Capítulo LXIX — Brincando no Quintal de Sesshoumaru

— Menina. — dizia uma voz masculina, invadindo minha consciência — Acorde. Temos que ir.

Acordei assustada. Não que aquele ser brotado do inferno tenha me acordado bruscamente, é só que eu estava em meio a um sono agitado que poderia ser interrompido por qualquer coisa. Aliás, surpreendia-me realmente que eu tenha conseguido dormir. Sentei-me, notando que tremia, e encarei meu pai que tinha sido aquele que me acordara.

— Perdão. — ele pediu, percebendo como eu estava nervosa — Temos que ir embora. — anunciou, levantando-se.

— O quê? — perguntei, sem entender o tom urgente que ele havia usado.

— Reiji está morto. — ele explicou seriamente — Foi morto pelo Executor do Senhor do Oeste. Alguns guerreiros de Sakamoto alegam que o objetivo de Urushida era você. Então, por via das dúvidas, vou tirá-la daqui.

— Por quê? — questionei, confusa — Eu não compreendo... O que o Executor de Sesshoumaru poderia querer comigo?

Foi quando percebi que ele havia dito Urushida. Baixei os olhos, tentando dar alguma lógica àquela informação. Se Richard estava atrás de mim, significava que aquele tai-youkai que eu tinha visto quando fui atacada era mesmo ele. Ele tinha percebido alguma coisa?

— Não importa o que ele quer com você. — meu pai afirmou — Mas o que Sakamoto fará com você. Não quero descobrir o que ele pode fazer se descobrir que o filho dele morreu e que, indiretamente, a culpa é sua. Isso sem falar da presença do Senhor do Oeste no pingente que você usa. Eu consegui camuflar a presença de Sesshoumaru mais cedo, mas não há garantias de que eu estarei sempre presente para impedir que Sakamoto descubra. — ele passou a mão na minha cabeça, em um carinho inocente — Vamos para o Monte Kurama. Lá eu conseguirei protegê-la.

— Mas isso não fica nas terras de Sesshoumaru?

— Ele não faria a loucura de atacar os tengus no Monte Kurama, com todos nós lá. — papai garantiu — Entre os clãs, o do Senhor do Oeste é o menor. Poderoso, mas pequeno. Ele não vai arriscar seus homens assim.

— Pensei que os tengus já estivessem no Norte. — comentei para mim mesma, ficando repentinamente nervosa. Já parecia difícil o suficiente manter meu pai a salvo sem que ficássemos no quintal de Sesshoumaru. — Espera… Por que o senhor está me protegendo? — questionei surpresa, ao perceber aquele detalhe um tanto óbvio.

Ele abriu lentamente aquele sorriso confiante que meus dois irmãos adoravam usar para me acalmar.

— Não importa em que época meu filho a ama, mas se ele um dia vai desejar que você fique segura, então é meu dever garantir que isso aconteça. — ele ergueu uma mão para me ajudar a levantar — Agora, menina, temos que ir andando.


Seguir para o Oeste não era uma ideia para lá de genial, mas precisava confiar em meu pai, afinal, se os tengus ainda estavam no Monte Kurama é porque ele deve saber o que está fazendo — isso ou está tão convencido assim que vai dar uma cagada das grandes e colocar todos na merda… Voto de confiança no papai, voto de confiança no papai.

Estou quase tendo um enfarte! Sério, depois que tudo isso acabar vou obrigar meu marido a sair de férias comigo em uma praia linda e maravilhosa muito longe do Japão. Não que eu tenha deixado de amar meu país, apenas quero férias. Se Sesshoumaru não for, arrumo outro macho para me acompanhar! Isso, claro, se eu sair viva daqui.

Kagome, vamos manter o foco. Tem coisas que realmente não precisam ser lembradas.

Nesse momento, aliás, preciso dizer que estou sendo consumida pela nostalgia das viagens que fazia nas costas de Inuyasha. Acredito que esses anos usando carros, motos e aviões me fizeram esquecer qual era a sensação de estar nas costas de alguém viajando em alta velocidade — e apenas para esclarecer, não era nada tão ridículo quanto aqueles efeitos especiais de Crepúsculo. Só que dessa vez não estou sendo carregada por Inuyasha, mas sim pelo meu pai.

Ainda tentei usar argumentos como "eu tenho pernas", mas ele deu risada e respondeu que se eu continuasse tão animada assim para percorrer quilômetros a pé, acabaria com pernas mais masculinas que as de um youkai porco-selvagem. Resultado: sou carregada por aí como uma humana de quinze anos que não se importa nem um pouco com o fato de a saia do uniforme escolar ser muito curta para todas aquelas aventuras. Ah… Bons tempos.

Sabe o que está faltando para completar o ciclo nostalgia?

Uns bandidos. Sim, os bons e velhos malfeitores que infestam a terra como pragas, que foram meus constantes inimigos e companheiros na minha aventura na Era Feudal nove anos atrás.

E sabe por que falo dos bandidos neste momento em específico?

Porque acabamos por dar de cara com uns vinte deles em nosso caminho. E até que foi algo premeditado, tendo em vista que meu pai parou e pediu para que andássemos normalmente, apenas para —tcharam! — encontrarmos duas dúzias de saqueadores camaradas.

— Esses malditos existem em qualquer época. — resmunguei desgostosamente — São como baratas, nem explosões nucleares podem dizimar.

— É um pensamento perigoso. — papai comentou sorrindo. — Por que alguém explodiria baratas?

Abri minha boca, pensando no que responder, mas resolvi deixar para lá. De qualquer forma, não era como se pudéssemos discutir sobre o assunto, já que, para variar, os bandidos finalmente nos alcançavam. Maratona da máfia composta de típicos homens de roupas desbotadas e parte da cabeça raspada, tendo apenas um tufo de cabelo na nuca. Eu podia contar nos dedos aqueles que tinham bom senso de manter um pouco mais de cabelo. No total, vinte e cinco homens, todos humanos. Seria realmente fácil nos livrar deles, ainda mais com fato de que não havia qualquer necessidade de preocupação com um fragmento da Joia de Quatro Almas em algum deles, dando mais poderes que a armadura do Kamen Rider.

