outro começava. Clichê? Sim. Piegas? Provavelmente. Mas foi assim que eu me senti.
Quando você não conhece uma sensação, fica difícil descrevê-la, e praticamente impossível nomeá-la. E era isso que eu estava sentindo naquele momento, apenas uma mistura incrível de sensações, sentimentos, e pensamentos desconexos em que tudo parecia fazer sentido, mas que, ao mesmo tempo, nada era completamente compreensível. E então tudo explodiu em prazer que percorreu cada terminação nervosa do meu corpo.
Acho que levei alguns minutos para me recuperar e finalmente abrir os olhos, apenas para me encontrar diante dos olhos de Sesshoumaru. Abri um sorriso cansado. Satisfeito. E descobri que eu simplesmente amava me encontrar daquele jeito: a testa colada na dele, seu nariz roçando no meu, nossas respirações se tornando apenas uma. Ele mordiscou meu lábio inferior, como se estivesse me instigando a começar tudo de novo.
Deixei que a vida simplesmente acontecesse.
Vitória (Sasnatsa) e Nyara (NyaDC)
(porque ela sou eu, eu sou ela, nós somos a gente e a gente somos nós): Gente, nós temos tanto pra lhes falar, mas com palavras não sabemos dizer... então não vamos dizer porra alguma mesmo e é isso aí, vlw flws.
BRINCADEIRA!
Então, a Tracy pediu pra que nós fizéssemos uma notinha sobre a produção desse capítulo, já que ajudamos a escrever. Não sabemos por onde começar, então vamos enrolar até que os dedos doam. –Q. Bem, a Tracy e a Mary têm vergonha de escrever putaria (o que não faz sentido, devido a profissão delas nas esquinas da cidade), então nos convocaram para a orgia. Nós, obviamente, aceitamos (até porque não era uma questão de escolhe: ou a gente fazia, ou a gente fazia). Então, começamos a produzir essa coisa linda. E deu no que deu (a.k.a a Kagome deu).
Enfim.
Só queríamos dizer que realmente esperamos que vocês gostem dessa bagaça. Trabalhamos nela por, sei lá, dois meses? Toda vez a porra ficava séria, a gente (eu, Nyara e Tracy) colocava um hadouken ou uma genki dama, ou letras de músicas proibidas para menores de 27 anos (temos prints que eventualmente serão postados no grupo). A gente riu tanto, mas tanto, que precisávamos ficar com uma garrafinha de água do lado pra não desidratar. Mas enfim, ficou pronto e aqui estamos.
Tendo dito isso, três coisas: 1. Nós não podemos trabalhar juntas, porque a gente não consegue manter a poker face; 2. Aceitamos paçoca/chocolate/Coca Cola como pagamento pelo surto (fanfics também servem, lembrem-se disso); 3. ESTAMOS PRONTAS PARA SERMOS ENDEUSADAS COMO CACAU.
3BJS P.S: MARY! PARABÉNS, UHUL, PARABÉNS, HOJE É O SEU DIA, QUE DIA MAIS FELIZZZZZZZZ! Te amamos, sua delícia.
Fkake
Aew, bom galera?
Essa NC ficou tão linda que toda vez que passava por essa porra quando ia escrever, eu lia, ai eu surtava e eventualmente não escrevia, assim como a Tracy eventualmente não revisava por conta dos surtos.
Quero agradecer essas lindas que fizeram essa coisa linda de mamãe e papai!
Quero agradecer também a minha mãe por me colocar no mundo e assim eu, em minha misera existência de 1,52 de altura, pudesse ler essa coisa diva.
Sim, achei essa Nc foda demais, me condenem, mas não hoje pois é meu niver (chupa mundo).
Pois bem, agradecimentos a parte, desculpem a demora, vida esta meio complicada, mas a gente não é Shelong mas dasse um jeito mesmo assim.
Agora eu me vou, pois minha beleza esta cansando =*
Quechann
O q eu tenho a dizer: melhor NC q tive o prazer de ler e me sinto um ser superior por ter participado da concepção (não fiz nada praticamente, mas me acho mesmo assim. Rsrs). Acho q nunca esperei tanto por uma NC tbm e valeu muuuuuito a pena mesmo esperar... ai senhor... Sim... li e reli várias vezes pq sou dessas e pq, fala sério, não tem como não fazer isso. Coisa do senhor! [Ladie: do Norte!].
Ladie
É isso, gente! Sei que todo mundo tá surtando.
Não posso falar muito, hoje é minha forms e estou atrasada.
AH E HOJE É ANIVERSÁRIO DA MARY!