Eu queria saber o que havia de errado com essas pessoas. Eu estou usando roupas de sacerdotisa! Parece que perderam completamente o medo de represália divina — não que eu acredite que algo do tipo possa de fato acontecer. Trezentos anos atrás, na era feudal, todo mundo se pelava de medo de um youkai. Agora eles dão tanto valor a "honra do guerreiro" que se afastam completamente do plano sobrenatural. Não é a toa que na minha época os youkais tenham que se passar por humanos.

Voltei-me para o meu pai, observando-o dizer:

— Não se importem com a minha katana, é de estimação. Aqui o dinheiro. — meu pai estava com a maior cara de Buda, tirando das mangas do quimono vários pequenos invólucros de couro que tilintaram quando bateram no chão.

Os saqueadores ficaram parados a nossa volta, olhando entre si, sem compreender o comportamento pacífico (e passivo) do meu pai. Eles tiraram as katanas das bainhas e olharam em volta, esperando que a qualquer momento os samurais do bakufu saíssem da floresta e os prendessem.

Eu não posso julgar o comportamento deles. Eu mesma encarava meu pai, chocada. Ele é um youkai, como pode se intimidar com um punhado de humanos?! Até eu poderia vencê-los sem suar minha hakama, imagine ele. Então vi os cantos dos lábios do meu pai levemente inclinados em um sorriso e percebi que ele estava tramando alguma coisa. Talvez apenas esperasse que os humanos pegassem o dinheiro para atacá-los ou estivesse brincando com eles. Então esperei ansiosamente, enquanto um dos bandidos dava passos cuidadosos na nossa direção e colhia as bolsas de couro.

Meu pai não fez coisa alguma.

O líder dos saqueadores sinalizou para que o bando fosse embora, e eu continuei esperando que meu pai fizesse algo.

— Morte ao xogum! — gritou meu pai, erguendo uma das mãos em saudação. Alguns ladrões ainda repetiram o cumprimento de ódio enquanto outro deles gesticulava com as mãos, insinuando que meu pai era louco.

Eu continuei esperando.

Os ladrões foram embora. Papai suspirou, coçando a barba por fazer, parecendo muito pensativo. Agora era bastante óbvio que ele realmente não faria coisa alguma.

Aquilo tudo era… estranho, no mínimo. Só posso acreditar que meu pai deu-lhes uma pequena quantia de dinheiro para evitar confronto. De fato, não era nada sábio criar confusão quando queríamos passar despercebidos. Era uma saída nobre e muito inteligente, do tipo que jamais passaria pela minha cabeça — bater nos infelizes ou enfeitá-los com flechas era obviamente a primeira opção. Sorri para o meu pai, orgulhosa de pelo menos um de nós ser sábio. Ele sorriu de volta para mim. Disse:

— Não faço ideia do que vamos fazer agora. Eles levaram todo o dinheiro que eu tinha.

O quê?!

Pisquei muitas vezes não acreditando no que meu pai havia dito, mas notei que era totalmente verdade quando ele soltou o mesmo suspiro que o Daiki usa sempre que me confessa que comeu o pudim que me pertencia. Levei uma mão ao rosto, tentando não rir de desespero. Retiro o que eu disse. Aquilo não tinha nada de inteligente. Talvez nobre, mas inteligente não.


— Cansada? — meu pai me perguntou, enquanto diminuía o ritmo das passadas.

— Estou sendo carregada. — comentei levemente constrangida — O senhor está cansado?

— Você é leve como uma pena, menina. Fico ofendido de você se preocupar comigo. — Eu sabia pelo tom de sua voz que ele estava sorrindo — No futuro tem escassez de comida ou algo assim? Alguém devia obrigá-la a se alimentar da forma correta. Talvez eu faça isso agora. Sim, farei isso. Sou um ótimo cozinheiro. Três refeições por dia, essa será a lei sagrada.

— Ah, sim. — comentei, em tom de gozação — Eu sei de sua fama de manter as mulheres tengus sempre acima do peso ideal. Elas alternam entre amor e ódio pelo senhor. Dizem que…

Calei-me bruscamente, enquanto ele ria. Droga, havia falado demais. Ele, no entanto, parecia ter gostado da informação que eu tinha lhe dado.

— Você é uma delas? — perguntou de forma divertida.

Engoli em seco.

— Não. — respondi, controlando o súbito nó na garganta. Balancei a cabeça, tentando não pensar no assunto.

— Hum… Eu já terei partido quando você nascer? — questionou jovialmente. Aquela não parecia ser uma questão que o preocupava, o que chegava a ser engraçado, já que eu estava policiando cada uma das minhas reações para não demonstrar como o assunto me afetava.

— Está perto da verdade. — respondi baixinho.

— Está um pouco difícil para mim atualmente definir os contornos do que seria verdade. — ele comentou, enquanto respirava fundo — Estou meio obcecado por você, sabe? Hum... Isso soou ligeiramente estranho. Maldição, não importa, estou sendo honesto. — Tentei segurar o riso, notando que, agora, ele soava como o Daiki — Eu não estou obcecado por você como pessoa, necessariamente. Deuses, eu continuo falando coisas estranhas!

— Não se preocupe. — respondi imediatamente — Pode ser completamente honesto.

— Ah, certo, certo. — ele parou, soltando-me. Notei o movimento e desci de suas costas, tentando impedir que eu ficasse vermelha. Eu não me importava de andar para cima e para baixo nas costas de Inuyasha, chegava a ser engraçado que eu ficasse envergonhada de fazer isso com o meu próprio pai. — Chegamos.

— Chegamos? — repeti, sem entender como aquilo poderia ser a continuação da nossa conversa. Então ele apontou para algo mais a frente. Olhei, percebendo que estávamos muito próximos de uma cidade que, uma vez que estava anoitecendo, iniciava o acender das lanternas nas ruas.

— Estamos adentrando na província de Ômi. — ele explicou, deixando-me confusa. Ele percebeu que eu não tinha associado o nome ao lugar e completou: — Aquela é a cidade de Otsu.

— Ah! — exclamei, finalmente compreendendo, e rindo de mim mesma. — Desculpa. No futuro, o Imperador Meiji mudará o nome dessa província para Shiga.

— Um imperador decidindo algo? — meu pai questionou surpreso — Realmente, o futuro é bastante assustador.

— Imagine quando o senhor souber que, no meu tempo, aqueles que mandarão no mundo serão chamados de empresários. — Olhei para ele, com um sorriso divertido — E que você será um deles. Um dos melhores.

Ele assumiu uma postura jocosamente superior, enquanto respondia:

— Eu vou adorar ser um desses que mandam. — sorriu de volta para mim. — Seja lá o que empresário for.

— São comerciantes com muito, muito dinheiro. — tentei explicar, mas só tentei, porque percebi algo muito importante — Espera… Se aqui é Shiga… então estamos na região de Kansai!

— Sim. Estamos entrando no território do Senhor do Oeste. — afirmou, com um suspiro desgostoso — Precisaremos ser cuidadosos a partir daqui. Por ora, vamos nos preocupar apenas em achar um lugar para passar a noite. Algum lugar de graça, porque sou repentinamente um homem sem poder de compra. Vamos?

Suspirei. "Continue dando um voto de confiança para o papai!", tentei me convencer. Então o segui.


Permaneci resolutamente parada e em silêncio (se essa tática não funcionasse, eu partiria para a de sorrir e acenar). Meu pai tentava convencer um hipopótamo fêmea vestido em um quimono e maquiado como gueixa a nos deixar passar a noite numa incrível casa que se parecia muito a uma casa de chá tradicional que eu tinha visto em Kyoto.

— Tsubasa! — ela exclamava — Você tem muita coragem de aparecer na minha frente! Até hoje os servos do bakufu procuram pelo seu filho! Vocês, Tsubasa, são todos encrenqueiros! Pode sair da minha casa! Akibadai é a melhor casa de geikos da província e não precisamos de clientes como vocês!

Depois de algum tempo é que eu fui perceber que o geiko que ela usava se referia ao meu gueixa, e que aquele termo era usado apenas no dialeto do oeste. Ah, isso realmente explicava muita coisa. Ela tinha um sotaque engraçado (que, aliás, parecia ser bastante comum entre os habitantes da cidade), acentuando as vogais, fazendo-as soar mais claras do que eu estava acostumada. Parecia ligeiramente com o sotaque de Kansai que eu já tinha ouvido uma centena de vezes em Kyoto, mas era muito, muito mais intenso.

— Hideo não teve culpa. Ele foi provocado. — disse meu pai, dessa vez prendendo minha atenção.

— Ele quebrou tudo!

Meu pai lançou um daqueles sorrisos sedutores a la Daiki, juntando as mãos na frente do rosto, em um gesto atraente de subserviência.

— Só por essa noite, Senhora Mariko. — pediu.

— Não! — então ela lançou um olhar avaliativo para mim, dos pés a cabeça. Tentei me encolher e passar despercebida. Afinal, as estatísticas diziam que hipopótamos matavam mais pessoas que leões, não é mesmo? — Agora deu para sequestrar sacerdotisas? Não tem mesmo vergonha na cara?

— Nós fomos roubados. — papai explicou — Estou só com a roupa do corpo. Realmente estamos na lama e em desgraça. Prometo que vamos nos comportar. — ele garantiu.

— Não faço caridade!

— Se a senhora não nos der um teto por hoje, minha esposa vai dormir ao relento.

— Já disse que não fazemos caridade. — ela repetiu entredentes.

— Eu pago.

— Acaba de dizer que foi roubado e agora vem com conversa de que pagará?

— Desculpe, é o desespero... mas há outras formas de se pagar um favor. — ele sugeriu cinicamente. Arregalei os olhos, recusando-me a acreditar que aquela insinuação era o que parecia.

Ela avaliou meu pai dos pés à cabeça.

— Você ainda é bom em baduk¹? — ela perguntou lentamente.

— Não é algo que se desaprende. — afirmou com um sorriso — Claro que não terei dinheiro para apostar e nem garantias… Mas tenho informações… Claro, se for interesse da senhora Atotori².

— É bom que essas suas informações tenham algum valor ou eu coloco você e sua mulher na rua. — a mulher cedeu em tom imperativo. Então lançou outro olhar para mim — No entanto… Apenas geikos pernoitam nessa casa.

E eu demorei demais para entender o que ela queria dizer.


— Isso… Isso é realmente necessário? — perguntei, ligeiramente atordoada. A imagem que eu via refletida no espelho não condizia em nada comigo mesma. Alguém havia me enfiado numa armadilha — também chamado de quimono, só que com proporções de planejamento e execução dignos de uma partida de War.

A hipopótamo-gueixa me olhava pelo espelho, avaliando o trabalho que uma de suas pupilas realizava ao me vestir com um quimono de detalhes tão incríveis que merecia ser pendurado numa parede como parte de alguma decoração de luxo. Era lindo. Era elegante. Era muito desconfortável.

— Nossos clientes não sentiriam confortáveis de ver uma sacerdotisa na casa. — ela respondeu, em tom arrogante — Não existem mulheres em Akibadai que não sejam geikos. Então apenas ande ereta e finja ser uma de nós. Esses são tempos de guerra e este é um local para onde os homens correm na tentativa de fugir da realidade. É a honra de uma geiko auxiliá-los.

Fechei a cara, enquanto ela dispensava a sua pupila e iniciava o penteado elaborada que era praticamente obrigatório para as gueixas. Olhei para Mariko, sentindo algum prazer em pensar como ela reagiria se eu lhe contasse que, no futuro, as gueixas seriam associadas a prostitutas e que toda essa honra que ela evocava seria interpretada de forma errada pelos ocidentais.

— Eu vou fazer um shimada maiko³. — ela informou, embora eu não compreendesse o que aquilo realmente significava, imaginando apenas que era algum tipo de penteado específico — Isso deve inibir os clientes de falarem com você. — Agora estou ligeiramente temerosa de saber que tipo específico de penteado seria.

Ela demorou uma hora e meia fazendo um penteado. Uma hora e meia! Nem no meu casamento eu passei tanto tempo me arrumando! Como essas mulheres conseguem fazer isso todo santo dia? É impossível! Eu dormiria sentada apenas para não ter que desfazer e refazer um troço desses.

— Senhora Atotori. — soou uma voz do outro lado da porta de papel de arroz — O senhor Hideo está em Akibadai.

Meu coração praticamente saltou dentro do meu peito ao ouvir o nome do meu irmão.

— Aquele infeliz ousou?! — Mariko exclamou, andando até a porta e saindo — Eu vou matá-lo! Ele e o pai, então acabo com dois dos meus maiores problemas numa única noite! E que os deuses guardem as almas desses infelizes!

A porta de correr foi fechada com força e meu corpo estremeceu involuntariamente. O que eu faria agora? E não digo respeito a estar dentro de um quimono-armadilha com um penteado-armadilha (ambos lindos, mas não é nada fácil relaxar com eles). Eu não sabia se estava preparada para encontrar o Hideo dessa época, mas, ao mesmo tempo, desejava vê-lo com cada grama de mim.

Respirei lentamente.

A porta de correr voltou a se abrir e uma gueixa se aproximou, sentando ao meu lado.

— Eu vou ajudá-la com a maquiagem. — ela disse gentilmente, ajeitando o quimono que usava para ter liberdade com as mãos — A senhora está bem?

Pisquei algumas vezes, percebendo que estava encarando o meu reflexo fixamente, sem prestar atenção na mulher sentada ao meu lado.

— Estou bem. — respondi, sorrindo para a mulher e percebendo que ela era, sem sombra de dúvida, a mais bonita que eu já vi em toda a minha vida.

Na verdade, foi meio chocante me deparar com alguém assim, sem estar devidamente preparada. Eu realmente não sabia se ela era realmente tão absurdamente bonita como parecia ou se isso era resultado de todo o conjunto elaborado de suas vestimentas, maquiagem e porte. Estreitei os olhos, observando com desconfiança o incrível penteado feito em seu cabelo prateado.

— Tem certeza? — ela perguntou mais uma vez, sorrindo de forma doce — Você parece surpresa.

— Desculpe. — respondi, limpando a garganta — Seu… Seu cabelo me surpreendeu. Você não é muito jovem para ter cabelos grisalhos?

Ela arregalou levemente os olhos azuis e então sorriu de forma divertida, tocando os cabelos. Aquele conjunto de cores — prateado e azul — lembrou-me vagamente Dmitri, mas guardei o questionamento para mim mesma.

— É comum entre as mulheres de corte. — ela explicou, enquanto abria alguns potes e organizava pinceis — As grandes princesas de Kyoto têm cabelo dessa cor, então costumamos tentar imitá-las. Eu uso genciana para deixá-los dessa cor. É um pigmento que os mercadores trazem do continente. — Então ela me encarou. — Por que você está com essa expressão assustadora?

— Eu estou? — perguntei, passando a mão no rosto involuntariamente. — Eu… Por favor, perdoe-me. É que foi um dia difícil. — Não era bem uma mentira, mas não era por isso que eu estava encarando ela daquela forma, mas sim porque, tirando os tai-youkais, não havia tantas pessoas assim por aí com aquele tom platinado de cabelo, havia?

— Aconteceu alguma coisa? — ela perguntou, parecendo genuinamente preocupada.

— Muita coisa. — respondi prontamente, com um sorriso — Eu caí em um poço, fiz uma viagem no tempo, venci alguns saqueadores de templos, fui atacada por um demônio, levada até a casa de outro, então fiquei de cara com o meu pai (que, aliás, também é um demônio) e agora estamos fugindo do meu marido que, advinha só, é um demônio também.

O bom de se contar a verdade é que às vezes ela parecia uma mentira. Se isso não a assustasse, no mínimo iria demonstrar que eu não queria exatamente conversar. Esperei que ela reagisse, mas a única coisa que ela fez foi me encarar, muito séria, e então cair na risada. E não era uma risada feminina, como se imagina que uma gueixa faria; foi algo escandaloso, extremamente divertido. Por uns bons dez segundos, eu só pude encará-la, sem entender.

Sorri para ela. Ela sorriu para mim. Sorrimos uma para a outra. E aí ela começou a maquiagem, sem dizer uma palavra sequer, mas com a sombra de sorriso ainda presente em sua expressão.

Ficamos em silêncio por toda a hora que se seguiu. Ela mantinha uma expressão bastante séria, que apenas se intensificava quando ela não conseguia fazer algum traço perfeitamente. Até pensei em interrompê-la duas ou três vezes para perguntar se ainda demoraria muito, mas ela parecia adivinhar quando eu faria isso e me lançava um olhar duro, de quem enfiaria o cabo de algum dos pincéis em meu olho caso eu me atrevesse a interrompê-la.

Que ela era uma dessas criaturas odiosamente perfeccionistas estava mais que óbvio. O que me surpreende é que eu esteja com paciência para aguentar isso. Eu preferia ser torturada a passar mais um minuto ali.

Então ela sorriu de forma satisfeita e afastou o pincel do meu rosto.

— Perfeito! — sentenciou, colocando uma mão no queixo e avaliando seu trabalho — Uma verdadeira obra-prima. A humanidade deveria me pagar apenas por existir. Olhe no espelho e concorde comigo; grata.

Fiz o que ela mandou, encarando o meu reflexo no espelho.

Nossa.

Meu rosto havia se tornado um verdadeiro quadro preenchido com branco, vermelho e preto. Meus olhos azuis pareciam irreais, emoldurados por uma linha negra e outra de vermelho esfumaçado. De fato, era lindo. Não o tipo de lindo que atraía, mas o que estabelecia distância, status, elegância.

— É realmente incrível... — sussurrei olhando para ela — Mas parece um desperdício. Estou sendo vestida como gueixa apenas para não causar desconfiança nos clientes, não?

— Se há demônios lhe perseguindo, então ao menos vamos lhe dar um alvo bonito, não acha? — ela brincou, sorrindo mais uma vez. — Venha, vou levá-la até onde o seu pai e o seu irmão estão.


Andar nessa porcaria não é uma tarefa fácil! Quimonos são naturalmente justos, mas as mulheres dessa época estão de parabéns! As europeias têm seus espartilhos, as chinesas seus minúsculos sapatos e nós, japonesas, temos nossos quimonos.

— Ajuda se você ajustar sua postura. — a gueixa me instruiu, com um sussurro. Observei como ela mantinha suas mãos postas juntas de forma elegante na frente do corpo e dava minúsculos passos, mantendo a cabeça erguida e o olhar sempre direcionado para frente.

— Deve ser mais fácil para quem passa a vida toda num desses. — resmunguei frustrada. Por mais que eu me concentrasse, era impossível manter as costas eretas o tempo todo, mas ela fazia parecer extremamente fácil. Observei-a mais uma vez, invejando que ela parecesse tão perfeita.

— Aqui. — ela disse baixinho, parando de frente para uma porta. Ela se abaixou, sentando-se sobre os calcanhares, e eu a imitei. — Com licença. — disse, antes de abrir ligeiramente a porta de correr. Olhei para dentro da sala, sentindo o ar preso nos pulmões e sem coragem de continuar respirando.

Meu pai olhou para nós e sorriu. A senhora Mariko apenas acenou com a mão para que entrássemos, o que fiz, de cabeça baixa, incapaz de olhar para a terceira pessoa que se encontrava naquela sala. Meu pai e a gueixa-hipopótamo estavam jogando um jogo de tabuleiro antigo que eu jamais tive curiosidade de descobrir como se joga, apesar de Hideo sempre ter tentando me ensinar. Como a gueixa que me acompanhava apenas sentou-se sobre os calcanhares e ficou em silêncio, eu me limitei a imitá-la.

— Seu velho astuto! — exclamou Mariko — Mova essa peça, Takashi, e eu quebro seus dedos!

— Eu não mexi em nada.

— Hideo, fique com essa bunda sobre o calcanhar. — Mariko disse severa, tremi ao ouvir o nome do meu irmão e me concentrei para não olhá-lo. — Temos um acordo.

— Sou um tengu de palavra. — Hideo respondeu solenemente. Soltei o ar rapidamente. A voz era a mesma, o tom era o mesmo, até aquele ar obediente que ele demonstrava raramente... Tudo estava ali.

— Sim, ele é honrado. É meu filho.

— Ser seu filho não é uma honra, tampouco um elogio.

Encarei a tal gueixa safada que atende pelo nome de Mariko com muita raiva. Como ela ousa falar algo assim com o meu pai?! O barulho ao lado me fez voltar atenção para Hideo e me assustei com o som das xícaras quebrando. Meu pai ergueu a mão e encarou meu irmão, que estava em pé exibindo uma expressão irada.

Bom, a aparência dele estava diferente, percebi ao encará-lo. Os mesmos olhos azuis que eu amava, mas o cabelo, a expressão passional, as vestimentas tradicionais... Tudo isso dava aquela impressão de que algo estava errado. Que, ao mesmo tempo em que era ele, não era ele.

— Filho, — meu pai sorriu — sente-se. Mariko está apenas brincando. — Meu irmão ainda se manteve em pé, o que me impressionou; sempre pensei que ele fosse aquele tipo de filho que obedece no primeiro comando.

Foi então que aconteceu.

Pisquei e Hideo estava no chão, enquanto nosso pai sentava sobre seu peito, dando tapinhas em suas bochechas e dizendo:

— Quando eu dou uma ordem, você obedece. — Então ele se levantou virou meu irmão e começou a puxar a parte inferior de seu quimono. — Vai levar umas palmadas nesse traseiro impetuoso para aprender.

— Pai... Como um traseiro pode ser impetuoso? — meu irmão questionou enquanto segurava sua roupa e tentava escapar do nosso pai. Tentei não sorrir de como aquela pergunta parecia ser errada, em questão de prioridades.

— Não questione seu pai, moleque abusado.

— Parem os dois com isso, antes que quebrem algo e eu coloque vocês e sua senhora para dormir ao relento. — Mariko acertou um tapa na nuca de meu pai que se endireitou, mas antes deu um sonoro tapa na nádega esquerda de Hideo.

— Esperem… — Hideo soou — Você disse senhora? Senhora de quem?

— Do seu pai, óbvio. Minha é que não seria. — Ela pegou uma peça escura e colocou com força no tabuleiro — Sua vez, Takashi!

— Senhora Mariko, isso é trapaça. — meu pai afirmou com um sorriso inocente.

— Está me chamando de trapaceira?!

— Não, estou dizendo que a senhora é obviamente muito inteligente. — ele afirmou, pegando uma peça branca e posicionando-a no tabuleiro — Só que eu sou mais. Venci.

— O quê?! Como?! — Mariko exclamou. Ela ergueu-se, apoiando as duas mãos na mesa de pernas curtas e encarando o tabuleiro sem acreditar. — Como você fez isso?!

— Um pequeno truque que aprendi em Punjab. — respondeu, com um suspiro teatral — A senhora está me devendo alguma informação decente agora.

— Você tem muita coragem, Takashi. — ela resmungou levantando-se — Não mova um dedo até que eu volte! — exclamou, enquanto saía do cômodo e fechava a porta de correr com força.

Sobraram apenas nós quatro no cômodo, em absoluto silêncio. Era estranho estar ali, sem que meu pai soubesse que eu era sua filha ou Hideo soubesse que eu era sua irmã. Aliás, com a maquiagem que eu usava, seria praticamente impossível que ele me reconhecesse no futuro, independente do quanto ele me olhasse.

Olhei para a gueixa de cabelos prateados, percebendo que ela encarava meu pai, tentando esconder um sorriso. Olhei para meu pai, percebendo que ele também a observava, com uma sobrancelha erguida. Então olhei para Hideo, e percebi que ele me encarava, com uma expressão muito confusa.

Ele virou-se para o meu pai.

— Por que essa humana tem seu cheiro? — questionou, fazendo com que eu imediatamente prendesse a respiração. Meu pai olhou para mim, em um questionamento silencioso, e eu neguei disfarçadamente com a cabeça, repentinamente desesperada.

— É bom mesmo, porque a carreguei o dia inteiro. Meu cheiro é bom — respondeu papai, sorrindo para o meu irmão.

— O quê? Isso não faz sentindo.

— Assim como seu olfato. — ele respondeu tomando saquê.

— Não entendo.

— Melhor assim.

Hideo estreitou os olhos e abriu a boca para retrucar, mas nosso pai foi mais rápido e jogou saquê em seu rosto. Eu fiquei completamente chocada, assim como o meu irmão. Só o que o choque dele durou pouco, já que no minuto seguinte Hideo estava tirando a parte superior do quimono, muito bravo, e partindo para cima do meu pai.

— Atrevido. — Papai segurou a orelha dele e começou a dar voltas pelo quarto. — Repita comigo: Takashi é melhor de todos os tengus e tenho sorte de ser seu filho.

— Takashi é o melhor de todos os tengus e tenho sorte de ser seu filho.

— Tem mesmo, agora se vista, estamos na presença de duas damas.

— Sim, meu pai.

Eles se sentaram. Serviram saquê um para o outro. E pronto, parecia que nada havia acontecido. Tentei lembrar como se respirava. Nossa, é difícil acreditar que o Hideo-demônio-encarnado-terno-italiano havia sido esse tipo de pessoa. Quase dá vontade de dizer para ele: "não se preocupa, mano, no futuro, você vai ser um homem incrível, então continue a nadar".

— Pare de encarar a menina. — meu pai mandou, percebendo que Hideo continuava me encarando.

— Desculpe. — pediu novamente, tomando mais saquê.

Meu pai suspirou, olhando de mim para Hideo, e então sorriu devagar.

— Você só sente o meu cheiro nela? — meu pai perguntou para Hideo de forma conspiratória. Isso pareceu prender a atenção do meu irmão, que me encarou novamente, de cenho franzido.

— Há outro. — disse ligeiramente surpreso.

— E o que é? — meu pai questionou, dessa vez soando como se estivesse testando Hideo. Meu irmão pensou por alguns segundos, mas, por fim, pareceu desistir.

— Não sei identificar. — admitiu a contragosto.

— É desagradável?

— Não. Tem cheiro de neve e montanha. — descreveu, passando a encarar meu pai, que caiu na gargalhada. Hideo ficou desconfortável com a reação do meu pai, mas esperou pacientemente pela resposta:

— Acredite, você vai aprender a odiar esse cheiro. — afirmou, dando tapinhas no ombro do meu irmão — Uma pena que você não é bom em sentir presenças ou descobriria coisas muito interessantes.

— O que o senhor… — Hideo começou, mas foi interrompido pela gueixa-hipopótamo, que entrava na sala mais uma vez.

— Aqui, Takashi! — disse, jogando um rolo de papel para o meu pai — O Senhor Kitsune do Sul se aliou ao Senhor Taisho. Você vai ter muitos problemas.

— Pensei que ele se manteria fora disso… — meu pai comentou repentinamente sério, abrindo o rolo de papel e lendo — Péssima hora para Reiji morrer.

— Reiji morreu? — Hideo perguntou surpreso — Como isso aconteceu?

— Urushida. — meu pai respondeu, ainda concentrado no que lia. Enrolou novamente os papeis e encarou meu irmão. — Quero você longe do caminho dos tai-youkais.

— Depois que eu pegá-lo… — meu irmão afirmou — Não posso ignorar o que ele fez.

— Você é fraco, Hideo. — meu pai falou sem rodeios — Um dia você poderá se vingar, mas correr atrás do irmão do Senhor do Oeste, nesse momento, é suicídio.

Eles estavam falando de Inuyasha!, percebi, sentindo que ficava tonta. Obriguei a mim mesma a empurrar isso para o fundo da minha mente e me manter concentrada no que acontecia agora. Mas os deuses sabem como é difícil tentar não pensar no fato de que, nesse tempo, Inuyasha ainda está vivo e no que ele tinha feito.

— Mas…

— Não há "mas". — papai disse, entregando o rolo de papel para Hideo — Leve isso para Sakamoto. Permaneça longe das terras do Oeste até que tudo se resolva. É uma ordem.

Meu irmão ficou calado por bastante tempo, até que finalmente pegou os documentos e se inclinou respeitosamente.

— Partirei agora mesmo. — informou — Tome cuidado, pai.

Observei enquanto meu irmão se levantava e saía do cômodo. Cada músculo no meu corpo implorava para que eu o seguisse, para que eu o abraçasse, dissesse que o amava e garantisse que, no futuro, ninguém teria coragem de dizer que ele era fraco — exceto Sesshoumaru, claro, mas meu marido é um babaca sádico, então acho que ele não conta —, mas, talvez, dizer tudo isso para o Hideo de agora não fosse o que ele precisasse, e foi isso que me manteve em meu lugar.

Meu pai me observava, estudando minha reação. Ele parecia triste, talvez pela forma dura como tratara Hideo ou talvez por ver minha luta pessoal para não correr atrás do meu irmão para conversar.

— O drama familiar acabou? — Mariko questionou, sentando-se novamente — Voltemos a jogar! Você… — então virou-se para a gueixa de cabelos prateados, pronta para ordenar algo, mas parou, surpresa — Quem é você?


Meu pai andava calmamente ao meu lado, cantarolando algo que se parecia muito com alguma canção de marinheiro. Eu estava me preparando psicologicamente para o caso de a qualquer momento ele gritar um "Yo Ho!" — porque isso era algo que Daiki faria e acredito que já deu para notar que o meu irmão tem a quem puxar.

Ele olhou para mim, sorriu, e continuou cantarolando. A gueixa de cabelos prateados andava calmamente à nossa frente, guiando-nos por Akibadai até o quarto onde ficaríamos. A calma dela era realmente inabalável. Mesmo quando a gueixa-hipopótamo questionou sua identidade, a expressão serena continuou em seu rosto, em uma calma de desconcertar. Até a senhora Mariko ficou confusa com a reação tranquila e se acalmou, deixando a questão para lá com um "estou ficando velha e esquecida", confessado a contragosto.

— Este é o quarto. — anunciou abrindo a porta de correr.

— Obrigada. — agradeci.

Ela sorriu mais uma vez e me restou sentir inveja do fato de aquela mulher ser tão mais bonita do que eu. Olhar para ela me causa um efeito esquisito, de dez segundos de homossexualidade, que passam rápido e vão direto para o recalque.

Ela se inclinou respeitosamente e começou a se afastar, parando quando meu pai perguntou:

— Você está sob o comando de Sesshoumaru ou é apenas a cria de algum tai-youkai aventureiro?

A pergunta pareceu surpreendê-la, mas a calma continuava ali, na forma como ela girou o corpo devagar e encarou meu pai com um olhar calculista. Então ela me encarou também, e percebeu que eu não estava surpresa com a situação. Eu já sabia que havia algo muito errado a partir do momento que ela disse que me levaria até "o meu pai e o meu irmão".

— Vocês sabiam e mesmo assim deixaram que eu ouvisse toda a conversa. — ela comentou com um sorriso fascinado. — Você é realmente tão incrível quanto dizem, Senhor dos Tengus.

— São seus olhos. — ele garantiu com uma expressão embaraçada — Ei, menina, você está fugindo assunto! Você é uma hanyou do Senhor do Oeste ou não? É uma questão muito importante no momento.

Ela pareceu pensar na resposta por um momento, então disse:

— Sim. Mas não deviam se preocupar comigo... Não é como se o Senhor do Oeste confiasse em hanyous. — Ela voltou a andar calmamente, olhando tristemente por sobre o ombro — Foi um prazer conhecê-los.

Olhei para o meu pai, perguntando a mim mesma se ele compartilhava da minha opinião de que aquela mulher estava mentindo, mas ele apenas sorria tranquilamente.

Virou-se para mim:

— Acho que só tem um futton no quarto. Você tem preferência de lado?

E, com isso, eu percebo que todo esse problema em estabelecer prioridades era um problema de família.


¹Baduk — também conhecido como Go, é um jogo de estratégia originado da China, com criação prevista de 2000 A.C.

²Atatori — é o termo dado para a gueixa herdeira. Àquela que herda a liderança da casa.

³Shimada Maiko — é um penteado específico de gueixas iniciantes, aprendizes.

Bakufu — refere-se ao xogunato. O Xogunato era um regime feudal existente no Japão até à idade moderna. Semelhante ao feudalismo, porém com características orientais. Além de proprietário rural, o xogum também era um chefe militar. Devia obediência ao imperador, porém os seus comandados deviam obediência somente ao xogum.

O nome japonês é Bakufu (幕府), lit. "governo da tenda" (um controle militar) significava originalmente a morada de um xogum, mas acabou por ser usado em japonês para descrever o sistema feudal de ditadura militar, exercido pelos xoguns, e é esse o sentido adoptado pelo Ocidente ao utilizar o termo xogunato. O sistema de bakufu foi estabelecido originalmente no Kamakura bakufu por Minamoto no Yoritomo. A ala militar do governo acabou por dominar o governo civil (imperial), então, embora os Imperadores do Japão ainda encabeçavam tecnicamente o governo, o poder na prática (especialmente o militar), mantinha-se com o xogum e os daimyos. O sistema era feudal por natureza, com pequenos senhores territoriais buscando aliar-se com outros mais poderosos. Os samurais eram recompensados por sua lealdade com terras que, por sua vez, eram herdadas e divididas entre seus filhos. A hierarquia mantida por esse sistema era reforçada por fortes laços de lealdade entre o samurai e seus aprendizes. Os xoguns também tomavam amantes dentre as classes de samurai, uma prática conhecida por shudo, "o caminho do jovem", ou nanshoku, "cor dos homens".

Os três primeiros bakufu são normalmente associados a uma família em particular, que tendia a manter a posição de xogum durante aquele período. Na língua japonesa, o período de cada regime também é nomeado de acordo com a capital do bakufu. O bakufu de Ashikaga e Tokugawa também podem ser (e normalmente são) nomeados dessa forma.

[Fonte: Wikipedia]

Gueixas - são mulheres formadas tradicionalmente, no Japão, nas artes musicais, na dança e nas irresistíveis habilidades de atrair e cativar um homem. No Japão as esposas não participavam dos eventos públicos, portanto estas representantes do sexo feminino podiam substituí-las e exercer o papel da acompanhante masculina que recebe os convidados.

Desta forma, pode-se afirmar que elas não praticam a prostituição; podem até cortejar, mas geralmente não ultrapassam esta fronteira e se negam a discutir a questão sexual. É isto que encanta os homens, o mito da mulher inatingível e perfeita. Elas discorrem praticamente sobre qualquer tema com o mesmo desembaraço com que dançam, cantam e encantam o gênero masculino. A própria expressão 'geisha' tem o sentido de 'pessoa que vive das artes'.

Elas se diferenciam das outras japonesas pela forma como se maquiam e se vestem, com quimonos específicos desta comunidade feminina. As gueixas são figuras que integram há muitos séculos o imaginário japonês, embora atualmente elas sejam muito poucas. No princípio, elas eram representadas por homens, pois só eles podiam, neste país, atuar na esfera artística.

Nesta época estes artistas entretinham os convidados, praticavam intervenções artísticas e adulavam os integrantes do universo aristocrático. Somente no século XVIII as mulheres passam a ocupar este espaço. O início deste processo ainda está envolto em sombras, dando origem, assim, a várias histórias controvertidas. O que importa é que as gueixas femininas começaram a abalar o ramo da prostituição, por esta razão não eram empregadas em casas direcionadas para diversões sexuais.

Aos poucos elas enredam os homens neste jogo de arte e sedução, tornam-se suas ouvintes, recepcionam seus mais íntimos segredos e aprendem a desempenhar o papel fundamental de anfitriã em festas e reuniões do mundo das transações comerciais. Elas eram bem remuneradas por seus clientes, para que cumprissem todos os seus desejos, com exceção da prática sexual, proibida inclusive por decretos governamentais. Mas, no fundo, cabia a cada gueixa optar por relações mais íntimas com um homem ou não.

Nos séculos XVIII e XIX o ofício das gueixas estava no auge de suas realizações. Elas desfilavam em grande número pelo karyūkai — o universo cultural de que faziam parte, ou seja, o mundo 'da flor e do salgueiro'. Em Kyoto estas mulheres eram também denominadas 'geiko'. As iniciantes neste caminho eram conhecidas como 'maiko'.

Leis estabelecidas pelo Estado regiam o universo das gueixas. Essas leis determinavam de que forma elas exerceriam sua arte, o horário de sua prática profissional, como se vestiriam, entre outros termos. Para evitar que elas extrapolassem seu campo de ação e fossem confundidas com prostitutas, elas não podiam ser empregadas isoladamente. Todas estas regras só valorizavam ainda mais as gueixas, que eram cada vez mais requeridas por seus clientes.

Em tempos de crise financeira, muitas famílias de classes inferiores negociavam as próprias filhas com as casas de gueixas, quando ainda eram muito pequenas. Elas eram preparadas desde cinco ou seis anos de idade. Hoje as mulheres optam voluntariamente por este caminho, como se estivessem escolhendo qualquer outra profissão.

[Fonte: Made In Japan]


Ladie

OI GALERINHA DO MAL!

Sinto muito pela demora para postar o capítulo. Eu tinha que ter postado ele há mais de uma semana, mas eu realmente não estava conseguindo tempo para fazer isso (e quando tinha, tava desmaiando de cansaço). Então espero que perdoem realmente a demora, foi tão somente por falta de habilidade da minha parte de gerir meu tempo. T_T

Espero que tenham gostado dessa bagaça! Porque coisas importantes aconteceram! Deixe estar!

Antes de qualquer coisa: muito obrigada às novas leitoras! Os comentários foram lindos e inspiradores e queremos comer vocês com farinha... digo... amar vocês! E, é claro, obrigada às velhas conhecidas de putarias que sempre deixam review! Suas lindas!

Ah, sim, houve algumas perguntas nesse capítulo! Então aqui vai eu responder:

1) por acaso Kagome fica mais de 1 ano no passado? pq dai faria sentido o Sesshoumaru falar pro Nagi ficar longe da filha dele... De repente o Sesshy do passado já sabe de tudo, pq o Yong (fofoqueiro) contou pra ele e, se for o caso, Kagome vai pedir divórcio na hora por Sesshy ter escondido a filha dela no futuro XD (q será mais velha q a mãe... oh confusão x.x)

Assim, cá entre nós eu to shippando ela com o Takashi horrivelmente maravilhidamente, então tem grandes chances de ela ficar no passado para sempre!

2) Inuyasha vai aparecer? Pq, se me lembro bem, ele teria morrido 100 anos, segundo Shippou, o que quer dizer q na época da guerra, ele estava vivo... E não quero nem pensar no piti q ele vai dar quando sentir o cheiro do Sesshy na Kagome .

Ele está vivo! Agora se vai aparecer, é uma decisão que ainda está suspensa. Em breve vamos iniciar uma discussão no grupo do facebook sobre isso, então, quem quiser participar da decisão ou simplesmente acompanhar as potaria, entra lá!

3) Shippo sei que não aparecerá, pq na primeira vez que ele viu a Kagome no futuro ele tava surpreso com o fato dela ser hanyou, então ele não teria descoberto isso no passado... Mas terá alguma menção a ele?

Ele foi mencionado nesse capítulo!

4) vcs tem certeza q só terá mais aproximadamente 6 caps? XD pq... tipo... a fic é tão boa que não quero q termine ç.ç vcs estão mto de parabéns \o/

MEU DEUS A GENTE SÓ TEM MAIS SEIS CAPÍTULOS? NÃO! NÃO PODE! COMO ASSIM! *chora*

Rapidinha de última hora:

No grupo do facebook (facebook / groups / oporao) tem acontecido um fenômeno interessante: tem um monte de mulher pervertida que shippa uns casais muito estranhos (e lindos) dessa fic. Ai meio que rola umas fanfics, às vezes umas NCs, então vamos criar uma conta aqui no ff. net para postar essas fanfics random. Vamos dar mais notícias sobre isso em breve. Quem quiser saber mais, entra no grupo. Quem quiser ler, opinar, dar apoio moral, tirar a calcinha, escrever também... Entra insamerda logo.

Apenas para questão de arquivo, por enquanto temos:

3 Fanfics Hideo x Kagome (uma em andamento)

2 Fanfics Nagi X Kagome (uma em andamento)

1 Fanfic Ryyuji X Kagome

1 Fanfic Aika X Hideo (em andamento)

1 Fanfic Daiki X Hiroko (em andamento)

Planos estabelecidos para se escrever:

Takashi X Kagome

Daiki X Kagome

Tomoyo X Ryuuji

Jinx X Dmitri

Jinx X Richard

Jinx X Kagome

ENFIM, SÓ ISSO POR HOJE.

BEIJOS DA LADIE